quarta-feira, 13 de outubro de 2021
terça-feira, 12 de outubro de 2021
OS DIAS DA PESTE
Novo texto de Eugénio Lisboa:
Em resumo – disse Tarrou com sim-
plicidade - , o que me interessa é
saber como é que alguém consegue
ser santo.
- Mas Você não acredita em Deus.
- Justamente. Poder ser
santo sem Deus
é o único problema que hoje me ocupa.
Albert Camus. La Peste
Assinalando
o centenário do PEN Internacional, fundado em Londres, em 1921, em boa hora a
Presidente do PEN Português, Teresa Martins Marques, resolveu publicar um livro
intitulado OS DIAS DA PESTE, que desse forte destaque àquele centenário,
centrando a celebração num tema que neste momento preocupa, de modo
particularmente angustiante, a humanidade de todas as latitudes e longitudes,
de todas as etnias, de todas as crenças religiosas (incluindo a ausência
delas), de todas as ideologias (ou de nenhuma), de todas as idades, em guerra
ou em paz: o COVID 19, uma das grandes pragas que têm avassalado o mundo.
Glosadas em várias obras famosas, de Bocaccio e Daniel Defoe a Albert Camus, as
grandes pandemias têm sido um dos mais mortíferos pesadelos que têm afligido a
humanidade, dizimando ao acaso milhões de seres humanos, entre os quais se
encontrariam provavelmente muitos talentos e até génios que para todo o sempre
ficaram perdidos.
Destes medonhos flagelos – a morte totalmente descontrolada, ceifando a torto e a direito – ninguém deixou mais impressivo testemunho do que Camus, enorme escritor e grande consciência do nosso tempo, destemidamente em luta contra todas as opressões totalitárias e grande mestre de inteireza e de coragem. Como esquecer acutilantes cintilâncias como esta: “Nada é menos espectacular do que um flagelo e, pela sua própria duração, as grandes desgraças são monótonas”?
Este
precioso e belo livro que Teresa Martins Marques e Rosa Maria Pina congeminaram
e organizaram, com o título que indiquei – OS DIAS DA PESTE – constitui uma
volumosa e generosa obra de 630 páginas, servidas por 272 autores de 58 países,
todos assinalando, cada um à sua maneira, esta grande peste do século XXI. A
qual só poderá ser completamente dominada pelo esforço contínuo, deliberado,
teimoso e obstinadamente atento de governantes, médicos, enfermeiros e, também
(ia dizer: sobretudo) de todos nós, sem excepção absolutamente nenhuma. Não
pode haver a mais pequena distracção que nos desvie de um grande objectivo
comum. Foi ainda Camus, no seu imortal romance – A PESTE – quem nos deixou este fundamental recado: “O que é natural
é o micróbio. O resto – a saúde, a integridade, a pureza, se quiser – é um
efeito da vontade, de uma vontade que não deve jamais deter-se. O homem
direito, aquele que não infecta quase ninguém, é aquele que tem o menor número
de distracções possível.”
Este livro
que, para ser consumado, envolveu um gigantesco e obstinado esforço que não
custa imaginar e que ficará como um marco a assinalar um dos mais negros
períodos da história da vida humana, tem tido, curiosamente, pouca repercussão
nos meios da comunicação social. É pena porque lê-lo é encontrar bom
combustível para os que gostam de reflectir no que profundamente nos aflige.
Eugénio Lisboa
segunda-feira, 11 de outubro de 2021
Carros com rodas esféricas
A marca de pneus Goodyear tem estado a desenvolver novas tecnologia para rodas de automóveis. Um desses exemplos é o pneu esférico "Eagle-360", como se pode ver nestas imagens ainda de 2016:
Num vídeo mais recente, deste ano, já se consegue ver a aplicação deste pneu num protótipo da Citroen. Trata-se de um módulo que tanto pode servir para transportar cargas, como para acoplar outros módulos de transporte à base plana.
O tempo dirá se esses protótipos futuristas captarão o interesse das pessoas e indústrias e se o modelo dos pneus esféricos veio para ficar.
"Os estudantes não são frangos de aviário"
Num artigo publicado no jornal espanhol El País, no passado dia 18 de Setembro (aqui), o professor e filósofo italiano Nuccio Ordine faz uma análise lúcida e esclarecedora da situação que se vive nos sistemas educativos europeus, subordinados à lógica do mercado.
"A Europa deve repensar a verdadeira missão das escolas e das universidades e devolver a dignidade a professores e alunos. Aceitar a lógica neoliberal na educação foi um gravíssimo erro."
Durante décadas temos assistido em silêncio à degradação do sistema educativo. Só uma minoria contestatária se empenhou em expressar o mal-estar de quem vive nas escolas e nas universidades que, desde há muito, perderam a sua função essencial: formar cidadãos cultos, solidários, dotados de sentido crítico e de consciência cívica. Deste modo, em todos os países europeus se reaviva o debate quando se fala de novas reformas.
A questão é, sem dúvida, mais complexa. Neste momento, os ministros dos diferentes Estados têm uma margem de manobra muito limitada, que não lhes permite fazer nenhuma mudança autêntica.
