terça-feira, 22 de maio de 2012
Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo
Fico feliz de informar que desde 08/05/2012 faço parte do quadro de
Pesquisadores Colaboradores do Laboratório de Estudos Avançados em
Jornalismo(Labjor) da UNICAMP que é um centro de referência, no país e
na América Latina, para a formação e para os estudos em divulgação
científica e cultural.
Guerra dos Cem Anos
Poema de Ângelo Alves sobre dois génios falecidos em plena juventude durante a Primeira Guerra Mundial: o escritor francês Alain Fournier e o físico inglês Henry Moseley:
Nasceu no interior
Da França
Daguerreótipo
Dentro
Ângelo Alves
Guerra
Dos Cem Anos
Nasceu no interior
Da França
Em
3-10-1886
Daguerreótipo
Do
menino:
Risca
no flanco
Esquerdo
do
Cabelo
sedoso
Olho
vivo
Ar
terno
Orelhas
côncavas
Mão
esquerda
Sobre o
queixo
Lábio e
nariz
Perfeitos
Escreveu
com
27 anos
um
Dos
maiores
Romances
Do
século vinte
“Le
Grand Meaulnes”
Guerra
Morreu
em 22 - 9 - 1914
No
campo de batalha
Nasceu na costa meridional
Do Reino Unido
Em 23-11-1887
Daguerreótipo
Do jovem:
Risca
no flanco
Direito
do
Cabelo liso
Olho sapiente
Ar acossado
Orelhas grandes
Dentro
Do laboratório
Relacionou
a energia
De emissão de raios-X
Com o número atómico
Dos elementos
Passo crucial para
A actual Tabela Periódica
Guerra
Morreu em 10 - 8 - 1915
Em combate
Estóico Epicuro
Dois
Destinos
Dois Génios
O
Mistério
Ângelo Alves
CARTA ABERTA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Pela sua relevância destacamos aqui um comentário inserto no último post de António Mouzinho, sobre a "formação" em "eduquês" que o Ministério da Educação e Ciência está a fazer aos professores avaliadores de exames:
Ex.mo Senhor Ministro da Educação:
Sou Maria da Graça Martins, professora de Matemática da Escola Secundária Emídio Navarro de Viseu, onde já tive o gosto e prazer de o convidar e de consigo estar algumas vezes.
Tenho, desde que o 12.º ano existe, corrigido, anualmente, provas de exame: duas excepções apenas, a meu pedido: nos anos em que os meus filhos fizeram exame de matemática do 12.º ano. De resto, quer esteja ou não a leccionar aquele ano, tenho sido sempre chamada para as correcções e algumas vezes recursos (como aconteceu no ano passado).
No ano lectivo anterior, sem qualquer consulta vi-me com um “contrato” com o Ministério para corrigir provas por 4 anos. Mas para tal o Ministério deu-nos uma formação de fraca memória. Este ano também fui informada, que teria de efectuar uma Formação. Tive esperança que desta vez fosse mesmo FORMAÇÃO. O que implicaria aprender algo! Ou melhorar!
Estou em plena formação forçada!
E o desencanto (manda a boa educação e bom senso que utilize este termo) está a tender para mais infinito. Um organismo que pertence ao Ministério que V.ª Ex.ª coordena /dirige a obrigar os professores a comentar /concordar com textos de duvidoso valor científico. Não fosse ousadia da minha parte, convidá-lo-ia a dar uma vista de olhos por tais textos: o construtivismo no seu melhor! E é o GAVE que o faz! Terei que concluir que todas as conversas que tive o prazer de ter com Vª Exª , ainda quando não ocupava este cargo, todas as intervenções públicas, tanto na TV como em encontros e congressos, todos os textos e livros que escreveu, muito pelo que lutou, estão agora a ser passados para trás das costas e aí vêm, com grande força os teóricos da pedagogia e os ideólogos do “eduquês”.
Sinto-me indignada e não sei se terei coragem/paciência/disponibilidade mental para prosseguir com tal “Formação”. Mas não sou a única! No blogue Rerum De Natura aparecem dois textos sobre esta mesma formação: nos dias 19 e 20 de Maio.
Parto do princípio que o Sr. Ministro nunca lerá este meu email. Escrevo-o, no entanto, na esperança de que, quem o ler, alguém do seu gabinete, tenho uns minutos para averiguar toda esta situação que, de certa forma, coloca até o sr Ministro numa posição bastante embaraçosa – como conciliar o que até aqui tem defendido e até lutado, com as teorias que do seu Ministério estão a ser emanadas?
Atenciosamente,
Maria da Graça Martins
Ex.mo Senhor Ministro da Educação:
Sou Maria da Graça Martins, professora de Matemática da Escola Secundária Emídio Navarro de Viseu, onde já tive o gosto e prazer de o convidar e de consigo estar algumas vezes.
Tenho, desde que o 12.º ano existe, corrigido, anualmente, provas de exame: duas excepções apenas, a meu pedido: nos anos em que os meus filhos fizeram exame de matemática do 12.º ano. De resto, quer esteja ou não a leccionar aquele ano, tenho sido sempre chamada para as correcções e algumas vezes recursos (como aconteceu no ano passado).
No ano lectivo anterior, sem qualquer consulta vi-me com um “contrato” com o Ministério para corrigir provas por 4 anos. Mas para tal o Ministério deu-nos uma formação de fraca memória. Este ano também fui informada, que teria de efectuar uma Formação. Tive esperança que desta vez fosse mesmo FORMAÇÃO. O que implicaria aprender algo! Ou melhorar!
Estou em plena formação forçada!
E o desencanto (manda a boa educação e bom senso que utilize este termo) está a tender para mais infinito. Um organismo que pertence ao Ministério que V.ª Ex.ª coordena /dirige a obrigar os professores a comentar /concordar com textos de duvidoso valor científico. Não fosse ousadia da minha parte, convidá-lo-ia a dar uma vista de olhos por tais textos: o construtivismo no seu melhor! E é o GAVE que o faz! Terei que concluir que todas as conversas que tive o prazer de ter com Vª Exª , ainda quando não ocupava este cargo, todas as intervenções públicas, tanto na TV como em encontros e congressos, todos os textos e livros que escreveu, muito pelo que lutou, estão agora a ser passados para trás das costas e aí vêm, com grande força os teóricos da pedagogia e os ideólogos do “eduquês”.
Sinto-me indignada e não sei se terei coragem/paciência/disponibilidade mental para prosseguir com tal “Formação”. Mas não sou a única! No blogue Rerum De Natura aparecem dois textos sobre esta mesma formação: nos dias 19 e 20 de Maio.
Parto do princípio que o Sr. Ministro nunca lerá este meu email. Escrevo-o, no entanto, na esperança de que, quem o ler, alguém do seu gabinete, tenho uns minutos para averiguar toda esta situação que, de certa forma, coloca até o sr Ministro numa posição bastante embaraçosa – como conciliar o que até aqui tem defendido e até lutado, com as teorias que do seu Ministério estão a ser emanadas?
