Adenda ao texto.
Hoje, em Inglaterra, um homem foi morto por um tigre num parque de vida selvagem. A polícia apelou às pessoas para não partilharem os vídeos do incidente que circulam na internet (ver aqui).
Da notícia deduz-se que, num país europeu, civilizado, pessoas comuns com aptidões suficientes para usarem um aparelho de gravação, talvez apegadas a animais, foram capazes de
1) registar um acontecimento que se presume ser tão terrível, o que obrigaria a manter o olhar firme;
2) divulgar o registo do acontecimento para todo o mundo e para sempre, o que obrigaria à sua revisitação.
2) divulgar o registo do acontecimento para todo o mundo e para sempre, o que obrigaria à sua revisitação.
O registo em directo e a divulgação de tudo, até de uma morte atroz, já entrou na zona do normal. O impulso para o fazer sobrepõe-se à mais banal compaixão.
Eis o paradoxo: quanto maior a sofisticação tecnológica, menor a sensibilidade humana. A lógica é: se posso fazer, então faço, sem qualquer travão pelo meio.
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