segunda-feira, 10 de julho de 2017
Posfácio: O que Weyl não podia saber
Meu posfácio ao livro Simetria, de Hermann Weyl, que acaba de sair na colecção Ciência Aberta da Gradiva, inaugurando uma nova subcolecção, a dos Grandes Clássicos:
As afirmações matemáticas, uma vez demonstradas, são eternas. Já as ciências físico‑naturais, embora se exprimam matematicamente, progridem à medida que se descobre a natureza. Tendo Hermann Weyl escrito o seu livro Simetria em 1951, não podia saber o que a ciência dos 66 anos seguintes haveria de trazer. As descobertas nesse domínio foram muitas e extraordinárias. Se, em 1951, a simetria era já um tema central da ciência, porque se trata de um tema central da natureza — quer as simetrias mais evidentes, como as dos cristais ou dos seres vivos, quer as mais escondidas, como as que subjazem às leis fundamentais da física — , hoje em dia é‑o ainda mais. Resumo aqui o essencial do que se ficou a saber em física e química sobre aplicações da simetria nos tempos pós‑Weyl (o grande matemático suíço faleceu, de ataque cardíaco, em 1955, escassos três anos após a publicação deste livro e poucos meses depois da morte de Albert Einstein). Por falta de espaço e de competência, não falo dos avanços das aplicações da simetria nas ciências
naturais e na biomedicina.
Weyl escreveu, a propósito da tentativa naïf de Johannes Kepler de ver uma ordem geométrica no sistema solar: «Já não procuramos a harmonia em formas estáticas como os sólidos regulares, mas antes em leis dinâmicas.» De facto, tem sido cada vez mais assim. Em 1954 os físicos teóricos chinês Chen‑Ning Yang e americano Robert Mills propuseram uma classe de teorias quânticas de campos baseadas em simetrias locais (teorias ditas de gauge ou de «invariância de calibre»). Essa ideia veio a revelar‑se extremamente frutuosa. Hoje em dia, as teorias de três forças fundamentais
— electromagnética, força nuclear fraca e força nuclear forte — , são todas elas desse tipo, quer dizer, existe uma descrição unificada dessas forças no quadro do chamado «modelo‑padrão». A força electromagnética e a força nuclear fraca foram nos anos 60 e 70 unificadas na chamada «força electrofraca» graças aos trabalhos dos físicos teóricos americanos Sheldon Glashow e Steven Weinberg e do físico teórico paquistanês Abdul Salam, reconhecidos pelo Prémio Nobel da Física em
1979 após as suas previsões de existência de bosões W e Z, análogos aos fotões da força electromagnética, terem sido confirmaadas no CERN, o grande laboratório europeu de física de partículas nos arredores de Genebra, na Suíça. Por seu lado, a força nuclear forte é também
descrita por uma teoria congénere, a cromodinâmica quântica. As partículas (bosões) que correspondem à quantificação desses campos de forças são, portanto, manifestações de simetrias.
Além dessas simetrias ditas locais, uma vez que existe uma propriedade de invariância em cada ponto do espaço, existem também algumas importantes simetrias ditas globais. Em 1956, o mesmo Chen‑Ning Yang e o físico teórico sino‑americano Tsung Dao Lee propuseram que a simetria bilateral ou de reflexão do espelho abordada no início deste livro, dita simetria P (de paridade), fosse testada para a força nuclear fraca, uma vez que já tinha sido testada para todas as outras forças. Em 1957 a física experimental sino‑americana Chien‑Shiung Wu descobriu que a força nuclear fraca violava a simetria da paridade. Quando se pensava que a combinação da simetria de carga (C), a simetria de troca de carga que faz a matéria passar a antimatéria, e da simetria P, a chamada simetria CP, poderia funcionar, os físicos experimentais americanos James Cronin e Val Fitch descobriram, em 1964, analisando o decaimento de partículas neutras chamadas «caões», que a simetria CP também é, tal como a P, violada nas interacções fracas. Como se sabia que a simetria total CPT, com T a simetria de inversão no tempo (que troca futuro e passado), tem de ser respeitada por qualquer interacção, concluiu‑se que T é também violada nas interacções fracas. Não se trata da violação da simetria no tempo observada à escala macroscópica, que nos permite distinguir o futuro do passado. Trata‑se antes de uma violação a uma escala microscópica, que não pode deixar de nos surpreender. A violação CP, que valeu o Prémio Nobel da Física a Cronin e Van Fitch em 1980, deve estar relacionada com o desequilíbrio que se verifica no universo entre matéria e antimatéria.
Se as partículas que medeiam as forças (bosões) são descritas com base em simetrias, o mesmo se passa com as partículas de matéria (fermiões). Tentando solucionar o enigma da proliferação de partículas, obtidas em aceleradores de partículas, que não podiam ser todas elementares, os físicos teóricos americanos Murray Gell-Mann e George Zweig, este de origem russa, propuseram em 1961, com base na teoria de grupos, a teoria matemática que descreve as simetrias descritas sumariamente neste livro, a existência de três partículas elementares subjacentes às partículas compostas que se
relacionam entre si por forças nucleares fortes (como o protão e o neutrão, partículas do núcleo atómico). Essas partículas ficaram conhecidas por quarks, de uma palavra do romance Finnegans Wake, de James Joyce. Tal como aconteceu com a tabela periódica, de Mendeleev, a teoria de Gell‑Mann– Zweig tinha um carácter predictivo: permitiu identificar uma partícula nova feita de quarks, que era uma combinação teoricamente possível que faltava observar. Graças à sua intuição da existência dos quarks, Gell‑Mann ganhou sozinho o Nobel da Física de 1969. A acima referida violação da simetria CP em interacções fracas teve como consequência a previsão da existência de um quinto quark, encontrado em 1995 no Fermilab, em Chicago, nos Estados Unidos. Hoje são conhecidos seis quarks.
A violação de simetria é tão importante como a simetria. Os físicos cedo se inquiriram sobre a razão por que os bosões da força nuclear fraca tinham massa (sendo a massa dos W diferente da do Z). O campo de Higgs foi proposto cerca de 40 anos antes, em 1964, pelo físico teórico britânico Peter Higgs, quase ao mesmo tempo que o seu colega belga François Englert e outros, precisamente para descrever a violação espontânea de simetria em teorias de Yang‑Mills. Hoje o bosão de Higgs, ou simplesmente Higgs, é famoso, após ter sido descoberto no CERN em 2012. A descoberta no CERN valeu o prémio Nobel da Física a Higgs e Englert em 2013.
A simetria continua a ser actualmente um dos temas centrais da física de partículas. Uma ideia muito apreciada pelos físicos dessa comunidade é a de supersimetria, que permite trocar as partículas de matéria (fermiões) e as partículas de campo (bosões). Propõe o aparecimento de novas partículas, que as buscas do CERN ainda não revelaram, apesar dos esforços intensos nos últimos anos, e que as observações astronómicas também ainda não mostraram, apesar de haver indicações da existência de matéria negra, uma matéria com massa mas que não emite luz, que ninguém sabe bem o que é. A moderna teoria das cordas persegue o sonho de Einstein de unificar as forças fundamentais numa só, que terá reinado no início do Big Bang. Einstein tentou, sem sucesso, unificar a força electromagnética com a gravidade. Depois da unificação da força electromagnética com a força fraca e com a força forte, falta ainda, para a almejada unificação final, a descrição da gravidade por uma teoria de gauge. Ora a teoria das cordas, da qual existem várias versões, é uma teoria supersimétrica que responde a esse desiderato. A sua confirmação experimental parece, porém, extremamente difícil.
