Mão amiga fez-me chegar um artigo com o título A IA está a destruir a universidade e a própria aprendizagem, publicado em Dezembro de 2025 e assinado Ronald Purser, professor do College of Education na San Francisco State University (ver aqui).
Desse longo artigo extraí as passagens, que me pareceram mais relevante para pensar sobre a adopção da IA na educação, em geral, e na universitária, em particular, independentemente do país ou instituição de referência. Muitas das ideias que nele constam estarão no nosso horizonte.
Desse longo artigo extraí as passagens, que me pareceram mais relevante para pensar sobre a adopção da IA na educação, em geral, e na universitária, em particular, independentemente do país ou instituição de referência. Muitas das ideias que nele constam estarão no nosso horizonte.
Tomei a liberdade de usar em título uma frase que se repete no texto e de fazer ligações (sequenciais) entre ideias, que não assinalo. Espero não ter, com isto, traído a verdade do autor. De qualquer maneira, o leitor tem acima a ligação para fazer, caso queira, uma leitura integral.
"Os estudantes usam IA para escrever trabalhos, os professores usam IA para os avaliar, os diplomas perdem o significado e as empresas de tecnologia ganham fortunas. Bem-vindo ao fim do ensino superior.
Primeiro veio o pânico. Nas reuniões do corpo docente viu-se pavor: «Como vamos agora detectar o plágio?», «Devemos voltar aos cadernos e às provas supervisionadas?» Os meus colegas) comportavam-se como se a fraude tivesse sido acabada de inventar. Porém, quase da noite para o dia, a sua ansiedade tomou campus como cogumelos após a chuva. [O espírito] era de aceitação resignada: «Se não podes vencê-los, junta-te a eles».
Essa reviravolta não foi exclusiva do meu campus. O sistema da California State University (CSU) — o maior dos Estados Unidos, com 23 campi e quase meio milhão de estudantes — anunciou uma parceria com a OpenAI: tornar-se-ia o primeiro sistema universitário público “empoderado por IA” do país, oferecendo o ChatGPT Edu, gratuito a todos os estudantes e funcionários. O comunicado à imprensa elogiava as «ferramentas de aprendizagem personalizadas e focadas no futuro» e a «preparação dos estudantes para uma “economia impulsionada pela IA».
Enquanto os administradores cortavam fitas na sua iniciativa de IA, também cortavam cargos docentes, programas académicos inteiros e serviços aos estudantes.
Primeiro veio o pânico. Nas reuniões do corpo docente viu-se pavor: «Como vamos agora detectar o plágio?», «Devemos voltar aos cadernos e às provas supervisionadas?» Os meus colegas) comportavam-se como se a fraude tivesse sido acabada de inventar. Porém, quase da noite para o dia, a sua ansiedade tomou campus como cogumelos após a chuva. [O espírito] era de aceitação resignada: «Se não podes vencê-los, junta-te a eles».
Essa reviravolta não foi exclusiva do meu campus. O sistema da California State University (CSU) — o maior dos Estados Unidos, com 23 campi e quase meio milhão de estudantes — anunciou uma parceria com a OpenAI: tornar-se-ia o primeiro sistema universitário público “empoderado por IA” do país, oferecendo o ChatGPT Edu, gratuito a todos os estudantes e funcionários. O comunicado à imprensa elogiava as «ferramentas de aprendizagem personalizadas e focadas no futuro» e a «preparação dos estudantes para uma “economia impulsionada pela IA».
Enquanto os administradores cortavam fitas na sua iniciativa de IA, também cortavam cargos docentes, programas académicos inteiros e serviços aos estudantes.
Henry Giroux foi um dos primeiros a perceber como as universidades públicas estavam a ser transformadas em centros de formação profissional para os mercados privados. Outros traçaram a mesma tendência. Sheila Slaughter e Gary Rhoades chamaram-lhe capitalismo académico: o conhecimento remodelado como mercadoria e os estudantes como consumidores. Em Unmaking the Public University, Christopher Newfield mostrou como a privatização empobrece as universidades públicas. Martha Nussbaum alertou para o que se perde quando as humanidades — esses espaços para a imaginação e a reflexão cívica — são tratadas como dispensáveis numa democracia. Juntos, descrevem uma universidade que deixou de se importar com o sentido da educação, interessando-lhe só quanto ela pode render.
