A notícia é do jornal Expresso:
O Movimento até pode assentar em boas intenções, mas vamos dar sempre ao mesmo:
- o eurodeputado representa um partido político e a escola publica não pode orientar de modo nenhum os alunos em termos políticos;
- o influencer, como a própria designação deixa claramente perceber, influencia. Ora, os alunos não estão na escola para serem influenciados, mas para, com base em conhecimento escolar, aprenderem a pensar (a pensar bem), de modo a tomarem as melhores decisões.
Ainda há muito pouco tempo a entrada de certos influencers nas escolas, dado o carácter alienante das suas actuações, foi motivo de indignação nacional e tomada de posição por parte da tutela (ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui). Julguei que, por uns tempos, a questão estava arrumada, mas eis que surgem outros influencers.
A questão é: barra-se a entrada nas escolas aos influencers que veiculam maus princípios, e deixam-se entrar os que veiculam bons princípios? Uns "empurram" os alunos para um lado; outros "empurram" os alunos para outro lado!
Estou com a socióloga Maria Filomena Mónica, que em 2012 disse o seguinte: os alunos "não são hereges a converter, mas jovens a quem devemos inculcar a paixão pelo saber”.
5 comentários:
Laicismo, sobretudo; é preciso alargar o conceito de laicismo a modas de pensamento, crenças, estratégias políticas. Tudo aquilo de que pode dizer "não está provado, não é ciência positiva, mas eu acredito" não deve entrar na Escola.
A questão já não é ter ou não ter conhecimentos escolares; se fosse poderia levar a discriminações entre os que sabem e os que não sabem. Ora, a escola democrática, de feição esquerdista, é sobretudo inclusiva. O que nos deve mover, a nós outros professores e educadores, é franquearmos os portões, para não dizermos os muros das escolas, a todos os que lá queiram entrar e a todos que de lá queiram sair; não deve haver divisões entre uma cultura escolar e uma cultura de homem da rua que aos fins de semana vai ver o futebol para lançar petardos para dentro do estádio. Quando não haja empregos para incluir tanta gente, é simples: que emigrem todos lá para fora, na melhor das hipóteses!
inculcar a paixão por saber e não o verniz educativo que se dá nas escolas
Concordo, caro Leitor com o princípio, mas a arte, a filosofia... não são ciência positiva e devem estar na escola. MHDamião
Percebo a ironia, mas o que nos deve mover, professores e educadores, é guardar os portões e os muros das escolas. Nem todos os que querem entrar têm intenções aceitáveis, nem todos têm legitimidade. Reconheço, porém, a crescente dificuldade de o fazer e a desistência de muitos. MHDamião
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