quarta-feira, 25 de julho de 2012

Portugal na vanguarda da tecnologia de visualização médica

O Yscope é uma tecnologia que permite seleccionar e manipular imagens médicas no bloco operatório, ao estilo do filme Minority Report (mas sem a necessidade de luvas especiais para detectar os movimentos das mãos). Uma ideia que nasceu no Hospital de Santa Maria e cresceu na empresa YDreams.



(clique para ampliar)

É apresentado esta sexta-feira, às 11h na Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, piso 3 do Hospital de Santa Maria.

História


Novo post de Ângelo Alves (na imagem a Biblioteca Municipal de Cantanhede)

«Neste país sem olhos e sem boca/ hábito dos rios castanheiros acostumados»

Ruy Belo

«A bicicleta foi o foguetão que permitiu a minha entrada no espaço»
François Mitterrand

Desço a ladeira da fonte, no sentido de Cantanhede, com a sensação de que percorro este caminho pela primeira vez; o baldio ontem inculto e hoje lavrado, o adventício das pegas e dos corvos, que crocitam nos teixos e nos ciprestes; cada dia é um dia novo. Vou aos esses pela fímbria da estrada, sempre encostado à direita. Uma vertigem… Caio no pretérito, nos tempos da monarquia. A monarquia absoluta e a constitucional: atravesso séculos de injustiça, vejo o povo miserável, esfomeado, doente, escravo, e o rei e seus acólitos que jogam xadrez, valsam, comem com as suas mãos untuosas, entre outros prazeres apetitosos. O povoléu cobarde. Vai de praia a praia a matar, espoliar, e roubar em nome de sua majestade. Continuo pela orla da estrada. Estou no fim da monarquia com as algibeiras vazias. Depois de tanta epopeia e ventura, o governo faz orçamentos falsos, pede empréstimos e o Banco de Portugal está falido. Deixo D. Carlos e D. Luís Filipe, esticados, a meio da viagem. E deixo o último rei. Na Primeira República vejo a mesmíssima coisa: o primeiro presidente eleito por sufrágio universal é assassinado, sucedem-se crises económicas, instabilidade, e desemprego. Dobro alguns anos. Passo pelo Estado Novo e encontro Salazar a preparar endechas para as mulheres católicas e a ler Mussolini: «é necessário existir pobres a trabalhar para os ricos». Enquanto nas colónias se derrama sangue, no Continente o povo morre tuberculoso. As eleições são fraudulentas e Humberto Delgado jaz morto. Estado ético? Neste caso eu sou um anjo. Quantos relatórios sobre o caso? Nenhum. Atravesso lânguido a rua 25 de Abril, em Cantanhede, sentindo no ar o odor dos cravos. Chego à democracia ou ao neo-liberalismo - a máscara de nova ditadura. Ainda ontem 70 por cento das pessoas era fascista, hoje 70 por cento é democrata. A marcha, liderada pelo trio PS, PSD e CDS, conduz o povo à ruína, à falência, à ajuda externa sem que ninguém antes tenha dado por isso. José Miguel Júdice, um neoliberal, define assim democracia: «é, etimologicamente, o governo do povo, e afinal o sistema em que a sociedade gera em si mesma, intrinsecamente, os mecanismos políticos de expressão da sua vontade». O povo está viciado em crédito, vive obcecado por dinheiro e pela promoção própria e dos seus familiares, e os políticos limitam-se pura e simplesmente a segui-lo. Povo sem cultura, sem coragem e sem coração. A cultura per se é estéril – vejam-se os casos de Richard Strauss e a sua ligação ao nazismo, de Céline, de Hamsun…

Desemboco no átrio da Biblioteca, a copa da palmeira rebenta no céu, as folhas glaucas morrem de velhas, reparo nelas pela primeira vez, ao fim de anos. Dois homens altos saem da Biblioteca:

- Isto é um país de ladrões! Andamos a roubar-nos uns aos outros.

Caio no presente. Entro na biblioteca. Sinto que piso a Lua. Deixei Molière, Tchekhov, Shakespeare e Brecht à entrada. Não há palco para eles. Sinto que piso a Lua. O cérebro, o progresso e a vaidade. Sento-me no sofá vermelho. Abro um jornal diário: o Jean Valjean, de Os Miseráveis, de volta! Alguém roubou um pão num supermercado e foi condenado com celeridade. Um ministro, simultaneamente cristão e maçónico, doutor sem estudos, regozija-se com o feito: «Há justiça, hoje.». Mas será que Vítor Hugo não escreveu Os Miseráveis? Os processos de quem desbarata e forra milhões andam em bolandas. Ingénuo Jean Valjean! Não tens a astúcia dos políticos. Estes, quando confrontados com as dívidas, respondem: “Abaixo de...” Porque sabem que o povo não sabe, porque é uma bagatela, porque hoje é “abaixo de” e amanhã será “abaixo de”. Leio que as bibliotecas públicas portuguesas estão 86% abaixo do valor corrente na Europa no que toca a aquisições de livros. Leio que os pobres vão pagando as dívidas dos ricos. Esta troika em nada fica atrás da outra (Estaline, Zinoviev, Kamenev), em medidas draconianas. Os chefes dos municípios abismados com a crise, mas neles há dirigentes a pontapé, alguns deles recebendo dois salários mensais. Já agora não terão um gabinete para mim, eu, que sou iletrado, filho de iletrado e cavador? Não, porque não sou astuto. O caminho é o do passado.

Eu sou mais pequeno do que o Sol. Emudecer? – Nunca. A gota mais pequena tem voz na vaga do destino. A poesia, sempre a poesia. Eles preferem falar no milhão. Expoente seis na base dez, qualquer coisa desse tipo. Mas nós perdemos a noção de ordem de grandeza, já não sabemos sequer fazer contas. Eles lá saberão as linhas com que se cozem e nos cozem. É o fim. Bicicleta e Biblioteca abandonadas, dois atavismos. Meio e fim. Tremo com a ideia do eterno retorno.

Leio, neste blogue, António José Saraiva - “Este mundo é duro: haverá sempre inquisidores e fogueiras”- e não posso estar mais de acordo, no que se refere à história de Portugal. O que não posso também é negar a barbárie e apagar da memória os autores das fogueiras. A justiça está, para mim, acima do talento e da sabedoria. Ezra Pound foi um grande poeta, mas não posso ignorar o seu apoio a Mussolini, assim como o apoio de Céline ao nazismo. Não posso ignorar que o fascismo, no meu país, foi o responsável pela divisão da sociedade em Intelligentsia e o resto. Desta Intelligentsia, uma minoria, não saiu ninguém que acrescentasse valor ao país (António José Saraiva foi uma das poucas excepções). Um país que não lê é um país criminoso, escreveu Joseph Brodsky. O fascismo, durante décadas, foi responsável pela iliteracia. Porquê? Porque o povo tinha de alimentar os ditadores (o meu pai teve muitas refeições de uma só sardinha).

