segunda-feira, 27 de maio de 2019

Bibliografia sobre Fernão de Magalhães nos 500 anos da sua viagem de circumnavegação



Fernão de Magalhães (1480 – 1521)

Navegador português que se notabilizou por ter organizado e comandado até à sua morte nas Filipinas a primeira viagem de circum-navegação ao globo terrestre de 1519 até 1522 através dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, em busca de um novo caminho para as Índias (a viagem foi completada pelo espanhol Juan Sebastian ElCano). É inegável a valia do seu feito para a história da marinharia, dos descobrimentos e da cartografia.

Bibliografia disponível no Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra

Autoria de cronistas contemporâneos da viagem de circum-navegação

OLIVEIRA, Fernão de – Le voyage de Magellan : raconté par un homme qui fut en sa compagnie ; édition critique, traduction et commentaire du texte manuscrit recueilli par Fernando Oliveira. Paris : Centro Cultural Português, Fundação Calouste Gulbenkian, 1976. (Fontes documentais portuguesas ; 10).


Sobre Fernão de Magalhães e a viagem de circum-navegação

JONG, M. de – Um roteiro inédito da circunnavegação de Fernão de Magalhães. Coimbra : Instituto Alemão. Faculdade de Letras, 1937. 27 p.

SAAVEDRA, Teresa – Magalhães e a primeira viagem à volta da Terra. Guimarães : Opera Omnia, D.L. 2009. 54 p. ISBN 9789899573284. Literatura infanto-juvenil.

COMELLAS, José Luis –  La primera vuelta al mundo. 2ª ed. Madrid : RIALP, 2012. 223 p. ISBN 9788432141683.

BARROS, Amândio Jorge Morais – O homem que navegou o mundo : em busca das origens de Magalhães. Braga : AL - Publicações, 2015. 101 p. (Colecção História). ISBN 9789899791893.

CADILHE, Gonçalo – Nos passos de Magalhães : uma biografia itinerante. 1ª ed. Lisboa : Clube do Autor, 2018. 220, [1] p., [32] p. fot. ISBN 9789897244254.

SILVA, José Eduardo Cansado de Carvalho de Matos e ; SILVA, António de Matos e – Fernão de Magalhães : um agente secreto ao serviço do Rei D. Manuel I de Portugal?. Lisboa : By the Book, Edições Especiais, 2018. 131 p. ISBN 9789898614728.


GARCIA, José Manuel – Fernão de Magalhães : nos 500 anos do início da grande viagem : agenda 2019. Lisboa : INCM 2019. [239] p. ISBN 9789722727. Edição comemorativa do quinto centenário do início da viagem de circum-navegação (1519-1522) iniciada sob o comando de Fernão de Magalhães, que viria a morrer em 1521. Contém Textos, cartas, mapas relativos à viagem de circum-navegação e retratos de Fernão de Magalhães.


Bibliografia disponível noutras Bibliotecas da Universidade de Coimbra

Autoria de Fernão de Magalhães

MAGALHÃES, Fernão de ; MAFRA, Ginés de – Descripción de los reinos, costas, puertos e islas que hay desde el Cabo de Buena Esperanza hasta los Leyquios. Madrid : Estab. Tip. de Torrent y compania, 1920. 219 p. (Publicaciones de la Real Sociedad Geografica).

BARBOSA, Duarte ; [Magalhães, Fernão de?] – The book of Duarte Barbosa : an account of the countries bordering on the Indian Ocean and their inhabitants. Nendeln, Liechtenstein : Kraus Reprint, 1967. 2 vol. (Hakluyt Society. Works, Series II; 44, 49). Reimpressão da ed. de Hakluyt Society, 1918-1921. Obra também atribuída a Fernão de Magalhães.
Autoria de cronistas contemporâneos[2] da viagem de circum-navegação

MAXIMILIANUS TRANSYLVANUS ; PIGAFETTA, Antonio –  Il viaggio fatto da gli spagnivoli a torno a'l mondo. [Venezia] : [Luca Antonio Giunta], MDXXXVI [1536]. [52] f. ; 4º.

PIGAFETTA, Antonio –  Premier voyage autour du monde. A Paris : Chez H.J. Jansen, imprimeur-libraire, l'an IX [1800 ou 1801]. lxiv, 415 p., [9] f. estampas, mapas.

PIGAFETTA, Antonio [et al.] –  The first voyage round the world by Magellan. London : The Hakluyt Society, 1874. lx, 257, xx p., [7] estampas.

PIGAFETTA, Antonio –  Primer viaje en torno del globo. Madrid : Calpe, 1922. 203 p : 3 est., 1 mapa desdobr. Existem mais edições no catálogo: 1927 ; 1943 ; 1946 ; 1954

PIGAFETTA, Antonio – Relazione del primo viaggio intorno al mondo. Milano : Edizioni "Alpes", 1928. 335 p. (Viaggi e scoperte di navigatori ed esploratori italiani ; 3).

PIGAFETTA, Antonio – Magellan's voyage : a narrative account of the first circumnavigation. New Haven ; London : Yale University Press, 1969. 2 vol. Vol. I : Translated and edited by R. A. Skelton from the manuscript in the Beinecke Rare Book and Manuscript Library of Yale University. - vol. II : a facsimile of the manuscript in the Beinecke Rare Book and Manuscript Library of Yale University.

Fernão de Magalhães : a primeira viagem à volta do mundo contada pelos que nela participaram. Mem Martins : Publicações Europa-América, D.L. 1987. 319 p. (Estudos e Documentos ; 224). Existe no catálogo edição de 1990.

OLIVEIRA, Fernão de ; WIONZEK, Karl-Heinz, ed. lit. – Another report about Magellan's circumnavigation of the world : the story of Fernando Oliveira. Manila : National Historical Institute, 2000. 47 p., mapas. ISBN 9715381154.

PIGAFETTA, Antonio ; GRÜN, Robert, ed. lit. – Mit Magellan um die Erde : ein Augenzeugenbericht der ersten Weltumsegelung, 1519-1522. [Stuttgart ; Wien] : Edition Erdmann, c.2001. 301 p. ISBN 3522604016.

OLIVEIRA, Fernão de – The voyage of Ferdinand Magellan = Viagem de Fernão Magalhães. Manila : National Historical Institute, 2002. iii, 182 p. : il., facsimiles, mapas. ISBN 9715381634 (brochado). Facsimile do ms. original português (Cod. nº 41, Cat. Voss. Lat., fls. 239-254), Biblioteca Univ. Leiden. Textos em inglês e português.


PIGAFETTA, Antonio – Le voyage de Magellan : 1519-1522 : la relation d'Antonio Pigafetta & autres témoignages. Paris : Chandeigne, 2007. 2 vol. em caixa. (Collection Magellane, 1160-2899). ISBN 9782915540321.

WALLISCH, Robert. ; ANGHIERA, Pietro Martire d' ; MAXIMILIANUS TRANSYLVANUS, 14..-15.. – Magellans Boten : die frühesten Berichte über die erste Weltumsegelung : Maximilanus Transylvanus, Johannes Schöner, Pietro Martire d'Anghiera : (lateinischer Text, Übersetzung und Anmerkungen). Wien : Verlag der Österreichischen Akademie der Wissenschaften, 2009. 176 p., mapas. (Edition Woldan ; 2). ISBN 9783700167679.

Sobre Fernão de Magalhães e a viagem de circum-navegação

BARROS ARANA, Diego – Vida e viagens de Fernão de Magalhães. Lisboa : Typ. da Academia Real das Sciencias, 1881. 192 p., 1 mapa desdobr.

VAST, Henri – Le tour du monde il y a quatre siècles : Vasco de Gama et Magellan. 2eme éd. Paris : Hachette, 1886. 191 p., mapas. (Bibliothéque des Écoles et  des Familles).

NOVO Y COLSÓN, Pedro de – Magallanes y Elcano : conferencia de D. Pedro Novo y Colson. Madrid : Ateneo de Madrid, 1892. 25 p.

