terça-feira, 15 de março de 2016

Bioquímica malcheirosa



O sulfureto de hidrogénio pode ser encontrado em ovos podres, carne em decomposição, em redes de esgoto, em águas termais - ou debaixo d'olho do investigador João Vicente, do Laboratório de GenómicaEstrutural do ITQB NOVA.

Apesar de tóxico enquanto gás inalado, o sulfureto tem revelado ter um papel interessante nas células e na sinalização entre elas, tanto que alterações à sua quantidade normal pode ser indicador de uma desregulação do metabolismo que pode levar a doenças cardiovasculares, neurodegenerativas ou cancro. João Vicente apresenta-nos resultados recentes que nos indicam que a síntese do sulfureto é inibida pela presença de NO e de CO, outros conhecidos compostos tóxicos mas com funções importantes nas células. O trabalho continua, à procura das respostas às perguntas que estas levantaram.



Amanhã às 12h00, no auditório do ITQB NOVA em Oeiras. Entrada livre

segunda-feira, 14 de março de 2016

ATÉ QUANDO CONTINUARÁ A PUBLICIDADE ENGANOSA DA HOMEOPATIA?



Revisão atrás de revisão, qualquer análise honesta não pode concluir outra coisa a não ser que a homeopatia funciona tão bem como comprimidos de açúcar, porque… bem, são comprimidos de açúcar. Ora, segundo um decreto-lei publicado em outubro para regular a publicidade em saúde, «apenas devem ser utilizadas informações aceites pela comunidade técnica ou científica». O que não é claramente o caso da publicidade às mezinhas homeopáticas. Até quando continuará impune?

Texto completo aqui.

domingo, 13 de março de 2016

O modelo do «capital humano»

Não vi a cerimónia de entrega dos "óscares" deste ano. Apesar do meu gosto pelo cinema, o acontecimento não me interessou nada, nem sequer a polémica, real ou construída, sobre discriminação racista dos artistas, de que ouvi vagamente falar. Há muito que deixei de dar atenção à atribuição de prémios seja em que instância for.

No entanto, ontem ou anteontem parei para ouvir na rádio alguém (não consigo identificar quem) que dizia o seguinte: um responsável máximo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (não fixei o nome) no discurso que fez (e que chegou ao mundo inteiro) nunca pronunciou a palavra "arte" para se referir à "sétima arte" nem palavras a ela ligadas; a palavra que mais pronunciou foi "indústria" e palavras a ela ligadas.

A afirmação era baseada numa "análise de conteúdo" que me pareceu exemplarmente realizada e cuja conclusão deveria inquietar tanto como a polémica que marcou a "narrativa" da dita cerimónia, porém pouca gente a terá notado. Eu não a teria notado se não tivesse ligado o rádio naquele momento.

Isto significa pelo menos duas coisas.

Uma é que o jornalismo, cuja função é informar, deve ser o que ouvi: facultar análises profundas dos acontecimentos, questões ou temas de modo que as pessoas comuns possam fazer juízos objectivos e diversos dos que lhe são impostos.

Outra coisa é que os juízos que nos são impostos nada têm de inocente: neste como noutros casos são propositadamente concebidos para, por exemplo, manter e ampliar o modelo do «capital humano». Caso não tenhamos alternativas de pensamento é nele que nos situaremos até para nos definirmos como pessoas.

Transcrevo uma excelente apresentação desse modelo, feita por José Morais no livro Alfabetizar em democracia.
“O modelo do «capital humano» refere-se ao conjunto de habilidades, qualificações e experiências que influenciam a produtividade e o rendimento do indivíduo na economia capitalista. Walsh (1935) formulou-o como um «investimento realizado nas capacidades profissionais» (isto é, na educação) e comparou-o ao investimento no «capital material» (…).
O saber e a habilidade contribuem, sem dúvida, para aumentar o valor de uso dos bens e a qualidade dos serviços em que intervêm. Já a sua repercussão na retribuição da força de trabalho é muito limitada (…)
Quais são as consequências da aceitação do modelo do capital humano e do domínio que ele exerce actualmente sobre a educação? Primeiro a imagem que dá dos seres humanos é a de produtores económicos e de cidadãos consumidores, movido pelo seu autointeresse, racionais, calculadores do melhor ratio benefício/custo, com padrões de preferências relativamente homogéneos e comportamentos previsíveis (Walker, 2012). O indivíduo assume-se como um valor económico e procura optimizá-lo (…)
Recetáculo do capital humano, o indivíduo torna-se mercadoria, objecto de transacção. Julga-se ator num mercado (o de trabalho), investidor dele mesmo, possuidor de valor e de meios para se afirmar (…)
A educação deixa de ser orientada para a formação de indivíduos livres, sujeitos e criadores de conhecimento, com valores éticos e capacidade crítica, para se tornar «investimentos no capital humano».
Na perspectiva do capital humano, os objectivos da educação das crianças e dos adolescentes são o crescimento económico, a competitividade, o rendimento e a empregabilidade, isto é, os valores instrumentais do trabalho.
A educação para a empregabilidade, única via para se alcançar uma vida boa, cria indivíduos sem outra dimensão, à parte o refúgio em consumos de luxo ou lazer.
Os jovens das classes baixas são educados para a aceitação das normas sociais e a adaptação ao mercado, e os das elites para serem «indomáveis lobos solitários sem necessidade de mais ninguém do que deles mesmos» (Baptiste, 2001), ativos, empregadores e flexíveis. Estes podem escolher os melhores empregos da sociedade internacional global, orgulhosos de serem presas na caça realizada pela nova meritocracia aos cérebros e aos talentos (Brown e Tannock, 2009).
A linguagem da produtividade, da competitividade, dos ganhos de eficiência, da criação de mais-valia, das metas, dos indicadores de desempenho, das auditorias, da inovação, da tomada de riscos, que se infiltra em todos os sectores, incluindo o da educação (…) passou a ser aceite como este modelo fosse o único possível.
Ouvida constantemente afeta a maneira como pesamos e conduzimos as nossas vidas (Rose, 2009).”
José Morais, 2013, 21-24

