quinta-feira, 21 de julho de 2016

PORQUE JAMAIS SABEREMOS


O número de Julho da revista francesa "Science et Vie" tem um trabalho de fundo sobre os limites da ciência. Há coisas que nunca saberemos, apesar dos nossos esforços, porque há limites observacionais, cognitivos, conceptuais ou lógicos. A revista elenca 10 grandes limites da ciência, pelo menos no estado actual dos nossos conhecimentos.

1- Nunca saberemos o que o outro sente.

Será que o/a outro/a nos ama? Nunca poderemos saber o que realmente vai na cabeça das pessoas. Alguns instrumentos podem revelar imagens cerebrais, mas não poderemos ter acesso às sensações subjectivas de outra pessoa.

2- Nunca saberemos se 1+1=2

De uma maneira simplificada, o teorema de Goedel diz-nos que não podemos estar seguros que as demonstrações matemáticas não levem a contradições. Este é um limite da lógica. E é devido a ele que a revista recorre ao pitoresco subtítulo...

3- Não saberemos nunca onde estarão os planetas daqui a 60 milhões de anos.

As leis da mecânica celeste são conhecidas.  Mas a não-linearidade das forças aliada à falta de precisão das condições iniciais impedem-nos previsões seguras a longo prazo. Por outras palavras: o nosso sistema solar é caótico. Aplica-se também a ele uma metáfora da meteorologia: o abanar de uma borboleta no Brasil pode causar um tufão na China.

4- Não conheceremos nunca o antepassado universal.

De acordo com a teoria de Darwin, a vida é uma árvore. Pelo que poderíamos, em princípio, tentar conhecer o LUCA, Last universal common ancestor, o vértice da árvore, que viveu há cerca de 3,5 mil milhões de anos. Mas modernamente pensamos que o nosso antepassado último pode não ser um só indivíduo, mas uma comunidade de seres minúsculos. Assim não haveria um só vértice...

5- Não compreenderemos nunca o que passa o nosso entendimento

Mesmo os melhores sistemas de inteligência artificial só são capazes... daquilo que são capazes. O mesmo se passa com o nosso cérebro, limitado pela sua história evolutiva e pela sua estrutura. A questão que se coloca é se as máquinas não poderão um dia ultrapassar a nossa limitada capacidade cognitiva. 

6- Não saberemos nunca em que universo vivemos

Vivemos num universo é certo, Mas uma parte dele é-nos fisicamente inacessível, só vemos o interior de uma "bolha", pelo que só podemos imaginar como será o resto. E poderá haver universos paralelos...

7- Não saberemos nunca o que é um electrão

É extraordinariamente pequeno e tem simetria esférica. os físicos imaginam que é pontual, mas pode não ser. Ao fim e ao cabo uma partícula física não tem de ser um ponto matemático. E alguns filósofos da ciência avisam que não podemos aceder á realidade em si, mas apenas a modelos dela. 

8- Não conheceremos nunca o genoma do Tyranosaurus Rex.

Já sequenciámos o homem de Neanderthal e avançou-se na sequenciação do mamute. E os dinossauros? O ADN degrada-se e, mesmo a a -5 graus Celsius, desfaz-se em seis milhões de anos. Ora os dinossauros desapareceram há 66 milhões de anos. Não há hipóteses...

9- Nunca saberemos porquê

A ciência trata do como, mas tem dificuldades com os porquês, em especial os porquês últimos. Haverá sempre uma infinidade de porquês, mesmo que alguns primeiros porquês sejam respondidos porque a explicação de algumas entidades remete para outras.

10- Nunca saberemos se vivemos no interior ou no exterior da Terra

Parece estúpida a frase. Pois não é evidente que vivemos no exterior da Terra? Mas podemos imaginar uma inversão geométrica:  tudo o que se encontra na superfície da Terra muda de orientação: em vez de apontar para fora, aponta para dentro?  A pergunta é imediata: mas como é que todo um Universo pode caber dentro de uma bola com 6400 km de raio? Bem, a geometria explica que nesse neste caso os astros teriam de ser muito mais pequenos, tendo o Sol, um raio de 1,3 m e sendo as estrelas longínquas microscópicas. Esta visão obrigaria a mudar as leis da física. O melhor argumento que exclui esta visão invertida é o da "navalha de Occam": a física seria horrivelmente mais complicada.

H+a aqui muito material parav reflexão. Mas, se me é permitido, discordo da "Science et Vie" no último item: sabemos que vivenmos no exterior da Terra. A revista precisava de uma lista de dez...


2 comentários:

  1. Para tanta falta de esperança, algumas palavras de Wittgenstein: "O enigma não existe. Se a questão pode ser colocada no todo, também pode ser respondida."

    Abraços,
    Aldrin Iglesias.

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  2. Preciso de ajuda dos colegas do Blogue https://gagocoutinho.wordpress.com/2016/07/23/urgente-peticao-publica/ Abraço Rui Pinto

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