ALBERTO, Caetano – Descobrimento das Filippinas pelo navegador português Fernão de Magalhães. Ed. illustrada. Lisboa : Empresa do Occidente, 1898. 147 p.

DENUCÉ, Jean – Magellan : la question des Moluques et la première circumnavigation du globe. [Bruxelles : Hayez], 1911. 433 p.

COELHO, J. M. Latino ; VARELA, Arlindo, ed. lit. – Fernão de Magalhães. Lisboa : Empresa Literária Fluminense, imp. 1917. 226, [3] p. (Escritos literários e políticos de J. M. Latino Coelho / coligidos e publ. sob a dir. de Arlindo Varela.). Inclui ainda: "Biographia" por A. A. Teixeira de Vasconcelos, uma "Carta autobiographica" e "Perfil de Latino Coelho" por Bulhão Pato. Existe no catálogo a 3ª edição de 1921.

MEDINA, José Toribio – El descubrimiento del Océano Pacífico : Hernando de Magallanes y sus companeros : documentos. Santiago de Chile : Imprenta Elzeviriana, 1920. viii, 309 p.

BAIÃO, António – A questão da naturalidade de Fernão de Magalhães : trasmontâno não, Minhôto : alocução lida na sessão solene celebrada por ocasião do centenário da morte de Fernão de Magalhães, em 27 de Abril de 1921. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 61, [2] p. (História e memórias da Academia das Sciências de Lisboa, Nova série, 2ª classe, Sciências morais e politicas, e belas letras, T. 14).

DORNELAS, Afonso de – Em prol de Fernão de Magalhães. Lisboa : Casa Portuguesa, 1921. [27], 39 p., [22] f.

EÇA, Vicente Almeida de – O feito de Fernão de Magalhães : discurso pronunciado em 27 de Abril de 1921 na sessão comemorativa na Academia. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 12 p.


MENDONÇA,  Henrique Lopes de – A inspiração de Fernão de Magalhães : alocução proferida na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra em 27 de Abril de 1921. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 20 p. Separata de “O Instituto”, vol. 68, nº 6.

INSTITUTO DE COIMBRA – Número comemorativo do 4º centenário de Fernão de Magalhães. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 68 p., vol. 68 do Instituto de Coimbra (1921). Também disponível em linha.

NORONHA, José Manuel de – Algumas observações sobre a naturalidade e a família de Fernão de Magalhães. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1921. 45 p. Separata de "O Instituto", vol. 68, nº 3.

Portugal en las Fiestas Magallánicas. Santiago - Chile : Nascimento, 1921. 76 p.

DELL'AMORE, Bruno – Ferdinando Magellano e il primo viaggio di circumnavigazione del globo. Torino : G.B.Paravia, 1928. xii, 271 p. (I Grandi Viaggi di Esplorazione).

BENSON, E. F.  Ferdinand Magellan. London : John Lane, [1929]. xv, 262 p.

PENROSE, Boies – A link with Magellan : beine a chart of the East Indies C. 1522 in the possession of Boies Penrose. [S.l : s.n.], 1929 (privately printed by Wm. F. Fell). 14 p. , 1 mapa.

DORNELAS, Afonso de – Fernao de Magalhaes : navegador portuguez ao serviço da Hespanha : elementos de estudo. Lisboa : [s.n.], 1930. 48 p. Separata de: Elucidário Nobiliarchico, vol. 2.

LAGÔA, 4º Visconde de – Fernão de Magalhães : a sua vida e a sua viagem. Lisboa : Seara Nova, 1938. 2 vol.

VELOSO, J. M. de Queirós – Fernão de Magalhães : a vida e a viagem. Lisboa : Editorial Império, 1941. 118 p. (Edições "Ocidente"). Publicado originalmente em francês, na “Revue d'Histoire Moderne”, Set. 1939.

ZWEIG, Stefan – Fernão de Magalhães. 2ª ed. Porto : Livr. Civilização, 1939 imp. 284 p., 39 estampas. Existem mais edições no catálogo: 1943 ; 1951 ; 1960 ; 1971 ; 1975

LIMA, Américo Pires de – A botica de bordo de Fernão de Magalhães. Porto : [s.n.], 1942. 81 p. Separata dos Anais da Faculdade de Farmácia do Porto, Vol. IV. Existe uma edição no catálogo de 1957.

KENT, Louise Andrews – As aventuras de Fernão de Magalhães. São Paulo : Editora Universitaria Ltdª, imp. 1945. 302, [2] p. Tradução de “He went with Magellan”.

PARR, Charles McKew – So noble a captain : the life and times of Ferdinand Magellan. New York : Thomas Y. Crowell Company, 1953. xv, 423 p. Existe no catálogo edição de 1956.

DOMINGUES, Mário – Fernão de Magalhães. Barcelos : [s.n.], 1959. 288 p.

UGOLINI, Luigi de – A primeira volta ao mundo. Estoril : Editorial Salesiana, [1961?]. 195 p. (Colecção de Leituras Juvenis ; 10). Literatura infanto-juvenil. Existem mais edições no catálogo: 1962 ; 1974.

DIBNER, Bern – The Victoria and the Triton. Norwalk, Connect : Burndy Library, 1962. 58 p., 1 mapa.

DANIEL, Hawthorne – Ferdinand Magellan. Garden City, N.Y.; Doubleday, cop. 1964. 302 p., mapas.

PLISCHKE, Hans, ed. lit. – Die erste Weltumseglung [des] Fernão de Magalhães [texto fotocopiado]. [4., erw. und neubearb. Aufl.]. [Haar bei München] : Klaus Renner, [c1964]. 152 p.

DAINELLI, Giotto – L'impresa di Magellano. Torino : Unione Tipografico - Editrice Torinese, 1965. [viii], 269 p. (La conquista della terra : esploratori ed esplorazioni ; 13).

PEILLARD, Léonce – Fernão de Magalhães e a primeira volta ao mundo da "Victoria". Lisboa : Livraria Bertarnd, [1965?]. 225 p., 5 estampas. (Colecção Documentos de todos os tempos).

CARVALHO, Rómulo de – Os nomes portugueses na carta da lua. [S. l. : s.n., 1967?]. 8 p., 1 estampa. Separata de: Revista Palestra, nº 27.

DOMINGUES, Mário – Fernão de Magalhães. 2ª ed. Porto : Livraria Civilização, 1967. 239 p. (Quer saber?). Existe no catálogo a 3ª edição 1980.

FORJAZ, António Pereira – Fernão de Magalhães e a sua farmácia. Lisboa : Laboratórios Azevedos, 1967. 7 p. Separata de: "Anais Azevedos", vol. 19, nº 3, 1967.

HONOLKA, Kurt – A odisseia de Fernão de Magalhães. [Lisboa] : Publicações Europa-América, [1968].  (Europa-América Juvenil ; 6). Literatura infanto-juvenil.

SPATE, O. H. K. – The Pacific since Magellan : an outline of its strategic history. [S.l] : [O. H. K. Spate], 1970. 20, 4 f.

MÜLLER, Adolfo Simões – A primeira volta ao mundo : Fernão de Magalhães e as viagens de circumnavegação. Porto : Livraria Tavares Martins, 1971. 197 p. (Gente Grande para Gente Pequena ; 13).

RODITI, Edouard – Magellan of the Pacific. London : Faber and Faber, 1972. 271 p. ISBN 0571089453.

CAMERON, Ian – Magellan and the first circumnavigation of the world. New York : Saturday Review Press, 1973. 224 p. ISBN 0841502579.

LEONE, Metzner – Fernão de Magalhães não traíu. Lisboa : Amigos do Livro, [1974?]. 314 p., 16 estampas.

FARIA, Francisco Leite de – As primeiras relações impressas sobre a viagem de Fernão de Magalhães. Lisboa : [s.n.], 1975. p. [471]-518, [12] fac-símil. Separata de: "Viagem de Fernão de Magalhães e a Questão das Molucas".