Quando se insiste que o ChatGPT é «apenas mais uma ferramenta na caixa de ferramentas», fico tentado a lembrá-los que há uma diferença entre ferramentas e tecnologias. As ferramentas ajudam-nos a realizar tarefas; as tecnologias remodelam os ambientes em que pensamos, trabalhamos e nos relacionamos. Como observa o filósofo Peter Hershock, não usamos apenas tecnologias; participamos nelas. Com as ferramentas, mantemos o controlo — podemos escolher quando e como usá-las; as tecnologias remodelam as condições da própria escolha. Uma caneta amplia a comunicação sem a redefinir; as redes sociais transformaram o que entendemos por privacidade, amizade e, até mesmo, verdade.
Neil Postman alertou que uma tecnopoly surge quando as sociedades entregam o julgamento aos imperativos tecnológicos — quando a eficiência e a inovação se tornam bens morais em si mesmos. Quando a velocidade e a optimização substituem a reflexão e o diálogo, a educação transforma-se em logística: classificações automatizadas, ensaios gerados em segundos. O conhecimento transforma-se em dados; entrega-se o ensino. O que desaparece são capacidades humanas preciosas — curiosidade, discernimento, presença. O resultado não é inteligência aumentada, mas aprendizagem simulada.
A tecnopoly está a prosperar nas aulas. Os alunos não são ensinados a pensar mais profundamente, mas a responder de forma mais eficaz. Estamos a exportar o próprio trabalho de ensinar e de aprender — o trabalho lento de explorar ideias, suportar o desconforto, a dúvida e a confusão, lutar para encontrar a própria voz. A pedagogia crítica está fora de moda; os truques de produtividade é que estão na moda. Vende-se a rendição como inovação. A universidade não corre apenas o risco de se tornar irrelevante — corre o risco de se tornar um mecanismo sem alma. O maior problema não é a ignorância, mas a indiferença.
Os estudantes sempre encontraram maneiras de fazer batota, mas o ChatGPT levou isso a outro nível. De repente, tiveram acesso a um assistente de escrita que nunca dormia, nunca cobrava e nunca dizia não. As universidades reagiram com detectores de IA, os estudantes continuaram a fazer batota e as universidades reagiram com outros detectores de IA. Face à negligência institucional faz-se funcionar o capitalismo de vigilância. [E resulta?] Não! Os alunos passaram a trocar dicas para tornar o ChatGPT mais burro, inserindo erros ortográficos nos seus textos, por exemplo, para os “humanizar”. Por seu lado, os professores, que antes se mostravam relutantes com a IA, estão agora a ser «empoderados» por ela para escrever palestras e artigos, corrigir trabalhos, redesenhar programas de estudos.
Todo este fingimento lembra uma velha piada soviética: «Eles fingem que nos pagam e nós fingimos que trabalhamos» [que, adaptada, será]: «As administrações fingem que nos apoiam e nós, professores, fingimos que ensinamos» e «Os professores fingem que nos ensinam e nós, estudantes, fingimos que aprendemos». As universidades correm o risco de conferir diplomas sem sentido. A IA ameaça profissionalizar a arte da «actividade sem sentido». Nas palavras de Graeber, [isto cria uma] «profunda violência psicológica», a dissonância de saber que o próprio trabalho não serve nenhum propósito.
Tive um lugar na primeira fila para assistir a essa farsa no workshop «OpenAI Day Faculty Session: AI in the Classroom». A mensagem era clara. Deixe o ChatGPT redesenhar a sua aula. Deixe o ChatGPT dizer-lhe como avaliar os seus alunos. Deixe o ChatGPT dizer aos alunos como usar o ChatGPT. Deixe o ChatGPT resolver o problema da educação humana. [Face à sugestão de que a ferramenta poderia ser uma amiga, uma professora perguntou]: «Estamos a incentivar os estudantes a terem um relacionamento com ela?» [A resposta foi]: «Muitos já fazem isso. Eles veem-na como uma treinadora, mentora, orientadora de carreira... cabe-lhes decidir que tipo de relacionamento querem ter». Bem-vindo ao admirável mundo novo da ligação a máquinas. O momento foi absurdo.