A distribuição de fundos para a educação, com efeito, foi diabolicamente confiada a um mecanismo infernal de recompensas, baseado em rígidos sistemas de avaliação. A Europa, de maneira acrítica, importou os instrumentos e parâmetros dominantes nos Estados Unidos e no Reino Unido. Em poucas palavras, passámos de um excesso a outro: das malhas largas do passado à estreita peneira actual. O termo mérito tornou-se o salvo-conduto para a obtenção de fundos, reconhecimentos, selos de excelência e promoções profissionais para a classe docente.
O problema não diz respeito à avaliação em si, positiva e correcta quando exercida com equilíbrio e baseada em valores compartilhados. Pelo contrário, diz respeito aos critérios que, de modo despótico, se estabeleceram para identificar os que têm mérito. Trata-se, infelizmente, de uma lógica que acabou por impor nas escolas e universidades inadequados modelos empresariais. Desde a primária ao doutoramento, toda a cadeia educativa foi colocada ao serviço do chamado crescimento económico, das exigências do mercado e das empresas. As teorias neoliberais impuseram, definitivamente, os seus princípios ao mundo da educação: interacção com a empresa privada, cooperação com os distintos sectores da economia, competitividade entre escolas e universidades, prioridade às “competências” e “habilidades”, que contribuíram para criar uma perigosa visão utilitarista do estudo, da investigação científica e do conhecimento.
Basta reler as proféticas observações de Charles Dickens para compreender as consequências de uma educação modelada segundo as regras do mercado. Em “Tempos Difíceis” (1854), a escola de Coketown (fruto de uma Inglaterra industrial) é governada por um banqueiro, Bounderby, e pelo pedagogo Gradgrind, obcecados em combater tudo o que se oponha à concretização dos factos e da produção (“A escola era toda ela factos. A escola de desenho era factos. As relações entre o patrão e o trabalhador eram factos e tudo eram factos, desde a maternidade ao cemitério; tudo o que não se podia expressar em números, nem demonstrar que era possível comprá-lo no mercado mais barato para vendê-lo mais caro não existia, não existiria nunca em Coketown até o fim dos séculos. Amén”).
Inimigo de um ensino aberto à imaginação e a todas as formas de curiosidade, Gradgrind vai sempre “com uma régua, uma balança e a tabuada de multiplicar no bolso”, pronto “para pesar e medir qualquer partícula da natureza humana e para dizer exactamente quanto isso vale”. Para ele, a educação e a vida reduzem-se a “uma mera questão de números”, ao mesmo tempo que considera os seus jovens alunos como “pequenos recipientes que deviam encher-se de factos”.
Aqui é possível encontrar, em essência, algumas das limitações dos sistemas de avaliação actuais.
Estamos certos de que os parâmetros quantitativos e a sufocante máquina burocrática desenhada para os determinar estão a construir uma educação melhor?
Para lá das boas intenções, parece-me evidente que as escolas e universidades se vêem obrigadas a trabalhar exclusivamente para obter uma boa classificação. Sem “resultados” não se obtém financiamento. Por outras palavras: quem não aceita os critérios estabelecidos está destinado a sucumbir. O sistema de medição não se limita a medir. Orienta, sem hipótese de apelação, o futuro de todo o “rendimento”. Desse modo, a avaliação serve para a reprodução em espiral de um modelo único e, sobretudo, para impor uma lógica que impede imaginar alternativas possíveis.
Por que razão se mede a internacionalização das universidades em função dos cursos em inglês? Porque é que entre os critérios figuram os salários que os estudantes ganharão quando se formarem? Porque é que a quantidade de licenciados é mais importante que a sua qualidade? Temos, por acaso, a certeza que a competência estimula o crescimento mais do que a colaboração? Estamos certos de que só devem fomentar-se as disciplinas capazes de garantir um futuro económico em detrimento das humanidades? Vale a pena dar atenção a rankings internacionais quando vemos que só Harvard gasta com os seus 20 000 estudantes quase metade dos fundos que recebem as universidades estatais italianas, em conjunto, para um total de 1 6000 000 alunos? A bicicleta eléctrica europeia (que se esforça, com os seus escassos recursos, por manter uma prestigiosa educação de massas) não pode competir com uma caríssima motorizada de corrida construída para uma elite endinheirada. Ascender a esses rankings significa renunciar à educação de muitos para concentrar os recursos nuns poucos eleitos.
Os professores não são directores de empresas: o seu tempo deve ser dedicado aos estudantes e a uma investigação livre das absurdas medidas das agências nacionais. E, por outro lado, há que explicar aos jovens que não se estuda para aprender um ofício e que cultivar as próprias paixões vale mais que qualquer “êxito” económico. Não é um simples pedaço de papel, que é um diploma, que os faz ricos. Não é Ítaca, como nos lembra Constantino Cavafis, o objectivo da viagem, são antes as experiências que vamos tendo para chegar ao destino (“ Ítaca brindou-te com tão formosa viagem. / Sem ela não terias empreendido o caminho/ Mas não tem já nada para te dar”). A nossa verdadeira meta, como diz o poeta Antonio Machado, coincide com o nosso caminho: “Caminhante não há caminho / o caminho faz-se caminhando”.