Atenciosamente,
Maria da Graça Martins
Workshop "Ciência Nos Media"
Divulgamos, a pedido do Centro de Ciência Viva de Lagos, a seguinte iniciativa:
"O *Centro Ciência Viva de Lagos *(CCVL) promove no próximo dia 26 de Maio, sábado, o /Workshop/ * “A Ciência nos Media”*. Este /workshop/, que compreende as componentes teórica e prática, será ministrado pelo Professor e jornalista *António Granado*. "
"O *Centro Ciência Viva de Lagos *(CCVL) promove no próximo dia 26 de Maio, sábado, o /Workshop/ * “A Ciência nos Media”*. Este /workshop/, que compreende as componentes teórica e prática, será ministrado pelo Professor e jornalista *António Granado*. "
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Uma Pequena História da Filosofia
Acaba de ser anunciada a tradução portuguesa do mais recente livro de divulgação filosófica de Nigel Warburton: Uma Pequena História da Filosofia (Edições 70). Esta edição conta com um prefácio meu, que pode ser lido aqui, assim como o primeiro capítulo do livro.
HUMOR: Empresa vai preservar células estaminais fecais do primeiro cócozinho
Um texto, já com alguns anos, escrito para o Inimigo Público, a proposito das tretas estaminais:
Empresa vai preservar células estaminais fecais do primeiro cócozinho
"Não sei exactamente em termos médicos para que é que isto pode servir, mas vou mandar preservar o primeiro cocózinho do meu filho, nunca se sabe se poderá ser necessário para algum novo tratamento que inventem a partir das células do primeiro cócozinho", adiantou ao IP um dos primeiros clientes da Fecal-Vida. Por 1000 euros, a empresa entrega um kit, muito semelhante ao utilizado para recolher excrementos de animais na via pública, que permite aos pais recolherem as células estaminais fecais do primeiro cocozinho do bébé. O cócozinho fresco é enviado por estafeta à temperatura ambiente, liofilizado usando energias renováveis (seco ao sol) e devolvido aos pais com uma útil argola, para poder ser usado como porta-chaves.
O que são células estaminais fecais?
São células que se podem diferenciar em qualquer tipo de célula do cócó.
Como funcionam os transplantes fecais?
O objectivo do transplante é regenerar o sistema fecal do paciente. Quando infundidas, as células estaminais fecais permitem restabelecer a capacidade de produzir excrementos saudáveis.
Quais são as doenças em que já podem ser usadas as células estaminais fecais?
Todas as relacionados com a produção anormal de fezes. Diarreia, prisão de ventre, diarreia, etc.
Quais são as potenciais aplicações futuras?
Esquizofrenia, depressão, disfunção eréctil, nascer com corpo de homem sentindo-se mulher, envelhecimento, tensão pré-menstrual, melancolia e zapping.
domingo, 20 de maio de 2012
Carlos Queirós "versus" Paulo Bento
“O mais excelente quadro posto a uma luz, logo
mostra borrões, e visto a melhor luz, logo descobre pinturas” (Padre António
Vieira, 1608-1697).
Tendo como leitmotiv um artigo do Público
(17/05/2012), em título de página inteira, “Portugal chega ao Euro 2012 mais
‘cansado’ do que no Mundial 2010” (mais adiante darei conta das minhas razões),
escrevo este texto em vésperas do início
dessa importante competição europeia e em resquícios da antiga polémica causada
pelo “Caso Carlos Queirós” por Portugal
não ter chegado aos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de Futebol/2010 por
eliminação com o resultado de 0-1 a favor da fortíssima Selecção de Espanha que se viria a sagrar
Campeã do Mundo.
Entretanto,
do título deste post se deduz estarmos perante um treinador teórico (Carlos
Queirós) e de um outro prático (Paulo Bento).
Aliás, este despique entre teóricos e práticos é,também, e em certa medida,
moeda corrente em outras profissões e em
outras épocas, sendo que, no caso da prática desportiva, encontra raízes
milenares na Grécia Antiga. Segundo Galeno (célebre médico grego, tido como pai
da medicina desportiva moderna), os treinadores troçavam das teorias dos
professores de ginástica e dos médicos sob o pretexto de não se ter o
direito de discutir sobre coisas desconhecidas quando se não tem a prática do
ofício.
A
classificação de teórico a Carlos Queirós,
um modestíssimo jogador de futebol competitivo, encontra fundamento na sua
formação e docência universitárias: licenciatura
e mestrado em Metodologia do Treino pelo ISEF da Universidade Técnica de Lisboa
e posterior docência onde teve como aluno José Mourinho (também ele, modesto praticante
do desporto-rei) que, aquando da atribuição do seu doutoramento honoris causa pela Universidade Técnica de Lisboa, reconheceu publicamente que “seria sempre treinador de
futebol, mas sem faculdade seria assim-assim e nunca muito bom" (“Record”,
24/03/2009).
Por
outro lado, a classificação de prático por mim atribuída a Paulo Bento tem a
suportá-la o facto de ter sido um destacado jogador da Selecção Nacional de
Futebol (35 vezes internacional)sem curso superior, apenas cursos de treinador de futebol pela Associação de Treinadores de Futebol e Federação
Portuguesa de Futebol (FPF).Ou seja, o futebol moderno, conservando a sua
componente de sorte inerente a toda e qualquer forma de jogo que o torna
aliciante para as multidões, exige, hoje, condições científicas inerentes à
respectiva metodologia de treino e conhecimento profundo da “máquina humana”,
questões que, por vezes, são mantidas na sombra do esquecimento. Seja como for,
este divórcio Teoria/ Prática não
encontra razão em Sílvio Lima (1904-1993), distinto professor catedrático de
Letras de Coimbra, autor da Trilogia, “Ensaios sobre o Desporto”, “Desporto,
Jogos e Arte” e “Desportismo Profissional”, que o perspectivou como uma espécie
de união de facto: “Ensinemos o intelectual a compreender e a amar
o desporto, a ver nele obra de ciência e arte; e por sua vez, ensinemos o
desportista a compreender e a amar a vida mental, a ver na ciência e na arte
maravilhosos exercícios desportivos, já que a ciência e a arte são afinal a
alma radiosa do verdadeiro e humano desporto”.
Entretanto,entendo ser de destacar, o clima favorável
criado à volta de Paulo Bento,
relativamente ao próximo Campeonato da Europa/2012, comparativamente com o
clima hostil que rodeou Carlos Queirós, aquando do passado Campeonato do Mundo
de Futebol/2010, em que a selecção teve a
acompanhá-la, na África do Sul, o vice-presidente da FPF, Amândio Carvalho, que
se manifestou, desde o princípio, contra a contratação de Carlos Queirós criando um clima
pouco propício a boas relações entre ambos, reflectindo-se, como não podia
deixar de ser, no rendimento e
comportamento dos jogadores da selecção nacional com destaque para Deco,
brasileiro naturalizado português. Tudo isto acrescido do facto da maior injustiça de ter sido considerado desastroso
o comportamento da equipa nacional que na fase de grupos (repare-se!) empatou a zero golos com a Costa do Marfim e Brasil
e venceu a Coreia do Norte por sete a zero (equipa que viria a perder com o
Brasil pelo escasso resultado de 1-2).
