sexta-feira, 26 de março de 2010

EINSTEIN E A BANDA DESENHADA 3


Existem em português alguns bons livros de banda desenhada da autoria do astrofísico francês Jean Pierre Petit ("As Aventuras de Anselmo Curioso", uma série da D. Quixote) que procuram explicar a teoria da relatividade de Einstein. Por vontade do autor e no quadro da iniciativa "Saber sem Fronteiras" pode-se fazer a descarga gratuita deesses livros (aqui):

- J. P. Petit, "Einstein e a Teoria da Relatividade", D. Quixote, Lisboa (1982), tradução de I. St. Aubyn, revisão técnica de A. St. Aubyn; original francês, "Les Aventures d´Anselme Lanturlu-Tout est relativ", E. Belin 1980; 69 pp.

A série de banda desenhada, na qual este livro se integra mostra como a banda desenhada pode ser educativa e servir mesmo de suporte pedagógico para o ensino da física. Humor e pedagogia são afinal bem compatíveis, pelo menos para este astrofísico francês. No entanto, desiludam-se aqueles que, aliciados pelos «bonecos», julgam que a compreensão das ideias expostas é sempre fácil. A revisão científica foi efectuada por A. St. Aubyn, professor de matemática no I.S.A, Lisboa, o mesmo acontecendo nos volumes seguintes.

- J. P. Petit, "Einstein e o Buraco Negro", D. Quixote, Lisboa (1982), tradução de I. St. Aubyn; original francês, "Les Aventures d´Anselme Lanturlu-Le Trout Noir", E. Belin, 1980; 69 pp.

Outro volume publicado entre nós da série do Anselmo, concebida para ensinar ciência a leitores sem grande formação científica. O personagem Anselmo embrenha-se aqui nas singularidades que surgem na relatividade geral, servindo-se de algumas noções geométricas relevantes, como a de curvatura do espaço.

- J. P. Petit, "Os Mistérios da Geometria", D. Quixote, Lisboa (1982), tradução de L. Pignatelli; original francês, "Les Aventures d´Anselme Lanturlu-Le Geometricon, E. Belin, 1980; 69 pp.

O título pode induzir em erro, pois mais do que fazer uma introdução à geometria convencional, o autor fala do conteúdo físico das geometrias, nomeadamente das geometrias não euclidianas, de grande importância para a teoria da relatividade geral. Essa conexão é revelada pelo último «cartoon», onde aparece Einstein.

O ESTUDO DAS ÁGUAS MINERAIS EM PORTUGAL


Post convidado do historiador de ciência António José Leonardo, que já aqui tem dado outras contribuições (na figura, antigo Hospital Termal das Caldas da Rainha, em gravura do século XVIII:

As primeiras estâncias termais existentes em Portugal remontam ao período romano, existindo desde a antiguidade. Jacob Castro Sarmento (1691-1762), no seu livro Matéria médica (1735), abordou as águas minerais, descrevendo algumas de Inglaterra, Alemanha e Portugal, e referiu ser muito antiga a sua aplicação mas “sobre os seus princípios não encontramos mais do que especulações imaginárias, fantasias fabulosas” . Em 1758, o Marquês de Pombal enviou um questionário aos párocos onde os interrogava “Se há no seu distrito algumas fontes de propriedades raras?”

As primeiras análises químicas a águas minerais em Portugal terão sido realizadas no Laboratório Chimico da Universidade de Coimbra (UC) nas últimas décadas do século XVIII, sob a orientação de Domingos Vandelli (1739-1816), um italiano trazido de Pádua pelo Marquês de Pombal. Vandelli e os seus discípulos, nomeadamente José Martins da Cunha Pessoa e João Nunes Gago, efectuaram entre 1775 e 1781 análises das águas do Estoril e das Caldas da Rainha . Todavia, os processos adoptados eram muito imperfeitos, revelando algum atraso no que respeita à química uma vez que as ideias de Lavoisier só se tornaram conhecidas em Portugal após a publicação dos Elementos de Chimica de Vicente Coelho de Seabra Silva Telles (1764-1804), entre 1788 e 1790.

