quarta-feira, 5 de outubro de 2011
"Soundbite" sobre o Nobel da Física
A ciência inútil
A propósito da recente homenagem ao Professor Jorge Dias de Deus, e como leitora dos seus magníficos livros de divulgação científica, aqui deixo um texto intitulado A ciência inútil, que faz parte no livro Ciência, curiosidade e maldição, publicado em 1986 pela Gradiva (páginas 138-140). Não obstante os anos que passaram, o texto continua actual e pertinente."Quando perguntaram a Faraday – físico inglês do século passado que descobriu, entre outras coisas, as leis da indução electromagnética que estão na base dos geradores de energia eléctrica – para que servia a ciência fundamental que ele fazia, Farady respondeu, inteligentemente, com outra pergunta. Para que serve uma criança acabada de nascer?
Esta resposta-pergunta de Faraday é talvez, para além do honestíssimo «não sei», a melhor que é possível encontrar à questão da utilidade da ciência fundamental. Que ela não leva directamente à elaboração de produtos para colocar no mercado, sejam eles produtos de beleza ou medicamentos, metralhadoras a sério ou metralhadoras a brincar, frigoríficos ou máquinas de lavar roupa, isso é claro. Mas servirá essa ciência fundamental para alguma coisa? E a criança acabada de nascer para que serve?
Curiosamente, Faraday mostrou ter uma melhor visão da ciência do que alguns dos seus colegas cientistas da pura ciência deste século. O matemático inglês Hardy que trabalhava, estava convencido de que a teoria dos números em que trabalhava, para grande satisfação sua, não servia para nada. O físico Rutherford, outro cientista puro, troçavam dos que sonhavam, usando a relatividade, extrair a poderosa energia armazenada nos núcleos atómicos. Tanto Hardy como Rutherford não perceberam o que fora evidente, quase um século antes para Faraday. Ajudando a formular a teoria dos números e a teoria dos átomos Hardy e Rutherford tinham responsabilidades de paternidade sobre a criança gerada das quais de modo algum se queriam ver livres. E o que é que ia ser de cada uma dessas crianças?
A inútil e exotérica teoria dos números está na base da actual teoria dos códigos, secretos e não secretos. O puríssimo Hardy encontra-se assim – coisa que o teria chocado imenso – envolvido na muito pouco limpa ciência militar, com os seus segredos e as suas espionagens.
A estranha e engenhosa teoria dos átomos, com a relatividade e a física quântica a ajudar, está na base da descoberta da mais espectacular fonte de energia até hoje conhecida: a energia nuclear, com a cisão e a fusão nucleares, com as bombas e as centrais nucleares, com a maravilhosa luz que o Sol cada dia nos dá.
Hardy e Rutherford não tinham razão. Embora Hrady só quisesse brincar com os números e a sua lógica e Rutherford com os modelos ingénuos dos átomos, a ciência aparentemente inútil que eles faziam ia preparar intelectualmente o caminho de onde as aplicações iriam surgir de forma inevitável.
Na história da ciência, e muito em especial neste século, o esquema repete-se. Não há ciência verdadeiramente inútil (excepto alguma ciência aplicada de rotina). Cada vez mais as aplicações inovadoras, boas ou más, nascem a partir da ciência fundamental. E, em particular, não haverá desenvolvimento tecnológico num país onde a liberdade da ciência fundamental não estiver assegurada e a ciência fundamental não for praticada e transmitida às nova gerações.”
PRÉMIO NOBEL DA QUÍMICA PARA UM FÍSICO

A Academia Nobel por vezes dá o Nobel da Química a físicos: foi o caso de Ernest Rutherford, que recebeu o Nobel da Química de 1909, pelos seus trabalhos de radioactividade, e o caso de Walter Kohn, que recebeu o Nobel da Química de 1998, pelos seus cálculos de estrutura electrónica muito úteis em física dos sólidos. E foi o caso hoje do israelita Dan Shechtman, do Instituto Tecnológico Technion, em Haifa, pela sua descoberta, realizada em 1984, dos quase-cristais, usando técnicas (físicas!) de microscopia electrónica. A revista do artigo original foi a Physical Review Letters, sendo Shechtman o primeiro autor.