Estes resultados manipulados pelos
detractores de Carlos Queirós, como se tivessem sido péssimos, pretenderam
deixar a imagem de um verdadeiro soçobrar da Selecção das Quinas”. Por exemplo,
depois do regresso da equipa de todos nós a fronteiras nacionais, no “Jornal de
Desporto da SIC” (06/09/2010) assistiu-se a uma declarada tentativa de
intoxicação da opinião pública contra Carlos Queirós. Um dos jornalistas desportivos
presentes que tivera um simulacro de cena de pugilato com Carlos Queirós, em que, ao que se con(s)ta não marcou qualquer ponto,
desfazia-se em sorrisos de puro gozo, como se tratasse de um segundo “round” virtual
de desforço, sempre que os restantes
intervenientes, embora de forma moderada, teciam análises desfavoráveis às substituições feitas
pelo seleccionador nacional na África do Sul.. Num critério pessoal e
subjectivo, a opinião mais moderada pareceu-me ser a de um outro comentador da
SIC por assacar parte da responsabilidade deste triste processo a dirigentes da
FPF e ao secretário de Estado dos
Desportos.
Em vésperas do início do campeonato
europeu de futebol deste ano, um clima de simpatia envolve o actual
seleccionador nacional, Paulo Bento, o que é de louvar pela influência positiva
que pode gerar no desempenho da equipa de todos nós. Regressando, agora, à notícia do Público supracitada e ao
respectivo título à largura de toda a página, embora concedendo, desde já, poder ter sido uma precipitada interpretação minha, subentendi-a (embora a
palavra “cansado” estivesse entre comas) como uma desvantagem justificativa de
um hipotético mau resultado das cores portuguesas nesta importante pugna
futebolística entre equipas europeias.
Mas a leitura do referido artigo esclareceu-me fundamentar-se, apenas, em
dados estatísticos com a chancela científica do “Centro de Alto Rendimento do
Jamor”.
Mas, embora podendo ter eu estado a ver “mosquitos na outra
banda”, como soe dizer-se, continuo a lamentar a contrastante campanha
desencadeada contra Carlos Queirós que teria conduzido ao seu “despedimento” em
situação que o seu brilhante passado na conquista de dois Campeonatos Mundiais
de Futebol Sub20 não consentia. Surge agora Paulo Bento, jogador 35 vezes
internacional em representação da bandeira verde-rubra, em desejável clima de
confiança num brilhante resultado neste Campeonato
Europeu de Futebol / 2012.
Apesar de tudo, por a “bola ser
redonda”, os resultados dos jogos são imprevisíveis e muito mais quando se
trata de disputas desportivas de campeonatos europeus e mundiais de futebol.
Haja em vista o resultado final da “Liga dos Campeões” deste ano em que as três
equipas favoritas (Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique) baquearam
perante o Chelsea que, nesta temporada, no campeonato inglês, esteve longe do brilhantismo atingido sob a
orientação de José Mourinho. E isto já
para não falar da Selecção de Futebol da Grécia que poucos vaticinavam com
campeã europeia da modalidade em 2008.
Recordo, a propósito, o antigo jogador
João Pinto, do Futebol Clube do Porto, que se tornou muito conhecido pela sua
qualidade futebolística e não menos pela sua boutade. Quando, em entrevista,lhe pediram uma previsão sobre determinado resultado de um
jogo de futebol,respondeu:"Prognósticos só no fim do jogo”!
Roupa preta no Verão?
Recebi esta pergunta de uma jornalista da revista Sábado:
Estou a preparar um trabalho sobre
o efeito das cores do vestuário no aquecimento do corpo. Encontrei uma
pequena notícia num site de Física que dizia que o preto protegia mais
do calor do que o branco, desde que o tecido fosse fluido e a roupa
larga.
De acordo com o artigo, o branco tinha a vantagem de reflectir a luz
do sol, mas a desvantagem de reflectir o calor do corpo em direcção à
pele, ao passo que o preto concentrava toda a energia no tecido que
era eliminado pela circulação do ar caso a peça de roupa fosse larga.
Que diz?
Rita Garcia
Respondi como se segue e a resposta foi publicada no último número:
As roupas pretas absorvem mais luz (vísível e infravermelho) e, portanto,
aquecem mais do que as roupas brancas (a luz infravermelha aquece), que
reflectem a luz.
No entanto, esse pode não ser o único factor no que respeita ao
conforto fisiológico. Interessa, por exemplo, se as roupas são largas ou
justas: no Verão, por exemplo, convém usar roupas largas
porque há circulação de ar por baixo da roupa (fenómeno conhecido por convecção ou "efeito
chaminé") que pode contrabalançar o aquecimento causado por roupa preta.
O ar entra mais quente por baixo e sai menos quente pelo pescoço. É por
isso que alguns
beduínos no Sinai usam túnicas escuras, mas largas. O vento, frequente no
deserto, favorece esse processo. Também importa obviamente o material do
que a roupa é feita, designadamente a textura:
um material com mais orifícios protege menos a pele.
Portanto: em princípio roupa clara é melhor no Verão ou em ambientes
tropicais, mas há excepções, que dependem da forma e da qualidade do
material.
Carlos Fiolhais
Há mais bife para além da alcatra
Novo texto de António Mouzinho sobre a sobrevivência do "eduquês" no Mistério da Educação e Ciência, esclarecendo não apenas os professores mas também para o grande público:
Quem não é professor e abordou o texto «Avaliação: funções e práticas 4 — os riscos (sem limite de palavras) ou 'The Rump Steak Strikes Back'» (19 de Maio), poderá ter ficado perplexo: ao que vem tudo isto?
Na
verdade, o respeitável Leitor, civil, merece a seguinte explicação:
Em 2010-11
o ministério da Educação, através do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE),
promoveu uma ação de formação de professores classificadores de exames.
Pretendeu informar, com profundidade, quanto aos critérios de classificação dos
exames nacionais, uma bolsa nacional de professores classificadores, promovendo
a uniformização da atuação, e a justiça do processo.
Os
professores consideraram o trabalho interessante, e útil. Foi uma tarefa com
caráter prático, bem montada, esclarecedora, facilitadora do trabalho de ver e
classificar provas de exame.
Anunciava-se
uma 2.ª volta este ano, não presencial. Faz todo o sentido, porque permanentes
retoques e aperfeiçoamentos nas Informações de Exame divulgadas no site de GAVE a isso obrigam.
O modelo
seria o do e-learning, desta vez.
Enfim… é mais barato: sim, senhor.
Ora o que
nos esperava em 2012?
Uma
armadilha!
Em pleno
final de ano letivo, com os professores assoberbados de trabalho, uma ementa de
festa de aldeia, com não sei quantos pratos.
