"A polícia de Lisboa e de todo o Portugal, tão mal exercida quanto as infelicidades da vida que lá se sofrem o provam, está entre as mãos dos juízes, chamados Juízes de Fora, os quais estão subordinados corregedor e ao ouvidor; todo o Portugal está dividido em correições e ouvidorias. Nada é mais insolente e ávido do que esta quantidade de diferentes juízes.A justiça melhorou, decerto, muito desde 1766. Mas terá melhorado o suficiente?
"A justiça é administrada com as mesmas extorsões, o mesmo amontoado de leis e a mesma quantidade de advocacia e de obstáculos que em Espanha, ou seja, pior ainda que no resto da Europa.
"As prisões são o alojamento da barbárie e do desespero; é-se muito arruinado se se é inocente; arruinado e absolvido se se é culpado. A impunidade do crime alenta. Vi, em Lisboa, um empregado assassinar o seu camarada em pleno dia, no meio da rua, retirar-se friamente com a sua faca na mão, ser conduzido para a prisão rindo e sair alguns meses depois para exercer o ofício de carrasco."
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
A JUSTIÇA EM PORTUGAL VISTA POR UM FRANCÊS EM 1766
HUMOR: CannabisGate é o novo escândalo da ciência climática
David Marçal, no Inimigo Público
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A Máquina do Tempo
Informação recebida do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho:O projecto “Quark!” e o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho levam a cabo a iniciativa “Ciência e Ficção“. A próxima palestra é já na próxima sexta-feira, 26 de Fevereiro, nas instalações daquele Centro no piso térreo do Departamento de Física da Universidade de Coimbra. O tema é o livro "A Máquina do Tempo" do escritor inglês H.G. Wells:
* Nome da Obra: "A Máquina do Tempo"
* Autor: H. G. Wells
* Palestrante: José Manuel Mota (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
Sinopse do livro:
No final da época vitoriana, um cientista inventa a Máquina do Tempo e viaja até ao ano 802.700, onde encontra tudo mudado.
Nesta época, muito mais utópica, as criaturas que encontra pareciam viver em perfeita harmonia.
O Viajante do Tempo pensa poder estudar estes magníficos seres humanos, desvendar-lhes os segredos e regressar ao seu tempo. Até que descobriu que a sua invenção, o seu passaporte para a fuga, tinha sido roubada…
Ínformação sobre o ciclo "Ciência e Ficção":
Uma sexta-feira por mês, nos fins de semana da escola Quark!, pelas 21h15m, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho (Departamento de Física da FCTUC), haverá debate com convidados, à volta de livros de ficção científica… e da ciência que estes encerram.
O mote será dado por uma determinada obra, num total de seis eventos, de Janeiro a Junho de 2010. Cada sessão terá um convidado especial, que fará uma exposição inicial, onde apresenta a obra em análise. Seguir-se-á um debate.
A ficção científica é bom pretexto para se discutir a própria ciência, mas também a literatura, a história e a sociedade. O debate a propósito de cada obra terá sempre o enfoque científico, mas num contexto que faz sair a própria ciência das suas fronteiras, em diálogo com todas as áreas do saber.
Concomitantemente, para cada um dos eventos, haverá uma edição do concurso “Ciência e ficção“. Este concurso desenvolver-se-á da seguinte forma: estará disponível no portal do CCVRC um questionário sobre o autor do mês para ser preenchido on-line. As respostas que obtiverem a melhor pontuação serão premiadas com um pacote de livros de divulgação científica.
O maior número de todos

Pequeno conto de Nuno Crato inspirado num conto russo:
A Verónica tinha passado semanas a preparar-se para o grande concurso da escola. Ganhava o aluno que conseguisse dizer o número maior, e a Verónica estava convencida que conseguia dizer o maior número de todos. Tinha treinado o seu fôlego.
Na hora marcada, os alunos juntaram-se no ginásio da escola e começaram a dizer os números. O primeiro foi o Abel, que disse: «Nove mil novecentos e noventa e nove». O Abílio, que vinha logo a seguir, disse «um milhão». Que grande número! Os alunos continuaram, sempre por ordem alfabética, mas ninguém parecia ser capaz de vencer o Abílio. Só a Verónica se ria, confiante.
Quando chegou a sua vez, encheu o peito de ar e começou: «Um milhão de milhões de milhões de milhões de milhões…». E continuou «de milhões de milhões…». Os colegas aplaudiam. E a Verónica continuava «de milhões de milhões de milhões…». Até que ficou sem fôlego e terminou: «de mi… lhõ...es!»
Parecia que o concurso tinha acabado. Mas faltava ainda o Xavier, que chegou ao palco com ar malandro e disse apenas: «e mais um!».
Na volta para casa, a Verónica estava triste, mas confiante: «Para a próxima digo ‘e mais dois’ e ganho! Esse é que de certeza é o maior número de todos.»
Nuno Crato
Ciência e Ética

Informação recebida da Universidade do Porto (na imagem Alexandre Quintanilha):
Já fez correr muita tinta, extremar posições, convicções e denunciou consciências e condutas que se misturam com as que se aplicam à vida em geral. No próximo dia 25 de Fevereiro a Ciência vai cruzar-se com a Ética.
Entre o laboratório e o altar, entre a matéria e a espiritualidade, vamos ter fazedores e divulgadores de ciência à conversa com um jesuíta. Nomes: Palmira F. Silva, do Departamento de Engenharia Química e Biológica da Universidade Técnica de Lisboa; Beatriz Porto, Doutora em Ciências Biomédicas (Genética Humana) e Professora Auxiliar de Genética Médica no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS), e Vasco Pinto de Magalhães. Licenciado em Filosofia e em Teologia, Vasco Pinto de Magalhães entrou na Companhia de Jesus em 1965 e foi co-fundador do Centro de Estudos de Bioética, tendo uma larga intervenção nesta área.
