segunda-feira, 8 de setembro de 2014

VERGONHA!


“O que finalmente mais sei sobre a moral e as obrigações devo ao futebol” (Albert Camus).

Ao ver os frontispícios  dos jornais  desportivos de hoje, deparei-me com os seguintes títulos:
- “Record”: “Vergonha”.
- “A Bola”: “A  maior vergonha de sempre da selecção”.
- “O Jogo”: “Miséria total”.

Malgré tout, Pepe, no fim do jogo Portugal-Albânia, declarou: “Ainda acredito em Paulo Bento. É o nosso treinador, acredito nele. Está a fazer um bom trabalho”. E Nani, mais comedido em  louvor a Paulo Bento, disse: “Não acho que o trabalho do treinador [Paulo Bento] esteja em causa, fomos superiores e foi pena termos sido surpreendidos”.

Ou seja, depois do tempo das balizas às costas evoluímos para a época da minha juventude em que a Selecção  Nacional ao perder copiosamente com outras selecções (estou a lembrar-me por exemplo da cabazada dos 10 a 0 sofridos perante a selecção de terras de Sua Majestade) merecia o simples conforto de termos ganhado moralmente!

Mas o mundo não pára e os tempos são outros! O prestígio internacional da nossa selecção, a diferença de quase amadorismo dos virtuosos  “5 violinos” do Sporting relativamente às verbas escandalosas auferidas pelos jogadores actuais,  a exigência de quem gasta fortunas na ida estrangeiro para apoiar a nossa selecção, os  bilhetes caros  de quem por cá se fica para assistir aos jogos da Selecção das Quinas em prejuízo, por vezes, do magro orçamento familiar,  tudo isto somado (e outras coisas  que ficaram por dizer) não se deve ficar pelo acenar de lenços brancos no Estádio de Aveiro.

E se, como sói dizer-se, a culpa não deve morrer solteira, com o despedimento encapotado, pela atribuição de  novas funções de menor relevo,  da equipa médica da selecção,  como quem despede uma mulher-a-dias paga à hora e sem contrato de trabalho!,  que serviu de inocente  bode expiatório  da culpa de terceiros que se ocultam na sombra do laissez faire, laissez passer, chegou a altura de ser exigida, sem paninhos quentes,  responsabilidades directas ao presidente da Federação  Portuguesa de Futebol e ao seu staff. E, no meio de tudo isto, sem compadrios ou simples "amiguismo",  demitir Paulo Bento, pese embora o ónus de desfalcar os cofres da Federação por um contrato feito dias antes do começo do Campeonato do Mundo sem fiador ou garantias de qualquer ordem.

 Mais, ainda! “A maior vergonha de sempre da selecção” (“A Bola”) passou da esfera privada para a esfera pública do noticiário dos jornais desportivos (e não só!), exigindo ao secretário de Estado do Desporto que se pronuncie sobre estes factos e diga publicamente quais as medidas estatais que, porventura, estejam a ser tomadas para  fazer com que a Selecção Nacional torne a  honrar a bandeira verde-rubro.

A importância do respectivo cargo e a sua responsabilização não se podem ficar por assistir nos camarotes vips dos estádios  nacionais, ou dos cinco cantos do mundo, ao desenrolar de pugnas  do desporto-rei coroando de louros as cabeças vitoriosas e remetendo-se ao silêncio nas horas amargas da nossa vergonha colectiva!

13 comentários:

  1. Para contribuir para “a coesão territorial e para a fixação de jovens qualificados no interior do país”, o Governo criou 1.000 vagas, no ensino superior público continental, para bolsas de 1.500 euros para a mobilidade de estudantes.

    Destas, atribuiu ao Instituto Politécnico de Santarém 75 vagas, e ao Instituto Politécnico de Tomar 80 vagas, ou seja, no Distrito de Santarém, contíguo ao de Lisboa, o Governo atribuiu 155 vagas.

    Uma das questões que se coloca, é se a cidade de Santarém, capital do distrito, que dista cerca de 60 km da cidade de Lisboa, integra parte do território continental desabitado e abandonado que esta medida aparenta visar?

    Ou, se ao invés, não será este mais um dos casos que só as teias da política explicam.

    Como é o caso da existência de 2 Institutos Politécnicos num mesmo distrito, caso único no país, e ainda por cima, a poucos km de Lisboa…

    Por outro lado, será que o úbere Ribatejo, que num mesmo distrito – o de Santarém – averba 15,5 % destas 1.000 vagas, integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono?