MOTA, A. Teixeira da, ed. lit. – A viagem de Fernão de Magalhães e a questão das Molucas : actas do II Colóquio Luso-Espanhol de história Ultramarina. Lisboa : Junta de Investigações Cientificas do Ultramar, 1975. XXV, 764 p., [43] p. (Centro de Estudos de Cartografia Antiga. Série de Memórias. Secção de Lisboa ; 16).

KELLENBENZ, Hermann – Die Brüder Diego und Cristóbal Haro. [Münster : s.n., 1977?]. p. [303]-315. Separata de: "Portugiesische Forschungen der Görresgesellschaft. 1. Reihe, Aufsätze zur portugiesischen Kulturgeschichte.", 14, 1976-1977.

FREITAS, Manuel Alcino Martins de – Fernão de Magalhães : nasceu em Saborosa, distrito de Vila Real, província de Trás-os-Montes. [S.l. : s.n.], 1980 imp. 142 p. (Vila Real : Min. Transmontana).

DAVIES, Arthur – Magellan and his grand design. [London : s.n., 198-?]. p. 31-36. Separata de "The Geographical Magazine", vol. 150, pt. 3, 1984.

MOTA, A. Teixeira da – O regimento da altura de leste-oeste de Rui Faleiro : subsídios para o estudo náutico e geográfico da viagem de Fernão de Magalhães : memória. Lisboa : Ed. Culturais da Marinha, 1986. 254, [46] p., mapas. Inclui cartas do Almirante Gago Coutinho.

ALBUQUERQUE, Luís de, ed. lit. – Grandes viagens marítimas. Lisboa : Alfa, 1989. 126 p. (Biblioteca da Expansão Portuguesa ; 1).

LAGUARDA TRÍAS, Rolando A. – Un relato mal atribuido del viaje de Magallanes. [S.l : s.n.], 1991. p. 211-215. Separata de “Mare Liberum”, (3).

RODITI, Edouard – Magalhães do Pacífico. Lisboa : Assírio & Alvim, 1989. 167, [8] p. (Peninsulares. Especial ; 15). ISBN 9723702274.

HUMBLE, Richard – Fernão de Magalhães. [Porto] : Edinter, 1992. 32 p. (As grandes viagens ; 1). ISBN 9724301974

MAUFFRET, Yvon – Fernão de Magalhães : cavaleiro português, capitão de Sua Majestade o Rei de Espanha, que quis dar a volta ao mundo. 1ª ed. Porto : Asa, 1994. 119 p. (As minhas memórias). ISBN 9724103811.

ZWEIG, Stefan – Magellan : Der Mann und seine Tat. Frankfurt am Main : Fischer, 1994. 315 p., 36 estampas. (Fischer Taschenbuch ; 5356). ISBN 359625356X. Romance histórico.

BARRAULT, Jean-Michel – Fernão de Magalhães : a terra é redonda. 1ª ed. Lisboa : Terramar, 1998. 258 p. (Da história ; 5). ISBN 9727102085.

REIS, A. do Carmo – Fernão de Magalhães. Porto : Porto Editora, 1998. (Os Maiores Navegadores do Mundo). ISBN 972070425X.

SIMPÓSIO DE HISTÓRIA MARÍTIMA, 7 – Fernão de Magalhães e a sua Viagem no Pacífico : antecedentes e consequentes : actas. Lisboa : A.M., 2002. xiii, 395 p. ISBN 9727810624. Texto em português e espanhol.

KAY, Bernhard – Der Navigator : Historischer Roman über Ferdinand Magellan und die erste Weltumsegelung. 4. Aufl. Bergisch Gladbach : Lübbe, 2004. 719 p. (Bastei Lübbe Taschenbuch ; Bd.14441). ISBN 3404144414.

BERGREEN, Laurence – Fernão de Magalhães : para além do fim do mundo : a extraordinária viagem de circum-navegação. Lisboa : Bertrand, 2005. 441 p., 16 estampas. ISBN 9722514237. Tradução de “Over the edge of the world”. Existe no catálogo 2ª edição de 2013.

GIL, Maria de Fátima – Magellan. Der Mann und Seine Tat de Stefan Zweig : um exemplo de "biografia moderna" dos anos 30 sobre uma figura histórica portuguesa  [documento electrónico]. Coimbra : [s.n.], 2005. Tese de doutoramento em Letras, na área de Línguas e Literaturas Modernas (Literatura Alemã) apresentada à Faculdade de Letras de Coimbra.

ARIAS DE LA CANAL, Fredo – Fernando de Magallanes : retrato de un héroe. Potes : Casa de Cultura de Potes, Fundación Fredo Arias de la Canal, D.L. 2007. 58 p.

GARCIA, José Manuel – A viagem de Fernão de Magalhães e os portugueses. 1ª ed. Lisboa : Presença, c2007. 325 p. (Biblioteca do Século ; 18). ISBN 9789722337519.

ZWEIG, Stefan – Magalhães : o homem e o seu feito. Lisboa : Assírio & Alvim, cop. 2007. 315, [3] p. (Peninsulares ; 82). ISBN 9789723712001. Existe 2ª edição no catálogo de 2017.

OOM, Ana – Fernão de Magalhães. Lisboa : Zero a Oito, 2008 imp. 41, [5] p. (Nomes com História). ISBN 9789896480080.

GIL, Maria de Fátima – Uma biografia "moderna" dos anos 30 : Magellan. Der Mann und seine Tat  de Stefan Zweig. Coimbra : MinervaCoimbra : CIEG, 2008. (Minerva-CIEG ; 15). ISBN 9789727982448.

BARROS, Amândio Jorge Morais – A naturalidade de Fernão de Magalhães revisitada. Porto : Afrontamento, 2009. 69 p. (Textos ; 69). ISBN 9789723610208.

DAEHNHARDT, Rainer [et al.] – O enigma Fernão de Magalhães. 1ª ed. [S.l.] : Apeiron, 2010 ([Lisboa] : Espaço Gráfico). 150 p. (Colecção Lug). ISBN 9789898447036.

GIL, Alexandra – Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão Magalhães : os navegadores. 1ª ed. Matosinhos : Booklândia, 2010. 31 p. (Filhos da Nação ; 12). ISBN 9789895547128. Literatura infanto-juvenil.

TAVEIRA, António – Fernão de Magalhães "o do estreito" de Santa Maria da Sé do Porto. [S.l.] : A. Taveira, 2010 (Porto : Uniarte Gráfica). 45, [2] p., [5] f. desdobr.

CHANDEIGNE, Michel ; DUVIOLS, Jean-Paul – Sur la route de Colomb et Magellan : idées reçues sur les grandes découvertes. Paris : Le Cavalier Bleu, 2011. 182, [5] p. (Idées Reçues). ISBN 9782846703918.

CARDOSO, Luís – O ano em que Pigafetta completou a circum-navegação. 1ª ed., reimp. Porto : Sextante Editora, 2016. 251 p. (Sextante Editora. Ficção). ISBN 9789896761608. Literatura, fiçcão.

ZWEIG, Stefan – Fernão de Magalhães. Lisboa : Relógio d'Água Editores, 2017. (Obras de Stefan Zweig). ISBN 9789896417604.


Nota: A presente lista foi elaborada de acordo com a NP 405 e está organizada por ordem cronológica (do mais antigo para o mais recente).


RÓMULO CCVUC
Maio 2019
Ana Serôdio




"25 de Abril : corte e costura" com João Cerqueira

(Ep. 61º) "A redondeza da terra e outras histórias da ciência e da carto...

Avaliação da qualidade do ensino superior




Mais informações: https://riaices2019es.wordpress.com/

"Voltar a Ler : alguma crítica reunida (sobre poesia, educação e outros ...