Em Portugal, o estudo das águas minerais sofreu um grande impulso ainda na primeira metade do século XIX suscitado pelo reconhecimento “que Portugal era talvez o país da Europa onde proporcionalmente ao seu território havia maior quantidade de águas minerais” apesar da ignorância das suas propriedades, aplicações e mesmo da sua localização. O valor deste recurso natural conduziu à deliberação pelo parlamento, em 1822, que se procedesse a um inventário rigoroso das águas minerais do reino, tendo-se constatado que apenas existia uma catálogo elaborado em 1726 por Francisco da Fonseca Henriques, médico do rei D. João V, com o título de Aquilegio Medicinal (do Dr. Mirandela – como ficou conhecido Fonseca Henriques, natural desta localidade). Este inventário pouco rigoroso foi reformulado, em 1810, por Francisco Tavares e editado num livro, tendo o autor eliminado as águas sem virtudes curativas e acrescentadas outras entretanto descobertas. Descreveu também, de forma mais exacta, os seus efeitos terapêuticos e as suas qualidades físicas e químicas, ao mesmo tempo que refutou os argumentos menos científicos e as qualidades milagrosas que eram atribuídas pela credulidade popular a alguma águas. Foi também citado nesta publicação o estudo das águas das Caldas da Rainha, realizado em 1793 por Guilherme Withering, um sócio da Academia Real de Ciências de Lisboa e da Sociedade Real de Londres . Este trabalho foi considerado “a primeira e verdadeiramente scientifica analyse que se fez das aguas mineraes portuguezas”. A 22 de Julho de 1822, o Barão de Mollelos apresentou numa sessão das cortes uma proposta para que procedesse a um inventário definitivo das águas minerais do reino, que incluísse análises químicas que colmatassem as deficiências dos trabalhos anteriores. Embora o governo de então tenha prontamente aceitado esta proposta e ordenado aos corregedores das comarcas que procedessem às diligências necessárias, a escassez de pessoas habilitadas e as turvações políticas que se faziam sentir impediram a conclusão desta empreitada. No Jornal da Sociedade Farmacêutica Lusitana foram publicadas em 1839 análises de várias águas em consequência de uma portaria de 16 de Agosto do mesmo ano que mandatou esta sociedade no estudo das águas minerais do reino.

António José Leonardo

Os cientistas filósofos e os filósofos cientistas


Informação recebida da Universidade de Évora:

Évora's second international symposium on philosophy of science
les savants philosophes / les philosophes savants

UNIVERSITY OF ÉVORA, 27 APRIL 2010, ROOM 124 – COLÉGIO DO ESPÍRITO SANTO

Scientific coordination: Hermínio Martins, João Príncipe, Mariana Valente.

Program
09h30m – Welcome session
Session I – chairman: Augusto Fitas (Universidade de Évora/ CEHFCi)
10h00m – Mariana Valente (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Helmholtz et Mach – des
interprètes de science”
10h25m – João Príncipe (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Analogie chez Poincaré”
10h50m – Ricardo Coelho (FCUL/ CEHFCi): “Hertz’s Mechanics as an Image”
11h15m – coffee break
11h30m – Ending morning Conference:
Olivier Darrigol (CNRS): “Le problème de la sous-détermination des théories chez Henri Poincaré”
12h15m – Discussion

14h00m – Opening afternoon conference
Herminio Martins (ST. Anthony College, University of Oxford): “Michael Polanyi and the philosophy of science”
Session II – chairman: Fátima Nunes (Universidade de Évora/ CEHFCi)
15h00m – Maria do Rosário Branco (PhD): “Para uma leitura kantiana das Regulae philosophandi de Newton”
15h25m – Leonel Ribeiro dos Santos (Universidade de Lisboa CFUL): “Pressupostos
Epistémicos e Metafísico – Teológicos da Cosmologia do jovem Kant”
16h00m – Luís Morais (PhD): “O objecto real como campo cognitivo em Whitehead”
16h25m – coffee Break
16h45m – Ending conference:
Isabelle Stengers (Universidade Livre de Bruxelas): “Penser avec Whitehead”
17h35m – Discussion and final comments by João Príncipe e Mariana Valente.

quinta-feira, 25 de março de 2010

EINSTEIN E A BANDA DESENHADA 2


O ilustrador e cartunista norte americano Britt Spencer, autor de vários livros infantis e colaborador de várias publicações internacionais, anunciava em Setembro passado que estava a trabalhar num comic-book em que o superherói era Albert Einstein, que viaja pela galáxia à velocidade da luz, e o próprio leitor (clicar para ver melhor a imagem). Ver aqui, onde ele remete para o blogue einsteiniano ("Journey by starlight") que lhe serve de inspiração para o guião.

quarta-feira, 24 de março de 2010

EINSTEIN E A BANDA DESENHADA 1


Já este ano foi lançada nos Estados Unidos a segunda edição, revista e ampliada, do livro do físico James Kakalios, "The Physics of Superheros", que mostra como alguns superheróis da banda desenhada e do cinema comprovam ou contrariam as leis da física. A convidar para ler o livro aparece na capa. no lado direito e em cima, a figura de Albert Einstein.

