segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

As quotas absurdas da FCT: quotas para baixo e quotas para cima



Transcrevemos com a devida vénia artigo no Público de 19/12 sobre a "avaliação" da FCT/ESF. Uma má avaliação não só dá maus resultados como prejudica a própria ideia de avaliação. 

A FCT deu instruções para haver até 80 centros excepcionais e excelentes


Estará para breve a divulgação dos resultados da fase final da avaliação aos 322 centros de investigação portugueses. Num exercício de lógica, olhámos para as últimas directrizes conhecidas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia sobre a avaliação, que mencionam limites para as notas mais altas.

A avaliação dos centros de investigação portugueses, que tanta controvérsia tem gerado este ano, está na recta final. A secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira, disse no início desta semana que os resultados da avaliação serão divulgados ainda este mês, provavelmente até antes do Natal. A serem seguidas as orientações divulgadas recentemente pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), tutelada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), haverá um limite para a atribuição das classificações mais altas: entre os 178 centros que chegaram a esta fase da avaliação, no máximo 10% (cerca de 18) poderão ter a nota Excepcional e 20 a 35% (35 a 62) a nota Excelente.

Feitas as contas, até uns 80 centros de investigação poderão assim ter Excepcional e Excelente como classificação, enquanto os restantes 98 que também estão nesta fase da avaliação têm teoricamente reservado um leque de notas entre o Muito Bom, o Bom, o Razoável e o Insuficiente.

Estas instruções encontram-se num documento sobre as linhas de orientação finais relativas à segunda fase de avaliação, tendo como destinatários explícitos os painéis de peritos envolvidos no processo e que a FCT divulgou publicamente pela primeira vez no final de Novembro no seu site. No documento, de 19 de Novembro, lê-se que a “referência orientadora” para a classificação Excepcional é de “até 10% das unidades avaliadas na segunda fase” e para a classificação Excelente é “dentro do intervalo entre os 20% e os 35% das unidades avaliadas na segunda fase”.

Esta avaliação destina-se à atribuição de financiamento, nos próximos cinco anos, para despesas correntes dos centros de investigação (desde pagamento de reagentes de experiências científicas até idas a congressos), bem como para actividades estratégicas. A avaliação foi dividida em duas fases. Na primeira, 322 centros, agrupados por grandes áreas do saber, foram avaliados por três peritos com base em informação documental. Os seus três relatórios foram depois discutidos por outros peritos, que integravam um dos sete painéis criados para este processo, de onde saiu um relatório de consenso. Na segunda fase, os 178 centros que aqui chegaram foram visitados por peritos desses sete painéis, entre Julho e Outubro, e cada um dos painéis reuniu-se no final de Novembro em Lisboa para atribuir as notas finais, segundo o site da FCT. O documento de Novembro é o guia para a reunião final dos painéis.

Na primeira fase, incluindo já os resultados das reclamações apresentadas pelos investigadores, ficaram pelo caminho 144 centros (44,7%), classificados com Insuficiente, Razoável e Bom. O que significa que não vão ter qualquer financiamento para despesas se tiveram Insuficiente e Razoável, ou receberão algum dinheiro se tiveram Bom (entre 5000 e 40.000 euros por ano). E logo estes primeiros resultados, anunciados no final de Junho, desencadearam críticas da comunidade científica, acusando o Governo de estar a matar quase metade das unidades de investigação – porque mesmo 40.000 euros, como disseram responsáveis de vários centros, não chegam para pagar a um investigador de pós-doutoramento. Entre as falhas apontadas estavam a ausência de visitas dos peritos aos centros e painéis demasiado genéricos.

Uma shortlist no contrato

As críticas à avaliação, vindas de cientistas como Carlos Fiolhais, Manuel Sobrinho Simões e Alexandre Quintanilha, subiram de tom quando se ficou a saber (em meados de Julho) que havia quotas, nunca antes reveladas, para eliminar metade dos centros logo na primeira fase da avaliação, estabelecidas previamente no contrato que a FCT assinou com a entidade à qual delegou a avaliação, a European Science Foundation (ESF). O contrato menciona que à partida, antes de qualquer avaliação, 50% dos centros seria eliminada: “A primeira fase da avaliação irá resultar numa shortlist de metade das unidades de investigação que serão seleccionadas para seguir para a fase 2”, lê-se. A FCT e o MEC justificaram a referência à eliminação de metade dos centros como uma “estimativa” baseada na avaliação anterior dos centros, de 2007.

A shortlist acordada no contrato mereceu críticas, por exemplo, do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), numa carta enviada em Outubro ao ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, na qual recusa “a morte de quase 50% do tecido científico português”: “Este resultado, já previsível a partir dos termos em que o contrato entre o Estado português e a ESF foi redigido, prevendo a passagem à segunda 

Mais: “Apesar de ter sido chamada a atenção para inúmeros erros de avaliação, muitos inteiramente factuais, diversos painéis desculparam-se de diversas formas para não retirar daí consequências, mantendo avaliações inexplicáveis. A avaliação não presencial de unidades de investigação é, no nosso entendimento, um falhanço pleno”, dizia o CRUP na carta, considerando que este processo “não tem a qualidade necessária”. “Para que um sistema de avaliação seja capaz de promover a excelência tem de, ele próprio, ser pelo menos excelente, se não excepcional. Não é o caso.”

O que o CRUP escreveu na carta ao ministro continua válido, reiterou esta quinta-feira ao PÚBLICO António Cunha, o presidente deste conselho de reitores de 15 universidades. “A avaliação tem enormes fragilidades. É um processo mal planeado desde o princípio, dificilmente terá bons resultados. O CRUP está apostado em conseguir que esta avaliação não seja usada para mais nada”, frisa António Cunha, referindo-se ao seu uso como critério de avaliação de projectos de investigação ou bolsas. “Independentemente disso, há muitos laboratórios que a partir de Janeiro não sabem com que dinheiro vão trabalhar. Se é para conhecer os resultados da avaliação, é desejável que se conheçam rapidamente.”

