quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Ensinar a filosofar
Cultura Europeia na rede
Hoje nasceu o portal Europeana que pretende tornar acessível o imenso património cultural das bibliotecas nacionais da Europa. Livros antigos ou livros mais recentes cujas edições se esgotaram, pinturas, músicas, filmes, manuscritos, mapas, documentos do acervo das instituições culturais dos 27 estados membro, tudo estará disponível neste cantinho do ciberespaço. Para já estão disponíveis cerca de dois milhões de obras, metade das quais com origem em França, que incluem clássicos literários como «A Divina Comédia» de Dante, documentos históricos como a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um mapa português de 1784, ou a Magna Carta britânica, gravações e manuscritos de compositores célebres como Beethoven ou Mozart. Em 201o, a Comissão Europeia pretende que sejam adicionadas mais 8 milhões de obras.
A comissária europeia da Sociedade de Informação, Viviane Reding, considera que «A 'Europeana' representa uma aliança inédita entre as novas tecnologias e o mundo da cultura. Estou convencida de que modificará de maneira profunda a forma que cada um terá acesso a partir de agora ao património cultural europeu». A comissária apelou ainda «às instituições culturais, editoras e empresas de tecnologia europeias para que alimentem a Europeana com mais conteúdos em formato digital».
O interesse do site motivou um grande número de visitantes, mais de 10 milhões por hora, que deitaram o sistema abaixo por algum tempo. O acesso continua um bocadinho lento, mas vale a pena o tempo de espera.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
O PERIGO DAS FONTES SECUNDÁRIAS
http://www.independent.co.uk/environment/climate-change/global-warming-is-three-times-faster-than-worst-predictions-451529.html
O texto do jornal começa assim:
" Global warming 'is three times faster than worst predictions'
Global warming is accelerating three times more quickly than feared, a series of startling, authoritative studies has revealed (...)"
O estudo em causa foi publicado nos "Proceedings of the National Academy of Sciences" e intitula-se "Global and regional drivers of accelerating CO2 emissions":
http://www.pnas.org/content/104/24/10288
Quem o ler verificará que que está a crescer 3 vezes mais do que o previsto é... o nível de emissões do CO2 e não a temperatura! Será que o editor de ambiente não sabe distinguir entre emissões de CO2 e temperatura? Este exemplo mostra bem como o uso de fontes secundárias pode ser perigoso...
Opel solar?
Em Agosto, dei conta que o consórcio Joint Solar Silicon, constituido pelas empresas Evonik e SolarWorld, abriu uma fábrica de produção de silício «solar» em Rheinfelden, na Alemanha, com capacidade de produção de 850 toneladas de silício «solar» por ano.Hoje ficámos a saber que a SolarWorld pretende comprar a Adam Opel GmbH - quatro fábricas da Opel na Alemanha e o centro de pesquisa em Ruesselheim -, e transformá-la «no primeiro consórcio automóvel ecológico europeu».
Numa Corporate News enviada à Bolsa de Frankfurt, a empresa alemã afirma que está em condições de pagar 250 milhões de euros em dinheiro e que pretende obter mais 750 milhões de euros através de uma linha de crédito a obter com um aval do governo alemão.
O anúncio surge dois dias depois de uma reunião em Berlim do governo alemão com responsáveis da Opel em que foi debatida a atribuição de um aval do governo à empresa, que está a ser afectada por uma acentuada quebra nas vendas. Merkel prometeu uma resposta do executivo antes do Natal, mas pôs a condição de qualquer ajuda à Opel reverter apenas para a empresa na Alemanha, e não para a casa mãe em Detroit, a General Motors que está em situação particularmente difícil e pode invocar brevemente o capítulo 11 da lei da falência americana.