Quando se insiste que o ChatGPT é «apenas mais uma ferramenta na caixa de ferramentas», fico tentado a lembrá-los que há uma diferença entre ferramentas e tecnologias. As ferramentas ajudam-nos a realizar tarefas; as tecnologias remodelam os ambientes em que pensamos, trabalhamos e nos relacionamos. Como observa o filósofo Peter Hershock, não usamos apenas tecnologias; participamos nelas. Com as ferramentas, mantemos o controlo — podemos escolher quando e como usá-las; as tecnologias remodelam as condições da própria escolha. Uma caneta amplia a comunicação sem a redefinir; as redes sociais transformaram o que entendemos por privacidade, amizade e, até mesmo, verdade.
Neil Postman alertou que uma tecnopoly surge quando as sociedades entregam o julgamento aos imperativos tecnológicos — quando a eficiência e a inovação se tornam bens morais em si mesmos. Quando a velocidade e a optimização substituem a reflexão e o diálogo, a educação transforma-se em logística: classificações automatizadas, ensaios gerados em segundos. O conhecimento transforma-se em dados; entrega-se o ensino. O que desaparece são capacidades humanas preciosas — curiosidade, discernimento, presença. O resultado não é inteligência aumentada, mas aprendizagem simulada.
A tecnopoly está a prosperar nas aulas. Os alunos não são ensinados a pensar mais profundamente, mas a responder de forma mais eficaz. Estamos a exportar o próprio trabalho de ensinar e de aprender — o trabalho lento de explorar ideias, suportar o desconforto, a dúvida e a confusão, lutar para encontrar a própria voz. A pedagogia crítica está fora de moda; os truques de produtividade é que estão na moda. Vende-se a rendição como inovação. A universidade não corre apenas o risco de se tornar irrelevante — corre o risco de se tornar um mecanismo sem alma. O maior problema não é a ignorância, mas a indiferença.
Os estudantes sempre encontraram maneiras de fazer batota, mas o ChatGPT levou isso a outro nível. De repente, tiveram acesso a um assistente de escrita que nunca dormia, nunca cobrava e nunca dizia não. As universidades reagiram com detectores de IA, os estudantes continuaram a fazer batota e as universidades reagiram com outros detectores de IA. Face à negligência institucional faz-se funcionar o capitalismo de vigilância. [E resulta?] Não! Os alunos passaram a trocar dicas para tornar o ChatGPT mais burro, inserindo erros ortográficos nos seus textos, por exemplo, para os “humanizar”. Por seu lado, os professores, que antes se mostravam relutantes com a IA, estão agora a ser «empoderados» por ela para escrever palestras e artigos, corrigir trabalhos, redesenhar programas de estudos.
Todo este fingimento lembra uma velha piada soviética: «Eles fingem que nos pagam e nós fingimos que trabalhamos» [que, adaptada, será]: «As administrações fingem que nos apoiam e nós, professores, fingimos que ensinamos» e «Os professores fingem que nos ensinam e nós, estudantes, fingimos que aprendemos». As universidades correm o risco de conferir diplomas sem sentido. A IA ameaça profissionalizar a arte da «actividade sem sentido». Nas palavras de Graeber, [isto cria uma] «profunda violência psicológica», a dissonância de saber que o próprio trabalho não serve nenhum propósito.
Tive um lugar na primeira fila para assistir a essa farsa no workshop «OpenAI Day Faculty Session: AI in the Classroom». A mensagem era clara. Deixe o ChatGPT redesenhar a sua aula. Deixe o ChatGPT dizer-lhe como avaliar os seus alunos. Deixe o ChatGPT dizer aos alunos como usar o ChatGPT. Deixe o ChatGPT resolver o problema da educação humana. [Face à sugestão de que a ferramenta poderia ser uma amiga, uma professora perguntou]: «Estamos a incentivar os estudantes a terem um relacionamento com ela?» [A resposta foi]: «Muitos já fazem isso. Eles veem-na como uma treinadora, mentora, orientadora de carreira... cabe-lhes decidir que tipo de relacionamento querem ter». Bem-vindo ao admirável mundo novo da ligação a máquinas. O momento foi absurdo.