sexta-feira, 11 de março de 2016

SÍTIO EUROPEU DE FÍSICA EM COIMBRA

Informação recebida da UC:

O Gabinete de Física da Universidade de Coimbra, criado em 1772 durante a Reforma Pombalina, permanece no seu espaço de origem mantendo as suas características. A sua valiosa coleção de instrumentos científicos reflete de modo notável a evolução da Física durante os séc. XVIII e XIX. Por estas razões foi, recentemente, classificado pela European Physical Society como EUROPEAN HISTORIC SITE OF PHYSICS.

No próximo dia 11 de Março (sexta-feira), pelas 11H00, irá decorrer a cerimónia de inauguração de placa comemorativa da designação do Gabinete de Física como Sítio Histórico pela Sociedade Europeia de Física, que contará com a presença de:


José António Paixão (Diretor do Departamento de Física da FCTUC)
Décio Martins Ruivo (consultor científico da coleção de Física do Museu da Ciência)
Teresa Peña (Presidente da Sociedade Portuguesa de Física)
Luisa Cifarelli (Sociedade Europeia de Física)
João Gabriel Silva (Reitor da Universidade de Coimbra)

Mais informações, aqui.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Desafios da Química no Séc. XXI



Na próxima 6ª feira, 11 de Março de 2016, pelas 18h realiza-se no RÓMULO Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a palestra "Desafios da Química no Séc. XXI" com Paulo Ribeiro-Claro, no âmbito do ciclo Fronteiras da Ciência, coordenado por António Piedade, a decorrer de Fevereiro a Julho de 2016.


                                                Paulo Ribeiro-Claro



RESUMO DA PALESTRA: 
A Química é a “ciência da matéria e das suas transformações”, ou seja, a ciência que procura compreender como os átomos se combinam - e recombinam - entre si, para formar tudo o que somos e tudo o que nos rodeia. Por esse motivo, a Química é uma ciência central no desenvolvimento de diversas disciplinas e tecnologias: medicina, farmacologia, biologia molecular, biotecnologia, neurociências, agricultura, ciências do ambiente, engenharia de materiais, nanotecnologia...
Deste modo, o futuro da Química está intimamente ligado ao futuro da nossa Sociedade – embora tal não seja a percepção dominante no cidadão comum, que frequentemente (e ingenuamente) ambiciona “um mundo sem químicos”, porque seria mais puro e mais natural. E este é um bom ponto de partida para uma conversa acerca da Química e dos seus grandes desafios em tempos próximos.




ENTRADA LIVRE 
Público-alvo: Público em geral


quarta-feira, 9 de março de 2016

A descoberta de um gene

Tal como precisamos de todas as peças de um puzzle para podermos entender na sua plenitude a imagem que compõe, em investigação científica precisamos conhecer muitos detalhes bioquímicos dos processos para podermos dizer, com rigor, que determinados genes têm funções específicas.

Foi o que fizeram os investigadores do Laboratório de Fisiologia Celular e Ressonância Magnética, do ITQB NOVA, que descobriram uma nova via para a síntese de fosfolípidos, componentes fundamentais das membranas celulares, e os genes responsáveis, com resultados publicados em julho de 2015,na Environmental Microbiology.



Hoje às 12h, no auditório do ITQB NOVA, em Oeiras, a investigadora Carla Jorge conta-nos sobre o processo desta descoberta. A entrada é livre.