Contudo, há, hoje, oportunidades. Alguns meninos apoderaram-se da frase do papagaio de Raymond Queneau «Eles falam, falam, mas não fazem nada» - leiam “Zazie dans le métro” – e são, hoje, jornalistas, cronistas, humoristas, enfim… Por vezes dá-me ganas de arranhar o rosto como Juliette Gréco quando grita J’Arrive, tantas e tão grandes são hoje as injustiças.

Ângelo Alves

RECICLAR A MALÁRIA INTIMAMENTE




Crónica publicada primeiramente em "O Despertar" e em outra imprensa regional.


Reciclar, transformar ciclicamente, é uma característica do Universo.
Longos são os ciclos, no tempo e no espaço, em que os elementos se “transmutam”, interagem, recombinam e “expressam” as propriedades físico-químicas que apreendemos a conhecer.


Talvez as partículas elementares de que se forjam os elementos, os quarks, os electrões e os neutrinos, também tenham os seus ciclos, ritmos característicos de um Universo de massa em expansão no campo de Higgs, desde um microssegundo após o Big Bang.
Reciclar é reencontrar a essência primária, o alfabeto fértil, os blocos construtores de novas arquitecturas.
O nosso planeta, esse “pálido ponto azul flutuando na imensidão do Universo” (como descreveu Carl Sagan ao ver a imagem da Terra que a Voyager 1 enviou ao voltar-se uma última vez para nós, em Fevereiro de 1990), é uma história imensa e intensa de vários ciclos geoquímicos e geofísicos, em que elementos e compostos se recombinam e percorrem o planeta segundo partituras e coreografias específicas, mas ainda não muito bem conhecidas.
Ao apreendermos os grandes ciclos do planeta, abertos e influenciados pelas vizinhanças siderais mais ou menos variantes do nosso sistema solar, verificamos a incontornável interdependência da vida com os ciclos da água, dos compostos de azoto, dos compostos de carbono. Com certeza que outros elementos têm ciclos geoquímicos e geofísicos que também orquestraram funcionalidades no acaso adaptativo aparente da vida.
A vida, tal como a conhecemos, evoluiu neste planeta de coração temperado a ferro e níquel, e superfície composta maioritariamente por diversos compostos de silício, oxigénio, carbono, enxofre, fósforo, entre outros elementos. A vida evoluiu com a “função reciclar” inscrita intimamente no fluxo de matéria e energia que foi e é força motriz para fazer emergir a diversidade.
Vários ciclos e fluxos elementares possuem períodos de tempos de reciclagem de ordem geológica (milhares, milhões de anos) que ultrapassam a nossa longevidade telomérica.
Mas, desanuviemos o olhar do horizonte secular e milenar, e mergulhemos na intimidade de uma célula, na riqueza e densidade molecular que interage em menos de um segundo.
Nestes micrómetros de vida esculpida pelos ciclos geológicos e biológicos, existem instruções precisas, geneticamente preservadas, proteicamente funcionais, para uma eficiente e bioeconómica reciclagem dos blocos moleculares essenciais.
Minimizar as trocas com o meio, reciclar o que já não é bioquimicamente funcional, reobtendo assim os blocos construtivos, os monómeros substantivos.
Só em último recurso se importa nova matéria-prima e isto permite reduzir a energia despendida no transporte membranar. A reciclagem intracelular permite que a célula consiga aumentar o período de tempo em “jejum” extracelular, sem que isso diminua a sua actividade. Por outro lado, o trânsito assim reduzido de substâncias à superfície celular permite que esta seja mais sensível a qualquer nova informação exógena. Assim, este silêncio funcional permite que a célula possa “sentir” uma única molécula e transduzir novas de outra célula, de algum tecido ou órgão da espantosa homeostase fisiológica e bioquímica.
A vida teria de ser muito diferente se a célula não fosse exímia a reciclar. Por exemplo, a cadeias de ácido ribonucleico mensageiro (ARNm) são constantemente sintetizadas para transmitir uma determinada informação genética a partir do núcleo, para construir uma proteína correspondente. Finda a síntese proteica, a cadeia de ARNm é decomposta nos seus componentes, que são sequentemente reciclados para a construção de uma outra cadeia de ARNm, para o transporte de uma nova mensagem. Estes ciclos podem ter períodos de tempo inferiores ao minuto!
As células possuem um complexo sistema de maquinaria proteica, implacável e eficiente, que permite a constante reciclagem de muitos dos diversos componentes celulares já não funcionais.


Uma das proteínas com papel central numa reciclagem é uma enzima que recicla alguns blocos constituintes dos ácidos nucleicos (ADN e ARN). Denominada Hipoxantinaguanina fosforiboxiltransferase (HGPRT, sigla inglesa), esta enzima “recupera” as bases purinas que resultaram da degradação de cadeias de ARNm que já cumpriram a sua função, e liga-as a moléculas do açúcar ribose. São assim recicladas nos respectivos nucleosídeos e nucleotídeos, blocos constituintes de uma nova cadeia de ARNm.
Deficiências na HGPRT impedem ou diminuem o seu papel “reciclante”. Isto consubstancia o princípio molecular de diversas doenças como a síndrome de Lesch-Nyhan, doença hereditária caracterizada por retardamento mental, comportamento agressivo, automutilação e insuficiência renal. Outra perturbação é a conhecida por “gota”, bioquimicamente manifestada por um excesso na produção de ácido úrico e que potencia dolorosas perturbações nas articulações.
A HGPRT é ainda crucial para o parasita que causa a malária, assim como para outras doenças similares. Estes parasitas dependem daquela enzima para obterem os necessários nucleótidos, uma vez que perderam a capacidade de os sintetizar de novo dentro da célula hospedeira.


Assim, a HGPRT é um excelente alvo para o desenvolvimento de novas drogas para atacar o parasita da malária. E de facto, investigadores estão a estudar as diferenças nas estruturas tridimensionais das HGPRT humanas e dos protozoários parasitas do género Plasmodium, que causam a malária, no sentido de sintetizar drogas específicas só à forma da HGPRT do parasita (ver, por exemplo, artigos recentes aqui e aqui).


Reciclar ou não reciclar poderá então definir o destino do parasita e do hospedeiro infectado.
Reciclar é assim vital à vida, como o é também para a biosfera que a acolhe.
E no princípio, reciclar é viver.

