sábado, 12 de dezembro de 2009

A teia teológica

Novo texto de João Boavida na sequência de outros aqui publicados:

A partir do momento em que os homens inventaram deus, criaram um problema de que não mais se libertaram. Muitos se devem ter indignar com esta afirmação. Os ateus, por se julgarem libertos do problema; os crentes, por sentirem que isso não é problema. Para os primeiros, deus não existe, foram os homens que o inventaram, logo, estão fora do assunto, já saltaram dele. Os crentes, por seu lado, nem sequer entram no problema assim formulado. Se não foram os homens que inventaram Deus, mas Deus que criou os homens e tudo o resto, Deus não é problema mas aquilo que, no fundo, resolve todos os problemas.

Mas, embora por razões diferentes, é uma situação em aberto para todos nós. Porque se Deus me é transcendente, a sua compreensão ultrapassa-me. Só a fé me pode convencer dessa realidade que, justamente porque me transcende e ultrapassa, não posso alcançar por outro processo. Quando a fé falha, o problema surge ou agudiza-se. Se estou dependente de Deus pela fé, estou dependente de forças imanentes, que eu próprio crio e alimento ou enfraqueço. E que são valiosas para mim, mas que não consigo transmitir aos outros. Sendo vivências pessoais, só eu as posso sentir e reconhecer como verdade, só eu posso captá-las na sua essência. Há certamente comunidades de crentes, mas resultam de processos inter-subjectivos, que não vão ao essencial. Estando portanto assente na fé de cada um, Deus é sempre um problema pessoal em aberto. Como todos sabem, a fé não liberta ninguém dos problemas que a existência de Deus coloca, de vez em quando, mas dá-lhe uma saída na esperança. Veja-se Santo Agostinho, para não irmos mais longe.

Mas os ateus também não têm o problema resolvido. Desde o momento que a humanidade chegou à ideia de Deus (ou criou Deus na sua cabeça) nunca mais se libertou disso, porque, para lá dos factores psico-afectivas e morais, ou seja, pessoais e sociais, mais fortes do que se julga, fica a necessidade de destruir uma ideia que nós próprios criamos. (Nós no sentido de humanidade, claro). E como é da experiência corrente, não há tarefa mais difícil que querer varrer do espírito uma convicção criada por nós. Quanto mais nos esforçamos para apagar uma ideia, mais ela nos persegue.

A negação de Deus está prisioneira da ideia de Deus, e a ideia é o resultado de uma evolução de que já não podemos regressar. A ideia, pela sua natureza, ultrapassa-nos sempre. É claro que há os dados da ciência e as suas explicações cada vez mais credíveis sobre a origem da matéria e as teorias evolucionistas e o racionalismo, reduzindo as religiões a formulações míticas. Foi a evolução da ciência e do racionalismo modernos que foram reduzindo e enfraquecendo o campo da religião.

Mas se, por um lado, a evolução da ciência clarifica mistérios e destrói mitos, por outro, na medida em que aprofunda, reproblematiza, isto é, abre novas fronteiras para a ideia de tudo o que nos ultrapassa. O problema não está, pois, na coerência e nas explicações dos livros sagrados (Bíblia, Corão, etc.) nem na bondade ou maldade dos deuses, mas na própria problemática da infinidade, que num dia já remoto a Humanidade conseguiu intuir, por incompreensível que seja. A vitalidade da luta entre o espírito religioso e o que se lhe opõe, isto é, o eterno problema para crentes e para ateus está na incompreensão simultânea do finito e do infinito, na dificuldade psico-afectiva de aceitar a finitude e na impossibilidade racional da ideia de infinitude.

João Boavida
Imagem: Thor, um dos deus da mitologia nórdica.

UMA NOVA REVISÃO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE

“E, uma vez que algo foi escrito, a composição, seja qual for, espalha-se por toda a parte, caindo em mãos não só dos que a compreendem mas também dos que não têm relação alguma com ela; não sabe como se dirigir às pessoas certas e não se dirigir às erradas” (Platão, 428 a.C. – 348 a.C.).

Seja qual for o prisma com que se encare as grandes crises educativas, sociais ou económicas que se apresentam ao país, Portugal parece perpetuar-se na triste sina de nada querer aprender com os erros do passado, aplicando "vacinas" de que desconhece os efeitos assim como a dose certa a utilizar, provocando, com isso, a disseminação endémica da própria doença.

Vem a propósito recordar que o Estatuto da Carreira Docente (Decreto-lei 409/89), promulgado no tempo do ministro da Educação Roberto Carneiro, num clima de intensa pressão sindical, foi a causa da criação da Associação Nacional dos Professores Licenciados (ANPL), em Janeiro de 1991, génese do actual Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL), que conheceu a luz do dia no ano seguinte em defesa, entre outros, do seguinte princípio doutrinário: “O SNPL representa a ruptura com as orientações sindicais então existentes, em oposição frontal à instituição de uma carreira única de professores, pois pretende revalorizar a profissão em todo o seu percurso, em consonância com os valores e as necessidades dos professores dos nossos dias”.

