segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

QUANDO ESTOU SENTADO, FRENTE AO COMPUTADOR, NÃO TENHO IDADE.

Por A. Galopim de Carvalho 

São raros os meus familiares, amigos e colegas de trabalho que continuam a resistir à gadanha do tempo. Já quase todos partiram e, sem dramatismo, isso diz-me aquilo que todos nós sabemos. 

O meu Bilhete de Identidade perpétuo (já não me foi passado o Cartão de Cidadão) diz que sou um velho de 94 anos. Isso é mais que evidente e, todas as manhãs, o espelho da casa de banho o confirma. Mas a minha alma não envelheceu e eu tenho plena consciência disso. 

Mantenho, a um tempo, a ingenuidade e a transparência da criança feliz que fui, a insatisfação, ousadia e aventureirismo da adolescência, a energia e positivismo da idade madura e a ponderação, tolerância, paciência e resignação dos velhos. Não perdi o sentido de humor e o amor à vida. O corpo e, em especial, as pernas é que não ajudam.

Mas, aqui, sentado, frente ao monitor, a dedilhar no teclado as palavras ditadas pelo pensamento, não tenho idade nem as dores do corpo dos velhos. Continuo a trabalhar e tenho a felicidade de o poder cumprir no que me dá prazer. 

Faço-o ao limite das minhas capacidades físicas, tenho consciência de que o produto do meu trabalho continua a ter utilidade e isso encoraja-me a continuar.

1 comentário:

Anónimo disse...

O seu anterior artigo, Sopas de Carne, transportou-me para a os páginas primorosamente bem escritas de A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós. Ler Galopim de Carvalho é um prazer. É caso para dizer que o Professor de Geologia tem, para além de uma imensa sabedoria, o dom da palavra.
Bem haja!

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