terça-feira, 10 de abril de 2018

Rui Vieira Nery, Prémio Universidade de Coimbra 2018



Rui Vieira Nery (n. 1957)

O musicólogo, historiador cultural, professor universitário e gestor cultural foi distinguido com o Prémio com o Prémio Universidade de Coimbra 2018. Eis a lista dos seus livros que constam do catálogo da Universidade de Coimbra. É possível que faltem algumas da sua vasta bibliografia.


Bibliografia disponível nas Bibliotecas da Universidade de Coimbra


Monografias:

Para a história do barroco musical português : o código 8942 da BNL. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 1980.

A música no ciclo da "Biblioteca Lusitana". Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 1984.

NERY, Rui Vieira ; CASTRO, Paulo Ferreira de – Histoire de la musique. Traduit par Dominique Trotígnon. Lisboa : Imp. Nacional - Casa da Moeda, imp. 1991. (Synthèses de la Culture Portugaise). ISBN 9722704486.

NERY, Rui Vieira ; CASTRO, Paulo Ferreira de – History of music. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991. (Synthesis of Portuguese Culture). ISBN 9722704494.

NERY, Rui Vieira ; CASTRO, Paulo Ferreira de – História da música. Lisboa : Comissariado para a Europália 91 : Imp. Nacional - Casa da Moeda, imp. 1991. (Sínteses da cultura portuguesa. Europália 91). ISBN 9722704389 (Obra).

HORA, Joaquim Simões da, editor ; VAZ, João ; NERY, Rui Vieira –  Ciclo de órgão : (Junho-Outubro 1994). [S.l.] : [ASA], 1994.

NERY, Rui Vieira ; CASTRO, Paulo Ferreira de – História da música. 2ª ed. Lisboa : Impr. Nacional-Casa da Moeda, D.L. 1999. (Sínteses da cultura portuguesa. Europália 91). ISBN 9722704389.

Para uma história do fado. Iconografia Sara Pereira, Maria João Ribeiro.
Lisboa : Corda Seca : Público, 2004- (O fado do público). 20 volumes. ISBN 9728179928.

Para uma história do fado. Ed. rev. e aumentada. Lisboa : Público Comunicação Social : Corda Seca, D.L. 2004. ISBN 9728892322.

Espaço profano e espaço sagrado na música Luso-Brasileira do século XVIII. [S.l. : s.n., 2006?].  p. 11-27. Separata de "Revista Música", São Paulo, vol. 11, 2006.

Pensar Amália. Editor João Pinto de Sousa. Lisboa : Tugaland, 2009, D.L. 2010. ISBN 9789898179388.

Lisboa : CTT - Correios de Portugal, 2012. ISBN 9789728968458.

A history of portuguese Fado. 1st ed. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2012. ISBN 9789722720243.

Fados para a República. 1ª ed. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2012. ISBN 9789722720373.

Para uma história do fado. 2ª ed., rev. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2012. ISBN 9789722720236.

Os sons da República. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda : A Bela e o Monstro, edições, cop. 2015. 150, [15] p.  + 1 CD-Áudio. ISBN 9789722723282.

PEREIRA, Mário ; NERY, Rui Vieira ; VAZ, João - Os seis orgãos da Basílica de Mafra = The six organs in the Basilica of Mafra. 2nd ed. Lisboa : RTP Edições, 2015. ISBN 9789896830229.


Prefácios / Introduções / Posfácios:

SARMENTO, Joaquim – Fragmentos. Prefácio de Rui Vieira Nery. [S.l : s.n.], imp. 1999 (Viseu : Eden Gráfico).

Modinhas, lunduns e cançonetas : com acompanhamento de Viola e Guitarra Inglesa : (Séculos XVIII-XIX) = with Guitar and English Guitar accompaniment : (18th and 19th centuries). Selecção, revisão e notas de Manuel Morais ; prefácio de Rui Vieira Nery. [Lisboa] : Imprensa Nacional - Casa da Moeda, [imp. 2000]. ISBN 9722710109.

BARRETO, Jorge Lima – Musonautas : entrevistas. Prefácio de Rui Vieira Nery.  1ª ed. Porto : Campo das Letras, 2001. (Campo da Música ; 6). ISBN 9726104599.

SIMPÓSIO INTERNACIONAL A GUITARRA PORTUGUESA, ÉVORA, 2001 ; MORAIS, Manuel, coordenador - A guitarra portuguesa : actas do Simpósio Internacional, Universidade de Évora ... 2001. Introdução de Rui Vieira Nery. Lisboa : Estar, imp. 2002. (Pensar o som). ISBN 9728798008.

HALPERN, Manuel Júdice – O futuro da saudade : o novo fado e os novos fadistas. Prefácio de Rui Vieira Nery ; revisão Lídia Freitas. 1ª ed. Lisboa : Dom Quixote, 2004. (Temas de Hoje. Território Pessoal). ISBN 9722027727.

FERNANDES, Cristina – Devoção e teatralidade : as vésperas de João de Sousa Vasconcelos e a prática litúrgico-musical no Portugal Pombalino. Prefácio de Rui Vieira Nery. Lisboa : Colibri : Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2005. (Estudos ; 18). ISBN 9727725473.

CARDOSO, José Maria Pedrosa – O canto da paixão nos séculos XVI e XVII : a singularidade portuguesa. Prefácio de Rui Vieira Nery. Coimbra : Imprensa da Universidade, 2006. (Série Investigação). ISBN 9728704704.

OLIVEIRA, Maria Manuela Toscano de Barbosa Vaz de – Maneirismo inquieto : os Responsórios de Semana Santa de Carlo Gesualdo. Prefácio de Rui Vieira Nery e Michel Guiomar. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2007. (Arte e Artistas).

MACHADO, Luís – Amália : confidências em noite de primavera. Prefácio de Rui Vieira Nery ; posfácio de  Eduardo Lourenço, Carlos do Carmo, Cristina Branco. 1ª ed Lisboa : Âncora, 2011. (Pessoas). ISBN 9789727803378.

MACHADO, A. Vítor – Ídolos do fado. Estudo introdutório Rui Vieira Nery. 2ª ed. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2012. ISBN 9789722720557.

PAULINO, João – O meu sangue é fado. Prefácio Rui Vieira Nery. 1ª ed. [S.l.] : Todas as Letras, D.L. 2012 ([Lisboa] : Multitipo) (Almas do fado ; 1). ISBN 9789899778405.

HORA, Tiago Manuel da – Joaquim Simões da Hora : intérprete, pedagogo e divulgador. Palavra prévia David Cranmer ; prefácio Rui Vieira Nery. 1ª ed. Lisboa : Edições Colibri : Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, Universidade Nova de Lisboa, 2015. (Estudos musicológicos ; 14). ISBN 9789896894566.

TRIGO, Jorge. ; REIS, Luciano – Mulher de sonhos, Anita Guerreiro cheira a Lisboa. Posfácio Rui Vieira Nery. 1ª ed. Setúbal : Edições Fénix, 2015. ISBN 9789896672010.

MACHADO, A. Vítor – Idolos do fado : biografias, comentários, antologia. Estudo introdutório Rui Vieira Nery . [S.l.] : A Bela e o Monstro, cop. 2016.

MOITA, Luís – O fado canção de vencidos : oito palestras na Emissora Nacional. Prefácio de Rui Vieira Nery. [S.l.] : A Bela e o Monstro, cop. 2016.

OLIVEIRA, João Pedro Paiva de – Teoria analítica da música no século XX. Prefácio Rui Vieira Nery. 4ª ed. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2016. (Manuais universitários). ISBN 9789723108057.

Armando Neves : um vulto esquecido do fado. Introdução e notas de Daniel Gouveia ; prefácio de Rui Vieira Nery. Linda-a-Velha : DG Edições, 2017. ISBN 9789898661692.

Artigos:

A review of Gerhard Doderer,Ed. Modinhas Luso-Brasileiras (Lisbon,1984) [Texto policopiado]. Austin : University of Texas, 1984?.

Contra-Reforma e o cruzamento dos modelos no Maneirismo musical português.  In Actas dos 3ºs Cursos Internacionais de Verão de Cascais. Organização Câmara Municipal de Cascais. Vol. 4. Cascais : Câmara Municipal, 1997. p. 91-96. ISBN 9726370477.

A tentação do mito. In Expresso. Revista. Lisboa, 1999. Nº   1407. p. 40-44.