Também o Conselho dos Laboratórios Associados (CLA), uma rede de 26 centros, considerou logo em Julho que a avaliação tinha “anomalias gritantes”, que deviam ser “urgentemente corrigidas”, alertando que as unidades com Bom serão extintas “na prática”. “Pode um sistema científico funcionar sem um grande número de centros de investigação de boa qualidade, embora não excepcionais? Não pode, em parte alguma do mundo.”

Porquê os novos limites?

Só os centros acima de Bom – 178 (55,2%) – passaram assim à segunda fase da avaliação. E são estes, em particular aqueles que vierem a ter Excepcional e Excelente, que disputam agora as maiores fatias dos 50 milhões de euros que a FCT anunciou ir disponibilizar anualmente para despesas de funcionamento. Além disso, os que forem classificados com Excepcional, Excelente e Muito Bom podem ainda candidatar-se a outro tipo de financiamento dito “estratégico”, sem qualquer tecto máximo, e que também sairá do mesmo bolo dos 50 milhões.

Se a ideia é verificar a qualidade actual dos centros de investigação, então por que razão se estabelecerem quotas para as classificações máximas? Perguntou-se à FCT quais são os fundamentos para essas quotas. “Os valores referidos não são quotas, mas sim guias ou referências orientadoras para os painéis de avaliação”, responde a FCT ao PÚBLICO por escrito, num emailenviado pela coordenadora do gabinete de comunicação, Ana Godinho. “O documento explicita que ‘estas linhas orientadoras não devem ser consideradas vinculativas, em qualquer forma, para os painéis’. A decisão final é sempre dos painéis de avaliação e é sempre respeitada e aceite pela FCT.”

A definição destes valores baseia-se em quê? – perguntou-se ainda. “A definição dos intervalos para a percentagem de ‘excepcional’ e de ‘excelente’ tem como base, para além das definições associadas a estas classificações (descritas no Guião de Avaliação), as propostas de classificação entretanto recebidas, associadas à primeira fase [da avaliação] e às visitas [dos peritos aos centros de investigação na segunda fase da avaliação]”, responde a FCT.

Ou seja, a FCT explica que os valores dos 10% para os Excepcionais e dos 20 a 35% para os Excelentes resultam das propostas de classificações que os próprios painéis de peritos lhe foram fazendo chegar durante as duas fases da avaliação – isto num documento que a FCT diz dirigir-se aos próprios peritos, para a reunião final da avaliação. Portanto, a FCT terá dito aos peritos aquilo que os peritos já lhe teriam dito antes a ela.

Essas propostas de classificação, acrescenta a FCT na resposta ao PÚBLICO, “foram apresentadas e discutidas na reunião final do painel [de peritos de cada área do saber] em Lisboa, em Novembro”. O que sugere que os resultados finais da avaliação poderão andar à volta de 80 centros classificados como excepcionais e excelentes.

Até ao final de Novembro, as “guias” ou “referências orientadoras” para as classificações mais altas não eram conhecidas pelos centros. Ou seja, não constavam do Guião da Avaliação, divulgado pela FCT a 31 de Julho de 2013. Nem do contrato entre a FCT e a ESF (de Abril deste ano), nem da adenda ao contrato (assinada a de 24 de Outubro deste ano), que introduziu algumas alterações no plano de trabalho da segunda fase da avaliação.

Por que razão as “linhas de orientação” não foram divulgadas logo no início da avaliação, que começou ainda em 2013, para que todos os centros conhecessem todas as regras desde aí? A FCT refere que o documento de Novembro “é um documento de orientação, dirigido aos membros dos painéis”, como mencionado acima, “e que foi tornado público a bem da total transparência do processo”. Diz ainda que os critérios e os princípios da avaliação foram divulgados antes, no também já referido Guião da Avaliação: “As orientações que constam neste documento [de Novembro] têm como objectivo especificar alguns dos preceitos e normas enunciados no Guião de Avaliação em função dos resultados concretos do exercício de avaliação em curso.”

Acima de Bom, talvez Razoável

Como vimos, para passar à segunda fase, um centro tinha de ter mais do que Bom, senão ficaria pelo caminho, ainda que as classificações finais do grupo dos 178 centros que transitou não tivessem sido atribuídas e divulgadas com o anúncio dos primeiros resultados. Mas nem todos os que passaram à segunda fase têm automaticamente direito a dinheiro para as despesas correntes, designado por financiamento-base, como se refere tanto no documento de Novembro como no Guião da Avaliação.

Isto porque, na segunda fase da avaliação, as classificações possíveis vão do Excepcional e Excelente até ao Muito Bom, Bom, Razoável e Insuficiente. E as duas mais baixas – Razoável e Insuficiente – não têm direito a nada: “A componente de financiamento-base só será alocada às unidades classificadas com Bom ou acima”, lê-se no documento de Novembro em relação à segunda fase da avaliação.

Qual é então o financiamento-base reservado para os centros com Bom ou mais na segunda fase? Um centro Excepcional poderá receber entre 400.000 euros por ano, no máximo, e 50.000 no mínimo, referem o Guião da Avaliação e o documento de Novembro, tendo em conta vários critérios. Se a nota for Excelente, o valor será entre 300.000 euros e 37.500 euros por ano. Muito Bom pode traduzir-se entre 200.000 euros e 25.000 euros. E Bom, como foi dito, dará entre 40.000 euros e 5000 euros.

A partir daqui, uma leitura possível é que o Bom na segunda fase da avaliação dá direito aos mesmos valores do que o Bom na primeira fase. Mais: um centro que ficou para trás com Bom vai receber algum dinheiro, mas um que passou à segunda fase – e, para isso, teve de ter uma classificação superior aos que ficaram para trás – arrisca-se, segundo as regras da FCT, a não receber nada. Tal como acontece com os centros com Razoável e Insuficiente que se ficaram pela primeira fase da avaliação.

