Lê-se na página da Direcção-Geral da Educação:
“Neste dia, deve celebrar-se a importância da educação na construção de uma sociedade mais justa e sustentável. Ao mesmo tempo reconhece-se os valores essenciais que a mesma proporciona na transmissão do conhecimento, a força que modela os nossos valores, promovendo a igualdade, tolerância e respeito.”
“O Dia Mundial da Educação é um momento inspirador para reforçar que ao investirmos na educação, investimos no progresso das sociedades e no potencial ilimitado das gerações futuras com impacto positivo na vida das pessoas e no mundo como um todo, onde a paz, a informação e o espírito empreendedor estejam presentes.”
É importante celebrar a educação, dedicar-lhe um dia. Mas ficamos por um dia?
A Educação, os seus valores, a sua importância para a formação do HOMEM é um tema que, desde sempre, tem sido alvo de discussões, de conselhos, de propósitos (nem sempre seguidos) de promessas e intenções, mais ou menos em função do momento.
Os ensinamentos do passado, a sabedoria dos mestres ancestrais continua actual e devia servir-nos, ainda hoje, de exemplo e de modelo a seguir.
Deixo aqui algumas passagens de um pequeno artigo do Professor João Gouveia Monteiro no Diário de Coimbra de 21 de Janeiro de 2026, precisamente a propósito do Dia Internacional da Educação. Intitula-se o artigo “Evocar Mêncio no Dia da Educação”
Mêncio foi um filósofo chinês, que viveu por volta de 381-296 a.C. e que herdou de Confúcio “o amor pela educação ética, que ambos consideravam a única forma de aperfeiçoar o Homem.” Destaco do texto de João Gouveia Monteiro:
— “defendiam o estudo dos textos clássicos chineses (decorar, interpretar, pôr em prática)”
— “um ensino aberto a todos, mesmo os mais carenciados”
— “um ensino capaz de incutir valores, não apenas utilitário”
— “pré-requisitos, só a vontade de aprender”
— “Estudar e pensar são como as duas pernas de uma pessoa” (Mêncio)
— “Deixa a tua mente ler e refletir, deixa a tua pena tomar nota”
— “Sem estudo, nenhuma das virtudes cardeais era alcançável: não haveria humanidade ou compaixão, mas sim perplexidade; nem sabedoria moral para formular juízos corretos, mas arrogância e presunção, nem atitudes genuínas ou integridade, mas sim fragilidade; nem tão pouco coragem ou fibra, antes desobediência e arbitrariedade.
— o estudo “requer tempo para uma boa digestão dos assuntos”
E João Gouveia Monteiro termina, informando que Mêncio:
“Defendeu políticas públicas integradas e até ecológicas (!) e governos que apostassem a sério na educação. Como não se sentir interpelado por esta voz que nos chega do Oriente, dois milénos e meio depois?”
COMO NÃO?
As vozes do passado deviam levar-nos (levar, quem decide...) a reflectir e a agir em conformidade.

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