António Piedade

terça-feira, 24 de julho de 2012

O nivel de educação dos professores brasileiros

A antiga fábrica de cerâmica de Jerónimo Pereira Campos e o respectivo barreiro (dois tipos de património que se complementam)

Novo texto do Professor Galopim de Carvalho.

A cidade de Aveiro tem no seu centro urbano um belo exemplo de conjugação de dois bens patrimoniais importantes na sua história. Um deles, entendido e preservado como património construído, é a antiga fábrica de cerâmica de Jerónimo Pereira Campos, uma pérola da arquitectura industrial, em barro vermelho, do primeiro quartel do século XX. De grande relevância na história da economia local, esta grande e desactivada unidade fabril foi inteligentemente adaptada a Centro Cultural e de Congressos, em 1995.


O outro bem deve ser entendido e preservado como património natural. Trata-se do barreiro anexo, do qual se extraiu, durante décadas, a matéria-prima, ou seja, a argila ali trabalhada na produção de telhas e tijolos.


Barreiro nos anos 60 do século XX. Foto de Carlos Romariz

Conheci este barreiro, nos anos 60 e guardo dele um a bela fotografia, na qual se pode ver um conjunto de camadas de argila, paralelas e horizontais, alternadamente brancas e acinzentadas, por vezes rosadas, devido a impregnação ligeira de óxido de ferro.

Estas argilas são sedimentos muito finos trazidos por via fluvial e acumulados numa área plana, próxima do mar, que caracterizou toda esta região, no final da Era dos Répteis, mais precisamente, no topo do Cretá cico, há cerca de 70 a 65 milhões de anos.

No seio destas argilas foram encontrados fósseis animais e vegetais, que nos permitem reconstituir uma paisagem tropical, alagadiça, onde, entre outros, viveram dinossáurios, crocodilos, tartarugas e peixes de grandes dimensões.

Entre os fósseis daqui retirados destaca-se a carapaça de uma tartaruga, até então desconhecida, descrita em 1940 pelo Prof. Carrington da Costa, da Universidade do Porto, como espécie nova para a ciência, a que deu o nome de Rosacea soutoi, em homenagem ao seu achador, Alberto Souto, um aveirense curioso das coisas da natureza, um exemplo que não tem encontrado seguidores.

O barreiro em causa é o único e último testemunho, na região, desse tempo antigo, imediatamente anterior à grande extinção que marcou o fim da Era Mesozóica e o começo dos tempos modernos, com grandes mudanças no clima, na flora e na fauna.

Foto do autor, obtida em 2009

Foto do Prof. António Correia, obtida em 26 de Junho de 2012

Em inícios de 1999, o meu colega Britaldo Rodrigues, geólogo e então professor catedrático do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, tomou conhecimento de que o executivo camarário aprovara o plano urbanístico de pormenor do centro da cidade, que abrangia a área envolvente do novo Centro Cultural e de Congressos.

Entre outros equipamentos, este plano previa a construção de imóveis sobre o dito barreiro do qual ainda resta um vulgaríssimo talude, parcialmente oculto pela vegetação bravia, e um imenso fosso cheio de água estagnada, num conjunto, cuja imagem, inestética e desagradável à vista, oculta a sua real e natural beleza.

Neste sentido, este meu colega promoveu uma sessão de esclarecimento que intitulou “Património Geológico de Aveiro – O barreiro da Fábrica Jerónimo Pereira Campos e a Extinção dos Dinossáurios”, que teve lugar na Biblioteca Municipal, no serão de 22 de Abril de 1999.

Para conferencistas e orientadores do debate previsto, convidou-me a mim e ao Prof. Telles Antunes, da Universidade Nova de Lisboa.

Nesta sessão marcaram presença o então Presidente da Autarquia, Alberto Souto (neto do achador do fóssil de tartaruga, atrás referido) e alguns vereadores.

Reafirmo o significado pedagógico e cultural deste património geológico e paleontológico que, para além desse nível de importância, acumula o grande significado que teve como fonte da matéria-prima que deu azo à edificação do belo imóvel fabril, com o qual se conjuga lógica e harmoniosamente.

Da conversa que, no final da sessão, travámos com os ilustres autarcas, ficámos esperançados na boa resolução deste caso. Entretanto mudou a vereação e, lamentavelmente, este propósito adormeceu algures, numa gaveta da autarquia, e, o certo, é que já passaram treze anos.

Em 2008 publiquei num jornal local um artigo versando o essencial das considerações que ora apresento. Na sequência desse artigo, o Vereador, Dr. Miguel Capão Filipe dirigiu-me convite para me deslocar a Aveiro para uma reunião visando esta problemática.

O barreiro, cuja desejável musealização se limita, praticamente, à limpeza do escarpado, a fim de evidenciar as camadas de argila, e ao ajardinamento e embelezamento do “lago” que ali se formou (em resultado da lavra), ainda ali se conserva, parcialmente oculto, mas intacto.

Só falta vontade política de o transformar num pólo de atracção cultural e pedagógica associado ao magnífico Centro Cultural e de Congressos.

A. M. Galopim de Carvalho
Lisboa, 27 de Junho de 2012

Para as pessoas perceberem que é precioso cultivarem-se

Na senda de iluministas, racionalistas, humanistas, republicanos, democratas (a designação depende da época e do contexto intelectual), Helena Cidade Moura acreditou firmemente que a educação transformava a condição humana. Transformava-a no sentido da consciencialização e, em sequência, do exercício da liberdade.

Tal como João de Deus, entendeu que o ponto de partida era necessariamente a aprendizagem da leitura e da escrita. Porém, a batalha da alfabetização, que assumiu ao longo de décadas, entendeu-a "apenas" como um caminho que se abre e conduz à cultura erudita, a que todos, sem excepção, têm direito.

A sua morte recente poderia ter constituído um pretexto para nos determos nesta ideia tão simples, (aparentemente) óbvia, mas que é uma das grandes conquistas da Humanidade. Até porque, como todas as conquistas, não possui garantia de eternidade.

Saberão os leitores que não foi isso que aconteceu: cumpriram-se os votos de pesar e, de consciência tranquila, por aí nos ficámos. Merecia mais Helena Cidade Moura, que ainda há pouco tempo, entre a desilusão e a persistência disse, em entrevista, o que se segue:

- De que maneiras podem os autores clássicos entrar no quotidiano dos portugueses?
- A falta de cultura na generalidade da sociedade portuguesa é uma coisa gritante. Este trabalho que estamos a desenvolver no âmbito da alfabetização de adultos tem como tema "sem cultura não há desenvolvimento", para as pessoas perceberem que é precioso cultivarem-se para terem necessidade do desenvolvimento. Neste momento, nós estamos paralisados de intenções sociais. Cada um trata da sua vida o melhor que pode e acaba por aí a sua intervenção na sociedade e isto é uma maneira de ser muito difícil de remediar. Por isso, tenho a convicção que projetos como este desempenharão um papel importante no gosto pela leitura também dos clássicos.