"Também disponível em livro"

Felizmente há Luar, de Luís de Sttau Monteiro,
Memorial do Convento, de José Saramago,
Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett,
Os Maias, de Eça de Queirós,
Os Lusíadas, de Luís de Camões,
A mensagem, de Fernando Pessoa.

Sim, confirmei, todas estas obras, que o currículo preceitua como leitura obrigatória no Ensino Secundário, foram devidamente resumidas para uso em telemóvel.

A iniciativa é de um importante grupo editorial de livros escolares, que, como o leitor pode constatar se carregar aqui, nos informa que cada obra está "Também disponível em livro".

Simplificar a ciência através da comunicação


Artigo de Bruno Araújo e Gizelly Santos saído no último jornal universitário "A Cabra":

As inscrições para a primeira fase nacional do concurso Famelab terminam a 31 de Março. A competição que nasceu no Reino Unido, pretende premiar os melhores a divulgar ciência a nível internacional. Em Portugal a iniciativa é do Cheltenham Science Festival, em parceria com o Ciência Viva, apoiado pelo British Council. Com o lema “se queres comunicar ciência, puxa pela língua”, o concurso está dividido em três fases. Para a pré-selecção, os participantes devem enviar um vídeo com um máximo de três minutos. “As apresentações devem ser dinâmicas, cientificamente correctas e muito claras”, lê-se no regulamento. Os seleccionados passam para a segunda etapa, desta vez, presencial. As exposições são feitas a 17 de Abril, diante de um júri especializado. Para os que passarem para a última fase, terá lugar uma MasterClass, “conduzida por um profissional do Cheltenham Science Festival e por um profissional português”. Na final da competição, a 8 de Maio, os jurados escolhem um único participante: o representante português para a fase internacional do concurso, de 9 a 10 de Junho, no Reino Unido. Para participar não basta apenas conhecer métodos científicos, mas sim saber levar o conhecimento às pessoas, através da chamada comunicação da ciência. Mas, será que é assim tão fácil? Alguns cientistas provaram que sim.

Uns falam em popularização da ciência, outros em vulgarização do trabalho científico. A intenção é certa: tornar acessível ao grande público o que é restrito a alguns. A divulgação científica surgiu ao longo da História, como uma nova forma de tratar a ciência.

Durante muitos anos, a humanidade esteve diante de enigmas. As leis da Física, a Astronomia, a Biologia, a Geologia e tantos outros ramos científicos ajudaram a responder questões essenciais à sobrevivência humana. Galileu Galilei, Isaac Newton e, no início do século XX, Albert Einstein antes de serem cientistas, foram humanos.

Descobriram fórmulas, elaboraram pensamentos e comunicaram. É exactamente a comunicação que está na base da disseminação do conhecimento científico.

“Arte” de comunicar ciência

Para Carlos Fiolhais, docente catedrático e director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (UC), a divulgação científica “bem feita permite partilhar aquilo que é a descoberta do mundo feita pelos cientistas”. Doutorado em Física Teórica pela Universidade Goethe, em Frankfurt, Fiolhais é um exemplo vivo de que o público não especializado pode entender como se faz ciência. Nos tempos de escola, encontrou em Rómulo de Carvalho e em outros autores o interesse pelo universo científico. Hoje, depois de muitas obras publicadas, fala sobre o estímulo encontrado nos livros que lia: “eram livros que seduziam, que mostravam que a ciência era uma aventura”. “Se funcionou comigo, pode funcionar com outros”, defende.

Na mesma linha de Fiolhais está o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), Nuno Crato. Divulgar a ciência “implica falar ou escrever com simplicidade, de maneira directa, numa tentativa de cativar o leitor ou o ouvinte”, sustenta. Crato diz ainda que se trata de uma “arte bastante parecida com o jornalismo, porque é uma arte de comunicação”. Mas, muitas vezes, é a dificuldade na exposição das ideias, que faz de um bom cientista, um mau divulgador científico.