A SolarWorld tem como condição prévia para a OPA sobre a Opel a completa separação da empresa da casa-mãe e exige ainda uma compensação de 40 mil euros por posto de trabalho preservado. Como a Opel tem cerca de 26 mil trabalhadores na Alemanha esta compensação seria de valor igual ao preço de compra, ou seja, se o governo alemão aceitar a proposta, a Solar World adquiriria assim a Opel a custo zero.
Os porta-voz da chanceler
Por enquanto não são conhecidas as reacções da GM, mas o porta voz da Opel, Joerg Schrott, recusou responder às questões postas pela Bloomberg sobre este anúncio. No entanto, como comentou à Bloomberg Nigel Griffiths, da IHS Global Insight:
«The scope of possible options widens if there's a bankruptcy in the U.S., but at the moment I think strategically this is something that GM wouldn't contemplate right now. It's basically giving the company away for nothing.»
PORTUGUESES ESQUECIDOS
Informação recebida da Temas e Debates:“O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos”, por Joaquim Fernandes (Historiador, Universidade Fernando Pessoa), Temas&Debates e Círculo de Leitores, 2008, com prefácio de Carlos Fiolhais.
Cientistas, escritores, matemáticos e inventores que deixaram um importante contributo em áreas como a química, a lógica, a física, a medicina. Resgatando muitas dessas figuras ao esquecimento, o historiador Joaquim Fernandes concretizou uma inédita pesquisa sobre os homens e mulheres que deixaram uma inquestionável marca na História.
«Deveria ser um manual escolar.» (...) «É revelador que O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos seja também e em grande medida uma colecção dos mais nobres traidores da Pátria. Traição aqui como a mais sublime devoção possível a um país. Boa parte desses valorosos concidadãos foi em vida apelidada de Judas pela sua própria terra. O mínimo que se espera é postumamente fazer justiça às suas memórias.»
Tiago Cavaco, Revista "Ler"
Sabia que na corte de Catarina, a Grande, existia um médico português? Próximo da czarina, Ribeiro Sanches serviu a soberana russa sendo considerado um dos grandes percursores da reforma pombalina. Em efígie ardeu em praça pública Cavaleiro de Oliveira, escritor e diplomata que não se quis calar editando polémicos escritos. Encarcerado na Junqueira morreu aquele a que os alemães chamaram de “Newton português” – Bento de Moura, físico e inventor. Herói da independência do Brasil, Andrade da Silva descobriu o terceiro elemento químico, o lítio.
Talentosos, lutadores e por vezes ignorados em vida, contam-se os atribulados percursos de vida de homens e mulheres que, dentro ou fora do país, deixaram um inquestionável contributo.
Esquecidos, mas de extraordinárias vidas, é na verdade uma aventura a descoberta destes portugueses pelo mundo...
Do Prefácio:
«A identidade nacional faz-se a partir da memória, mas a memória portuguesa é estranhamente selectiva. O historiador Joaquim Fernandes, neste seu livro bem documentado sobre os "portugueses esquecidos", vem lembrar-nos muitos nomes que, apesar de o merecerem, não têm conseguido passar no crivo da nossa memória colectiva. As razões serão as mais variadas. Mas talvez a mais comum seja o facto de grande parte desses notáveis se terem ausentado do seu país natal (ou permanecido ausentes do país natal de seus pais). Muitos deles perseguidos na sua própria terra foram para longe e ficaram longe na nossa memória. Outros ficaram por cá, desafiando condições difíceis, mas foi como se tivessem ido para longe. Também foram injustamente ignorados.»
Da Introdução:
“Invocamos neste inventário – que não poderia ser definitivo, antes ilustrativo – o tríptico em que assenta o afrontamento e a incompreensão da sociedade portuguesa perante muitos criadores e pensadores da diversidade científica e cultural, das heterodoxias ideológicas e religiosas: errância, ignorância, intolerância, definem, a nosso ver, os nódulos conflituais que resulta(ra)m do cruzamento entre as minorias mais inconformistas e o corpo maioritário da nação.