Os trilhos sinuosos do criador­. In Notícias do Milénio : 1000-2000. 1999, p. 700-706.


Editor/ Organizador/ Coordenador:

RODRIGUES, Maria Fernanda Cidrais, editor; MORAIS, Manuel, editor ; NERY, Rui Vieira, editor – Livro de homenagem a Macário Santiago Kastner. Lisboa : Fundḁcão Calouste Gulbenkian, 1992. ISBN 9726660041.

NERY, Rui Vieira, coordenador – A música no Brasil colonial : [actas] do 1. Colóquio Internacional, Lisboa, 9-11 de Outubro de 2000. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço de Música, 2001. (Estudos Musicológicos. Série ensaios ; 27). ISBN 9726660769.

LUCAS, Maria Elisabete, editor ; NERY, Rui Vieira, editor – As músicas luso-brasileiras no final do Antigo Regime : repertórios, práticas e representações. 1ª ed. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda : Fundação Calouste Gulbenkian, 2012. (Estudos musicológicos ; 35). ISBN 9789722720267.

COLÓQUIO HOMENAGEM A VASCO GRAÇA MOURA, LISBOA, 2014 ; LOURENÇO, Eduardo, comissário ; NERY, Rui Vieira, coordenador – Colóquio homenagem a Vasco Graça Moura. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2014. ISBN 9789723115147.

GRILO, João Mário, editor ; NERY, Rui Vieira, editor – P'ra rir! : cinema no Grande Auditório. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2015. ISBN 9789898807069.

TAVARES, Adérito, coordenador ; SARDICA, José Miguel, coordenador ; NERY, Rui Vieira, coordenador ; GOMES, Luís Nazaré, editor – 50 anos da Academia de Música de Santa Cecília : a educar desde 1964. Coordenadores Adérito Tavares, José Miguel Sardica, Rui Vieira Nery ; [editor Luís Nazaré Gomes] ; [créditos fotográficos António Pedro Ferreira ... et al.]. Lisboa : Althum.com, 2015. ISBN 9789896830762.


Outras Participações:

SACRAMENTO, Jacinto do [et al.] - Sonatas para tecla do século XVIII. Transcrito de Janine Moura, Macário Santiago Kastner e Rui Vieira Nery ; estudo de Macário Santiago Kastner. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 1982. (Portugaliae Musica. Série B ; 38).

BARTHÉLEMY, Maurice – Mozart. tradução Ana Maria Vaz ; revisão musicológica Rui Vieira Nery. 1ª ed. Lisboa : Dom Quixote, 1989. (Figuras ; 11). ISBN 9722006908.

KENNEDY, Michael. ; GASPAR, Carlos - Dicionário Oxford de música. Tradução Gabriela Gomes da Cruz e Rui Vieira Nery ; colaboração Carlos Gaspar... [et al.] ; revisão técnica Rui Vieira Nery e Miguel Sobral Cid. 1ª ed. Lisboa : Dom Quixote, 1994. (Fora de colecção). Tradução de “The Oxford dictionary of music”. ISBN 9722011677.

REIS, Patrícia - Callas. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery. [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013. (Divas ; 1). ISBN 9789898508485.

REIS, Patrícia - Ella. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery. [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013. (Divas ; 2).  ISBN 9789898508492.

REIS, Patrícia - Amália. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery.  [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013 (Divas ; 3). ISBN 9789898508508.

REIS, Patrícia - Piaf. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery. [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013 (Divas ; 4). ISBN 9789898508515.

REIS, Patrícia - Aretha. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery. [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013 (Divas ; 5). ISBN 9789898508522

REIS, Patrícia - Billie. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery. [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013. (Divas ; 6). ISBN 9789898508539.

REIS, Patrícia - Judy. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery. [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013. (Divas ; 7). ISBN 9789898508546.

REIS, Patrícia - Marilyn. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery . [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013. (Divas ; 8). ISBN 9789898508553.

REIS, Patrícia - Marlene. Selecção musical e notas de Rui Vieira Nery.
 [Lisboa] : A Bela e o Monstro, D.L. 2013. (Divas ; 9). ISBN 9789898508560.

ARAÚJO, Henrique Gomes de, coordenador – A Sociedade Orpheon Portuense (1881-2008) : tradição e inovação. Consultor científico Rui Vieira Nery ; coordenação de Henrique Luís Gomes de Araújo. Porto : Universidade Católica Editora, 2014. ISBN 9789898366726.


Orientador:


NUNES, Pedro Miguel Oliveira – O dramma per musica nos papéis verdianos de Nabucco, Rigoletto e Iago. Orientadores Rui Vieira Nery, Liliana Bizineche-Eisinger.  [Évora : s.n., 2010]. Dissertação de mestrado em Música (Interpretação - Canto) apresentada ao Departamento de Música da Universidade de Évora.

Direcção de publicações em série:

Próximo Futuro. Director Rui Vieira Nery. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian., 2009-. Publicação em série disponível em WWW: URL:http://www.proximofuturo.gulbenkian.pt .

Descobrir : programa Gulbenkian educação para a cultura : crianças, famílias e adultos. Director Rui Vieira Nery. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, [D.L. 2010]-.



RÓMULO – Centro Ciência Viva da UC
Coimbra, 6 de Março de 2018
Ana Serôdio

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Ciência no Sofá: Três livros de Stephen Hawking

"Onde está, evolução, a tua ciência?" de Agostinho Soares dos Santos


Gosto de descobrir nos alfarrabistas livros excêntricos. Um que comprei recentemente por um euro tem o título e o autor que estão em cima.  A edição é de autor (Porto, 1988) e a capa mostra um hominídeo que enfrenta um dinossauro, os dois quase do mesmo tamanho (a segunda edição, mostrada em cima, tem capa diferente, com um hominídeo a enfrentar um mamute do tamanho dele). O autor é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade do Porto e autor de títulos como "Bíblia, Ciência e Vida", "Maravilhas do Criador", "Ufologia à luz da Bíblia" e "Tudo nos mostra que Deus existe." Descobri depois no catálogo da Biblioteca Nacional que tem muitos mais livros com títulos tão aberrantes como este. Na mesma contracapa vem que "sem demagogia, nem fanatismo, o engenheiro Agostinho Soares do Santos vai focando os diversos aspectos das teorias evolucionistas, deixando caminho aberto para que o leitor tire as suas própria conclusões."

A contracapa engana, O livro está eivado de demagogia e fanatismo. E o autor não deixa o leitor tirar quaisquer conclusões, porque as tira ele próprio: a teoria da evolução é, segundo ele, um grande embuste, pois o mundo foi criado por Deus em pouco tempo tal como está na Bíblia. Trata-se de um manual de criacionismo em português, para que não se julgue que isso só existe nos EUA.  Percebe-se nos Agradecimentos que o autor é membro da Assembleia de Deus no Porto.

Extracto da Apresentação e Explicação:

 "A Evolução  tem proliferado por todo o Mundo e é ensinada nas escolas como Ciência. Porém, o meu parecer é que a mesma não tem  lógica nem fundamento. Como cristão ligado à ciência, sou apologista  de um criacionismo bíblico-científico (sic)"

Li a obra com natural curiosidade. Tudo lido, concluí que é um chorilho de disparates. O autor chega a dizer que a ciência mostra cientificamente a validade de muitos conteúdos do Antigo Testamento. O autor acredita piamente na Bíblia, faz dela uma leitura literal e, a partir daí, distorce completamente a ciência para que ela se ajuste a essa sua visão.  O mais curioso é que o livro inclui expressões matemáticas  respeitantes à Física de Galileu, Kepler e Newton, como se isso fosse relevante para contrariar a evolução. O autor cita Galileu (numa página com várias gralhas) sem se dar conta que  Galileu, um cristão sólido, lia a Bíblia muito melhor do que ele.

