segunda-feira, 21 de maio de 2007

UMA SEMANA MÁ

Com o título de cima um deputado monárquico do grupo parlamentar do PSD escreve hoje uma crónica num jornal da qual transcrevemos o principal. Vai sem comentários, mas os leitores, como sempre, podem escrevê-los. Sabemos agora, da própria fonte, quem esteve por trás da proibição da abertura do túmulo de Dom Afonso Henriques...

As Beiras 20-05-2007
M. Pignatelli Queiroz

Uma semana má
Mais uma vez os factos desastrosos ou condenáveis se sucedem a ritmo acelerado em Portugal.

(...)2. Laicismo (não de laico) ao ataque – Parece incrível mas assistimos a um tremendo recrudescer do “áureo” laicismo das Luzes e do Séc. XIX. Depois dos Códigos, dos sepulcros de Jesus Cristo, “mulher” e “filhos” que – seguem – no – próximo – capítulo, temos agora o teatro do padre pedófilo (será para esquecer o caso da laica Casa Pia?), a autobiografia de deus contada pelo próprio(!) os nojentos panfletos distribuídos nas vésperas do aniversário das Aparições de Fátima cuja empresa responsável, não sei porquê (...) é mantida em segredo, quiçá “de justiça”, não sei se será muito ortodoxa a “enciclopédia” de Fátima (só ouvi a propaganda). Depois da aprovada lei do aborto, só faltava agora aos Católicos – o alvo – serem privados da presença de S. S. o Papa Bento XVI. O que me alegra é a alegria dos nossos Irmãos do Brasil.

3. Túmulo de Dom Afonso Henriques – Mereci a honra de ser alvo de crítica em dois grandes Órgãos da C.S. por um ilustre Professor Catedrático da Faculdade de Ciências, o Senhor Prof. Doutor Carlos Fiolhais, por ter uma opinião diferente, sabendo-se que estive na base da proibição da abertura do Túmulo (depois de aberto ...) por não aceitar justificáveis as “razões” publicamente apresentadas. Uma das respostas, foi censurada, no essencial; a segunda, veremos se é publicada.
Apenas uma nota: é democrático ter opiniões diferentes; aliás, da diversidade nascem novas ideias. O que não é democrático é o facto de o Senhor Prof., só porque discordei, me apodar de “ignorante e supersticioso”. Ignoro umas coisas e sei outras, simples licenciado em História que sou; o Sr. Prof., catedrático e doutorado com mérito reconhecido, sabe muito mais coisas, na sua área, mas ignorará também muitas outras.
Sou supersticioso?... Porque não abrem o túmulo do alegado Dom Sebastião, que se diz estar nos Jerónimos? Será porque não terá um sucesso similar às ficções científicas, como as que referi no sector dedicado ao “ Laicismo”, pelo facto de já se saber, eventualmente, que o malogrado e tão insultado Rei não está ali mas algures nas poeiras de Alcácer Kibir?

6 comentários:

Anónimo disse...

Gosto da parte do "catedrático e doutorado". E de ser democrático ter "opiniões diferentes".

Mas depois, o democrata cidadão diz que "esteve na base da proibição", usando argumentos... enfim. Fixe! O conceito de democracia é muito lato.

Cidadão

Fernando Dias disse...

É de facto lamentável o recrudescimento de certa mentalidade obscurantista do passado, e eu pensava que os erros do passado serviam de exemplo para o presente. Mas o que me deixa perplexo é o facto de estar a acontecer o contrário. Isto obriga-me a um esforço suplentar para tentar perceber o que se passa com a mente no contexto da vida humana. Por outro lado é preocupante o excesso de fanatismo dogmático. É cero que para já o fenómeno, exemplificado pelo texto deste post, não passa de retórica barata e sofismática. O pior, receio eu, é que depois se passe aos insultos, dos insultos à agressão violenta, e de “parada em parada” nunca sabemos onde é que isto tudo irá “parar”.

Anónimo disse...

em relação à 1ªa citação o senhor muy católico e monarquico gostaria de ver restaurada a monarquia, então a que grupo social gostaria de pertencer? povo ou nobreza, aos priveligiaos ou aos miseráveis? Que modelo preferia a monarquia constituinte parlamentária ou o absolutismo de antigo regime?
Há pessoas que continuam a defender para si privílegios á custa do espezinhar dos restantes.. Nisso não diferem muito do PNR, o vosso sentido de democracia é fantástico..
Quanto as questões religiosas, coitadinho, coitadinhos dos cristãos que tanto sofrem eles com este despótico laicismo moderno..
O fingimento e e vitimização tipicamente cristãos deixou de ser monopólio desta seita pagã politeista, agora tambem já o islão radical se apropia..

Quanto à 2ª citação, confesso que não sei dos factos na sua totalidade nem dos motivos apresentados para a recusa mas esse fenómeno é normal e comparável ao secretismo sobre arquivos das mais variadas matérias da história e nas mais variadas instituições, desde a torre do tombo até as bibliotecas publicas ou até arquivos semi secretos que são publicos mas se precisam de autorização um pouco do s amigos dos amigos para lá se entrar.. As coisas da história continuam a ser resguardadas com mão de ferro como segredos de estado, faz-me lembrar o nome da rosa de umberto eco.. È a tipica mentalidade portuguesa, esconder para só alguns saberem e divulgarem e se apropriarem do que é público.
Por mim devia-se abrir o tumulo e estudar os ossos, o maior medo não é o que se possa perder, é sim o que se possa ou não encontrar..
Falo como um simples estudante de história..

Anónimo disse...

Parece-me haver algumas confusões neste "post", no artigo que transcreve em parte e nas opiniões manifestadas.
Não há nada de mal, pelo menos não há um mal intrínseco, em fazer ficção sobre a vida de Cristo ou qualquer tempo histórico do cristianismo. No entanto, uma coisa é um romance escrito com a seriedade intelectual de Umberto Eco, em que a História e a ficção ocupam cada qual o seu lugar conveniente, outra é fazer crer que o Priorado de Sião, uma brincadeira do século XX, surgiu em 1099; ou que os Judeus identificavam os sarcófagos dos mortos com o nome de pai e mãe, por exemplo, para dar aparência de credibilidade à tese do túmulo de Cristo. Mas que se há-de fazer? Talvez recomendar uma romaria ao moinho de Sula, onde houve um moleiro que, segundo Júlio Dantas, alçou as velas mal acabou a batalha do Buçaco. A História assim não vai longe.
Quanto ao nosso primeiro rei, não percebo nada de conservação de cadáveres quase milenares, pelo que não sei se seria conveniente ou não abrir-lhe o túmulo. Se, de facto, pode prejudicar os ossos de quem quer que seja, não se tratará de uma atitude contra a democracia mas de respeito por um património histórico.

Anónimo disse...

quem é este homem? e que poder tem ele para estar na base de uma proibição?

Anónimo disse...

zalmoxis disse...

"É preciso lembrar que os fascismos não resultaram de golpes perpetrados por elites fechadas. Foram o resultado de movimentos de massas."

Com toda a razão veja-se salazar, hitler, veja-se a europa hoje com os nacionalismos a despertarem, são contextos e conjunturas que os favorecem e os proprios movimentos se aproveitam do momento e obtem o apoio das massas desesperadas, em plena capitalismo prospero não faz sentido o surgir do fascismo mas o mesmo fez sentido na decada de 30 na alemanha com inflacção, miseria.. comparem o passado com o presente e tirem as conclusões..

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