Cabe à Europa imaginar um novo caminho para repensar a verdadeira missão das escolas e universidades, e para devolver a dignidade ao papel dos professores e dos próprios estudantes, considerados frangos de aviário. Só um acordo entre os países europeus poderia pôr fim a esta chantagem económica, baseada em parâmetros impostos pela banca e pelas finanças. Aceitar a lógica neoliberal foi um gravíssimo erro: a educação não representa uma despesa, mas um investimento indispensável. E se o PIB não mede as coisas mais importantes da vida, uma educação baseada no mercado acabará por oferecer às gerações futuras uma imagem distorcida do conhecimento e da humanidade. A educação devia preparar para o questionamento dos modelos únicos impostos pela economia e pela tecnologia. Deveria ensinar que o saber gratuito e o estudo do passado são fundamentais para fazermos melhor e construir um mundo mais solidário. Porque, como lembrava Carlo Levo, “o futuro tem um coração antigo”.
domingo, 10 de outubro de 2021
SEARA NOVA: CEM ANOS
Informação recebida no De Rerum Natura:
Convidamo-lo
a participar no Colóquio "Os Seareiros", Comemorativo do Centenário da
revista Seara Nova, que terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, no
próximo dia 12 de Outubro, terça-feira, a partir das 9h30.
Nas
noites de 14 e 15 de Outubro, a RTP2 fará a estreia do documentário
"Há 100 anos - a Seara Nova", com realização de Diana Andringa.
Recordamos que em Revistas de Ideias e Cultura tem acesso à colecção da Seara Nova, com índice de autores e centenas de documentos inéditos.
No mesmo Portal pode consultar 28 revistas fundamentais para a compreensão da história cultural e política portuguesa do século XX.
Cordialmente,
Luís Andrade
Coordenador do Seminário Livre de História das Ideias (CHAM/FCSH/UNL)
Ciência às Seis (on-line): A Física no Dia-a-Dia
Informação recebida do RÒMULO:
Na próxima terça-feira, dia 12 de Outubro de 2021, pelas 18 horas, realiza-se a conversa "O papel da Física no dia-a-dia" integrada no ciclo "Ciência às Seis", iniciativa do RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, nesta sessão em co-organização com o Núcleo de Estudantes de Física da Associação Académica de Coimbra. O evento online destina-se especialmente aos estudantes, mas pode ser visto por todo o público interessado, havendo oportunidade para questões no final.
Entrar na reunião Zoom: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/83459297401
ID da reunião: 83459297401
Resumo:
Que influência tem a Física nas nossas vidas? Em particular, que influência tem a Física Quântica, que descreve o mundo submicroscópico, nas nossas vidas? Muito mais do que normalmente se imagina. Praticamente toda a nossa vida passa por aplicações da Física em geral e da Física Quântica em particular: Computadores, tablets, consolas de jogos e telemóveis são feitos de transístores, que são artefactos da teoria quântica. O mesmo se pode dizer da televisão e da rádio. As comunicações à distância fazem-se por fibras ópticas, que usam luz laser, ou por redes sem fios, que usam micro-ondas. A luz laser, que é um efeito quântico, está por todo o lado desde o leitor de código de barras até às impressoras. A orientação por GPS exige relógios atómicos, que são dispositivos quânticos. Muitos dispositivos de diagnóstico e tratamento médico como o TAC, o RMN e o PET são ainda baseados nos conhecimentos da teoria quântica. Nos institutos e laboratórios de Física constrói-se já hoje a vida quotidiana de amanhã, que passará por computadores quânticos e comunicações ainda mais avançadas.
Breve Biografia:
Carlos Fiolhais natural de Lisboa é professor aposentado de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, fundador do RÓMULO – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra e comunicador de ciência. Dos vários livros publicados, destaca-se pelo número de exemplares vendidos Física Divertida e Nova Física Divertida. Tem escrito, com David Marçal, vários livros de combate à pseudociência, o último dos quais foi Apanhados pelo Vírus: factos e mitos sobre a Covid 19. Foi diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e tem sido director do RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra. Recebeu vários prémios e distinções.
Os vídeos das sessões anteriores do ciclo (e outros) estão disponíveis no Canal YouTube
RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra
Divulgação de Eventos
Departamento de Física da FCTUC
O MUNDO QUE O HOMEM CRIOU
Novo poema de Eugénio Lisboa:
O MUNDO QUE O HOMEM CRIOU
Os sinais estão aí, por
todo o lado,
insinuam que o mundo
apodrece,
que está todo
despedaçado,
que, sem redenção,
sobreaquece.
Os rios e os mares
infectados,
os vírus desvairados,
assassinos,
as terras desertadas,
devastadas,
dilúvios afogando
peregrinos,
o mundo em completo
desconcerto
a vida cada vez mais
degradada,
a luta pela vida num
aperto,
a esperança de viver
desbaratada,
os hospitais cheios e
exauridos,
os cemitérios todos
esgotados,
os gritos das crianças
assustadas,
apagando-se em sítios esquecidos!