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS Nº 1 EM FRANÇA


Press release recebido da editora Gradiva:

Seguramente, a primeira vez que um autor português chega a nº 1 do Top FNAC de vendas em França.

La formule de Dieu, a edição francesa de A Fórmula de Deus, de José Rodrigues dos Santos, chegou esta semana ao primeiro lugar do Top FNAC de vendas em França.

O Top FNAC França pode ser consultado aqui

La formule de Dieu foi lançado há três semanas em França pela HC Editions, de Paris, e tornou-se um sucesso imediato, entrando directamente para o Top de vendas da revista Livres Hebdo. O livro está a ter um acolhimento entusiástico por parte do público e da crítica, com o jornal Metro (2 milhões de exemplares) a dizer que La formule de Dieu "é o grande sucesso deste Verão", o "20 Minutes" (4 milhões de exemplares) a afirmar em primeira página que "o novo Dan Brown é de Portugal" e o Dauphine Libere a anunciar em título que o romance é uma "obra-prima". Outras referências abonatórias foram feitas pelo programa de literatura da rádio pública francesa e pelo semanário Le Point.

A HC Editions comunicou que são constantes os pedidos de livreiros de toda a França a pedir reposições de stocks de La formule de Dieu, estando a editora francesa a proceder a sucessivas reedições do romance português.

A Fórmula de Deus, lançado originalmente pela Gradiva, foi o livro mais vendido em Portugal no ano de 2006, tendo sido este ano nomeado para o Prémio Literário IMPAC Dublin. O tema deste romance filosófico, que envolve um manuscrito perdido de Albert Einstein, é a prova científica da existência de Deus.

Segundo Carlos Fiolhais, físico, autor das obras Física Divertida e da recente Darwin aos Tiros e outras histórias de Ciência (com David Marçal) e revisor científico do romance A Fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos: “Não é fácil ser fácil. Mas José Rodrigues dos Santos consegue tornar de apreensão fácil alguns dos maiores mistérios, ao mesmo tempo que permanece fiel aos físicos que consultou. Na escrita dele, o Big Bang, que estava lá tão longe, fica ao nosso alcance."

Ciência, Literatura, Pintura e Música: Galileu e a Revolução Científica



Meu texto publicado na última "Rua Larga", Revista da Universidade de Coimbra:

Na Revolução Científica, a ciência apareceu em estreito conluio com as artes. O dia de nascimento da Física pode ser datado - conforme recentemente escreveu Jorge Calado, na sua obra Haja Luz! (IST Press, 2011), onde alia magistralmente a história da ciência e das artes - no dia nove de dezembro de 1609, quando o físico italiano Galileu Galilei olhou para a Lua usando o telescópio que ele próprio tinha construído. Não só olhou como descreveu e desenhou o nosso satélite. Galileu, filho de um músico que lhe tinha dado uma formação humanista, revelou-se logo, para além de um extraordinário cientista, também um talentoso artista.

O escritor contemporâneo Italo Calvino não tem dúvidas em considerar Galileu o maior escritor (entenda-se prosador, para que Dante não saia prejudicado) de língua italiana. Escreveu Calvino (Ponto Final, Teorema, 2003): “O maior escritor de língua italiana de todos os séculos, Galileu, mal se põe a falar da Lua eleva a sua prosa a um grau de precisão e evidência e ao mesmo tempo de rarefação lírica prodigiosas. E a língua de Galileu foi um dos modelos da língua de Leopardi, grande poeta lunar...” E noutro trecho: “Na direção em que trabalho agora encontro maior alimento em Galileu, como precisão de linguagem, como imaginação científico-poética, como construção de conjecturas.

Em 1610, Galileu publicou uma obra seminal da ciência mundial, de que só recentemente surgiu edição portuguesa. Sob um título de recorte literário - O Mensageiro das Estrelas (Fundação Gulbenkian, 2010) - o autor narra as suas observações com o telescópio não só da nossa lua como das luas de Júpiter. Galileu escreve em grande estilo: “Grandes, coisas, na verdade, são as que proponho neste pequeno tratado para que sejam examinadas e estudadas por cada um dos que dos que estudam a Natureza. Coisas grandes, digo, pela própria excelência do assunto, pela sua novidade absolutamente inaudita e ainda por causa do instrumento com o auxílio do qual elas se tornaram do qual manifestas aos nossos sentidos.” E a seguir: “Daí, consequentemente, que qualquer pessoa compreenda, com a certeza dos sentidos, que a Lua não é de maneira nenhuma revestida de uma superfície lisa e perfeitamente polida, mas sim de uma superfície acidentada e desigual, e que, como a própria face da Terra, está coberta em todas as partes por enormes protuberâncias, depressões profundas, e sinuosidades.” O autor “convida todos os amantes da verdadeira filosofia para o início, seguramente, de grandes contemplações.” O novo instrumento era o posto avançado do olho que, por sua vez, é o posto avançado da mente. Com a mente ampliada instrumentalmente, o homem conseguia ver o invisível. E a Terra passava a estar unida aos céus. A Lua era, afinal, aparentada à Terra; era uma parte do mundo que habitávamos, imperfeito, e não uma parte de um outro mundo, perfeito, tal como a visão aristotélico-tomista, bem retratada na Divina Comédia de Dante, advogava.

 

Mas não foi só no domínio literário das artes que Galileu se distinguiu. Como desenhador de notáveis esboços da Lua, incluídos no Mensageiro dos Céus, não deixou os seus créditos em artes visuais por mãos alheias. A Lua aparece-nos, tal como era e tal como é (basta aceitar o convite e olhar para lá com um telescópio), polvilhada de crateras, às quais o autor, com base na observação das sombras, atribuiu grande profundidade após admitir que as leis da formação das sombras são as mesmas na Terra e na Lua, num primeiro reconhecimento da universalidade das leis físicas. Pouco depois, um pintor amigo de Galileu, Lodovico Cardi, mais conhecido por Cigoli, do nome da sua terra natal, introduziu uma Lua realista, toda ela esburacada, aos pés da Virgem Maria. Este reflexo quase imediato da ciência nas artes pode ser visto na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, num fresco pintado em 1610 e 1612. Galileu e Cigoli discutiram por carta a superioridade da pintura sobre a escultura. O crítico de arte Erwin Panowsky escreveu um livrinho intitulado Galileo as a Critic of the Arts (M. Nijhoff, 1944), onde apresenta esse diálogo. Segundo ele: “Se a atitude científica de Galileu influenciou o seu sentido estético, a sua atitude estética poderá também ter influenciado as suas convicções científicas, Para ser mais preciso, como cientista e como crítico de arte pode dizer-se que ele obedeceu às mesmas tendências orientadoras.”