"Estar em casa" de Adília Lopes


Adília Lopes, o pseudónimo literário de Maria José Viana Fidalgo de Oliveira (Lisboa, 1960), é uma das mais originais poetas contemporâneas. Consultada a Wikipédia ficamos a saber que é filha de uma assistente de Botânica da Universidade de Lisboa e de um professor do ensino secundário e que frequentou sem ter concluído o Curso de Física daquela Universidade. O seu primeiro livro de poemas é de 1985 ("Um jogo bastante perigoso"). A sua obra reunida, intitulada "Obra" é de 2000 (Mariposa Azul). Há uma nova edição actualizada intitulada "Dobra" (Assírio em Alvim, 2009, 1.ª edição e 2010, segunda edição). Depois da dobra Adília Lopes tem continuado a publicar:

  • Manhã (Assírio & Alvim, 2015)
  • O Poeta de Pondichéry (Assírio & Alvim 2015 - Coleção: Assirinha; com desenhos de Pedro Proença)
  • Bandolim (Assírio & Alvim, 2016)
  • Z/S (Averno, 2016)

O último volume, acabado de sair na Assírio e Alvim, intitula-se "Estar em casa". Na linha de "Bandolim", não parece um livro de poesia. São aforismos, jogos de palavras, pequenas histórias, apontamentos, pequenas histórias e recordações de infância. A dedicatória é à sua gata Lu. Inclui fotografias dos avós e da pequena Maria José, sozinha e com o pai.

A ciência, tal como noutros li aparece amiúde, tal como a abrir uma citação do professor de Matemática José Sebastião e SIlva na p. 13 e do físico e padre jesuíta francês Noê Regnault na p. 20, a referência á física do balançar das flores na p. 42, três textos com curiosas discussões matemáticas ("54-45", "O Calendário" e "O Um") nas pp. 64-69, um comentário de um biofísico sobre o computador ("é um monstro") na p.  72, e o jogo de palavras "eclipse/elipse, na p. 75. Mas na maior parte das páginas não há ciência nenhuma: há memória, lirismo, por vezes nonsense.

Admirador da sua "Obra" ou "Dobra", conforme lhe queiram chamar, destaco aqui dois textos de prosa poética, os dois referentes a cenas domésticas:

O BULE

"Tenho um bule de que gosto muito, que acho muito bonito. Mas de repente do que gostei mais foi de reconhecer a sombra do bule nas costas de uma cadeira, ae dar com a sombra do bule. É fácil dizer que lembra uma ave. Mas é o que está certo dizer. Essa repentina ave, estou a lembrar um verso, deu-me muita paz. Ao fim da tarde, depois de os amigos se terem ido embora, a sombra do bule fez-me ver como sou feliz às vezes."

(p. 59)

"A Lu estava a morrer e quis ir à janela apanhar Sol. De repente estava a olhar com muita atenção o almeida a varrer as folhas lá em baixo na rua.

De uma vez demorei-me mais, ao voltar a casa, a Lu pôs-me uma pata no peito com muita força. A Lu amava-me muito. Acho que só os animais são capazes de amar assim tanto. Eu não sou capaz."

(p. 79)

Há coisas que a ciência não consegue dizer. Mas a poesia consegue. 

domingo, 8 de abril de 2018

"Quarenta anos de investigação" de Claudina Rodrigues-Pousada


Em Portugal são raros os livros de memórias de cientistas, em particular os da geração que se reformou recentemente ou se vai reformar em breve que contribuiu para o grande crescimento da ciência após 25 de Abril de 1974, o dia da Revolução dos  Cravos, e, de forma mais nítida, após 12 de Junho de 1986, quando Portugal entrou na  União Europeia (então Comunidade Económica Europeia). Foi também por isso que li com agrado o livro Quarenta anos de investigação. Na voragem do tempo, escrito pela bióloga Claudina Amélia M. Rodrigues Pousada e publicada pela editora Húmus em 2017.

Ao contrário do que o título sugere, o livro não é apenas o relatório científico de uma carreira longa (um resumo em inglês está aqui), embora os seus principais marcos estejam aí bem apresentados. É também e principalmente a história da sua vida. Desde o seu nascimento em 1941 em Tadim, no Minho, de uma família modesta, até ao seu grupo actual de trabalho em biologia molecular (stress celular) no ITQB em Oeiras, a sua trajectória inclui a frequência do liceu de Guimarães, a  licenciatura em Farmácia pela Universidade do Porto (concluída em 1968) após uma fugaz frequência do curso de Matemática, o seu subsequente  estágio  no Centro de Biologia do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), o seu trabalho de doutoramento no Institut de Biologie Physico-Chimique de Paris, sob a supervisão do irlandês Donal Hayes, com uma tese de  doutoramento de Estado defendida em 1980 (tese de 3.º ciclo concluída em 1976), o lugar de investigadora do IGC onde pôde montar o seu próprio grupo em Portugal, a agregação em 1983 no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (IBAS), no Porto, onde deu aulas a tempo parcial, e desde 2000 a sua transferência para o ITQB convidado por António Xavier, após ter saído do IGC com a reestruturação elevada a cabo por António Coutinho (que, depreende-se do que é escrito, não a tratou muito bem).

Os seus resultados científicos traduzem-se em mais de uma centena de artigos publicados em revistas internacionais, o doutoramento de 30 estudantes, a organização de vários congressos internacionais na área da especialidade e a recepção de vários prémios e distinções. tanto nacionais como internacionais, incluindo o título de Fellow da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) e o diploma de honra da Federação Europeia das Sociedades de Bioquímica (FESB). Entre os cientistas portugueses com quem contactou devem ser mencionados Francisco Carvalho Guerra, Nicolau van Uden, Luís Archer, Corino de Andrade, Ruy Pinto, Aurélio e Alexandre Quintanilha, Arsélio Pato de Carvalho, para além de António Coutinho e António Xavier (que hoje dá nome ao ITQB). Fica claro o papel de IGC na recepção em Portugal da moderna biologia experimental, muito antes de Coutinho lá ter chegado. No estrangeiro Claudina Rodrigues-Pousada contactou com François Gros, um dos grandes nomes da biologia molecular francesa, para além de contactos mais esporádicos com alguns dos Prémios Nobel que ajudaram a erguer aquele ramo da ciência, tais como Francis Crick e Jacques Monod.

Alguma das histórias que conta neste livro ajudarão decerto a fazer a história da ciência em Portugal, em particular a história do IGC, do ITQB e do ICBAB. As histórias pessoais são particularmente interessantes, pois um cientista é um ser humano, é sempre ele e a sua circunstância. Em particular, o leitor ficará emocionado com a separação a que se viu obrigada dos três filhos (dois gémeos de 4 anos e outro de oito anos) quando, determinada, foi iniciar estudos de doutoramento sozinha para Paris. E ficará também tocado pelo relato de uma doença grave do que padeceu. O ambiente do laboratório, o desastre que foi a cheia em Oeiras que destruiu parte do IGC, os triunfos que foram cada artigo que contribuía com um progresso relevante e cada tese de doutoramento,  as opiniões sobre o trabalho dos seus discípulos  prendem também o leitor, ainda que ele não perceba muito de biologia molecular, Ficará a perceber quão difícil foi trabalhar num tempo em que os meios ainda eram rudimentares à medida que a ciência crescia no nosso país. Pormenores mais desagradáveis, quer pessoais quer profissionais, são inteligentemente calados. Mas a autora não se inibe de desvendar a sua simpatia política (foi tradutora para francês de Álvaro Cunhal) e de contar como, em compreensível alvoroço, viveu em Paris o 25 de Abril de 197. Os seus hobbys são também descritos de modo a dar-nos um retrato de corpo inteiro.

O livro, bem organizado, está escrito de uma forma muito simples e, portanto, clara. Tem anexos, uma bibliografia cuidada e um glossário que ajuda a compreender alguns termos técnicos. E tem fotografias a  preto e branco e a cores, em extratexto, que nos dão a conhecer visualmente os principais protagonistas, a começar os avós e a acabar no lazer com amigos quase na actualidade.