Ao lado deste responsável pela formação inicial dos jesuítas portugueses vai estar um decifrador do universo, que nem sempre tem de ser hermético, da ciência. Detentor de uma singular capacidade de comunicação, sendo, de resto, presença assídua nos diferentes órgãos de comunicação social, Alexandre Quintanilha, nasceu em Moçambique a 9 de Agosto de 1945. Completou os estudos secundários em Lourenço Marques, e continuou os estudos universitários na África do Sul, tendo-se licenciado em Física Teórica, em 1968, na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, e doutorado em Física do Estado Sólido em 1972, pela mesma universidade. O interesse pela essência das coisas do mundo levou-o, inicialmente, a formar-se em Física, e depois a interessar-se pela biologia. Seguiu para a Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde trabalhou durante cerca de vinte anos. Foi director do Centro de Estudos Ambientais, entre 1983 e 1990, foi director assistente no Laboratório Nacional Lawrence, secção de Energia e Ambiente, e, entre 1987 e 1990, desempenhou o cargo de director do Centro de Estudo de Tecnologia da Biosfera.
Em 1991 foi nomeado director do Centro de Citologia Experimental e professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto. Actualmente, é professor catedrático do ICBAS, e vice-presidente (deixou a presidência há cerca de um ano) do Instituto de Biologia Molecular e Celular. Tem perto de 100 artigos publicados em várias revistas científicas e em 1993 foi agraciado como Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada.
São parcelas de percursos que vão ser convocados para a discussão que acontece no próximo dia 25 de Fevereiro. As conversas que aconchegam os espíritos à volta da Ciência acontecem sempre às nove e meia da noite. No Salão Nobre da Reitoria.
Ver aqui o programa completo da série de debates.
VOZES DE VOCA
Eles são 8 extra-terrestres, vieram do planeta Voca, situado algures entre as constelações Ursa Maior e Ursa Menor, e são conhecidos por serem extremamente afáveis. São os The Voca People.
Desceram à terra em 2009 e rapidamente se tornaram um fenómeno graças à disseminação dos seus vídeos na internet. Três mulheres (contralto, mezzo e soprano), três homens (baixo, barítono e tenor) e dois beat-boxes humanos reproduzem, fielmente, temas que marcaram várias épocas. Rock, pop, jazz e música clássica são a voz dos Voca People.
Uma performance de teatro vocal que combina sons vocais e o canto à capela com a arte do moderno beat-box humano...e muito humor!
Venha divertir-se e assistir, ao vivo, a este fenómeno DO OUTRO MUNDO!
The Voca People: http://www.voca-people.com/
Aud. Oceanos | Casino Lisboa, 2 a 14 de Março
Terça a Sábado | 22h
Domingos | 17h
M/12
HUMOR: Google anunciou que vai começar a enriquecer urânio
domingo, 21 de fevereiro de 2010
UM HOMEM SÉRIO
Depois de Woody Allen, os irmãos Coen: mais um filme sobre a vida de um físico. Já estreou entre nós "Um homem sério".
Aguarela Bioquímica



Novo texto do bioquímico António Piedade saído há pouco no "Despertar":
Que ambiente molecular encontraríamos se conseguíssemos ver o interior de uma célula à escala atómica? Que hora de ponta bioquímica existe na agitação molecular característica dos processos biológicos vitais? Será que o conhecimento entretanto acumulado desde a formulação da teoria celular (que diz que a unidade fundamental de todos os seres vivos é a célula) em 1830, por Schleiden e Schwann, nos permite ter uma ideia, mais ou menos precisa, desse ambiente? Se sim, como o poderemos retratar para que possa ser visto pelos nossos olhos nano e micro-míopes?
De facto, desde que a ureia foi sintetizada em laboratório por Friedrich Woehler, em 1828, derrubando assim a teoria vital (a de que os compostos orgânicos só podiam ser sintetizados no interior de seres vivos), a cartografia biomolecular da célula foi sendo preenchida e detalhada com um número espantosos de moléculas e iões diferentes. Mais do que um inventário e catalogação de aglomerados moleculares e iónicos, o conhecimento das propriedades e físico-químicas dessas nuvens electrónicas intrinsecamente nucleadas por protões e neutrões (e outros ões sub-nucleares) em diversas combinações, tem permitido a construção de modelos e de simulações do que acontece a um nível biomolecular.
O poder de cálculo útil com que as tecnologias informáticas e de computação nos têm brindado nas últimas décadas (anos) contribuiu e permitiu, de forma decisiva, para a modelação e simulação de interacções moleculares com significado e funcionalidade biológicas.
Exemplos desta confluência, entre o saber bioquímico e a informática, são as bases de dados que passaram a desaguar imagens em aplicativos nos desktops, laptops, mobiles, etc. De entre elas, o RCSB Protein Data Bank (PDB) (ver aqui), banco de dados sobre estruturas tridimensionais de proteínas e ácidos nucleicos, de domínio público e livre acesso, é disso exemplo incontornável. Mais de 60 mil estruturas biomoleculares estão ali depositadas e à espera de serem visualizadas.