Perante a estranha passividade de quem parecia ingenuamente acreditar ter como bastante a justiça pelo seu lado na defesa dos seus lídimos direitos, promoveu a ANPL uma conferência de imprensa a alertar a opinião pública, em geral, e os professores licenciados por universidades, em particular, para o perigo de se tornarem coniventes, ou meros agentes passivos, deste iníquo “statu quo”. Da referida conferência, com a presença de diversos órgãos de informação, transcrevo um pequeno excerto:

“O Decreto-lei 409 provocou muitas injustiças. Não teve em conta as habilitações académicas. Permite que tanto um licenciado como uma pessoa que dispõe apenas da quarta classe e de um ano de magistério (os antigos regentes) atinjam o topo da carreira. Por outro lado, professores licenciados que à data da entrada em vigor do decreto (Dezembro de 1989) tinham atingido o topo da antiga carreira ficam agora colocados três escalões abaixo e só podem ascender ao escalão máximo se se sujeitarem à feitura de um trabalho de índole pedagógica” (“Docentes com ‘canudo’ querem tratamento diferenciado”, Correio da Manhã, 22/10/91).

Entretanto, as Escolas Superiores de Educação continuaram a formar, ad libitum, simultaneamente, professores para os 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, respectivamente, a níveis de bacharelato e licenciatura, em que a preparação dos professores do 2.º ciclo constava dos três anos iniciais de um bacharelato comum e de mais um único ano de preparação para a docência do 2.º ciclo com professores habilitados (?) para ministrarem, simultaneamente, Matemática e Ciências da Natureza enquanto para os licenciados universitários leccionarem, apenas, ou Matemática ou Ciências da Natureza desse mesmo 2.º ciclo eram exigidos cursos mais exigentes e de maior duração.

Como é fácil de supor, a esmagadora maioria dos alunos das Escolas Superiores de Educação optaram por mais esse ano de estudo deixando o 1.º ciclo do ensino básico (antigas escolas do ensino primário) carenciado de docentes. Por isso, na altura, não pude deixar de criticar publicamente Ana Maria Bettencourt, membro do corpo docente da Escola Superior de Educação de Setúbal e actual presidente do Conselho Nacional de Educação, quando escreveu "de pena ao vento", como diria Eça, que “em matéria de formação de professores, o pensamento dos reitores é pré-histórico” (Correio da Manhã, 16/06/96).

Respondia Ana Maria Bettencourt, desta forma, a um documento intitulado “Repensar o Ensino Superior”, no qual, em face da promiscuidade entre os ensinos universitário e politécnico, era defendida a necessidade de “proceder rapidamente à análise das funções das Escolas Superiores de Educação, considerando-se a oportunidade da sua reconversão, por exemplo, em centros de formação contínua dos docentes do ensino não superior ou em escolas com outra vocação”. Havia nesta proposta uma certa ingenuidade que residia no desconhecimento da feroz oposição dos sindicatos de professores em abdicarem desta rendosa fonte de receita.

Perante esta herança recebida por Isabel Alçada, ex-docente da Escola Superior de Educação de Lisboa e antiga dirigente da Fenprof, embora sem querer fazer juízos de valor precipitados, dado o meu desconhecimento das linhas programáticas que irão presidir à sua acção no ministério da Educação, cada vez se radica mais em mim a ideia que as futuras modificações no Estatuto da Carreira Docente se destinam a simples alterações pontuais (e nem sempre no melhor sentido) de uma legislação a necessitar de uma reformulação de raiz por um estado de saúde patológico que não se cura em fazer mais do mesmo ou com mezinhas sindicais. Não se cura agora como não se curou no passado, com os nefastos resultados bem à vista de um ensino que não ensina.

Isto porque um país que desrespeita, ou subalterniza, diplomas oficiais universitários está gravemente enfermo, necessitando com urgência de um “Serviço Nacional de Leis” para estudar a etiologia das suas mazelas jurídicas, para debelar os efeitos de uma avulsa legislação mal feita, mal escrita e mal interpretada, e, se for caso disso, para atribuir um subsídio de funeral a maleitas legislativas sem cura possível. Assim haja a necessária coragem, por parte de todos os intervenientes bem intencionados, para melhorar o nosso sistema educativo, não comungando do desalento do poeta de ”Orpheu”: “Já não me importo / Com o que amo ou creio amar. / Sou um navio que chegou a um porto / E cujo movimento é ali estar”.

O que se pretende com esta adaptação?

Repare o leitor na imagem ao lado...

Terá imediatamente percebido que se trata da adaptação dum famoso desenho de Leonardo da Vinci...

Acontece que o descobri na capa dum manual escolar de Estudo do Meio para o 2.º ano de escolaridade.

No passado tive oportunidade de constatar que, na generalidade dos livros de Língua Portuguesa para o Ensino Básico, os poucos textos dos nossos escritores clássicos que neles constam são quase todos adaptados. Agora constato que também se adaptam outros legados da civilização aos quais todas as crianças e jovens deveriam ter acesso na escola. Entre esses legados, está um desenho de... Leonardo da Vinci: o Homem Vitruviano.

Não me atrevendo a fazer qualquer comparação estética entre ambos, fico-me pelo que óbvio:

- O Homem Vitruviano dá lugar a uma imagem de "criança";
- O Homem Vitruviano fixa-nos de modo sério, determinado; a "criança" sorri (?)inexpressivamente;
- O Homem Vitruviano representa um problema matemático complexo (formulado pelo arquitecto grego Vitruvius), que aqui desaparece para deixar perceber, um mundo desbotado em fundo;
- O Homem Vitruviano revela a beleza do corpo humano; a "criança" tem cuecas.