    Da mesma perplexidade enferma a atribuição ao Instituto Politécnico de Viana do Castelo de 100 destas vagas.

    Mas será que o Minho, mais concretamente Viana do Castelo, integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono?

    É que, se no alto critério deste Governo, o Minho integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono, então olvidou-se da sua universidade – a Universidade do Minho – pela qual certamente os alunos terão muito maior apetência, atenta a preferência dos alunos, e das suas famílias, pelo ensino universitário em detrimento do ensino politécnico, como resulta à saciedade dos resultados a 1.ª fase de colocações no ensino superior.

    Das 1.000 bolsas criadas, o Governo de supetão atribuiu 25,5% destas vagas com um critério que no mínimo é duvidoso. A menos que considere, que o interior do país é tudo o que não for em Lisboa, critério este que esbarra com o óbice de apenas ter atribuído as vagas para as bolsas a algumas das instituições de ensino superior público que se situam fora de Lisboa, algumas à porta desta capital.

    Diz o povo, “que os amigos são para as ocasiões”, espero que não seja o caso, o país está exausto de clientelismo.

    A questão deve ser aprofundada, e o Governo deve explicações ao país.

    Porque foram apenas estas 12 instituições de ensino superior público, de fora de Lisboa, (3 Universidades e 9 Institutos Politécnicos), contempladas com estas 1.000 vagas e as demais não o foram…?

    Uma vez que o território nacional é composto por Portugal continental e pelos arquipélagos dos Açores e da Madeira. De cabal explicação também carece porque é que o Governo apenas atribuiu vagas para estas bolsas em Portugal continental …?

    Numa análise superficial até se pode entender que esta medida, porque não teve influência nas candidaturas da 1.ª fase, é lançada em momento inusitado. Porém, num juízo mais cuidado, até se pode entender que este é o momento é ideal para, através de dumping, recrutar para as 12 instituições selecionadas mais 1.000 alunos, com vaga nas demais instituições não selecionadas, aproveitando-se da debilidade económica de inúmeras famílias portuguesas para as quais 1.500 euros é uma soma importante.

    Quiçá, seja até por isto, que as instituições de ensino superior público dos arquipélagos dos Açores e da Madeira não foram comtemplados. Uma vez que, havendo só uma no arquipélago de Madeira, e outra no arquipélago Açores, o Governo estava impossibilitado de fazer dumping na Madeira e nos Açores…

    http://www.ionline.pt/artigos/portugal/bolsas-1500-euros-mil-alunos-queiram-tirar-cursos-no-interior

    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/bolsa-de-1500-anuais-para-mil-alunos-irem-para-o-interior-1668863

    http://www.jornaldamadeira.pt/artigos/universidade-de-%C3%A9vora-diz-que-bolsas-de-1500-euros-surgem-fora-de-prazo

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  2. A mediocridade neste mundo da bola redonda paga-se cara!

    Assim, no "Sapo notícia", de hoje, ficou-se a saber que a saída de Paulo Bento (PB) implicaria uma indeminização de 3 milhões de euros por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

    Seiscentos mil contos em moeda antiga envolvidos numa espécie de divórcio, entre o presidente da FPF e PB, depois um casamento feito à pressa por a noiva estar de ânsias!

    Sendo o casamento um contrato entre nubentes, como todo o divórcio entre gente escandalosamente rica um mau passo pode custar os olhos da cara da FPF por um contrato de continuação de funções de selecionador de um Paulo Bento, prenhe de pressa em o assinar antes do começo do Campeonato do Mundo do Brasil.

    Não fosse o diabo tecê-las (aliás como teceu!), consultando ou não um(a) vidente, PB teve a clarividência (ou esperteza saloia) de prever o seu futuro.

    Como vai ser resolvido todo este imbróglio? O futuro está nas mãos do presidente da FPF, PB qual Pilatos que lava as suas mãos em bacia de ouro, de qualquer responsabilidade sua já disse, publicamente frente à televisão, que se não demitia passando a bola, com a perícia de astro da bola que foi, para a direcção colegial da FPF. E agora?

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  3. O problema aqui não será tanto de PB mas da estrutura da formação de novos talentos que está pelas ruas da amargura. Se clubes e federação não seguem o modelo a culpa é do selecionador? Se os 3 grandes já vão buscar putos de 14 e 15 anos ao estrangeiro para jogar nas camadas juniores a culpa é do PB? Olhem para o medelo alemão e vejam , não é muito diferente do nosso só que eles cumprem á risca o plano e nós navegamos á vista, há uma ligeira diferença. Há quantos anos não produzimos um talento de classe mundial? Temos agora o William mas não chega. Onde está a coordenação da seleção sub-21 com a A?