"Como o ALMA ajudou a ver a sombra de um buraco negro"

Sophie Kowalevski: A Queen from the Empire of Science


Na próxima terça-feira, dia 28 de Maio, às 15h, realiza-se no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a palestra intitulada "Sophie Kowalevski: A Queen from the Empire of Science" por Ma Li, professora no Departamento de Ciências Matemáticas da Universidade de Tsinghua, China.

 Carlos Fiolhais, director do RÓMULO, apresentará a professora Ma Li, especialista em história e ensino da ciência. A sessão, destinada ao público em geral e a todos os que se interessam por esta área da história e da matemática, é de entrada livre.

RESUMO DA PALESTRA:

 “On 18 November 1883, the Swedish newspaper Dagens Nyheter carried an article about the arrival of Sophie Kowalevski in Stockholm entitled “An Important Guest in Stockholm”: This does not have to do with an insignificant king or prince from some friendly nation but rather a queen from the empire of science. Sophie Kowalevski (15 January 1850 – 10 February 1891) lived in the second half of the 19th century. It was in Russia where she first saw the world; the world ended for her in Sweden. Her life was relatively short, yet eventful and unusual. She was the first woman in the world to have received a PhD in mathematics — at Göttingen University in 1874, and the first woman to actually hold an official university professorship — at Stockholm University from 1889 to her premature death in 1891. As an editor for Acta Mathematica, she was probably the first woman to be in the board of any major scientific journal. In 1888 she was awarded the prestigious Bordin Prize of the French Academy of Sciences for her work on rotation of a rigid body around a fixed point, the so-called Kovalewski top. The following year she was elected a corresponding member of the St. Petersburg Imperial Academy of Sciences. She was also the first woman to be so honoured. In fact, the rules of the Academy hade to be changed to allow female members before a vote could be held regarding her candidacy. Besides, there is indication that, at the time of her premature death in 1891, she was being considered full membership in the Academy.”



LANÇAMENTO DA EMPREENDIPÉDIA EM COIMBRA


NOVA ATLANTIS

A revista “Atlantís” acaba de publicar o seu último número (em acesso aberto). Convidamos a navegar pelo sumário da revista para aceder à informação.
Atlantís - review
v. 27 (2019)

Sumário
https://impactum-journals.uc.pt/atlantis/issue/view/365
[Recensão a] LAKS, André & MOST, Glenn, Early Greek Philosophy. Cambridge MA, Loeb Classical Library, 2016, 9 vols. ISBN: 978-2-213-63753-2.
Sergio Javier Barrionuevo

[Recensão a] RYAN, Barbara & SHAMIR, Milette (eds.), Bigger than Ben-Hur. The Book, its Adaptations and their Audiences, Syracuse, New York, Syracuse University Press, 2016, 269 pp. ISBN: 978-0- 8156-3403-4.
Nuno Simões Rodrigues

[Recensão a] TRABATTONI, Franco, Essays on Plato’s Epistemology. Ancient and Medieval Philosophy, Leuven, Leuven University Press, 2016, 338 pp. ISBN: 978-9462700598.
Nicholas Zucchetti

[Recensão a] BREMMER, Jan, Initiation into the Mysteries of the Ancient World, Berlin, Walter De Gruyter, 2014, 256 pp. ISBN: 978-3-11-029929-8.
Marco Alampi

[Recensão a] CYRINO, Monica & SAFRAN, Meredith (eds.), Classical Myth on Screen, New York, Palgrave Macmillan, 2015, 257 pp. ISBN: 978-1-137-49453-5.
Sílvia Catarina Pereira Diogo

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Atlantís
http://impactum-journals.uc.pt/atlantis

Porque nos devemos preocupar muito, muitíssimo com a educação escolar?

O ensino de artes pode tornar-se mais importante do que a matemática no futuro, baseado em tecnologia. Este é o enigmático título de um artigo que acabo de receber, publicado em 27 de Fevereiro do corrente ano (aqui), retirado do depoimento que Andreas Schleicher levou à Câmara dos Comuns sobre uma investigação em curso (presumivelmente da responsabilidade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - OCDE) sobre a influência na sociedade da "quarta revolução industrial" (robótica e inteligência artificial). 

Imagem recolhida aqui
Schleicher, o mais alto representante da OCDE para a Educação, é apresentado,  no artigo, como "um importante especialista em educação", "um dos principais pensadores educacionais do mundo". 

Sabendo que, efectivamente, assim é, estando bem consciente do poder que representa nos desígnios da escola pública à escala global, levo muito a sério tudo o que diz. E, naturalmente, preocupo-me.

Preocupo-me, nomeadamente, pelo facto de, nesse artigo, ser sugerido ou afirmado, pela enéssima vez, que:
  • a integração de uma área de conhecimento no currículo escolar exclui outra(s) área(s). Por exemplo, para dar expressão à tecnologia minimiza-se a das humanidades e das artes (o que, de resto, acontece e está profundamente errado); para dar expressão às artes minimiza-se o das ciências e da matemática (o que se pretende, agora, fazer?). O que tenho a dizer é que as várias áreas que compõem o conhecimento humano são complementares e, portanto, todas elas devem estar devidamente representadas no percurso escolar dos alunos;
  • as artes estão directamente associadas à criatividade. Não estão. A verdade é que todas as áreas de conhecimento podem concorrer para desenvolver essa capacidade humana. Ou não. Depende de como ela se estimula, através do ensino;
  • a "priorização" de aprendizagens académicas impede os alunos de serem criativos. Ora, são precisamente as aprendizagens académicas (que interpreto serem as de ordem disciplinar) que permitem o desenvolvimento da criatividade (pelo menos de um certo tipo de criatividade que leva o conhecimento civilizacional mais além);
  • as aprendizagens "muito focadas em tarefas tradicionais, como a memorização" são contraproducentes. A integração, tratamento e recuperação de conhecimento (dependentes do "aparelho de aprendizagem" que é a memória) são a base de toda a aprendizagem. O "jogo" entre estas três operações conduzem ao desenvolvimento de capacidades como a compreensão, a aplicação, a análise e a síntese... e a criatividade;
  • para se conseguir a criatividade é preciso dispensar a "aprendizagem baseada em testes". Não sei bem o que Schleicher quer dizer com "aprendizagem baseada em testes", mas os testes, podem medir diversas capacidades, incluindo a criatividade (por referência a conhecimento escolar). Os testes não são, não podem ser, entendidos como um fim em si mesmos, mas são instrumentos de regulação do ensino e dos sistemas educativos, cumprem igualmente a função fundamental de identificar dificuldades, corrigir trajectórias de aprendizagem e dar feedback aos alunos. Não posso deixar de notar que o autor da afirmação é o responsável pelo "Programa Internacional de Avaliação de Estudantes" (PISA), concretizado, em parte, através de testes!
  • se pode opor "habilidades"/"competências" (que não são a mesma coisa) ao conhecimento. Como é possível não se perceber que a realização prática (se é que o sentido de "habilidade"/"competência" usado depende de conhecimento que se integrou e se faz valer, que se evidencia numa certa circunstância?
  • as “habilidades sociais e emocionais" (também não estou certa do que se possa entender por elas) são separáveis das "habilidades duras como ciência e matemática". Há aqui uma enorme confusão entre capacidades humanas e conhecimento(s). Vejamos: elementos cognitivos e afectivos da aprendizagem andam a par, pelo que devem ser trabalhados em consonância e isto em todas as áreas disciplinares e disciplinas, temas disciplinares, interdisciplinares, etc.;
  • é preciso tornar, no futuro a "ciência e a matemática mais suaves" uma vez que a necessidade delas diminui devido à tecnologia é, no mínimo, desorientador... Não consigo entender o sentido da afirmação, quer pelo que mencionei no ponto acima, quer pela necessidade crescente do conhecimento científico, humanístico, artístico para lidar com a tecnologia. Como poderemos dispensar a "ciência e a matemática" numa sociedade tecnológica?! 
  • (mais:) porquê e para quê tornar as “habilidades sociais e emocionais" (como a “curiosidade, a liderança, a persistência e a resiliência”) em “habilidades difíceis”, invertendo a suposta ordem (ainda) existente? E como é possível desenvolver estas (chamemos-lhe) "habilidades" sem trabalhar o conhecimento escolar?
Mais uma dúvida me ficou: Schleicher refere-se, de facto, 
  • às artes, ou às "artes" úteis à tecnologia? 
  • e à criatividade ou à "criatividade" que (uma certa) tecnologia envolve?
Finalmente, como é regra nas suas intervençõesSchleicher, diz que:
  • é preciso preparar os alunos para o futuro (sim, evidentemente, que é desejável fazer isso, de resto, a escola sempre fez isso) e abandonar o passado (não, evidentemente, que isso não pode ser feito sem ponderação). Alega que os tipos de tarefas que os estudantes (no caso, os ingleses, mas também já li que o disse para os portugueses e para os espanhóis) desempenham melhor "são as que estão mais associadas ao passado do que ao futuro, o tipo de coisas que são fáceis de ensinar e fáceis de testar". Eu diria que tudo o que é escolar (dada a sua natureza) sempre foi, é e será difícil de ensinar e de aprender e, também, de testar;
  • "o mundo moderno não recompensa ninguém pelo que sabe, mas pelo que pode fazer com o que sabe". Esta frase (eco de outra  reproduzida no Expresso: “já não recompensa as pessoas apenas por aquilo que sabem – o Google sabe tudo – mas por aquilo que conseguem fazer com isso”) é absolutamente paradoxar: o que podemos fazer com o saber que... não temos?! Isto para não falar da desvalorização absoluta e grosseira do saber que se tem apenas porque se tem, e porque importa preservar o saber independentemente do que se possa fazer com ele. E, ainda, para não falar da miserável lógica da "recompensa" externa, material, imediata... tudo o que não couber nesta lógica deve ser apagado, destruído.