 

Como se vê, a ciência e as artes interpenetraram-se no trabalho pioneiro de Galileu. O físico Mark Peterson, num livro recente Galileo’s Muse (Harvard University Press, 2011), vai mais longe: defende que a Revolução Científica é anterior a Galileu, por ter as suas raízes na arte renascentista, em particular na apropriação da matemática que pintores, arquitetos, músicos e poetas fizeram para derrubar o edifício da filosofia medieval, muito antes de os cientistas prosseguirem tal tarefa. Por exemplo, o arquiteto florentino Filippo Brunelleschi, a quem é atribuída a invenção da perspetiva na alvorada do século XV, usou os ensinamentos antigos de Euclides para conseguir dar no plano a ilusão do mundo em relevo. Por outras palavras, a arte abriu caminho à ciência moderna. Basta ir ao Museu do Prado para reparar na revolução que foi a passagem da pintura medieval para a pintura renascentista: o mundo passou de plano para tridimensional. A nossa visão estava a mudar através das artes e a eclosão da ciência moderna não haveria de tardar para completar a mudança.


O papel da música não pode ser olvidado. É no Renascimento que se passa da polifonia, centrada na voz humana, para a harmonia, apoiada em instrumentos. O pai de Galileu, que tocava alaúde, estudou a matemática das cordas vibrantes e desempenhou um papel na passagem da música polifónica para a música barroca. O filho não tinha para a música os mesmos talentos que para a escrita e o desenho (o irmão Michelagnolo, esse sim, seguiu a profissão do pai). Mas foi um seu contemporâneo, o alemão Johannes Kepler, que imaginou, usando proporções matemáticas, os céus como um lugar governado pela música. Harmonias do Mundo (1619), do qual há tradução portuguesa parcial em Aos Ombros de Gigantes (Texto Editores, 2010), é o título de um dos seus livros mais famosos. Nele, Kepler recuperou a tradição pitagórica da “música das esferas”, defendendo o primado estético nas ciências. Galileu correspondeu-se com Kepler, embora nunca se tenham encontrado. Foi Kepler que, descontados alguns devaneios místicos, prosseguiu na senda de Galileu, ao matematizar as órbitas celestes, que deixaram de ser perfeitas (circunferências) para passarem a ser imperfeitas (elipses). Se Galileu tinha reconhecido o papel imprescindível da matemática na compreensão do Livro da Natureza, coube a Kepler ler, com mais pormenor, as páginas desse livro referentes aos céus. A matemática passou a ser um guia para a mente que procura decifrar o mundo.

Que têm hoje, quatro séculos após Galileu e Kepler, após um desenvolvimento explosivo do empreendimento científico, a ciência e as artes em comum? Muito mais do que, em geral, se imagina. Pegue-se logo nesta palavra: imaginar, isto é, criar uma imagem na mente. De facto, a imaginação é a mola da ciência tal como é a mola das artes. Para Einstein, a imaginação “é mais importante do que o conhecimento pois o conhecimento é limitado, ao passo que a imaginação envolve o mundo”. Mas, sendo ambas propulsionadas pela imaginação, porque são a ciência e as artes tão diferentes? Acontece que a criatividade na ciência tem de se cingir à “imaginação” do mundo, enquanto na arte a imaginação pode ser mais livre. Tal não significa que a ciência seja limitada, uma vez que toda a história da ciência no-lo ensina, a ”imaginação” do mundo é, ou pelo menos parece ser, ilimitada. A busca de Kepler de harmonias escondidas no cosmos prossegue nos dias de hoje – vide a busca de uma teoria de unificação de forças, dominada pelo conceito de simetria­ – e, muito provavelmente, é um empreendimento sem fim.

Dos Genes à Alimentação: Novas técnicas de sequenciação do genoma e a nutrigenómica


Resumo da minha intervenção no Congresso Nacional da Associação Portuiguesa de Nutricionistas, que acaba de ser publicado na Revista "Nutrícias":

Depois da sequenciação o genoma humano,  completada em  2003, a decifração do genoma humano por menos de mil dólares era uma das metas mais perseguidas pela biomedicina. Previa-se para 2014 mas, no início deste ano, o bioquímico norte-americano Jonathan Rothberg apresentou uma nova máquina que cumpre essa meta A sequenciação de um genoma passou não apenas a ser mais barata como mais rápida. Com os preços agora anunciados, a sequenciação fica ao alcance de mais bolsas. E já se fala em máquinas que poderão fazer sequenciações por menos de cem dólares.

Para que serve a sequenciação do genoma? Cada um de nós distingue-se pelo ADN, uma molécula no núcleo de cada uma das nossas células. Somos todos iguais, pois o genoma humano é quase todo igual, mas somos todos diferentes, pois as alterações individuais, apesar de poucas, são significativas. Algumas doenças e a predisposição para muitas outras estão  nos genes.  O conhecimento científico está a aumentar neste domínio de tal modo que é  necessário criar “interfaces” de uso fácil pelos médicos e outros profisissionais de saúde que possibilitem a  interpretação dos dados do genoma. Conhecendo o perfil genético de cada pessoa, os médicos poderão, além de efectuar diagnósticos mais precisos, prescrever medicamentos à medida do paciente, praticando o que se chama medicina personalizada. Os nutricionistas poderão, se houver, como se prevê, progressos na relação entre genes e alimentos (nutrigenómica), recomendar dietas mais adequadas.  Por outro lado, o tratamento estatístico dos dados anonimizados permitirá às empresas farmacêuticas e alimentares conhecer melhor o perfil de populações e fabricar produtos melhores para elas. O próprio poderá, conhecido o seu perfil  genético, mudar o seu estilo de vida. É todo um  mundo novo que se anuncia com a revolução em curso que, bem aproveitada, conduzirá a melhor saúde. 

Um relatório de uma comissão nomeada pela Câmara dos Lordes britânica recomenda a introdução de testes genéticos no Sistema de Saúde Inglês, o que implica a construção de uma plataforma informática que dê todas as garantias de segurança para armazenamento do genoma dos utentes. Entre nós, um projecto  da responsabilidade de um consórcio formado pela Critical Software, pelo Biocant e a Universidade de Coimbra  foi anunciado em Novembro de 2011. O nosso futuro reside, de certo modo, nos genes, sendo por isso necessário que, em Portugal, não só acompanhemos os enormes progressos que a genética e a epigenética estão a realizar à escala mundial como passemos esses progressos para a prática.