No domínio muito mais terreno da matéria sólida, uma das maiores descobertas dos últimos tempos é a dos quase‑cristais. Foi seu autor o físico experimental israelita Dan Shechtman, que recebeu por essa descoberta o Prémio Nobel da Química em 2011. Weyl afirma neste livro que, «apesar de a simetria pentagonal ser frequente no mundo orgânico, o mesmo não acontece no mundo inorgânico e nas suas criações simetricamente perfeitas, os cristais». Contudo, um preenchimento de uma forma não periódica do plano por certos polígonos com esse tipo de simetria foi entretanto investigado pelos matemáticos e encontrado na natureza por Shechtman. O químico americano Linus Pauling, prémio Nobel da Química e da Paz, afirmou uma vez que «não há essa coisa dos quase–cristais, há apenas quase‑cientistas». Afinal estava enganado...
Outra descoberta importante foi a que fez o físico irlandês Dennis Weaire e um seu aluno em 1993 mostrando que havia uma solução melhor para o enchimento do espaço por sólidos do que aquela conjecturada por Lorde Kelvin de que fala este livro.
Por último, na matemática, a teoria de grupos continua em franco desenvolvimento. Um desses desenvolvimentos foi a descoberta em 1980 do «grupo monstro», o maior dos 26 «grupos simples esporádicos», um grupo a 196 883 dimensões (daí o nome!), encontrado num esforço de classificação exaustiva dos «grupos simples». Como a física é íntima da matemática, não admira que algumas versões de teoria das cordas já tenham encontrado pontes para esse grupo... Um outro desenvolvimento matemático notável, iniciado nos anos 80, foi a proposta da geometria fractal pelo matemático franco‑americano de origem polaca Benoît Mandelbrot: os objectos fractais, muito comuns na natureza, exibem simetria de auto‑semelhança, isto é, partes cada vez mais pequenas do objecto são semelhantes ao todo.
O físico teórico americano Philip Anderson, Prémio Nobel da Física em 1977, especialista em simetrias de materiais, escreveu de forma lapidar que «é apenas um pequeno exagero afirmar que a física é o estudo da simetria». A simetria está mesmo por todo o lado no mundo!
Para saber mais
Na colecção «Ciência Aberta», da Gradiva, há vários livros que tratam temas relacionados com simetrias: Heinz Pagels, O Código Cósmico (n.º 10); Manfred Eigen e Ruthild Winkler, O Jogo (n.º 28), Heinz Pagels, Simetria Perfeita (n.º 39); Paul Davies, Superforça (n.º 24); Abdus Salam, Paul Dirac e Werner Heisenberg, Em Busca da Unificação (n.º 50); Steven Weinberg, Sonhos de Uma Teoria Final (n.º 81); João Varela, O Século dos Quanta (n.º 83); Murray Gell‑Mann, O Quark e o Jaguar (n.º 86); Stephen Hawking, A Teoria de Tudo (n.º 186); Stephen Hawking e Leonard Mlodinow, O Grande Desígnio (n.º 188); Richard Feynman, QED (n.º 213). Na colecção «O Prazer da Matemática», da mesma editora, ver David W. Farmer, Grupos e Simetria (n.º 24).
quinta-feira, 6 de julho de 2017
"O cidadão de sucesso", produto da escola do século XXI
Foi ontem publicado em Diário da República o despacho que "autoriza, em regime de experiência pedagógica, a implementação do projeto de autonomia e flexibilidade curricular dos ensinos básico e secundário, no ano escolar de 2017-2018". É o Despacho n.º 5908/2017 do Gabinete do Secretário de Estado da Educação (ver aqui e aqui).
Trata-se de um extenso documento em cujo preâmbulo - que abaixo transcrevo - se esclarece a actual orientação da educação escolar em Portugal.
Orientação, de resto, em tudo semelhante à que vinha a ser seguida, sobretudo depois das reformas de 2001 (para o ensino básico) e de 2004 (para o ensino secundário). Também em tudo semelhante às de reformas de países que, como o nosso, reconhecem legitimidade à OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - para determinar o rumo dessa educação.
Nada de inovador, portanto... Com excepção da expressão "cidadão de sucesso", que, devo dizer, desconhecia. Interpreto-a como a inevitável alusão ao tal "homem novo do século XXI", de que toda a gente fala.
Trata-se de um extenso documento em cujo preâmbulo - que abaixo transcrevo - se esclarece a actual orientação da educação escolar em Portugal.
Orientação, de resto, em tudo semelhante à que vinha a ser seguida, sobretudo depois das reformas de 2001 (para o ensino básico) e de 2004 (para o ensino secundário). Também em tudo semelhante às de reformas de países que, como o nosso, reconhecem legitimidade à OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - para determinar o rumo dessa educação.
Nada de inovador, portanto... Com excepção da expressão "cidadão de sucesso", que, devo dizer, desconhecia. Interpreto-a como a inevitável alusão ao tal "homem novo do século XXI", de que toda a gente fala.
"O XXI Governo Constitucional assume a educação como um meio privilegiado de promover a justiça social e a igualdade de oportunidades, constituindo um dos princípios que enformam a sua política a promoção de um ensino de qualidade e sucesso para todos os alunos ao longo dos 12 anos de escolaridade obrigatória.
A promoção de um ensino de qualidade implica garantir que o sucesso se traduz em aprendizagens efetivas e significativas, com conhecimentos consolidados, que são mobilizados em situações concretas que potenciam o desenvolvimento de competências de nível elevado, que, por sua vez, contribuem para uma cidadania de sucesso no contexto dos desafios colocados pela sociedade contemporânea.
O conjunto de competências inscritas nas propostas de perfil de aluno no final da escolaridade obrigatória que têm vindo a ser apresentadas em Portugal e nos mais variados fóruns internacionais abarca competências transversais, transdisciplinares numa teia que interrelaciona e mobiliza um conjunto sólido de conhecimentos, capacidades, atitudes e valores.
O cidadão de sucesso é conhecedor, mas é também capaz de integrar conhecimento, resolver problemas, dominar diferentes linguagens científicas e técnicas, coopera, é autónomo, tem sensibilidade estética e artística e cuida do seu bem-estar.
A operacionalização do perfil de competências que acaba de se referir implica intencionalidade e ação educativa conducente ao desenvolvimento das áreas previstas.
De igual modo, sabendo-se que a diferenciação pedagógica é um dos principais instrumentos para garantir melhores aprendizagens é fundamental que as escolas tenham à sua disposição instrumentos que lhes permitam gerir o currículo de forma a integrar estratégias para promover melhores aprendizagens em contextos específicos e perante as necessidades de diferentes alunos.
Para cumprir este desiderato de promoção de melhores aprendizagens indutoras do desenvolvimento de competências de nível mais elevado, o Governo inscreveu no seu Programa orientações para a concretização de uma política educativa que, assumindo a centralidade das escolas, dos seus alunos e professores, permita a gestão do currículo de forma flexível e contextualizada, reconhecendo que o exercício efetivo de autonomia em educação só é plenamente garantido se o objeto dessa autonomia for o currículo.
Tradicionalmente, os instrumentos de autonomia das escolas não incluem a área central de atuação das escolas, isto é, a autonomia no desenvolvimento curricular.