Nos últimos anos, alguns jornalistas têm desenvolvido trabalhos no âmbito da popularização da ciência. No entanto, como explica Fiolhais, ainda não há o interesse suficiente que a sociedade necessita. “Alguns dos melhores livros de divulgação científica são escritos por jornalistas em parceria com cientistas. Mas eles [os jornalistas] ainda não se interessam totalmente por temas de ciências. Deveriam interessar-se. Não só porque o assunto é interessante, mas porque há público interessado”, justifica.

Em Coimbra, a divulgação científica pode ser encontrada em muitos lugares. Um deles é no Exploratório Infante D. Henrique. Fundado em 1995, a partir de uma iniciativa de Centros de Investigação Científica da UC, o Exploratório possui um conjunto de actividades intensas, desde oficinas de formação, destinadas a professores, às exposições para os mais pequenos. Situado em pleno Parque Verde do Mondego, são quase trezentas as experiências que podem ser vividas pelos visitantes, ou, pelos “exploradores”, como prefere chamar o presidente, Victor Gil. Para o professor um dos objectivos do centro é conseguir “uma sensibilização para a ciência, apostando nos mais novos, mas não esquecendo os adultos”. Através de visitas guiadas por monitores especializados, as crianças aprendem, de forma lúdica e interactiva, o funcionamento do corpo humano, além de entender fenómenos naturais e cálculos que, para alguns adultos, eram verdadeiros problemas nos tempos de escola. Ao falar do “brilhozinho nos olhos” das crianças, Victor Gil vê na divulgação científica, uma oportunidade para desenvolver o senso crítico daqueles que poderão ser futuros cientistas. “Ser capaz de parar para pensar e perguntar é uma condição incontornável de cidadania, evidencia.

Património cultural - Memória comum


Informação recebida do Museu Nacional de Arqueologia (clicar para ver melhor).

Newsletter da Associação Viver a Ciência - Março 2010

Publicação digital da Associação Viver a Ciência, que dá conta das suas actividades de divulgação científica.

93 anos





Nova crónica de António Piedade, saída antes nor jornal "Despertar", que acaba de fazer 93 anos:

Ser cinquentenário em 1917 era considerado um extraordinário feito de longevidade! Ou seja, alguém que tivesse nascido a 2 de Março de 1917 (dia em que O Despertar saiu pela primeira vez) teria a esperança média de viver até cerca de meados do século XX, no caso de não ser afligido por algum problema de saúde redutor desse horizonte. E, nessa segunda década do século passado, muitas eram as doenças para as quais nem se suspeitava a causa quanto mais o tratamento ou cura.

Volvidos 93 anos, a esperança média de vida à nascença é hoje, em Portugal, 75 anos para uma criança do sexo masculino e de 81 anos para uma do sexo feminino. Esta quase duplicação da esperança de vida, não só em quantidade, mas sobretudo em qualidade é, talvez, a principal conquista da ciência e das tecnologias a jusante desenvolvidas pelo fluir do engenho humano.

Mas que avanços no conhecimento, descobertas e invenções despertadas nas últimas nove décadas contribuíram para uma maior longevidade com melhor saúde? Antes de mais, refira-se que não só as ciências da saúde foram responsáveis por isso. Aliás, avanços ocorridos nas ciências da vida e da saúde resultaram de descobertas fundamentais em outras disciplinas tais como a Física, a Química, a Biologia e a Matemática, alicerces de inúmeras Engenharias concretas.

Hoje, um nonagenário relembrará uma infância sem iluminação eléctrica. Recordará relações sociais em que a notícia chegava pelo jornal, pela voz do viajante, à velocidade do mais rápido vapor e sempre retardada por ser mais densa do que o ar. Contará sem hesitar que muitos dos seus morreram pela falta de higiene constante, pela ausência de uma vacina ou de um comprimido, pela infecção que matava depois da mais simples cirurgia. Relembrará a vida a levedar com a descoberta da penicilina (primeiro antibiótico) em 1928. Dirá que muitos corações continuaram a bater depois do primeiro transplante bem sucedido em 1952.

Um nonagenário relatará, ainda com espanto, a resolução da estrutura tridimensional do ácido desoxirribonucleico (ADN) em 1953, seguida, em 1961, pela descoberta do código genético em tríades universais de informação bioquímica inscrita na argamassa genética helicoidal. Lembrar-se-á da notícia, em 1978, do primeiro bebé-proveta, e passeará a sua ainda boa acuidade visual pelo mapa do genoma humano delineado em 2001.