A lama, o sangue, o
pus, a merda toda
medalhas que sobraram
da vida que houve,
no meio de tudo isto, a
estuporada foda,
resto de vida, que
durar não soube!
Da música sublime que
se criara,
sobra, para acompanhar
a derrocada,
marcha fúnebre para a
ardida seara,
montanha de ruínas
assombrada.
Radiações que matam
devagar
e o frio que aos poucos
nos devora,
tudo eficaz arte de
matar,
dando-nos um final que
não demora.
A história do homem nesta
Terra,
feita de conflitos e
descobertas,
deu pra inventar
ciência e guerra
e, ao terror, ofertar
portas abertas.
O nosso mundo vai
chegar ao fim
e, desta nossa
construída glória,
finar-se-á, a um toque
de clarim,
história de que não
ficará memória.
Eugénio Lisboa
Cinema no Jardim - Lisboa e Ciência
Na imagem em baixo podem ser consultados os títulos, as datas e os locais.
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
LUIS QUINTAIS E O ÂNGULO MORTO
Minha recensão no I de hoje:
O ângulo morto é um conceito da
óptica, com aplicação aos espelhos retrovisores dos veículos automóveis. Alguns
espelhos não permitem ver para alguns ângulos de visão,
Mas, tomada agora a expressão como metáfora,
todos nós temos ângulos mortos na nossa vida. Há coisas que se passam mesmo ao
lado e cuja percepção nos escapa. A poesia costuma ter um olhar mais profundo
do que o olhar físico, pelo que é natural que veja os ângulos que são mortos de
acordo com as leis da óptica. O uso da metáfora é curioso, embora não seja
inteiramente original. Por exemplo, num número da revista Colóquio Letras, Pierre Schioentjes, professor de Literatura na
Universidade de Gent, Bélgica, falava da «mudança
climática na literatura francesa» como um «ângulo morto da resistência
ecológica». E muita outra gente tem usado metáforas vindas da física ou de
outras ciências. Recebi um dia uma chamada de uma professora de Literatura que
me queria perguntar sobre a legitimidade do uso da expressão «ângulo crítico»,
que surge na descrição da refracção, num seu ensaio de crítica literária.
Respondi-lhe que achava o uso perfeitamente legítimo uma vez que as palavras
não têm donos. O uso literário de termos usados originalmente na ciência ou na
tecnologia permite alargar o seu domínio semântico. Do mesmo modo, os físicos
e outros cientistas «roubam» termos da
literatura: basta dar o exemplo da palavra «quark», sem um significado óbvio, que foi tomado pelo físico
norte-americano Murray Gell-Mann, que se interessava por linguística, para
designar uma partícula, de um trecho do romance
Finnegans Wake de James Joyce:
«Three quarks
for Muster Mark!»
Ângulo
Morto é o 14.º
livro do poeta e antropólogo Luís Quintais. Quase toda a sua poesia está
reunida no livro Arrancar Penas a um
Canto de Cisne. Poesia, 2015-1995
(Assírio & Alvim, 2015), um
Luís Quintais nasceu em Luena (ex-Vila Luso nos tempos
coloniais), capital da província do Moxico, bem no interior de Angola. Viveu
até aos 27 anos em Lisboa, tendo-se formado em Antropologia no ISCTE. Hoje
trabalha na área da antropologia social na Universidade de Coimbra, sendo
professor no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia
e investigador do Centro de Estudos Sociais. Os seus temas de eleição são a
psiquiatria forense a as relações entre arte, ciência e técnica (escreveu sobre
a obra do escultor Rui Chafes e sobre a bioarte). Quintais é ainda autor de um
interessante livrinho sobre Cultura e
Cognição (Angelus Novus, 2009).
A suas produção poética faz um uso muito criativo da
linguagem. Na introdução a Arrancar Penas
a um Canto de Cisne. Poesia
Quintais escreveu: «O que me interessa está sempre a jusante, no delta do
rio, não na nascente. As palavras que se
reúnem sob o sortilégio desse jogo de linguagem que é a poesia servem uma ideia
de ordem,
O matemático britânico de origem
polaca Jacob Bronowski fez uma apologia da poesia, numa entrevista que deu ao
filósofo norte-americano George Defere, publicada na revista The American Scholar (1974) e
republicada, em tradução portuguesa, no volume A Responsabilidade do Cientista e Outros Escritos (Dom Quixote,
1992), que reúne textos de Bronowski
editados por António Nunes dos Santos et
al. Diz Bronowski: “A poesia é um tema maravilhoso que deveríamos
considerar sempre que falamos de ideias científicas, porque nos relembra que se
pode comunicar uma verdade de indubitável valor intelectual sem necessidade de
ser complementada por qualquer sistema de equações.”