domingo, 26 de maio de 2019

SEGUNDA CONFERÊNCIA: “Responsabilidade social das empresas na construção do currículo escolar"


Realizou-se ontem a SEGUNDA CONFERÊNCIA do ciclo “O currículo escolar na contemporaneidade: Identificação e discussão de algumas das suas bases” (ver aqui e aqui).

Título: “Responsabilidade social das empresas na construção do currículo escolar” 

Resumo: No cenário global designado da “Educação para o Futuro”/”Educação para do Século XXI”, os sistemas de ensino e as empresas mantêm múltiplas e estreitas relações, as quais acompanham o delineamento e desenvolvimento do currículo, sobretudo na componente designada por “Educação para a Cidadania” (em Portugal, designada na mais recente reforma curricular por “Cidadania e Desenvolvimento”). Ainda que se trate de relações que já se tornaram comuns e que, inclusivamente, encontrem suporte na lei vigente, há que interrogá-las, quer pela diferença de propósitos em causa (educar, para os sistemas de ensino; expandir o negócio, para as empresas), quer pela abordagem (crítica, para os sistemas de ensino; promocional, para as empresas). Há que interrogá-las, ainda, pela recolha de dados junto dos alunos, professores e famílias, que lhes está associada. Esta conferência, para a qual são convidados especialistas em Direito do Consumo e Intervenção Cívica incide, por um lado, na caracterização da mencionada situação e, por outro lado, na sua análise. O fim último é prestar apoio às decisões dos agentes educativos, mais directamente ligados às escolas, no respeitante à matéria em discussão. 

Programa
1. Relações entre empresas, sistemas educativos e escolas públicas
2. Abordagem estratégica das empresas na escola pública: a publicidade
3. Implicações dessa abordagem no aliciamento para o consumo e na protecção de dados dos alunos e das suas famílias
4. Responsabilidade dos educadores na formação dos alunos e na sua protecção

Um dos conferencistas convidados, Mário Frota, para sintetizar a sua intervenção leu um poema de Carlos Drummond de Andrade com a ênfase que merece por parte de quem é professor e vê a investida das empresas na escola, incentivada pelas políticas internacionais e legitimada pelas políticas nacionais. O poema foi este:

EU, ETIQUETA 

Em minha calça está grudado um nome 
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida 
que jamais pus na boca, nesta vida. 
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés. 
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência, 
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda,
ainda que a moda seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional
ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comparo,
tiro glória de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora 
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar cada
vinco da roupa
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto 
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente. 

Andrade, C.D. (1989). Obra poética. Lisboa: Publicações Europa-América (vol. 4-6).

"Grandes convenções dramáticas: o Frei Luís de Sousa e a tradição clássica"

No próximo dia 29 de Maio realiza-se a quinta e última conferência do Ciclo de Conferências Desfiando o passado: A antiguidade greco-latina em contínua presença, promovida pela Associação de Professores de Latim e Grego. Vale a pena assistir.

Gigantes desportivos: competência, coragem e talento político para reformar o desporto português

Publicamos mais um texto do leitor Fernando Tenreiro, que agradecemos.

O filme Hidden Figures apresentado na SIC, a 12mai2019, trata das vicissitudes que mulheres de raça negra, licenciadas em matemática, tiveram de passar para se afirmarem com sucesso no projecto inovador da NASA de colocar astronautas americanos em órbita da Terra, de os enviar à Lua e de os trazer de volta.

A cena do filme que interessa a este artigo, passa-se em 1961 quando se discutia na NASA a amaragem da cápsula de John Glenn no oceano Atlântico, depois de um período no espaço em que daria algumas voltas à Terra. O responsável da Marinha refere que não lhe podem pedir para cobrir todo o oceano e necessitava que lhe garantissem que a chegada da cápsula com o astronauta ao oceano aconteceria num determinado local com 50 quilómetros quadrados. Dado que na enorme mesa ninguém tinha a resposta o director Harrison (o actor Kevin Costner) entrega um giz e pede à matemática Katerine Goble (a atriz Taraji Henson) que explique a todos como a operação decorrerá.
Katerine Goble dirige-se a um quadro e enuncia que tomando as Bahamas como local de amaragem, a decisão de John Glenn continuar a órbita ou de a abortar voltando à terra teria de se decidir a 5 km de distância. Com o giz escreve a equação, considerando a velocidade da cápsula de 28.234 km por hora desde que chegara ao espaço, o ângulo de descida, a gravidade terrestre, a velocidade de reentrada na atmosfera, etc., que assegurava a chegada da cápsula à latitude X e à longitude Y das Bahamas como solicitado para os 50 km2 aonde estariam os navios e os helicópteros que recolheriam a cápsula e o astronauta.

Os gigantes americanos

Nas palavras do director Harrison, o projecto integrou gigantes que colocaram os norte-americanos a orbitar a Terra, irem à Lua e a voltarem sãos e salvos. Os gigantes incluiriam o Presidente Kennedy que definiu o objectivo de chegar à Lua e as metas de orbitar a Terra com os seus aparelhos e de lá colocar um astronauta em resposta ao competidor directo na corrida espacial, a União Soviética. Entre outros, os gigantes foram as matemáticas de raça negra que demonstraram estar à altura dos desafios que a NASA tinha de resolver e acima do que era pedido aos seus colegas brancos. Outra característica do projecto americano em relação ao desporto português é a disponibilização de meios financeiros e organizacionais com o envolvimento de vários departamentos do Estado, Segurança, Marinha, informática, ciência, etc.

A corrida espacial tal como os Jogos Olímpicos são desafios sublimes que os países investem para afirmarem a excelência da sua Nação, dos seus povos, dos seus regimes políticos, da sua economia e da sua cultura, entre outros desígnios fundamentais.

A história dos Jogos Olímpicos está cheia das palavras e do arrojo dos políticos e das suas Nações que se afirmam pelo querer inquebrantável e a determinação de os usar como elo de formação e maturação das nacionalidades.

No caso recente do Reino Unido existe um percurso de política pública desportiva com várias décadas de investimento no melhoramento das instituições de todo o seu desporto o que elevou a sua produtividade olímpica a níveis que nenhum outro grande país mundial alcançou de 1 milhão de habitantes por medalha conquistada, quando a média dos grandes países se situa entre os 2 e os 3 milhões de habitantes por medalha, e que agora chega à final da Liga dos Campeões de futebol com os 2 finalistas.