O que se pretende com esta adaptação? Sinceramente, não sei, pelo que apenas posso questionar-me:
- Será pôr o aluno no centro? Mas de quê?
- Será interessar o aluno, supondo que lhe agrada mais algo parecido com uma "criança" do que o Homem de da Vinci?
- Será a preocupação de não sobrecarregar o aluno com mensagens que requerem pensamento?

Talvez haja uma resposta razoável que me escapa...

DARK MATTER: POEMS OF SPACE


Informação recebida da Fundação Gulbenkian (clicar para ver melhor).

A DÉCADA MAIS QUENTE DOS TEMPOS MODERNOS


Habitual destaque dos sábados para a coluna do físico Bob Park "Whats New", onde ele dá conta de dados que confirmam o aquecimento global:

"WARMER: THE TREND SHOWS NO SIGN OFF ENDING.

At the Copenhagen climate talks, Michel Jarraud, secretary general of the international weather agency, told a news conference that the period from
2000 through 2009 will almost certainly be the warmest decade in the 150
years of modern record-keeping. And with just a few weeks remaining, 2009
will likely be the fifth warmest year on record. But what about those
hacked emails from the climate research unit at the University of East
Anglia? Jarraud replied that there is no evidence that independent
estimates showing a warming world are in doubt. The more interesting
question is who was behind the break-in and why? The use of dirty tricks to
cast doubt on the reality of global warming began with Kyoto."

Robert Park

A MATEMÁTICA NO TEMPO DO MESTRE JOSÉ VIZINHO

Convite recebido da editora Gradiva:

A Delegação Regional Centro da Sociedade Portuguesa de Matemática, a UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR e a GRADIVA, no âmbito da realização das Tardes de Matemática - 2009, têm o prazer de convidar V. Ex.ª a estar presente na sessão de apresentação da obra

A MATEMÁTICA NO TEMPO DO MESTRE JOSÉ VIZINHO
de António Costa Canas e Maria Eugénia Ferrão (coords.)


A sessão terá lugar no dia 12 de Dezembro, pelas 15h30, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, na Praça do Município, Covilhã. A sessão de apresentação da obra terá como oradores

Maria José Ferro Tavares, Natália Bebiano da Providência e António Costa Canas.

CONFUSÃO NA RELIGIÃO


No "New York Times" de hoje, Charles Blow publica um comentário ao recente "Pew Report" que dá conta da crescente confusão que a população norte-americana alimenta no domínio da religião: crenças de diferente origem misturam-se e alastram. Ver aqui. Gráficos elucidativos estão aqui : as experiências místicas, o contacto com mortos e com fantasmas tem aumentado.

A BEAUTIFUL MIND


Na revista de livros do "New York Times" de hoje, Jascha Hoffman recenseia, sob o título "Grigori Perelman’s Beautiful Mind" o livro

PERFECT RIGOR. A Genius and the Mathematical Breakthrough of the Century
By Masha Gessen
242 pp. Houghton Mifflin Harcourt. $26.

sobre o matemático russo Grigori Perelman (na foto), que demonstrou a conjectura de Poincaré para em seguir desaparecer de cena, recusando até a Medalha Fields. Começa assim:
"In 1904 the French mathematician Henri Poincaré made a conjecture about three-­dimensional space that may help to explain the shape of the universe. Although it was crucial to the growth of the field of topology, Poincaré’s conjecture resisted proof for a century. When a Boston philanthropist announced a million-dollar prize for its solution in 2000 it was unclear whether he would ever have to pay.

Then, in 2002, a Russian mathematician named Grigori Perelman posted a terse paper to an online archive. In the course of tackling a broader problem, Perelman seemed to have miraculously swept away the remaining obstacles to proving the Poincaré conjecture. Soon the mathematical rumor mill was buzzing. The proof seemed genuine, but word was that Perelman had no plans to publish it."
Ler aqui

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A inveja

Destacamos, como vem sendo hábito, a crónica do médico psiquiatra J.L. Pio de Abreu, no "Destak":

Neste pequeno mas mexido País, toda a gente já foi tudo, todos já se iludiram e desiludiram. E toda a gente se conhece o suficiente para perceber que nenhum outro é melhor que nós.

Mas acontece que, às vezes, os outros, aqueles que não são melhores que nós, têm, na verdade, mais sucesso. É aí que se instala a inveja, sobretudo essa inveja destrutiva que clama por justiça e vingança. Se os outros não são melhores do que nós e, apesar de tudo, conseguiram ir mais longe, é porque fizeram falcatrua.

É interessante descobrir que os futebolistas escapam a este destino: só neste caso, a inveja cede à admiração. Talvez seja porque, à partida, ninguém os conhece, vieram da periferia, não têm nomes de família. Mas também pode ser pela sobranceria com que ainda vemos os jogadores de futebol, coisa a que eles se prestam com uma humildade cultivada.