Fechar escolas, deitar fora o futuro!


Facto: Desde o ano lectivo 2005-2006 já encerraram 3736 escolas do 1º ciclo, estando em funcionamento 2330 escolas.

Comentário: Profunda tristeza ao interrogar-me, em jeito de reflexão, sobre que caminho leva um povo que fecha escolas por um misto de falta de crianças, falta de estratégia, falta de planeamento e falta de… vergonha. Se calhar muitas dessas escolas foram alvo de obras nos últimos 2-3 anos que custaram milhões ao orçamento de estado. Meu deus! Certo de que me ia aborrecer fui ver a lista de escolas básicas a fechar no próximo ano-lectivo no Centro de Portugal. E fui ver de que escolas se tratavam. Vejam também vocês. E imaginem, com umas contas rápidas, quanto é que isto custou (em obras, material e custo de mão-de-obra) ao Estado Português. Quem dá conta desses investimentos agora atirados para o lixo? Ainda se admiram da situação de bancarrota?

A lista completa de escolas básicas (EB1) a fechar em 2012/2013 pode ser encontrada aqui. Fui ver as escolas a encerrar no Centro de Portugal. Imagino que para as fechar elas serão escolas velhas, sujas, sem condições, que não sofreram obras nos últimos 10 ou 15 anos e que são, muito justamente, substituídas por escolas novas apetrechadas com as melhores condições para ensinar e aprender. Só pode ser. Os sucessivos governos de Portugal foram constituídos por pessoas responsáveis que pensaram Portugal e o seu futuro, usando com critério e responsabilidade os recursos do Estado. Certo?
GouveiaEB Vinhó, Gouveia
GouveiaEB Nespereira, Gouveia
PinhelEB Ervedosa, Pinhel
PinhelEB Lameiras, Pinhel
SeiaEB Pinhanços, Seia
SeiaEB Santa Comba, Seia
SeiaEB São Martinho, Seia
TrancosoEB Torre do Terranho, Trancoso
Albergaria-a-VelhaEB Frossos, Albergaria-a-Velha
Albergaria-a-VelhaEB Soutelo, Albergaria-a-Velha
Albergaria-a-VelhaEB Fial, Albergaria-a-Velha
Albergaria-a-VelhaEB Telhadela, Albergaria-a-Velha
AveiroEB António Lopes dos Santos, Bonsucesso, Aveiro
OvarEB Cadaval, Válega, Ovar
Carregal do SalEB Pardieiros, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Póvoa de Santo Amaro, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Sobral de Papízios, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Travanca de São Tomé, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Vila Meã, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Oliveirinha, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Parada, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Casal Mendo, Carregal do Sal
Carregal do SalEB Beijós, Carregal do Sal
Castro DaireEB Cetos, Castro de Aire
Castro DaireEB Mamouros, Castro de Aire
SatãoEB Torre, Sátão
SatãoEB Vila Boa, São Miguel de Vila Boa, Sátão
TondelaEB n.º 2 Santiago de Besteiros (Muna), Tondela
TondelaEB Ferreirós do Dão, Tondela
TondelaEB Castelões, Tondela
TondelaEB Coelhoso, Tondela
TondelaEB Barreiro de Besteiros, Tondela
ViseuEB Travassô – Barreiros, Viseu
ViseuEB n.º 2 de Travassós de Cima, Viseu
ViseuEB Silgueiros, Viseu
ViseuEB Rebordinho, Viseu
ViseuEB Gumiei, Viseu
ViseuEB Passos, Viseu
CantanhedeEB Fontinha, Cantanhede
CantanhedeEB Camarneira, Cantanhede
CoimbraEB Rocha Nova, Coimbra
CoimbraEB Torre de Bera, Coimbra
Condeixa a NovaEB Venda da Luisa, Condeixa-a-Nova
Condeixa a NovaEB Eira Pedrinha, Condeixa-a-Nova
Figueira da FozEB Serra Boa Viagem, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Calvete, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Vais, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Santo Amaro da Boiça, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Bela Vista, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Caceira, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Chã, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Quatro Caminhos, Figueira da Foz
Figueira da FozEB Tavarede, Figueira da Foz
Oliveira do HospitalEB Senhor das Almas, Oliveira do Hospital
TábuaEB n.º 1 de Tábua
AlvaiázereEB Vendas de Maria, Alvaiázere
AnsiãoEB Torre de Vale de Todos, Ansião (EB/JI)
AnsiãoEB Casal Novo, Ansião (EB/JI)
BatalhaEB Casal Vieira, Batalha
LeiriaEB Ervideira, Leiria
LeiriaEB Coimbrão, Leiria
Marinha GrandeEB Pêro Neto, Marinha Grande
PombalEB Torneira, Pombal
PombalEB Caxaria, Pombal
FundãoEB Alcongosta, Fundão
FundãoEB Orca, Fundão

Não consegui os links em falta. Se tiverem informação agradeço que deixem em comentário. Se visitarem os vários links verificam que muitas das escolas receberam obras muito recentemente, bem como foram apoiados por vários programas governamentais, suportados por fundos comunitários estruturais e de coesão, para as equipar. Agora pura e simplesmente são encerradas.

(Falta de) Planeamento?
(Falta de) Gestão de recursos?
(Falta de) Luta contra a desertificação?
(Falta de) Racionalização de equipamentos?
Desperdício puro e simples?

Conclua você mesmo.

:-(

Nota: este texto foi originalmente publicado no re-visto.com

“Por que Choramos Quando Cortamos uma Cebola?”


Entrevista que Teresa Firmino e Filomena Naves, jornalistas de ciência dos jornais Público e Diário de Notícias, respectivamente, me concederam no âmbito do programa “Ciência na Imprensa Regional-Ciência Viva”, a propósito do seu último livro de divulgação de ciências que acabam de publicar pela editora A Esfera dos Livros, e que se intitula: “Porque Choramos Quando Cortamos uma Cebola?”.



Teresa Firmino e Filomena Naves

AntónioPiedade – Por que é que escreveram este livro agora?
TeresaFirmino- Partiu de umc onvite da editora, a Esfera dos Livros, que aceitámos como uma aventura divertida. A ideia era responder às perguntas do quotidiano que todos fazemos,mas depois acabamos por não procurar uma resposta. Algumas são interrogações sobre aspectos comuns do dia-a-dia, a começar pela razão de ser da agressão dac ebola aos nossos olhos, das malaguetas picarem ou de os ovos não se colarem à sfrigideiras, ou pelo menos, a algumas delas. Outras não são tão banais, como o destino que vai ter o Universo, se há vida noutros planetas fora do sistema solar ou qual é o sítio mais fundo dos oceanos.
Filomena Naves- Este foi um desafio que a editora Esfera dos Livros nos lançou no ano passado. Pensámos que era uma bela ideia e aproveitámos para ir atrás da nossa própria curiosidade. Os nossos amigos, em algumas conversas bem animadas, também nos fizeram algumas boas sugestões.