Dou os parabéns à Doutora Claudina Rodrigues-Pousada pelo seu livro. Fazem falta outros livros como este, escritos na primeira pessoa, que nos mostrem como foi a ciência  em Portugal, designadamente o seu crescimento no pós 25 de Abril  a partir do esforço pioneiro de alguns "estrangeirados". A moderna biologia molecular desenvolveu-se em Portugal, principalmente em Lisboa, Porto e Coimbra, porque houve quem a semeasse e a regasse.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sociedade Civil sobre vacinas



Programa Sociedade Civil sobre vacinas, no qual participei:

https://www.rtp.pt/play/p4365/e339785/sociedade-civil

Consolidação da política educativa vigente

Na sequência das alterações curriculares em curso, em comunicado do Conselho de Ministros de ontem, 5 de abril de 2018, dá-se conta do seguinte:
1. Foi hoje aprovado, na generalidade, o Decreto-Lei que define os princípios de organização do currículo dos Ensinos Básico e Secundário, que será agora colocado em consulta pública. 
Este diploma representa mais um passo na concretização de uma política educativa que garanta a igualdade de oportunidades, promovendo o sucesso educativo. 
Nesse sentido, este decreto-lei vem conferir autonomia curricular às escolas, reforçando a flexibilidade dos currículos, de modo a que sejam aprofundadas e enriquecidas as aprendizagens essenciais. As principais alterações contidas neste diploma são:
- Adapta-se o currículo ao Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória, como finalidade dos 12 anos de escolaridade;
- Generaliza-se a Autonomia e Flexibilidade Curricular, conferindo às escolas a possibilidade de gerir até 25% do tempo disponível, de forma não impositiva, adequando tempos, espaços e metodologias aos seus projetos curriculares;
- Eliminam-se instrumentos de dualização precoce, extinguindo-se os cursos vocacionais do ensino básico;
- Introduz-se no currículo a área de Cidadania e Desenvolvimento;
- Introduz-se flexibilidade no Ensino Secundário, dando aos alunos dos diferentes cursos e vias a possibilidade de permutar disciplinas;
- Eliminam-se os requisitos discriminatórios no acesso ao Ensino Superior dos alunos do Ensino Profissional e do Ensino Artístico especializado.

8 DISCOS QUE HAWKING LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA


Em 1992 Hawking de uma entrevista a um conhecido programa da BBC que pede 8 discos, 1 livro e uma guloseima. Eis as respostas, que estão no livro "Buracos Negros e Universos bébés" de Hawking:

1 - Gloria, de Poulenc
2- Concerto para Violino de Brahms
3-  Quarteto de cordas, op. 132, de Beethoven
4- A Valquíria, primeiro acto, de Wagner
5- Please, Please me, dos Beatles
6- Requiem, intróito, de Mozart
7- Turandot, de Puccini
8- Je ne regrette rien, de Edith Piaf

Livro
- Middlemarch, de George Eliot

Guloseima
- Leite creme.

"Um grande sol aproxima-se a nado"


"Um grande sol aproxima-se a nado" é um pequeno livro de poemas de Ângelo Alves, professor de Física e colaborador deste blogue. O Ângelo, que foi meu aluno, é um apaixonado da literatura, em particular da poesia, conhecendo bem a obra tanto dos poetas internacionais como nacionais. Este livro saído em 2017 na editora Temas Originais é o seu 5.º livro de poesia. O primeiro foi "Doidivino" (Temas Originais, 2012), ao qual se seguiram ("Falo do fundo", 2014, Papiro), "O Leve Odor dos Noveleiros" (Temas Originais, 2016) e "O Grande Nada Azul, (Temas Originais, 2016).

O título do último livro inspira-se num verso do poeta Paul Célan (1920-19670), do livro "A Rosa de Ninguém"(no original "Die Niemandsrose", 1963) . Célan, nascido na Roménia, viveu boa parte da sua vida na rança, mas escreveu em alemão. Sobrevivente do Holocausto, suicidou-se por afogamento no rio Sena aos 49 anos (resultado talvez de doença mental que o assolava), após ter revelado um enorme talento literário, reconhecido por alguns prémios.

Curiosamente, também há uma Rosa nos poemas de Ângelo Alves reunidos nesta sua obra. E é uma Rosa de ninguém:

"Dei o nome Rosa
À minha solidão.

E, como o xaile negro
Que roça o jardim
E vai ornamentar
O puro coração,
Amo-a com desespero
E a vejo brotar.

E agora sinto
O abismo da cova,
A terra, o caixão,
A entrega do sino
E a pedra velada
P'la minha solidão."

Palavras simples, que exprimem sentimentos intensos. O mar e o Sol sobre o mar (na capa, a preto e branco porque a colecção se intitula "Preto no Branco", talvez seja o Sol de Quiaios) têm também uma presença intensa no livro.:

"O poema é a espera
Melindrosa de escuma.
O poema é uma criança
Que na escuma se ateia,
Eo mar a avançar como sol.

O poema é sol e a escuma -É a criança do mar.
E da areia."

Há uma Rosa que terá aparecido a rivalizar com o Sol sobre o mar:

"Os seios bagoados -
Os meus olhos brotando,
Bago a bago,
O mar magoado.
Oscular os seios dourados
E fazer de cada dedo
Um barco, um barco... -
O meu sonho gorado."

O encontro foi fugaz e só perdura nos poemas:

"Olhámo-nos, enquanto uma vaga
Nascia no horizonte
E expirava  no areal.

Olhámo-nos, enquanto uma lapa
Se alapava no sol
E voltava ao sal."

O Ângelo está muito longe de estar isolado como autor de formação científica que escreve poesia. A ciência não chega evidentemente para descrever a vida, as intensas ainda que fugazes experiências de vida (seja a vida verdadeiramente vivida ou a vida mental, pois "o poeta é um fingidor"). Mas leiam s outros poetas se conseguirem o livrinho, uma raridade.

2001 ODISSEIA NO ESPAÇO

Foi a 2 de Abril, há 50 anos, que estreou nos EUA o clásico do cinema, dirigido por Stanley Kubrick a partir de um roteiro dele próprio e de Arthur C. Clarke.


quinta-feira, 5 de abril de 2018

AGUSTINA E O PRINCÌPIO DA INCERTEZA


Em 2018, ano em que se assinalam os 70 anos da publicação de Mundo Fechado, decorrerá na UTAD um conjunto de iniciativas que pretendem dar a conhecer a obra de Agustina Bessa-Luís.
Terão lugar, nomeadamente, as Tardes de Agustina, cujo objetivo é proporcionar leituras diversas da obra da escritora; Exposições, que terão a colaboração das Escolas Secundárias de Vila Real e da Biblioteca Municipal; um Ciclo de Cinema em torno das adaptações fílmicas de algumas das suas obras literárias; Apresentação de Livros, em articulação com a Editora Relógio d’Água; um Colóquio Internacional, a 22 e 23 de novembro, que pretende agregar convidados em torno da obra de Agustina Bessa-Luís. Coincidente com o final do Colóquio, será concedido o Doutoramento Honoris Causa à escritora.

A primeira Tarde de Agustina acontece já no 13 de abril, em torno do “princípio da Incerteza, tendo como convidados Carlos Fiolhais e José Manuel Heleno.
Local: UTAD - Ed. ECT – Auditório do Polo II
Hora: 14H30

Temos a certeza que será um diálogo frutuoso e estimulante!
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GCI NEWS
Gabinete de Comunicação e Imagem
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real
Telefone 259 350 141 – Ext. 4141
e-mail: 
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EUGÉNIO LISBOA E O PRÉMIO DE CARREIRA ATRIBUÍDO PELA FUNDAÇÃO INÊS DE CASTRO


Foi publicada hoje, no “Diário de Coimbra”, uma carta “Fala o leitor”, subscrita por Armando Figo com o título “Sobre a atribuição dos prémios da Fundação Inês de Castro”, reportando-se ao ensaísta Eugénio Lisboa.
Não podia o” De Rerum Natura” deixar de saudar esta homenagem a uma personalidade que muito tem enriquecido este blogue com a publicação de “post’s seus. Transcreve-se o referido texto:

“Senhor Director, 
Foi recentemente galardoado o ensaísta Eugénio Lisboa com um prémio carreira, o Tributo de consagração Fundação Inês de Castro  2017. 
Foi justa as atribuição deste prémio. Primeiro, porque se trata de um ensaísta de mérito com vasta obra publicada. Segundo, porque este prémio serve para  o mundo da cultura lhe conhecer o verdadeiro perfil de homem da cultura, que desde o princípio dos  anos 50 do século passado encetou um estudo profícuo sobre o peta José Régio, quando foi colocado com aspirante a oficial miliciano em Portalegre, onde o poeta era professor liceal, e onde aí cimentaram uma amizade duradoura. 
Sendo esse prémio atribuído pela Fundação Inês de Castro,  instituição de Coimbra, parece-me existir  uma estreita conexão entre a atribuição deste galardão e a Cidade do Mondego, porquanto o premiado tem algumas obras de vulto sobre Régio (destaco uma: ‘Vida e obra de José Régio’), onde teve de se debruçar profundamente sobre esta cidade, onde estudou nos anos 20 do século passado. Aconselho vivamente a leitura desta obra. 
Ao premiado, que já conta 87 anos de idade, daqui lhe endereço os meus parabéns e faço votos sinceros  que não seja o derradeiro prémio.”
O “De Rerum Natura” associa-se a esta homenagem, assim como a muitas outras que lhe têm sido feitas e lhe continuarão a ser prestadas!