Contemplando os dedos meninos de um bisneto, sobre um ecrã táctil de brincadeiras móveis, um nonagenário dir-lhe-á num conto pausado e longo: era uma vez uma época em que não havia telefonia nem visão à distância, quanto mais explorações para além do nosso sistema solar! Contemplar a Lua um sonho até 1969 chegar; o transístor, que deu asas às telefonias em 1947, é hoje diminuta parte desse computador mais que portátil. E a energia, que hoje se quer renovável, sempre foi e é constante em tudo o que há no Universo: desde o efeito de túnel quântico num microscópico electrónico, até à supernova mais matutina e distante.

E sobre o fundo dessa radiação cósmica que sussurra o testemunho de uma história improvável que se verificou, há sempre lugar para um endereço electrónico onde se aloja um sempre jovem Despertar: http://www.odespertar.com/jornal/.

Parabéns!

Legendas:

Figura 1 – Imagem gerada por computador de um Feto com 35 semanas de gestação. Créditos Miguel Castro, Take The Wind 2010

Figura 2 - Em 1917, quando Albert Einstein apresentava ao universo a sua constante cósmica (talvez o seu maior pecado), nascia em Coimbra o jornal “O Despertar”.

Figura 3 – Nuvens de Magalhães. Imagem obtida pelo telescópio Hubble. Créditos NASA, ESA.

EINSTEIN E A MÚSICA 3



Um professor do MIT, Max Tegmark, ensina a teoria da relatividade de Einstein ao som do "Yellow Submarine" dos Beatles...

A letra pode aqui ser seguida:

SPECIAL RELATIVITY

Römer measured the speed of light,
and something basic just wasn’t right.
because Michaelson and Morley
showed that aether fit data poorly.

We jump to 1905.
In Einstein’s brain, ideas thrive:
“The laws of nature must be the same
in every inertial frame”

We all believe in relativity, relativity, relativity.
Yes we all believe in relativity, 8.033, relativity.

Einstein’s postulates imply
that planes are shorter when they fly.
Their clocks are slowed by time dilation,
and look warped from aberration.

Cos theta-prime is cos theta minus beta ... over one minus beta cos theta.
Yes we all believe in relativity, 8.033, relativity.

With the Lorentz transformation,
we calculate the relation
between Chris’s and Zoe’s frame,
but all invariants, they are the same.
Like B dot E and B-squared minus E-squared,

... and the rest mass squared which is E-squared minus p-squared.
’cos we all believe in relativity, 8.033, relativity.

Soon physicists had a proclivity
for using relativity.
But nukes made us all scared
because E = mc2.

Everything is relative, even simultaneity,
and soon Einstein’s become a de facto physics deity.
’cos we all believe in relativity, 8.033, relativity.

GENERAL RELATIVITY

But Einstein had another dream,
and in nineteen sixteen
he made a deep unification
between gravity and acceleration.
He said physics ain’t hard at all
as long as you are in free fall,
’cos our laws all stay the same
in a locally inertial frame.

And he called it general relativity, relativity, relativity.
And we all believe in relativity, 8.033, relativity.

If towards a black hole you fall
tides will make you slim tall,
but your friends won’t see you enter
a singularity at the center,
because it will look to them
like you got stuck at radius 2M.
But you get squished, despite this balking,
and then evaporate, says Stephen Hawking.

We all believe in relativity, relativity, relativity.
Yes we all believe in relativity, 8.033, relativity.

We’re in an expanding space
with galaxies all over the place,
and we’ve learned from Edwin Hubble
that twice the distance makes redshift double
We can with confidence converse
about the age of our universe.
Rival theories are now moot
thanks to Penzias, Wilson, Mather & Smoot.

We all live in an expanding universe, expanding universe, expanding universe.
Yes we all live in an expanding universe, expanding universe, expanding universe.

But what’s the physics of creation?
There’s a theory called inflation
by Alan Guth and his friends,
but the catch is that it never ends,
making a fractal multiverse
which makes some of their colleagues curse.
Yes there’s plenty left to figure out
like what reality is all about about.

but at least we believe in relativity, relativity, relativity.
Yes we all believe in relativity, 8.033, relativity.

terça-feira, 23 de março de 2010

Iogurtes psicopatas

Recentemente recebi este email que alertava para os perigos de tomar ACTIMEL (recentemente, mas também poderia ter sido em 1995 ou em 2020, já que não está datado):
"TODOS OS CUIDADOS SÃO POUCOS QUANDO SE TRATA DA NOSSA SAÚDE!!!!