Eu
discrimino as tarefas (agora não se diz assim: agora diz-se elenco; eu evito a
expressão porque faz-me dores nas costas, como quando alanco):
1. Introdução
2. Funções da avaliação
3. O erro na aprendizagem (discussão do
risco para professores e alunos da não definição e da não partilha de citérios
de avaliação)
4. Critérios de avaliação
5. Práticas de avaliação formativa
Intervenção do professor:
Planificação da avaliação
Feedback oral e escrito
Intervenção do aluno:
Coavaliação
Autoavaliação
6. Classificação de respostas a itens de
exame
7. Avaliação e encerramento da ação
Ora, deste
banquete, o que dizer? Várias coisas:
1.º—
que todos estes
assuntos merecem a atenção de professores, são pertinentes, são controversos,
merecem reflexão;
2.º—
que nenhum destes
assuntos tem algo, diretamente, a ver com a próxima classificação dos exames nacionais;
3.º—
que os
professores classificadores que aceitaram fazer parte da bolsa nacional o
fizeram por puro sentido de serviço público, tendo admitido que não teriam, por
isso, qualquer remuneração adicional (ao contrário do que aconteceu num passado
mais recente, e noutros menos recentes);
4.º—
que a altura, em
finais de maio, não é — de todo — para estar a limpar este tipo de espingardas:
está tudo fulo nas escolas com a intromissão, à beira do final do ano letivo,
de generalidades que, apresentadas com outro caráter — que não a
obrigatoriedade do quadro de uma ação de formação — levariam a um coro de «não,
muito obrigado», «não pode ser», «tenha paciência», ou «volte noutro dia»
(melhor dizendo: ano);
5.º—
que a forma como
os pratos são apresentados é digna do mais velho eduquês: construtivismo puro e
duro, mal disfarçado aqui e acolá com uns bigodes da R. João das Regras e um
chapéu de palha; textozinhos de apoio à Estado Novo de mistura com o eminente
Piaget, ensopado nas águas do oceano Atlântico, num texto importado do Brasil;
o palavreado meio confuso do costume, arrogante e sem contraditório
(contraditório que até poderia ser em Francês, se quisessem: bastaria trocar o
suíço Piaget pelo cientista Stanislas Dehaene, com imensa vantagem); as
«ciências» da educação sem a neurociência ou a ciência cognitiva; enfim: o
paleio de sanzala de gente que sabe muito mais do que aquilo que percebe, fala
para o comum dos mortais de cima para baixo, e não admite grandes discussões
sem partir a loiça toda, sem anatemizar: que não avalia, na prática, o outro,
como diz, em teoria, que ele deve ser avaliado;
6.º—
que os
professores estão a aturar todo este fartote para chegarem à tarefa do ponto
6., a classificação de respostas a itens de exame: é para isso que lá estão, e
o resto faz-se em apneia, não vá a carreira ser prejudicada por qualquer
coisinha (lamente-se, e entenda-se…);
7.º—
que a tarefa 5,
que remete para 14 de setembro, pressupõe duas coisas, como consta daquele rol
que pode ser visto acima: deve ter 1000 a 1500 palavras (o presente texto já
conta 690 palavras, e apenas espirrei de alergia!), e deve ser sustentada por
uma extensa bibliografia (ahrrrgh!) apresentada no início da ação.
Note-se
que tarefas anteriores tinham apresentações bem mais caricatas: pedia-se, na
tarefa 2, um comentário (!) de 150 a 200 palavras; na tarefa 3, um texto até
400 palavras. Afinal, o banquete de aldeia anunciado era uma sandes no parque
de campismo. Os professores ficaram apoquentados com a exiguidade do espaço?
Nã, senhores: ficaram contentes: perceberam que praticamente não teriam de
meditar em coisa nenhuma; estavam a ser importunados, mas o caso, em termos de
relatórios, não era sombrio, porque os próprios formadores, ao fazerem este
tipo de guiões, não estavam a levar nada disto a sério. A reflexão não era para
refletir, era para ser despachada!
Quando for
grande já não quero ser quero ser arquiteto: quero ser construtivista. Não
preciso de falar de modo a que me entendam, e resisto a toda e qualquer
tentativa de contestação.
O
professor Nuno Crato que se cuide: os ministérios sombra andam aí: They Live!
Respeito,
méne!
António Mouzinho
LÉON PAUL CHOFFAT (1849-1919)
Texto de A.M. Galopim de Carvalho que o De Rerum Natura muito agradece.
GEÓLOGO suíço radicado em Portugal a partir do ano de 1878, na Secção dos Trabalhos Geológicos de Portugal, veneranda instituição que, ao sabor das modas passou por várias designações oficiais, entre as quais, Serviços Geológicos de Portugal, Instituto Geológico e Mineiro e, actualmente, Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia.
Cursou Química e Ciências Naturais na Universidade e na Escola Politécnica Federal de Zurique onde, concluído o curso, foi nomeado professor agregado de Paleontologia Animal. As excursões geológicas que então realizou tiveram lugar, sobretudo, no Jura francês e esse facto habilitou-o com um valioso capital científico que, mais tarde, utilizou no estudo dos terrenos jurássicos de Portugal.
Durante o Congresso Internacional de Geologia de Paris, em 1878, foi convidado por Carlos Ribeiro, então director da referida Secção dos Trabalhos Geológicos, a deslocar-se a Portugal a fim de, em especial, estudar a estratigrafia e a paleontologia dos terrenos jurássicos.
Aceite o convite, Choffat chegou a Lisboa em 1878 e aí encontrou, como colega da Instituição, outro grande geólogo, Joaquim Filipe Nery Delgado, que lhe proporcionou todas as condições necessárias ao desempenho do trabalho projectado, já iniciado por Carlos Ribeiro. Em 1883, por morte de Carlos Ribeiro, o novo director, Nery Delgado, encarregou-o do estudo de todos os terrenos mesozóicos de Portugal. Durante quatro décadas ofereceu à geologia portuguesa, então a dar os primeiros passos, o melhor do esforço e saber, que foi muito.
Como homem de ciência e como cidadão tornou-se um dos vultos mais assinalados no Portugal de finais do século XIX e inícios do século XX. A sua actividade científica está expressa em múltiplas memórias e comunicações publicadas pela respectiva instituição e em jornais e revistas da especialidade, nacionais e estrangeiros. Entre eles avultam quatro volumosas memórias: "Étude stratigraphique et paléontologique des terrains jurassiques du Portugal - Le Lias et te Dogger au Nord du Tage" (1880), "Recueil de Monographies stratigraphiques sur le système crétacique du Portugal - 1er. étude - Contrées de Cintra, de Bellas et de Lisbonne" (1885), "Récueil de Monographies Stratigraphiques sur le système Crétacique – 2ème. étude - Le Crétacique au Nord du Tage" (1890) e "Essai sur la Tectonique de la Chaîne de l'Arrabida" (1908), além de outros de menor desenvolvimento sobre estas temáticas, com destaque para o levantamento da Carta Tectónica de Portugal e um interessante estudo sobre as estruturas geológicas a que chamou vales tifónicos.