OS LIVROS DE ASIMOV


Isaac Asimov foi um dos escritores mais prolicos de sempre. Entre obras de divulgação científica e obras de ficção científica escreveu cerca de 500 livros. Eis a lista dos seus escritos nas bibliotecas da Universidade de Coimbra, elaborado pela Maria João Oliveira, do Rómulo:


LISTA BIBLIOGRÁFICA DE ISAAC ASIMOV (1920-1992)

Títulos do Autor disponíveis no RÓMULO CCVUC (divulgação)

Até aos confins do universo. Tradução Eduardo Saló. Lisboa : Dêagá, cop. 1967. (Colecção DH Ciência ; 6).

A nova dimensão : teoremas. Tradução Eurico da Fonseca. [Lisboa] : Galeria Panorama, 1973. (Diversos ; 10).

A electricidade. Rio de Janeiro : Editora Gaivota, 1975. (Como descobrimos...?).

O colapso do universo. Tradução Maria Adelaide Freire. 1ª ed. Lisboa : Círculo de Leitores, 1982.

ASIMOV, Isaac ; VARELA ORTEGA, Consuelo ; DÍAZ CALERO, Federico. - Enciclopedia biográfica de ciencia y tecnología : la vida y la obra de 1197 grandes científicos desde la antiguedad hasta nuestros días. Madrid : Alianza Editorial, 1982. (Alianza diccionarios). ISBN 8420652148.

O universo da ciência. Tradução Eduardo Nogueira. 1ª ed. Lisboa : Presença, 1987. ISBN 9722310143.

Tão longe quanto chega o olhar humano. Tradução António José dos Santos Realinho. Mem Martins : Europa-América, D.L. 1989. (Forum da Ciência ; 7). ISBN 9721027030.

A terra e o cosmos : os horizontes do espaço, do tempo, da matéria e da energia. Tradução Carlos Murteira. Mem Martins : Europa-América, D.L. 1989. (Forum da Ciência ; 8). ISBN 9721027618.

Cien preguntas básicas sobre la ciencia. Tradução Miguel Paredes Larrucea. Madrid : Alianza Editorial, 1991. ISBN 842061663X.

Momentos estelares de la ciencia. Tradução Miguel Paredes Larrucea. Madrid : Alianza Editorial, 1991. (El Libro de Bolsillo ; 799). ISBN 8420617997.

A relatividade do erro. Tradução Teresa Louro Pérez. Lisboa : Edições 70, 1991. (Universo da Ciência ; 21). ISBN 9724407535.

Os buracos negros. Tradução Elaine Valentini Oliveira Lima Pinho. São Paulo : Manole Dois, 1992. (Como descobrimos...). ISBN 8520400515.

O segredo do universo. Tradução Paula Reis. 1ª ed. Sacavém : Puma, 1992. (Ad Hoc). ISBN 9729469067.


Guia da terra e do espaço. Tradução Luís Pinto. 1ª ed. Porto : Campo das Letras, 1995. (Campo das Ciências ; 1). ISBN 9728146159.

De todo o lado. Ensaios sobre o um mundo e a humanidade. Tradução Elsa T. S. Vieira. 1ª ed. Lisboa : Livros do Brasil, 2004. (Vida e Cultura ; 170). ISBN 9723827042.


Átomo : uma viagem pelo universo subatómico. Tradução Luís Pinto. 1ª ed. Lisboa : Campo das Letras, 2004. (Campo das ciências ; 14). ISBN 9726107776.



(ficção)


Mistérios. Tradução E. Saló. 2ª ed. Lisboa : Vega, 1990. (Outras obras). ISBN 9726992540.

Cair da noite. Tradução Eduardo Saló e Victor Palla. Lisboa : Vega, 1993. (Órbita ; 4). ISBN 9726993474.

Com a cabeça na lua : antologia comemorativa dos 40 anos da chegada à lua. Tradução Mário Matos, João Seixas, Sofia Moreiras. 1ª ed. Parede : Saída de Emergência, 2009. (Ficção científica). ISBN 9789896371326.

Os crimes dos viúvos negros. Tradução Raquel Dutra Lopes. Lisboa : Ulisseia, cop. 2011. ISBN 9789725686805.


Outros títulos disponíveis nas Bibliotecas da Universidade de Coimbra:

(divulgação)

BOYD, William C. ; ASIMOV, Isaac. - Races and people. London : Abelard-Schuman, 1958.

Life and energy : an exploration of the physical and chemical basics of modern biology. Garden City : Doubleday & Co., 1962.

Guida alla scienza per l'uomo moderno. Milano : Feltrinelli Editore, 1964. (I Fatti e le Idee ; 129).

L'homme, ses structures et sa physiologie : le cerveau : les hormones, les système nerveux, les sens, le comportement. Verviers : Marabout Université, 1965.

The genetic effects of radiation. Oak Ridge : U.S. Atomic Energy Commission, Division of Technical Information, 1966. (Understanding the Atom).

Understanding physics : motion, sound, and heat. New York : New American Library, 1966.

The world around you. [New York] : [Lancer Books], [1966].
A ciência os números e eu. Tradução Eduardo Saló. Lisboa : Edições Dêagá, [1968]. (Colecção DH Ciência ; 1).

Da terra ao céu. Tradução Eduardo Saló. Lisboa : Edições Dêagá, [1971?]. (Colecção DH Ciência ; 3).

Os mágicos do espaço. Tradução Eduardo Saló. Lisboa : Edições Dêagá, [1971]. (Colecção DH Ciência ; 4).

Do tempo, do espaço... e de outras coisas. Tradução Ana Gonzalez. Lisboa : Edições Dêagá, [1972?]. (Colecção DH Ciência ; 10).

Uma infinidade de estrelas : antologia. Tradução Eduardo Saló. Lisboa : Edições Dêagá, [1972?].(Colecção DH Ciência ; 8).


O cérebro humano : suas capacidades e funções. Tradução Virginia Lefevre. São Paulo : Hemus-Livraria Editora, [1974?].

O corpo humano : sua estrutura e funcionamento. São Paulo : Hemus-Livraria Editora, [1974?].

Civilizações extraterrestres. Tradução Maria de Lourdes Medeiros. Mem Martins : Europa-América, [D.L. 1983]. (Portas do Desconhecido ; 45).


A electricidade. Tradução Mafalda Mendes de Almeida. 1ª ed. Lisboa : D. Quixote, 1984. (Caminhos da Ciência ; 1).

Los Estados Unidos de la Guerra Civil a la Primera Guerra Mundial. Madrid : Alianza, D.L 1984. (Historia Universal de Asimov). ISBN 8420694991.

Os tremores de terra. Tradução Marie Thérèse Abecassis. 1ª ed. Lisboa : D. Quixote, 1984. (Caminhos da Ciência ; 3).

As vitaminas. Tradução Marie Thérèse Abecassis. 1ª ed. Lisboa : D. Quixote, 1984. (Caminhos da Ciência ; 2).


Viagem fantástica ao cérebro. Tradução Manuel Cordeiro. Lisboa : Círculo de Leitores, imp. 1988.



(ficção)

As cavernas de aço. Tradução Mário Henriques Leiria. Lisboa : [s.n.], [19--?].

The kingdom of the sun. New edition, revised and enlarged. New York : Collier Books, 1960.

Fundação. Tradução Carlos Campos. Lisboa : Editora Ulisseia, [1961?]. (Colecção e3-C ; 6).

Nove amanhãs. Tradução Fernando de Castro Ferro. Lisboa : Editorial Minotauro, 1961. (Órbita ; 2).

Ameaça dos robots. Tradução Fernando de Castro Ferro. Lisboa : Livros do Brasil, [1962]. (Argonauta ; 70).

Fundação e império. Tradução Alfredo Margarido. Lisboa : Livros do Brasil, [1964?]. (Argonauta ; 86).

Segunda fundação. Tradução Vitorino de Sousa. Lisboa : Livros do Brasil, [1964?]. (Argonauta ; 89).

A viagem fantástica. Tradução Eduardo Saló. Lisboa : Editorial Panorama, 1967.

The rings of saturn. London : New English Library, 1974.

