segunda-feira, 21 de novembro de 2016

NÃO ENTRES GENTIL NA NOITE TERNA E ESCURA


O 3.º lugar dos nossos posts mais vistos de sempre, com 10.602 visualizações, é, inacreditavelmente, uma tradução de um famoso poema de Dylan Thomas (na foto):













10602


A tradução, que está assinada, é discutível como aliás todas as traduções. O nosso leitor Herculano Esteves teve a bondade de nos enviar a sua versão, que esperemos encontre por este meio muitos leitores: 


 NÃO ENTRES GENTIL NA NOITE TERNA E ESCURA

 Não entres gentil na noite terna e escura,
o velho, em ti, deve desatinar e incendiar-se ao cair o dia;
 raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

 O sábio bem sabe, no fim nada irradia
pois a palavra urdida só relampeia sombria;
ele não vai entrar gentil na noite terna e escura.

 O bom chora cristais juízos, vaga macia,
e suas danças, radiais e onduladas, na luxuriosa baía;
 raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

 O indómito do sol captura e canta a luz fugidia
aprende, hora tardia, só há luto nessa via;
ele não vai entrar gentil na noite terna e escura.

 O lúgubre, à morte, olha sem candeia
a cegueira se ardente, rasto de meteoro, ser alegria;
raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

 A ti, meu pai, nessa coroa pesarosa oro em agonia
lança pragas, abençoa-me agora, usa lágrimas duras.
 Não entres gentil na noite terna e escura,
raivoso, sê raivoso contra a luz que já não alumia.

(tradução de Herculano Esteves)

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