A simetria pentagonal que ele revelou em ligas metálicas era surpreendente: o plano não pode ser coberto por pentágonos. Mas as observações estavam correctas e os assim chamados quase-cristais acabaram por se impor, graças também aos esforços teóricos do matemático inglês Roger Penrose (que poderia ter partilhado o Prémio, embora fosse estranho dar o Nobel da Química a um físico e a um matemático). Em cima um belo pavimento de Penrose, que tem simetria rotacional local, mas que não é exactamente periódico, como são os cristais. No início grande químicos, como Linus Pauling, opuseram-se à ideia dos quase cristais. Mas os factos impuseram-se...
Hoje em dia os quase-cristais são usados em aplicações tecnológicas (revestimentos de frigideiras, ligas de aço especiais, etc.). E até já foram encontrados na Natureza, num mineral encontrado na Rússia.
O que têm em comum o Nobel da Física e o da Química deste ano? Não só os dois foram atribuídos a físicos, como ambos recompensam descobertas recebidas pelos cientistas com grande surpresa...
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Outras ligações do Nobel da Física a Portugal
DAS SUPERNOVAS ÀS SUPERCONSULTORAS
Patrícia Castro, ex-investigadora do Centro de Astrofísica do Instituto Superior Técnico e atualmente consultora na empresa Cap Gemini, escreveu vários artigos científicos sobre as supernovas distantes. É até co-autora do artigo fundamental de 1998 de Saul Perlmutter e não tem dúvidas sobre a importância da descoberta: "É o reconhecimento merecido de um trabalho de grande valor e impacto na cosmologia".Na altura em que o artigo foi escrito, Patrícia Castro estava em Berkeley, na Califórnia, no grupo de Saul Perlmutter a terminar o seu projeto de licenciatura: "Por sorte cheguei a tempo de participar no artigo, assisti à sua elaboração e ajudei, como outros, na análise das supernovas que o grupo detetou".Posteriormente, Patrícia Castro acabou por se doutorar em Astrofísica na Universidade de Oxford, foi bolseira de pós-doutoramento na Universidade de Edimburgo e no Centro de Astrofísica do Instituto Superior Técnico, de onde saiu em 2010: "Por falta de perspectivas de investigação em Portugal, acabei por sair da investigação com grande pena minha e estou a agora a trabalhar como consultora na Cap Gemini, em Lisboa."
The Feynman Series
NOBEL PARA A EXPANSÃO ACELERADA DO UNIVERSO

Hoje é um grande dia para a Física: acaba de ser anunciado que o Prémio Nobel da Física foi atribuído a três astrofísicos, S. Perlmutter, B. Schmidt e A. Riess, que, trabalhando em duas equipas concorrentes, chegaram a conclusão nos anos finais do século passado que, ao contrário do que se previa, o Universo está em expansão acelerada, isto é, as distâncias entre as galáxias estão a aumentar de uma forma cada vez mais rápida. Para isso observaram com muito cuidado supernovas, isto é estrelas pesadas que, chegando ao fim do seu ciclo de vida, explodem com uma luz característica.
Já se sabia do Big Bang. Mas não se sabe por que razão o Big Bang é acelerado. Os físicos foram obrigados nos últimos anos, perante as provas observacionais, a introduzir a noção de "energia escura" (há quem use a expressão antiga de "quinta essência" já que são quatro as forças conhecidas) para designar o responsável por esta acção obviamente contrária à força da gravidade. Um dos maiores mistérios da física actual é precisamente o da natureza desta energia escura, que constitui a maior parte da energia do Universo. Quer dizer, sabemos que não conhecemos um ingrediente muito importante do cosmos. Saber isso leva-nos a procurar saber ainda mais.
Quem se deve estar a rir é Einstein. O grande génio da física tinha introduzido nas suas equações, à mão, um termo chamado "constante cosmológica", que contrariava a expansão do Universo, para dar conta de um Universo estático que ele pensava existir. Mais tarde, quando se percebeu que o Universo em larga escala não era estático, ele afirmou que se tratou do "maior erro da sua vida". Ora, modernamente a energia escura é descrita por essa "constante cosmológica", um termo contrário à expansão do Universo. A história mostra que os maiores génios até são geniais quando se enganam, ou melhor, julgam que se enganam.
Perguntam-me: O que significa para os comuns mortais esta descoberta? Para que serve? Para todos é a comunicação de um mistério, um mistério que vemos nas estrelas, no céu por cima de nós todos. Hoje sabemos mais sobre a origem e o destino do mundo, mas também sabemos que nos falta saber mais, Por outro lado, talvez a tal "energia escura" venha um dia a ser bem conhecida e controlada. A história da física mostra que, quando se descobre a natureza das forças (foi o caso da força electromagnética no século XIX), não tarda em que a coloquemos ao nosso serviço. Conhecer melhor o mundo sempre significou viver melhor nele.