Conferir às escolas a possibilidade de participar no desenvolvimento curricular, estabelecendo prioridades na apropriação contextualizada do currículo e assumindo a diversidade ao encontrar as opções que melhor se adequem aos desafios do seu projeto educativo, é sustentar a política educativa na conjugação de três elementos fundamentais: autonomia, confiança e responsabilidade — autonomia alicerçada na confiança depositada em cada escola, enquanto conhecedora da realidade em que se insere, com a assunção da responsabilidade inerente à prestação de um serviço público de educação de qualidade.
Neste enquadramento, e em resultado de um longo processo de auscultação de diversos intervenientes a nível nacional e internacional, com especial enfoque para a participação no projeto Future of Education 2030, da OCDE, bem como para a iniciativa “A Voz dos Alunos”, a construção de um currículo do século XXI, a liberdade de atuação para garantir melhores aprendizagens a todos e o respeito pela autonomia das instituições e dos seus profissionais, passam, necessariamente, por criar as condições que permitam às escolas portuguesas responder com qualidade a estes novos desafios.
A mudança não é, assim, consubstanciada numa vontade de inovar, é, antes, motivada pela valorização das escolas e dos professores enquanto agentes de desenvolvimento curricular, procurando garantir que com autonomia e flexibilidade se alcançam aprendizagens relevantes e significativas para todos os alunos.
Por conseguinte, o presente despacho consagra a possibilidade de as escolas voluntariamente aderirem ao projeto de autonomia e flexibilidade curricular, que define os princípios e regras orientadores da conceção, operacionalização e avaliação do currículo dos ensinos básico e secundário.
Este projeto é aplicado em regime de experiência pedagógica, o que permite um acompanhamento, monitorização e avaliação essenciais à sua reformulação.
Deste modo, o conhecimento real da sua implementação sustentará o processo de revisão do quadro legal, tendo em vista a sua generalização, salvaguardando a sua aplicação gradual."
ALGUMAS NOTAS SOBRE REPRODUÇÃO E CÉLULAS ESTAMINAIS
No próximo dia 11 de Julho, terça-feira, pelas 18h00, realiza-se no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra intitulada “Algumas notas sobre Reprodução e Células Estaminais: Da Investigação à Ética e à Comunicação de Ciência”.
O palestrante será João Ramalho-Santos, Biólogo, Professor do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC).
Esta é a última palestra do ciclo "Ciência às Seis" coordenado por António Piedade.
Resumo da palestra:
"Quando um cientista começa a investigar a prioridade é fazer descobertas, descodificar mecanismos. Por exemplo, como é o que o embrião se desenvolve; como é que as células estaminais conseguem formar vários tipos de células diferentes do organismo; ou se a função de uma célula é ou não reversível. Nesse processo é comum chegar a conclusões fraturantes, demonstrar que o impossível é, afinal, possível. E podemos usar esse conhecimento para melhorar o nosso dia a dia, seja na área da Procriação Medicamente Assistida, seja na Medicina Regenerativa.
Mas são todas as intervenções legítimas? Ou há umas mais eticamente sustentáveis do que outras? E como se pode comunicar ciência para um público não cientista, de modo a criar uma literacia científica mais democrática?"
Palestra destinada ao público em geral.
Link para o evento no facebook
quarta-feira, 5 de julho de 2017
O grande "slogan" da educação mundial
"Temos escolas do Século XIX, para ser simpático,
porque algumas são do Século XVIII,
com professores do Século XX,
para alunos do Século XXI."
Director de uma escola portuguesa, 2017 (em entrevista aqui)
As palavras que lhe dão formam centram-se na premência de construção, na escola, do (tal) "homem novo": o "homem" liberto dessa inutilidade que é o passado e projectado para um presente/futuro repleto de possibilidades.
Esta é, porém, a face mais visível do slogan, pois, à medida que se vai explorando, revela toda uma "filosofia" não sei se complexa se linear, mas marcadamente imbricada, redundante, quando não contraditória, e sobretudo, desconcertante sob o ponto de vista conceptual.
Discuti-lo daria um tratado e um blogue não permite tal. Permite, no entanto, deixar, um apontamento do professor espanhol Ricardo Moreno Castilho, publicado no seu recente livro La conjura de los ignorantes, páginas 118 e seguintes.
"Por muito actuais que as teorias da relatividade e quântica sejam (e é certo que estão constantemente a ser feitas novas descobertas) continua a ser necessário conhecer a teoria de Newton. Em primeiro lugar, porque (...) continua a ter validade e, em segundo lugar, porque sem a entender bem é impossível entenderem-se as teorias posteriores. Por muito antiquada que possa parecer, não há razão para deixar de a estudar (...).
Passemos às humanidades. Já não se devem ler as obras de Sófocles, de Shakespeare ou de Cervantes? E no caso de se lerem, devemos explicá-las à luz das mais modernas correntes da crítica literária, de modo a não nos mostrarmos antiquados ou levar os alunos a aprender a amá-las e a desfrutá-las, como se tem feito sempre? Os bons professores de literatura do século XX aprenderam a gostar de Dom Quixote, que mal tem (...) se transmitirem o mesmo gosto aos seus alunos, do século XXI?
E quanto à história, já não é preciso estudá-la? Se a história é o conhecimento do passado, do que já é antigo, nunca pode tornar-se antiquada (...).
Não podemos adaptar-nos, nem interpretar, nem mudar o mundo em que vivemos se não o conhecermos bem. E o nosso mundo é um palimpsesto escrito sobre o Romantismo, que foi escrito sobre o Iluminismo, que foi escrito sobre a Contra-reforma, que foi escrito sobre o Renascimento, que foi escrito sobre a Idade Média, que foi escrito sobre o mundo latino, que, por sua vez, foi escrito sobre a Grécia, cuja cultura é devedora da egípcia e da suméria.
Só conhecendo o passado podemos conhecer-nos a nós mesmos e ao nosso presente, porque somos o resultado de tudo o que nos precedeu (...).
Somos herdeiros de um imenso caudal de sabedoria que, desde há quase três mil anos, foi guardado com muitas dificuldades (...) e que não se torna obsoleto.
A nós, professores, cabe-nos a difícil e bela tarefa de conservar e transmitir esse legado aos nossos alunos para que também eles possam conhecê-lo, amá-lo e desfrutá-lo.
É um acto de barbárie interceptar esse legado apenas e só para não parecermos estar ancorados no passado e cultivarmos uma imagem de vanguardistas, inovadores e progressitas."
Pseudociência na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (e resposta do respectivo subdirector)
Tive conhecimento da realização na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, de um curso de pós graduação (que já vai na décima edição) de Medicamentos e Produtos de Saúde à Base de Plantas. Até aqui nada de extraordinário, podem-se obter medicamentos a partir de plantas, como é o caso do extracto de salgueiro, que está na origem (depois de uma transformação química) da aspirina (designação comercial do ácido acetil-salicílico, criada pela Bayer). Num contexto de medicina baseada na ciência a origem do medicamento não é muito relevante, desde que a sua eficácia e segurança seja avaliada através de ensaios clínicos metodologicamente robustos.
O que é extraordinário, é que dos conteúdos anunciados para esse curso constam coisas como homeopatia e a aromaterapia.