A ESPERANÇA: SEMANÁRIO DEDICADO ÀS DAMAS



Informação da Hemeroteca Municipal de Lisboa:

"Este jornal é para todos. Nem póde envergonhal-o a companhia, quando o artista o deixe sobre a meza do trabalho, entre os utensílios do seu officio, nem atemorisal-o quando o homem de lettras o confunda com os seus livros e os seus papeis, nem enchel-o de acanhamento quando a senhora inteligente e instruída o perfume com os aromas do seu boudoir, guardando-o entre as joias do toilette e as joias do coração..."

 Assim se apresenta a público, na sua página inaugural, A Esperança : semanario de recreio litterario dedicado ás damas, editado por R. D. César Rey e A. Pereira da Silva, publicado no Porto nos anos de 1865 e 1866, e que pode agora ler na Hemeroteca Digital, aqui. A dimensão feminina deste periódico espelha-se não apenas nos seus conteúdos (não exclusivamente literários, como terá oportunidade de descobrir), mas também na lista de colaboradores, onde pontuam nomes como Maria Peregrina de Sousa, Maria Adelaide Fernandes Prata, Efigénia do Carvalhal Sousa Teles, ou Henrique Elisa, entre outras. Pareceu-nos, por isso, ser oportuna a sua apresentação neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

 Saiba mais sobre esta publicação na ficha histórica que Helena Roldão preparou, e que pode ler aqui. Agradecemos aos serviços da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra a colaboração neste projeto, completando as falhas na nossa coleção, e permitindo a disponibilização integral deste título.

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulheres na ciência

O Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, homenageia as cientistas portuguesas com o lançamento do livro Mulheres na Ciência, que reúne mais de uma centena de retratos de investigadoras portuguesas. Estes retratos estão expostos em permanência no Pavilhão, são também exibidos num módulo digital, e foram passados a livro, simbolicamente lançado no Dia Internacional das Mulheres.

O programa inclui ainda o debate As Mulheres e as Ciências da Computação.

"Este livro não esgota a participação das mulheres portuguesas que fazem ciência, mas pretende ser uma mostra do seu envolvimento na aventura do conhecimento. Convidámos investigadoras eméritas, cientistas seniores e jovens em começo de carreira e tentámos abordar o maior leque possível de áreas do conhecimento e de geografias", refere Rosalia Vargas, Presidente da Ciência Viva.


segunda-feira, 7 de março de 2016

PAIXÃO PELA FÍSICA

Recensão primeiramente publicada na imprensa regional.



Muito provavelmente também aconteceu consigo. Há professores cuja influência nos acompanha pela vida fora. Professores que, com o seu entusiasmo e carisma contagiante, nos iluminaram o caminho, nos ensinaram de forma apaixonante uma dada disciplina, nos mostraram a beleza que há mesmo nas matérias mais difíceis. Em suma, há professores que mudam a nossa vida debruando-a com a paixão que há em compreender, em saber.

Entre nós há, felizmente, muitos exemplos de professores desses. Exemplo maior nas ciências foi o professor de física e de química Rómulo de Carvalho, que ensinou apaixonadamente várias gerações de alunos que lhe ficaram e estão agradecidos.

Na Física, a nível mundial, há um professor que se destaca: Walter Lewin. O leitor poderá não o conhecer. Mas, acredite, se assistir a uma aula dele passará a olhar para a Física com entusiasmo. Se já gostar de Física, ficará deslumbrado com a forma apaixonada, divertida e simultaneamente rigorosa com que Walter Lewin ensina as matérias mais difíceis e exigentes da Física.

E onde é que pode assistir às aulas deste professor? Na comodidade da sua casa, através do YouTube, na internet. É que as aulas que Lewin deu durante décadas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), estão disponíveis para nosso encanto aqui. Têm sido excecionalmente populares ao longo dos anos. As 94 aulas disponíveis (três cadeiras completas, entre elas a famosa “Física 8.01”, e sete aulas temáticas) têm cerca de 3 mil visualizações por dia, mais de um milhão de alunos por ano!

O talento só dá frutos com muito trabalho e dedicação persistente. E o sucesso deslumbrante das aulas de Walter Lewin deve-se, segundo o próprio, a um trabalho meticuloso e pormenorizado, em que cada palavra, cada demonstração foram planeadas e preparadas muitas vezes antes de cada aula. Lewin era conhecido entre os colegas por fazer um último ensaio geral às cinco da madrugada do dia em que dava aulas para plateias de 400 alunos. Sim, ensaio geral: as aulas deste físico, de origem holandesa, envolvem demonstrações experimentais espantosas e surpreendentes. Lewin chega a colocar em algumas delas a sua própria vida aparentemente em risco. Aparentemente, pois a confiança e o rigor científico asseguram-lhe que de facto nada de mal lhe vai acontecer durante as demonstrações. A sua confiança na ciência é espectacular!