PROJECTO SOBRE DESPERDÍCIO ALIMENTAR GANHA PRÉMIO IDEIAS VERDES 2011

“Taste the Waste“ — the trailer from tastethewaste.com on Vimeo.
Segundo o anúncio do prémio:
O projecto premiado tem como objecto a investigação e sensibilização ambiental, centradas na análise do desperdício alimentar em Portugal, focando na sua dimensão social e ambiental. Visa estimular a mudança de comportamento, e prevê utilizar como ferramentas de trabalho e divulgação, um diário de bordo online onde cidadãos e investigadores podem deixar contributos, kits pedagógicos para professores e um livro científico. O estudo concentrar-se-à nos três grandes segmentos do sistema alimentar: produção agrícola,distribuição e consumo.
O trabalho será levado a cabo por sete investigadores, de institutos académico e áreas de estudo diferentes: Sofia Guedes Vaz, Graça Martinho e Ana Isabel Silveira da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Iva Miranda Pires da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas -UNL, Cláudia Soares da Universidade Católica, David Sousa e Susana Valente do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
A temática da alimentação saudável e do desperdício alimentar é, sem dúvida, de grande actualidade, face às dificuldades económicas que as famílias portuguesas atravessam. A divulgação deste estudo (que se realizará no prazo de um ano) permitirá transmitir, de uma forma acessível e apelativa, o conhecimento científico e a sua aplicação no quotidiano nacional.
SALVAMENTO NO EVEREST
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Homenagem a um grande fìsico português

Hoje é justamente homenageado em Lisboa um dos físicos portugueses que mais admiro. Não apenas investigador, ele tem sido também um incansável professor, um gestor e inovador (trabalhei com ele na Associação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento) e ainda um grande divulgador científico (vejam-se os seus três livros publicados na Gradiva). Não podendo infelizmente estar presente, deixo aqui uma pública palavra de admiração e amizade. Como ele costuma dizer a respeito da ciência e sempre sem qualquer intenção política: "A luta continua!"
Exemplos que dão ânimo

As medalhas (mais uma vez) conquistadas pelos alunos portugueses na Olimpíadas da Física confirmam o que o Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (PISA) tem vindo a revelar nas suas diversas passagens (2000, 2003, 2006 e 2009): o nosso sistema de ensino tem núcleos de excelência.
De facto, a média dos resultados académicos obtida pelos melhores estudantes do nosso país é melhor do que a média dos resultados académicos obtida pelos melhores estudantes dos diversos países participantes, nomeadamente dos que pertencem à OCDE.
Na mesma lógica estatística, o problema é que a percentagem de alunos com resultados académicos muito baixos é elevadíssima.
Há que trabalhar tanto para uns como para outros, se queremos que uns se mantenham no topo e outros se aproximem o mais possível dele, sendo que, neste particular, há muito a fazer.
Mas são exemplos destes - de alunos e de professores - que motivam, que nos dão ânimo para continuar.
Olimpíadas Ibero-americanas: Melhor prestação de sempre
Olimpíadas Ibero-americanas
Estudantes portugueses alcançam melhor prestação de sempre nas Olimpíadas de Física
03.10.2011 - 12:42 Por Lusa
Jovens portugueses obtiveram a melhor classificação de sempre nas Olimpíadas Ibero-Americanas de Física, que terminou domingo no Equador, conquistando uma medalha de ouro, duas de prata e uma de bronze, foi hoje anunciado.
Os cinco estudantes portugueses distinguiram-se na XVI edição das Olimpíadas, na qual participaram 64 finalistas do ensino secundário, de 17 países, que realizaram duas “longas e difíceis provas de Física”, uma teórica e outra experimental, refere uma nota divulgada pela Universidade de Coimbra (UC), responsável pelo treino da equipa nacional.
O vencedor absoluto da competição, iniciada a 26 de Setembro, foi um estudante espanhol, que obteve também a melhor classificação da prova teórica.
Quem obtiver pontuação acima de determinado valor obtém a medalha correspondente, podendo, por isso, ser atribuídas várias medalhas de ouro, por exemplo.