Poder-se-á pensar que a ciência
estará, portanto, nos antípodas da poesia. Mas Bronowski, que de matemático
passou a crítico literário (o seu
primeiro livro foi sobre os românticos ingleses), chamou a atenção para a
profunda relação entre ciência e poesia noutro texto do mesmo livro (no
capítulo «Ciência e Valores Humanos»):
«Quando Coleridge tenta definir a
beleza, regressava sempre a um único pensamento profundo: a beleza, disse, é a
‘unidade na variedade’. A ciência não é nada mais do que a procura da
descoberta da unidade na desordenada variedade da natureza – ou, mais
exatamente, na variedade da nossa experiência. A poesia, a pintura, as artes,
são a mesma procura, na frase de Coleridge, da unidade na variedade. Cada um, à
sua própria maneira, procura as semelhanças sob a variedade da experiência
humana. O que vem a ser uma imagem poética senão a apreensão e a exploração de
uma semelhança escondida, o manter juntas duas partes de uma comparação que vão
dar mais profundidade uma à outra?»
Não me atrevo a fazer uma critica
literária de um livro de poesia tão denso como o último livro de Quintais. Além do mais, recordo-me uma
reacção violenta do a
«Gostaria ela de cristais,/ grafite,
elipses?/ Depois de reconhecemos/ a sombra que a arrastou/ para o esquecimento
incompleto,/ memorializado por má consciência,/ gostamos intensamente/ de
cristais, grafite, elipses.// A virtude que há no sacrifício em nome da
ciência/ nada nos diz. Afinal tudo/ é crença e revisitação./ Tudo é dura
contenda/ com o sem-sentido que nos espreita./ Rosalind perseguia/ cristais,
grafite, elipses// como quem persegue/ a elegância de um vaso etrusco/ uma luz
de fim de tarde/ esmagando a praia de há mil anos,/ um sonho que, sem
complacência,/ se desfaz após o acordar,// Sufocamos depressa as linhas de uma
biografia,/ a imagem inteira da natureza/ que o caderno de ocasião/ poderá
conter ainda./ Morremos jovens/ Antigo é o mundo na sua beleza/ indiferente e
amoral/que nos traz cristais, grafite e elipses.»
Há aqui uma metáfora que associa as
observações de cristais efectuadas por Rosalind com a «elegância de um vaso
etrusco». Parafraseando Fernando Pessoa, ou melhor Álvaro de Campos: «Os
cristais são tão belos como um vaso etrusco. O que há é pouca gente para dar
por isso.»
Uma palavra final de elogio à
Assírio & Alvim. A qualidade das suas edições de poesia é inquestionável:
depois de A Matéria Escura e Outros
Poemas, de Jorge Sousa Braga, já publicou na colecção “Poesia inédita
portuguesa” Inferno, de Pedro Eiras, Cães
de Chuva, de Daniel Jonas. Voltar,
de Luís Filipe Castro Mendes, Coração
Lento, de Frederico Pedreira, e Purgatório,
de Pedro Eiras.
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
VAMOS FALAR DE GEOLOGIA
Informação que nos foi enviada pelo Professor Galopim de Carvalho
OUTUBRO
23 – Geologia e cidadania. A história da Terra e da vida, envolve conhecimentos que devem interessar ao cidadão, não só para que se saiba situar no todo natural e, assim, compreender e abraçar os problemas de defesa do ambiente e da conservação da Natureza, mas também, para poder participar conscientemente nas decisões dos políticos, em sectores que dizem respeito à qualidade de vida material e intelectual da sua geração e da dos vindouros.
30 – O granito na ciência e na cultura. Granito é um nome antigo, que toda a gente conhece e sabe dizer, de cor, que é uma rocha formada por quartzo, feldspato e mica”, mas é mais do que isso. Surgido no século XVI, designa o conjunto das rochas mais abundantes nos continentes e da maior importância, quer no campo científico quer no da vida dos povos.
NOVEMBRO
6 – Geologia e sociedade. É neste “planeta azul” que, desde sempre, reside tudo o que temos: o ar que respiramos, a água que bebemos, o chão que pisamos e nos dá o pão, as rochas e os minerais de que necessitamos. ´E só com isto que, por ora, contamos para viver. É, pois, fundamental conhecer melhor esta "nossa casa” e, aqui, a geologia tem papel fundamental, papel que sempre condicionou a sociedade.
13– A energia que nos vem do Sol. Numa muito simples abordagem, alude-se, não só à energia que aquece directamente tudo o que fica exposto ao Sol ou à que se concentra nos painéis fotovoltaicos da modernidade, mas também à que se liberta na combustão da lenha, dos carvões, dos derivados do petróleo, do gás natural e à que nos chega a casa, vinda das barragens hidroeléctricas. Alude-se, ainda, à energia despendida no trabalho físico dos animais ao nosso serviço e ao nosso próprio trabalho intelectual.
20 – O chão que nos dá o pão. Uma conversa sobre solos. Expostas aos agentes atmosféricos as rochas sofrem meteorização. Forma-se, assim, o manto ou capa de alteração. Sempre que esse manto permite a ocupação vegetal e com ela todo um cortejo de seres vivos e de matéria orgânica, tem lugar a formação do solo. O solo nasce, assim, como um corpo natural, complexo e dinâmico, constituído por elementos minerais e orgânicos. Tem vida vegetal e animal própria, está sujeito à circulação da água e do ar e funciona como receptor e redistribuidor de energia.