Também pode ser porque o futebol não estava nos planos de belezas desfeiteadas, homens mal-amados, princesas em declínio, actores sem plateia, personalidades apeadas, ressentidos em geral e todos aqueles que, sentados nas suas frustrações, vão descarregando o fel nas conversas casuais, nos comentários da internet ou em inesperadas janelas de protagonismo.

Todos incham de portugalidade com um golo bem metido. Mas quando olham para as pessoas a seu lado, para aqueles que podiam estar como eles, mas estão melhor ou mais activos, o mal da inveja aperta-lhes o estômago, dilata-lhes os olhos e transtorna-lhes o raciocínio.

J.L. Pio Abreu

CIÊNCIA DA TRETA


“Conversa da Treta” foi o título de uma peça de teatro popular protagonizada pelos actores José Mário Gomes e António Feio. A palavra “treta” já adquiriu, porém, um significado filosófico além do popular. Com efeito, o filósofo norte-americano Harry Frankfurt num livrinho intitulado “Da Treta” (no original On bullshit”, tradução portuguesa da Livros de Areia) disserta não sobre a mentira, um conceito com um significado epistemológico superior uma vez que mentir pressupõe conhecer a verdade que é negada, mas sobre atreta, isto é, a conversa em que a verdade e mentira se entrelaçam confusamente porque o falante não está minimamente interessado em separar uma de outra, mas sim e apenas em baralhar tudo e todos.

O livro “Ciência da Treta, saído há pouco tempo na Bizâncio, é um dos melhores livros de divulgação da ciência vindos a lume em Portugal no ano de 2009. É seu autor o inglês Ben Goldacre (na foto), médico formado pela Universidade de Oxford, com prática no Serviço Nacional de Saúde inglês, especializado em Psiquiatria, e conhecido do grande público, pelo menos britânico, devido principalmente à sua coluna semanal aos sábados no jornal “The Guardian”. O livro resultou precisamente da compilação dessas crónicas, tendo até no original o mesmo título da coluna: “Bad Science. Traduzido à letra teria dado em português “Má Ciência”, mas o editor fez bem em traduzir por “Ciência da Treta. O autor analisa – e fá-lo sem papas na língua! – um conjunto de “tretas” das áreas da medicina e farmácia que é alimentado por um conjunto de pessoas – incluindo vários praticantes de pseudociências (como os homeopatas e outros curandeiros), grande indústria farmacêutica, nutricionistas com grande poder mediático, etc.

O autor conhece bem o método científico, isto é, a maneira de que dispomos hoje para descartar o erro, para separar tanto quanto possível a verdade da mentira. E, no sector da saúde, mostra como o método científico pode ser e é largamente ignorado, ao mesmo tempo que se fazem passar por credíveis um vasto conjunto de tretas, às quais se atribui injustificadamente uma base científica. É um livro de combate – um livro manifestamente em favor da ciência e impiedosamente contra a má ciência ou, talvez melhor, a pseudociência – num mundo que, apesar de estar cada vez mais dominado pela ciência, passa, em muitos aspectos, ao lado dela.

O estilo divertido do autor é um principais atractivos do livro. O seu humor revela-se, por exemplo, quando, no prefácio, afirma que se, no final da leitura, o leitor continuar a discordar dele, estará pelo menos a discordar dele “com muito mais estilo”:

“E se, quando terminar, ainda achar que discorda de mim (…) não deixará de estar errado, mas pode ter a certeza que o estará só que de uma forma muito mais confiante e com muito mais estilo do que poderia apresentar neste momento.”


No Capítulo 2 ridiculiza um programa denominado “Ginástica Cerebral”, que é “impingido” em escolas oficiais do Reino Unido, e que não passa, para Goldacre, de um “sem-fim de disparates vergonhosos e embaraçosos”. O programa recomenda, por exemplo: “Beba um copo de água antes das actividades de Ginástica Cerebral. Dado tratar-se de uma componente principal do sangue, a água é vital para o transporte do oxigénio ao cérebro”. Comenta Goldace: “Deus nos livre de o sangue secar por completo” . A escola portuguesa está mal, mas podia estar pior se tivessem cá chegado essas tretas!

No Capítulo 4 ataca os homeopatas, dizendo, a propósito da pretensa memória da água que esses “cientistas da treta” reclamam, que a circulação da água é uma enorme trivialidade:

“A água que tenho no corpo, no preciso momento em que estou aqui sentado a escrever em Londres, já passou pelos corpos de muitas outras pessoas antes do meu. Talvez algumas das moléculas de água que estão nos meus dedos ao escrever esta frase se encontrem presentemente no globo ocular do leitor, Talvez algumas das moléculas de água que transmitem informação aos meus neurónios no momento em que decido se vou escrever “chichi” ou “urina” besta frase estejam agora na bexiga da rainha (que Deus a abençoe): a água não faz distinções, anda por aí a circular. Basta olharmos para as nuvens.”