A medalha de ouro foi para André Calado Coroado (E.S. c/ 3º ciclo do Restelo, Lisboa) e as de prata para Rui Miguel de Oliveira Cordeiro (E.S. Dr. Joaquim de Carvalho, Figueira da Foz) e Shane Miguel Lennon Beato (E.T.L. Salesiana de Santo António, Estoril). Emanuel Ângelo Lopes de Carvalho (E.S. Carlos Amarante, Braga) ficou com o bronze.
Para os team-leaders que acompanharam a delegação portuguesa ao Equador, Fernando Nogueira e Rui Vilão, da Universidade de Coimbra, trata-se de “um excelente resultado”.
“Todos os estudantes tiveram pontuações bastante altas e as duas melhores provas experimentais foram portuguesas, o que é inédito”, afirmou Fernando Nogueira.
Os docentes da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra sublinham que a prova experimental “exigia algum cuidado na análise dos resultados e na determinação do erro experimental”, destacando o “trabalho árduo de preparação” dos jovens, realizado nos seus tempos livres.
Carlos Fiolhais, um dos físicos e divulgadores da ciência mais conhecidos em Portugal, considera que os resultados alcançados, “mais do que revelar uma melhoria nas escolas (secundárias), significam que os jovens estão a ser "cada vez mais bem preparados” na escola que os treina para as provas, a Quark, a funcionar na UC.
“Isto prova que somos tão bons como os melhores de outros países se forem devidamente treinados, que os cérebros portugueses não têm nenhuma diminuição ou deficit em provas internacionais”, afirmou o professor catedrático, que em 2008 se tornou no cientista português mais citado em todo o mundo, com um artigo sobre átomos e moléculas.
Ao realçar o mérito dos estudantes premiados, Carlos Fiolhais critica a suspensão do prémio monetário de 500 euros aos melhores alunos do secundário.
“Andamos todos a dizer que distinguimos os melhores e depois fazemos isto. Comecem por tirar os prémios aos gestores das empresas públicas, que não têm nada a ver com 500 euros”, sugeriu.
Eu ebului
Perguntei à pessoa que me enviou a prosa se ela era da autoria de aluno conhecido e, se sim, em que ano ou nível de ensino está. Não me soube dizer: é (mais) um texto que circula pelas caixas de correio electrónico.
Não obstante, guardei-o e aqui o reproduzo porque me suscitou várias inquietações que partilho com o leitor:
- Será verdadeiro? Ainda que seja forjado, uma imitação da escrita de alunos, pode ser verdadeiro. Tenho visto textos como este;
- Em que etapa da escolaridade se escreve assim? O texto situa-nos no segundo ou terceiro ciclos do ensino básico (onde os alunos são classificados numa escla de 1 a 5), ou seja entre o 5.º e o 9.º ano. O que significa que, sendo o texto verdadeiro, os alunos podem transpôr o primeiro ciclo sem dominarem regras básicas de escrita, usarem um vocabulário reduzidíssimo e do quotidiano, etc.;
- Não obstante, é possível, em termos de avaliação, atingirem um nível 3, positivo, portanto;
- E é possível pedir-se uma auto-avaliação aos alunos. Será que a ideia é levá-la em conta? Para quê?
As vias alternativas
Neste ano, ao que li, aumentou o número de alunos que não tendo frequentado o ensino regular, entrou por outras vias, pela "porta do cavalo", como diz Carlos Fiolhais.
No sistema educativo todos devem estar em pé de igualdade. Isto é o que está escrito nos documentos da tutela: quem frequentou o ensino regular, quem saiu do que resta do ensino recorrente, quem passou pelas Novas Oportunidades, quem optou pelo ensino profissional, quem está em condições de acesso para maiores de 23 anos, quem veio de outras vias que aqui omito. É assim exactamente, e eu concordo.
Por isso mesmo, para que todos estejam em pé de igualdade, tem de ser feita uma triagem que discrimine aqueles que estão em condições de entrar no ensino superior e aqueles que não estão.
Essa triagem não é feita? Não, não é.
Não é feita porque as diferentes vias de ingresso a esse grau de ensino não são equivalentes nos conhecimentos que exigem e se reconhecem aos estudantes. E porque os estudantes que se decidem por vias mais discutíveis, digamos assim, são beneficiados em relação aos que se decidem por vias reconhecidas como de maior qualidade.
Estando a triagem dependente de regras cegas que traduzem as inúmeras e confusas possibilidades de candidatura ao ensino superior, não se poderá ter em conta os conhecimentos e o mérito. Mas, se a triagem ficasse dependente das instituições de ensino superior, o cenário pioraria decerto, porque, para sobreviverem, essas numerosas instituições precisam de clientes, que escasseiam.
