quarta-feira, 11 de maio de 2022

JÁ LÁ VÃO TREZE ANOS, VENHAM MAIS TREZE

Meu depoimento no número de aniversário da revista «As Artes entre as Letras»:

O tempo é um grande mistério. Passa inexoravelmente e nós com ele. Sempre do passado para o futuro: fazemos história com o passado e não podemos fazer história do futuro (o padre António Vieira foi a excepção que confirmou a regra). A fundação da revista «As Artes entre as Letras» pela jornalista Nassalete Miranda no ano de 2009 já faz parte da nossa história cultura e, pese embora todas as incertezas, está-lhe destinado um bom futuro. Desaparecidos os suplementos literários dos jornais, fazia e faz falta uma revista no Norte que plasmasse a riqueza e variedade cultura que abunda nessa região do país.

Orgulho-me de ter estado desde o início do empreendimento, participando em tudo o que me foi pedido. Hoje e desde há já algum tempo (nem me lembra quando) participo com uma coluna mensal em que falo de livros e temas de ciência – e não só, porque a ciência não é uma ilha e comunica com imensos territórios. Colaborei sempre com o maior gosto. Sinto-me parte de uma comunidade que aprecia e defende as artes e as letras (e também, como mostra a minha coluna, a ciência, pois esta, sendo parte da cultura, gosta de estar no meio das artes e as letras). É-me grato verificar que existe um público interessado na cultura, que amiúde colabora na revista com as suas próprias produções. A cultura – na forma de letras, artes ou ciências - é um bem comum.

2009 foi ontem, mas parece que foi há muito tempo. Foi o ano em que Barack Obama começou o seu primeiro mandato de presidente dos Estados Unidos (nesse mesmo ano ganhou o Prémio Nobel da Paz). Foi o ano em que ainda se sentia no mundo a grave crise económica de 2008 (em Portugal chegaria de forma violenta em 2011). Foi o ano em que a Rússia cortou o fornecimento e gás natural à Europa através da  Ucrânia. Foi o ano em que entrou formalmente em vigor o tratado e Lisboa. Foi o ano da gripe suína, uma pandemia global que assustou muita gente. Foi o Ano Internacional da Astronomia, comemorando os 400 anos das primeiras observações com o telescópio realizadas por Galileu. Foi o ano em que um piloto americano fez uma bem-sucedida aterragem de emergência no rio Hudson, em Nova Iorque. Foi o ano em que foi reparado o telescópio Hubble. Foi o ano em que o filme mais popular – e um dos mais populares de sempre – foi o «Avatar», de James Cameron (que tem formação em Física).  Foi o ano em que morreu Michael Jackson. Ainda se lembram?

Em Portugal, o ano de 2009 foi dominado por eleições europeias ganhas com alguma surpresa pelo PSD e pela vitória muito clara nas eleições  legislativas do PS, encabeçado por José Sócrates, embora perdendo a maioria absoluta que tinha ganho quatro anos antes (o CDS de Paulo Portas teve 10,4% dos votos…).

Em 2022, no fim de uma pandemia, estamos a assistir a uma guerra assustadora entre a Rússia e a Ucrânia. Na economia internacional cresce a inflação. E estamos confrontados com um dos maiores problemas da humanidade -  as alterações climáticas – que nos desafiam a todos. Em Portugal começou o seu mandato de um governo de  maioria absoluta, que dispõe de mundos e fundos vindos da União Europeia.

Não é apenas a cultura, incluindo nela a ciência, que nos vai valer, abrindo-nos as luzes do futuro. É preciso, nestes tempos incertos, encontrar em nós a esperança necessária. A esperança é, de resto, um dos alicerces da cultura. Longa vida ao «As Artes entre as Letras»!

Carlos Fiolhais


 

1 comentário:

  1. Sempre brilhante nas suas análises. É um dos blogs que mais procuro todas as semanas. Tenho saudades das conferencias organizadas por si através do zoom onde periodicamente nos ia dando a conhecer vultos ligados às várias áreas do conhecimento.

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