Um ritual do sítio do PDB é o da publicação mensal de uma estrutura biomolecular seleccionada e desenhada pelo médico/artista molecular David S. Goodsell (ver aqui). Desde Janeiro de 2000 (ou seja desde o último ano do século passado) que, mensalmente, Goodsell nos brinda com as suas aguarelas bioquímicas. Utilizando uma técnica de pintura que relembra o cloisonismo (técnica de pintura desenvolvida no último quartel do século XIX, primeiramente denominada por Edouard Dujardin, aquando do “Salão dos Independentes” ocorrido em Paris em Março de 1988, e caracterizada por gradações de uma mesma cor delimitadas por traços escuros), Goodsell consegue transmitir-nos a tridimensionalidade das estruturas moleculares sobre suporte bidimensional (o monitor, a folha de papel) e, assim, torna mais intuitiva a percepção da relação estrutura-função, natureza essencial da Biologia Molecular e Bioquímica.
De facto, é preciso uma grande capacidade de abstracção e imaginação espacial para conseguir aprender estruturas e relações que funcionam devido à sua interacção tridimensional no tempo, em suportes bidimensionais. O recurso a animações 3D e vídeos que hoje começam a ser comuns no ensino da Bioquímica, parece ser um caminho interessante a percorrer. Contudo, enquanto estas novas e atractivas plataformas baseadas em tecnologia new media não se democratizam com qualidade e rigor científico, as representações tradicionais tenderão a ser o material de referência.
Neste contexto, o trabalho desenvolvido por Goodsell, pelo menos desde 1991, na comunicação de conhecimento bioquímico e biológico através de aguarelas adquiriu estatuto de espaço próprio e de tendência representativa nesta área.
Também por isso é que o seu livro “The Machinery of Life”, editado primeiramente pela Springer em 1993, e reeditado em 2009 pela mesma editora (ISBN: 978-0-387-84924-9), é um marco das boas e frutíferas relações entre arte e ciência. No seu livro, David Goodsell alia a sua arte pictórica e o seu conhecimento bioquímico para nos apresentar instantes de um mundo biomolecular denso em diversidade e nos guiar através dos processos moleculares subjacentes à vida. Mas Goodsell não se limita só a representar as diferentes biomoléculas, seus agregados funcionais e estruturas intracelulares com cores diferentes e matizadas para uma perspectiva em profundidade. Mais do que isso, utiliza a vastíssima informação analítica sobre a composição quantitativa e qualitativa das moléculas e átomos da vida, disponível nas inúmeras fontes de informação registadas em suportes celulósicos e electrónicos, para nos dar retratos dos fenómenos biológicos a nível molecular respeitando a demografia da miríade de componentes que participa na aventura da vida.
António Piedade
Legendas das Figuras
Figura 1. Ilustração de uma secção da parede da bactéria Escherichia coli. 2009. Créditos D. Goodsell.
Figura 2. Ilustração do detalhe da interacção entre anticorpos e a membrana de uma bactéria. 2009. Créditos D. Goodsell.
Figura 3. Ilustração de uma sinapse neuromuscular. 2009. Créditos D. Goodsell.
HUMOR: 55% da Holanda está debaixo de água e os restantes 135% a voar
Dia aberto do ITQB, em Oeiras
"Há coisas que não se podem reparar"
Em 2002, o escritor Richard Zimler afirmou que são...
“... raras as pessoas capazes da honestidade e da coragem moral de aceitar as responsabilidades por quaisquer problemas. Se há doentes em diálise envenenados com alumínio, nunca é por culpa de nenhum médico, enfermeiro, técnico ou administrador… Na verdade, a culpa não é de ninguém! (…) Alguém já viu algum ministro, algum reitor de uma universidade ou um director de empresa reconhecer numa conferência de imprensa: «É verdade, tomei uma decisão errada e o que vamos fazer para a corrigir é o seguinte…»? Por mim, nem uma única vez. Como ninguém assume a responsabilidade pelo que quer que seja, os problemas ou nunca são resolvidos, ou são resolvidos lentamente e de forma incompleta."
Os estudos científicos que incidem no tratamento do erro tendem a dar-lhe razão. Efectivamente, as condições relacionais e pessoais em que grande parte das actividades profissionais decorre são propícias ao seu encobrimento, ao seu rápido esquecimento, quando não à sua negação.Como o epistemólogo Karl Popper referiu essa é a nossa tendência natural (também podendo ser entendida como fruto de uma longa aprendizagem), que se impõe contrariar, em nome da rectidão, da seriedade e do progresso do conhecimento.
E isso está a acontecer. Como excepção, admito, mas, ainda assim, está a acontecer, constituindo um incentivo moral e prático para quem, por múltiplas razões, não pretende esconder ou mistificar erros seus ou alheios, que, ao contrário, sente ser seu dever encará-los, assumi-los e comunicá-los, ainda que eles seja extemos, que não haja forma de os reparar.
Nessa medida, depoimentos como o de António Barba Ruiz de Gauna (na fotografia em cima), Director do Hospital Gregorio Marñón, de Madrid, sobre um erro que conduziu à morte de um criança, o pequeno Rayan, são de guardar na nossa memória:
"O pessoal da enfermaria...., custa-me dizer estas coisas, mas tenho de dizê-las, num determinado momento confundiu uma medicação - ou melhor, a via de administração para que percebam bem - da alimentação do bebé, administrada por sonda nasogástrica, como deve ser feito no caso de um prematuro, confundiram-na com a via venosa. O Hospital Gregorio Marñón assume todas as responsabilidades possíveis, tanto humanas como patrimoniais. Sabemos que há coisas que não se podem reparar, estamos completamente de acordo..." (13 de Julho de 2009).
sábado, 20 de fevereiro de 2010
A Origem da Comédia
Informação recebida no De Rerum Natura.A Origem da Comédia é uma recém-fundada associação, de dimensão nacional, que pretende congregar todos os estudantes, a nível universitário, interessados na Antiguidade Clássica e no seu legado. Tem como principal objectivo promover e difundir actividades culturais e educativas nesse âmbito, procurando partilhar com o público o que move quantos dela fazem parte: o amor pelas coisas clássicas e uma confiança profunda na sua actualidade.