Pretende-se com esta divulgação histórica recuperar a memória de um longo cortejo de portugueses cuja obra, vilipendiada ou cerceada por obstáculos ideológicos vários, se diluiu nas ruínas de uma injusta amnésia colectiva. De uma forma didáctica, este espaço visa ajudar à formação de uma opinião leitora mais crítica que propicie novos espaços para a tolerância, incentive o reforço da nossa auto-estima comum e incorpore um conhecimento mais justo dos préstimos da cultura científica portuguesa para a constituição do saber universal. (...)”
NOVOS LIVROS DA BIZÂNCIO

Informação recebida da Editora Bizâncio:
Título: A Física do Impossível
Subtítulo: Uma Exploração Científica dos Fasers, Campos Magnéticos, Campos de Forças, Teletransporte e Viagens no Tempo
Autor: Michio Kaku
Colecção: Máquina do Mundo, 25
Há cem anos, os cientistas teriam afirmado que os lasers, a televisão e a bomba atómica seriam impossíveis. Em A Física do Impossível, o famoso físico Michio Kaku analisa até que ponto as tecnologias que encontramos na ficção científica, e que são hoje em dia consideradas impossíveis, poderão ser comuns no futuro. Do teletransporte à telecinese, Kaku recorre ao mundo da ficção científica para analisar os fundamentos – e os limites – das leis da Física tal como as conhecemos hoje. Dividindo as tecnologias impossíveis em categorias – Classes I, II e III – conforme possam ser alcançáveis nos próximos séculos, nos próximos milénios ou talvez nunca, o autor, numa prosa intelectualmente estimulante, explica-nos:
• Como os foguetões com estatorreactores, as velas propulsionadas por lasers e os motores de antimatéria poderão um dia levar-nos às estrelas mais próximas;
• Como a telepatia e a psicocinese, outrora consideradas pseudociência, poderão um dia ser possíveis com os progressos dos computadores, da supercondutividade e da nanotecnologia;
• Por que razão uma máquina do tempo parece ser consistente com as leis conhecidas da Física, mas seria necessária uma civilização muito avançada para a construir.
A Física do Impossível conduz os leitores numa viagem inesquecível ao mundo da ciência, uma viagem de aventura que simultaneamente ensina e diverte.
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Título: O Deus que não Temos
Subtítulo: Uma História de Grandes Intuições e Mal-entendidos
Autor: Sebastião J. Formosinho e J. Oliveira Branco
Colecção: Máquina do Mundo, 24
«Um livro sobre Deus? Qualquer discurso sobre Deus, prático ou teórico, é antes de mais um discurso sobre o homem. Quem é crente afirma a convicção que tem e quem não é recusa a ideia que faz ou vê outros fazerem, talvez em razão de outra ideia que tem por mais pura sobre ‘Deus’. Sendo que uns e outros usam um nome, humano, importa saber o que valem essas ideias. Mas será que se pode pensar Deus? É pertinente a pergunta de Nietzsche. Seja o que for que se pense ou diga o nome de Deus vai ser sempre marcado por pré-conceitos e equívocos e por intuições notáveis acumulados na tradição dos crentes e na dos ateístas.
Ambos precisam de ouvir-se mutuamente se querem progredir em ordem a um discernimento amadurecido. Este livro ‘sonha’ com esta maturidade cultural, visa contribuir para ela. Todavia não é um livro técnico de Filosofia da linguagem. Dirige-se a um público mais vasto, culto, e disposto a indagar sem temor as questões do humano. Depois de O Brotar da Criação e de A Pergunta do Job (O Mistério do Mal), os autores completam agora a trilogia com este O Deus Que Não Temos. Se é Deus, ninguém o pode ter e nem o pensar finito O pode dizer. Mas a insatisfação e os dinamismos da existência e da História interrogam a todos. Haja coragem de discernir para além do saber vulgar e científico e dos rumos da cultura e das crenças religiosas. Agitar a rotina da linguagem proporciona surpresas estimulantes. Convidamos o leitor a descobri-las. Vale a pena sondar a esperança que anima os anseios do humano.»