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    1. Quem é o responsável pelas selecções de formação e estrutura do futebol dentro da federação? O seleccionador principal. Qual foi a opção tomada com a destituição de Queiroz e a entrada de Paulo Bento? Ter alguém que fale de igual com a imprensa e com os jogadores ao invés de ter alguém que pense a selecção e a estrutura do futebol nacional. Colocar quem fala no lugar de quem pense normalmente dá asneira.

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    3. Caro Anónimo (9 Set. às 15:12): Que tem um contrato indemnizatório de despedimento de 3 milhões de euros não se pode dar ao luxo de "perder tempo" com a formação de novos jogadores.

      Bem basta a trabalheira de Paulo Bento, à sombra do chaparro do seu contracto com a FPF, em receber , muito de quando em vez, em vésperas da preparação dos campeonatos mundiais e europeus de futebol os jogadores dos clubes e dar-lhes uma táctica (ou simples cartilha) aprendida na universidade da vida para fazerem a figura que fizeram nos últimos encontros internacionais de maior projecção internacional.

      Ah! já me esquecia! Paulo Bento, para além disso, tem que perder horas e, consultar folhetos de viagens e selecionar (não fosse ele seleccionador nacional!) hotéis luxuosíssimos onde alojar os jogadores, em representação da bandeira verde-rubro, em locais paradisíacos dos países a que se deslocam. Outra trabalheira, ainda que ajudado pelo seu "staff" de antigos jogadores de futebol habituados a estas andanças…

      Li, em tempos e algures, que quem é burro é sempre burro! Neste aspecto, Paulo Bento não tem nada de burro porque teve a esperteza luminosa de assinar um contracto milionário de risco para o que desse e viesse que nem lhe exigiu grande cultura literária: saber assinar o nome foi o suficiente!

      Que quer caro anónimo? Apenas uma coisinha: falar em Carlos Queiroz é tabu para um a FPF que não o mereceu e merece. Não se pode pedir a Portugal, que agride “à paulada” a Investigação Científica e seus investigadores, que tenha contemplação por um Futebol, e sua metodologia de treino,que exige cada vez mais investigação científica para não se tornar num simples pontapé na bola e fé em Deus. E já agora, confiança em Paulo Bento!

      Aliás, o nonagenário professor de Educação Física José Esteves, antigo subdirector do INEF/ FMH , antigo bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, doutor “honoris causa”, pela Universidade Técnica de Lisboa, verdadeiro pedagogo e humanista que se preocupou e com o Desporto como fenómeno social do nosso tempo, escreveu:

      “O sinal das actividades gimnodesportivas dum país tem de reflectir, forçosamente, a problemática da nação, nos seus mais diversos aspectos e particularismos. É por isso que há uma caracterização desportiva muito nítida, de acordo com as instituições políticas, a organização social, o desenvolvimento económico, a duração da escolaridade obrigatória, o movimento editorial, etc.” (Esteves, José, “O Desporto e as Estruturas Sociais, “Prelo Editora, 1.ª dição, Lisboa , 1967, p. 41).

      De 67 para cá, medeiam 47 anos, quase meio século, e tirando a passagem do Estado Novo para uma democracia, quase se pode dizer que neste rol , enunciado por José Esteves, “o grande avanço” se processou na escolaridade obrigatória até ao 12.º ano sem , todavia, estar devidamente alicerçada num ensino básico que alguns indicadores internacionais denunciam como duvidosa por exaltar a quantidade de anos escolares em detrimento da respectiva qualidade.

      “Last but not least”, voltando ao cerne da questão, eu diria que a selecçãol tem o Paulo Bento que merece e, por outro lado, desmerece Carlos Queiroz um técnico com formação académica no âmbito do chamado Desporto-Rei que muito ignorante que pulula pelos relvados diz ser uma ciência. Como escrevi , em título, num artigo, em idos tempos: “FUTEBOL: UMA CIÊNCIA SEM CIENTISTAS?”

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    4. Uma arreliadora gralha (desculpável num octogenário?) pousou no meu comentário anterior. Assim, a abrir a 1ª linha do 1 º § do meu comentário anterior, a palavra "Que", deverá ler-se "Quem".