No conjunto dos seus trabalhos, Choffat estabeleceu a seriação estratigráfica dos terrenos mesozóicos do território português, descreveu a litologia e a fauna fóssil das diferentes assentadas e identificou as respectivas fácies. Propôs a criação do andar Lusitaniano para o conjunto estratigráfico Oxfordiano superior – Kimeridjiano, temporariamente aceite pelos seus pares. Definiu o andar que designou por Belasiano (termo entretanto caído em desuso), representado na região de Belas, nos arredores de Lisboa. Este andar de valor local constituído por margas e calcários com uma série siliciclástica na base, correspondente a parte do Cenomaniano. Deve-se-lhe ainda a separação entre o Trias e o Infralias.
O seu prestígio dentro e fora de Portugal foi muito o que levou alguns dos seus pares a homenageá-lo na nomenclatura paleontológica, com designações como Choffatella, um género de foraminífero, Choffatia, um género de amonite, Perisphinctes cf choffati, uma espécie de amonite, Callavia choffati, uma espécie de trilobire, entre outras.
Perisphinctes cf choffati
No sector da geologia aplicada, são dignos de referência o seu “Étude Geologique du Tunnel du Rocio” (1989) e vários estudos de hidrogeologia visando abastecimento de água a Lisboa, Guarda, Guimarães e outras localidades do país, e estudos sobre as águas minerais dos terrenos mesozóicos, registados como alguns dos melhores trabalhos neste domínio.
A cartografia geológica mereceu-lhe particular atenção. Assim, de colaboração com Nery Delgado, procedeu à actualização da Carta Geológica de Portugal, na escala de 1/500 000, publicada em 1899, em substituição da que fora publicada por Carlos Ribeiro e Nery Delgado, em 1876. Deve-se-lhe, ainda, a realização dos trabalhos de campo que levaram à produção de várias cartas geológicas regionais, em escalas de maior pormenor, como as das regiões de Lisboa, Cascais Sintra, Loures, Leiria, Arrábida, Buarcos-Verride e Montejunto.
Doutor honoris causa, em 1892, pela Universidade de Zurique, Paul Choffat foi condecorado, em 1892, com o grau de Comendador da Ordem de Isabel a Católica e, em 1896, com o grau de Comendador da Ordem de S. Thiago. Em 1900, a Sociedade Geológica de França concedeu-lhe, e pela primeira vez a um estrangeiro, uma das suas maiores recompensas, o prémio Viquesnel.
Pelo seu trabalho, Paul Choffat foi feito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, da Real Academia das Ciências de Madrid, da Sociedade Geológica de Londres e da Real Academia das Ciências e Artes de Barcelona, sócio honorário da Sociedade Belga de Geologia, Paleontologia e Hidrologia, e sócio do Instituto de Coimbra, da Academia das Ciências e Belas Artes de Besançon, da Real Sociedade Espanhola de Ciências Naturais de Madrid, da Sociedade de História Natural de Basileia, da Sociedade de Geografia de Genebra, da Sociedade de História Natural de Toulouse, da Associaçâo dos Engenheiros Civis Portugueses, da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, da Sociedade Jurássica de Porrentruy (Suíça), da Sociedade de Física e Historia Natural de Genebra, da Sociedade Helvética de Ciências Naturais, da Sociedade de Química e História Natural de Zurique, da Sociedade Russa de Mineralogia e da Sociedade de Ciências Naturais de Lauzane.
GEÓLOGO suíço radicado em Portugal a partir do ano de 1878, na Secção dos Trabalhos Geológicos de Portugal, veneranda instituição que, ao sabor das modas passou por várias designações oficiais, entre as quais, Serviços Geológicos de Portugal, Instituto Geológico e Mineiro e, actualmente, Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia.
Cursou Química e Ciências Naturais na Universidade e na Escola Politécnica Federal de Zurique onde, concluído o curso, foi nomeado professor agregado de Paleontologia Animal. As excursões geológicas que então realizou tiveram lugar, sobretudo, no Jura francês e esse facto habilitou-o com um valioso capital científico que, mais tarde, utilizou no estudo dos terrenos jurássicos de Portugal.
Durante o Congresso Internacional de Geologia de Paris, em 1878, foi convidado por Carlos Ribeiro, então director da referida Secção dos Trabalhos Geológicos, a deslocar-se a Portugal a fim de, em especial, estudar a estratigrafia e a paleontologia dos terrenos jurássicos.Aceite o convite, Choffat chegou a Lisboa em 1878 e aí encontrou, como colega da Instituição, outro grande geólogo, Joaquim Filipe Nery Delgado, que lhe proporcionou todas as condições necessárias ao desempenho do trabalho projectado, já iniciado por Carlos Ribeiro. Em 1883, por morte de Carlos Ribeiro, o novo director, Nery Delgado, encarregou-o do estudo de todos os terrenos mesozóicos de Portugal. Durante quatro décadas ofereceu à geologia portuguesa, então a dar os primeiros passos, o melhor do esforço e saber, que foi muito.
Como homem de ciência e como cidadão tornou-se um dos vultos mais assinalados no Portugal de finais do século XIX e inícios do século XX. A sua actividade científica está expressa em múltiplas memórias e comunicações publicadas pela respectiva instituição e em jornais e revistas da especialidade, nacionais e estrangeiros. Entre eles avultam quatro volumosas memórias: "Étude stratigraphique et paléontologique des terrains jurassiques du Portugal - Le Lias et te Dogger au Nord du Tage" (1880), "Recueil de Monographies stratigraphiques sur le système crétacique du Portugal - 1er. étude - Contrées de Cintra, de Bellas et de Lisbonne" (1885), "Récueil de Monographies Stratigraphiques sur le système Crétacique – 2ème. étude - Le Crétacique au Nord du Tage" (1890) e "Essai sur la Tectonique de la Chaîne de l'Arrabida" (1908), além de outros de menor desenvolvimento sobre estas temáticas, com destaque para o levantamento da Carta Tectónica de Portugal e um interessante estudo sobre as estruturas geológicas a que chamou vales tifónicos.
No conjunto dos seus trabalhos, Choffat estabeleceu a seriação estratigráfica dos terrenos mesozóicos do território português, descreveu a litologia e a fauna fóssil das diferentes assentadas e identificou as respectivas fácies. Propôs a criação do andar Lusitaniano para o conjunto estratigráfico Oxfordiano superior – Kimeridjiano, temporariamente aceite pelos seus pares. Definiu o andar que designou por Belasiano (termo entretanto caído em desuso), representado na região de Belas, nos arredores de Lisboa. Este andar de valor local constituído por margas e calcários com uma série siliciclástica na base, correspondente a parte do Cenomaniano. Deve-se-lhe ainda a separação entre o Trias e o Infralias.
O seu prestígio dentro e fora de Portugal foi muito o que levou alguns dos seus pares a homenageá-lo na nomenclatura paleontológica, com designações como Choffatella, um género de foraminífero, Choffatia, um género de amonite, Perisphinctes cf choffati, uma espécie de amonite, Callavia choffati, uma espécie de trilobire, entre outras.