Da Introdução
Cultura Científica no Museu
Cultura Científica no Museu da Ciência durante a proxima semana, que é a Semana Nacional da Cultura Científica: aqui.
Ciência e crença: Galileu, Darwin e o Big Bang
Debate no Forum Ciência Viva, Sábado, 22 de Novembro, 16 horas:
Ciência e crença: Galileu, Darwin e o Big Bang
Galileu e Darwin tiraram a Terra e o Homem do centro do Universo desafiando as crenças da sua época. Actualmente, uma das maiores experiências de Física procura recriar algumas das condições que ocorreram no início do Universo. Será que os resultados vão desafiar as crenças dos dias de hoje? Quatro investigadores debatem os mitos e ideias que mudaram a nossa maneira de ver o mundo.
Convidados: Alexandre Quintanilha (investigador do IBMC), Gaspar Barreira (investigador do LIP), Nuno Crato (investigador do ISEG), Carlos Fiolhais (investigador do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra)
Moderador: António Gomes da Costa (Director do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva)
Cada convidado fará uma intervenção de 5 minutos, seguido de debate, aberto a perguntas da assistência
Tel: +351 21 898 50 20 Fax: +351 21 898 50 55
PENSAR POR PENSAR
MATEMÁTICA PARA PAIS

Informação recebida da Livraria Almedina:
Ciclo de conferências Pedagogia / Educação - SETEMBRO – NOVEMBRO
Organização: Luísa Araújo e Almedina
Matemática para Pais
21 de Novembro, às 19:00 horas
Com Ron Aharoni (Instituto de Tecnologia de Israel)
Ron Aharoni, professor de matemática no Instituto de Tecnologia em Israel,
aceitou o convite de um amigo para leccionar matemática no ensino básico.
Desde então, tem dedicado muito do seu tempo à educação matemática dos 0
aos 12 anos. Aharoni desempenhou um papel importante na luta contra “a
matemática difusa” no seu país e na implementação de um currículo
consistente e com qualidade científica. No seu livro, partilha com o
leitor – um pai ou um professor – os conhecimentos que adquiriu em
matemática elementar e em educação matemática. Nesta sessão, o autor
discute o que aprendeu e a melhor forma de comunicar aos alunos o
conhecimento matemático. Destinado a pais, o seu livro pode servir de
referência a professores e a todos os que se interessam pela educação
matemática.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Estudantes na rua...em Itália
Há mais de um mês que os estudantes italianos, do ensino primário ao universitário, se manifestam nas ruas contra a reforma da «beata» Mariastella Gelmini.
A lei 133, aprovada no senado italiano em 29 de Outubro, prevê um corte orçamental para a escola pública de 8 mil milhões de euros - 1.4 mil milhões de euros apenas para o ensino superior e investigação científica.
No dia 30 de Outubro, mais de 1 milhão de pessoas manifestaram-se apenas em Roma contra a reforma Gelmini, embora ao Corriere della Sera a ministra tenha declarado que «aqueles que protestam» contra a sua reforma são apenas «alguns milhares» e «as faculdades ocupadas são pouquíssimas».
Na realidade, a recusa da reforma do sistema de educação é de tal forma alargada que nas manifestações de 30 de Outubro marcharam lado a lado, organizações estudantis de todo o espectro político (incluíndo a extrema-direita) e grupos católicos . «Assim se destrói a escola pública para substituí-la pela privada» foi o lema que os uniu.
Embora os cortes (e os protestos) se mantenham, a ministra já retrocedeu na suposta reforma do ensino universitário, uma alteração nas regras dos concorsi que não reforma nada apenas atrasa o processo de admissão de novos docentes. A necessária autonomia que acabaria com estes obsoletos concursos nacionais foi aliás tema do editorial da última Nature. Como termina este editorial: «reforms need to be done with a strong, knowledgeable and clever hand — something that Gelmini has so far failed to provide».