A educação, na sua melhor forma, desperta a curiosidade e o pensamento crítico. A «educação sem sentido» faz o oposto: treina as pessoas a tolerar a falta de significado, a aceitar a automatização do seu próprio pensamento.
Os administradores parecem incapazes de compreender o óbvio: se o ChatGPT pode escrever ensaios, conseguir classificações excelentes em exames e dar aulas, o que é que a universidade está a vender? Para quê pagar por uma experiência cada vez mais automatizada? Para quê dedicar a vida ao ensino se ele se reduz a uma engenharia de prompts? Para quê manter professores titulares cujo papel parece antiquado e redundante? Para quê ter universidades?
Um professor de filosofia alertou: «Um grande número de estudantes entrará no mercado de trabalho essencialmente analfabeto. Sempre que falo com um colega, surge o mesmo assunto: a reforma. Quando é que me posso reformar? Quando é que me posso livrar disto?»
Quando alguém se opõe a esse evangelismo corporativo, a resposta é previsível: tem «pânico moral» em relação ao progresso inevitável, como foi o caso de Sócrates em relação à escrita. As tecnologias anteriores expandiram a acção humana ao longo de gerações; esta procura substituir a cognição à velocidade da plataforma.
Os administradores parecem incapazes de compreender o óbvio: se o ChatGPT pode escrever ensaios, conseguir classificações excelentes em exames e dar aulas, o que é que a universidade está a vender? Para quê pagar por uma experiência cada vez mais automatizada? Para quê dedicar a vida ao ensino se ele se reduz a uma engenharia de prompts? Para quê manter professores titulares cujo papel parece antiquado e redundante? Para quê ter universidades?
Um professor de filosofia alertou: «Um grande número de estudantes entrará no mercado de trabalho essencialmente analfabeto. Sempre que falo com um colega, surge o mesmo assunto: a reforma. Quando é que me posso reformar? Quando é que me posso livrar disto?»
Quando alguém se opõe a esse evangelismo corporativo, a resposta é previsível: tem «pânico moral» em relação ao progresso inevitável, como foi o caso de Sócrates em relação à escrita. As tecnologias anteriores expandiram a acção humana ao longo de gerações; esta procura substituir a cognição à velocidade da plataforma.
[Também se argumenta que] o melhor será aprender com a prática e corrigir depois. [Contra isto disse um professor:] «os estudantes estão a ser usados como cobaias». Essa expressão — cobaias — ecoa o aviso que Kenney e Lincoln fizeram no seu artigo de opinião no San Francisco Chronicle: «A introdução da IA no ensino superior é essencialmente uma experiência não regulamentada. Por é que os nossos alunos devem ser as cobaias?».
Mas a resposta organizada está a crescer. Nos Estados Unidos, foi apresentada uma queixa por imposição da IA sem consulta prévia do corpo docente, sob a alegação de que houve uma violação da legislação laboral e dos direitos de propriedade intelectual, e uma professora exortou os colegas a exigirem transparência no respeitante ao armazenamento de dados, à exploração laboral e aos danos ambientais que causa. Professores holandeses publicaram uma carta aberta apelando a uma moratória sobre a IA em ambientes académicos, alertando que a sua utilização «desqualifica o pensamento crítico» e reduz os estudantes a operadores de máquinas.
[De facto], o custo cognitivo e moral [imposto aos estudantes não pode deixar de ser tido em conta]. Um estudo recente do MIT, intitulado «Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task» chegou a resultados preocupantes: quando os participantes usaram o ChatGPT para redigir ensaios, verificou-se uma queda de 47% na conectividade neural em regiões associadas à memória, linguagem e raciocínio crítico. Os seus cérebros trabalharam menos, apesar de os participantes se sentiram envolvidos — uma espécie de miragem metacognitiva. Oitenta e três por cento não conseguiram lembrar-se dos principais tópicos do que haviam «escrito«, em comparação com 10% dos que não usaram ajuda. Após quatro meses de dependência do ChatGPT, os participantes escreviam pior (sem o seu uso) do que aqueles que nunca o tinham usado. Ou seja, quando a escrita é delegada à IA, a forma de aprender muda substancialmente. Como o cientista da computação Joseph Weizenbaum alertou há décadas, o verdadeiro perigo reside na adaptação da mente humana à lógica das máquinas. Os estudantes não estão apenas a aprender menos; os seus cérebros estão a aprender a não aprender.