A sua primeira actividade, intitulada Tertúlias Pré-Socráticas, centra-se, como o nome indica, nos filósofos que precederam Sócrates, pais do pensamento racional e profundo, bem como incipientes, mas importantes, cientistas.
O ciclo de sessões decorrerá entre 5/03 e 28/04, às quartas-feiras (salvo a primeira sessão), às 18:00 horas, no foyer do Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, e contará com a presença de alguns dos mais reputados professores das áreas de Clássicas e Filosofia.
Várias das sessões serão ainda precedidas de um breve momento artístico a partir de textos maiores da literatura mundial e nacional onde figurem os filósofos a abordar, a cargo de grupos locais como o Thíasos, a Oficina de Poesia, o TEUC ou os Aranhiças & Elefantes.
O programa é o seguinte:
05/03 - A Grécia Arcaica: Maria Helena da Rocha Pereira
10/03 - Os Iónicos: Tales, Anaximandro & Anaxímenes: David Santos
17/03 - Heraclito: Alexandre Sá
24/03 - Parménides & Zenão de Eleia: António Martins
14/04 - Empédocles, Anaxágoras & Os Atomistas: António Mesquita
21/04 - Os Sofistas: Teresa Schiappa
28/04 - Pitágoras & Os Pitagóricos: José Pedro Serra
Braga da Cruz, sindicalismo docente e autoridade dos professores
A polémica declaração pública de Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica Portuguesa, ao responsabilizar recentemente os efeitos perversos do sindicalismo docente pela perda de autoridade dos professores, deve obrigar a uma reflexão aprofundada sobre um sindicalismo que fez da rua palco ruidoso reivindicativo, a exemplo das manifestações das grandes massas operárias de pendor revolucionário nos fins do século XIX.
E porque “toda a verdade gera um escândalo”, como escreveu Marguerite Yourcenar, de igual modo deve dar que pensar o silêncio cúmplice dos sindicatos docentes a um artigo de opinião de Helena Matos (Público, 21/10/2008), bem contundente pela escolha do título: “Para que servem os sindicatos?”
Do referido texto, transcrevo dados referentes a sindicatos docentes que, ainda segundo Helena Matos, “são uma extensão da administração pública e por ela sustentados”: “Os 450 professores que estão destacados nos sindicatos representam uma despesa anual superior a oito milhões de euros. No ano lectivo passado, estavam destacados 1327 docentes (…) que custavam por ano 20 milhões de euros, segundo estimativas do governo” (Agência Lusa, 2006).
Entretanto, no terreno movediço de conveniências ocasionais, surgiu, em tempos, uma aliança entre catorze sindicatos de professores que, forçosamente, conduziria a desavenças e clivagens profissionais com todos os traumas que a repulsão entre pólos opostos, por si só, justifica. Isto porque atendendo à pluralidade de interesses em jogo, segundo Cover (1986), “a opinião comum que é possível obter tem sempre um limite trágico”.
Disso mesmo nos viria a dar prova a Federação Nacional de Educação (FNE), quando o seu secretário-geral, João Dias da Silva, durante o seu 9.º Congresso (2008), reconhece ter a FNE “perdido visibilidade ao integrar-se na Plataforma Sindical, dizendo que no futuro serão necessários acordos para impedir que alguns sindicatos se sobreponham a outros injustamente”.
Reminiscências do sonho de unicidade sindical de inspiração marxista, emergente logo a seguir ao 25 de Abril e prontamente confrontado com o acordar do processo democrático que permitiu o aparecimento de vários sindicatos de professores? Ou, apenas, uma plataforma reivindicativa travestida de unicidade que as especificidades políticas e estatutárias dos sindicatos nela integrados desaconselhavam e, muito menos, deviam tolerar?
Com a conivência de certos sindicalistas e em nome de uma utópica igualdade que corre o risco de destruir a escola pública, continua a assistir-se a uma defesa desesperada e intransigente de um estatuto profissional docente em que o mérito se quer abrangente para todos os professores, a fim de poderem ascender ao topo da carreira em calhas de simples antiguidade e frequência de acções de formação de êxito duvidoso face ao que se passa e vai transpirando, de quando em vez, para fora das nossas escolas e se verifica nos resultados do PISA.
Resultados que mais não reflectem que o facilitismo de um sistema educativo que não avalia (ou avalia mal) os resultados das aprendizagens dos alunos, através de exames nos três ciclos do ensino básico, para dissimular a nudez de um ensino que não ensina adoptando a política do avestruz por "não queremos crer, realmente, na verdade, sendo essa uma das pobrezas do nosso tempo" (Jorge Luís Borges).
O murmúrio dos professores sem receio de serem avaliados em parâmetros de saber, de sacerdócio, de esforço, de dedicação ao seu múnus, deve merecer tanta ou mais audição junto dos poderes públicos que a vozearia daqueles que pretendem impor um estatuto da carreira docente ao serviço da mediocridade. Por outras palavras, em democracia as causas justas não devem submergir em ondas de turbas com slogans revolucionários que defendem os direitos para uns e os deveres para outros.