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
A função da escola
Se centrarmos de novo a função da Escola, os problemas que hoje temos desaparecem, em grande medida. A Escola como campo de concentração, como jardim infantil, como espectáculo, como "educadora", isto é, como transmissora explicita de ideologia, destruiu a lógica da Escola de outros tempos. Por arrasto surge todo um conjunto de problemas ligados a esta descaracterização da sua função. A escola não cumpre e é geradora de desigualdades.
Ela, só por si, cumprindo estritamente o seu papel, ensinando, já teria carga ideológica que bastasse e já diria o suficiente do regime que a sustentasse. Diria que se tratava de um regime que se preocupava com as gerações mais novas e que queria que essas gerações, beneficiando dos conhecimentos acumulados, estivessem mais aptas para o seu futuro e pudessem ir mais longe que a gerações anteriores. Com essa pretensão, também iria mais longe a sociedade que essas gerações constituíssem e, assim, cumpria-se o papel civilizacional da Escola. Com essa pretensão, as gerações sucessivas das classes sociais mais baixas ir-se-iam promovendo socialmente, ao invés do que se faz hoje que é alargar o fosso que separa as diferentes bandas sociais existentes. A utopia de esquerda da sociedade sem classes poderia ser cumprida de baixo para cima, não de cima para baixo, aniquilando o existente, como se entende de muita retórica e prática. Os valores do trabalho e do esforço, que na Escola são, aparentemente, valores de direita, retrógrados, teriam que ser tomados por uma certa esquerda que anda perdida ao sabor das teorias sociais "científicas". Estes teóricos pretendem, erradamente, que o real se ajuste à teoria, em vez de pretender apenas, modestamente, que as suas teorias consigam explicar a realidade.
O que é certo é que a Escola funcionou muito bem enquanto teve principalmente os propósitos de ensinar, talvez sem o saber, e deu ao mundo grandes génios, grandes homens de cultura e fez, de facto, avançar a sociedade. Se avaliarmos a relação do desenvolvimento verificado, com os recursos materiais e humanos envolvidos no processo, percebemos que a escola, enquanto veículo de transmissão do conhecimento acumulado pela Humanidade, funcionou muito melhor do que Escola de hoje, que faz pesar exageradamente o papel ideológico da chamada "educação" na sua função.
A Escola foi inventada para os que sabem ensinem os que ainda não sabem. A Pedagogia serve apenas para que aqueles que sabem possam ensinar melhor aqueles que ainda não sabem. A Sociologia, se olhar para o passado, está a fazer História, se olhar para o presente, está a tirar retratos, se olhar para o futuro, está a fazer política. Não percebo porque é que tem havido tanto sociólogo a tomar conta da Escola.
Recentrem a função da escola e deixem os professores ensinar, dando-lhes condições para o fazerem bem.
Aquecimento global: uma lufada de ar fresco!

Num período de grave crise global em que todos os dias aparecem notícias que nos afundam ainda mais no pessimismo, as boas notícias vêm por vezes de onde menos se espera.
Sabia que - exactamente ao contrário do que é voz corrente - nos últimos 7 anos a temperatura global não aumentou? E que 2008 foi o ano mais fresco da década?
Por surpreendentes que sejam, estas não são afirmações de uma qualquer ave rara ou de um negacionista climático, nem sequer objecto de "consenso científico". São dados experimentais recolhidos pelo Hadley Centre, uma das maiores autoridades mundiais na medição da temperatura global, disponíveis aqui em bruto, sobre a temperatura global na troposfera. Não são opiniões: são factos. E os factos falam mais alto do que qualquer opinião. É visível o efeito do gigantesco El Niño de 1998 e depois uma natural descida da temperatura global. E a partir de 2001, essencialmente o aquecimento global parou. Já lá vão 7 anos.