A homeopatia pura e simplesmente não funciona. Os remédios homeopáticos são preparados a partir de um grande número de diluições seguidas, de tal modo que no final não sobra nada da substância original (que pode ser qualquer coisa, desde abelhas esmagadas a leite de cadela). Claro que há toda uma panóplia de teorias mirabolantes para tentar justificar o injustificável, ou seja que remédios feitos de água e açúcar têm um efeito fisiológico no tratamento e prevenção de doenças. Mas os ensaios clínicos mostram com dureza e sem margem para dúvidas o que são os remédios homeopáticos: placebos. Comprimidos (ou gotinhas) de água e açúcar, que induzem uma sensação de melhoras subjectiva e transitória, decorrente unicamente da expectativa que o paciente tem.
A aromaterapia é uma terapia alternativa que se se baseia na inalação de óleos de plantas, que também não tem provas da sua eficácia para prevenir ou tratar qualquer doença, como mostram as revisões sistemáticas da literatura científica.
Já em 2014 a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa abriu um Curso Avançado em Medicamento Homeopático. A tentação do mercado dos tratamentos que não funcionam é grande. Mas as universidades que queiram ser levadas a sério não devem acolher pseudociência. É certo que o poder político, através de um conjunto de portarias publicados durante o governo de Passos Coelho que definem os conteúdos programáticos de licenciaturas em terapias alternativas, convida as universidades a prostituírem a sua credibilidade. Mas as universidades não devem aceitar.
Tive entretanto conhecimento de uma resposta do sub-director da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, face a comentários que circulam nas redes sociais acerca deste curso de pós-graduação. Transcrevo-a em baixo:
A criação do Curso de Pós-Graduação em Medicamentos e Produtos de Saúde à Base de Plantas foi proposta ao Conselho Científico da Faculdade de Farmácia e ao Senado da Universidade de Coimbra no ano de 2006, para responder às necessidades de formação e de actualização no que respeita, especialmente, aos Medicamentos à Base de Plantas e outros produtos de saúde relacionados. Imediatamente após a sua criação, mereceu o reconhecimento da Ordem dos Farmacêuticos que o creditou para efeitos da formação contínua e renovação da carteira profissional do Farmacêutico.Realizaram-se, até esta data, NOVE edições do curso, todas credoras do reconhecimento dos estudantes que as frequentaram, dos candidatos que as não puderam frequentar e de instituições profissionais e socioprofissionais de reconhecida idoneidade, tais como a Associação Nacional das Farmácias ou a Sociedade Portuguesa de Fitoquímica e Fitoterapia.Decorre o período de candidaturas para a 10ª Edição. Poderão ler-se no edital e nos anúncios de candidatura, entre outras informações e destaques, a justificação do curso, os seus objectivos a estrutura curricular, a duração do curso e respectivo calendário que se transcrevem:Justificação“Os conceitos da utilização de medicamentos e outros produtos de saúde à base de plantas, a estrutura dos seus circuitos de produção e distribuição, em conjunto com o renovado e crescente interesse pela sua utilização vieram impor novos desafios ao farmacêutico.Especialista do medicamento e agente de saúde pública o farmacêutico detém a responsabilidade de responder a todas as solicitações decorrentes da preparação, distribuição, aconselhamento e vigilância do uso de qualquer medicamento, incluindo, obviamente, os medicamentos e outros produtos de saúde à base de plantas, cujas características particulares determinam qualificações diferenciadas relativamente aos restantes produtos do circuito farmacêutico.”Objectivos“Proporcionar conhecimentos científicos multidisciplinares, etnofarmacológicos, fitoquímicos, fitoterapêuticos e tecnológicos que permitam fundamentar a dispensa, aconselhamento, acompanhamento e vigilância terapêutica de medicamentos à base de plantas. “Unidades Curriculares· Etnofarmacologia e Fitoquímica Fundamental· Intervenção Farmacêutica em Fitoterapia· Regulamentos e Legislação· Tópicos da Produção Industrial· Trabalho MonográficoDuração e CalendárioOutubro, Novembro e Dezembro de 2017 (Sextas-Feiras e Sábados,) Horário pós-laboralNum destaque desses prospectos poderá também ler-se a palavra “Homeopatia”. Deverá, contudo, ser entendida no contexto dos objectivos deste curso e não no contexto de prática terapêutica ou de outros, mais ou menos inspiradores de controvérsia.Para que não subsista qualquer dúvida, reitero os objectivos do curso - proporcionar conhecimentos científicos multidisciplinares que permitam fundamentar a dispensa, aconselhamento, acompanhamento e vigilância terapêutica de medicamentos e outros produtos de saúde à base de plantas. É neste contexto que o curso dedica uma aula de 4 HORAS à temática dos medicamentos homeopáticos, leccionada por uma especialista no tema, com currículo profissional inquestionável, médica do Serviço Nacional de Saúde, perita do INFARMED com responsabilidade na avaliação de medicamentos homeopáticos e perita da Agência Europeia do Medicamento.Os medicamentos homeopáticos existem, são produzidos em laboratórios farmacêuticos licenciados, por farmacêuticos e sob a direcção técnica de Farmacêuticos, têm enquadramento regulamentar, são prescritos por quem tem competência para tal (médicos) e são dispensados em Farmácias sob a responsabilidade de Farmacêuticos.A definição de medicamento homeopático pode ser encontrada na Directiva 2001/83/EC ou no Decreto Lei Nº 176/2006 de 30 de Agosto “… medicamentos … obtidos por processos de preparação homeopáticos descritos na Farmacopeia Europeia ou, na sua falta, em Farmacopeia utilizada, de modo oficial, em algum Estado Membro da União Europeia”. A Diretiva 92/73/CEE de 22 de Setembro estabelece para os medicamentos homeopáticos um enquadramento regulamentar semelhante ao dos medicamentos alopáticos, tendo, contudo, em conta as suas características específicas, nomeadamente a concentração dos ingredientes activos e a dificuldade na aplicação da metodologia estatística convencional aplicável em ensaios clínicos. A introdução no mercado obedece aos critérios enunciados pela directiva Europeia para garantia da qualidade farmacêutica e da correcta utilização, podendo ser solicitada perante um procedimento para solicitação de “Autorização de Introdução no Mercado”, segundo o regime jurídico previsto para os medicamentos de uso humano (Decreto-Lei nº 176/2006, de 30 de Agosto), aplicável aos medicamentos homeopáticos com indicações terapêuticas ou com apresentação susceptível de apresentar riscos para o doente ou perante um procedimento de “Registo Simplificado” para medicamentos homeopáticos de reconhecido uso tradicional (nos termos definidos no Decreto-Lei nº 176/2006, de 30 de Agosto).A Farmacopeia Europeia, documento oficial Farmacêutico editado e publicado sob a égide do Conselho da Europa, bem como as diversas Farmacopeias de Estados Membros da União Europeia, incluindo a Farmacopeia Portuguesa, têm secções dedicadas às preparações homeopáticas, respectiva tecnologia de produção e garantia de qualidade e monografias.Por estas razões, o Curso de Pós-Graduação em Medicamentos e Produtos de Saúde à Base de Plantas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, sem ignorar e a par das discussões científicas sobre a eficácia de medicamentos homeopáticos, também responde no âmbito das unidades curriculares, ”Regulamentos e Legislação” e “Tópicos da Produção Industrial”, à demanda dos conhecimentos relevante para o cumprimento do acto farmacêutico (alíneas a, b, e g, h, i) no que respeita ao medicamento homeopático.A Faculdade de Farmácia, enquanto instituição de Ensino e Investigação no âmbito das Ciências da Saúde e no exercício da sua missão universitária, garante plena atenção e dedicação à comunidade, sempre disponível para esclarecer, para formar e para educar.Carlos CavaleiroSubdirector da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra
Acho muito preocupante a defesa que o sub-director da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra faz dos remédios homeopáticos com base em argumentos tecnocráticos. Não cabe à universidade acolher acriticamente conceitos com base em regulamentações de origem política. É o contrário, são os regulamentos e leis criados pelo poder político que devem ter em conta o conhecimento científico produzido nas universidades. No limite, esta lógica, poderia ser usada assim: bem, a homeopatia funciona, tal como está implícito na Portaria nº 207-C/2014, de de 8 de Outubro. Não. A ciência não se baseia em portarias, decretos-leis, directivas ou regulamentos. Baseia-se em provas. E as universidades não se podem deixar confundir.