Se para chegar à segunda fase era preciso ter acima de Bom – logicamente, pelo menos Muito Bom –, por que razão as unidades de investigação podem teoricamente voltar a ser classificadas com Bom, Razoável e Insuficiente? “Não é correcto dizer que as unidades que passam à segunda fase tenham no mínimo ‘muito bom’: as unidades que passaram à segunda fase não tiveram, na altura, qualquer classificação atribuída, mas tiveram de ultrapassar um limiar de qualificação que lhes permitiu passar à fase seguinte”, responde a FCT. “Esta segunda fase corresponde a um nível de escrutínio mais elevado e, por isso, qualquer classificação é possível, tal como previsto nos regulamentos.”

Se algum centro tiver classificação inferior a Bom na segunda fase, resta saber se reclamará a nota da primeira fase. Quando saírem os resultados da fase final – “provavelmente” antes do Natal, disse Leonor Parreira na segunda-feira em Coimbra à agência Lusa, acrescentando que a avaliação “está a decorrer com tranquilidade e como era suposto” –, confirmar-se-á se os painéis de avaliadores cumpriram à risca as “guias” ou “referências orientadoras” da FCT para classificar no máximo uns 80 centros. Ou se, depois de um “limiar de qualificação” acima de Bom, um centro voltou a cair na classificação. Ou, feitas todas as contas, entre as 322 unidades de investigação, quantas e quais serão mesmo deixadas à sua sorte e a quantas e a quais saiu a sorte grande.

Visita Guiada à Aula da Esfera por Henrique Leitão

Visita Guiada

REUNIÃO INTERNACIONAL DE MATEMÁTICA NO PORTO

Informação recebida da SPM:
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AMS-EMS-SPM International Meeting

As inscrições para o encontro internacional AMS-EMS-SPM 2015 podem ser efetuadas a um preço reduzido até 30 de abril. Além desta redução, há ainda um desconto especial para estudantes e sócios das sociedades organizadoras. Consulte a tabela com as taxas de inscrição aqui.

O programa do encontro, que se realiza na cidade do Porto entre 10 e 13 de junho, será composto por nove sessões plenárias, 53 sessões especiais sobre os mais recentes desenvolvimentos em diversos campos e uma sessão de papers. Dez de fevereiro é a data limite para a submissão de resumos para as sessões especiais e para a sessão de papers.

Além da componente científica, o encontro privilegiará também a vertente social, estando programado um jantar para a noite de 13 de junho, e uma palestra de Marcus du Sautoy aberta ao público, que será seguida de um concerto na Casa da Música.

No âmbito deste encontro foi estabelecido um protocolo com a TAP, que oferece condições especiais aos participantes. Consulte os detalhes.

Mais informações sobre o encontro em http://aep-math2015.spm.pt.

O BOSÃO DO JOÃO

Informação sobre o livro "O Bosão do João" (org. Rui Malhó) recebida da By the Book:




THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS


Informação recebida sobre os Digital Einstein papers:

THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS is a publicly available website of the collected and translated papers of Albert Einstein that allows readers to explore the writings of the world’s most famous scientist as never before.

Princeton, NJ – December 5, 2014 – Princeton University Press, in partnership with Tizra, Hebrew University of Jerusalem, and California Institute of Technology, announces the launch of THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS (http://einsteinpapers.press.princeton.edu). This unique, authoritative resource provides full public access to the translated and annotated writings of the most influential scientist of the twentieth century: Albert Einstein.

“Princeton University Press has a long history of publishing books by and about Albert Einstein, including the incredible work found in The Collected Papers of Albert Einstein,” said Peter Dougherty, director of Princeton University Press. “We are delighted to make these texts openly available to a global audience of researchers, scientists, historians, and students keen to learn more about Albert Einstein. This project not only furthers the mission of the press to publish works that contribute to discussions that have the power to change our world, but also illustrates our commitment to pursuing excellence in all forms of publishing—print and digital.”

THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS website presents the complete contents of The Collected Papers of Albert Einstein, and, upon its launch, the website—http://einsteinpapers.press.princeton.edu—will contain 5,000 documents covering the first forty-four years of Einstein’s life, up to and including the award of the Nobel Prize in Physics and his long voyage to the Far East. Additional material will be available on the website approximately eighteen months after the print publication of new volumes of The Collected Papers. Eventually, the website will provide access to all of Einstein’s writings and correspondence, accompanied by scholarly annotation and apparatus.

What sorts of gems will users discover in THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS? According to Diana L. Kormos-Buchwald, director of the Einstein Papers Project, “This material has been carefully researched and annotated over the last twenty-five years and contains all of Einstein’s scientific and popular writings, drafts, lecture notes, and diaries, and his professional and personal correspondence up to his forty-fourth birthday—so users will discover major scientific articles on the general theory of relativity, gravitation, and quantum theory alongside his love letters to his first wife, correspondence with his children, and his intense exchanges with other notable scientists, philosophers, mathematicians, and political personalities of the early twentieth century.”

Buchwald also noted that THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS will introduce current and future generations to important ideas and moments in history, saying, “It is exciting to think that thanks to the careful application of new technology, this work will now reach a much broader audience and stand as the authoritative digital source for Einstein’s written legacy.”

THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS enables readers to experience the writings of Albert Einstein in unprecedented ways. Advance search technology improves discoverability by allowing users to perform keyword searches across volumes of Einstein’s writing and, with a single click, navigate between the original languages in which the texts were written and their English translations. Further exploration is encouraged by extensive explanatory footnotes, introductory essays, and links to the Einstein Archives Online, where there are thousands of high-quality digital images of Einstein’s writings.