Os gráficos da temperatura superficial da Terra do Hadley Centre mostram essencialmente o mesmo efeito.
O que é extraordinário, mesmo preocupante, é tudo isto continuar a ser omitido pelas entidades responsáveis, como o IPCC ou o Prémio Nobel Pachauri. Fechando os olhos aos factos.
Prémios de jornalismo científico

Informação recebida da Fundação Ilídio Pinho. Com os parabéns aos premiados, convidamos a ouvir a reportagem premiada aqui.
O jornalista Carlos Vaz Marques, autor do trabalho "Dari, Primata como Nós", emitido pela TSF, foi o vencedor da segunda edição do prémio Fundação Ilídio Pinho "Jornalismo Científico", no valor de 50 mil euros. A Guiné-Bissau serve de pano de fundo a uma reportagem de campo em que o jornalista acompanha, no terreno, uma investigação científica relativa à vida de um grupo de primatas na selva.
O repórter conta a história em voz própria, através de entrevistas aos participantes e recorre ao ambiente sonoro da selva africana, o que dá ao trabalho algum dramatismo, que entusiasma e "puxa" o ouvinte para dentro da acção. Uma entrevista à cientista que lidera o projecto contextualiza e dá sentido e profundidade à reportagem, mostrando que a vida comunitária de uma tribo de macacos na floresta da Guiné-Bissau e a sociedade humana têm muito mais em comum do que possa parecer.
O júri decidiu, ainda, atribuir duas Menções Honrosas, no valor de cinco mil euros cada, às jornalistas Teresa Firmino com "Trabalho jornalístico sobre a extensão da plataforma continental portuguesa", publicado no jornal Público, e Helena Mendonça com "Os nossos neurónios" publicados na Notícias Magazine, revista conjunta do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias.
"Plataforma continental portuguesa" é um dossier jornalístico constituído por três artigos publicados por Teresa Firmino, a 5 de Agosto de 2007, sobre a investigação que lançou as bases científicas para a reclamação - e obtenção - de jurisdição, por parte de Portugal, de uma zona para além das 200 milhas náuticas da plataforma continental nacional.
Quanto a "Os nossos neurónios", de Helena Mendonça, constitui um conjunto de 52 reportagens de duas páginas, publicadas semanalmente, ao domingo, durante 2007. Cada um dos trabalhos foca uma investigação científica distinta, fazendo simultaneamente um retrato do investigador e da investigação desenvolvida.
A análise e selecção dos trabalhos coube ao júri presidido pelo Prof. Doutor Júlio Pedrosa, Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE); Prof. Doutor António Borges, Presidente do OVERGEST - Centro de Especialização em Gestão e Finanças do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; Prof. Doutor Alexandre Quintanilha, Professor Catedrático no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS); Dr. Fernando Cascais, Director do Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR); e o jornalista José António Pimenta de França, Vogal do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas.
A Fundação Ilídio Pinho criou, em 2006, em parceria com o Sindicato dos Jornalistas, o primeiro dos prémios ao mérito e à excelência na área do Jornalismo Científico, com um valor pecuniário de 50 mil euros.
O Prémio Fundação Ilídio "Jornalismo Científico" tem como objectivo fundamental estimular, incentivar e reconhecer trabalhos jornalísticos em língua portuguesa para a área da ciência, privilegiando aqueles que favoreçam a ligação entre a investigação e a inovação e desenvolvimento empresarial, levada a cabo pelas Universidades e Centros de Investigação.
Em 2006, apresentaram-se a concurso 15 trabalhos, tendo sido vencedor o jornalista José Milheiro com o trabalho "Selecção de Esperanças", emitido na TSF. Foram igualmente atribuídas duas Menções Honrosas a Cármen Inácio, com a reportagem "Geração Cientista", emitido na RTP 2, e a Teresa Florença, com o trabalho "À Descoberta dos Nanomateriais", publicado na revista do Diário de Notícias do Funchal.