A órbita baixa do desporto português

Os líderes do desporto nacional não quantificam a produção nem determinam uma meta temporal. A figura 1 mostra a performance desde início dos Jogos Olímpicos de verão em 1896 dos países da dimensão de Portugal e mais pequenos. A figura 2 compara a evolução de Portugal com outros países que têm menos décadas de participação nos Jogos Olímpicos.
A figura 1 é construída com as medalhas olímpicas dos primeiros, segundos e terceiros lugares acumulados por países europeus de micro dimensão, com menos de 5 milhões de habitantes, por países de dimensão pequena entre 5 milhões de habitantes e 8 milhões de habitantes e por países de média dimensão entre os 8 milhões de habitantes e menos de 20 milhões de habitantes. Não são considerados na figura 1, os grandes países com mais de 20 milhões de habitantes.

Figura 1
A participação nos Jogos Olímpicos de 1896 a 2016 dos países do ocidente europeu (Fonte: Tenreiro, F.?

Formam-se 3 grupos países: o grupo 1 da produtividade menor na conquista de medalhas olímpicas; o grupo 2 da produtividade média; e, o grupo 3 da produtividade superior. A figura 1 identifica a dimensão populacional dos países da amostra em micros, pequenos e médios.
No grupo 1 da menor produtividade Portugal é um país médio com 10 milhões de habitantes e conquistou o menor número de 24 medalhas entre todos os países considerados. Neste grupo junta-se a Irlanda, um país micro com menos de 5 milhões de habitantes, que conquistou 31 medalhas. No grupo 2 da produtividade média encontra-se a Áustria com 95 medalhas que pertence ao grupo dos países que tem até 200 medalhas acumuladas e a que pertencem a Bélgica, Noruega, República Checa, Suíça e Dinamarca. O grupo 3 dos países de produtividade superior varia entre as cerca de 300 medalhas conquistadas e as 50 medalhas e integra a Holanda, a Finlândia, a Hungria e a Suécia que é a campeã.

A conclusão da figura 1 é que os países mais pequenos do que Portugal como a Finlândia, a Dinamarca, a Noruega e a Irlanda ganharam ao longo dos 100 anos de participação olímpica mais medalhas do que Portugal não consegue produzir.

Todos os países foram e estão a ir-se embora e o desporto nacional ficará sozinho

A análise dos países que tiveram uma transformação de regime político demonstra que o nível de acumulação das medalhas mesmo nos países mais pequenos com menos de 5 milhões de habitantes é superior à produtividade olímpica de Portugal.

A figura 2 apresenta os países que começaram a participar a partir da transformação do seu regime político. A República Checa que pertence ao grupo dos países que conquistaram até 200 medalhas resulta da divisão da Checoslováquia em República Checa e Eslováquia. Verifica-se que apesar da divisão do país, o declive da conquista das medalhas é equivalente antes e depois da passagem do regime soviético para o democrático.

Figura 2 
A participação nos Jogos Olímpicos de 1896 a 2016 dos países do leste europeu (Fonte: Tenreiro, F)
No caso de Portugal e de Espanha o ano de 1976 marca os últimos Jogos Olímpicos em que os resultados são aproximados. Depois desses Jogos Olímpicos a inclinação da curva de Espanha é igual às curvas da República Checa e da Eslováquia e sugerem a existência de um padrão de sucesso.
Países como a Ucrânia e a Bielorrússia depois da saída da URSS passam a acumular medalhas com médias elevadas de conquista de medalhas. O grupo mais interessante é o dos países micro com menos de 5 milhões de habitantes, como a Croácia, a Estónia, a Geórgia, a Eslovénia e a Lituânia, que se tornam independentes no início da década de 90 e têm níveis de produtividade que lhes permitem em 7 Jogos Olímpicos ultrapassar Portugal que possui mais de 10 milhões de habitantes e compete nos Jogos Olímpicos desde 1924.

A conclusão da figura 2 sugere que Portugal deveria conquistar a média de medalhas dos países que possuem uma dimensão populacional equivalente ao país. Os países europeus médios entre os 8 milhões de habitantes e os 20 milhões de habitantes têm uma média de 7 medalhas por Jogos Olímpicos. Este indicador permitiria ao desporto nacional comportar-se ao nível de todos os países europeus e duplicar o seu número de medalhas em 3 Jogos Olímpicos, em vez de esperar que passem mais 100 anos de produtividade medíocre.

A produtividade olímpica de Portugal é inaceitável

O quadro abaixo divide na coluna 1 os países europeus pela produtividade: os países eficientes e os ineficientes. Na coluna 2 os países são qualificados dividindo a sua população pelo número de medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.


Começando pelos países com eficiência produtiva:

• Os países mais pequenos precisam de 500 mil habitantes para conquistar uma medalha e que esses países têm na sua maior parte menos de 5 milhões de habitantes.
• Seguem-se os países que necessitam de 1 milhão de habitantes para produzirem uma medalha e que na sua maior parte são países de dimensão média, a dimensão de Portugal. Estes países também são maioritários no agrupamento seguinte da produtividade de 1,5 milhões por medalha.
• Entre os 2 e os 3 milhões de habitantes por medalha estão os grandes países.

O grupo dos 6 milhões de habitantes por medalha olímpica corresponde a níveis de ineficiência produtiva que se poderá qualificar de ineficiência baixa. No nível seguinte de ineficiência alta está a Áustria e Portugal. A Áustria é um país que já conquistou 95 medalhas olímpicas e que recentemente atravessa uma baixa de produtividade. Portugal pode ter a média de produtividade olímpica que quiser, não pode é não ter uma política pública desportiva em negação como actualmente acontece com o silêncio absoluto dos parceiros desportivos.

À política pública do desporto nacional falta a produtividade de nível europeu

Em Portugal os Governos decidem habitualmente continuar a frágil actividade desportiva e nunca decidem cortar com essa rotina e investir na prática generalizada de desporto pela população e na conquista de medalhas entre outros indicadores de sucesso desportivo.

O desporto português necessita de um momento fundacional por parte de um alto responsável público que proclame uma “palavra”; um discurso; uma decisão; um programa; um projecto; uma Visão; uma paixão (Guterres dixit); uma motivação de política pública nacional de resposta a um resultado desportivo de excepção, etc. etc. etc.

As selfies com os campeões desportivos ocasionais são seiva populista de quem cala a política pública desportiva e cavalga o almoço grátis no camarote!

O acto de política pública desportiva teria de ser mais poderoso do que o que gerou a antiga Lei de Bases do Sistema Desporto em 1990 e que colocou o desporto nacional num contexto superior ao passado de décadas de ordenamento jurídico corporativo ou o que se candidatou e criou o campeonato europeu de futebol, Euro2004. Houve limitações que levaram à jurisdicionalização do direito desportivo e actualmente destroem o desporto e houve limitações por ocasião do Euro2004 que se evidenciaram no fracasso relativo em Pequim2008 e desde então se agravaram. A vitória no campeonato europeu de 2016 em França foi um magnífico e belíssimo acaso. Deve estar-se ciente que não foi uma consequência das decisões de política pública desportiva e surgiu contra a evidência da catástrofe que se reconhece se passou no Sporting Clube de Portugal e passa mais além endemicamente.

O desporto português mantém-se numa órbita baixa, num limbo pequeno e “orgulhosamente só” que recusa a ciência, a democracia, a solidariedade, a sustentabilidade, o Século XXI, a integridade dos líderes de excepção, o talento ao serviço da política pública desportiva, a competitividade desportiva e a determinação do consenso nacional do que será o desporto para os seus filhos e netos.