Perisphinctes cf choffati
No sector da geologia aplicada, são dignos de referência o seu “Étude Geologique du Tunnel du Rocio” (1989) e vários estudos de hidrogeologia visando abastecimento de água a Lisboa, Guarda, Guimarães e outras localidades do país, e estudos sobre as águas minerais dos terrenos mesozóicos, registados como alguns dos melhores trabalhos neste domínio.
A cartografia geológica mereceu-lhe particular atenção. Assim, de colaboração com Nery Delgado, procedeu à actualização da Carta Geológica de Portugal, na escala de 1/500 000, publicada em 1899, em substituição da que fora publicada por Carlos Ribeiro e Nery Delgado, em 1876. Deve-se-lhe, ainda, a realização dos trabalhos de campo que levaram à produção de várias cartas geológicas regionais, em escalas de maior pormenor, como as das regiões de Lisboa, Cascais Sintra, Loures, Leiria, Arrábida, Buarcos-Verride e Montejunto.
Doutor honoris causa, em 1892, pela Universidade de Zurique, Paul Choffat foi condecorado, em 1892, com o grau de Comendador da Ordem de Isabel a Católica e, em 1896, com o grau de Comendador da Ordem de S. Thiago. Em 1900, a Sociedade Geológica de França concedeu-lhe, e pela primeira vez a um estrangeiro, uma das suas maiores recompensas, o prémio Viquesnel.
Pelo seu trabalho, Paul Choffat foi feito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, da Real Academia das Ciências de Madrid, da Sociedade Geológica de Londres e da Real Academia das Ciências e Artes de Barcelona, sócio honorário da Sociedade Belga de Geologia, Paleontologia e Hidrologia, e sócio do Instituto de Coimbra, da Academia das Ciências e Belas Artes de Besançon, da Real Sociedade Espanhola de Ciências Naturais de Madrid, da Sociedade de História Natural de Basileia, da Sociedade de Geografia de Genebra, da Sociedade de História Natural de Toulouse, da Associaçâo dos Engenheiros Civis Portugueses, da Sociedade de Geografia de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, da Sociedade Jurássica de Porrentruy (Suíça), da Sociedade de Física e Historia Natural de Genebra, da Sociedade Helvética de Ciências Naturais, da Sociedade de Química e História Natural de Zurique, da Sociedade Russa de Mineralogia e da Sociedade de Ciências Naturais de Lauzane.
A.M. Galopim de Carvalho
sábado, 19 de maio de 2012
No calor da cidade…
Um
artigo publicado pela revista Tree
Physiology revela que as árvores jovens crescem mais rapidamente no
interior de cidades do que fora delas, uma consequência do factor ilha de
calor urbano. Segundo este estudo as árvores plantadas em parques citadinos
podem crescer até oito vezes mais rápido do que as árvores plantadas em parques
florestais longe de cidades. Em cima uma fotografia de Nova Iorque vista do Central Park, o local citadino escolhido
para o estudo publicado pela Tree Physiology (Crédito: Fritz
Geller-Grimm).
O
efeito ilha de calor urbano ocorre em todas as grandes cidades e outros
centros urbanos. É provocado pelas cores escuras das estradas, outros
pavimentos e coberturas de prédios, que absorvem a energia solar e irradiam
calor. O calor irradiado por estas superfícies escuras faz aumentar a
temperatura média das cidades alguns graus celsius em relação aos campos em
redor. Na cidade de Lisboa, por exemplo, a temperatura média pode estar mais de
4.º C acima da temperatura das zonas não urbanas mais próximas.
Os
autores do estudo decidiram avaliar de que forma o efeito de ilha de calor
urbano de Nova Iorque afecta o crescimento do carvalho-americano (Quercus
rubra), uma espécie comum em parques desta cidade. O nome latino desta
árvore, Quercus rubra, que significa carvalho
vermelho em latim, deve-se ao facto de no Outono as folhas tomarem uma cor
vermelha. Para isso plantaram árvores de carvalho-americano em quatro zonas
diferentes do estado de Nova Iorque: no Central
Park (o maior parque de Nova Iorque), em duas zonas florestais da zona
suburbana do vale do rio Hudson (rio que desagua em Nova Iorque) e no
reservatório de Ashokan, situado a cerca de 160 km norte de Nova Iorque. Também
foram criadas árvores em laboratório, imitando as condições de cada um dos
locais escolhidos.
Após
menos de um ano de crescimento, as árvores apresentavam grandes diferenças
entre si. As árvores plantadas na cidade apresentavam oito vezes mais biomassa
(massa total da árvore) do que as árvores plantadas fora da cidade. Para além
disso as árvores da cidade detinham até dez vezes mais capacidade para realizar
fotossíntese (processo que permite às plantas produzir oxigénio e glicose a
partir de dióxido de carbono, sob acção da luz) porque tinham bastantes mais
folhas do que as outras.
A
análise das árvores que cresceram em laboratório permitiu confirmar que o
factor mais importante para a diferença de crescimento das árvores foi a
temperatura. As árvores que cresceram num ambiente com maior temperatura tinham
mais biomassa e maior número de folhas.
Pela
análise das árvores que cresceram em laboratório, os investigadores descobriram
ainda outro factor importante para o maior crescimento das árvores citadinas,
embora não tanto como a temperatura. E por incrível que pareça esse factor é a
poluição do ar! Sob o efeito da luz solar e das temperaturas mais elevadas da
cidade os gases e poeiras libertados pela queima de combustíveis feita por
carros (e não só!) reagem entre si, levando à formação de “espécies de azoto”
que funcionam como fertilizante das árvores citadinas.
Nova
Iorque tem cerca de 5,2 milhões de árvores, das quais 25 000 só no Central Park. Os resultados apresentados
por este estudo auguram um bom futuro para as árvores de Nova Iorque e para as
árvores de todas as cidades do Mundo, o que são boas notícias numa altura em
que o número e o tamanho das cidades no Mundo estão a aumentar.
Margarida Milheiro
Margarida Milheiro
Nota:
Texto adaptado do original, que pode ser encontrado
no blog “Ema não é uma avestruz”, escrito sob o pseudónimo de Rita Robalo
Sobreiro.
Avaliação: funções e práticas 4 — os riscos (sem limite de palavras) ou "The Rump Steak Strikes Back"
Novo texto do professor António Mouzinho:
É sempre uma boa surpresa passar ao texto
«de apoio» seguinte: tal como um programa de televisão que é seguido,
religiosamente, por ódio de estimação, assim se abre, a salivar, de olhos
fixos, injetados de sangue, e um rosnar cavo — o texto de apoio desconhecido…
Nunca os autores desta forma curiosa de
entretenimento que é «Avaliação: funções e práticas» nos deixam desapontados.
Vejamos o novo textozinho, intitulado «Explicitação
de Critérios — exigência fundamental de uma avaliação
ao serviço
da aprendizagem»:
É redigido por dois senhores que não conheço:
João Barbosa e Vítor Alaiz, sob coordenação de outro meu desconhecido: Carlos
Cardoso. Bem. Como sou gente ignorante, isto não é crítica. É facto.
