A sociedade não funciona apenas de acordos explícitos, mas também, e em grande medida, de representações, expectativas e concessões tácitas.
Este modo de funcionar tem ganho terreno nas relações laborais. O acordo firmado em papel de umas tantas horas de trabalho a troco de um determinado ordenado é implicitamente ultrapassado pela disponibilidade a tempo inteiro. Espera-se que bancários, professores, médicos e enfermeiros, engenheiros, assistentes sociais, vendedores, directores e gestores... estejam permanentemente contactáveis e disponíveis para resolver qualquer problema que surja. Não importam as folgas, os fins-de-semana, as férias... Os empregadores esperam isso dos seus empregados, estes, por sua vez, sentem que se devem dedicar à profissão além do contratado. Afinal, é a sua realização profissional que está em causa, o seu sucesso e a possibilidade de obter uma boa avaliação.
Múltiplos estudos têm indicado que esta circunstância constitui uma das causas mais importante de stress e de esgotamento que afecta muitíssimas pessoas. Síndrome de burnout foi o que, nos anos de 1970, Freudenberger, psicanalista de Nova Iorque, chamou a esse estado de fadiga extrema e permanente que se manifesta com frequência em quem pouco ou nada descansa.
Ora, parece que esta síndrome não é vantajosa para ninguém: os empregadores perdem em eficácia laboral; os empregados adoecem; os sistema de segurança social e as seguradoras privadas gastam dinheiro em cuidados de saúde...
Assim, primeiro a França e agora a Alemanha estão a elaborar legislação para que esta circunstância de trabalho a tempo inteiro mude.
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