segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

NA MORTE DE ARNO PENZIAS

Meu depoimento ao Público:

O físico Arno Penzias fez em 1965, acidentalmente, com Robert Wilson (ainda vivo) uma das maiores descobertas científicas do século XX: a radiação cósmica de fundo, que forneceu uma confirmação maior da teoria do Big Bang. O Universo tem, por todo o lado, um registo de quando era «bébé»: tinha 380 000 anos quando apareceram os primeiros átomos por todo o lado, com a junção dos electrões aos núcleos atómicos. Hoje já tem 13,8 mil milhões de anos.

Penzias e Wilson tiraram o que podemos chamar a "fotografia" mais antiga do Universo. Antes de haver átomos o mundo era escuro e não pode ser «fotografado». O brilho que hoje vemos com microondas, na Terra e no espaço, é um «fóssil» da formação dos primeiros átomos, hidrogénio e hélio. Eles estavam  a instalar antenas para comunicações de satélite, em New Jersey, por conta dos Bell Labs. Descobriram um ruído praticamente igual por todo o lado que apontassem. Não sabiam  o que era e queriam ver-se livres daquilo, que só perturbava as comunicações. Limparam as antenas pois podia ser excrementos de pássaros. Só num contacto com outro físico de Princeton, ali próximo, é que souberem o que devia ser, um «fóssil» da formação dos primeiros átomos, hidrogénio e hélio. Uma hipótese que haveria de ser amplamente confirmada.  Penzias comentou: "Há quem ganhe o Nobel por procurarem algo. Nós ganhámos nos querermos ver livres de uma coisa." Mas estavam, com atenção, no sítio certo e na hora certa...

Penzias é um autor de um só livro em português, "Ideias e Informação," um dos primeiros livros da colecção «Ciência Aberta», da Gradiva. Pegando no título do livro: as microondas eram a informação, a ideia é que elas vinham do início do mundo.

Judeu alemão (de origem polaca), Penzias fugiu de Munique aos 6 anos, em 1939. É mais um dos muitos judeus nobelizados: na Física são mais de 25% (na Economia são mais de 40%).

Morreu de Alzheimer, mas nós vamo-nos lembrar dele.

Sem comentários:

"Nós, professores, já não lemos. Nem sequer estudamos."

O artigo que aqui traduzimos, assinado por Diego Garrocho, não traz nada de novo, mas o que traz é importante, fundamental, precisa de ser r...