Será talvez a altura dos dirigentes de um sindicalismo arcaico se debruçarem atentamente sobre a tese de doutoramento em Sociologia de Manuel Carvalho da Silva, defendida no ISCTE, em Julho de 2007, intitulada “Centralidade do Trabalho e Acção Colectiva – Sindicalismo em Tempo de Globalização”, que termina com a seguinte advertência: “Os sindicatos estão desafiados a ter futuro”. E esse futuro, segundo o seu autor, passa por um mundo mais exigente e ajustado aos novos tempos em que cada um deve procurar ser mais qualificado, a excelência deve ser perseguida e os mais capazes devem ser premiados em resultado do seu contributo para os resultados.
Este género de sindicalismo, adaptado às necessidades dos tempos que correm, parece não ter caído nas boas graças do Partido Comunista Português. Assim, cito do Público (09/01/2008): “Manuel Carvalho da Silva poderá abandonar a liderança da CGTP e não ser sequer candidato a secretário-geral no próximo congresso que se realiza a 15 e 16 de Fevereiro. Carvalho da Silva terá mesmo já comunicado a dirigentes do PCP que não está disponível para continuar a dar a cara pela maior central sindical portuguesa, perante o tipo de imposições que este partido tem feito quanto à composição da futura direcção, bem como à estratégia e programa a seguir no futuro pela CGTP”.
Em notícia do mesmo jornal (23/01/2009) lia-se, em título, “Futuro do movimento sindical está em risco, diz a UGT de Portugal”. A razão apresentada pelo respectivo secretário-geral, João Proença, foi o risco “face ao baixo nível de sindicalização dos jovens portugueses, uma realidade que obriga a repensar a imagem dos sindicatos”.E acrescentava: “A UGT deve manter uma política de sindicalismo com propostas, que trabalha para obter acordos e que nunca faz da luta um objectivo de acção”.
Sintomaticamente, um estudo, incidindo sobre uma população de 16 países europeus, publicado no mês de Fevereiro de 2009 nas Selecções do Reader’s Digest, colocou a profissão de líder sindical entre as profissões menos confiáveis em Portugal. Para tentar inverter esta tendência, em tempo de mudança para um novo paradigma, um sindicalismo que se deseja moderno e responsável não deve continuar a asssumir uma política reivindicativa, exclusivamente, laboral, descurando os verdadeiros problemas de um sistema educativo que “ensina pouco, educa menos e exige quase nada”, em denúncia da Associação Comercial do Porto, anos atrás.
Em defesa de uma necessária paz social, embora num contexto mais amplo, no seu livro, “A transformação da política”, escreve Daniel Innerarity, considerado, pelo Le Nouvel Observateur, como um dos grandes pensadores do mundo actual, “que os recriminadores de ofício (…) costumam esquecer que a capacidade de indignação é limitada, classificando-os de “hooligans” da crispação política, oportunistas e ressentidos contra as instituições e a democracia de partidos”.
De forma lamentável e em resquícios de uma luta sindical do passado, uns tantos sindicatos docentes responsáveis por manifestações constantes no sector da Educação parecem querer continuar a criar um clima de conflito permanente, terreno fértil para a desestabilização da sociedade portuguesa e prejuízo presente e futuro para o sistema educativo português seu refém imediato. Como diziam os deputados do vintismo, nunca mais aprendemos.
Um ano em Pietralata
Em finais dos anos de 1960, um professor era colocado numa escola primária "miserável como uma prisão municipal" dum "povoado da periferia romana, não diferente dos que Pasolini apresentou nos seus romances e nos seus filmes" (Gianni Rodari). Consciente da missão de ensinar e formado que havia sido nas "novas pedagogias", percebeu, com assombro, que a sua função não era a que tinha em mente antes de ali chegar; era, antes de mais, tentar por todos os meios que os alunos se sentassem por alguns momentos e que ouvissem uma ou duas das suas palavras.É dessa luta constante que Albino Bernardini fala num livro de carácter autobiográfico pouco habitual, na medida as dúvidas que o assaltam são muitas, assim como as falhas que identifica na sua accção. O final não foi feliz. E não foi feliz porque é da realidade se trata: um meio periférico em todos os sentidos, uma escola triste, famílias desorganizadas e, como resultado, alunos que não querem aprender.
Por outro lado, um ano "foi pouco tempo para "transformar um bando desordenado numa turma silenciosa e disciplinarmente dirigida (...) para obter resultados escolares" (Gianni Rodari).
Mais de quarenta anos passados, o impressionante relato que se segue continua a fazer parte de muitas aulas em Itália, França, Estados Unidos da América, Portugal, Espanha... com as consequências que facilmente se adivinham em termos de aprendizagem e de tudo o que delas depende:
“A situação tornava-se cada vez mais crítica, mas eu não sabia se dependia de mim ou dos alunos: certamente de ambos. Talvez também da situação que eu procurava modificar (...) As faltas, o «estar-se nas tintas» dos alunos em relação àquilo que eu me esforçava por fazer, a atitude dos colegas face ao meu empenhamento, tudo evidentemente contribuia para criar uma atmosfera negativa na minha aula. Enquanto procurava organizar o meu ensino e estudava que método seria mais adequado à mentalidade dos alunos (...) dava-me conta, na realidade, de que não era acompanhado (...) A minha tentativa de suscitar neles o interesse pelo estudo com os métodos comuns não encontravam qualquer acolhimento. À medida que passavam os dias, apercebia-me de que mesmo aqueles vestígios de respeito que em certas alturas tinham demonstrado em relação a mim estavam a esmorecer. Isto preocupava-me bastante (...). Em todo o conjunto só havia uma coisa clara: assim não se podia andar para a frente. Quando tocava a campaínha estava tão cansado, pela cólera, que não podia aguentar mais. Dava-me vontade, especialmente em relação a alguns, de pegar neles e atirá-los contra a parede (...)Referência completa: Bernardini, A. (1977). Diário de um professor: Um ano em Pitralata. Lisboa: Editorial Notícias, Prefáco e páginas 29 e seguintes. (Tradução de António Pinto Ribeiro).