Essa órbita baixa suscita interrogações como as seguintes: O que aconteceria se os jovens atletas portugueses em vez de competirem com as más condições nacionais competissem com as condições dos restantes países europeus? Uma pergunta melhor é: que resultados desportivos seriam produzidos pela juventude portuguesa se tivesse as mesmas condições da juventude de todos os outros países europeus, em vez das condições cronicamente medíocres da política pública desportiva que lhe são oferecidas pelo Estado português?

O que receiam ou esperam os políticos portugueses do desporto nacional?

Fernando Tenreiro,
economista, fjstenreiro@gmail.com, linda-a-velha,
25mai2019

sexta-feira, 24 de maio de 2019

EINSTEIN E AS ABELHAS


Fiz uma curta intervenção no Jornal das Oito da TVI do dia 22 de Maio (peça que começa no minuto 34), dia do apicultor, desmentindo que Einstein alguma vez tenha dito que, se as abelhas desaparecessem, a humanidade também desapareceria no espaço de quatro anos. São "fake news", em que se invoca indevidamente uma autoridade da ciência!

Inovações na genómica



Meu artigo na revista "Ter" do ISAVE (Amares):

Hoje em dia a inovação é uma palavra que está constantemente a chegar aos nossos ouvidos. De facto, são as inovações – entendida aqui como a novidade de base científico-técnica com implicações sociais – que nos abrem a porta do futuro. Na área da saúde estão  a ocorrer algumas inovações extraordinárias. Na minha visão, as mais extraordinárias estão a ocorrer  na área da genómica, com a sequenciação completa e a interpretação do genoma humano. As implicações na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças são enormes.

 O genoma humano é a informação hereditária que está contida no ADN dos seres vivos, em particular dos seres humanos. No interior de cada uma das células, em particular as do nosso corpo, reside o “código da vida apenas quatro letras, A, T, G e C, para designar respectivamente  a adenina, timina, guanina e citosina,  que são grupos químicos genericamente chamados bases que se sucedem ao longo do ADN, ácido desoxirribonucleico, uma molécula extensa com a forma de uma dupla hélice. O ADN é conhecido há muito como substância química: foi descoberto pelo médico suíço Friedrich Miescher (1844-1895) em 1871. No entanto, a descoberta da estrutura em dupla hélice da respectiva molécula só veio a ser realizada foi realizada em 1953 pelo físico inglês Francis Crick (1916-2004) e pelo biólogo norte-americano James Watson (n. 1928), que receberam por esse feito o Nobel da Medicina em 1962. A estrutura entrelaçada foi revelada por observações de raios X, conhecidos desde 1895 (talvez a maior contribuição que a Física deu à medicina). De facto, os raios X permitem ver o interior de cristais, como aqueles que são formados por moléculas de ADN bem empacotadas numa rede. A sequenciação ou decifração das letras do ADN demorou um pouco: O bioquímico inglês Frederick Sanger (1918-2013) foi o primeiro, em   1977,  a sequenciar o ADN de um organismo simples, o bacteriófago Phi X 174, que tem 5286 bases, agrupadas em 11 genes (genes são agrupamentos de bases, que contêm a  “receita” de produção de proteínas, as “máquinas-ferramentas” da vida). Esse cientista foi até hoje o único laureado com dois Prémios Nobel da Química: o segundo foi-lhe dado em 1980 precisamente pela sequenciação do referido genoma (a técnica de Sanger ainda hoje se usa). Veio somar-se ao primeiro, que lhe tinha sido dado em 1958 pela revelação da estrutura de uma proteína, a insulina, com base mais uma vez em observações de raios X. Quer a identificação do ADN, quer da sua estrutura, quer a sua decifração foram grandes inovações na bioquímica com implicações na medicina.
”, isto é, registo da nossa identidade biológica escrita com

Mas uma coisa é sequenciar um microrganismo e outra é sequenciar o genoma humano. O Projecto do Genoma Humano, um dos maiores empreendimentos científicos da nossa época, teve lugar entre 1990 e 2003: o seu objectivo consistia em mapear todos os genes do ADN humano e não apenas alguns em locais específicos. O empreendimento incluiu mais de 5000 cientistas, de 250 laboratórios, de vários sítios do mundo. Concluiu que os 23 cromossomas humanos continham cerca de três mil milhões pares de bases, 20 000 genes (menos do que se pensava, há seres vivos com mais genes!), com o total de 800 megabytes de informação, o que corresponde mais ou menos à capacidade  de um vulgar CD (do  total menos de 0,1 por cento é verdadeiramente individual, podendo o resto ser considerado um padrão da espécie humana).

Tremendos desenvolvimentos na bioquímica e na informática permitiram uma enorme queda do preço da sequenciação genómica (ver Figura), o que tem permitido aumentar o número de genomas disponíveis para análise. De 1990 a 2007, na chamada 1.ª geração de sequenciação, o custo de um genoma era de dez milhões de dólares, de 2007 a 2011 decorreu o tempo da 2.ª geração, na qual o custo caiu para 5000 dólares. Finalmente desde 2014 vivemos na 3.ª geração, período no qual a sequenciação do genoma passou a custar menos de 1000 dólares. Hoje ela custa hoje cerca de 700 dólares (foi o custo aproximada da sequenciação do meu genoma), sendo a meta  actual  atingir o preço de cem dólares. Essa meta – uma inovação a coroar outras – parece estar ao virar da esquina. Vai ter implicações na nossa saúde.

O projecto “1000 Genomas” recolheu dados sobre a diversidade genética da humanidade.  Somos diferentes, mas somos também iguais. Com a decifração do genoma humano começou a  estudar-se relação entre genes e doenças ou, nalguns casos, a predisposição para doenças. Se em certas doenças há uma relação inequívoca entre mutações genéticas (alterações nas bases nas cópias que a célula faz ao reproduzir-se) e  enfermidades, noutros casos, a maior parte e a mais interessante, só se pode falar de probabilidades. Algumas variações genéticas em certos sítios proporcionam, ou pelo menos favorecem, o desenvolvimento de algumas doenças, estando a literatura científica a aumentar com nova informação sobre essas relações.  As aplicações estão à vista. Por vezes a informação genética pode medir a medidas radicais de prevenção: a actriz norte-americana Angelina Jolie fez uma mastectomia total por ter uma probabilidade, baseada na análise genómica, de uma probabilidade de 80% de ter cancro da mama. Uma das aplicações mais promissoras dá pelo nome de farmacogenómica: a dose de alguns fármacos deve ser adequada ao perfil genético de cada pessoa, pois cada indivíduo metaboliza a um ritmo diferente do de outros Novas tecnologias, designadamente na área da nanotecnologia, prometem baixar ainda mais o preço da sequenciação e assim permitir a acesso a este tipo de tecnologia por parte de mais pessoas. Tais tecnologias somam-se a avanços na área do software, que permitem tratar grandes quantidades de dados, recorrendo por exemplo à inteligência artificial. A ideia consiste em aprender sobre a nossa saúde à medida que o tratamento de a quantidade de dados avança.

Não é arriscada a previsão de que a genómica desempenhará no futuro um papel muito maior do que hoje, quando se estão a generalizar as análises genéticas. No futuro, as buscas devidamente autorizadas a bases de dados, que contêm a informação genómica total de vários indivíduos, deverão substituir os testes genéticos actuais, que se destinam a obter informações sobre sítios precisos do genoma. A vantagem é que a sequenciação completa se faz uma só vez, podendo vir a ser usada ao longo da história clínicas das pessoas cuja informação está lá guardada.  Os médicos tomarão decisões cada vez mais ajudados por máquinas. Existem decerto questões éticas, legais, económicas e políticas sobre a utilização de dados genómicos. Colocam-se hoje novas questões, que têm necessariamente de ser informadas pela ética, relativas não só ao uso de dados genéticos, mas também às possibilidades de edição genética. Com efeito, recentemente um médico chinês anunciou que tinha usado uma nova técnica, o CRISPR (do inglês Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), para fazer um certo tipo de melhoramento genético de embriões humanos, sem existir uma base legal para o procedimento.  Estas questões dizem respeito a todos, não podendo ser deixadas a cientistas, engenheiros, gestores ou políticos. São questões que têm  de ser decididas por todos. Convém por isso que a sociedade tenha acesso a informação adequada.