O sorriso de metal. Tradução Maria Celeste Pedro. Lisboa : Portugal Press, 1979.

O planeta dos deuses. Tradução Eurico Fonseca. Lisboa : Livros do Brasil, [D.L. 1980]. (Argonauta ; 277).

The gods themselves. London : Granada, [1981].

Robot completo. Tradução José Teixeira de Aguilar. Mem Martins : Europa-América, cop. 1982. (Nébula ; 2, 3).

Foundation's edge. London : Granada, 1983. ISBN 0246120126.

Mensagens do futuro. Tradução Eurico Fonseca. Lisboa : Livros do Brasil, [D.L. 1984]. (Argonauta ; 320).

O que será o futuro. Tradução Eurico Fonseca. Lisboa : Livros do Brasil, [D.L. 1984]. (Argonauta ; 327).

O fim da eternidade. Tradução Eduardo Saló. Lisboa : Círculo de Leitores, imp. 1987.

Le migliori opere di fantascienza. Milano : Nord, 1987. (Cosmo. serie oro ; 84).

Azazel. Tradução Pedro Vidal da Silva. Mem Martins : Europa-América, D.L. 1990. (Livros de bolso. Ficção científica ; 170-171). ISBN 9721031003.

Némesis. Tradução Nuno Miranda. Mem Martins : Europa América, D.L. 1990. (Nébula ; 36). ISBN 9721031305.

Sonhos de robot. Tradução Mário Redondo. Mem Martins : Europa América, D.L. 1991. (Nébula ; 39). ISBN 9721032417.

ASIMOV, Isaac ; SILVERBERG, Robert. - Anoitecer. Tradução Maria de Lurdes Medeiros. Mem Martins : Europa-América, D.L. 1992. (Nébula ; 47). ISBN 9721035521.

Visões de robot. Tradução Eduardo Saló. Mem Martins : Europa-América, D.L. 1992. (Nébula ; 46). ISBN 9721035211.

ASIMOV, Isaac ; SILVERBERG, Robert. - Filho do tempo. Tradução Jorge Ramos. Mem Martins : Europa-América, 1994. (Nébula ; 52). ISBN 972103827X.

Prelúdio à fundação. Tradução J. Santos Tavares. Lisboa : Livros do Brasil, 1998. (Argonauta gigante ; 1). ISBN 9723816539.

Eu, robot. Tradução Eduardo Saló. Mem Martins : Publicações Europa-América, 2004. (Nébula ; 96). ISBN 9721054410.


*Nota: A presente lista foi elaborada de acordo com a NP 405 e está organizada por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente).


RÓMULO CCVUC
Março 2018
MJoão Oliveira

A CIÊNCIA E O GOLO DE RONALDO



Ver, sobre o extraordinário pontapéde bicicleta de Ronaldo, artigo de Marta Leite no Observador, que se serve de declarações minhas:

https://observador.pt/especiais/a-ciencia-explica-mas-por-pouco-aquele-golo-de-cristiano-ronaldo/

quarta-feira, 4 de abril de 2018

COM COENTROS E CONVERSAS À MISTURA

Novo livro do Professor Galopim de Carvalho.
·
Há cerca de um ano, combinámos, eu e alguns dos meus leitores no Facebook, passar a livro uma selecção dos textos que aqui tenho publicado. A recolha está feita e mostrou-se mais volumosa do que eu esperava. Assim sendo, preparei uma primeira parte.

Planície alentejana com a Serra do Caldeirão a Sul (desenho e  João Alveirinho Dias)

COM COENTROS E CONVERSAS À MISTURA
(sopas de pão, açordas e migas)

que vou entregar à Âncora, a minha editora.

INTRODUÇÃO

Mais de dois anos de convivência virtual, praticamente diária, com os meus, agora, mais de 7000 seguidores no Facebook, e a insistências frequentes e empenhadas de muitos deles, senti-me no dever, quase na obrigação, de passar a livro uma selecção dos textos aqui editados (mais de um milhar) num conjunto tanto quanto possível harmónico, intercalando receitas culinárias, marcadas por sabores e modos de vida alentejanos, com temas que vão do trivial à divulgação científica, passando, pela cultura popular e erudita, em alguns dos seus diversos domínios.

Neste propósito, tem todo o cabimento falar do Alentejo dos mais variados ângulos de uma geografia abrangente, tal como a ensinava o Professor Orlando Ribeiro, meu grande mestre para a vida e para a ciência. No conjunto territorial e na diversidade da mais vasta província de Portugal cabe tudo o que deve ser considerado em relação com o espaço e, em muitos casos, com o tempo. Cabem aqui os aspectos inerentes à paisagem física, toda ela condicionada pelo substrato geológico, pelo clima e, consequentemente, pela vegetação, bem como a correspondente ocupação humana, com os seus usos e costumes, entre os quais, os saberes, os falares, os cantares e os comeres.

Conversas como aquelas que tivemos, eu e os meus companheiros, com os camponeses, em ocasiões do campismo selvagem que fazíamos nos terrenos das herdades rurais, sentados no chão, à volta da pequena fogueira, em noites de Verão, petiscando e confraternizando, onde os saberes próprios das vidas deles se misturaram com os nossos, adolescentes a estudarmos na cidade, estão aqui a par de outras, como as que habitualmente se têm à mesa em almoços e jantares de família, entre parentes ou amigos, ou entre colegas de profissão.

Em resumo, direi que nestas conversas cabe tudo. Além de saberes culinários, cabem relatos ou crónicas de situações vividas e presenciadas, experiências de profissão, intervenções cívicas, ensaios, reflexões que vão da política à filosofia, passando pela arte, com humildade e simplicidade, na perspectiva de ensinar e explicar a quem não sabe.

Foi neste entendimento que reuni um conjunto de receitas criadas de raiz, herdadas, transformadas ou inspiradas noutras que fui experimentando e seleccionando. Vindas de uma cadeia de famílias modestas e numa de seis filhos como foi a minha, os cozinhados que me ajudaram a crescer eram os necessários a esse desenvolvimento em saúde, simples, à medida do orçamento disponível, e de confecção rápida, posto que a mãe, nesse tempo e numa família numerosa, tinha muito mais que fazer. Nestes termos, as receitas que aqui deixo refectem, sobretudo, a aprendizagem que tive no domínio da gastronomia tradicional e popular alentejana.

“Com Coentros e Conversas à Mistura” não tem a preocupação de ensinar a cozinhar nem eu tenho preparação para tal. Sou um curioso sempre aberto a aprender e sempre disposto a partilhar o que vou aprendendo. Concebido para quem conhece o acto de cozinhar, permite que o leitor determine, para cada uma das confecções aqui apresentadas, as quantidades a usar, de acordo com número de convivas e com as suas próprias experiências e sensibilidade. Por natureza, gosto de experimentar e de inovar. Apenas nos pratos tradicionalmente consagrados procuro respeitar quantidades e modos de operar. Nos restantes, a grande maioria, modifiquei ou inovei, mas sempre no respeito pela tradição.
Mexo com alguma desenvoltura nos tachos, nas panelas e em muitos dos equipamentos da cozinha, sítio da casa onde sempre me senti bem e onde aprendi, com a minha mãe, os principais procedimentos inerentes à arte de cozinhar. Curioso de tudo, fui, assim, aprendendo a fazer, fazendo.

A cozinha é hoje, para mim e por assim dizer, a continuação do laboratório na Universidade que, a par do trabalho de campo, constituiu o essencial da minha investigação como geólogo.

Todas estas vivências e ocorrências que, sem me ter apercebido disso, fui gravando e arquivando profundamente na memória, foram trazidas ao presente no simples acto de escrever.

Nas minhas raízes está a grande chaminé da casa da minha avó, na rua de Frei Brás, e o lume de chão que ali se fazia com lenha de sobro ou azinho e aí se cozinhava em loiça de barro vermelho. Estão os chouriços, as linguiças e as farinheiras, feitas em casa, a curarem ao fumeiro. Está a manta de toucinho, alto de uma mão travessa, e tudo o mais que se cobria de sal, na grande salgadeira. Estão ainda os cheiros e os sabores das ervas e de outros produtos locais. Tantas marcas do Alentejo determinaram as minhas preferências gastronómicas, o que não me impede de reconhecer Portugal, de norte a sul, como o país com a cozinha mais saborosa do mundo, opinião muito pessoal de quem já se sentou à mesa em muitas latitudes e longitudes.