Mais ainda, no Capítulo 6, desmascara um famoso nutricionista da televisão britânica Michael van Straten, que, perante as câmaras, afirmou com um gesto teatral que um sumo de romã acrescentava dois anos à vida (alguns meses, emendou a seguir), falando de uma investigação recente, “acabada de publicar na semana passada na América”, segundo a qual o sumo de romã protege do envelhecimento. Na verdade, consultada a Medline, uma base de dados de referência da investigação biomédica internacional, Goldacre não encontrou nada que se parecesse, nem de perto nem de longe, com um estudo deste tipo que tivesse as conclusões que foram propagandeadas. A menos que, em vez de um artigo científico, se tratasse, sugere o nosso autor, de um panfleto da indústria das romãs… Isso não quer dizer que beber sumo de romã não faça bem à saúde, apenas quer dizer que a ciência, num bom exemplo de “conversa da treta”, foi invocada em vão pelo nutricionista!

Como remédio contra as patranhas que todos os dias nos entram via televisiva ou computacional pelos olhos dentro, Goldacre recomenda a medicina baseada na evidência, isto é, a medicina baseada na lógica e na experimentação. Explica o que são testes duplamente cegos (testes clínicos nos quais nem o doente nem o médico sabem que estão a receber ou a dar um medicamento, pois este aleatoriamente é substituído por algo inócuo, o chamado placebo) e a sua necessidade para a certificação de novos fármacos. Há aqui um fenómeno bastante curioso: O simples facto de um paciente saber que está a ser tratado favorece o seu restabelecimento, mesmo que ele esteja a tomar um inofensivo comprimido de açúcar. Este é o chamado “efeito placebo”, que, por estranho que pareça, existe na realidade, quer dizer, um doente a quem foi dado uma vulgar pastilha de açúcar, sem quaisquer propriedades terapêuticas, tem uma maior probabilidade de curar do que a que é dada meramente pelo acaso. O autor explica como os resultados da medicina baseada na evidência contrastam por completo com os das medicinas ditas alternativas, que, por isso, não podem ser consideradas alternativas válidas.

O penúltimo capítulo da tradução portuguesa ocupa-se de um curandeiro inglês que pretendia curar, por meio de vitaminas, a SIDA na África do Sul, país onde essa doença atingiu proporções alarmantes (é bom lembrar a posição estúpida que o governo desse país assumiu no passado, chegando a negar que a doença, era causada por um vírus). Essa crítica deu origem a um processo em tribunal, no qual o médico foi defendido por advogados do "The Guardian". O original não pôde, por isso, incluir este capítulo saído no jornal. Como no Reino Unido a justiça é mais célere do que em Portugal - o que aliás não é difícil- , não demorou muito até que Goldacre ganhasse o processo, ficando naturalmente as respectivas custas a cargo da parte queixosa. E a tradução portuguesa já acolheu o texto que estava interdito.

Depois de demolir por completo as críticas completamente injustificadas que saíram nalguns média à vacina tríplice por, alegadamente, ser causa de autismo, Goldacre dedica algumas palavras à pandemia causada pelo vírus H1N1, no final do livro. Põe ênfase na incerteza associada ao nosso actual conhecimento da doença. E aponta o dedo aos média, por não conseguirem separar o trigo do joio. “Já nem neles próprios acreditam”, conclui o nosso autor. O livro “Ciência da Treta, distinguido em 2008 pela Royal Society (a Academia de Ciências britânica), é um verdadeiro antídoto contra os disparates num tempo onde, estranhamente, estes são muito mais abundantes do que seria expectável.

- Ben Goldacre, "Ciência da Treta", Bizâncio, 2009.

O Sexo dos Anjos

Joel Costa dedicou os três últimos programas do seu Questões de Moral (Antena 2, da Rádio) às sociedades, instituições e valores que permitiram, até um passado ainda recente, a "produção" de milhares de "anjos cantores", de "castrati", para alimentar os coros das Igrejas e as Óperas da Europa.

Detem-se de modo magistral, como é costume, na sua educação, nas suas ligações afectivas, nos seus fracassos e sucessos... sempre com música criteriosamente seleccionada.

Esses programas, que vale a pena ouvir, têm os seguintes títulos:

- O Sexo dos Anjos, ou a desventura dos mal castrados e a glória dos bem castrados
- O Sexo dos Anjos e os famosos Conservatórios de Nápoles
- O Sexo dos Anjos, ou Um problema de Moral Cristã

E, podem encontrados aqui.

No De Rerum Natura já nos referimos a este assunto aqui.

Imagem: Farinelli Playing Harp, de Edward Tabachnik

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

LIVROS DE CLAUDE LÉVI-STRAUSS


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Na Sala do Catálogo está patente uma exposição bibliográfica sobre o antropólogo francês Claude Lévi-Strass (1908-2009), recentemente falecido. Eis a lista de bibliografia activa em português exposta (a ordem é a cronológica da 1ª edição):

- Lévi-Strauss, Claude. Tristes trópicos / C. Levi-Strauss ; trad. de Wilson Martins. São Paulo : Anhembi, 1957.

- Lévi-Strauss, Claude. Tristes trópicos. [Lisboa] : Portugália Editores, [1976?].

- Lévi-Strauss, Claude. Mito e significado; trad. de António Marques Bessa. Lisboa : Edições 70, 1979. Reimps. 1985, 1989 e 2007.

- Lévi-Strauss, Claude. Tristes trópicos ; trad. de Jorge Constante Pereira. Lisboa : Edições 70, 1979 imp. [trad. de Jorge Constante Pereira; rev. de Ruy de Oliveira, Henrique Fiúza]. Lisboa : Edições 70. Idem, D.L. 1993.