AP- Para quem escreveram este livro e quem são essas “pessoas curiosas” a quem destinam o livro?
TF - Este livro é para o grande público, dos 9 aos 99 anos. Não é preciso saber muito de ciência para o ler, porque a linguagem é simples e fácil de entender. Quisemos espicaçar a curiosidade de toda a gente, respondendo às perguntas que nós ou os nossos amigos já fizeram alguma vez. É um livro de porquês. E, para lhes responder, recorremos às explicações dadas pelos cientistas. Mesmo para os mais pequenos, os pais,depois de lerem as respostas, podem explicar-lhes os muitos mistérios de que fala este livro de uma forma ainda mais simples.
Procuramos ainda que contasse histórias, algumas relacionadas com Portugal, o que foi uma maneira de tornar o livro diferente de outros e de o aproximar dos leitores portugueses. Também não é preciso lê-lo de uma ponta a outra. Pode saltar-separa as perguntas sobre as quais se tem mais curiosidade e as respostas são geralmente curtas.
FN - Este livro destina-se a um público alargado e a pessoas de quase todas as idades. Escrevemo-lo de uma forma simples e acessível e, pensamos que interessante, justamente com o intuito de tornar apelativa a sua leitura e de despertar o interesse pela ciência e pelas questões que são objecto da sua busca.

AP- Que resposta ao vosso desafio esperam dos leitores?
TF - Que se divirtam a ler o livro e que, pelo caminho, se deixem cativar pela ciência e pelo que ela tem de maravilhoso e inspirador. Saber que pode haver vida noutras do Universo é inspirador, como saber que o nosso Sol vai morrer é uma forma de pôr tudo em perspectiva. A ciência procura desvendar os mistérios da natureza e as respostas que vaie ncontrando não diminuem em nada a beleza das coisas, pelo contrário. Essa procura constante do saber faz parte da essência do ser humano e a ciência molda-nos na forma como vemos o mundo e até fazemos escolhas pessoais, em aspectos tão simples como não abandonarmos a toma de um antibiótico a meio.
FN - Se as pessoas se interessarem, e se ele puder despertar mais curiosidade pelas coisas da ciência, isso será certamente uma boa resposta.

AP- O que é que presidiu à escolha dos 6 territórios em que se desenvolvem omesmo número de capítulos do vosso livro?
TF - Foi uma maneira de organizar todas as perguntas que tínhamos. Reparámos que podiam organizar-se em seis temas ou, como diz, em 6 territórios. Um desses territórios remete para o que está por cima das nossas cabeças – o espaço e a astronomia –, outro para fenómenos no planeta Terra. Não esquecemos o território dos animais, nem o das mundanidades,nem das inquietações e dos mistérios sobre nós próprios. A fechar o livro estão os mitos e as curiosidades, começando pela ideia de que o tamanho dos pés pode indicar o dos pénis e terminando na lenda de que D. Afonso Henriques bateu na mãe.
FN - Decidimos logo no início que seria mais útil, mesmo em termos de facilidade de leitura, ter grandes áreas que permitissem aos leitores uma “navegação” mais imediata e simples do livro. Pensamos que as seis áreas acabam por abranger quase tudo: o universo e o espaço, a Terra nas suas várias dimensões, os seres vivos, o ser humano e as suas complexidades e também alguns mitos e curiosidades do dia-a-dia.

AP- Qual o critério que utilizaram na escolha das 130 perguntas?
TF- A escolha das perguntas resultou de muitas conversas entre nós as duas e também com os nossos amigos, a quem pedimos para dizerem o que gostariam de ver respondido. Procuramos que o livro fosse diversificado e assim chegámos a 129 perguntas sobre ciência, mais uma, a da cebola que se encontra no título.
FN- Conversámos com amigos e exercemos a nossa curiosidade, como já disse, mas procurámos também conta ralgumas histórias através destas perguntas. Algumas perguntas estão aqui porque as suas respostas se nos revelaram através de histórias fascinantes. A verdade é que a ciência e a busca científica estão cheias de histórias fantásticas.

AP- Este livro é uma extensão, um complemento, da vossa intensa actividade de jornalismo científico?
TF - Sem dúvida que este livro decorre da nossa actividade como jornalistas de ciência. Todos os dias, nos nossos jornais, eu no “Público” e a Filomena Naves no “Diário de Notícias”, escrevemos sobre as novidades científicas para os leitores. Procuramos descodificar a ciência e as descobertas que acabam de ser feitas, que muitas vezes são herméticas e áridas,utilizando uma linguagem compreensível e, sempre que possível, agradável de ler. Também é essa ponte entre a ciência e o leitor, neste caso para as curiosidades do dia-a-dia, que procurámos fazer no livro.
FN - Creio que sim. Em jornalismo, um dos critérios essenciais para publicar algo é o facto de esse algo ser notícia.Aqui não existe esse constrangimento, por assim dizer. O livro é portanto mais abrangente e, nesse sentido, pode dizer-se que é uma extensão da nossa actividade de jornalistas de ciência.

AP- Como classificam a produção de ciência e tecnologia em Portugal desde o 25 de Abril de 1974?
TF - Cresceu tremendamente. E não foi só a produção científica, também subiu o número de doutorados e a percentagem do produt ointerno bruto (PIB) gasto em ciência e desenvolvimento (I&D). A forma como se faz ciência no país também mudou desde o 25 de Abril. Era fechada ao resto do mundo, muitas vezes feita por um cientista sozinho e isolado, mas entretanto internacionalizou-se, com a adesão a organizações internacionais como o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) ou a Agência Espacial Europeia, e muitos jovens foram doutorar-se no estrangeiro.
Actualmente,a grande incógnita é se, com a crise e com menos dinheiro, vai ser possível manter, pelo menos, a produção científica e outros indicadores, como o PIBgasto em I&D.
FN - Um crescendo notável, que decorreu directamente do investimento político e financeiro que foi feito nessa área e que hoje permite a Portugal ser parceiro científico em diferentes áreas a nível internacional. Esta, parece-me, é hoje uma ideia bastante consensual.