À edição de 2007 concorreram 25 trabalhos, divulgados pela Rádio, Televisão e Imprensa, versando temas diversos, desde as Ciências da Vida, Saúde e Robótica, entre outras.
PORQUE PROTESTAM OS PROFESSORES?

Com o título de cima, a professora Maria Regina Rocha, da Escola Secundária de José Falcão de Coimbra, publicou um artigo no semanário "Sol" de sábado passado, que, depois de enumerar dez razões de protesto, termina assim:
"Este modelo de avaliação é, pois, propiciador de injustiça e da deterioração do ambiente de trabalho nas escolas, comprometendo a desejada melhoria do sistema de ensino.
E, com apreensão, verificamos, por um lado, que os sindicatos continuam com um discurso sem alternativas concretas adequadas (que mostrem que os professores querem ser avaliados e que não deixem cair a ideia de que querem uma guerrilha sem fim) e com atitudes francamente discutíveis, como o abandono da comissão paritária; e, por outro, que a ministra da Educação afirma que já foram avaliados 20000 professores, mas não refere que o foram por meio de um avaliação simplificada, e não por este decreto que se pretende impor, e defende que não há alternativa a este modelo de avaliação. Ora, é óbvio que há alternativas".
Maria Regina Rocha
domingo, 16 de novembro de 2008
A IGREJA CATÓLICA E O DESIGN INTELIGENTE
"Many scientists think of the modern Catholic Church as enlightened on the question of evolution, but that’s because they compare it to the intelligent design movement. A conference at the Vatican this week provided a little reality therapy. The first talk was by Cardinal Shoenborn who wrote a 2005 NY Times op-ed backing intelligent design. This week’s meeting was closed to the press but John Abelson, quoted in yesterday’s Science, said Schoenborn believes God did his stuff during gaps in the fossil record. When another fossil is found in the gap, of course, it creates two gaps."
Bob Park
Clusters e Pólos de Competitividade: para que precisamos deles e como devem ser promovidos
A aposta do futuro depende fortemente da capacidade de gerar conhecimento e da sua utilização em actividade económica; isto é, depende em grande parte das empresas que incorporam conhecimento na sua actividade produtiva, criando valor e vantagem competitiva através de produtos inovadores que se diferenciam no mercado internacional pela sua novidade, qualidade e interesse comercial. Este objectivo obtém-se de três formas complementares:
- Apostando num novo paradigma de parques para acolhimento de empresas, nos quais a inovação em consórcio com universidades e centros de I&D é encarada como motor de desenvolvimento. É esse o conceito dos Parques de Ciência e Tecnologia, que têm como objectivo catalisar o desenvolvimento económico de uma região, através da promoção do desenvolvimento de empresas baseadas em conhecimento (e não só em tecnologia) incentivando a transferência de saberes entre empresas e centros de conhecimento tendo por base projectos de desenvolvimento em consórcio;
- Apoiando a constituição de clusters, isto é, a constituição de parcerias duradouras entre os vários parceiros para que em conjunto reforcem a sua contribuição numa determinada área, cooperando no desenvolvimento de novos produtos e serviços criando valor e vantagem competitiva;
- Garantindo que este investimento em Parques de Ciência e Tecnologia e na associação de empresas, centros de I&D e universidades em clusters tem também um efeito positivo no reforço dos parceiros, criando um ciclo virtuoso que melhora a nossa competitividade e capacidade de inovar tirando partido da actividade económica e dos resultados gerados (Figura 1).

Figura 1: Os clusters têm um efeito muito positivo na dinamização das empresas, centros de I&D e universidades, criando valor, emprego e actividade económica.