(Reenviado por uma médica)

Tenho pena que isto não seja mais falado... há pessoas que não sabem mesmo os problemas que podem arranjar com certas coisas que ingerem.

Muito Importante !!!

Convém estarmos avisados de que... Há interesses económicos que põem e dispõem das nossas vidas a seu belo prazer e não param de nos surpreender com as suas artimanhas!

PARA CONHECIMENTO:

ACTIMEL:
Importante!

O ACTIMEL fornece ao organismo uma bactéria chamada L.CASEI. Esta substância é gerada normalmente por 98% dos organismos, mas quando é administrada externamente por um tempo prolongado, o corpo deixa de a fabricar e 'esquece- se' que deve fazê-lo e como fazê-lo, sobretudo em pessoas menores de 14 anos. Na realidade, surgiu como um medicamento para essas poucas pessoas que não a fabricam , mas esse universo era tão pequeno que o medicamento se tornou, não rentável; para o tornar rentável, foi vendida a sua patente a empresas do sector alimentar.

A Secretaria Estado da Saúde (Espanha) obrigou a ACTIMEL (a sereíssima) a indicar na sua publicidade que o produto não deve ser consumido por um tempo prolongado; e cumpriram, no entanto de uma forma tão subtil que nenhum consumidor o percebe ( p.ex. 'desafio actimel: tome durante 14 dias'). S

Se uma mãe decide completar a dieta com ACTIMEL, não recebe nenhum aviso sobre a sua inconveniência e não vê que pode estar a causar um dano importante ao futuro dos seus filhos ou ao seu devido às manipulações publicitarias da multinacional DANONE para incrementar os seus benefícios, sem se importar com a saúde dos consumidores.

Por favor, passe esta mensagem."
Não sou propriamente um grande fã de suplementos alimentares milagrosos, como estes conhecidos iogurtes, que penso que se arrogam de propriedades e benefícios muito longe de estarem provados, tal como aqui escrevi há umas semanas, a propósito de um artigo do Público.

Mas se a publicidade aos iogurtes é de credibilidade duvidosa, esta mensagem ainda é mais. A começar pela linguagem usada, que parece científica mas está cheia de erros. Vou enumerar alguns:
"O ACTIMEL fornece ao organismo uma bactéria chamada L.CASEI. Esta substância é gerada normalmente por 98% dos organismos"
L. casei (abreviatura de Lactobacillus casei) deveria estar em itálico ou sublinhado se tivesse sido escrito por uma pessoa de ciência. "98% dos organismos" é uma afirmação estranha. Que organismos? Todos os que se conhecem? Isto implicaria provavelmente que outras bactérias "geravam" bactérias L. casei, assim como os fungos e as plantas. O autor pretenderia presumivelmente referir-se a "98% dos organismos humanos". A escolha descuidada das palavras é suspeita. Mais suspeita ainda é a afirmação errada de que as bactérias são geradas por outros organismos. As bactérias propagam-se por divisão celular, umas a partir das outras.

E isto é só na primeira frase! Mais para a frente é reforçada a ideia de "organismos" a "fabricar" bactérias. Nem cientistas nem médicos falam assim ou cometem estes erros. Não sou propriamente um apologista de suplementos alimentares milagrosos, mas esta mensagem não tem credibilidade nenhuma. O que também não é surpresa nenhuma, dada a sua origem vagabunda ciber-espacial.

Parménides e Zenão de Eleia

A associação A Origem da Comédia dedica a quarta sessão das Tertúlias Pré-Socráticas a Parménides e Zenão de Eleia. Será no dia 24 de Março, quarta-feira, às 18.00 horas, no Teatro Académico Gil Vicente, após a qual haverá um breve intervalo para as férias universitárias.

Será convidado António Martins, da Universidade de Coimbra.