27 – Tectónica de placas, uma história que vem de longe. Se representarmos um ano por um degrau, temos de subir mais de 2260 degraus para chegarmos ao conhecimento que hoje temos sobre a tectónica de placas. De Eratóstenes, o astrónomo grego, da Antiguidade, aos geólogos e geofísicos dos anos 60 do século passado, por Ortel, Snider-Pellegrini, Suees, Wegener e tantos outros, esta fabulosa teoria, não só globalizou as ciências que estudam a Terra, como explica de maneira integrada muitos dos seus capítulos.
DEZEMBRO
4 – Vamos falar de vulcões, uma introdução ao vulcanismo. Expressões visíveis do magmatismo terrestre, os vulcões, uns activos outros mortos ou adormecidos, acompanham a história da humanidade, muitas vezes com efeitos trágicos. Diferentes uns dos outros na forma e no tipo de actividade, o seu estudo, ao longo de séculos, deu nascimento a um vasto e complexo capítulo da geologia.
11 – Vulcanismo e tectónica de placas. A par das diversas manifestações do movimento relativo das placas litosféricas (nascimento e alastramento dos oceanos, elevação das montanhas e simos) o vulcanismo tem lugar, sobretudo nas fronteiras de placas divergentes, ou seja, nos riftes, e nas das placas convergentes, ou seja, nas zonas de subducção. dois tipos de ambiente tectónico que determinam actividades próprias e diferentes litologias a que dão nascimento.
A RIQUEZA DE JOÃO RENDEIRO
Novo texto de Eugénio Lisboa:
O dinheiro, mesmo o mais mal cheiroso, fascina os homens até os levar à mais abjecta subserviência. Mesmo sabendo que determinada fortuna foi adquirida por meios, no mínimo, discutíveis, muito frequentemente, por meios ilícitos quando não francamente criminosos, o homem médio não deixa de admirar a “esperteza” do afortunado ricaço, atribuindo-lhe uma inteligência excepcional, que ele de facto não tem.
Porque é um erro muito comum pensar-se que é preciso uma grande inteligência para se criar uma grande fortuna: do que realmente se precisa, quase sempre, com honrosas e poucas excepções, é de uma boa dose de falta de escrúpulos. O homem rico raramente é inteligente ou mostra grande visão, mas o que ele é é manhoso, espertalhão – não inteligente – e não hesita em cometer actos que uma mente mais sensível e escrupulosa nunca seria capaz de cometer. Mesmo assim, a grande maioria das pessoas inclina-se reverentemente diante do homem rico, imaginando-o possuidor de dotes especiais, à beira do génio.
Nunca esqueci um diálogo famoso entre dois grandes romancistas americanos: Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway. Vivendo à grande, na costa azul francesa e esbanjando, sem medida, o muito dinheiro que ganhava, o que o levou a encontrar-se frequentemente em apuros, Fitzgerald admirava e invejava os verdadeiramente ricos. Ao ponto de, um dia, ter desabafado com o autor de ADEUS ÀS ARMAS (Hemingway), nestes termos: “Os ricos são diferentes de nós.” Hemingway, escarninho e mais lúcido, respondeu claro e curto: “São: têm mais dinheiro.” É de facto isso. Também, é claro, existem homens, como Bill Gates e outros, que não são de inteligência vulgar e, além dela, são pessoas de enorme visão e capazes de um mecenato generoso e inteligente. Mas a maioria dos milionários e bilionários são pessoas medíocres e até boçais, mesquinhas e até francamente à beira do criminoso, como, por exemplo, Donald Trump, o qual, na minha modesta opinião, fez mais do que o suficiente para ser metido numa prisão.
Um exemplo, que muito me chocou, de subserviência perante um homem rico, foi o do que se passou com Belmiro de Azevedo, o qual, convocado para comparecer no Parlamento, para prestar declarações, não me recordo a que respeito nem isso para aqui interessa, se atreveu a ditar àquele órgão de soberania as condições em que compareceria: oito ou nove da manhã, não me recordo, alegando ter muito que fazer e não podendo, portanto, desperdiçar tempo com o órgão legislativo da Nação. Que eu saiba, ninguém o meteu na ordem e foi recebido com toda a reverência… Que diabo, o homem sempre era rico e, visto isso, diferente de nós, como sugerira o autor de O Grande Gatsby.
Tudo isto, a propósito da escandalosa e incompreensível fuga do “banqueiro” João Rendeiro, nas barbas complacentes da justiça e de uma ministra que eufemisticamente classificou de “desconfortável” o acto infame de quem, além de ladrão, se julga acima da lei (depois de perder todos os recursos – e foram demais – entendeu que lhe tinha sido feita grossa injustiça e por isso se pisgava, “em legítima defesa”).