The Tizra platform was selected for this project, according to Kenneth Reed, manager of digital production for Princeton University Press, because of its highly flexible, open, and intuitive content delivery approach, and its strong reputation for reliability. Equally important was creating a user-friendly reading experience.

“One of the reasons we chose Tizra is that we wanted to preserve the look and feel of the volumes,” said Reed. “You’ll see the pages as they appear in the print volumes, with added functionality such as linking between the documentary edition and translation, as well as linking to the Einstein Archives Online, and the ability to search across all the volumes in English and German.”

THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS is an unprecedented scholarly collaboration that highlights what is possible when technology, important content, and a commitment to global scholarly communication are brought together. We hope you will join us in celebrating this achievement and invite you to explore Einstein’s writings with the links below. 

Work on THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS was supported by the Harold W. McGraw, Jr. endowment, the California Institute of Technology, the National Science Foundation, the National Endowment for the Humanities, and the Arcadia Fund, U.K.

A Sampling of Documents Found in THE DIGITAL EINSTEIN PAPERS
“My Projects for the Future” — In this high school French essay, a seventeen-year-old Einstein describes his future plans, writing that “young people especially like to contemplate bold projects.”

Letter to Mileva Marić — The first volume of The Collected Papers of Albert Einstein revealed that the young Einstein had fathered an illegitimate daughter. In this letter to his sweetheart and future wife, Einstein, age twenty-two, expresses his happiness at the birth of his daughter Lieserl, and asks about her health and feeding.

Einstein’s first job offer — Einstein graduated from university in 1900, but had great difficulty finding academic employment. He received this notice of his appointment as a technical clerk at the Swiss Patent Office in June 1902 and would later describe his time there as happy and productive.

“On the Electrodynamics of Moving Bodies” — Einstein’s 1905 paper on the special theory of relativity is a landmark in the development of modern physics.

“On a Heuristic Point of View Concerning the Production and Transformation of Light” — Einstein received the Nobel Prize in Physics for this paper on the hypothesis of energy quanta.

The telegram informing that Einstein he has won the Nobel Prize — Einstein was traveling in the Far East when he officially learned via telegram that he had been awarded the prize. However, he had long been expecting the prize, as evidenced by a clause regarding its disposition in a preliminary divorce agreement from Mileva in 1918.

“The Field Equations of Gravitation” — Einstein spent a decade developing the general theory of relativity and published this article in late 1915.

To his mother Pauline Einstein — Einstein writes to his ailing mother to share the happy news that his prediction of gravitational light bending was confirmed by a British eclipse expedition in 1919.

To Heinrich Zangger, on the mercurial nature of fame — Having been propelled to world fame, Einstein writes to his friend about the difficulties of being “worshipped today, scorned or even crucified tomorrow.”

To Max Planck, on receiving credible death threats — Einstein writes that he cannot attend the Scientist’s Convention in Berlin because he is “supposedly among the group of persons being targeted by nationalist assassins.”

Four Lectures on the Theory of Relativity, held at Princeton University in May 1921 — On his first trip to the United States, Einstein famously delivered these lectures on the theory of relativity.

About The Collected Papers of Albert Einstein
The Collected Papers of Albert Einstein is one of the most ambitious publishing ventures ever undertaken in the documentation of the history of science. Selected from among more than 40,000 documents contained in Einstein’s personal collection, and 15,000 Einstein and Einstein-related documents discovered by the editors since the beginning of the Einstein Project, The Collected Papers provides the first complete picture of a massive written legacy. When completed, the series will contain more than 14,000 documents as full text and will fill thirty volumes. The volumes are published by Princeton University Press, sponsored by the Hebrew University of Jerusalem, and supported by the California Institute of Technology.


JOAQUIM NAMORADO NO MUSEU DO NEOREALISMO


ATIREM-SE AO AR

Informação recebida do Teatro Experimental de Cascais:

ATIREM-SE AO AR, de António Torrado

O Teatro Experimental de Cascais estreia no próximo dia 20 de Dezembro ATIREM-SE AO AR, uma divertida comédia sobre a travessia aérea do Atlântico por Sacadura Cabral e Gago Coutinho.

Escrita em 2003, ATIREM-SE AO AR é uma peça de António Torrado que recria a célebre viagem de hidroavião que Gago Coutinho e Sacadura Cabral efectuaram em 1922, um dos mais importantes feitos na história da aviação mundial. Misturando factos históricos com ficção, criando vilões e colocando uma anacrónica Beatriz Costa no enredo, o texto foi escrito a pensar no público mais jovem, como é apanágio do autor, um dos mais celebrados escritores de literatura infantil teatral no nosso país.
O dramaturgo Miguel Graça criou agora, a partir do original, a sua versão de ATIREM-SE AO AR, com novas personagens e um outro olhar sobre a peça de Torrado, salientando-se a meta-teatralidade e o carácter didáctico da peça, mas mantendo o lado cómico e irreverente da peça.

O espectáculo conta com a participação de jovens actores formados pela Escola Profissional de Teatro de Cascais (EPTC), nomeadamente de David Esteves e Raquel Oliveira, e conta ainda com a participação do experiente actor do TEC, Sérgio Silva. A encenação é de Pedro Caeiro, também formado pela EPTC, que assina a sua segunda encenação profissional, depois de CASSIOPEIA de Miguel Graça.

Esta nova abordagem de ATIREM-SE AO AR é tanto para os mais novos como para os mais velhos, uma vez que o espectáculo se centra não apenas na viagem histórica de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, mas também nas complexas relações teatrais entre actor, personagem e meta-personagem.

