domingo, 21 de setembro de 2014

Resposta a Nuno Crato na Visão sobre avaliação científica.


A última "Visão" publicou, em artigo de opinião, a minha resposta a Nuno Crato sobre a escandalosa avaliação das unidades de investigação que ele está a patrocinar (por que é que não pede também desculpa?). O texto está aqui.

A entrevista, publicada a 11 de Setembro, está aqui. Destaco a parte à qual respondo de uma forma muito clara:

Qual é a sua opinião sobre o processo de avaliação dos centros de investigação?
A ciência é uma das áreas que mais e melhor se desenvolveu, e, em grande parte, devido ao facto de existir avaliação externa sistemática. A ciência tinha atingido um determinado nível, que implicava uma nova fase de desenvolvimento. E para esta nova fase lançámos uma avaliação com características inéditas: há uma entidade externa que fica totalmente com a responsabilidade dessa avaliação, a European Science Foundation...

Que a fez sem se deslocar a Portugal e sem falar com os investigadores?
Na primeira parte da avaliação, fê-lo sem isso, sim. Mas é uma entidade externa - reduzimos os conflitos de interesse ao contratá-la - que avaliou tanto os laboratórios associados como os centros de investigação.

Com indicações para chumbar 50%?
Não houve indicações para chumbar 50 por cento. Houve uma estimativa, com base no histórico - a experiência internacional -, que foi necessária para a European Science Foundation poder estimar os seus custos. Não pense que estão chumbados 50% dos centros.

Não? O professor Carlos Fiolhais escreveu um artigo no Público [O Pior do Crato, 9 de julho] onde apresenta estes dados com muita clareza.
Deixe-me também falar com muita clareza: 7 em cada 10 dos investigadores submetidos a este processo de avaliação passaram à chamada segunda fase. Dois em cada dez dos restantes ficaram com o financiamento mínimo, só um em cada 10 é que ficou sem financiamento, neste momento do processo. Portanto, falar da liquidação de 50% da ciência é falso. E a avaliação não terminou. Agora estamos na fase em que essa classificação pode ser contestada pelas unidades. O importante é dizer que nove em cada 10 investigadores portugueses abrangidos pela avaliação têm financiamento.

2 comentários:

  1. O Milagreiro

    A Escola Superior de Desporto de Rio Maior cujo custo, em 23 de Março de 2011, já ascendia a 18 milhões de euros…

    http://videos.sapo.ao/Z8RBcTU8gvd36nQeTpMf

    http://semanal.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=587&id=75308&idSeccao=8151&Action=noticia

    Foi inaugurada pelo Sr. Ministro da Educação, Prof. Nuno Crato, em 24 Maio de 2013, com um custo anunciado de cerca 13,5 milhões de euros!

    http://www.youtube.com/watch?v=_epZTM5R1Io

    http://www.oribatejo.pt/15-anos-depois-a-escola-de-desporto-de-rio-maior-chegou-a-casa-videos/

    Pena é que o ridículo não pague imposto… pelo alívio que dessa cobrança adviria para as famílias portuguesas.

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  2. Para contribuir para “a coesão territorial e para a fixação de jovens qualificados no interior do país”, o Governo criou 1.000 vagas, no ensino superior público continental, para bolsas de 1.500 euros para a mobilidade de estudantes.
    Destas, atribuiu ao Instituto Politécnico de Santarém 75 vagas, e ao Instituto Politécnico de Tomar 80 vagas, ou seja, no Distrito de Santarém, contíguo ao de Lisboa, o Governo atribuiu 155 vagas.
    Uma das questões que se coloca, é se a cidade de Santarém, capital do distrito, que dista cerca de 60 km da cidade de Lisboa, integra parte do território continental desabitado e abandonado que esta medida aparenta visar?
    Ou, se ao invés, não será este mais um dos casos que só as teias da política explicam.
    Como é o caso da existência de 2 Institutos Politécnicos num mesmo distrito, caso único no país, e ainda por cima, a poucos km de Lisboa.
    Por outro lado, será que o úbere Ribatejo, que num mesmo distrito – o de Santarém – averba 15,5 % destas 1.000 vagas, integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono?
    Da mesma perplexidade enferma a atribuição ao Instituto Politécnico de Viana do Castelo de 100 destas vagas.
    Mas será que o Minho integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono?
    É que, se no critério deste Governo, o Minho integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono, então olvidou-se da sua universidade – a Universidade do Minho – pela qual certamente os alunos terão muito maior apetência, atenta a preferência dos alunos pelo ensino universitário em detrimento do ensino politécnico, como resulta à saciedade dos resultados a 1.ª fase de colocações no ensino superior.
    Das 1.000 bolsas criadas, o Governo de supetão atribuiu 25,5 % destas vagas com um critério que no mínimo é duvidoso. A menos que considere, que o interior do país é tudo o que não for em Lisboa, critério este que esbarra com o óbice de apenas ter atribuído as vagas para as bolsas a algumas das instituições de ensino superior público que se situam fora de Lisboa, algumas à porta desta capital.
    Diz o povo, “que os amigos são para as ocasiões”, espero que não seja o caso, o país está exausto de clientelismo.
    A questão deve ser aprofundada, e o Governo deve explicações ao país.
    Porque foram apenas estas 12 instituições de ensino superior público, de fora de Lisboa, (3 Universidades e 9 Institutos Politécnicos), contempladas com estas 1.000 vagas e as demais não o foram?
    Uma vez que o território nacional é composto por Portugal continental e pelos arquipélagos dos Açores e da Madeira. De cabal explicação também carece porque é que o Governo apenas atribuiu vagas para estas bolsas em Portugal continental?
    Numa análise superficial até se pode entender que esta medida, porque não teve influência nas candidaturas da 1.ª fase, é lançada em momento inusitado. Porém, num juízo mais cuidado, até se pode entender que este é o momento é ideal para, através de “dumping”, recrutar para as 12 instituições selecionadas mais 1.000 alunos, com vaga noutras instituições, explorando à saciedade a debilidade económica de inúmeras famílias portuguesas para as quais 1.500 euros é uma soma importante.
    Quiçá, seja até por isto, que as instituições de ensino superior público dos arquipélagos dos Açores e da Madeira não foram comtemplados. Uma vez que, em cada um destes arquipélagos só há uma instituição de ensino superior, ao Governo não é possível tornar mais atractivo economicamente a inscrição numa em detrimento de outras.
    Quiçá estas bolsas mais não sejam do que o recrutamento de 1.000 alunos, que tinham vaga noutras instituições, para 12 instituições de ensino superior público eleitas pelo Governo, tirando partido da insuficiência económica de inúmeras famílias portuguesas para as quais 1.500 euros é uma soma importante.
    Em suma, tirar a umas alunos para os dar a outras à custa de dinheiros públicos. Mais concretamente, 1.500 000 euros.

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