A constituição de núcleos de competência com uma lógica bem definida e que explore sinergias é fundamental para o futuro das regiões e da Europa. Mas devemos ser muito exigentes e selectivos. Os clusters têm necessariamente de ter uma lógica bem justificada e orientada para o mercado, que mostre como os vários parceiros têm cooperado no passado, quais os resultados que obtiveram e como se pretendem posicionar no futuro: ou seja, é necessário demonstrar um passado de colaboração relevante, bem como uma forte estratégia de reforço dessa cooperação no futuro. A formação de clusters só faz sentido, como disse recentemente o vice-presidente da Comissão Europeia (Sr. G. Verheugen), se tiver como objectivo o aumento da qualidade para níveis internacionais. Só assim os clusters podem contribuir de forma decisiva para a necessária inovação nas nossas empresas. Só assim poderão ser fontes de emprego qualificado, que terá entre outros o efeito positivo de incorporar formação avançada nas empresas, com reflexo a médio e longo prazo na respectiva actividade. Só assim o objectivo final será a excelência e o aumento da cooperação entre os vários actores e os vários clusters, num efeito de funcionamento em rede que é vital para Portugal e para a Europa.
Os clusters identificam-se de forma muito evidente com as PME (Pequenas e Médias Empresas). As PME representam elevadas percentagens do número de empresas industriais (mais de 90%), do emprego (mais de 80%) e do PIB europeu (mais de 65%), constituindo por isso o motor da nossa economia. No entanto, dada a sua dimensão, não têm capacidade para incorporar eficazmente processos de inovação, essenciais ao seu desenvolvimento, pelo que a associação em Parques de Ciência e Tecnologia e em clusters é vital como forma de promover a sua relação com universidades e centros de I&D.
A região de Coimbra está atenta a este movimento internacional, tendo iniciado em devido tempo um ambicioso Parque de Ciência e Tecnologia (iParque - Coimbra Inovação Parque, www.coimbraiparque.pt) que tem como objectivo dinamizar a actividade económica na região, promover a criação de sinergias entre os vários parceiros do centro de Portugal, dinamizando o estabelecimento de consórcios que criem novas oportunidades, emprego qualificado e novos produtos. Participa por isso nos clusters nacionais que actuam nas áreas estratégicas que definiu para a sua actividade, nomeadamente no pólo TICE.PT (Pólo em Tecnologias da Informação, Comunicação e Electrónica), HCP (Health Cluster Portugal) e HABITAT (Habitat Sustentável).
No entanto, Coimbra tem uma longa história de sucesso na área das tecnologias associadas à saúde, com actividade demonstrada na formação de consórcios e na capacidade de os dinamizar no sentido de obter produtos inovadores que se diferenciam pela qualidade e competitividade comercial. Consequentemente, Coimbra e o Centro de Portugal apresentaram uma candidatura muito forte nesta área ao recente concurso do QREN para Pólos de Eficiência Colectiva, denominado CHMS (Cluster em Health Care and Medical Solutions). É um cluster que reúne mais de 70 entidades, divididas entre entidades do edifício científico e tecnológico nacional, empresas, Universidades e centros hospitalares, etc., as quais asseguram a massa crítica necessária para o desenvolvimento de projectos inovadores e indutores de competitividade. Na verdade, essas entidades identificaram já 61 projectos de I&D que representam um investimento global de 124 milhões de euros.
J. Norberto Pires
CONTINUE-SE COM A PLATAFORMIZAÇÃO DOS EXAMES NACIONAIS
Foi publicado o Relatório da Inspecção-Geral da Educação e Ciência, com o extenso título Averiguações às irregularidades dos Exames Nacionai...
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A falácia do espantalho , uma das mais utilizadas pelos que que não conseguem sequer compreender os temas em debate, basicamente consiste em...
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Na Antiguidade, entre os Gregos e os Romanos, as máscaras eram utilizadas no teatro e serviam para caracterizar a personagem que ali se que...