Mais à frente menciona que os medicamentos homeopáticos são prescritos por médicos. Tal não é necessariamente verdade. Se é certo que há médicos que se tornam adeptos da homeopatia (uma licenciatura em medicina não é uma vacina contra a ignorância), muitos homeopatas não são médicos. É certo que os remédios homeopáticos são dispensados em farmácias por farmacêuticos. Mas não deviam. Custa a compreender que depois de uma licenciatura em Farmácia, alguém vá para trás de um balcão recomendar medicamentos homeopáticos ao público. As farmácias gozam de um estatuto especial que lhes confere credibilidade e confiança. Quando oferecem (por vezes espontaneamente!) remédios que não funcionam, estão a trair essa credibilidade e confiança. As farmácias deveriam decidir de uma vez por todas de que lado estão. Do lado da medicina baseada na ciência. Ou do outro. Se não posso ter uma confiança razoável na eficácia e segurança dos remédios que me entrega um farmacêutico numa farmácia, mais vale comprá-los no quiosque dos jornais ou na bomba de gasolina.
O subdirector da Faculdade de Farmácia refere ainda na sua resposta que "os medicamentos homeopáticos [têm] um enquadramento regulamentar semelhante ao dos medicamentos alopáticos, tendo, contudo, em conta as suas características específicas, nomeadamente a concentração dos ingredientes activos e a dificuldade na aplicação da metodologia estatística convencional aplicável em ensaios clínicos.”.
Ou seja, alinha com a argumentação dos terapeutas alternativos, que requerem regimes de excepção para terem um estatuto igual. Na falta de provas de eficácia e segurança obtidas através de ensaios clínicos, reivindicam que têm especificidades, que a prova científica exigida aos demais tratamentos não lhes é aplicável. Por isso são introduzidos no mercado através de um regime simplificado, em que mais nada têm de provar a não ser que são inócuos (o que não é difícil tendo em conta que são água e açúcar). Não há nenhuma dificuldade em avaliar a eficácia de um comprimido ou de umas gotas, é das coisas que a ciência médica faz melhor. Se realmente há provas da eficácia e segurança dos remédios homeopáticos abdiquem do regime simplificado e sujeitem-os às regras de aprovação dos demais medicamentos. Fica o desafio.
O único conteúdo que é admissível numa Faculdade de Farmácia acerca da homeopatia é explicar que não funciona e porquê, para que os futuros farmacêuticos possam elucidar o público. Se é isto o que consta do curso de pós-graduação, dou à Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra os meus parabéns.
SEM PROTECÇÃO
Portugal
é um país sem protecção. Sem protecção civil, como
se viu no grande incêndio de Pedrógão Grande de 17 de Junho. E sem
protecção militar, como se viu no roubo de material de guerra dos paióis de Tancos na semana passada. À semelhança de muitos portugueses sinto-me
desprotegido. Uma vez que já passou mais tempo sobre o caso da desprotecção civil e já existe informação suficiente para se fazer um juízo, falo por ora
apenas sobre esse caso.
O Expresso
titulava a 24 de Junho: “Em 37 anos ardeu o equivalente a 40% do país”. Ao
mesmo ritmo, uma simples regra de três mostra que daqui a 56 anos
terá ardido uma área equivalente a todo o território nacional (há zonas que já arderam mais do que uma vez!). Há causas
estruturais que tornam o nosso país o mais flagelado pelo fogo em toda a
Europa, qualquer que seja a medida usada. Em primeiro lugar, o país possui uma
mancha verde extensíssima. Em segundo lugar, o clima da Europa do Sul propicia
incêndios, o que será cada vez mais significativo num
quadro de verões gradualmente mais quentes. Mas não menos verdade é que o deficiente ordenamento florestal, a falta de limpeza das matas e a
reduzida ou mesmo inexistente vigilância fazem com que Portugal arda muito mais
do que Espanha, Itália ou
França. Estou convicto de que o
agravamento dos fogos neste século (2003, 2005 e 2016 foram,
por esta ordem, os anos de maior área ardida) tem que ver com o progressivo
abandono do interior, onde a mancha verde impera. Uma paisagem desabitada é terreno fértil para catástrofes como a que agora sucedeu. No
entanto, os sucessivos governos, para além de não ousarem uma reforma florestal (dificultada
entre nós pelo facto de a grande maioria da floresta ser
privada), pouco ou nada têm feito em prol da ocupação do interior. O país
tem estado cada vez mais inclinado para o mar, com dois polos costeiros que são
Lisboa e Porto. Um país bipolar, portanto.
Além
disso, há a questão, que não é de somenos, de não existir em Portugal a cultura do planeamento
para casos de desastres. Temos a maldita tradição do improviso. Os
serviços meteorológicos emitiram alertas nas vésperas do incêndio fatídico, mas ninguém estava de prevenção na área atingida. Confiava-se talvez num milagre. E,
desta vez, como de resto sempre, o milagre era impossível. As aldeias atingidas
não tinham planos de evacuação ou, ficando os habitantes, de protecção. Os
dados disponíveis indicam que entre as 14h43, quando foi dado o primeiro sinal
de fogo, e as 21h20, quando foi reportada a primeira vítima mortal, passaram
quase sete horas. A maioria dos 64 mortos ocorreu ao início da noite,
concentrando-se num curto troço de uma estrada. Segundo um relatório científico
abalizado poderá ter havido a infeliz conjugação de um fenómeno meteorológico
invulgar, um downburst, com o
incêndio, o que terá aumentado a sua dimensão muito rapidamente. Mas, nas sete
horas referidas, houve mais do que tempo para evacuar ou informar a população,
de modo a prevenir ou mitigar a tragédia humana. Sim, houve circunstâncias excepcionais,
mas aliadas a falhas muito graves na resposta ao incêndio. Falhas das
comunicações (um sistema caríssimo montado por uma PPP, um terço da qual
pertence a uma empresa falida, ligada ao ex-BPN) e má preparação dos comandos (a
nomeação do presidente da Protecção Civil, que tem ligações partidárias, recebeu parecer negativo dos seus
superiores militares). Foi manifesta uma enorme falta de coordenação perante um
inimigo avassalador, um inimigo que só poderia ser vencido com uma
decidida e rápida coligação de esforços.
À
hora em que escrevo ardem florestas em Abrantes e Tomar e o risco continuará a
aumentar em consequência das alterações climáticas. O governo não esteve à altura, como já não
estiveram outros governos de outra cor, noutros anos, e receio que continue a não estar. O que fazer? Dou duas sugestões.