AP- Seria possível fazerem o mesmo exercício (o de escreverem um livro de divulgação de ciência que dá "voz" aos cientistas portugueses) quando começaram a vossa actividade de jornalistas de ciência?
TF- Parece-me que já teria sido possível, porque havia bons cientistas portugueses e eles tinham notícias e histórias para contar. Tornei-me jornalista nessa altura, em 1992, quase logo desde o início na área da ciência, e a diferença que notei ao longo destes anos é que agora há mais investigadores portugueses a publicar resultados em revistas científicas internacionais. Ou seja, os jornalistas têm mais investigações sobre as quais podem escrever. E os cientistas não só estão mais habituados a falar com os jornalistas, como querem divulgar o seu trabalho. Consideram que faz parte das suas funções comunicarem aos cidadãos o que fazem e uma forma de o fazerem é falando com os jornalistas.

FN - Comecei a trabalhar nesta área em 1986, no já extinto "Semanário", justamente no momento em que se iniciou o crescimento da actividade científica em Portugal. Nessa altura já havia alguns bons exemplos de cientistas e grupos científicos a trabalhar no país, e eu andei justamente à procura deles, para poder relatar os seus trabalhos, mas não teria sido possível escrever na época um livro assim, com tantas “vozes” de cientistas portugueses.

Autores: Teresa Firmino e Filomena Naves
Editora: A Esfera dos Livros
Colecção: Fora de Colecção
N.º de páginas: 264
ISBN:978-989-626-397-3
Data: Julho de 2012
http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=316

António Piedade

segunda-feira, 23 de julho de 2012

2ª OLIMPÍADA DE MATEMÁTICA DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA


A 2ª Olimpíada de Matemática da Comunidade dosPaíses de Língua Portuguesa (CPLP) está a decorrer no Brasil. A competição desenrola-se até dia 28 de Julho, na cidade de Salvador da Baia, reunindo 28 estudantes do ensino secundário da Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste (4 elementos de cada país representado).

Os representantes portugueses são David Pires Tavares Martins (10º ano - Escola Secundária de Mirandela), Diana Zorro Nobre Mesquita Macedo (12º ano - Escola Secundária Diogo de Gouveia, Beja), João Filipe Ferreira Gonçalves da Rocha (10º ano - Colégio Paulo VI, Valongo), Miguel Pereira Torres da Costa (11º ano - Grande Colégio Universal, Porto), todos alunos do ensino secundário.

A equipa nacional, liderada pela Professora Joana Teles (Dep. Matemática da Universidadede Coimbra) participa com a expectativa de trazer na bagagem algumas medalhas, mas também a experiência de partilha de conhecimentos e de momentos memoráveis a nível internacional.

Os resultados da prestação portuguesa em “terras de Vera Cruz” serão conhecidos no próximo dia 28 de julho. Relembre-se que a 1ª Olimpíada da CPLP realizou-se no ano passado em Coimbra e que Portugal arrecadou então uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze.

 

A participação nas Olimpíadas da CPLP é organizada pela Sociedade Portuguesade Matemática, e a seleção e preparação dos alunos está a cargo do Projecto Delfos, do Departamento de Matemática da Universidadede Coimbra.



António Piedade (a partir do comunicado da Sociedade Portuguesa de Matemática)

HUMOR: BOSÃO DE HIGGS 3

HUMOR - BOSÃO DE HIGGS 2

HUMOR - BOSÃO DE HIGGS 1

PRÓS E CONTRAS A PROPÓSITO DO BOSÃO DE HIGGS

Para quem não viu na altura, o programa Prós e Contras da RTP1 que teve como tema a descoberta do bosão de Higgs, está disponível aqui. (1.ª parte) e aqui (2.ª parte). Participaram físicos (João varela, Gaspar Barreira e Carlos Fiolhais), filósofos (Olga Pombo) e teólogos (Bruno Nobre, também físico, e Afredo Dinis, também filósofo).

sábado, 21 de julho de 2012

A erosão do Latim e do Grego

Texto da autoria de Paula Barata Dias, presidente da Associação Portuguesa de Estudos Clássicos, sobre situação agonizante do Latim e do Grego no nosso sistema de educativo. Situação que o De Rerum Natura tem acompanhado com atenção e preocupação.

O ensino do latim e do grego no ensino público em Portugal vive, de há muito, um enquadramento curricular modesto e precário, devido a intervenções legislativas desastradas que têm vindo a erodir as condições para a sua presença nas escolas.

A erosão vem de longe: desde reformulações precipitadas dos curricula escolares até às alterações nas competências requeridas para a profissionalização dos docentes na área de Português e de Línguas Clássicas, chegámos finalmente ao bem conhecido de todos despacho 5106-A/ de 2012. Neste diploma define-se um conjunto de normas relacionadas com as matrículas, distribuição dos alunos por escolas e agrupamentos, regime de funcionamento das escolas e constituição de turmas, que determina o número mínimo de vinte alunos para a abertura de disciplinas de opção.

O Ministério da Educação e Ciência foi alertado pelas escolas, associações científicas e sindicatos para as consequências da aplicação deste normativo para o ensino de disciplinas como Francês, Alemão, Latim e Grego, para nos limitarmos exclusivamente à área das línguas, sabendo contudo que este enquadramento é pernicioso para outras áreas disciplinares.

Contudo, o mesmo despacho, no ponto 5.3, admite:
A constituição ou a continuidade, a título excecional, de turmas com número inferior ou superior ao estabelecido nos números anteriores carece de autorização dos serviços do Ministério da Educação e Ciência territorialmente competentes, mediante análise de proposta fundamentada do diretor do agrupamento de escolas ou escola não agrupada, ouvido o conselho pedagógico.

Temos conhecimento de que foi emitida, no dia 17 de julho uma recomendação (n.º 4502) às Direcções Regionais (DREN; DREC; DREL; DREALENTEJO, DREALG) com carácter de urgência, para que autorizem a abertura de turmas das disciplinas de opção do 10.º e 11.º anos (com referência específica ao Latim e ao Grego) com número inferior a 20 alunos.

Essa possibilidade já se encontrava prevista no despacho acima referido, mas há Direções de escolas que, no momento de programar o número e tipo de turmas para o próximo ano letivo e da consequente afetação de recursos docentes para a sua lecionação, ignoram este ponto e não são suficientemente esclarecidas pelas Direções regionais ou outros organismos de tutela.

Face a esta circunstância, parece só restar uma alternativa: serem os professores, as famílias e os alunos interessados na manutenção destas disciplinas a insistir pelo seu cumprimento, pois há base legal para pedir autorização de abertura de turmas de Latim ou Grego com menos de 20 alunos.

Paula Barata Dias

A OPOSIÇÃO COMO CONDIÇÃO DE REGRESSO DA ESPERANÇA

Após ter explorado alguma informação para escrever o texto anterior, que, devo dizer, me impressionou pela linearidade, pela falta de aprofu...