Nota na sequência do texto.
O presidente do país que aprovou a transmissão pela internet da execução de um condenado à morte, voltou atrás na decisão (ver aqui um texto de Inês Prazeres Reis, editado por Mafalda Ganhão).
Por razões morais? Parece que não: por razões estratégicas.
Terão sido os resultados de uma sondagem conjunta (The Washington Post, ABC News e Ipsos) que o fizeram vacilar: 80% dos inquiridos disse-se contra a transmissão e alguns membros do governo fizeram o mesmo, incluindo o vice-presidente.
Provavelmente o que mais pesou na segunda decisão foi a manifesta falta de apoio popular pois, ao que se vê, membros do governo são fáceis de descartar. Se a sondagem fosse favorável, era quase certo que a transmissão aconteceria.
Julgo que este caso não é apenas um caso, daqueles que desaparecem da nossa lembrança tão depressa como apareceram. Há nele um sério desequilíbrio (mais um) para o lado da barbárie, mas há também um descendimento alargado de que esse lado é demasiado negro e tem lastro.
Gente bem colocada no sistema político disse: "uma civilização entra em decadência quando cultiva o gosto pelas execuções como forma de entretenimento"; e a transmissão “está abaixo da dignidade e da decência”.
Não sou capaz, neste caso, de dizer como Sygmund Bauman que “tenho esperança na razão e na consciência humana, na decência”, mas admito que alguma coisa tocou muitas pessoas de um país, de um mundo, que parece andar à deriva.
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