Mas, é nessa "revolução copernicana da educação", não antes, que me fixo para notar a falta de consenso sobre o que se deve entender por "actividade" pretendida do aprendiz. Uso os preciosos textos de apoio do meu colega Casimiro Amado, professor na Universidade de Évora (ver aqui).
"(...) perigosa é ainda a existência dos «falsos amigos» da educação nova que, tendo conservado intacto o espírito da educação de outrora, se servem de um certo número de processos novos colhidos aqui e ali para manter este espírito como auxílio numa missão a que aliás nenhumas modificações trazem. É assim que este ou aquele professor divide os alunos em várias equipas, dando a cada uma um exercício gramatical ou de história depois do que afirma convictamente que introduziu o trabalho de grupo na sua aula. Há um outro que intercala a sua exposição com perguntas contínuas e pensa estar a utilizar um método activo. Um outro introduz um exercício de expressão "livre" num determinado dia e hora. Há ainda quem organize um passeio escolar com um programa de observação rigidamente fixado de antemão e confere a este exercício imposto o nome mais pomposo e mais do "tipo educação nova" de estudo do meio. E, como estes, poderíamos citar muitos mais exemplos. Se nos quiséssemos dar ao trabalho de elaborar a lista de erros cometidos em nome da educação nova, teríamos de dispor de muito tempo para o fazer". Roger Cousinet
Num ensaio de 1956 - A física como objecto de ensino -, Rómulo de Carvalho dá conta dessa questão, dessa dúvida. Aprecio particularmente o modo como, em meia-dúzia de linhas, a explicou e resolveu:
“[Chamaremos a isto as duas formas do processo; a forma activa, com participação dos alunos, e a forma passiva, sem a sua participação (…). Se a escolhida foi a passiva, o professor falou, mostrou ou experimentou, e concluiu o que tinha a concluir. Na forma activa, em que o professor e os alunos colaboram, ainda se poderá proceder de vários modos, dos quais nos parece terem interesse relevante o modo heurístico, em que o aluno é colocado na (aparente) situação de primeiro descobridor do fenómeno em estudo, e o modo socrático, em que o professor interroga o aluno em termos perspicazes, de rebuscada subtileza" In Crato, N. (2008). Rómulo de Carvalho. Ser professor (p.46). Gradiva.
Encontrei um esboço no trabalho de sala de aula deste professor num registo da RTP de 1971, que abaixo identifico (ver aqui ao minuto 04:30).
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