terça-feira, 16 de dezembro de 2025

O PROBLEMA SÃO OS POBRES, ESTUDANTES OU NÃO...

“Quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar de um serviço público, nós sabemos que esse serviço público se deteriora, é assim nos hospitais, é assim nas escolas...”

As palavras acima reproduzidas foram ditas hoje pelo actual ministro da educação, ciência e inovação (ver aqui). A entoação com que foram ditas acentua a convicção de se tratar de um exemplo bem claro de aporofobia.

Há poucos minutos, numa entrevista a um canal de televisão, o mesmo ministro explicou que não é nada assim, foi mal interpretado, melhor, as palavras foram descontextualizadas, o problema é da gestão desses serviços e, repetiu: do descuido da gestão!

PS 1: Entretanto o gabinete de imprensa do MECI publicou um "esclarecimento" sobre a polémica intervenção do ministro. Nele se reafirma a descontextualização das palavras (em primeira instância pela comunicação social) e a existência de "muitos estudos" que demonstram que a qualidade dos serviços aumenta quando existe diversidade social de utilizadores. Seria de lhe pedir, como fez um comentador de futebol: "diga um estudo, diga um..."

PS 2: E o "metemos" na frase não calha nada bem... Sei que os mais jovens usam o "meter" em vez de "colocar", de "pôr"... mas o senhor ministro é de outra geração...

2 comentários:

Carlos Ricardo Soares disse...

O Senhor Ministro mete-se em cada uma. Isto de ter o coração ao pé da garganta não é propriamente uma virtude e, já mais do que uma vez que não abona a favor do ministro. Alguns correligionários, por dever de solidariedade, desvalorizaram os deslizes comentando que o senhor minstro não tinha muito jeito para improvisos, outros, que talvez lhe falte presença de espírito. Mas é como a publicidade, só é boa quando beneficia. Se der pró torto, tem um efeito contrário e não interessa mesmo nada.

Semisovereign People at Large disse...

pode ter sido polémico mas não deixa de ter uma certa razão

QUEM PODE ENTRAR NAS ESCOLAS? UMA "PROIBIÇÃO" QUE, AFINAL, NÃO O É.

  Na sequência da excelente reportagem saída no jornal Público (ver aqui ,  aqui , aqui ,  aqui , aqui , e aqui ) sobre a entrada de influe...