Vi, repetidamente, dizerem de Rendeiro, que era um “homem rico”: cá está, perante o homem sem escrúpulos, mas com muito dinheiro, o uso de uma linguagem que, de algum modo, desvela reverência por tanta “esperteza”. Porque Rendeiro não pode ser apelidado de homem rico, visto que não o é: rico é aquele que, ou herdou uma fortuna ou a ganhou, por meios razoavelmente lícitos. Rendeiro não é um homem rico, porque o dinheiro que tem não é dele, é dos que lhe confiaram as suas poupanças com vista a uma futura reforma mais confortável, das quais poupanças ele se apropriou, com grande desenvoltura.
Repito: Rendeiro não é um homem rico: é, pura e simplesmente, um desenrascado ladrão. É preciso respeitinho com as palavras, para se não cair desastradamente no “newspeak” de que falava Orweell, o qual permitiria redigir assim o acto de Rendeiro:
“O operoso banqueiro, que mostrou desde a infância um compreensível fascínio pelo dinheiro, encontrando-se à frente de um banco que geria fortunas, desviou, quiçá sem intenção enviesada, algum desse dinheiro para uma conta sua, não se tendo apercebido de que isso poderia eventualmente não ser bem recebido pelos depositantes. Depois, acossado por uma justiça implacável e quiçá pouco humana, e aconselhado devidamente por amigos e admiradores, resolveu mudar de residência, para melhor esquecer este episódio desagradável e ter um resto de vida sossegado junto a alguma praia benfazeja.”
Eugénio Lisboa
terça-feira, 5 de outubro de 2021
Cristóvão de Aguiar: no dia da morte de um senhor da palavra
«o que mais profundamente me impressiona na sua escrita é a riquíssima carga de humanidade que simultaneamente lhe serve de “raiz”, lhe vivifica a alma e lhe marca o estilo. Por isso a sua ficção está tão visceralmente ligada aos lugares onde nasceu, cresceu, viveu, e às pessoas que, sendo parte essencial desses lugares, deles conservam marcas tão fundas mesmo quando, no seu discurso, se volvem personagens».
(Alguns exemplos tirados de Raiz comovida: De contente, «o senhor padre não cabia nos paramentos», ou «os luteranos recolheram as redes e partiram com elas vazia de almas e de peixes», p. 405; «os olhos colavam-se às montras das lojas que se sucediam como pevides de melancia», p. 277, etc., etc.).
DO QUE A UNIVERSIDADE É AO QUE ELA PODE (VOLTAR A) SER
Um professor de Direito Constitucional da Universidade de Múrcia, Germán M. Teruel Lozano, publicou, no passado dia 3, um texto no jornal online «La Verdad« (ver aqui) sobre o que a universidade deveria ser e o que ela é. Trata-se de um texto lúcido que, por isso mesmo, preocupa, mas, ao mesmo tempo, apresenta uma réstia de esperança: nem todos os professores desistem da ideia de universidade e da aula como "espaço de desconexão digital (...), uma ocasião para alunos e professores interagirem, olhando-se nos olhos, sem ecrãs pelo meio".
A universidade não é um centro de educação superior qualquer. Uma das suas especificidades é que deve instruir num saber, numa disciplina do conhecimento que poderá ser útil para um ofício, mas o seu objecto não é formar profissionais. Na Faculdade de Direito não se formam advogados, nem juízes, nem notários, mas juristas. Para isso, deverão transmitir-se uns conhecimentos e formar numas competências básicas (pensamento crítico, dominar uma linguagem técnica e exprimir-se com correcção, saber argumentar...).
Além do mais, a universidade é também um laboratório de conhecimento, nela faz-se ciência. Não é um museu nem, tão pouco, um lugar onde só se dá instrução aos jovens. Segundo Ortega a universidade deve aspirar a consagrar-se como um «poder espiritual» da sociedade. Face ao mundo actual, frenético, intoxicado pelas urgências, pelos acontecimentos e pelo imediato, a universidade deve oferecer serenidade e reflexão, rigor.
Aqui não valem as zascas* nem a cultura da «influência» ou do sujeito que tudo opina e nada sabe. Há que fugir do charlatão, apostar no estudo, indagar os porquês, as razões que sustentam as nossas ideias. E, para todas elas, a universidade deve ser um espaço de liberdade. Daí que ser universitário é um autêntico privilégio e, portanto, uma responsabilidade. «Non studiamus scholae sed vitae», não se vai para a universidade estudar para a nota, mas para a vida, sentenciava um grafiti na Universidade de Salamanca no século XVI.
Pois bem, a realidade deste ideal de universidade vê-se hoje mais difícil, por diversas razões, entre elas gostaria de referir três. As duas primeiras como consequência de carências do nosso sistema educativo, que os alunos trazem consigo quando chegam à universidade e mesmo depois de passar por ela.
Como professor de Direito, a carência mais grave que detecto é no âmbito da leitura e da escrita. Encontramos alunos que têm sérias dificuldades em compreender um texto minimamente complexo (...) e ainda mais de escrever um texto que vá além do copiar e colar. Além disso, não têm interiorizada a importância de procurar fontes fiáveis de informação, restringindo-se às que o google lhes põe à frente.