 

ATIREM-SE AO AR estará em cena até ao final de 2014,
retomará depois em 2015, até 18 de Janeiro

ATIREM-SE AO AR de António Torrado - estreou a 20 Dezembro

versão cénica Miguel Graça
encenação Pedro Caeiro
cenário | figurinos Fernando Alvarez
música | som Gonçalo Alegria
desenho de luz Pedro Caeiro
assistência de ensaios Gonçalo Romão | Jorge Saraiva
Interpretação Bruno Ambrósio | Bruno Bernardo | David Esteves | Filipe Abreu | Gonçalo Alegria | João Cachola | José Condessa | Marta Correia | Raquel Oliveira | Sérgio Silva

 
Teatro Municipal Mirita Casimiro, Estoril | ESTREOU A 20 DEZEMBRO 
Dezembro: dias 20, 21, 27 e 28 | Sábado e Domingo - sempre às 16h00
Janeiro: dias de 3 a 18 | Sexta às 21h30 | Sábado às 16h00 e 21h30 | Domingo às 16h00

Preços
Normal 10€
Reduzido 7,5€ (séniores | jovens | estudantes)
Reduzido 5€ (grupos de mais de 10 pessoas | profissionais do espectáculo | estudantes de teatro)
À venda lojas Fnac | ticketline 1820

M/6

100 anos de Orpheu

Informação recebida da Comissão Organizadora do Congresso sobre os Cem Anos da revista Orpheu:

Está a ser preparado um dos maiores congresso internacionais de sempre sobre a revista Orpheu e o universo cultural, social e mental do tempo Fernando Pessoa. Este grande evento reúne os maiores especialistas internacionais e decorrerá em três prestigiadíssimas instituições: Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, na Fundação Eng. António de Almeida no Porto e na Universidade de São Paulo.

Estão neste momento abertas as inscrições para apresentação de comunicação e para participação livre: www.100orpheu.com

Todos os interessados neste evento serão muito bem-vindos.
  

domingo, 21 de dezembro de 2014

PRIMOS GÉMEOS, TRIÂNGULOS CURVOS

Meu texto na contracapa do último livro de Jorge Buescu:

Os leitores da Ciência Aberta gostam tanto das estupendas crónicas de Jorge Buescu sobre Matemática
que esta já é o quinto volume delas nessa colecção. Depois do Mistério do Bilhete de Identidade, da Falsificação dos Euros do Fim do Mundo e dos Casamentos e outros Desencontros, os admiradores do autor, entre os quais me incluo, não vão perder outra colecção de grandes textos que levam a matemática, mesmo a mais avançada, a toda a gente.

Jorge Buescu já é o autor português com mais livros (cinco!). na Ciência Aberta, sendo o último tão estimulante como os anteriores. Obrigado Jorge e "venham mais cinco"!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Três novas publicações de Classica Digitalia

Os Classica Digitalia têm o gosto de anunciar 3 novas publicações, com chancela editorial da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Annablume (São Paulo).

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente (cujo endereço direto é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre.

Série “Autores Gregos e Latinos” [Textos]

- Maria de Fátima Silva: Teofrasto. Caracteres. Tradução do grego, introdução e comentário (Coimbra e São Paulo, IUC e Annablume, 2014). 141 p.
URL: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/176
DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-0900-3
PVP: 12 € / Estudantes: 9 €

- Reina Marisol Troca Pereira: Plauto. A Comédia do Fantasma (‘Mostellaria’). Tradução do latim, introdução e comentário (Coimbra e São Paulo, IUC e Annablume, 2014). 137 p.
URL: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/177
DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-0896-9
PVP: 12 € / Estudantes: 9 €

- Reina Marisol Troca Pereira: Plauto. As três moedas ('Trinummus'). Tradução do latim, introdução e comentário (Coimbra e São Paulo, IUC e Annablume, 2014). 121 p.
URL: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/178
DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-26-0898-3
PVP: 12 € / Estudantes: 9 €

Em nome da equipa editorial, a todos desejo excelentes festividades natalícias e promissoras entradas em 2015.

Delfim Leão
(Classica Digitalia)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Céptico positivo na TEDxFCTUNL

A minha intervenção na TEDxFCTUNL:

A CRISE DA CIÊNCIA É O FACTO DO ANO NESTA ÁREA PARA O EXPRESSO



A crise na ciência em 2014 começou com os cortes brutais nas bolsas (cerca de 30%) e continuou com cortes ainda mais brutais nas unidades de investigação (cerca de 50%)

Ver http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/18-12-2014/caderno-1/temas-principais/03_TP-REvista-do-Ano-Ciencia

Na foto: bolseiros em protesto. .

O DONO DISTO TUDO


Leia-se hoje no Público artigo de Teresa Firmino sobre o absurdo das quotas da FCT na "avaliação" das unidades de ciência nacionais: aqui.

Quando saírem as classificações, a maioria dos investigadores portugueses, quer tenham ou não sido devidamente reconhecidos neste simulacro de avaliação, não perdoarão ao ministro da Educação pelo défice de investimento na ciência: a actual gestão da FCT pretende diminuir de forma drástica a ciência nacional. Nuno Crato, com o alto patrocínio de Pedro Passos Coelho, mandou executar a "poda" de António Coutinho, que nos meios científicos já é conhecido, justa ou injustamente, por "o dono disto tudo".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Parabéns Professor Galopim!


Parabéns ao nosso companheiro de blogue António Galopim de Carvalho, que acaba de receber mais uma homenagem: a atribuição do seu nome a uma escola básica de Évora: ler aqui.

UMA CONVERSA SOBRE DIPLOMACIA CIENTÍFICA

Uma conversa que tive com Sónia Arroz, que completou há dias a sua tese de mestrado sobre Diplomacia Científica, no ISEG- Lisboa:

P- Que importância atribuir à Diplomacia Científica na visão tecnológica e inovadora para o seu país e para a instituição onde desenvolve o seu trabalho?

