A apresentar mensagens correspondentes à consulta não faça. compre ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta não faça. compre ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de novembro de 2022

"A VOSSA VOZ CONTA" PORQUE ELA É A NOSSA VOZ, QUE QUEREMOS QUE SEJA VOSSA

Saiu no Expresso online de ontem, sábado, um texto muito esclarecedor do jornalista Rui Duarte Silva sobre as terceiras Jornadas da Juventude, promovidas por uma tal Fundação da Juventude. O desafio colocado neste ano aos jovens, situados num amplo intervalo etário (entre os 15 e os 30 anos), foi "identificar problemas e apresentar aos políticos propostas concretas" no respeitante à saúde mental, emprego, educação e sustentabilidade. 

O trabalho, de três dias, resultou em conclusões (de grande “qualidade", segundo a presidente executiva da fundação) que foram apresentadas presencialmente a "decisores e assessores políticos", sendo a breve trecho comunicadas à "Assembleia da República e aos diferentes grupos parlamentares". O Presidente da República enviou uma mensagem com os seguintes dizeres: 
“A vossa voz conta, as vossas ações contam (...). Agora, aos decisores políticos, cabe querer fazer alguma coisa ou querer só ouvir. Se for só ouvir, é fácil mas não serve para nada. Se for para ouvir e aplicar, então vamos melhorar um bocadinho o nosso país e a nossa Europa”. 
Mas que conclusões tão relevantes são essas que convém acolher dentro e fora de portas? Direccionei o olhar para as que se referem à educação. São elas (meus destaques):
  • Reformular a forma como as aulas são dadas, tornando-as mais lúdicas e dinâmicas, recorrendo ao modelo de ensino não-formal, onde os alunos são o foco. Os alunos podem, assim, aprender os conteúdos de forma mais autónoma, interativa e motivadora. O professor assume um papel de moderador, guiando os alunos de forma pouco intrusiva, para serem eles a terem a iniciativa de aprender.
  • Rejuvenescer a classe docente, dando melhores condições àqueles que entram na carreira (aumento dos salários, redução da carga horária, entre outras).
  • Dar formação a todos os professores, nos períodos de interrupção letiva, ao longo de vários anos, de forma a dotá-los de novas ferramentas e métodos pedagógicos.
  • Inovar os conteúdos lecionados e inserir no programa ferramentas necessárias no dia a dia, ou seja, competências que têm utilidade prática para todos, como saber procurar emprego, fazer o IRS, pagar impostos, etc.
  • Promover um sistema de cooperativas [de material escolar], de forma a diminuir desigualdades. Cada encarregado de educação contribuiria com um valor monetário baixo, de modo a permitir que a escola compre e faça a manutenção desse material. Todos os alunos, cujos encarregados de educação contribuíssem, poderiam utilizar o material. 
  • Criar projetos de mentoria/“apadrinhamento”, com o intuito de promover uma só comunidade escolar, onde os alunos mais novos terão oportunidade de criar laços com alunos mais velhos. Esta é uma forma de os alunos poderem ter acesso a muita informação, relevante para decisões futuras, nomeadamente o percurso profissional e académico.
  • Integrar na média de acesso ao ensino superior uma percentagem atribuída com base no percurso/participação cívica dos jovens em projetos escolares, voluntariado, associações juvenis. 
E, confirma-se, a educação está ligada ao "mercado de trabalho": 
  • Alargar e implementar estágios curriculares obrigatórios em todo o ensino superior desde o início. 
  • Criar uma semana de empreendedorismo jovem a nível nacional.
  • Criar estágios observacionais no ensino secundário ou pós-secundário.
As minhas conclusões (muito gerais):
1) Rigorosamente, nada de novo. Quantas vezes já lemos, já ouvimos esta retórica? Centenas? Milhares? Os (estes) jovens repetem o que os (certos) mais velhos querem que repitam, tão simples quanto isto. Os primeiros pensam que estão a dizer grande coisa, coisa "inovadora"; os segundos... não sei, confesso ter dificuldade em entender o que leva adultos, até com formação académica superior, a afirmar, de modo convicto, o que se pode ler acima; 
2) Não me pronuncio sobre cada uma das propostas, seria repetir uma prosa interminável, relembro apenas que elas fazem parte do pacote que é a "transformação global da escolaridade". Pacote saído do mais refinado e eficaz neoliberalismo global, o qual passou a governar os governos e, portanto, a nossa vida; 
3) Note-se que chegámos a um patamar tão refinado e eficaz desse neoliberalismo, que mais velhos e mais novos são levados a pensar exactamente o que se pretende que, nesse quadro, pensem, julgando que é pensamento próprio. Somos já nós que pedimos a transformação que há muito está definida para nós, nada nos é imposto, nós queremos o que nos prejudica, crendo que nos beneficia; 
4) A debilidade política de governos e governantes é aqui bem visível (será que estes não a vêem?): pede-se a jovens que indiquem aos decisores políticos as decisões que lhes cabem. E é o próprio Presidente da República a reconhecê-lo, sugerindo os ganhos de efectivar essas decisões em acções (o Ministro da Educação tem feito o mesmo); 
5) Por último, estamos perante um excelente exemplo d' "a morte da competência": quem não tem formação, saber, experiência em áreas tão sensíveis e importantes como as assinaladas, áreas que requerem um elevado grau de especialização, é convidado a dar a "sua opinião", sendo que, não obstante, como referi acima, essa opinião comum, desavisada é ouvida "atentamente" por representantes do país que, além disso, dizem, levá-la em conta.
Para se compreender bem o que acima escrevi, será de "visitar" a fundação em causa. Ver aqui.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Não faça, compre!

Chegam-me à caixa de correio anúncios cada vez mais descarados de pessoas e empresas especializadas na fabricação de trabalhos e teses de mestrado e doutoramento, bem como de artigos científicos com garantia de publicação nas “tais revistas”. Tudo com preços devidamente discriminados por grau académico, tema, número de páginas, etc. A coisa é feita às claras e ninguém sai enganado: quem vende, sabe o que vende; quem compra, sabe o que compra. As academias não podem, portanto, ignorar o “negócio paralelo”.

Desta e doutras situações pouco edificantes, nada novas, mas, pelos vistos, em franca expansão nos tempos que correm, já Carlos Fiolhais e Elvira Calapez, deram conta no De Rerum Natura. Não deixe, no entanto, o leitor de se deliciar com o artigo que Carla Aguiar publicou nesta semana, com base numa investigação muito completa que fez da realidade portuguesa.

ESCREVER MAL PARA SE MOSTRAR HUMANO?

Deixei de ler praticamente tudo aquilo que tem a ver com a designada inteligência artificial generativa (erradamente assim designada, pelo m...