Primeiro, invistam na descentralização, coloquem por exemplo a Autoridade
Nacional de Protecção Civil em Leiria ou Coimbra, tirando-a de Carnaxide.
Segundo, tornem a protecção civil independente dos partidos: não façam razias sempre que muda um governo só para
dar uns “jobs for the boys”. Eu quero ser protegido.
terça-feira, 4 de julho de 2017
PUBLICAR EM PORTUGUÊS
Maria Antónia Lopes, colega por quem sempre tive o maior respeito intelectual, apresentou na revista da nossa universidade - Rua Larga, n.º 48, p. 70-71 - um texto com o título Publicar em português. Por concordar inteiramente com as suas palavras, tomo a liberdade aqui o reproduzir.
"É incisivo o texto do Manifesto em Defesa do Multiculturalismo Científico, promovido por professores universitários do Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal (aqui dinamizado por José d’Encarnação).
Sintetizo os principais argumentos: não pode confundir-se uma língua franca de vocabulário escasso, para uso coloquial e serviços, que é hoje o inglês, com a língua da Ciência. Dentro desta, não é equiparável a mestria linguística necessária às Ciências Naturais e Técnicas com a que é indispensável às Humanidades e Ciências Sociais, nas quais “os matizes do pensamento apenas podem evidenciar-se mediante um amplo conhecimento das palavras e dos seus sinónimos” e de “toda a estrutura gramatical e conceptual”. “O empenho dos administradores da ciência europeia em reduzirem toda a comunicação científica a uma só língua está, pois, a provocar uma rápida deterioração das Ciências Sociais e Humanas”. E há também consequências nefastas no que respeita à credibilidade dos investigadores porque “no nosso mundo, associa-se, automaticamente, a qualidade de expressão à capacidade de pensamento”. Por fim, chamam a atenção para a crescente qualidade das traduções automáticas, o que torna “menos necessário obrigar alguém a exprimir-se numa língua diferente da sua”.
Conto um episódio pessoal para infletir a argumentação. Tendo assistido à minha prova de doutoramento, disse-me alguém da área das Engenharias: “Agora percebi a importância do que fazem nas Letras! Se não forem vocês, mais ninguém o faz. Na minha área, é indiferente que a investigação se faça aqui ou noutro qualquer país. A vossa é que devia ser prioritária nos apoios”.
Pois é. Mas mandam-nos escrever em inglês. Para quem trabalhamos, afinal? É assim que cumprimos a nossa missão de serviço à comunidade, a tão exigida (e bem) “transferência de conhecimentos”? É assim que fornecemos os instrumentos de autocompreensão, as ferramentas que permitem intervir para melhorar, exercer a cidadania? A quem forma e interessa prioritariamente a História de Portugal, a sua Literatura, a sua Geografia, as suas Artes e Cultura, a compreensão da sua vida social? Aos portugueses, como é óbvio, e aos leitores dos países lusófonos que connosco partilham parte das suas raízes. E como pode pedir-se a um filósofo que pense e escreva num idioma que não é o seu?
É escandaloso valorizar mais uma investigação pelo simples facto de estar publicada em inglês.
Desgosta-me que portugueses se menorizem de tal forma que aceitem publicar em inglês, no seu próprio país, investigações sobre realidades portuguesas.
O que é diferente de proferir uma conferência ou publicar noutra língua em países estrangeiros (já o fiz em inglês, castelhano, francês e italiano). Só que esse tipo de trabalhos é em geral distinto, como direi. Nós exprimimo-nos numa língua neolatina, riquíssima (para quem a sabe usar), que é o terceiro idioma ocidental mais falado no mundo, ocupando a mesma posição entre as línguas de pesquisa na Internet. Apesar disso, subvaloriza-se o português face ao francês ou ao alemão. O que se faz, precisamente, porque, embora mais falado, se menospreza enquanto língua de Ciência.
Ser internacionalizado – ou melhor, ser cosmopolita, como diríamos se o nosso léxico não andasse desvirtuado por tecnocratas – é estar aberto às culturas e ciências que se praticam noutros países e dialogar com elas. Não é, por contrassenso nos seus próprios termos, ser monolingue.
O monolinguismo revela e acentua o provincianismo, a tacanhez de perspetivas – o que se aplica a todos, incluindo os nativos de língua inglesa. Porque é na língua-mãe que conseguimos exprimir melhor assuntos complexos e subtilezas de pensamento, os académicos ocidentais da área das Humanidades e Ciências Sociais dignos desse nome têm de ser capazes de ler os colegas que escrevem em línguas românicas.
Contudo, são hoje vulgares as obras inglesas e americanas sobre diferentes aspetos da história da Europa cujos autores só leram o que está produzido em inglês. O que de melhor e mais profundo se escreveu no continente escapou-lhes completamente. Um historiador dos impérios ibéricos incapaz de ler português e castelhano é uma fraude. Não aprendeu nem dialogou com os textos dos investigadores desses países e não leu os documentos da época, bastando isto para que a sua obra não possa ser classificada como historiográfica. Os estrangeiros incapazes de ler português não são especialistas da nossa cultura e o que lhes interessa é aceder a boas sínteses de investigação séria e cuidadosamente contextualizada. Para esses, sim, o inglês é o veículo.
Mas esse tipo de obra não é nem pode ser o nosso trabalho central. Apresentar em inglês, logo de raiz, investigação de ponta em Humanidades é inútil e, sobretudo, devastador para a Ciência e para a nossa identidade."
Maria Antónia Lopes
Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
As forças de pressão "clássicas" na educação escolar
![]() |
| Imagem encontrada aqui. |
A pressão e a sedução que pessoas e grupos fazem sobre a escola é tão antiga como ela. Política e religião têm sido forças "clássicas", com tendência a articular-se, e, por isso mesmo, estudadas e denunciadas.
No passado século, a sociologia da educação fez, nessa matéria, um trabalho de grande mérito. Foi acompanhada pela filosofia da educação que insistiu no altruísmo, atitude que deve caracterizar todo o acto educativo, sendo, nessa medida, contrária ao doutrinamento, e insistiu até ao limite na finalidade última da educação: conduzir à (indefinível) liberdade.
A educação escolar tem de ser, pois, orientada, não por interesses particulares, por muito justificados que se afigurem, mas por aquilo que é o "bem" para os educandos. E não é a dificuldade de definir este "bem" que nos deve demover de o conceptualizar e perseguir.
Acontece que tanto a sociologia da educação como a filosofia da educação são áreas que não "interessam nada" a políticos, tecnólogos, empreendedores e a mais uns quantos grupos de gente despachada e pragmática que empurra o mundo no sentido que lhe é conveniente, vendo nas crianças e nos jovens o apetecível "capital humano".
Como muitos leitores saberão, estas duas disciplinas, absolutamente fundamentais na organização do pensamento educacional, desaparecem dos currículos de formação de professores e de outros educadores. E isso faz toda a diferença: deixa-se de ter pontos de apoio para se perceber o que é certo e errado que se ensine e que rumo deve tomar o que se ensina, primeiro, nos contextos académicos e escolares e, depois, na sociedade.
Assim, além da influência directa na estrutura escolar da política e da religião - no sentido da imposição de facções partidárias ou religiosas - assiste-se e, mais, apoia-se a influência de organizações da mais variada natureza. Toda a organização internacional, nacional ou regional, muito macro ou muito micro, que aposte em singrar, entra na escola.