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    5. Errata: Na 1.ª linha do 2.º §, substituo "contracto" por "contrato", obviamente. Isto fica-se a dever à minha relutância em utilizar o corrector de texto para que em textos manuscritos, cada vez menos utilizados neste tempo de servidão ao mundo informático, os erros ortográficos não surjam em catadupa!

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  4. Paulo Bento, “se bem me lembro” (Nemésio), tinha como função contratual , também, a obrigação de promover a formação de novos talentos como se fosse possível pedir a um trolha que, através da sua “arte”, se responsabilizasse pelos cálculos de engenharia de uma nova ponte sobre o Tejo ou pretender que um sapateiro, indo além da sandália, pintasse um Rembrand. Sairia borrada pela certa!

    Carlos Queiroz e José Mourinho, entre outros académicos e teorizadores do futebol nacional, não nascem debaixo dos pés como tortulhos em terreno húmido. E aqui, sim, a culpa deve ser assacada, toda inteirinha, ao presidente da FFP que deveria demitir Paulo Bento e demitir-se logo a seguir.

    Como diz a sabedoria popular “para grandes males, grandes remédios”. Ou, em nome do prestígio perdido do futebol português, com respaldo na “vox populi, vox Dei”, vão-se os anéis e fiquem-se os dedos. A continuar nesta senda, vão-se os anéis e os dedos. Bem eu sei que o despedimento de Paulo Bento, estabelecido em letra de forma, já que ele já afirmou publicamente não demitir-se, envolve, servindo-me de um plebeísmo, uma pipa de massa por um contrato milionário assinado, como diria Eça, “ao correr da pena”!

    Tudo isto seria cómico se não fosse trágico e humano. Como escreveu Bergson, “não existe cómico fora do que é propriamente humano”! Já nos rimos, com sorrisos amarelos, bastante! Choremos agora a desgraça que desabou sobre a selecção nacional, mas nada de lágrimas de crocodilo!

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  5. Por uma atrevida gralha que pousou atrevida no meu comentário das 18:05, eliminei-o e substitui-o pelo por este das 18.08.

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  6. Outra gralha atrevida: Com o pedido de culpas a Satanucho , e a possíveis leitores do meu comentário anterior, elimino, do final da 1ª. linha do respectivo § único, a palavra "pelo".

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  7. Por ter perdido tempo em dissecar o “caso Paulo Bento”, quase me arrepelo por não me ter informado completamente sobre este complexo “dossier”.

    Assim, só ontem à noite, em leitura do Expresso, do passado dia 6, soube que o antigo seleccionador nacional para ser distinguido de outros que por esse cargo passaram (Cândido de Oliveira, Otto Glória , que obteve para Portugal o 3.º lugar do Campeonato Mundial de Futebol/1966, Carlos Queirós, etc.) obteve, como prémio da sua prestação, como seleccionador nacional , o pomposo, redundante e rendoso cargo(1, 5 milhões de euros anuais) de coordenado do Gabinete Coordenador Técnico Nacional. E assim se premeia, aliás como é costume da nossa vida nacional, a mediocridade na esperança de que os erros do passado sejam resguardados pelo alto cargo exercido. Aliás, casos destes se verificam, outrossim, na política que catapulta medíocres governantes para rendosos lugares ao serviço do grande capital.

    Aliás, como escreveu Eça: “É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos têm ‘imensos talentos’. “Mutais mutandis”, porque o desporto é o reflexo da sociedade em que está inserido, Paulo Bento tem o imenso talento de sobreviver às borrascas sem se molhar.

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  8. "Ex abrupto", acabo de tomar conhecimento da rescisão da FPF com Paulo Bento.
    Moral da história: é mais fácil, muito mais fácil e rápido (pese embora as verbas avultosas despendidas!), despedir um treinador de futebol incompetente do que pôr na rua dos respectivos gabinetes um ministro ou secretário de Estado tão ou mais incompetentes!

    Neste último exemplo, há que garantir um novo tacho nos areópagos da Comunidade Europeia ou na actividade privada dos grandes grupos económicos (vá lá saber-se porquê?).

    Entretanto, via ondas hertzianas, ouvi, no rádio do meu automóvel, que a federação iraniana acabava de revalidar o contrato de Carlos Queirós por um período de quatro anos. Ou seja, primeiro ela esperou pelos resultados do Campeonato do Mundo para não comprar gato por lebre. "A contrario", da ingenuidade (não confundir com boa-fé) da Federação Portuguesa de Futebol. E aqui emergem duas inevitáveis perguntas: será Paulo Bento o único culpado de todo este imbróglio? Como diriam os brasileiros, "cadê" dos outros?

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