- Lévi-Strauss, Claude. A via das máscaras; trad. Manuel Ruas ; rev. Wanda Ramos. Ed. revista e aumentada e acompanhada de três Excursões. Lisboa : Editorial Presença, imp. 1981.

- Lévi-Strauss, Claude. O olhar distanciado; [trad. de Carmen de Carvalho]. Lisboa : Edições 70, 1986 imp

- Lévi-Strauss, Claude. O totemismo hoje ; [trad. de José António Braga Fernandes Dias]. Lisboa : Edições 70, 1986 imp.

- Lévi-Strauss, Claude. A oleira ciumenta / Claude Lévi-Strauss ; trad. José António Braga Fernandes Dias. Lisboa : Edições 70, 1987.

- Mauss, Marcel, 1872-1950. Ensaio sobre a dádiva / Marcel Mauss ; com introdução à obra de Marcel Mauss por Claude Lévi-Strauss. Lisboa : Edições 70, imp. 1988.

- Lévi-Strauss, Claude. História do lince; trad. Rosa Maria Perez. 1ª ed. Porto : Asa, 1992.

- História da família / direcção de André Burguière... [et al.]. 1ª ed. Lisboa : Terramar, 1996-1999.

- Lévi-Strauss, Claude. Raça e história /; trad. Pedro Elói Duarte. 1ª ed. Lisboa : Vega, 2003

- Lévi-Strauss, Claude. Raça e história. Lisboa : Editorial Presença, 1973 imp. « ed. [Lisboa] : Editorial Presença, [1975].Trad. Inácia Canelas. 6ª ed. Lisboa : Presença, 2000; 7ª ed. Lisboa : Presença, 2003. 8ª ed. Lisboa : Presença, 2006.

- Lévi-Strauss, Claude. Do mel às cinzas; trad. Carlos Eugénio Marcondes de Moura e Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo : Cosac Naify, 2004.

POESIA MATEMÁTICA

"Poesia matemática" do grande humorista brasileiro Millôr Fernandes:

"Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade."

Millôr Fernandes

Texto extraído do livro "Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.

Orquídeas em Dezembro


Informação recebida do Jardim Botânico de Coimbra (na foto Zygopetalum intermedium Lindl. América do Sul):

O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra apresenta a exposição Orquídeas em Dezembro

Dias 12 e 13 de Dezembro de 2009
Horário visita: Sábado e Domingo, das 10h00 as 17h00.
Horário ateliê (máx. 20 pessoas): Sábado 11h30 e 15h30.
Domingo 15h30.

Local:
Estufas do Jardim Botânico.
Preço: 3 €/participante.

Mais informações: gabinete Jardim Botânico - 239 855233.

Orquídeas em Dezembro:

A maioria das plantas tem os seus admiradores, mas poucas conseguem induzir uma paixão tão grande como as orquídeas. Porque é que as pessoas se tornam tão obcecadas? Na maioria dos casos, a sua beleza, originalidade e mística, serão o motivo principal; mas talvez o mais importante seja a grande variedade de formas. As orquídeas também nos brindam com flores perfumadas, tanto de dia como de noite. Mas o melhor de tudo é que cultivar orquídeas se torna um hobby para o ano inteiro… e existe sempre alguma em flor!

O cultivo de orquídeas começou na China há perto de 3000 anos, mas segundo o que se sabe, foi no século XVII que a primeira orquídea tropical cultivada ex-situ (Brassavola nodosa) floresceu!

Contudo, só no século XVIII, em Inglaterra, se começou o cultivo de orquídeas. Inicialmente, os cultivadores de orquídeas tinham pouco sucesso, pois consideravam que, sendo tropicais, as orquídeas deviam ser colocadas em estufas muito quentes e secas. Ninguém sabia que muitas habitam em altitude e necessitavam de condições de frio e humidade. Ao contrário: são espécies cosmopolitas, só não existem nos desertos nem nas neves.

Hoje, como os seus requisitos são já conhecidos, a dificuldade de cultivo das orquídeas não passa de um mito! Algumas até podem ser mais difíceis de cultivar, pois recriar o seu habitat dentro de casa pode ser complicado; mas, na sua maioria, as orquídeas são surpreendentemente fáceis de cultivar. Ninguém pode esperar cultivar com a mesma facilidade todos os tipos de orquídeas; estima-se que no mundo existem 25.000 espécies naturais e cerca de 100.000 híbridos, registados! Mas, cumprindo algumas regras simples elas tornam-se tão fáceis de tratar como qualquer outra planta de interior.

Venha à exposição de orquídeas nas estufas do Jardim Botânico de Coimbra! Com um cheirinho a orquídeas neste Natal, aprenda em ateliê, algumas dicas importantes de cultivo: conhecer para manter!

350 ANOS DA ROYAL SOCIETY


A Royal Society britânica, com sede em Londres, comemora em 2010 os seus 350 anos (na imagem, o microscópio composto de Robert Hooke). Este sítio, com ligações a importantes artigos originais, dá conta da rica história da instituição. O programa das comemorações incluirá em Novembro do próximo ano um workshop sobre relações científicas luso-britânicas.