Os números são muito animadores

Face ao quase total afastamento dos autores e dos textos clássicos do nosso sistema educativo até ao final do ensino secundário e com um lugar restrito no ensino superior, poderia pensar-se que o interesse pelas bases da nossa cultura tivessem esmorecido.
A biblioteca digital Classica Digitalia, que fundámos, há dois anos, na Universidade de Coimbra, parece provar, se não o contrário, pelo menos que esse interesse está vivo em muitas pessoas. Há um ano que fazemos controlo estatístico dos acessos e descarregamentos relativos à biblioteca digital, e os números que obtivémos são muito animadores.
DADOS ESTATÍSTICOS
- Número total de obras disponibilizadas até Setembro de 2011: 55
- Estatísticas relativas ao período de Setembro de 2010 a Setembro de 2011: 8.476 downloads + 12.516 consultas (origem dos principias utilizadores, por ordem: Portugal, EUA, Brasil)
- Melhor mês de sempre: Setembro de 2011: 1277 downloads + 1526 consultas (origem dos principais utilizadores, por ordem: Brasil, Portugal, EUA).
ALGUMAS CONCLUSÕES DECORRENTES DESTES DADOS
- A forma de divulgação da produção científica – através da internet e de impressão em papel – é, de longe, a que permite atingir um impacto maior, pois nunca um relativamente reduzido número de publicações (55) teve, a partir do meio onde elas foram produzidas, uma penetração tão grande dentro da comunidade de leitores.
- Os três primeiros lugares relativos a acessos e downloads são ocupados, em termos absolutos, por Portugal, EUA e Brasil. No entanto, a penetração dos Classica Digitalia é visível em mais de 60 países, repartidos por todo o mundo, com destaque para o continente europeu e americano, mas com uma crescente presença de países africanos e asiáticos.
- O crescimento dos Classica Digitalia tem sido constante e directamente proporcional ao carregamento de novos volumes.
- A disponibilização gratuita dos eBooks tem permitido reforçar a venda dos mesmos volumes, em formato tradicional impresso.
VOLUMES MAIS PROCURADOS (acima de 300 downloads):
1. Juan Carlos Iglesias-Zoido: El legado de Tucídides en la cultura occidental. Discursos e historia: 888 (downloads) + 621 (consultas); (upload: Fevereiro 2011)
2. Rodolfo Lopes: Platão. Timeu – Crítias. Tradução do grego, introdução e notas: 613 (downloads) + 485 (consultas); (upload: Abril 2011)
3. Carlota Miranda Urbano: Santo Agostinho. O De Excidio Vrbis e outros sermões sobre a queda de Roma. Tradução do latim, introdução e notas: 429 (downloads) + 331 (consultas); (upload: Novembro 2010)
Françoise Frazier et Delfim F. Leão (eds.): Tychè et pronoia. La marche du monde selon Plutarque: 380 (downloads) + 442 (consultas); (upload: Outubro 2010)
4. Adriano Milho Cordeiro: Plauto. O Truculento. Tradução do latim, introdução e notas: 368 (downloads) + 442 (consultas); (upload: Outubro 2010)
5. Delfim F. Leão, José Ribeiro Ferreira & Maria do Céu Fialho, Cidadania e Paideia na Grécia antiga: 337 (downloads) + 342 (consultas); (upload: Março 2010)
O Conselho Editorial dos Classica Digitalia, a que pertenço, agradece, pois, a confiança dos autores, leitores e parceiros de publicação, sem os quais não seria possível desenvolver este projecto editorial, na certeza de que continuaremos a aplicar os melhores esforços no sentido de aperfeiçoar e expandir um projecto que, afinal, se encontra ainda nas primeiras fases de implantação.
Delfim Leão
Na imagem: Tucídides (o mais "descarregado").
domingo, 2 de outubro de 2011
Estamos em vias de nos tornarmos bárbaros?
A pouco e pouco, os sistemas de ensino ocidentais têm afastado a cultura clássica dos currículos da escolaridade básica, secundária e superior. Uns têm sido mais eficazes do que outros nessa tarefa, sendo que o nosso têm sido muitíssimo eficaz. Criança que entre no Jardim-de-Infância saíndo adulto com Doutoramento poderá nunca ter lido e analisado nos bancos da escola um único texto antigo. Sim, é verdade: em vinte cinco anos de estudo pode não surgir a oportunidade de conhecer o fundacional Homero!Esta peristente opção política para a educação, aparentemente sem fronteiras, está longe de ser pacífica: tem desencadeado contestação e resistência por toda a Europa e nos Estados Unidos. Um dos resultados é a publicação de diversas obras, muitas delas de divulgação, que insistem na ideia de que não podemos abandonar os Clássicos, sob pena de retrocedermos em termos civilizacionais.