Avaliação ao serviço da aprendizagem? Muito bem,
também.
O conteúdo, agora… e a revelação! Como em casos
anteriores, os professores — que nós somos — são tratados como imbecis sem
leituras, nem experiência. Bom: começo a perceber que é uma tipologia de
abordagem (um paradigma, como diriam alguns que apanharam a Semiologia em 3.ª
ou 8.ª geração). Visa, possivelmente, um amasso prévio, no sentido de tornar a
matéria mais permeável aos bons fluidos. Como aqueles bifes que levam umas
marretadas antes de passar à frigideira.
Depois, começa o discurso peculiar do costume.
Cito:
A avaliação escolar tem sido dominada pelo ideal da
medição objectiva. Nesta perspectiva pressupõe-se que é possível quantificar
com rigor as aprendizagens realizadas. Para tal basta, utilizando rigorosos
instrumentos de medida, comparar, no final de um período de aprendizagem, mais
ou menos longo, os produtos obtidos pelos alunos (em geral resultados de provas
ou de testes de papel e lápis) com os objectivos previamente definidos.
Assim entendida, a avaliação realiza-se apenas em
determinados momentos de balanço, é pontual e acaba por constituir um interregno
nas actividades de ensino-aprendizagem sem nelas se integrar.
Mas esta perspectiva tem vindo a ser posta em causa,
fundamentalmente a partir de duas objecções:
- a de que se preocupa mais com a hierarquização e
selecção dos alunos do que com o que eles efectivamente aprendem;
- a de não permitir uma intervenção sistemática no sentido
de melhorar as aprendizagens enquanto elas ocorrem (ou não ocorrem).
Tais objecções podem resumir-se numa só: quando
orientada pelo paradigma da medida, a avaliação não está ao serviço da
aprendizagem.
Pim!, diria o Almada.
Como é de calcular, o discurso segue no mesmo
tom, digno de metodólogo de sobrolho franzido para estagiário desmazelado.
Pensei eu (que, sublinho, sou de facto gente
ignorante): então e estes senhores, que escreveram isto em 1994, não terão
mudado de ideias? Não terão aprendido mais nada? E jogando com Leonor Santos (another
player… same
paradigm, como diria o poeta da moda), será o Hadji 92 muito melhor, ou pior, que o
Hadji 97? E o novo Barca-Velha 2004, virá como?
Será que ninguém que usou estes textos com
alguns anitos (penso, porque o de Leonor Santos não vem datado, apenas se
tropeçando num Jorro 2000 que nos deixa reverentes) se deu ao trabalho de rever
velhos conceitos?
Será que ninguém refrescou ideias sobre Promoção da Aprendizagem Através dos Testes?
Será que ninguém ouviu falar de Instrução
Direta versus Aprendizagem por
Descoberta? Será que alguém se dá ao trabalho de olhar para o lado? Será
que alguém com este tipo de atitude está em posição de amassar bifes?
Não quero irritar pessoas com listagens
bibliográficas fastidiosas: cito duas pequenas mas sumarentas publicações, e
quem quiser que mergulhe nas extensas bibliografias que aí surgem: são algo
como resumos de duas conferências da Fundação Francisco Manuel dos Santos
(FFMS), de 2011: Em causa: aprender a
aprender — Porto: Porto Editora, 2011; O
valor do ensino experimental — Porto: Porto Editora, 2011.
Interessantíssimas comunicações, entretanto, as de Paula Carneiro, da Faculdade
de Psicologia da Universidade de Lisboa e David Klahr, da Universidade de
Carnegie Mellon, cujos temas citei no parágrafo anterior: têm aplicação muito
direta a todas as observações precedentes.
Será que os bifes ficam quietos e não ripostam?
Ou se fosse filme, seria "The Rumpsteak Strikes Back"?
António Mouzinho
Depoimento de um Aluno da ex-Escola Industrial e Comercial da Figueira da Foz
Na imagem: fachada da antiga Escola
Industrial e Comercial da Figueira da Foz, actual Escola Secundária Dr.
Bernardino Machado.
“Há diplomas universitários para procuradores,
diplomas para músicos, diplomas para pintores, diplomas para técnicos de
máquinas, diplomas para guarda-livros, diplomas para toda a gente que não é
nenhuma destas coisas, diplomas que dão o direito a usar uma palavrinha antes
do nome, embora não obriguem a saber fazer coisa alguma” (António José Saraiva, 1917-1993).
A
temática por mim abordada neste blogue, “Cursos Técnicos X Bobagens Académicas”
(15/05/2012), merece ser enriquecida com a carta de um leitor ao “Diário de
Coimbra”, em apoio a um meu artigo de opinião também aí publicado,
intitulado “A morte do ensino técnico“ (14/01/2007). Por essa carta, “SOS para o ensino
escolar” (18/01/2007), assinada por António Brandão Faria, da Figueira da Foz,
ser credora, igualmente, de um agradecimento, ainda que tardio, aqui a
transcrevo:
“Há dias passou-me pelos olhos um artigo no ‘Diário de Coimbra’ e vejo-me na obrigação de dizer ao seu autor: Obrigado pela clarividência do artigo e que os responsáveis pelo ensino deste país aproveitem e dele tirem ilações.É que eu passei pela Antiga Escola Comercial e Industrial da Figueira da Foz nos anos de 39 a 1942 e sinto dentro de mim a realidade desse precioso artigo. Custa dizer certas verdades, mas elas têm que ser ditas, doa a quem doer.Foi uma das muitas asneiras do 25 de Abril acabarem com o verdadeiro ensino praticado nas Escolas Comerciais e Industriais [em acto de justiça e ressalva minha, a extinção do antigo ensino técnico deu-se anteriormente a 25 de Abril, durante o consulado de Veiga Simão à frente do então Ministério da Educação], pois, verdadeiramente, saíram de lá electricistas, carpinteiros, pintores de arte, serralheiros, pintores para a construção civil, técnicos competentes para no futuro estarem à frente de escritórios de pequenas e grandes empresas, acabando até em Mestres e Professores.Agora o ensino é outro, só se fazem engenheiros, doutores, administradores, consultores, gestores, etc., para, ao fim e ao cabo, alguns nem categoria e competência terem para os lugares que ocupam (mas também há algumas excepções). Pena é que, ao passarem-lhe o papel para exercerem essas responsabilidades, não haja a coragem de verem se há ou não competência para ocuparem certos lugares. Estas são algumas verdades que custam a engolir e são razões para se compreender a razão do nosso país estar, como está, último na Europa e quase no mundo.(…) Olhem, afinal, procurei e vi que o artigo é do dia 14/01/07, Domingo, valendo a pena ler e meditar no mesmo. Mais uma vez obrigado e parabéns ao seu autor”.