“Apresento as pessoas ao seu próprio mundo, o mundo em que vivem e que lhes é familiar e que não abordam como um físico – ainda não abordam”, diz Lewin para explicar o segredo do seu sucesso. É esta aproximação da Física ao dia-a-dia de todos nós que facilita a compreensão dos fenómenos.

Para coroar décadas de ensino numa das melhores escolas do mundo (o MIT), Lewin escreveu em 2011 o livro “A Paixão da Física – do final do arco-íris à fronteira do tempo, uma viagem pelos prodígios da Física”. Este livro foi agora publicado entre nós pela Gradiva, integrado na sua prestigiada colecção “Ciência Aberta”, com o número 214. O livro é prefaciado por Warren Goldstein, prestigiado historiador e ensaísta, ele próprio um entusiasta da Física e do trabalho desenvolvido por Lewin.




A tradução do original inglês é de Florbela Marques que fez um excelente trabalho. A revisão científica é de Carlos Fiolhais (que também é o actual director da colecção) e a revisão de texto ficou a cargo de Helena Ramos. São 400 páginas de puro fascínio pela Física e uma excelente obra de divulgação científica para todos.

Ao longo de quinze capítulos, Lewin conta-nos as suas aulas, a sua vida enquanto professor e cientista. Mas este livro está comoventemente compaginado com uma componente humana, em que Lewin partilha connosco como em criança escapou aos nazis, os seus tempos de estudante na Holanda, como começou a ensinar e conquistou uma cátedra do outro lado do Atlântico.

Walter Lewin também foi um extraordinário físico experimental: foi pioneiro na astronomia de raios X, contribuiu para a nossa compreensão de supernovas, de estrelas de neutrões, para a investigação experimental sobre existência de buracos negros. E a história desta ciência também é descrita na primeira pessoa neste livro, contribuindo assim com um testemunho pessoal para a história de como se faz ciência de qualidade na fronteira do conhecimento. É, assim, também um livro de história da ciência.

Esta obra é uma forma excelente de Lewin divulgar o seu entusiamo contagiante pela Física àqueles que não puderam ser seus alunos. Muito bem escrito, numa linguagem acessível e contagiante, este livro guia-nos pelo nosso mundo explicando como funciona através da Física que com ele passamos a compreender. É destinado a todos, porque todos gostamos de compreender o universo em que existimos. Apaixone-se pela Física com este livro.


António Piedade

A LUZ DOS LIVROS EM S.PEDRO DO SUL


LEITURAS LUMINOSAS

Na página da rede de bibliotecas escolares:

http://padlet.com/rberecursos/b44lersf2bvu

A PARANOIA ANTI-OGM



É verdade que nós comemos o ADN dos genes introduzidos. Mas do ponto de vista nutricional isso é absolutamente indiferente. Se o ADN fosse um livro, como o nosso sistema digestivo não sabe ler ADN, não importa o que lá está escrito. É claro que é possível conceber, em teoria, uma espécie modificada, tóxica para os humanos. Mas os OGM devem ser submetidos a testes de segurança alimentar. E até agora têm mostrado a sua segurança, apesar das várias fraudes científicas feitas para tentar demonstrar o contrário. Para o ambiente há de facto problemas. Mas a agricultura é a atividade humana com maior impacto no ambiente.

Texto completo aqui.

domingo, 6 de março de 2016

Máquina Iluminada


A ICONOGRAFIA DA COMPANHIA DE JESUS

Informação do Museu da Ciência de COIMBRA:

A ICONOGRAFIA DA COMPANHIA DE JESUS

Maria de Lurdes Craveiro, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra / Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património
A Companhia de Jesus tem sido entendida à luz de uma interpretação que lhe confere uma grande unidade de procedimentos. Assumindo uma pastoral saída da Contra Reforma e das disposições tridentinas, os jesuítas confrontaram-se também com as concorrências religiosas num espaço alargado ao Mundo e desenharam a sua própria estratégia de atuação que, de certa forma, se demarcou das outras ordens religiosas. Seria, assim, legítimo o entendimento de um “estilo jesuítico”, como marca identificadora de um percurso específico que vai ao encontro da afirmação dos valores cristãos com o recurso à imagem adequada e validada por Roma, se a constatação de uma realidade cultural plural (que não se confina ao século XVI) não viesse subverter esta leitura.

A iconografia jesuíta traduz um modelo formal conduzido por uma comunidade apostada no processo de evangelização que começa na Europa e se estende a uma escala planetária. Mas este modelo, que capitaliza a imagem na sua mais alargada e complexa expressão, também dialoga com as outras ordens e absorve, num ciclo comum às dinâmicas das práticas religiosas, as heranças mais inusitadas e, aparentemente, dissonantes às orientações oficiais; “para maior glória de Deus”.