Deus e os Extraterrestres


Dando conta de posiçoes recentes da Igreja Católicos sobre vida extraterrestre, Carlos Oliveira escreve no Astro.pt sobre "Deus e os Extraterrestres". Ler aqui.

ÚLTIMOS DIAS DA EXPOSIÇÃO SOBRE CAROLINA MICHAELIS


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Devido ao interesse que a mostra suscitou, foi adiado por alguns dias o fecho da exposição sobre Carolina Michaelis, a primeira mulher que foi professora numa Universidade portuguesa (na foto, com dois dos netos).

Encerra no dia 22 de Dezembro
Segunda a Sexta-feira
10h00 às 12h00 | 15h00 às 17h00
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
Sala de S. Pedro

Integrada no Projecto em curso, de carácter interdisciplinar, Carolina Michaëlis (1851-1925) – Joaquim de Vasconcelos (1849-1936): Um Encontro de Culturas e de Saberes, a presente exposição tem como objectivo evocar e homenagear aquela que foi a primeira Doutora em Letras e também a primeira Professora, a todos os títulos insigne, da Universidade de Coimbra, onde leccionou desde Janeiro de 1912, isto é, desde o primeiro ano lectivo da então recém-criada Faculdade de Letras, até Fevereiro de 1925, ano em que vem a falecer.

Nos três grandes períodos em que dividimos a vida e a obra de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Anos de Berlim (1851-1876), Anos do Porto (1876-1912) e Anos de Coimbra e do Porto (1912-1925), pretendemos mostrar – através da articulação das espécies bibliográficas seleccionadas para expor nas vitrines com a documentação e a iconografia contida nos painéis, e ainda através dos apontamentos multimédia que completam o todo – que Carolina Michaëlis não só nos deixou, como filóloga nacional e internacionalmente prestigiada, uma obra pioneira verdadeiramente gigantesca, que se inscreve na intensa e variada actividade de mediação científica e cultural entre Portugal e a Alemanha por ela desenvolvida desde o primeiro ano em que veio viver para o Porto, mas também soube ser uma cidadã empenhada na promoção e no incremento do ensino da criança e da mulher na sociedade portuguesa da sua época.

Organização:
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Coordenação Científica:
Maria Manuela Gouveia Delille

Catalogação:
Isabel João Ramires

Design:
António Barros

Apontamentos Multimédia:
Clara Almeida Santos, Secção de Comunicação do Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da FLUC

Colaboração Externa:
Carlos Michaëlis de Vasconcellos
Gabriele Beck-Busse - Universidade de Marburgo

Apoios:
Reitoria da Universidade de Coimbra
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Imprensa da Universidade de Coimbra
pfi Informática, Lda.

FEIRA DO LIVRO DA BIBLIOTECA GERAL

Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Numa Feira do Livro de Natal a Livraria / Loja da Universidade de Coimbra, situada no átrio da Biblioteca Geral (BGUC), está a vender com o desconto médio de 50% a seguinte colecção das suas publicações próprias (a ordem é alfabética do autor e o preço indicado é final, depois do desconto):

- AFONSO X, o Sábio — Cantigas de Santa Maria. Editadas por Walter Metmanten. Vol. I, 1959; Vol. II, 1961 – ISBN 972-616-035-9 ; Vol. III, 1964 – ISBN 972-616-036-7 ; Vol. IV (Glossário), 1972 – ISBN 972-616-037-5 . Colecção 25,00 euros

- ARTE MILITAR na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra : Séc. XVI-XVIII. 1990 7,50

- BIBLIOTECA GERAL DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA — Catálogo dos Reservados da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. 1970. [Organizado por Maria Teresa Pinto Mendes, Jorge Peixoto e José Barbosa]. Suplemento. 1981. Publicado como separata do «Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra», 36. ISBN 972-616-050-2, 12,00

- BIBLIOTECA GERAL DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, Molière. Catálogo comemorativo do tricentenário da sua morte. [Organizado por José Barbosa]. 1975, 2,00

- BRANDÃO, Mário — A Inquisição e os professores do Colégio das Artes, Vol. II, I parte, 1969, 15,00

- CORTESÃO, Armando — Cartas de Londres. 1941-1949. 1974, ISBN 972-616-038-3, 7,50

- COSTA, Mário A. Nunes — Reflexão acerca dos locais ducentistas atribuídos ao Estudo Geral. Col. Septingentesimo Natali Edita. 1991, ISBN 972-616-007-3, 7,50

- DAMIÃO de Góis e o Humanismo europeu (1502-2002) : exposição bibliográfica [catálogo] 2002, 6,00

- GÓIS, Damião de, 1502-1574 - Damianus a Goes [documento electrónico] = Damião de Góis : as crónicas / coord. Ed. de Aníbal Pinto de Castro. [Lisboa] : Fundação Calouste Gulbenkian ; Coimbra : BGUC : Comissão Organizadora do Congresso Internacional "Damião de Góis e o Humanismo Europeu, 2002, 15,00

- DESTOMBES, Marcel e outros — Um portulano de Diogo Homem (C. 1566) na Biblioteca Geral da Universidade. 1988, ISBN 972-616-122-3, 2,50

- ESTATUTOS da Universidade de Coimbra
(1653). Edição facsimilada. 1987, ISBN 972-616-066-9, 12,50