A minha tolerância e a minha confiança iam-se, portanto, esgotando. Tinha mesmo medo de que, a continuar assim, a chaga dos velhos hábitos se transformasse rapidamente em gangrena. Foi exactamente esse medo que me fez mudar de direcção para seguir, pelo menos de momento, o caminho da intransigência. Um dia(...) chamei a contínua para que me trouxesse giz; não me ouviu e tive que ir ao átrio (...). Mal tinha chegado lá quando ouvi bater a porta da minha aula e uma grande vozearia.
«Vê-se que abriram a janela — pensei — e a corrente de ar fez fechar a janela violentamente.»
Voltei à sala a correr e encontrei-me perante um espectáculo impressionante. As minhas recomendações haviam sido esquecidas no espaço de alguns segundos. Alguns tinham-se posto às cavalitas na janela, servindo-se das cadeiras: olhavam divertidos para o sítio aonde foram parar os vasos de flores que tinham feito cair. Outros, dançavam em cima dos bancos movendo-se como bailarinas. Os menos corajosos aplaudiam, fazendo coro (...). Não me deixei todavia tomar de pânico e consegui vencer o instinto de gritar. Consegui perceber que a minha voz teria podido assustá-los e, assim, na pressa de voltar para o lugar, algum poderia ter caído lá em baixo. Com efeito mal abri a porta, todos correram num instante para os seus lugares (...) além de travar a voz, conseguira disfarçar também a expressão do rosto (...).
— Mas que modos são estes? — consegui dizer, indo lentamente para o meio da sala, uma vez passado o perigo. Compreendi, porém, que as minhas palavras não produziram grandes efeitos.
— Saiam das carteiras aqueles que dançavam em cima dos bancos e os que se encavalitaram na janela. Ninguém se mexeu. Olharam uns para os outros (...) [e começaram a rir a altas gargalhadas]. Para eles deveria ter sido uma coisa normal. Silêncio! — gritei. Nenhum deles conseguia dominar o riso, que lentamente se ia transformando em gritaria, como se eu não estivesse ali.
— Saiam cá para fora os que dançavam e os que subiram para a janela, entendido? — acrescentei em tom indignado. Nem por sonhos. Ninguém se mexeu e eu fiquei absolutamente furioso. Precipitei-me sobre Luciano com as mão levantadas:
— Cá para fora — gritei; era um dos que eu tinha identificado.
— Mas eu só não! Também os outros que dançavam devem sair!
— Para já, sai tu!
— Quando os outros sairem!
Agarrei-o com todas as forças para atirá-lo cá para fora. Foi nesta altura que sucedeu o que eu não nunca esperaria. Deixei Luciano perto da secretária para pôr os outros cá fora, mas ele tentou sair da sala. Com um salto, cheguei à porta e não o deixei sair. Com dificuldade o trouxe de novo para junto da secretária e ele começou aos berros e a dar pontapés como se eu lhe estivesse a bater.
— Mas o que é que tu tens, enlouqueceste? — gritei procurando meter-lhe medo.
— Vou a casa e trago o meu pai, que te espeta na parede como um cartaz — disse (...) ameaçando-me com os braços no ar.
— Com quem estás a falar, comigo? — gritei, com toda a força da minha voz.
— Sim, exactamente contigo!, não sabes que tenho uma faca deste tamanho — e fazia um sinal com as mãos — e ta enfio na barriga? Este filho duma… este desgraçado que dou cabo dele…
Já não via mais nada. A minha cara estava desfigurada: não o deixei continuar. Para mim teria sido o fim. Dentro de pouco dias estaria transformado no escárnio da classe e o menos que me teriam feito seria assobiar-me na cara. Embora estivesse um pouco fora de mim, compreendi que não podia perder um só segundo. Cheguei-me ao pé dele antes que terminasse o rosário de palavrões e, agarrando-o pela gola do casaco, levantei-o em peso e levei-o para junto da janela:
— Ouve lá — gritei pondo-lhe as mãos na cara —, se dás mais um passo, atiro-te pela janela fora.
A minha reacção foi tão fulminante e inesperada que o assustou; não se mexeu mas continuou a resmungar palavras que eu não percebia. Talvez ninguém antes de mim lhe tivesse mostrado os dentes com tanta decisão.
— Os outros, cá fora! — exclamei, decidido a ir até ao fim. Beppe, Roberto e Sandro que, tal como os outros, tinham acompanhado a cena em silêncio, levantaram-se e, em vez de virem para fora, procuraram ganhar terreno ameaçando:
— Não sabes que não nos podes bater? — disse, pálido, Roberto.
— Fora! — gritei ainda.
— Se te denunciamos, ainda vais parar à cadeia — continuou, com arrogância, Beppe.
— Saiam!
— Se me bates vou ao director! — gritou Sandro.
— Faço-te voltar para a Sardenha a correr, quem julgas ser? A quem estás tu a dar ordens? A mim ninguém me dá ordens! — completou Roberto.