UMBERTO ECO NA GRADIVA


Prémios Novos

Criados em 2013, os Prémios Novos são uma cerimónia anual que visa distinguir os novos talentos de nacionalidade portuguesa até aos 35 anos, reconhecer o seu protagonismo, actividade e mérito em diferentes áreas da cultura, ciência ou sociedade.

Do júri deste ano, entre outros, fazem parte: Julião Sarmento, Alexandre Melo, Carlos Fiolhais, Elvira Fortunato, Rui Pedro Tendinha, Fortunato da Câmara, Duarte Calvão, Alexandra Prado Coelho, José Mário Silva, Vítor Belanciano, Henrique Amaro, Nuno Galopim, Pedro Paulos, Luís Santiago Baptista, Pedro Campos Costa, Ana Noronha, André Santos, Inês Lourenço, Pedro Pires, Rui Oliveira Marques, Maria João Lima, Elisabete Marques, Gonçalo Ventura, Nélson Pereira, Reginaldo Rodrigues de Almeida, Mariana Barbosa, Rute Sousa Vasco, Pedro Miguel Oliveira, Pedro Tróia, Mário Rui André, Anabela Becho, Portugal Fashion, Ana Patrícia Silva, Mário Lopes, David Pinheiro, Rui Monteiro e Rodrigo Nogueira.
Os vencedores serão conhecidos na cerimónia, marcada para o dia 9 de Março, quarta-feira, pelas 21:30, na Fundação Calouste Gulbenkian. A mesma será apresentada por Fernando Alvim e Beatriz Gosta e contará com as actuações de Mariana Tengner Barros, Jibóia, Pedro Figueiredo, Francis Dale e Homem do Bussaco.
A entrada é livre mas sujeita aos lugares existentes. Os Prémios Novos 2016 têm o apoio da Antena 3 e da RTP.
Mais informações em www.facebook.com/premiosnovos.

Palavras no tempo - Religião e bioética

Palavras no Tempo - Informação recebida dos organizadores

Vai ter lugar mais uma sessão do projeto 'Palavras no Tempo', uma parceria da Universidade do Porto, do Centro Nacional de Cultura e da Universidade Católica, cuja descrição e informações adicionais se encontram em:

http://www.pnt.up.pt

A sessão terá lugar no PORTO na Sala 202 da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
O evento deste mês tem o tema "Religião e bioética" e conta com António Vaz Carneiro e Walter Osswald.
• Será pelas 15h 30m, no dia 9 de Março de 2016, quarta-feira e a entrada é livre.

Em associação a este evento, acontecerão as seguintes sessões de "Educação, Ciência e Religião", para alunos do ensino secundário:
•  no dia 4 de Março de 2016, sexta-feira, às 10h 30m, na Escola Secundária Clara de Resende;
•  no dia 8 de Março de 2016, terça-feira, às 9h, na Escola Secundária Aurélia de Sousa;
•  no dia 11 de Março de 2016, sexta-feira, às 10h 30m, na Escola Secundária Fontes Pereira de Melo;

O evento seguinte será também no Porto, mas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, com o tema "Religião e história da ciência ", no dia 15 de abril de 2016, sexta-feira, 14h 30m. Os convidados serão Henrique Leitão e Amélia Polónia.

Os eventos futuros podem ser consultados em
www.pnt.up.pt/?cat=11

Para submeter a coorganização de algum evento no futuro, poderá aceder à opção 'pedir um evento', no menu esquerdo da página http://www.pnt.up.pt

Gratos pela participação e pela eventual divulgação desta missiva junto de potenciais interessados.

A organização de "Palavras no Tempo"                         

"O conhecimento é um valor em si"

Nuccio Ordine é um professor italiano de Literatura que eu não conhecia mas que fiquei hoje a conhecer dada a circunstância de mão amiga me ter enviado uma entrevista que ele deu ao jornal Folha de São Paulo a propósito da publicação de um livro que escreveu e cujo título é A utilidade do inútil - Um manifesto.

Nuccio Ordine (fotografia publicada no jornal a Folha de São Paulo - aqui)
Nessa entrevista, muito recente, realizada por Úrsula Passos, está muito do que neste blogue se tem dito sobre o valor do conhecimento que a escola tem responsabilidade de veicular, e que, é antes de mais, um valor intrínseco, ainda que seja também um valor instrumental. Importa, contudo, esclarecer que o sentido de "instrumental" centra-se na formação da pessoa e na expressão da humanidade.

O leitor gostará, certamente, de esmiuçar a dita entrevista, que se encontra publicada aqui.

A inutilidade de uma parte do conhecimento

No Correio da Manhã de hoje, Pacheco Pereira, político e historiador, fala sobre a ideia contemporânea, muito partilhada, de que as humanidades são inúteis. E, no estrangeiro onde estava, disse haver em Portugal uma desvalorização do latim, da literatura clássica, da filosofia.