Outra importante carência situa-se no âmbito da cultura humanista. Se estamos integrados numa civilização é, precisamente, porque partilhamos um marco cultural e de pensamento comum que nos serve para ver o mundo com sentido crítico. A história, a filosofia, a literatura ou a cultura clássica são imprescindíveis para isso e, no entanto, encontram-se cada vez mais afastadas. Ora, o universitário deve olhar para o que estuda para contemplar e analisar a actualidade.
Por fim há que destacar os perigos implicados no mundo digital numa dupla perspectiva. Como assinalou, há uns anos, G. Sartori, não podemos deixar que o «homo videns» anule o «homo sapiens», a imagem não pode sobrepor-se ao logos, ao pensamento conceptual. Por outro lado, devemos alertar para os perigos da dispersão e das dificuldades de atenção que o digital propicia e reivindicar a leitura serena e a concentração.
* termo em moda em Espanha, especialmente entre os jovens, e cujo significado tem evoluído; de uma onomatopeia que exprimia um ruído, como o de uma rápida bofetada, passou a ser aplicado em situações diversas, nomeadamente com o sentido de "réplica cortante e rápida", uma "bofetada verbal", um estalo dialéctico.
Maria Helena Damião & Isaltina Martins
DA "VOZ DOS PROFESSORES" AO SEU PROGRESSIVO DESAPARECIMENTO
Publicado hoje num outro blogue (ver aqui), o texto "Onde estão os professores…?", assinado por um professor (Carlos Santos), faz sobressair uma perplexidade: na multiplicidade de relatórios de entidades supranacionais que determinam os desígnios da educação e de sítios on line que têm criado para os concretizar, afirma-se, "com base em evidências concretas" que a voz do professor nunca foi tão ouvida como agora. E que eles, mais do que pronunciarem-se a favor das mudanças em curso nos sistemas educativos, participam na sua formulação e implementação.
Ora, uma dessas mudanças situa-se na sua função, que vemos ser afastada do ensino. O mais preocupante é que, abrindo alguns desses sítios, constatamos que há professores a corroborar isso mesmo. No é o caso do autor do texto a que me refiro.
É imperioso que se permita o regresso dos professores às escolas; o regresso dos professores à sala de aula e do que, a rigor, representa a sua verdadeira função, que é a de ensinar!Com tantas reformas educativas preocupadas com a organização das escolas, dos currículos, tanta teoria de gabinete a dar muitíssima importância ao supérfluo, a pais e alunos, tanta diligência em afastar os professores dos órgãos de decisão e em sobrecarregá-los de inutilidades, que acabaram por os empurrar para o fim da fila das prioridades na estrutura de ensino. Foram, simplesmente, excluídos – banidos das escolas.Todas essas teorias excessivamente centradas nos interesses particulares dos encarregados de educação e dos alunos e na doutrina cega do professor como mera figura decorativa em redor do estudante, acabaram por deixar a escola e a aprendizagem nas mãos das crianças, dos pais, dos gestores, dos burocratas e dos políticos.A escola passou a ser um tema sobre o qual todos opinam, todos sabem, todos mandam… menos os professores. Foram, na verdade, perseguidos, humilhados e desautorizados; foram tudo, menos auscultados e respeitados. Tanta desconsideração pela figura do Professor esvaziou-o de protagonismo, autoridade e importância (...).E por mais que ninguém queira admitir, hoje as escolas estão sem professores. Não só pelo défice em número, mas sobretudo pela falta de representatividade, importância e participação. Acrescido à sobrecarga de burocracia, transformou-os em meros contabilistas da inutilidade (...), pouco resta do Professor na escola (...).Atiraram-lhes à cara essa lama perfumada de hipocrisia e desdém de que “não há ensino sem alunos” (...). Mas… e sem professores, o que há? O que não há torna-se evidente: não há alunos; não há instrução, educação, respeito nem civismo; não há evolução nem inovação, não há sociedade; não há civilização; não há país; não há futuro (...).
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
NO PRINCÍPIO ERA O MAGMA…
a nucleossíntese que dá nascimento aos elementos químicos, em grande parte no interior das estrelas e na sequência das explosões (supernovas) que lhes ditam o fim; e a quimiossíntese que, por junção dos elementos químicos, dá origem aos compostos, entre os quais os minerais, fase esta que inclui o magmatismo e os restantes processos petrogenéticos, para além de outros, como são os biogénicos.
Oxigénio (O): 46,6% peso; 93,8 % volumeSilício (Si): 27,7% peso; 0,8 % volumeAlumínio (Al): 8,1% peso; 0,5 % volumeFerro (Fe): 5,0% peso%; 0,4% volumeCálcio (Ca): 3,6% peso%; 1,0% volumeSódio (Na): 2,8% peso; 1,3% volumePotássio (K): 2,7% peso; 1,8 % volumeMagnésio (Mg): 2,1% peso; 0,3 % volume
E SE VOLTÁSSEMOS À DOCIMOLOGIA, OU SEJA, À CIÊNCIA DOS EXAMES?
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