Deixemos as mais recentes de parte e concentremos-nos nas "clássicas".
Foi notícia recente a demonstração da infiltração de tendências políticas regionalistas no sistema educativo de um país europeu (aqui), de resto conhecida, e também da infiltração de tendências religiosas no sistema educativo de um pais situado entre a Europa e a Ásia, igualmente conhecida. A este propósito foi recordada a mesma situação, que se arrasta sem solução à vista, nos Estados Unidos da América (ver, por exemplo, aqui e aqui).
Estamos, no momento, em Portugal longe deste quadro que, parecendo gigantesco, é minimalista?Não estamos. Temos todas as portas abertas, a entrada é fácil, sendo tentada (e conseguida) com frequência.
Que portas são essas? Uma delas, a maior e que se encontra escancarada, é a que referi acima: o desaparecimento dos pilares em que a educação escolar tem de assentar e que não pode dispensar, sob pena de se tornar um vasto campo ideológico. Outra, é o discurso político vigente, no qual sobressaem entre outras ideias, só na sua aparência razoáveis, as seguintes:
- a necessidade de substituição urgente do "conhecimento enciclopédico" por "competências" funcionais;Infelizmente, a afirmação que se segue, que legitima essas ideias num país estrangeiro, não é estranha aos nossos olhos e ouvidos e até somos muito capazes de concordar com ela:
- a dificuldade (inata?) que os alunos têm de compreender conceitos, acontecimentos... complexos e, portanto, tudo o que é visto como menos linear vai-se adiando para o ano seguinte, o ciclo seguinte;
- a falta de pertinência de levar os alunos a conhecerem factos (históricos, científicos, etc.), pois o que importa é a sua criatividade e crítica. E, acima de tudo, como recentemente tornou explícito, a sua felicidade.
“Temos a noção de que se os nossos estudantes não têm os conhecimentos para compreender as premissas e as hipóteses, ou se não têm uma moldura científica e o conhecimento necessário, não irão conseguir compreender algumas das questões polémicas, portanto deixamo-las de fora.”
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Primeira licenciatura em acupunctura da cobra
Foi aprovada pela Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3S) a primeira licenciatura em acupunctura, no Instituto Politécnico De Setúbal. Esta aprovação é uma consequência da Portaria 207-F/2014, publicada durante o governo de Passos Coelho, que define os requisitos para uma licenciatura em acupunctura. A título de exemplo:
Artigo 4º
Referencial de competências
1 — O acupuntor deve ter:
a) Conhecimentos críticos das bases teóricas específicas que fundamentam o seu diagnóstico e a sua intervenção terapêutica, designadamente, yin e yang, os cinco movimentos, qi, sangue e líquidos orgânicos, os oito princípios de diagnóstico, o sistema dos meridianos e ramificações jing luo, síndromas gerais e síndromas dos zang fu, patologia, etiopatogenia e patologias energéticas, os seis níveis, as quatro camadas e os três aquecedores
Toda esta descrição é bastante impressionante. Mas tem um pequena problema: é pura fantasia. yin e yang, qi, sistema dos meridianos e ramificações jing lua e síndromas dos zang fu são coisas que não têm nenhuma base científica. É o equivalente a criar na Academia Militar uma licenciatura em poderes dos Pókemons.
Mais à frente na portaria, lê-se que o acupunctor deve ser capaz de:
k) Ler criticamente a literatura científica e incorporar a informação na sua prática;
Na verdade, se fizer isso, desiste rapidamente da sua prática de acupuntura, que se porta muito mal em ensaios clínicos que avaliam a sua eficácia e segurança. As revisões sistemáticas da literatura científica, que combinam os resultados de todos os ensaios clínicos metodologicamente robustos acerca de tratamentos de acupuntura tiram invariavelmente uma das seguintes conclusões:
- a acupuntura não mostrou eficácia terapêutica no tratamento da doença x.
- há indicações muito ligeiras da eficácia da acupunctura no tratamento da doença y, mas os métodos são inadequados e as amostras demasiado pequenas.
Há tantos ensaios clínicos (de qualidade em geral má) e revisões sistemáticas acerca de tratamentos de acupuntura que se pode mesmo fazer uma revisão das revisões sistemáticas. E foi mesmo feita, em 2006, e publicada na revista Clinical Medicine. Da análise das 35 revisões consideradas, os autores concluíram que não há nenhuma prova sólida de que a acupuntura funcione para qualquer condição clínica.
Por muita conversa com palavras esquisitas e portarias publicadas, a acupuntura não é um tratamento médico que funciona melhor do que os poderes dos Pókemons num campo de batalha real. E a acreditação da primeira licenciatura em acupunctura não muda isso em nada. E o que é mais grave, é que essa aprovação decorre directamente do cumprimento de uma portaria emanada do poder político, que define conteúdos programáticos de licenciaturas em terapias alternativas. Isso mesmo é assumido no relatório da A3S que acredita a licenciatura:
"Estrutura Curricular e Plano de Estudos assentam nas quatro áreas formativas, indicadas na respectiva Portaria”
Isto é aberrante. A fundamentação científica que as terapias alternativas não conseguem obter através dos processos normais da ciência é colmatada politicamente. Se através da ciência e dos seus processos não conseguem provar as suas ideias, não faz mal, conseguem convencer políticos. Estas portarias, assinadas por dois Secretários de Estado do anterior governo (Fernando Serra Leal, na altura Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, e José Alberto Nunes Ferreira Gomes, antigo Secretário de Estado do Ensino Superior) deveriam ser imediatamente revogadas, pela distorção que induzem no Ensino Superior, aliciando as instituições a prostituírem a sua credibilidade. Esta é mais uma vertente do grande negócio que são as terapias alternativas.
Este avanço das terapias alternativas em Portugal é disparatado e fora de tempo, num momento em que estas recuam em vários países. Em Maio passado, o Colégio de Médicos de Madrid resolveu acabar com todas as actividades e formações em terapias alternativas, por falta de base científica. Antes as universidades de Valência e Barcelona tinham fechado cursos de homeopatia, pela mesma razão.
Este avanço das terapias alternativas em Portugal é disparatado e fora de tempo, num momento em que estas recuam em vários países. Em Maio passado, o Colégio de Médicos de Madrid resolveu acabar com todas as actividades e formações em terapias alternativas, por falta de base científica. Antes as universidades de Valência e Barcelona tinham fechado cursos de homeopatia, pela mesma razão.
ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE NA HEMEROTECA DIGITAL
A pena de morte para crimes civis ainda é lei em cerca de meia centena de países.
Em Portugal, foi abolida há 150 anos: a 1 de julho de 1867, pela Carta de Lei de D. Luís I, que foi tornada pública no Diário de Lisboa, de 12 de Julho.
Iniciativa precoce no panorama mundial, a Carta de Lei foi reconhecida pela União Europeia, em Abril de 2015, como Marca do Património Europeu.
A Hemeroteca Digital associa-se às comemorações nacionais em torno desta efeméride (programação geral e conteúdos disponíveis aqui), disponibilizando o dossier digital 150 da Abolição da Pena de Morte em Portugal, em que se revisitam, a partir da coleção da Hemeroteca e das Bibliotecas de Lisboa, as principais peças documentais - oficiais, noticiosas ou de opinião - envolvidas.