Os argumentos que usa não são novos, mas é importantíssimo que venham a lume, que se repitam. Talvez por essa via se consiga mudar o destino tanto das humanidades como das artes e das componentes das ciências que desapareceram por não lhes ver utilidade.

Este argumento de "utilidade" tem terraplanado tudo o que não parece ter aplicação imediata numa prática laboral, empresarial ou financeira.

"A aparente inutilidade das humanidades é um recuo civilizacional muito significativo", disse. E, na verdade, é: o que resta de nós sem a cultura "inútil"? Muito pouco...

Lamentavelmente, nas universidades, onde esta discussão deveria ter lugar, a orientação é outra: assumindo-se como empresas servem outras outras empresas, que já ditam, aliás, os seus rumos.

Vale a pena ler o pequeno artigo, aqui.

Verdade e responsabilidade

Ciência e ética são, em geral, apresentadas como duas entidades distintas ainda que podendo e devendo comunicar entre si. Nos debates, muito na moda, sobre essa comunicação é comum chamarem-se, cientistas e éticistas. Fico sempre com a impressão de que o cenário é este: uma coisa e outra coisa; uns e outros.

Devo dizer que essa impressão me incomoda, e mais me incomoda o fim da comunicação: encontrar uma "armadura ética" para a ciência, de modo que esta possa justificar um "bom comportamento" e nada lhe possa ser apontado.

Tudo é muito mais complicado e, no entanto, muito mais simples. Vejo a ciência e a ética do mesmo lado, em última instância a mesma coisa. Isto se entendermos que toda e qualquer acção científica tem subjacente a noção de verdade, mas também a de responsabilidade. Amin Maalouf explica o que quero dizer:
“Há entre os meus colegas, um homem que consagrou vinte anos da sua carreira a criar variedades de batatas mais pesadas, cada vez mais pesadas, mas sem sabor, e de menor valor nutritivo que aquelas que temos o hábito de consumir, e cujo mérito é fazer ganhar mais dinheiro aos cultivadores menos conscienciosos. Tenho outra colega, uma veneziana, que conseguiu ao fim de trinta anos de ensaios duplicar o volume de uma certa variedade de arroz concentrando ao mesmo tempo o seu teor de vitaminas: de modo que hoje cerca de duzentos milhões de humanos melhoraram a sua alimentação graças a ela. Estes dois investigadores estudaram nos mesmos livros e utilizaram as mesmas descobertas fundamentais, as mesmas técnicas. Simplesmente, não lhe deram o mesmo uso.” 
Maalouf, A. (1992). O primeiro século depois de Beatriz. Lisboa: Difel, pp. 73-74.

sábado, 5 de março de 2016

São muitos os que caem na tentação!

A mercantilização da ciência, a pressão para produzir e publicar muitíssimo, os reluzentes prémios e patentes no horizonte, a avaliação do desempenho e das instituições com base nisto tudo e, claro, a tão humana ambição, no caso, de se obter reconhecimento e (porque não?) glória, no meio académico e empresarial, que cada vez são um só, cria ou potencia a tentação. São muitos os que caem nela!

Em nome da "verdade objectiva" (valor a que a ciência tem de obedecer porque é ele que lhe dá sentido) aperta-se o cerco em várias frentes: a "revisão por pares" e os "caçadores de fraudes", são duas delas.

A rápida circulação da informação, sobretudo por via da internet, intensificou o "jogo do gato e do rato": se num momento nos é dada a ver a fulgurante subida de uma nova estrela ao céu das celebridades da ciência, noutro momento, não muito distante, é-nos dada a ver o seu tombo desamparado. A comunicação social acompanha ao vivo e em directo ambos os momentos.

Há muito pouco tempo, soube há poucos dias, aconteceu isso com uma jovem cientista portuguesa que era (prefiro pensar que ainda é) uma promessa internacional. Neste caso, a mesma fotografia serviu para noticiar a sua ascensão e a sua queda.

quarta-feira, 2 de março de 2016

GUIA DA DESONESTIDADE ACADÉMICA

Há coisas que nos parecem estar ao contrário e, por isso, estranhamo-las. Ora, como em documentos orientadores sempre vi as questões de honestidade académica serem enunciadas pela via mais directa, ou seja do que se constitui como honestidade, estanhei vê-las enunciadas pela via contrária, ou seja, do que se constitui como desonestidade.