 R- Confesso não conhecer bem o conceito. Mas, sendo a ciência e a tecnologia empreendimentos internacionais, funcionando elas através de redes internacionais, parece-me óbvio que as relações entre os países devem incorporar essa componente. Os governos, de uma maneira ou de outra, já o fazem. Agora parece-me também óbvio que o podem fazer muito mais. O nosso governo, para quem a ciência não me parece ser uma prioridade, pode em particular fazê-lo muito mais. Os ministérios da Educação e Ciência e dos Negócios Estrangeiros podem trabalhar muito mais em conjunto do que fazem hoje. A este respeito lembro que o Palácio das Necessidades, sede dos Negócios Estrangeiros, já foi uma moderna escola de ciências, a meio do século XVIII, quando estava ocupada pelos Oratorianos. Mas ouço falar de atrasos no pagamento de quotas de instituições internacionais em que Portugal participa. E, para além disso, da falta de suficiente apoio nacional nesses processos de cooperação. O sistema científico nacional alargou-se muito nas últimas décadas, internacionalizando-se em larga escala, e esse é um caminho em que não deveria haver recuos. Infelizmente há recuos

 No que respeita à minha instituição – a Universidade de Coimbra – ela está bastante internacionalizada, em particular na Europa e no Brasil. O seu nome é bem conhecido lá fora, até devido ao seu longo passado. Tem um importante número de alunos estrangeiros, muitos em cursos de ciência e tecnologia, que pretende agora aumentar através do Estatuto do Aluno Estrangeiro, dirigindo-se em particular ao Brasil e à China. O Ministério dos Negócios Estrangeiros bem poderia diligenciar no sentido de promover esta e outras Universidades nacionais, atraindo alunos. Estaria com isso a atrair o que poderíamos chamar “investimento estrangeiro” em Portugal. Faço notar, no entanto, que o Ensino Superior e a Ciência estão desligados, afectos como estão a duas Secretarias de Estado que não comunicam bem uma com a outra. As Universidades portuguesas vêem os seus centros de investigação tutelados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia – FCT com evidente prejuízo da noção de autonomia universitária. Diria até que que a FCT tem uma ingerência intolerável na vida universitária portuguesa. Sendo assim, os esforços de “diplomacia científica” da Universidade parecem correr ao lado e não estar em sintonia com os esforços do mesmo tipo do governo. É uma pena que não haja a necessária convergência.

P-  Que objetivos normalmente se associam à ação da Diplomacia Científica?

R-  O objectivo de qualquer esforço diplomático consiste em promover relações de cooperação internacional, evitando e minimizando as tensões que sempre existem entre países diferentes. A ciência só pode ajudar a esse processo. Lembro, por exemplo, que em grandes instituições internacionais como o CERN, Laboratório Europeu de Pesquisas Nucleares, vemos cientistas de diferentes nacionalidades e culturas que estão irmanados nos processos de descoberta científica. A ciência é sempre um esforço cooperativo, que sempre se mostrou capaz de ultrapassar conflitos potenciais ou reais. Vejo a ligação entre ciência e de diplomacia de modo biunívoco: a ciência pode informar e ajudar a diplomacia, ao passo que a diplomacia pode informar e ajudar a ciência. Direi até que nos tempos modernos dificilmente se poderão imaginar ciência e diplomacia uma sem a outra.

P-. Identifique casos de sucesso e insucesso de Diplomacia Científica que conheça.

R-  Já referi o CERN, que resultou no pós-guerra de um processo em que a UNESCO e, portanto, as Nações Unidas intervieram. Mas pode-se referir a cooperação espacial internacional: as missões conjuntas dos EUA e da Rússia, como a Estação Espacial Internacional, com grande impacto mediático. Na Europa fala-se muito do Espaço Europeu de Ciência, mas penso que ainda não se atingiu um nível desejável de cooperação. O problema da Europa é a falta de união política, que se reflecte nos vários sectores da actividade europeia. No que respeita a Portugal parece-me que muito há a fazer, através da diplomacia científica, na cooperação com os PALOPS. Mais uma vez trata-se de uma união politicamente frágil, no qual o papel português é relativamente apagado, como mostrou a recente adesão da Guiné Equatorial. ´

P- Em Portugal quando, como e quem, exerce Diplomacia Científica?


R-  A diplomacia científica ainda é uma expressão pouco usada. Basta ir à Wikipédia e ver que não há tradução no nosso idioma do verbete em inglês. Mas, como disse, esse papel deveria caber conjuntamente aos Ministérios da Educação e Ciência e dos Negócios Estrangeiros, com uma palavra também do Ministério da Economia, que tem procurado e tido algum protagonismo na atracção de investimento estrangeiro.

P- Quem deverá exercer essa função? Um diplomata, um cientista, outro…? ´


P- Diplomatas que saibam ou aprendam alguma coisa de ciência. Ou cientistas que saibam ou aprendam alguma coisa de diplomacia. Faz aqui falta o aprofundamento da cultura científica, isto é, a ligação da ciência com a sociedade. A ciência não é uma ilha: relaciona-se com a educação, a economia, a saúde, a justiça, etc. Mas também com o que tradicionalmente se chama Negócios Estrangeiros. Foi no século XVIII, no tempo da Royal Society, dos Oratorianos e dos Jesuitas, que a ciência, através das sociedades científicas e das ordens religiosas, se tornou um empreendimento à escala internacional como é hoje. E foi nessa época do Iluminismo que a noção de cultura científica ganhou consistência. Lembro só que cerca de metade dos sócios portugueses do Royal Society foram homens de Estado e diplomatas (entre eles o Marquês de Pombal, mas também o Duque de Lafões, membro da família real, que viria a fundar a Academia das Ciências de Lisboa)

P-  Que competências e/ou orientações deverão ter um ator de Diplomacia Científica, para uma ação mais eficiente?

R-  Julgo que tem de saber de relações internacionais e ter a noção de ciência ue a cultura científica proporciona. E, claro, a experiência ajuda.

P-  Que paralelo encontra entre a sua atividade profissional e a ação de um “diplomata de ciência”?