Tantas recordações trazem-me saudades do tempo das expectativas dos paladares que nos chegavam ao ritmo das estações do ano. Lembro-me das ervilhas e das favas temporãs vindas do Algarve e dos produtos da época, das azeitonas retalhadas ou pisadas, no tempo delas, dos morangos em Maio e das cerejas pelo São João. Tenho saudades dos queijos frescos, do almece e das queijadas autênticas, pela Primavera, no tempo dos cordeirinhos, dos enchidos acabados de fazer, pelo Natal e do toucinho alto, novo, ainda sem sal, e do outro, com um ano de velho, tirado da salgadeira. As melancias e os melões eram fruta de Verão, as uvas e a marmelada tínhamo-las no Outono e as laranjas só as comíamos nos meses de Inverno.

Ficaram-me na memória os aromas e os sabores inconfundíveis da culinária alentejana. A carne de porco, temperada de alho e massa de pimentão, frita em banha, na sertã de barro, as sopas da panela com hortelã, a açorda de poejos, as sopas de cação envinagradas e a libertar o cheiro dos coentros, as sardinhas de barrica fritas no azeite e as torradas com toucinho cozido ou com azeite, açúcar e canela. São lembranças de cheiros e paladares inesquecíveis que, noutros escritos, já associei aos cantares dos homens que, muitas vezes, na taberna da vizinhança, aos fins das tarde de sábado, se abriam em coro polifónico, trocando boa parte da magra féria por copos de vinho e petiscos, esquecendo aí e assim a “porca da vida”.

Decorridos mais de sessenta anos sobre a minha vivência alentejana, transporto comigo marcas indeléveis desta região do país. Os seus montados de azinho e sobro e as suas planuras de searas ondulantes, ainda verdes em começos de Maio e já a dourar sob o calor de Junho, simbolizam a paisagem que, como é natural, mais se identifica comigo.

 A. Galopim de Carvalho.

O MECANISMO DE TROCAS ALTRUÍSTAS NUM MUNDO COMPETITIVO



Na próxima 4ª feira, dia 11 de Abril, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra “O mecanismo de trocas altruístas num mundo competitivo”, por Adérito AraújoProfessor do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra, Vice- Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.



Esta palestra integra-se no ciclo "Ciência às Seis"*.

Resumo da palestra:
"O mundo é moldado pelas nossas decisões. O efeito conjugado das decisões que tomamos a cada instante, grandes ou pequenas, por hábito, de forma mais ou menos reflectida ou por um impulso momentâneo, condiciona o nosso futuro comum. O estudo da chamada decisão social, isto é, dos mecanismos de tomada de decisão quando estão envolvidos vários agentes em interacção, exige uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar onde a matemática assume um papel de destaque. Existem hoje teorias, alicerçadas em sólidas bases matemáticas, que têm sido utilizadas em economia e outras ciências sociais para, por exemplo, compreender o binómio cooperação-competição. Por que valorizamos justiça e a cooperação em detrimento do (aparentemente mais racional) egoísmo? O comportamento dos seres humanos revela que, em muitas situações, tendemos a ser mais generosos do que seria previsto pelos modelos económicos tradicionais baseados no pressuposto que as pessoas procuram, egoisticamente, maximizar os seus lucros. Será que as ideias de evolução do comportamento ético têm alguma relevância na compreensão do comportamento humano? Ao longo desta sessão, mais do que procurar respostas definitivas, iremos desvendar pistas e caminhos, numa reflexão conjunta sobre o problema da tomada de decisão individual."

*Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico e Divulgador de Ciência.

ENTRADA LIVRE

Público-Alvo: Público em geral

A INCULTURA DO ESTADO



Meu artigo de opinião no Público de hoje na imagem Marcelo Rebelo de Sousa condecora Carlos Avilez, director do Teatro Experimental de Cascais, no Dia Mundial do Teatro):
O Orçamento de Estado (OE) de 2018 está cheio de retórica no que respeita à cultura. Sobre as artes reza assim: “Consolidar e incrementar progressivamente os apoios (…); investir na estabilidade e no crescimento dos projetos de programação e aposta na criação e difusão; combate às assimetrias territoriais e promoção da diversidade artística.” Está, porém, vazio de dinheiro, como revela a anunciada retirada de apoio do Ministério da Cultura a um grande número de instituições artísticas com provas dadas, espalhadas pelo país. O Ministério da Cultura só tem no OE 215 milhões de euros, não considerando a comunicação social, onde avulta a RTP (como se sabe, pouco dada à cultura). Essa verba representa uns pífios 0,1% do PIB. Deve ser comparada com os 450 milhões que o governo vai colocar este ano no Novo Banco a somar à enormidade que já lá colocou. E pouca diferença faz o reforço, recentemente anunciado pelo primeiro ministro, de 1,5 milhões. Era claro que o OE da cultura não ia chegar: só passou um trimestre e já se concluiu que não chega.
 Falando apenas de teatro, estão, na prática, a ser asfixiadas, por retirada do oxigénio, companhias como, em Cascais, o Teatro Experimental (cujo líder, Carlos Avilez, soube da sufocação dois dias depois de ter sido condecorado); em Coimbra, a Escola da Noite e o Teatrão (duas das companhias profissionais da cidade), na Covilhã o Teatro das Beiras; em Évora, o Centro Dramático (CENDREV); e, no Porto, o Teatro Experimental, a Seiva Trupe, o Festival Internacional de Marionetas e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI). É uma tragédia! Bem podem dizer que os resultados do concurso da Direcção Geral das Artes são provisórios, que o suplemento ainda poderá salvar alguns dos anunciados defuntos, mas o mal já está feito, ao ignorar o mérito, granjeado ao longo de muitos anos, por essas companhias (sei do que estou a falar pois assisti a excelentes espectáculos delas, em especial das de Coimbra). O governo da geringonça está a tentar fazer, como o governo de Passos Coelho tentou fazer na ciência, uma “poda” nas artes. Na ciência o PSD e CDS queriam extinguir 50% dos centros de investigação, concentrando os apoios em Lisboa. Nas artes teatrais o governo do PS (apoiado pelo PCP e pelo BE) anunciou o corte de 44% dos projectos, concentrando também os apoios na capital. Receio que, tal como na ciência no tempo da troika, a avaliação não seja séria, tendo-se apenas montado um cruel sistema burocrático para excluir cerca de metade.  
Compreender-se-á melhor a relação entre o Ministério da Cultura e o teatro se se lembrar que a directora regional de Cultura do Centro elogiou recentemente uma companhia de Leiria por esta “não incomodar a administração central" (PÚBLICO, 26/3). Segundo o encenador da Escola da Noite, a directora não se deixa incomodar, pois "não aparece, não vê, nunca se interessou". Representa bem a incultura do Estado. Estou atento à cultura em Coimbra, onde fica a tal Direcção Regional, e não sei quem é nem o que faz a responsável, que, com as suas irresponsáveis declarações, mais não fez do que legitimar a actual hecatombe nas artes. Estranhamente o ministro ainda a mantém no cargo.

O investimento do governo PS em cultura é, de facto, muito "poucochinho". Por exemplo, o conjunto das autarquias investe no sector praticamente o dobro do governo central. Espera-se, por isso, que os governos das cidades afectadas ajudem, na presente emergência, os deserdados do Ministério da Cultura, não só secundando os justos protestos junto da administração central, mas também assegurando financiamentos complementares que minorem as “assimetrias territoriais” reconhecidas pelo OE. As autarquias devem incomodar o governo e sentir elas próprias o incómodo. Não colhe o argumento da subsidiodependência pois só um Estado inculto não investe em cultura. A cultura, aqui como noutros países, depende criticamente de apoios estatais, não sendo uma questão entre agentes culturais e públicos. O actor Nunes Lopes resumiu tudo na recente atribuição dos prémios do cinema português, transmitida a horas mortas na RTP2: “A cultura é uma responsabilidade do Estado. Juntem-se a nós e façam a vossa parte, senhores governantes."

terça-feira, 3 de abril de 2018

FALAREI DA ADSE "ATÉ QUE A VOZ ME DOA"



“O homem livre é aquele que não recua ir até ao fim da sua razão” - Jules Renard.
Na letra deste fado, cantado por Maria da Fé, encontro expressão apropriada para o título deste meu post, precedido de outros meus cinco publicados neste blogue, versando a exclusão da ADSE de idosos casados com beneficiários que por terem passado a usufruir de uma esquálida reforma (aproximadamente, de duzentos euros mensais) da Segurança Social, depois de dezena de anos de descontos obrigatórios, tendo sido enviados, de supetão, para um Serviço Nacional de Saúde em que uma simples consulta pode demorar meses ou mesmo anos e uma cirurgia chegar já depois do doente ter falecido.
 
