Mostrar mensagens com a etiqueta migrações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta migrações. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de outubro de 2019

ComceptCon 2019: Evolução Humana

Evento: ComceptCon 2019: Evolução Humana
Local: Museu de Leiria
Data: 2 de Novembro, a partir das 10h
Entrada gratuita
Programa e inscriçõeshttp://comcept.org/comceptcon-2019/

Mais informações:

A COMCEPT – Comunidade Céptica Portuguesa, associação de promoção da ciência, vai realizar a sua oitava convenção anual, a ComceptCon 2019, que irá decorrer a partir das 10h00 do dia 2 de Novembro, no Museu de Leiria.
O título da convenção deste ano será “Evolução: o ser humano na árvore da vida”.

Durante a ComceptCon irão decorrer quatro conferências dirigidas a todas as pessoas que se interessem pela relação entre a ciência e a sociedade. A manhã começará com uma palestra sobre o ABC da Evolução, pela bióloga Diana Barbosa, Presidente da COMCEPT, seguida de uma intervenção sobre as novidades da Evolução Humana, tendo como oradora Eugénia Cunha, Professora Catedrática convidada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e Directora da Delegação Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.

Depois de uma pausa para o almoço, João Pedro Tereso, investigador em arqueobotânica no CIBIO-InBIO, falará da Evolução da paisagem e mudanças nas sociedades humanas antes do Antropocénico. A última palestra será dedicada à variação genética humana e ficará a cargo de Jorge Rocha, professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e coordenador do grupo de Genética Evolutiva Humana, no CIBIO-InBIO.

No final, haverá um debate com os quatro oradores em torno do tema O que nos dizem os testes genéticos comerciais. Será dada a possibilidade intervenção do público, de modo a proporcionar uma aproximação entre estes e os cientistas.

Mas este ano traz uma novidade: devido ao evento calhar num fim-de-semana prolongado, o Museu de Leiria irá proporcionar uma visita ao Vale do Lapedo e ao Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho, para conhecer a história da descoberta do Menino do Lapedo. A vista terá lugar no dia anterior, dia 1 de Novembro, às 15h.

Numa época de nacionalismos e de extremismos, importa conhecer a história do percurso da humanidade para compreender a sua origem comum, o seu percurso migratório e entender que apesar das diferenças morfológicas não há diversidade genética suficiente para falar de raças humanas.

Neste evento, os participantes poderão conversar directamente com os cientistas e esclarecer as suas dúvidas, seja durante o período de perguntas, seja durante o intervalo.
Para mais informações sobre o evento, pode consultar a página do evento: http://comcept.org/comceptcon-2019/


segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Trabalho de Migrar – A Migração Espectacular do Beija-flor.


Crónica, na sequência de outra, as duas publicadas primeiro na imprensa regional.

Esquecemos muitas vezes o que nos parece óbvio!

Algumas coisas são tão próprias da nossa natureza, tão habituais e regulares, que não despendemos esforço para reparar nelas.

Todos os anos esperamos e achamos natural que muitas espécies de aves, como as andorinhas e outras pequenas aves como os beija-flores, ou colibris, regressem no início da estação da primavera.

A sua chegada, alegra-nos como prenúncio de um novo tempo de fertilidade, promessas de nova abundância de alimentos, de um clima mais ameno e contrário às agruras das estações frias. Mas de quão longe vêm essas aves que enchem o espaço com anúncios primaveris? Antes de continuar, façamos uma pausa, voltemos ao princípio.

No princípio esquecemo-nos de constatar o óbvio: antes de a vida desabrochar no planeta Terra já havia “tempo”, já havia “espaço”. A evolução da vida no planeta Terra efectuou-se sobre a matriz “física” do “tempo” e do “espaço”. E estes ficaram substantivos, elementos íntimos da vida. Ficaram incorporados nas características e propriedades do que é vivo num determinado período de tempo. Durante esse período de tempo, o ser vivo explorou e migrou num determinado espaço. Como as condições mais apropriadas “à sua vida” variavam no espaço e com o tempo, sobreviveram os grupos de indivíduos que melhor se adaptaram à variação frequente, cíclica, de determinados factores físicos e químicos, também eles variáveis no tempo e no espaço.

Assim, as migrações cíclicas ajustadas às estações climáticas são uma das características da vida neste planeta. Em todas as migrações dos seres vivos é possível encontrar algo de surpreendente que nos maravilha. O exemplo da migração das pequenas aves conhecidas por “beija-flores” (família Trochilidae) é um dos que surpreende pelo grande contraste entre o seu tamanho de poucos centímetros, alguns gramas de peso, e os milhares de quilómetros da sua migração sazonal à procura de flores e primavera.

Algumas espécies de beija-flores efectuam voos de cerca de 2400 km, sem nunca parar e sempre sobre o mar, para regressar às zonas em que a estação primaveril vai despontar. Para isso, estas pequenas aves mantêm uma velocidade de cerca de 40 km/h, durante cerca de 60 horas! Para “aguentar” a migração, estas aves alteram o seu metabolismo de reservas energéticas e armazenam uma significativa quantidade de gorduras na forma de ácidos gordos e cetonas, aumentando cerca de 10 vezes de peso e o dobro do tamanho! Uma transposição para o ser humano significaria um aumento de peso de cerca de 10 kg por dia, durante a preparação para o início da migração!

Um dos aspectos muito curiosos da bioenergética associada a esta migração é o de que água é produzida como um dos produtos da oxidação das gorduras (combustível) durante o voo. As pequenas aves não passam sede, nem fome, nem precisam de recorrer às proteínas dos seus necessários músculos para chegar ao seu destino.

No final da migração, o beija-flor consumiu cerca de dois terços da gordura armazenada, e ainda lhe “sobram” reservas de energia para alguma eventualidade, algum atraso na primavera, algum contra tempo do clima.

(contínua)

António Piedade

O FERRO

Por A. Galopim de Carvalho (in "Nós e as Pedras", em preparação) O ferro (Fe), do latim "ferrum", com o mesmo significa...