Parménides, da cidade de Eleia na Magna Grécia (Itália), deixou-nos um corpus imponente de fragmentos onde parece ser advogada a ideia da realidade como inalterável, atemporal, permanente, em tudo contrária aos nossos sentidos. Zenão, o seu discípulo, formulou paradoxos para comprovar a teoria do mestre, como o famoso de Aquiles e da tartaruga, onde o veloz herói é incapaz de ganhar uma corrida à sua adversária. Absolutamente contra-intuitiva é esta filosofia, mas curiosamente parece que o desenvolvimento da ciência moderna tem forçado um regresso, ou pelo menos a uma combate com estas propostas, e um confronto com ideia parmenideia da inalterabilidade do universo.

Querendo, poderá o leitor consultar bibliografia sobre Paraménides e Zenão aqui.

A opção negligente - 2


Na sequência de texto anterior...

Nas última décadas, o investimento material e humano tem aumentado nos sistemas educativos ocidentais: os edifícios escolares melhoraram, os equipamentos sofisticaram-se, a formação de professores generalizou-se, a investigação educacional proporcionou dados sobre os mais diversos aspectos, a acção social esteve e está presente, novos especialistas surgiram…

Porém, inúmeros estudos que incidem nesses sistemas, realizados nas últimas décadas, denunciam problemas graves em muitos deles, no que respeita a aprendizagens académicas (conhecimentos e competências cognitivas) e a comportamentos dos alunos.

Alguma coisa está, portanto, errada. Mas o quê?

Vários teóricos que têm reflectido sobre o assunto afirmam que o erro está na renúncia a educar.

Educar é um dever inalienável que as gerações mais velhas têm para com as mais novas, dado que as crianças e os jovens não se educam a si próprios, precisam de ser educadas.

Parecendo uma verdade óbvia tem sido negligenciada pelos pais e família, por decisores de políticas de ensino, por directores de escola, professores, auxiliares de acção educativa, por outros elementos da sociedade.

Referindo-se à realidade norte-americana, a filósofa Hannah Arendt escrevia em 1957:

"Deste modo, o que faz com que a crise da educação seja tão especialmente aguda entre nós é o temperamento político do país, o qual luta, por si próprio, por igualar ou apagar tanto quanto possível a diferença entre novos e velhos, entre dotados e não dotados, enfim, entre crianças e adultos, em particular, entre alunos e professores. É óbvio que este nivelamento só pode ser efectivamente alcançado à custa da autoridade do professor e em detrimento dos estudantes mais dotados. No entanto, é igualmente óbvio para quem alguma vez esteve em contacto com o sistema educativo americano que esta dificuldade, enraizada na atitude política do país, tem também grandes vantagens, não apenas do ponto de vista humano, mas no plano da educação. De qualquer forma, estes factores gerais não podem explicar a crise em que nos encontramos no presente nem as medidas que a precipitaram.

Estas medidas catastróficas podem ser esquematicamente explicadas por intermédio de (...) ideias-base, porventura demasiado familiares. A primeira é a de que existe um mundo da criança e uma sociedade formada pelas crianças; que estas são seres autónomos e que, na medida do possível, se devem deixar governar a si próprias. O papel dos adultos deve então consistir em limitar-se a assistir a esse processo. É o grupo de crianças ele mesmo que detém a autoridade que vai permitir dizer a cada criança o que ela deve e não deve fazer. Entre outras consequências, isso cria uma situação na qual o adulto, não se encontra só desamparado face à criança tomada individualmente, como fica privado de todo o contacto com ela. Quanto muito pode dizer-lhe que faça o que lhe apetecer e, depois, impedir que aconteça o pior. As relações reais e normais entre crianças e adultos – relações que decorrem do facto de, no mundo, viverem em conjunto e simultaneamente pessoas de todas as idades – se encontram portanto hoje quebradas (...)

Uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna. E isto porque a educação é uma das actividades mais elementares e mais necessárias da sociedade humana a qual não permanece nunca tal como é mas antes se renova sem cessar pelo nascimento, pela chegada dos novos seres humanos. Acresce que, esses récem-chegados não atingiram a sua maturidade, estão ainda em devir. Assim, a criança, objecto da educação, apresenta-se ao educador sob um duplo aspecto: ela é nova num mundo que lhe é estranho, e ela está em devir. Ela é um novo ser humano e está a caminho de devir um ser humano. Este duplo aspecto não é evidente (...). A criança só é nova em relação a um mundo que já existia antes dela, que continuará depois da sua morte e no qual ele deve passar a sua vida (...)

