domingo, 19 de abril de 2026

AGRADECIMENTO A ANTÓNIO CARLOS CORTEZ

Num artigo saído no jornal Público já há alguns dias (ver aqui), António Carlos Cortez, professor, escritor e cronista, apresenta a sua opinião sobre os documentos curriculares para o ensino do Português (as tais Aprendizagens Essenciais), focando-se na "diluição" do único prémio Nobel da Literatura atribuído a um autor português. Em certo passo, escreveu o seguinte:

"Que se leia o arrazoado teórico do documento que está agora em discussão pública e lá teremos a tónica posta na óbvia relação entre a leitura literária e a construção do pensamento crítico; lá teremos o postulado da fruição estética e a defesa de que pensar e escrever e falar sobre obras literárias constitui um caminho para a cidadania e a inclusão; lá teremos, enfim, a evidente consideração de que estudar literatura é aprofundar o autoconhecimento e a alteridade; lá teremos o princípio de que é essencial estudarem-se os autores maiores do idioma para a própria ideia de ética na educação".

Aqui António Carlos Cortez poderia ter afirmado, como é regra fazer-se, que estas "verdades de La Palisse" são expressões do eduquês renovado, das (pseudo)ciências da educação, da lavra dos pedagogos reconvertidos à "educação do futuro". Mas não: considera que se trata, tão-somente, de um

"jargão tecnocrático que dilui, oculta, esconde e deturpa um ensino sério do texto literário, assim como maquiavelicamente conduz os professores, uma vez mais, a transformar as suas aulas em roteiros de obediência cega ao que o ministério ordena".

Fazendo minhas as suas palavras, agradeço-lhe ter localizado o problema na tecnocracia ou algo do género... Esse modo de falar e escrever que redunda em lugares-comuns, que anda à volta de si mesmo e que, portanto, nada adianta, que parece muito bonzinho, muito em prol de um "céu-na-terra".

O jargão tecnocrático é usado por gente de muitas áreas, incluindo da área da educação, mas não pode ser confundido com a mesma. Na verdade, não a representa ou não a deve representar.

2 comentários:

Mário R. Gonçalves disse...

Mas QUE professores são conduzidos à obediência cega ao que o ministério ordena? A maioria. Porque são maus professores. Porque foram formados desde a escola básica justamente na obediência às regras de quem 'sabe mais' e portanto 'manda'; por que toda a vida ouviram esse jargão 'inclusivo' da cidadania e da alteridade a acabaram por absorvê-lo. Não sei o que querem vocês, os do 'contra' , deitar fora os professores que temos? Deitar fora a língua que temos ? É que só temos isso. Inteligência, não temos. Vistas largas, não temos. Cultura cosmopolita e aprofundada, não temos. Diz o texto , "estudarem-se os autores maiores do idioma para a própria ideia de ética". Autores maiores ? Mas que raio é isso? Acham que o Japão orienta o ensino da língua para os seus "autores maiores" ? Pois estão enganados, porque lá não existe o conceito de "autores maiores". E tudo isso para a própria ideia de ética ? Mas que coisa absurda, quem é que quer saber da própria ideia de ética, se isso existe sequer.
Vá, escolham que obras devem ser lidas e não fundamentem com paleio peda-dema-gógico. Escolham os professores não nas escolecas e institutecos de formação rápida, barata e sumária, mas entre os melhores Universitários. E mesmo assim vai haver erros , há sempre erros.
Em resumo: tão mau é o ministério que dita, como quem quer situar o problema na área da tecnocracia do jargão e dos objectivos. O único problema é o material humano: não presta. Sei do que falo.

Anónimo disse...

Quem se olha ao espelho, não merece castigo.

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