UMA DÉCADA DO ARTES



Meu texto que saiu no último número do "Artes", abreviatura da revista cultural "As Artes entre as Letras", que acaba de fazer 10 anos:

Dez anos não é um tempo pequeno. Como o tempo médio de vida humana é inferior a cem anos, é uma parte substancial das nossas vidas. Nos meus últimos dez anos, tal como os meus contemporâneos, pude beneficiar da leitura de “As Artes entre as Letras” (ou só “Artes”), o jornal cultural com sede no Porto que tem espelhado as artes e as letras de todo o país e do mundo. Graças ao amável convite da Nassalete Miranda, estive no projecto desde o seu início quer no Conselho Editorial quer como colaborador regular. Orgulho-me, por isso, de ter ajudado ao crescimento da criança que viu a luz do dia em Maio de 2009 e que agora passa na idade  a ter dois dígitos.
Há sempre uma história antes da história. E o jornal que agora está de parabéns encontra os seus antecedentes no suplemento cultural “Das Artes Das Letras” de longa e muito rica tradição (data de 1942) do “Primeiro de Janeiro”, o periódico que a Nassalete diligentemente dirigiu entre 2000 e 2008. Pois eu também colaborei nesse suplemento de boa memória. Foi aí aliás que fui treinando a escrita que depois se foi espraiando por outros sítios. Estou naturalmente grato pela oportunidade que a sempre jovem directora me proporcionou, dando espaço a um jovem  desconhecido. Eu fui feliz por poder escrever num jornal que me tinha acompanhado na infância, desfrutando dos desenhos do Príncipe Valente. Foi um editor valente – Guilherme Valente – com quem eu já colaborava, na Gradiva, que me pôs em contacto com a Nassalete. Para mim, entre os dois jornais culturais, vão quase vinte anos de colaboração.

Por que é que tenho ajudado a juntar a ciência às artes, ou melhor à cultura, primeiro no “Das Artes Das Letras” e depois no “As Artes entre as Letras”? Pela simples razão simples de que a ciência faz parte da cultura, que não é só feita de artes e letras. Depois da polémica das “duas culturas” de C. P. Snow, ainda há quem julgue que a ciência é uma cultura e que as artes e humanidades são outra, estando as duas separadas. Mas não, são ambas partes da mesma cultura, sendo múltiplas as ligações entre elas que devem ser enfatizadas. A ciência tal como a arte é um impulso humano, é uma tentativa de descobrir, de conhecer.  A ciência tal como a arte exige imaginação, sonho, criatividade. A ciência tal como a arte pretende fazer sentido, ligar coisas que estavam antes separadas, revelar a unidade do mundo.

Nos aniversários costumam-se desejar muitos anos de vida. Se tudo correr como esperamos, a o “Artes” vai continuar, tem de continuar. O  jornal  ganhou um lugar indiscutível no nosso panorama cultural. Não são muitos os jornais que reúnam o ensaio e o comentário nas mais várias formas da cultura com a própria criação artística me literária, ao mesmo tempo que acompanham a actualidade cultural. Fazem muita falta, pelo que é preciso defendê-los. Desejo, por isso, que a Nassalete Miranda e a sua excelente equipa consigam, neste tempo nada fácil em que a cultura ainda é vista pelos poderes instituídos como uma coisa de somenos, prolongar a infância do “Artes” numa adolescência feliz. No mínimo, mais outros dez anos.

NÃO HÁ PLANETA B

Para vergonha dos governantes de todo o mundo, rendidos ao poder da alta finança, os adolescentes de todo o mundo, lutam, unidos, em defesa do seu futuro.

Quem estudou ou estuda geologia, ainda que a nível básico, sabe que, ao longo dos milhões de anos da história da Terra, houve várias crises planetárias de naturezas diversas (megaimpactos meteoríticos, intenso vulcanismo, variações do clima e do nível do mar e outras que ignoramos) de que resultaram extinções, à escala do planeta, de grande número de espécies, uma das quais, a mais divulgada, há cerca de 65 milhões de anos, pôs fim a cerca de dois terços das espécies de então, entre as quais os dinossáurios. Sabe também que, a seguir a essas crises, novas espécies surgiram adaptadas às novas condições ambientais.

O Homem, feito dos mesmos átomos de que são feitas as estrelas, os minerais, as plantas, os outros animais e tudo o mais que existe, é matéria que adquiriu complexidade tal que se assumiu com capacidade de se interrogar, de se explicar e de intervir no seu próprio curso e no do ambiente onde foi “fabricado”. Ele é um estado que julgamos ser o mais avançado da combinação dessa mesma matéria, capaz de pensar e fazer aquilo a que chamamos Ciência, isto é, observar, descrever, relacionar, explicar, induzir, prever.

O Homem, na sua possibilidade de adquirir conhecimento e de o transmitir, de criar religiões e as mais diversas formas de arte, é a manifestação mais elaborada da realidade física do mundo que conhecemos, na qual foi consumida a totalidade do tempo do universo, estimado em cerca de 3 800 milhões de anos.

Assim, a Ciência, através do Homem, pode ser entendida também como expoente máximo da matéria que se questiona a si própria. Pode dizer-se que a Natureza “pensa” através do cérebro humano e, com igual razão, pode aceitar-se que o Homem deu voz à Natureza.

Tais capacidades colocam-nos a nós, humanos, numa posição de grande vantagem entre os nossos pares no todo natural. Mas teremos nós o direito de gerir a Natureza apenas em nosso proveito, agredindo-a como tem sido regra, sobretudo a partir da Revolução Industrial, no séc. XIX, com intensidade exponencialmente crescente e alarmante nos dias de hoje?

A Terra, no quadro em que se nos apresenta nos dias que estamos a viver, é o resultado de um sem número de agressões sofridas ao longo da sua velhíssima história, a que se junta a que, todos os dias em vão, tem vindo a ser denunciada pelos cientistas.

A Terra, sabemos hoje, é um corpo que se autorregula e, como tal, sempre soube encontrar resposta a todas essas agressões e vai, sem dúvida, continuar a fazê-lo. Os danos que lhe estamos a causar, no mau uso que dela fazemos, é mudar-lhe as condições que nos são favoráveis e que bem conhecemos, dando origem a outras, já previstas pela ciência, que nos serão adversas.

Assim, ao atentarmos contra a Natureza, estamos, certamente, a atentar também contra nós contra a humanidade, contra, já, aos milhões de crianças que, como a pequena sueca Greta Thunberg, desfilam em milhares de cidades do mundo, a lembrarem que não há planeta B. Acaso deixou de existir mundo natural aquando das grandes extinções em massa?

Numa ânsia desenfreada de lucro e de prazer, a civilização industrial incontrolada está a caminho de nova extinção em massa (todos os dias somos alertados sobre espécies extintas e em via de extinção) que, certamente, nos vitimará também.

Porém, o planeta – e os geólogos têm consciência disso – irá prosseguir, mesmo sem a inteligência do Homem, e acabará por encontrar novos caminhos, em obediência apenas às leis da física, incluindo as do acaso, podendo voltar a ensaiar um outro ser inteligente ou, até, mais inteligente do que esta versão moderna, egoísta e estúpida do Homo sapiens, que somos nós.

Para tal só necessita de tempo, de muito tempo, e isso não lhe irá faltar, uma vez que estimamos em mais cinco a seis mil milhões de anos a sua existência como planeta, até que o Sol, na sua evolução como estrela, nos envolva num imenso brasido.
A. Galopim de Carvalho

UM CAMINHO CURRICULAR PARA A FORMAÇÃO HUMANISTA?

Entenda-se este texto não como um elogio acrítico a uma nova escola de iniciativa privada, mas como uma reflexão acerca da estrutura curricu...