Foi no Portal da Formação de Formadores que li o seguinte:
[este portal] criou um Guia que aborda os diferentes tipos de desonestidade praticadas nos meios académicos ou da formação profissional. Este guia visa por um lado efectuar um diagnóstico da realidade portuguesa actual bem como da sua evolução, por outro lado o objectivo mais importante consiste em ajudar o formador / professor a prevenir e evitar este tipo de comportamentos anti-pedagógicos.
Além disso, e para completar a minha surpresa, vi também nesse portal uma lista generosa de "Técnicas de como cabular": a seguir à designação de cada técnica, surge a descrição (bastante precisa) de como proceder para... se ser desonesto.

E com isto não ponho em causa a intenção de quem escreveu o texto: pela certa, pretendeu afirmar a honestidade nos trabalhos académicos... apenas acho estranho.

terça-feira, 1 de março de 2016

Quem pergunta quer saber

Fotografia: Guilherme de Almeida
Venho dar conhecimento da existência de uma plataforma lusa de perguntas e respostas de Astronomia, denominada Astronomia Q&A.

Nela os interessados poderão encontrar mais de uma centena de perguntas sobre o tema, e subtemas, a diferentes níveis de profundidade e seguidas das respectivas respostas.

Algumas perguntas são mais terra-a-terra, outras mais técnicas, constituindo um todo que é de inegável utilidade. O acesso às perguntas e respostas é público e livre, sem necessidade de inscrição. Já a possibilidade de colocar perguntas, ou, eventualmente, contribuir com respostas, exige a inscrição, que é grátis. 

O acesso faz-se por este link: http://astronomia.galactica.pt/.

Um sistema de filtros permite seleccionar perguntas e respostas dentro de um determinado subtema. 

Apresento esta notícia na qualidade de utilizador activo, mas não como owner desta plataforma (que não sou). Se existirem dificuldades de inscrição, estas podem ser removidas contactanto o owner, Joâo Clérigo, em jaclerigo@galactica.pt 

O Astronomia Q&A aguarda a vossa visita. Que essa vista seja proveitosa.

A Tabela Periódica dos Elementos

A tabela periódica (também designada por quadro periódico) dos elementos faz hoje 147 anos. Assim parece, pois o rascunho considerado como a versão original da tabela periódica de Mendeleev tem a data de  17 de fevereiro de 1869 do calendário juliano então usado na Rússia, a qual corresponde a 1 de março do mesmo ano no atual calendário.  
Figura 1. Versão “original” da Tabela Periódica, (Essay d’une système des éléments) com data de 17 de fevereiro de1869. Os elementos estão organizados por ordem crescente das massas atómicas. Os que têm propriedades semelhantes estão organizados em linhas e colunas. À direita mostra-se uma versão em que se pode ver melhor o conteúdo relevante da tabela.
Mendeleev, professor na Universidade de São Petersburgo, foi a primeira pessoa a organizar os elementos químicos numa tabela periódica semelhante à que hoje é usada. Fê-lo num livro de texto para os alunos e comunicou a ideia à Sociedade Russa de Química em 1869, num artigo com o título “Da Relação das Propriedades dos Elementos com os Pesos Atómicos”.
Note-se que, na tabela original, há uns pontos de interrogação que correspondiam a elementos então desconhecidos, mas previstos por Mendeleev. É interessante notar que os nomes que ele usou para os então desconhecidos gálio e germânio foram eka-alumínio e eka-silício, em que o prefixo “eka” significa “um” em sanscrito, indicando que viriam a seguir. Mendeleev previu a existência destes elementos num artigo de 1869 e foi a sua identificação em 1875 e 1886, que o tornou famoso e levou à aceitação da tabela periódica.

Não vou aqui descrever essa ferramenta indispensável para grande parte dos químicos, que é a tabela periódica. Vou antes apresentar algumas ideias que  possam contribuir para compreender porque é que os elementos químicos são diferentes uns dos outros — no fundo, porque existe química.

Os átomos são constituídos por um núcleo que contém protões, de carga positiva, e neutrões neutros, e por eletrões distribuídos em “camadas” sucessivas à volta do núcleo, com respectivamente 2, 8, 18, etc. eletrões. O número de protões corresponde ao “número atómico” e, nos átomos neutros, ao número de eletrões. A tabela periódica é construída, preenchendo sucessivamente as várias “camadas”, a partir do hidrogénio com um protão e um eletrão, por ordem crescente do “número atómico”, e da distribuição dos eletrões de acordo com os números quânticos “principal” (determinante do nível de energia), “orbital”, “magnético” e de “spin”.

Todos os elementos desde o de número atómico 1 (hidrogénio) até ao 118 (com o nome provisório ununoctium) foram descobertos ou sintetizados, tendo os elementos 113, 115, 117 e 118 sido confirmados apenas em dezembro de 2015 pela IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada) completando assim o 7º período da tabela.