Iniciativa precoce no panorama mundial, a Carta de Lei foi reconhecida pela União Europeia, em Abril de 2015, como Marca do Património Europeu.
A Hemeroteca Digital associa-se às comemorações nacionais em torno desta efeméride (programação geral e conteúdos disponíveis aqui), disponibilizando o dossier digital 150 da Abolição da Pena de Morte em Portugal, em que se revisitam, a partir da coleção da Hemeroteca e das Bibliotecas de Lisboa, as principais peças documentais - oficiais, noticiosas ou de opinião - envolvidas.
FEIRA DE LIVRO DE BRAGA
Vou estar na Feira do Livro da Braga no próximo sábado. Artigo do Correio do Minho de 26/7, de José Paulo Silva:
‘Futuro’ é uma das linhas orientadoras do programa da Feira do Livro de Braga, certame que decorre de 30 de Junho a 16 de Julho, na Avenida Central, e que conta, entre outras, com as apresentações dos livros ‘Hoje Estarás Comigo no Paraíso’, de Bruno Vieira Amaral; ‘Demasiado mar para tantas dúvidas’, de Miguel Miranda; e ‘O deslumbre de Cecília Fluss, de João Tordo’.
O mote da 26.ª edição da Feira do Livro de Braga, para a qual a empresa InvestBraga e a Câmara Municipal de Braga contam com a produção executiva da consultora editorial ‘Booktailors’, está expresso no cartaz, na exposição de ilustrações da autoria de Pedro Vieira concebida exclusivamente para o evento e nas frases de pensadores e autores nacionais e estrangeiros que serão inscritas nas passadeiras para peões.
Da programação da edição deste ano da Feira do Livro de Braga fazem também parte ‘entrevistas de vida’ aosescritores Fernando Dacosta, João de Melo e Mário Cláudio, este último vencedor do Grande Prémio de Literatura dst, com o romance ‘Astronomia’.
Masterclasses dirigidas por Afonso Cruz, Carlos Fiolhais e Miguel Real são outros pontos de interesse de um programa que inclui mesas de debate sobre temas como o lugar da memória na literatura, a escrita para o grande público, a saúde na não-ficção ou a ligação da escrita com a televisão.João Gobern, Karla Suárez, Maria João Lopo de Carvalho, Mário Augusto e Tiago Rebelo são animadores anunciados pela organização para estas discussões. A InvestBraga revelou já que, sendo a Avenida Central espaço central da Feira do Livro, está apresentar-se-à noutros pontos da cidade com exposições de ilustração,mesas de debate e concertos de jazz, bem como conversas/concerto intituladas ‘Conta-me Histórias’, nas quais participam os músicos Carlos Alberto Moniz, Carlos Tê, Lúcia Moniz e Luís Represas.
‘Futuro’ é uma das linhas orientadoras do programa da Feira do Livro de Braga, certame que decorre de 30 de Junho a 16 de Julho, na Avenida Central, e que conta, entre outras, com as apresentações dos livros ‘Hoje Estarás Comigo no Paraíso’, de Bruno Vieira Amaral; ‘Demasiado mar para tantas dúvidas’, de Miguel Miranda; e ‘O deslumbre de Cecília Fluss, de João Tordo’.O mote da 26.ª edição da Feira do Livro de Braga, para a qual a empresa InvestBraga e a Câmara Municipal de Braga contam com a produção executiva da consultora editorial ‘Booktailors’, está expresso no cartaz, na exposição de ilustrações da autoria de Pedro Vieira concebida exclusivamente para o evento e nas frases de pensadores e autores nacionais e estrangeiros que serão inscritas nas passadeiras para peões.
Da programação da edição deste ano da Feira do Livro de Braga fazem também parte ‘entrevistas de vida’ aosescritores Fernando Dacosta, João de Melo e Mário Cláudio, este último vencedor do Grande Prémio de Literatura dst, com o romance ‘Astronomia’.
Masterclasses dirigidas por Afonso Cruz, Carlos Fiolhais e Miguel Real são outros pontos de interesse de um programa que inclui mesas de debate sobre temas como o lugar da memória na literatura, a escrita para o grande público, a saúde na não-ficção ou a ligação da escrita com a televisão.João Gobern, Karla Suárez, Maria João Lopo de Carvalho, Mário Augusto e Tiago Rebelo são animadores anunciados pela organização para estas discussões. A InvestBraga revelou já que, sendo a Avenida Central espaço central da Feira do Livro, está apresentar-se-à noutros pontos da cidade com exposições de ilustração,mesas de debate e concertos de jazz, bem como conversas/concerto intituladas ‘Conta-me Histórias’, nas quais participam os músicos Carlos Alberto Moniz, Carlos Tê, Lúcia Moniz e Luís Represas.
NOVOS CLASSICA DIGITALIA
Os Classica Digitalia têm o gosto de anunciar 2 novas publicações, com chancela editorial da Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume (São Paulo).
Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente encontra-se disponível em acesso aberto.
Além
do usual circuito de distribuição da IUC, a versão impressa das novas
publicações encontra-se disponível em todas as lojas Amazon.
NOVIDADES EDITORIAIS
NOVIDADES EDITORIAIS
Série “Autores Gregos e Latinos" [Textos]
- Ana Maria Pompeu, Maria Aparecida de Oliveira Silva & Maria de Fátima Silva: Plutarco. Epítome da Comparação de Aristófanes e Menandro. Tradução do grego, introdução e comentário (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2017). 109 p.
[Este volume apresenta uma tradução portuguesa do texto de Plutarco, Epítome da comparação de Aristófanes e Menandro. Além de alguma anotação, o livro integra também estudos referentes aos três autores envolvidos: os dois comediógrafos e o próprio Plutarco na sua reflexão sobre a poesia cómica. Trata-se, no conjunto, de uma primeira receção crítica, dentro da própria Antiguidade, de autores de
referência no mundo da comédia grega nos seus dois estádios mais específicos, a Archaia e a Nea.]
Série “Humanitas - Supplementum" [Estudos]
- Cláudia Teixeira & André Carneiro (coords.), Arqueologia da transição: entre o mundo romano e a Idade Média (Coimbra e São Paulo, Imprensa da Universidade de Coimbra e Annablume, 2017). 456 p.
[O propósito do presente volume centra-se no debate sobre um período histórico ainda pouco conhecido: a Antiguidade Tardia. Para tal, especialistas em diferentes temas apresentam resultados de investigação sobre algumas áreas setoriais: os padrões de povoamento e a arquitetura dos lugares de habitação; a cultura material; a chegada do Cristianismo; o mundo funerário. Os contributos abarcam o território peninsular, procurando ainda paralelos e leituras com o espaço do Mediterrâneo.]
Subscrever:
Mensagens (Atom)
E SE VOLTÁSSEMOS À DOCIMOLOGIA, OU SEJA, À CIÊNCIA DOS EXAMES?
Em texto que antes publiquei sobre a infindável tragicomédia em que se tornou a classificação dos exames nacionais, disse que ela não se d...
-
A falácia do espantalho , uma das mais utilizadas pelos que que não conseguem sequer compreender os temas em debate, basicamente consiste em...
-
Na Antiguidade, entre os Gregos e os Romanos, as máscaras eram utilizadas no teatro e serviam para caracterizar a personagem que ali se que...
-
Perguntaram-me da revista Visão Júnior: "Porque é que o lume é azul? Gostava mesmo de saber porque, quando a minha mãe está a cozinh...