R-  Já nem falo da minha actividade científica, que tem uma componente internacional. As relações de intercâmbio no plano da ciência são sempre enriquecedoras não só para os directamente envolvidos, mas também para os países que estão em jogo. Falo antes de uma parte da minha actividade profissional que tem sido a promoção a cultura científica. A FCT acabou com a área de “promoção da ciência”, minimizando a cultura científica. Mas a Agência Ciência Viva, com a qual colaboro, tem sabido promover a ciência e a tecnologia, com uma grande ligação internacional (bem visível na actual Presidência do ECSITE). Aceitei ser o coordenador em Portugal pelo Ano Internacional da Luz 2015 – uma iniciativa das Nações Unidas, com o apoio da Ciência Viva, que vai, em torno de um tema unificador, ligar países de todo o mundo. Vamos, metaforicamente claro, tentar trazer mais alguma luz ao mundo...


UNIVERSO VAZIO, COELHOS BRANCOS E OUTRAS HISTÓRIAS DE CIÊNCIA

O Observador anunciou com o título de cima  o último livro de António Piedade, "Íris Científica 2": aqui.

Transcrevo declarações que fiz aquele jornal que não chegaram a tempo de serem publicadas na pelça.
1. Como descreve António Piedade enquanto comunicador de ciência?

António Piedade é um excelente comunicador de ciência. Bioquímico de formação tem-se dedicado a essa actividade praticamente a tempo inteiro, dando o melhor de si, quer através de artigos, quer  de livros quer ainda de palestras. Destaco o seu papel na escrita de artigos de ciência para a imprensa regional, numa iniciativa do Ciência Viva, uma das actividades mais inovadores de divulgação científica entre nós. Muitos jornais regionais, por vezes paroquiais mesmo,  têm publicado os seus sempre oportunos contributos.  O António tem colaborado comigo na difusão da ciência: pertence ao colectivo do De Rerum Natura, o blogue português de ciência e cultura científica, com mais de 2500 leitores diários e, no Rómulo - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, tem organizado ciclos de palestras de outros divulgadores, como aconteceu com um recente em que entre outros Jorge Buescu e David Marçal foram convidados.
2. Qual a sua opinião sobre este livro em particular?

Depois do êxito de "Íris Científica 1", que tem sido utilizado por muitas escolas, o "Íris Científica 2" reúne algumas das melhores crónicas sobre ciência do António. A sua escrita está cheia de analogias que ajudam a prender o leitor. Aqui e ali chega a ter um tom poético, mostrando  que ciência e arte se podem cruzar com proveito para ambas as partes. Vou apresentar esse livro com todo o gosto no Rómulo. O livrinho é uma bela e barata  prenda de Natal para quem gosta de ciência.

           3-  Este tipo de livros contribuem para o aumento da literacia científica? Porquê?

Portugal continua a  ter um défice de cultura científica, apesar da maior atenção prestada à ciência pelos media nas últimas duas ou três décadas. A cultura científica passa completamente ao lado do actual governo, o que não pode deixar de ser estranhado uma vez que o ministro Nuno Crato cultivou essa actividade no passado. Quem o viu e quem o vê... A cultura científica tal como a história da ciência foram das primeiras áreas a ser cortadas neste insensato abandono da ciência. O ministro já soube mas esqueceu-se que não pode haver ciência sem apoio da sociedade à ciência e esse apoio exige uma maior literacia  da população. Livros como os do António Piedade contribuem decerto para isso.

Nota: O autor envia livros autografados pelo correio. Para isso solicite o seu exemplar pelo email apiedade@ci.uc.pt

Ciência e Inovação em Portugal

Meu artigo saído hoje no jornal I:


A ciência é, hoje em dia, indissociável da inovação, isto é, da transformação da sociedade. Ela tem impacto nas nossas vidas através de descobertas e invenções que ficam à disposição de todos. Na nossa civilização global, a ciência está por todo o lado: na saúde (a longevidade hoje é maior graças a avanços científicos), nas comunicações, nos transportes, na energia, etc. O impacto da ciência nas nossas vidas está, porém, longe de se restringir a aspectos materiais: a ciência é, primeiro que tudo, saber e, portanto, cultura.

Em Portugal, que beneficia da ciência que é feita por todo o mundo, também se faz ciência e inovação. Mas o esforço nesse sentido numa escala razoável é recente. Só desde há vinte ou trinta anos é que cresceu substancialmente o número de investigadores e o número de artigos científicos e protótipos tecnológicos. E só desde então cresceu a cultura científica, sem a qual a ciência dificilmente pode existir. A entrada da ciência nas empresas é ainda mais recente, apesar de haver alguns bons exemplos anteriores. Foi o estabelecimento de políticas públicas favoráveis à ciência e tecnologia que permitiu colocar Portugal no mapa da ciência. O nosso país subiu extraordinariamente nos rankings da ciência e tecnologia, tendo abandonado a cauda da Europa. Hoje, olhando para uma série de parâmetros, não estamos ainda na média europeia, mas estamos bem mais perto do que estávamos quando entrámos na União Europeia. De facto, foi a ajuda europeia que possibilitou essa escalada. Mas houve também a visão política de mobilizar uma parte ainda que diminuta dos financiamentos europeus em favor da ciência.