Esse é (também) o mote do livro Voltar a ler os Clássicos, de Roger-Pol Droit (dado à estampa no ano passado com um título diferente deste que a Temas e Debates/Círculo de Leitores lhe atribuiu). Sobre o que acima escrevi, nas páginas 216 a 218 pode ler-se o seguinte:
"Para as humanidades vai tudo mal. O ensino das línguas reduz-se a cada ano. Dos liceus, a decadência ganhou as universidades. Presentemente, afecta a formação e o recrutamento dos professores e a investigação. Não é preciso ser catastrofista para recear o pior. Uma nova idade obscura é possível, mesmo provável. Nada exclui que se deixe de saber, em pouca gerações, o antigo grego, ou mesmo o latim. Decerto que nada morrerá de facto: os velhos textos já passaram por pior. Sabem manter-se sob a poeira dos séculos, no meio do bolor e do esquecimento. Mas viveremos sem eles. Muito pior. Muito menos humanos.
Face a esta eventualidade, todas as moblizações são úteis. Individuais, associativas, profissionais. Todos os meios devem ser utlizados. Desejaria que estas resistências tivessem a amplitude necessária e a inteligência exigida, sem esquecer a tenacidade que é precisa. Para dizer a verdade, duvido. Não da resolução dos investigadores da Antiguidade ou da determinação dos últimos humanistas, mas do seu número e do seu peso.
Quantos esquadrões têm as humanidades? Poucos, afinal. Cada vez menos. Em comparação com as forças do esquecimento, quase nada. Em relação à desumanidade corrente, zero. O mais grave, porém, não é a falta de meios ou de audiência, mas o que está por detrás: uma falta do imaginário. Socialmente a nossa representação da Antiguidade está falida. Os Antigos estão no desemprego. Já não são modelos, nem heróis. Nem objectos de desejo, nem sujeitos de curiosidade, fundem-se na bruma cultural.
Apesar de tudo, e contra toda a razão, parece-me que desesperar não é obrigatório. Pelo contrário. Poderá mesmo acontecer que o princípio da positividade do negativo se aplique à situação presente. Os Antigos já não têm papel a desempenhar? É o momento de os reiventar. Já não são aprendidos de cor? É porque estão em rede disponíveis na Web, de todo o lado e para todos, gratuitamente. Estamos em vias de nos tornarmos bárbaros? Mais uma razão para pilhar os tesouros antigos, sem respeito, sem regras.
Génios que se tratam por tu, itinerários pessoais inumeráveis, Antigos às cores, longínquos mas próximos... talvez seja esse o esboço de uma outra história. Nada impede que comece hoje. Para quem realmente o queira."
PELA PORTA DO CAVALO
O que muda se o neutrino puder assumir velocidades superiores às da luz?

Hence,if the recent CERN experiments are correct the cosmology, nuclear physics, atomic physics, laser physics, etc. all in doubt, and also the fundamental theories of particle physics are also thrown in doubt. The Standard Model of particle physics (containing quarks, electrons, neutrinos, etc). is also based on relativity and would also mean that string theory may also be wrong. String theory has relativity built-in from the start and the lowest octave of string contains the entire general theory of relativity. So you can see why physicists are breaking out in a cold sweat contemplating the demise of relativity. Not only will all textbooks have to rewritten but we will also have to recalibrate all our physics calculations, not to mention all of our theories of both nuclear, atomic physics and cosmology. What a headache! So, I think most physicists are holding their breath, wishing that the recent CERN experiment is shown to be flawed and something of a false alarm. However, there is the slim chance that the result holds up. Then relativity may fall and we will have to await the coming of the next Einstein who can make sense out of it all.In retrospect however, This is How Science is Done.(Michio Kaku)
Vejam no link abaixo o vídeo O QUE É A TEORIA DA RELATIVIDADE?:
UM CAMINHO CURRICULAR PARA A FORMAÇÃO HUMANISTA?
Entenda-se este texto não como um elogio acrítico a uma nova escola de iniciativa privada, mas como uma reflexão acerca da estrutura curricu...
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