Estas palavras arrogantes e provocatórias fizeram-me ficar fora de mim. Num momento fui até ao meio deles e, com o braço e o dedo esticados, mostrando a secretária, disse:
— Fora já dos bancos, de outra maneira haveis de passá-las boas! Ide ter com quem quiserdes, mas, ficai descansados: se não vos comportardes bem, dou-vos tantas que metade bastarão. Saíram lentamente. Olhavam para mim maldosamente e, mal chegaram ao pé de Luciano, como que por tácito acordo, saltaram-lhe em cima como aves de rapina e começaram a bater-lhe como a um burro.
— Ah!, desgraçado, que damos cabo de ti — gritaram —, a culpa foi toda tua! Se tivesses saído logo, não ia à nossa procura. Ah!, meu reles! Filho da…, seu asno!»
Luciano foi apanhado desprevenido (...). Não teve tempo para reagir e caiu por terra. Procurou defender-se dando pontapés, mas foi dominado: Com um salto cheguei ao pé deles e separei-os.
— Mas que raça de cães são vocês!? — disse eu, mas não me ouviram, empenhados como estavam em compor a roupa e os cabelos. Luciano mal se achou de pé ajudado por mim, lançou-se ao primeiro que estava à frente dele e gritando, distribuiu pontapés como um jumento. O primeiro apanhou-o Sandro na barriga e caiu por terra como um saco vazio. Os outros dois procuraram saltar-lhe em cima mas segurei-os. Sandro contorceu-se como uma cobra, tornou-se pálido como um morto. Apliquei-lhe imediatamente algumas massagens e um pouco depois, lentamente, foi recuperando. Parecia-me exactamente estar em cima de um ringue de pugilismo; com a diferença de que neste caso não havia autorização. Os que tinham ficado nos bancos, assustados pelo conjunto da situação, riam e aplaudiam (...).
A barafunda tinha chegado ao auge e eu encontrava-me numa situação extremamente embaraçosa. Quem alguma vez teria pensado que a minha decisão de mandar sair alunos do banco, para discutir sobre o que tinha acontecido, haveria de dar lugar a tais consequências? Naquela altura entrou a contínua para me dar a assinar uma das muitas circulares que todos os dias nos atormentavam e, todos nós acalmámos um pouco, procurando esconder o sucedido, mesmo assim apercebeu-se disso; é evidente que todos nós tinhamos uma atitude anormal. Perguntou:
— Mas que raio aconteceu?”
Ciência na Sétima Arte

Informação recebida da Universidade do Porto:
Especialistas analisam a Ciência na Sétima Arte
em “laboratório” de cinema promovido pela U.Porto
A partir das 18 horas de 19 de Fevereiro, críticos e estudiosos do cinema vão juntar-se a vários cientistas para explorar e debater as representações da ciência na Sétima Arte. O pretexto surge na forma de “Screenlabs”, título do ciclo de cinema que a Universidade do Porto leva ao auditório do Passos Manuel (Rua Passos Manuel, 137) no âmbito do ciclo Nomadic.0910 – Encontros entre Arte e Ciência.
Dos erros científicos que povoam alguns filmes à forma como se constroem as personagens de ficção científica, serão vários os temas a ser abordados nas 5 sessões comentadas que integram o evento. Na primeira sessão - exclusiva para convidados - o comentário ao filme "Gattaca" estará a cargo de David A. Kirby, professor da Universidade de Manchester e conselheiro científico de cinema. Ao seu lado estarão Maria Strecht e Heitor Alvelos, professores da U.Porto e comissários do ciclo Nomadic.0910.
Até 18 de Março, o ciclo prossegue com mais quatro sessões semanais, abertas ao público. Os filmes "I am Legend" e "Frankenstein" juntam-se a uma selecção de obras da Casa da Animação e do festival U.Frame como fonte de inspiração para um debate liderado por nomes como Eduardo Cintra Torres e António Roma Torres.
A antestreia de “Screenlabs” é, contudo, apenas uma das intervenções Arte/Ciência que a U.Porto leva a toda a cidade até final da semana. Já hoje, dia 18 de Fevereiro, pelas 19 horas, as "Perturbações" vão tomar conta do Museu Nacional Soares dos Reis. Trata-se de uma instalação artística patrocinada pelo IBMC.INEB, tendo como mote a reflexão sobre o uso e abuso de psicofármacos. Um tema que, uma hora antes da inauguração, será debatido numa mesa redonda dinamizada por docentes da U.Porto ligados às Artes e Ciências. Alexandre Quintanilha (IBMC.INEB; ICBAS), João Marques Teixeira (FPCEUP), Lúcia Matos (FBAUP) e Teresa Summavielle (IBMC.INEB) são os convidados.
Para esta sexta-feira, às 15h30, assinala-se ainda a entrada em acção de "Artistas do Jogo", uma exposição fotográfica onde se propõe uma abordagem ao corpo desportivo, procurando mostrá-lo na dupla condição de objecto estético e objecto da ciência. A mostra ficará patente ao público até 26 de Março na Faculdade de Desporto da U.Porto (Rua Dr. Plácido Costa, 91).
Iniciado em Setembro de 2009, o ciclo Nomadic.0910 tem procurado envolver a população num diálogo desinibido com a Ciência e a Arte a partir de actividades organizadas pelas unidades orgânicas da U.Porto. O programa de acções (em permanente actualização) está disponível em http://nomadic.up.pt.
A interferência do erro nas decisões humanas
O texto que se segue resulta da compilação de dois comentários da autoria do leitor João Boaventura a um recentemente publicado no De Rerum Natura. Nele se explica uma sequência de decisões humanas que se revelaram tragicamente erradas e que explicam no livro Les décisions absurdes de Christian Morel. Pelo seu interesse e clareza, aqui lhe damos o destaque lhe é devido (na foto a explosão do Challenger).