Estamos, sem dúvida, melhor do que estávamos. Mas devemos ter a ambição de querer mais, quer dizer, de atingir e até ultrapassar a média europeia. Impõe-se, por isso, uma reflexão sobre o estado da nossa Ciência e Inovação, assim como uma tentativa de prospectiva. Questões actuais são a avaliação do sistema científico-tecnológico, a ligação da ciência ao ensino superior, a ligação da ciência à economia (ligada de perto à questão do emprego científico) e a cultura científica. Subsistem problemas em todos essas vertentes: a recente avaliação da FCT está longe de ser perfeita, o ensino superior precisa de renovação, as empresas nacionais não albergam suficiente ciência (até porque empregam poucos cientistas) e a cultura científica deixa entre nós a desejar.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) tem por missão estudar Portugal, em particular a sua evolução recente com base em indicadores, como os que estão reunidos na PORDATA. A FFMS vai em breve anunciar o do estudo Ciência e Tecnologia em Portugal, 1995-2011: métricas e impactos, que mostra comparações internacionais em complemento de A Ciência em Portugal, um dos ensaios da Fundação. Aprofundando o debate em torno da ciência, a FFMS continuará em 2015 o seu ciclo de Conferências  de Ciência na sequência das que organizou na Universidade do Porto em 2013 e na Universidade de Lisboa em 2014, respectivamente com o Prémio Príncipe de Astúrias Pedro Echenique e o Presidente da Royal Society Paul Nurse. Interessa também à FFMS analisar a transferência de conhecimento científico para as empresas, para o que apoiará projectos nessa linha. Como entra a inovação nas empresas? Empresas inovadoras são, de facto, empresas mais bem sucedidas do ponto de vista económico? Como é a dinâmica, em casos exemplares, entre ciência e cconomia? Sendo também pertinente estudar a cultura científica da população, está já em curso um mini-estudo sobre esse tema: Que níveis de cultura científica existem em Portugal em comparação com outros países? Onde obtêm os cidadãos informação sobre assuntos científicos?  Por último, a FFMS gostaria de congregar numa plataforma os cientistas portugueses espalhados pelo mundo e de os convidar ao debate sobre o futuro da ciência e do país. Não é só a ciência que nos salva, mas sem o apoio constante da ciência estaremos perdidos.

Carlos Fiolhais

 Responsável pela área do Conhecimento na Fundação Francisco Manuel dos Santos

Cérebro e Leitura de Teresa Silveira – 2ª edição


Texto recebido do nosso leitor Augusto Kuettner de Magalhães:
Já saiu a segunda edição  do livro de Teresa Silveira, Cérebro e Leitura (Bloco Editora), muito necessária até por ter havido problemas com a primeira edição. É mais um dos livros que devem ser lidos neste tempo em que há tão pouca leitura, pelo menos completa, de livros.
O livro reflecte  sobre  a necessidade que todos termos de continuar a ler livros, ou começar a fazê-lo de modo regular caso ainda o não façamos. Decerto em casa, em família ou sozinhos, em vez de ver reality shows. O Cérebro a Leitura  de Teresa Silveira ajuda a:
 - Compreender os fundamentos neurocognitivos para compreender o comportamento do leitor no processo educativo.
- Reflectir, recorrendo a dados vindos das neurociências, sobre as potencialidades, mas também algumas limitações, da intenção de “educar” o gosto da leitura.
Assim, este livro de uma jovem autora ensina como se lê, abrindo o apetite à leitura.  O cérebro "trabalha" quando se está a ler.
Leia-se, além deste Cérebro e Leitura, por poderem ser de grande ajuda para as nossas vidas, dois livros de psiquiatras: de Daniel Sampaio O Tribunal é o réu - as questões do divórcio e de José Gameiro Até que consigas voar. E leiam-se outros livros, para podermos pensar melhor.
Augusto Küttner de Magalhães

CRATO, NOGUEIRA E A GREVE DE AMANHÃ



Nuno Crato desceu em pouco tempo de ministro mais amado para ministro mais detestado. Ele próprio foi o responsável por essa descida ao defraudar as expectativas nele depositadas. Lembre-se que ele foi levado aos ombros ao ministério pelos professores que agora, pasme-se, até já o comparam desfavoravelmente com Maria de Lurdes Rodrigues. O ministro da Educação (ele desistiu de ser ministro da Ciência e não merece esse nome) insiste todos os dias em descer mais baixo no apreço dos eleitores. Muito mal acolitado no ministério, insiste agora na realização de uma prova para professores que é inútil.  Sou dos que pensam que deve existir um processo de selecção dos melhores professores, o que hoje não é feito, mas a prova que o ministro inventou, com a cumplicidade executiva do IAVE (ex-GAVE, mas idêntico ao GAVE, só mudou o nome), não passa de um teste psicotécnico rudimentar que se destina a eliminar dos concursos uma meia dúzia de jovens. Também há uma redacção, além do referido teste, mas a ideia de eliminar pessoas com base no não cumprimento do acordo ortográfico é ignomiosa.

Um jornal económico nacional já colocou nas setas para baixo Nuno Crato e Mário Nogueira, um ao lado do outro. Amanhã provavelmente vão estar de novo equivalentes.  E assim vai a educação nacional, ignorando os verdadeiros problemas.

A LINHA DA LOUSÃ E O METRO DE COIMBRA


Há dias o primeiro-ministro Passos Coelho esteve em Miranda do Corvo e disse algo confuso sobre a possibilidade de ressuscitar a linha da Lousã, cujos carris foram em boa parte arrancados para serem vendidos a um sucateiro qualquer. Ninguém o levou a sério, pois em Miranda do Corvo e na Lousã já ninguém leva a sério promessas de políticos. O que se passou - a subtracção de um serviço público que funcionava - pode ser considerado um crime. Mas Passos Coelho acrescentou logo, que com ele não haveria  a concretização do programado metro de superfície de Coimbra, ligado à linha da Lousã (note-se que Passos Coelho é natural de Coimbra, mas, ao contrário de outros políticos, não quer saber da sua terra natal). Também em Coimbra já ninguém leva a sério promessas de políticos: havendo agora  fundos europeus e existindo projectos em carteira que poderiam modernizar áreas urbanas e suburbanas muito povoadas,  por que não se cumprem as promessas feitas?

E SE VOLTÁSSEMOS À DOCIMOLOGIA, OU SEJA, À CIÊNCIA DOS EXAMES?

  Em texto que antes publiquei sobre a infindável tragicomédia em que se tornou a classificação dos exames nacionais, disse que ela não se d...