A palavra pode só o que pode,
por mais que ensaie ir mais além:
diante de um mundo que explode,
sabe que é só impotente refém.
O apocalipse está bem perto
e já se lobrigam os seus cavalos:
são esbeltos bichos em céu aberto,
anunciando tremendos abalos!
Para os travar, temos a palavra,
mínimo guerreiro, que mal nos resta:
cheia de horror, com coragem, lavra
terreno que a peste já infesta.
Heroica, fala e diz em voz alta
que é a vaga final que nos assalta.
Eugénio Lisboa
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
A RENDIÇÃO DA PALAVRA
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