- FERREIRA, António —The tragedy of Ines de Castro. Translated into english with introductory essays by John R.C. Martyn. 1987. ISBN 972-616-120-7, 7,50

- FONSECA, Fernando Taveira da — A Universidade de Coimbra (1700-1771). 1995. ISBN 972-616-136-3, 20,00

- HOOYKAAS, R. — Selected studies in History of Science. 1983, ISBN 972-616-114-2, 5,00

- JOÃO IV, rei de Portugal — Defensa de la musica moderna contra la errada opinion del Obispo Cyrilo Franco. Com prefácio, introdução e notas de Mário de Sampayo Ribeiro. 1965. Inclui a reprodução facsimilada da impressão original. ISBN 972-616-056-1, 8,00

- MANUPELLA, Giacinto — Dantesca luso-brasileira. Subsídios para uma bibliografia da obra e do pensamento de Dante Alighieri. 1966, ISBN 972-616-013-8, 8,50

- MINORIAS ÉTNICAS e religiosas em Portugal [catálogo de exposição]. 2002, 2,00

- OLIVEIRA, Vitor Amaral de — Sebástica. bibliografia geral sobre D. Sebastião. 14,00

- PERES, Damião - A Universidade de Coimbra na história da cultura nacional. Coimbra, 1937, 3,00

- SANCHES, António Nunes Ribeiro — Obra. Vol. I — Método para aprender e estudar a Medicina. Cartas sobre a educação da mocidade. 1959 (Nota prévia de Maximino Correia) 10,00 e Vol. II — Apontamentos para estabelecer-se um tribunal e colégio de Medicina — Carta a Joaquim Pedro de Abreu — Tratado da conservação da saúde. 1966 (Nota preambular de Álvaro Júlio da Costa Pimpão e Introdução de Maximino Correia) 10,00

- UNIVERSIDADE DE COIMBRA - Compêndio histórico do estado da Universidade de Coimbra : 1771 / Obra fac-similada da ed. Lisboa 1771. Facsimile 1972 10,00

E ainda:

- AZULEJOS QUE ENSINAM [catálogo de exposição]. BGUC e Museu Nacional de Machado de Castro, 2007 5,00

- AZULEJOS QUE ENSINAM [colecção de postais. idem, 2007] 3,50

- BARJONA, Manuel José – Metallurgicae elementa = Elementos de Metalurgia. Ed. facsimilada. Coimbra : FCTUC, 2001, 7,00

- DA FAMOSA ARTE da imprimissão : obras das Edizioni dell Elefante. 2,00

- BERNASCHINA, Paulo — Massa cinzenta, (fotografias de cientistas), Artez, ISBN: 972-99912-1-9, 6,00

- CORO MISTO da Universidade de Coimbra — Miserere [CD áudio] : [obras de José Maurício e de Francisco Lopes Lima de Macedo], 10,00

- CARDOSO, José Maria Pedrosa (coord.) - Carlos Seixas, de Coimbra. Imprensa da Universidade. ISBN: 972-98704-33-X, 7,50

- FIOLHAIS, Carlos — Einstein entre nós. Imprensa da Universidade, ISBN: 972-8704-60-7. 2006, 10,00

TOP 5 DOS LIVROS DE CIÊNCIA DE 2009

A pedido da "Gazeta de Física", fiz uma lista dos cinco melhores livros de divulgação da ciência (num sentido amplo do termo) saídos neste ano de 2009, combinando títulos tanto em português como em inglês. A ordem é a alfabética do autor:

- CHARLES DARWIN, “A Origem das Espécies” (Guimarães)

No ano dos 150 anos deste livro, que foi também o dos 200 anos do nascimento do autor, várias edições saíram em Portugal, entre elas a da Guimarães. Um grande clássico, portanto!

- GRAHAM FARMELO, “The Strangest Man: The Hidden Life of Paul Dirac, Mystic of the Atom" (Basic Books).

Uma biografia de um dos mais importantes físicos do século XX, um dos criadores da teoria quântica, o inglês Paul Dirac.

- BEN GOLDACRE, “Ciência da Treta” (Bizâncio)

A pseudociência na área das ciências da saúde desmascarada por um médico inglês que conhece bem o método científico.

- RICHARD HOLMES, “The Age of Wonder: How the Romantic Generation Discovered the Beauty and Terror of Science” (Pantheon)

No ano em que se comemoram os 50 anos da palestra de C. P. Snow sobre as duas culturas, esta obra é um magnífico exemplo da união dessas culturas ao relacionar a ciência e a arte do século XIX.

- DAVID LANDES, “A Revolução no Tempo” (Gradiva)

Do autor de “A Riqueza e a Pobreza das Nações”, outra grande obra da autoria do economista de Harvard, que é uma verdadeira história cultural do tempo e dos relógios.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os Rostos do Poder

Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra.


No próximo dia 12 de Dezembro (sábado), pelas 17h 30m, será apresentado o livro Os Rostos do Poder, no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, pelo Prof. Doutor Rui Alarcão.

UM CAMINHO CURRICULAR PARA A FORMAÇÃO HUMANISTA?

Entenda-se este texto não como um elogio acrítico a uma nova escola de iniciativa privada, mas como uma reflexão acerca da estrutura curricu...