Esta carta
prova que o Portugal do nosso tempo ainda se não libertou de uma situação que
António José Saraiva - segundo José Mattoso, “um dos
espíritos mais brilhantes da cultura portuguesa contemporânea” – teve
como “A Diplomocracia”, em título de artigo de opinião (“Diário de Notícias”,
31/08/1979). Com grande pesar meu e prejuízo para os leitores,
lamento não ser esta peça literária transcrita na íntegra, devido à sua
extensão, dela extraindo, portanto, alguns nacos de uma suculenta
crítica social. Assim:
“Portugal vive há séculos na superstição da palavra ‘doutor’. Já desde os fins da Idade Média o título de licenciado dava direito a carta de nobreza, e com a decadência dos títulos nobiliárquicos valorizou-se o diploma universitário. As famílias remediadas por essas aldeias sacrificavam-se para ter um filho ‘doutor’, mesmo que não fizesse nada senão viver dos rendimentos. Os ‘doutores’ no Parlamento e na administração eram os agentes da burguesia rural, camada dirigente do País.Criou-se desta maneira uma hierarquização do País entre ‘doutores’ e não ‘doutores’, entre os portugueses com voz activa e os portugueses com voz passiva. E pela tendência geral das sociedades democráticas os da segunda categoria passaram a querer pertencer à primeira. Não para ter mais conhecimento ou para serem mais esclarecidos mas para não serem menos do que os outros, Não é a igualdade da cultura que se busca, mas a igualdade de estatuto, através da posse do diploma.(…) Todo o indivíduo, desde que tenha a qualificação oficial competente, pode passar um diploma. É só rabiscar e estampar um selo branco. Criem-se institutos universitários compostos por um chefe, um oficial de secretaria e um contínuo. Em rigor todos os administradores de concelho, e até mesmo todos os regedores de freguesia, estão habilitados a passar títulos de doutor, visto que se trata de uma questão de estatuto social e não de estudos.(…) É um facto que o diploma é uma instituição que fundamentalmente serve para dividir os portugueses em cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. Quanto à outra função de preparar para certos cargos, essa é apenas um pretexto. Com um pouco de orientação familiar, protecção do clã e ausência de personalidade, todo o indivíduo sem aptidões específicas chega a possuir um diploma. De onde resulta que o exercício de qualquer actividade não supõe qualquer aptidão específica, mas a posse de um papel administrativo que se obtém com um certo ritual. Do ponto de vista do antropólogo, o processo de obtenção do diploma é o rito de iniciação das sociedades modernas, mas esse rito é o que menos qualidades exige. Apagamento, passividade, falta de curiosidade viva, conformismo e por vezes um certo oportunismo são as qualidades que asseguram o sucesso académico”.
Sem pretender
forçar a nota, encontram-se aqui bem retratadas as actuais “Novas
Oportunidades” por mim crismadas, em artigos de jornais e posts neste
blogue, de “Novos Oportunismos”. Acontece que, em contrapartida digna do maior
louvor, esforçados autodidactas (não aqueles definidos, pelo escritor e poeta
brasileiro Mário Quintana, como ignorantes por conta própria), vultos enormes
da cultura portuguesa, como os historiadores Alexandre Herculano e
Oliveira Martins e o distinto linguista Francisco Adolfo Coelho, não eram
portadores de diplomas de estudos superiores. De entre os
romancistas de renome, enuncio os nomes de Ferreira de Castro, o festejado
autor de “A Selva”, apenas tendo com habilitação a 4.ª classe do ensino
primário, e José Saramago, diplomado com o antigo
curso industrial, o que os não impediu da lei da morte se
libertarem, em paráfrase de “Os Lusíadas”.
Mas
voltando a António José Saraiva, o seu texto foi profético, embora Mark Twain
nos tenha dito que “a profecia é algo muito difícil, especialmente em
relação ao futuro”, para com o que hoje se passa em alguns cursos
universitários privados que vendem diplomas de licenciatura
com a intenção de atribuir um estatuto social que, por vezes, e por
si só, os elevados cargos políticos não garantem sem este “brasão”
de intelectual, ostentado por quem o merece e quem não o
merece, e atribuido a quem o não é, mas que convém que seja ainda que o não
seja! Desta forma, criaram-se universidades privadas
a granel que são um verdadeiro escândalo pela ausência de qualidade
e idoneidade (por o vistoso rótulo não corresponder, nem de perto, nem de
longe, por exemplo, aos antigos cursos de nível médio dos Institutos
Industriais e Comerciais). Escândalo que salta para a opinião publica,por vezes,
por os poderes políticos não poderem ignorar essas “licenciaturas”
que continuam a constar de currículos ocultados do conhecimento público por
políticos nacionais que, de um dia para o outro, aparecem licenciados por
instituições superiores (?) portuguesas ou estrangeiras, como escreveu alguém,
de vão de escada.
Ipso facto, não me canso de enaltecer, ainda que de forma
que não presta verdadeira justiça, o ensino ministrado nas antigas escolas
industriais e comerciais portuguesas que, para além de um necessário suporte
teórico, “ensinava os alunos a fazer”. Durante os vários anos que a memória me
consente, fui testemunha de um eficiente ensino industrial, em que iniciei a
minha docência em Lourenço Marques, tendo-o de muita saudade, depois
de ter vindo para Portugal, após a Independência de Moçambique, em
docência quer no então ensino liceal de Coimbra, quer na
Universidade do Porto e na Universidade de Coimbra.
Querer fazer
cair no esquecimento ou, pior do que isso, comparar o antigo ensino técnico
teórico-prático, realizado em escolas próprias, com o actual ensino técnico
livresco, realizado em escolas do ensino secundário (sem oficinas devidamente
apetrechadas que o suportem), é campanha que repudio. Aliás como o próprio Pais
a deve repudiar numa altura em que Portugal se encontra privado de mão-de-obra
devidamente credenciada em “know-how” para um necessário desenvolvimento social
e económico das suas fronteiras.
Por outro lado, a saída hoje para o estrangeiro da sua juventude com maior escolaridade, por não encontrar emprego no próprio país, não pode ser encarada com optimismo quando em tempos anteriores a 25 de Abril era tida como solução reprovável por parte da política de emigração do Estado Novo. Como escreveu Eça, de minha visitação constante, “em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre”.
Por outro lado, a saída hoje para o estrangeiro da sua juventude com maior escolaridade, por não encontrar emprego no próprio país, não pode ser encarada com optimismo quando em tempos anteriores a 25 de Abril era tida como solução reprovável por parte da política de emigração do Estado Novo. Como escreveu Eça, de minha visitação constante, “em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre”.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
E SE VOLTÁSSEMOS À DOCIMOLOGIA, OU SEJA, À CIÊNCIA DOS EXAMES?
Em texto que antes publiquei sobre a infindável tragicomédia em que se tornou a classificação dos exames nacionais, disse que ela não se d...
-
A falácia do espantalho , uma das mais utilizadas pelos que que não conseguem sequer compreender os temas em debate, basicamente consiste em...
-
Perguntaram-me da revista Visão Júnior: "Porque é que o lume é azul? Gostava mesmo de saber porque, quando a minha mãe está a cozinh...
-
Na Antiguidade, entre os Gregos e os Romanos, as máscaras eram utilizadas no teatro e serviam para caracterizar a personagem que ali se que...
