Nos cinco anos que precederam o lançamento da nave espacial Challenger vários estudos incidiram na deterioração das juntas dos dois cilindros laterais "bloosters", provocada pela excessiva sensibilidade ao frio. Estas juntas são consideradas peças críticas, segundo a terminologia da NASA, pelo que, antes de se proceder a qualquer lançamento é necessária uma autorização ao mais alto nível.
Em 1980, as juntas eram catalogadas como "críticas de 2.º nível", passando, em 1982, a "críticas do 1.º nível", designações suprimidas a partir de 1983. Porém, algo deve ter corrido mal para voltarem a ser "críticas" em 1985, com a relevância de que a autorização para lançamentos já podia partir de níveis intermédios.
Seis meses antes do lançamento, um engenheiro da empresa produtora de "boosters" apresentou um relatório à direcção, onde exprime o seu "fundado receio de uma catástrofe terrível", se o problema das juntas não não ficar eficientemente resolvido. Outro engenheiro da mesma empresa solicitou a suspensão da entrega dos "boosters", com este aviso: "This is a red flag".
Um mês antes do lançamento a empresa dos "boosters" solicitou que as juntas deixassem de ser "peças críticas", ao que o responsável da NASA recusou mas, perante a insistência acaba por anuir, mantendo o ano de 1986 para o lançamento da nave.
No dia 27 de Janeiro de 1986, véspera do lançamento, os engenheiros da Morton Thiocol, no Utah, informados sobre as temperaturas baixas na Florida, ficam extremamente preocupados porque as juntas não foram testadas a tão baixas temperaturas, o que leva a empresa construtora a solicitar uma urgente teleconferência com a NASA, que levanta dúvidas sobre o lançamento no dia seguinte. Para uns, a solução é adiar, mas, para outros, a empresa de Utah não teria sido muito explícita.
Perante esta emergência, dezoito altos responsáveis e engenheiros da Morton Thiokol, e dezasseis responsáveis da NASA, teleconferenciam sobre o problema posto pelas baixas temperaturas.
Os engenheiros explicaram que o efeito de tão baixa temperatura é o de não permitir o enchimento das juntas com a consequente fuga do carburante e explosão. Posto isto a empresa propôs o adiamento do lançamento e solicitou uma pausa para reunião interna sobre melhor solução.
Na reunião empresarial dois engenheiros "declaram violentamente" que é imperioso evitar o lançamento, enquanto outros se mantêm silenciosos. O engenheiro responsável pelo estudo de projectos opõs-se igualmente ao lançamento. Perante esta quadro negativo para a empresa, os três directores responsáveis isolam-se com o engenheiro responsável, ao qual solicitam: "Take off his engineering hat and put on his management cap".
Enquanto aguardam as novas explicações da Morton Thiakol, o chefe responsável da empresa adido ao centro espacial Kennedy, na Florida, aconselhou veementemente o director da NASA a adiar o lançamento, mas discordou alegando que as juntas já há muito haviam deixado de ser peças críticas, o que se comprovava com os 24 precedentes lançamentos efectuados.
A teleconferência empresa-NASA foi retomada já perto da meia noite, véspera do lançamento. A empresa declarou que a nave podia ser lançada, o que confirma em fax assinado pelo responsável, mas sem a assinatura dos dois engenheiros que recusaram pactuar com a decisão errada.
No centro espacial Kennedy três altos responsáveis da NASA reúnem-se com o chefe do projecto da empresa adido, para lhe comunicarem que a referida empresa tinha concluído que a nave podia ser lançada sem qualquer risco, o que o surpreendeu e o levou a instar uma vez mais pelo adiamento, mas sem resultado.
No dia 28 de Janeiro de 1986, às 11:38, assistimos ao lançamento da nave com os resultados previstos.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Orquídeas em Fevereiro
As orquídeas têm polinizadores específicos e por isso raramente dão semente; a multiplicação vegetativa é o processo de propagação indispensável para a manutenção destas espécies e da sua diversidade.Contribuindo para a conservação da biodiversidade desta família botânica, vamos iniciar, em ateliê, a aprendizagem de técnicas simples de propagação, diferentes fases e cuidados de cultivo destas plantas, a melhor forma para a sua preservação. Cymbidium será a orquídea escolhida para este mês. Seguidamente haverá um percurso de apresentação das estufas do Jardim Botânico.
Ateliê, seguido de visita às estufas: 27 de Fevereiro, sábado, 11h e 15:30h.
Lotação de cada sessão, por marcação prévia: mínimo 6 até 25 pessoas/sessão.
Local: Sala de actividades do Jardim Botânico.
Preço: 3 €/participante.
Inscrições/Organização: Gabinete do Jardim Botânico, telef.: 239 855233 (9h00 – 17h30m); jardim@bot.uc.pt; http://www.uc.pt/jardimbotanico
Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
No próximo dia 25 de Fevereiro (5.ª feira), pelas 17h30m, na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra será apresentada a obra Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.Esta obra, com coordenação de A. E. Maia do Amaral, será apresentada pelo Prof. Doutor Jorge Couto, Director-Geral da Biblioteca Nacional de Portugal.
Ciência em família
| Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra: |
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A OPOSIÇÃO COMO CONDIÇÃO DE REGRESSO DA ESPERANÇA
Após ter explorado alguma informação para escrever o texto anterior, que, devo dizer, me impressionou pela linearidade, pela falta de aprofu...
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