O podcaster Cal Newport chama a isso «dívida cognitiva» — hipotecar a aptidão cognitiva futura em troca de facilidade a curto prazo. A linguagem da reflexão está a desaparecer. Em seu lugar, surge a gramática limpa da automação: fluente, eficiente e vazia.
A verdadeira tragédia não é que os estudantes usem o ChatGPT para fazer trabalhos, é as universidades estarem a ensinar — estudantes, professores, administradores — a parar de pensar. Caminhamos para a falência educacional: diplomas sem aprendizagem, ensino sem compreensão, instituições sem propósito.
A OpenAI não é uma parceira — é um império, disfarçado de ética A universidade não resistiu. Clicou em «Aceitar». Como professor e como estudante universitário de primeira geração, acreditava que a universidade era um espaço sagrado para aprender. Não fui para a faculdade «para» conseguir um emprego. Fui para explorar, para ser desafiado, para descobrir o que era importante. Levei seis anos para me formar em Psicologia — seis dos anos mais significativos e exploratórios da minha vida. Esse tipo de educação — aberta, acessível e em busca de significado — já floresceu nas universidades públicas. Agora está quase extinta. Mas as coisas podem ser diferentes.
Mas a resposta organizada está a crescer. Nos Estados Unidos, foi apresentada uma queixa por imposição da IA sem consulta prévia do corpo docente, sob a alegação de que houve uma violação da legislação laboral e dos direitos de propriedade intelectual, e uma professora exortou os colegas a exigirem transparência no respeitante ao armazenamento de dados, à exploração laboral e aos danos ambientais que causa. Professores holandeses publicaram uma carta aberta apelando a uma moratória sobre a IA em ambientes académicos, alertando que a sua utilização «desqualifica o pensamento crítico» e reduz os estudantes a operadores de máquinas.
[De facto], o custo cognitivo e moral [imposto aos estudantes não pode deixar de ser tido em conta]. Um estudo recente do MIT, intitulado «Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task» chegou a resultados preocupantes: quando os participantes usaram o ChatGPT para redigir ensaios, verificou-se uma queda de 47% na conectividade neural em regiões associadas à memória, linguagem e raciocínio crítico. Os seus cérebros trabalharam menos, apesar de os participantes se sentiram envolvidos — uma espécie de miragem metacognitiva. Oitenta e três por cento não conseguiram lembrar-se dos principais tópicos do que haviam «escrito«, em comparação com 10% dos que não usaram ajuda. Após quatro meses de dependência do ChatGPT, os participantes escreviam pior (sem o seu uso) do que aqueles que nunca o tinham usado. Ou seja, quando a escrita é delegada à IA, a forma de aprender muda substancialmente. Como o cientista da computação Joseph Weizenbaum alertou há décadas, o verdadeiro perigo reside na adaptação da mente humana à lógica das máquinas. Os estudantes não estão apenas a aprender menos; os seus cérebros estão a aprender a não aprender.
O podcaster Cal Newport chama a isso «dívida cognitiva» — hipotecar a aptidão cognitiva futura em troca de facilidade a curto prazo. A linguagem da reflexão está a desaparecer. Em seu lugar, surge a gramática limpa da automação: fluente, eficiente e vazia.
A verdadeira tragédia não é que os estudantes usem o ChatGPT para fazer trabalhos, é as universidades estarem a ensinar — estudantes, professores, administradores — a parar de pensar. Caminhamos para a falência educacional: diplomas sem aprendizagem, ensino sem compreensão, instituições sem propósito.
A OpenAI não é uma parceira — é um império, disfarçado de ética A universidade não resistiu. Clicou em «Aceitar». Como professor e como estudante universitário de primeira geração, acreditava que a universidade era um espaço sagrado para aprender. Não fui para a faculdade «para» conseguir um emprego. Fui para explorar, para ser desafiado, para descobrir o que era importante. Levei seis anos para me formar em Psicologia — seis dos anos mais significativos e exploratórios da minha vida. Esse tipo de educação — aberta, acessível e em busca de significado — já floresceu nas universidades públicas. Agora está quase extinta. Mas as coisas podem ser diferentes.
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