domingo, 25 de janeiro de 2026

PRECISAMOS DE RECONHECER QUE AINDA NÃO SABEMOS USAR A IAGEN NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

Isaltina Martins e Maria Helena Damião

Porque precisamos de pensar o uso das tecnologias de IAGen na educação escolar (antes de as aí as introduzirmos sem critério), deixamos abaixo mais um contributo que pode contribuir para tal, retirado de uma entrevista realizada por Maria Gouveia a Rogério Martins, professor de matemática no ensino superior (ver aqui)

"… um dos maiores desafios que se coloca aos estudantes de hoje é a gestão do seu tempo e atenção. As redes sociais, o streaming, os videojogos e outras plataformas digitais são sorvedouros da nossa atenção e consomem uma parte considerável do nosso tempo. Não deve ser fácil para um estudante encontrar um equilíbrio entre todas estas solicitações e o estudo. Costumo dizer aos meus alunos que ser estudante é um trabalho a tempo inteiro, mas com uma particularidade: é um emprego com isenção de horário, são eles que têm de gerir o seu próprio horário de trabalho. E isso é extremamente difícil nos dias de hoje…

o nosso cérebro não foi feito para pensar de forma abstrata. O nosso cérebro foi criado para gerir o mundo que nos rodeia e, muito em particular, para socializar. Ainda que vamos aperfeiçoando as abordagens pedagógicas e os materiais disponíveis para os nossos alunos, é importante reconhecer que há uma dificuldade estrutural na própria natureza da disciplina [matemática], que não desaparece com mudanças de método.

… Os alunos têm cada vez mais acesso a tecnologia e conteúdos dentro e fora do contexto escolar… [a] abundância de informação e tecnologia quando bem usada, melhora muito o processo de ensino e aprendizagem, mas quando mal usada, pode ser catastrófico.

… Hoje, a IA consegue resolver praticamente qualquer problema de matemática, mesmo de nível universitário, com grande eficácia. É uma ferramenta nova, não podemos ignorá-la e é inevitável que venha a ter um papel no ensino. Qual deve ser exatamente esse papel? Ainda não sabemos.

Estamos numa fase de fascínio, o desejável é que passemos de seguida a uma fase de integração e adaptação. Provavelmente, em muitos contextos, vamos ter de limitar o uso da inteligência artificial no processo de aprendizagem, noutros casos vamos integrar a IA no processo, de forma a torná-lo mais eficiente. Costumo fazer a analogia com o que aconteceu, por exemplo, com a calculadora. Há situações onde faz sentido usar a calculadora no ensino, mas há outras onde o uso deve ser limitado, como quando estamos a aprender a multiplicar e a dividir. Caso contrário, não desenvolvemos as competências fundamentais.

Neste momento, usamos e abusamos da IA, somos uma espécie de “novos-ricos” nesse sentido, o que pode ter consequências desastrosas. Em muitas situações, o uso de IA por um estudante é semelhante à situação de um atleta que está a treinar para fazer uma maratona, mas começa a fazer os treinos de carro em vez de correr
 
Se queremos que os alunos desenvolvam capacidades de raciocínio, escrita, síntese ou pesquisa, faz sentido limitar o recurso a ferramentas que fazem esse trabalho de forma automática."

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