sábado, 10 de abril de 2021

" COM A CABEÇA NA LUA": MINHA INTRODUÇÂO AO LIVRO DE POESIA INFANTIL DE JOSÉ FANHA E DANIEL COMPLETO


A Lua é o nosso único satélite, pois é o único astro que gira em volta da Terra, enquanto a Terra gira em volta do Sol. A Lua tem sido, desde o início do sistema solar, a companheira da Terra. Os cientistas julgam que a Lua é o que resta de um grande choque de um outro astro com a Terra quando o sistema solar estava no seu início, há 4,5 mil milhões de anos. As rochas da Lua, que os astronautas trouxeram para a Terra, são aproximadamente da mesma idade que as mais antigas rochas da Terra. Quando surgiu vida na Terra, há 3,8 mil milhões de anos,  já havia Lua e, se a vida porventura nasceu nos mares, então as marés, causadas pela Lua, devem ter ajudado na passagem da vida para a Terra.

A vida desenvolveu-se extraordinariamente na Terra, onde havia água em abundância, e a certa altura, muito recente na história da Terra, surgiu o homem, que, há 50  anos, graças ao domínio da ciência e da tecnologia, conseguiu viajar até à Lua, um sonho que já vem de tempos imemoriais.

Os americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin foram os primeiros astronautas que puseram os pés na Lua. O primeiro pé foi do comandante da Apollo 11, Neil Armstrong, no dia 21 de Julho de 1969. As suas primeiras palavras ficaram famosas: “Um pequeno passo para um homem, mas um passo de gigante para a Humanidade”. Toda o  mundo pôde ouvir essas palavras quando assistia em directo, pela televisão, àquele que foi um dos maiores momentos não só do século XX como de toda a história humana.

A Lua sempre foi objecto de encanto e mesmo de magia. É a luz do luar, que não é mais do que o reflexo da Luz do Sol, que diminui a escuridão nocturna. Será que a Lua perdeu o seu encanto, a sua magia, por já ter sido pisada pelos seres humanos? Não, de maneira nenhuma. A Lua é um objecto da ciência – e as viagens à Lua, tripuladas e não tripuladas  – forneceram um conhecimento enorme sobre o nosso satélite natural. Mas a Lua é, continua ser, um objecto de inspiração para a poesia e para a música.

O tema da Lua tem uma longa história na música. Nenhum outro astro inspirou tanto os artistas… Haydn escreveu em 1777 uma ópera intitulada “O mundo da Lua”. Beethoven, que em 2020 faz 250 anos, é o autor da bela “Sonata ao Luar”, Mais perto dos nossos dias Frank Sinatra cantou “Fly me to the moon” e Elvis Presley  “Blue moon in Kentucky”. Na música pop os Pink Floyd gravarm um disco intitulado “Dark side of the moon”.

 A nossa cabeça tem um lado que procura a ciência e tem um outro lado que procura a arte. Mas a cabeça é a mesma. Quando temos a cabeça na Lua, podemos, como bem mostram estes cativantes poemas de José Fanha musicalizados por Daniel Completo, ter a cabeça ao mesmo tempo na ciência e na arte.

Carlos Fiolhais*
*Professor de Física da Universidade de Coimbra

 


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