Este mar não vai desaparecer.
O que vai desaparecer sou eu.
Este mar vai continuar a ser.
Deixar de vê-lo é destino meu.
Continuará a espelhar o sol,
que, de mim, para isso, não precisa.
Estender-se-á como vasto lençol
o mar que tem grandeza por divisa.
O mundo existia antes de mim,
porque há ser que convive com não ser.
Haverá mundo, depois do meu fim
e ser que ignora o meu não ser.
Está bem assim porque é natural,
embora pareça demencial.
Eugénio Lisboa
domingo, 21 de janeiro de 2024
MEMENTO MORI
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