Que a educação moderna, na medida em que tenta esclarecer um mundo próprio das crianças, destrói as condições necessárias para o seu desenvolvimento e crescimento, é algo que parece óbvio. Porém, é de facto estranho que esse pernicioso procedimento possa ser o resultado da educação moderna, tanto mais que essa educação declarava ter por único objcetivo servir a criança (...) O século da criança, como lhe podemos chamar, pretendia emancipar a criança e libertá-la dos padrõesde vida retirados do mundo dos adultos. Como foi então possível que as mais elementares condições de vida, necessárias ao crescimento e desenvolvimento da criança, tivessem sido ignoradas ou, simplesmente, não tivessem sido reconhecidas como tal?

Referência completa:
Original: Arendt, H (1957). The crisis in Education. Partisan Review, 25, 4.
Tradução portuguesa: Arendt, H (1957). A crise na Educação. In Entre o passado e o futuro: oito exercícios sobre o pesamento político. Lisboa: Relógio D´Água, 183-206.

Na imagem: Hannah Arendt

EINSTEIN E A MÚSICA 2



Einstein não gostava de música moderna. Mas a ópera "Einstein on the Beach" de Philip Glass (com design e direcção cénica de Robert Wilson, na estreia em 1976) é uma das peças musicais contemporâneas mais famosas sobre ele. Aqui, mais uma vez via Youtube, um pequeno filme inspirado numa canção da ópera. Parafraseando Pessoa, primeiro estranha-se e depois entranha-se...

EINSTEIN E A MÚSICA 1



A relação entre Einstein e a núsica foi profunda ao longo de toda a sua vida. Ele chegou mesmo a dizer que só a música lhe dava mais prazer do que a física. Via Youtube um resumo sobre essa relação, enquanto ouvimos duas das suas peças preferidas (Mozart e Bach).

segunda-feira, 22 de março de 2010

Humor em educação?

Uma leitora mandou-nos o seguinte texto:

Confesso que não verifiquei a sua veracidade, mas não estranharia se se viesse a confirmar o conteúdo das primeiras linhas: A editora "anunciou um novo serviço que vai permitir que os alunos consultem resumos (...) das obras de leitura obrigatória através do telemóvel." (O sublinhado é meu).

O estido é humorístico, mas talvez não seja para rir.

TEXTOS SEM CONTEXTOS

Vale a pena ler aqui o texto "Textos sem Contexto" publicado por Michiko Katutani em 17 de Março de 2010 no "New York Times" , em que ele parte do livro "Reality Hunger. A Manifesto" do ex-romancista David Shields (essencialmente uma colecção desordenada de fragmentos do próprio e de outros, sem clara indicação de fontes), para discutir o futuro da literatura, a digitalização, a cultura digital, as leis do copyright e tudo o mais. Admirável ou não, certamente admirado por uns e detestado por outros, parece estar aí um mundo novo.

EINSTEIN E O TEATRO 3



A peça "Einstein" do canadiano Gabriel Emanuel é um monólogo baseado em frases do grande sábio. No Brasil a sua representação integrou-se no projecto "Arte e Ciência em Palco", com uma grande interpretação, aliás premiada, do actor, Carlos Palma (no vídeo em cima). Em Portugal, a peça foi representada pelo TEatro Extremo de Almada.

HUMOR: PEC prevê aumento da biodiversidade até 2013

Pássaros loucos vão proliferar nas SCUTs

Teixeira dos Santos não se esqueceu dos bichinhos, uma vez que o PEC é apresentado em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade. Assim, além do crescimento moderado da economia, redução progressiva do défice das contas públicas e inversão do crescimento da dívida pública, o PEC prevê o aumento moderado da biodiversidade, com 0,7% de novas espécies já em 2010, fruto da selecção natural e da adaptação ao meio. Em 2013 já será possível avistar nas ex-SCUT vários exemplares de Raphus cucullatus, o conhecido Dodo ou pássaro louco, que não voava nem fugia aos predadores, extinto no século XVII pouco depois de ser descoberto. Nas antigas SCUTs os Dodos poderão finalmente encontrar um habitat sossegado e proliferar longe da pressão predatória humana.

David Marçal, no Inimigo Público

E SE VOLTÁSSEMOS À DOCIMOLOGIA, OU SEJA, À CIÊNCIA DOS EXAMES?

  Em texto que antes publiquei sobre a infindável tragicomédia em que se tornou a classificação dos exames nacionais, disse que ela não se d...