As propriedades dos elementos são consequência da sua estrutura eletrónica.  A razão da sua diversidade, que é, no fundo, a razão da existência da química, reside no princípio de exclusão de Pauli, que impõe que num átomo não pode haver mais do que um eletrão no mesmo estado, definido pelos números quânticos. Um dos números quânticos relevantes para a química é o número quântico de spin, associado à componente da grandeza física “spin” segundo uma dada direção, e que pode ter os valores +1/2 e -1/2.
O spin é uma grandeza física estranha e o facto de ter valor 1/2 é ainda mais estranho. A palavra spin significa “rotação”, o que nos poderia levar a supor que o eletrão tem um movimento de rotação. Seria portanto uma carga elétrica pontual que roda em torno de si própria, dando origem a um momento magnético. O momento magnético está, de facto, lá, mas o seu valor é metade do que seria de esperar se fosse devido a um verdadeiro movimento de rotação. Por isso se diz que o spin do electrão é 1/2. E se usa o termo “spin” e não “rotação”. O valor 1/2 corresponde à situação em que um objeto tem de rodar 720 graus, ou seja, duas voltas completas, até voltar à posição inicial.  

Figura 2. Exemplo de objeto (vetor S  deslocando-se ao longo de uma fita de Möbius) em que um percurso (rotação) de 360 graus em torno de z inverte a sua orientação, sendo preciso um percurso de 720 graus (duas voltas) para voltar à configuração inicial. Com isto não pretendo dizer que o eletrão seja assim!
Há dois tipos de partículas elementares: as que têm spin inteiro (0, 1, 2, etc.), chamadas bosões e as que têm spin semi-inteiro (1/2, 3/2, etc.) chamadas fermiões. Os bosões não satisfazem o princípio de exclusão de Pauli e, por isso, podem estar vários num mesmo estado. Os eletrões têm spin 1/2, sendo, portanto, fermiões, não podendo haver mais do que um no mesmo estado (com os mesmos números quânticos).

A Natureza é caprichosa mas, por vezes, deixa-nos desvendar alguns dos seus segredos. É o caso dos supercondutores, em que eletrões de spins +1/2 e -1/2 se juntam aos pares (os pares de Cooper) de spin zero (+1/2-1/2=0), os quais se comportam como bosões. No estado supercondutor, os eletrões que estavam nos últimos níveis do estado normal vão todos atrás uns dos outros, como “carneiros quânticos”, para um novo estado que se forma à temperatura crítica.
  
E porque é que a cada estado só pode atribuir-se um eletrão? A resposta tem a ver com o facto de que as partículas elementares, como os eletrões, são necessariamente idênticas, ou indiscerníveis.

Consideremos um sistema com apenas dois eletrões, eletrão 1 (i.e., que está na posição 1) e eletrão 2 (que está na posição 2) e consideremos dois estados A e B. Posso então considerar duas situações: eletrão 1 no estado A e eletrão 2 no estado B, que escrevo como A(1)B(2), ou a situação com os eletrões trocados, A(2)B(1). Dado que os eletrões são indiscerníveis, as regras da mecânica quântica obrigam-me a considerar simultaneamente as duas hipóteses: tenho de descrever o  sistema como uma combinação, ou sobreposição, das duas hipóteses. Em mecânica quântica, sobreposição quer dizer “soma algébrica”, pelo que tenho as duas hipóteses  A(1)B(2)+A(2)B(1)  ou  A(1)B(2)-A(2)B(1) que correspondem respectivamente aos bosões e aos fermiões. 

Acontece que, pelo facto de os eletrões terem spin 1/2, a troca de dois deles implica a mudança de sinal do estado combinado, isto é, A(1)B(2)=-A(2)B(1). Preciso fazer duas trocas sucessivas para obter a mesma configuração. Concluindo, se colocar os dois eletrões no mesmo estado, A, obtenho A(1)A(2)-A(2)A(1)=0. Mas “zero” não corresponde a nenhum estado físico. Portanto não podem existir estados com dois eletrões (ou mais).

Note-se que, se as partículas forem bosões, temos A(1)A(2)+A(2)A(1)=2A(1)A(2). Portanto esses estados existem. E a probabilidade de um novo bosão ir para o mesmo estado é tanto maior quantos mais lá estiverem.

Num Universo alternativo em que os eletrões tivessem spin inteiro não haveria química! Poderíamos ter elementos com número atómico crescente mas todos teriam propriedades idênticas, pois os eletrões, embora em número diferente, estariam todos no primeiro nível de energia (no mesmo estado) em todos os elementos. 

Para desanuviar deste já longo post, sugiro que ouçam a canção de Thom Lehrer sobre os elementos:

E SE VOLTÁSSEMOS À DOCIMOLOGIA, OU SEJA, À CIÊNCIA DOS EXAMES?

  Em texto que antes publiquei sobre a infindável tragicomédia em que se tornou a classificação dos exames nacionais, disse que ela não se d...