Salvaguardada as devidas proporções, encontro neste “statu quo” semelhanças, com o acontecido em Esparta em que os bebés e as pessoas deficientes eram lançadas ao mar ou em precipícios e na Alemanha nazi em que os velhos e deficientes eram submetidos a experiências científicas em prol da pureza da raça. Hoje, em Portugal, um antigo beneficiário de cônjuge da ADSE que recorra de urgência a uma entidade convencionada de saúde paga por inteiro essa despesa, quando dantes essa quantia era suportada parcialmente por esta instituição. Ou, em alternativa, obriga-se a recorrer aos serviços de urgência hospitalar a rebentar pelas costuras de doentes em estado grave  deitados em macas pelos respectivos corredores numa espécie de antecâmara da morte, correndo, com isso, em idades avançadas, o risco de entrar, por exemplo, com uma algália disfuncional e ser vítima de uma pneumonia  fatal.

Os meus artigos supracitados, merecerem o silêncio do Partido Socialista, quiçá, porque “de minimis non curat praetor”! “Por esse facto, resolvi, em última instância, endereçar uma exposição ao Senhor Presidente da República Portuguesa (03/11/2017) por entender tratar-se de um caso de falta de afecto para com velhos e doentes dum país envelhecido. Obtive como resposta, emanada da respectiva Casa Civil, “que a minha exposição iria ser enviada para o gabinete de Sua Exa. o Primeiro-Ministro, para os efeito tidos por conveniente”. A minha esperança foi sol de pouca dura, por, em 15 de Janeiro do ano em curso, ter sido informado ter ela  sido “encaminhada para o Gabinete do Ministro da Saúde” que, por sua vez, a enviou para a ADSE, como quem encarrega a raposa de tomar conta do galinheiro, numa espécie de percurso que terminou com a crucificação de Cristo.

Como quem dá com uma mão e tira com a outra mão, pese embora terem sido, entretanto, alteradas várias disposições da ADSE, entre elas, a atribuição  de benefícios, até então vedados a casais em união de facto e retirados a indivíduos casados de direito, finalmente recebi um ofício da ADSE (26/02/2018), assinado por António Liberato Baptista, presidente do respectivo Conselho Directivo, que me remeteu, quiçá, por me ter pouco alfabetizado para a simples leitura de textos jurídicos por si tidos como inamovíveis rochedos de Gibraltar.

Em nome do “soberaníssimo bom senso”, defendido por Antero, dispensava e agradecia que ele me tivesse poupado a  vergonha  de deixar subentendido que “burro velho  não aprende línguas”. E isto é tanto mais de lamentar por partir de quem não se deu ao trabalho, numa matéria que divide os próprios juristas, de fazer acompanhar a sua decisão por um parecer jurídico, obedecendo a princípios de justiça que se não devem compaginar com a exclusão de  direitos adquiridos e mantidos durante decénios, em verdadeiro atentado a princípios elementares de humanidade em contraste com uma sociedade em que, segundo António Bagão Félix, se deve discutir a parte do Estado que  tem mais a ver com as pessoas velhas e reformadas (“Jornal de Negócios”, 30/11/2012).

Ou seja, com a cumplicidade da gerigonça e do próprio PSD, que Estado Social se instalou de armas e bagagens neste extremo ocidental da Europa que permite que os seus idosos e deficientes sejam tratados como trapos velhos?

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Vygotsky: "famoso ... antes de ser lido e conhecido" - 2

Texto na sequência de um anterior (aqui).

Lev Vygotsky com a sua filha Guita Vidodskaia
 (imagem recolhida aqui).
Guita Lvovna Vidodskaia (1925-2010), filha de Lev Vygotsky deu, no ano em que faleceu, uma entrevista a Zoia Prestes, investigadora do Centro Universitário de Brasília, que tem traduzido, directamente do russo para português, a obra desse autor. Zoia apresenta assim Guita
"era psicóloga e dedicava-se aos estudos da defectologia. Apesar de desenvolver estudos valiosos sobre a brincadeira infantil e o desenvolvimento atípico (...), nunca defendeu uma tese de doutorado, dedicando-se de corpo e alma à herança acadêmica do pai. Graças a ela e a alguns colaboradores de Vigotski, como Luria e Leontiev, o mundo teve acesso às obras do teórico. Mesmo antes de escrever a biografia do pai em parceria com Tâmara Mikhailovna Lifanova, Guita abriu os arquivos de fotos e documentos para vários estudiosos estrangeiros da obra do psicólogo. A biografia que escreveu saiu apenas em 1996 e é um registro detalhado de toda a trajetória de Vigotski vista pelo olhar dos amigos, colaboradores e inimigos e, também, pelos olhos da filha, que narra histórias emocionantes vividas com o pai.
A quem se interesse o novo olhar sobre a pessoa que foi Vygotsky, sobre a sua obra psicopedagógica e o contexto em que a desenvolveu, e sobre o modo como ela nos tem chegado, talvez goste de ler a entrevista que se encontra aqui.

Maria Helena Damião e Cláudia Chistina Rocha

Esquerda e direita, políticas educativas iguais!

O Público de ontem (aqui) deu conta das ideias políticas de uma candidata à liderança de certa "juventude" partidária. Basicamente, apontam para a (recorrente) "modernização e digitalização" da escola.

Em concreto, pretende que:
- se substituam os manuais em papel por manuais digitais;
- se mudem 
os métodos de aprendizagem;
- se 
introduza a programação no 1.º ciclo do ensino básico;
-
os alunos participem na avaliação dos professores;
- ...

Ideias vagas, erradas e periféricas em que todos os partidos, mais à esquerda ou mais à direita, insistem.

domingo, 1 de abril de 2018

"(Re)habitar - recital itinerante pelas casas dos poetas"

Informação chegada ao De Rerum Natura da Cooperativa Bonifrates (Coimbra).

Cara Amiga/Caro Amigo,
A Bonifrates apresenta, integrado na 20.ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra,
"(Re)habitar - recital itinerante pelas casas dos poetas",
ao longo de um percurso pela Alta e pela Baixa de Coimbra,
no dia 7 de abril de 2018, a partir das 14.30 horas. 




Passear pelas ruas da Alta e da Baixa de Coimbra. Descobrir nas casas “testemunhos de vida”. Reencontrar as palavras de poetas nas casas que habitaram, nos lugares de partilha que sentiram como segunda casa. Deixar que “as casas de fora nos olhem pelas janelas” e reconstruam, através das palavras dos poetas, as ruas da rota que queremos traçar.

PERCURSO:Biblioteca Joanina – Pátio das Escolas – Faculdade de Letras – Museu Machado de Castro – Sé Nova – Rua da Matemática – Rua das Flores – Couraça dos Apóstolos – Santa Cruz – Café «A Brasileira» – Sé Velha – Torre do Anto – Casa da Escrita

INDICAÇÕES IMPORTANTESA participação no recital itinerante "(Re)habitar" tem lotação limitada. É obrigatória a inscrição prévia dos interessados
para o email bonifratesbilheteira@gmail.com
ou pelo telefone 916 615 38

Antes da inscrição deve ter em atenção que o percurso proposto é integralmente a pé e tem, aproximadamente, a distância de 5 quilómetros e a duração de 3 horas, desde a Alta à Baixa de Coimbra e terminando na Casa da Escrita.

Os espectadores devem também levar calçado adequado.

O Ponto de encontro / Casa da partida é a Biblioteca Joanina, no Pátio das Escolas da Universidade de Coimbra, pelas 14.30 horas.

ATIVIDADE GRATUITA SUJEITA A INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA CONTACTOS PARA INSCRIÇÃO
Telefone: 239 857 191
Email: bonifratesbilheteira@gmail.com

Contamos consigo.
Até breve!
A Cooperativa Bonifrates

Muitas pessoas estão mesmo dispostas a trocar a privacidade pela conveniência

Texto que o Professor Mário Frota nos enviou. Assina-o Ricardo Pintão, advogado de Tecnologia, Media & Comunicações e foi publicado hoje...