sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ainda a fuga de cérebros

A TVI24 também deu destaque aos meus comentários à Lusa sobre o Orçamento de Estado. Transcrevo do sítio desse canal televisivo:

O físico Carlos Fiolhais, da Universidade de Coimbra, está preocupado: com os cortes previstos no Orçamento do Estado para 2012, «há o perigo de alguns jovens cérebros brilhantes se sentirem tentados a ir para fora de fronteiras e, pior do que isso, a lá ficar. Para eles poderia ser bom, mas era mau para nós».

Ou seja, aos jovens «a quem demos bolsas, temos de lher dar vida. Não basta dar-lhes apenas uma bolsa, mas temos de lhes dar também a possibilidade de ascenderem à cátedra e criarem os seus grupos de investigação dentro da universidade».

O docente defende maior ligação da ciência à universidade e, dentro desta, maiores oportunidades para os investigadores. E defende a «ligação dos jovens talentos à economia. É preciso que os jovens brilhantes na investigação vão também para as empresas. E é preciso que as empresas percebam que tem ali também uma maneira de asssegurar o futuro». Os agentes económicos devem deixar de «ver apenas a curto prazo» e porem os jovens com alta formação nas empresas «a fazer o futuro», acrescenta à Lusa.

Para Fiolhais a esperança está na a criação uma base de dados que espelhe a «diáspora científica» e que «jogue a nosso favor», no sentido de assegurar que talentos que preferiram fixar-se noutros países continuem a colaborar com Portugal e o seu tecido científico e empresarial.

O reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, afina pelo mesmo diapasão e também ele receia que os cortes possam levar à fuga dos «melhores» e deixa apelo aos cientistas e investigadores para que fiquem «a ajudar a desenvolver o país».

Marques dos Santos entende que, actualmente, «não se pode pensar no que o Estado pode fazer por nós, mas no que podemos nós fazer pelo Estado».

Menos pessimista, o director executivo do Health Cluster Portugal (HCP), Joaquim Cunha, desdramatiza uma eventual fuga de cérebros do país por causa dos cortes orçamentais, desde que essa «fuga» seja compensada.

«Não faz mal que saiam e que regressem mais tarde desde que outros venham ter connosco. Quer em termos de Ciência, quer em termos de Economia estamos num mundo global, daí que acho que não faz mal nenhum as pessoas hoje estarem a trabalhar na Holanda, nos Estados Unidos ou na Alemanha».

O tecto para as despesas na saúde

Embora não goste, alturas há em que tenho de transcrever posts já aqui publicados, quanto mais não seja para avivar a memória de todos, incluindo a dos governantes. Reproduzo, ligeiramente adaptado, parte do meu post Um tecto para as despesas de saúde? de 15/03/2010, na altura em que o PEC já incluía medidas desse tipo, que agora se estão a agravar. Revejo-me nas palavras de Eça: “Deixemos no bengaleiro a nossa perpétua inclinação nacional de escutar odes – e entremos só com a tendência humana de resolver problemas":

"Em declarada crise económica que assola grande parte do planeta e num pequeno país como Portugal, em que há um evidente desequilíbrio entre as despesas públicas e as receitas fiscais, tomam-se medidas de desenrascanço de apertar o cinto que pouco afectam quem usa suspensórios!

Desta forma, em vez de se cortarem em esbanjamento de dinheiros públicos (finalmente e pelos vistos, pelo menos o TGV e o Aeroporto de Alcochete parecem estar em banho-maria) tenta-se cortar em despesas com pouco significado positivo para os cofres estatais e muita expressão negativa no que diz respeito à justiça social.

(...) Actualmente são deduzidos para efeitos de IRS 30% das despesas feitas nas farmácias com determinados medicamentos. Ou seja, quem tem uma saúde de ferro beneficia do dom precioso em não gastar um cêntimo em medicamentos. Por outro lado, quem tem uma saúde frágil que anda associada, frequentemente, a achaques da velhice, como sejam, por exemplo, para não falar de outras graves bem mais graves, doenças do foro reumatismal, em que, para apaziguar dores insuportáveis, o paciente é obrigado a encharcar-se em analgésicos, gastando quantias que fazem perigar, ainda mais, o seu periclitante equilíbrio financeiro em busca de uma dignidade humana que não se curve amparada por uma bengala para não abdicar da sua ascendência bípede de milhões de anos.

A ser levada a medida de cortar nas deduções para efeitos de saúde, um doente de magros ou remediados cabedais de vencimento ou esquálida reforma que, porventura, tenha uma gripe ao atingir o referido tecto terá que deitar contas à vida e pedir a Deus para que uma possível pneumonia não lhe bata à porta na pior altura. Ou, nessa infelicidade, empenhar os anéis para ficar com os dedos, ou mesmo sem os anéis e os dedos, como se a própria vida 'não fosse o último hábito que se quer perder porque é o primeiro que se toma", como escreveu Alexandre Dumas Filho'.

(...) Ir buscar umas migalhas no cotão de certos bolsos que a actual crise virou do avesso e não em ordenados escandalosos, sinecuras principescas e chorudas contas bancárias é o mesmo, como nos ensina a sabedoria popular, que "poupar no farelo para gastar na farinha", promovendo o desaparecimento de uma classe média com reformas que se degradam de ano para ano, necessitadas, como tal, de cuidados fiscais intensivos que lhes transmita e à economia portuguesa um novo e desejável alento para sair do pântano em que se encontram mergulhadas.

Num abreviar de razões, a solução deve ser procurada numa ainda mais apertada malha que taxe o cidadão com sinais exteriores de riqueza de quem "cabritos vende e cabras não tem", segundo os seus reais rendimentos e haveres e não sobre aquilo que ele dolosamente possa declarar serem os seus hipotéticos rendimentos e haveres. A isto, sim, chamar-se-ia, com toda a propriedade, justiça fiscal!"

Pelas razões atrás expostas, nunca, por nunca, baixar o tecto das despesas dos velhos reformados da classe média com a saúde para um terço do montante actual!

Majorana e o sindroma de Asperger

Visit msnbc.com for breaking news, world news, and news about the economy



Ontem, na apresentação que fiz em Coimbra do livro "O Grande Inquisidor" de João Magueijo, saído na Gradiva, um médico sugeriu que, como outros génios, ofísico Ettore Majorana pudesse ter o sindroma de Asperger. E mandou-me esta entrevista com um Nobel da Economia, Vernon Smith, que sofre (ou beneficia?) desse mal.

Maior valorização dos jovens talentos


Minha declarações à Lusa, difundidas pelo Correio da Manhã, TVI, etc.:

O físico Carlos Fiolhais defendeu hoje que Portugal pode travar a emigração de jovens talentos, dando-lhes a possibilidade de ascenderem à cátedra universitária e de ajudarem a inovar nas empresas.

Com os cortes previstos no Orçamento do Estado para 2012, "há o perigo de alguns jovens cérebros brilhantes se sentirem tentados a ir para fora de fronteiras e, pior do que isso, a lá ficar. Para eles poderia ser bom, mas era mau para nós", disse o físico à agência Lusa.

Para "contrariar activamente" a tendência de êxodo de jovens "a quem demos bolsas e temos de dar vida", o docente da Universidade de Coimbra defendeu maior ligação da ciência à universidade e, dentro desta, maiores oportunidades para os jovens "cérebros".

"Montou-se um sistema de ciência muito dinâmico nos últimos tempos, mas em grande parte ele está ao lado da universidade. É preciso pô-lo mais lá dentro. E contratar os jovens para a universidade, que tem um corpo docente que está a ficar envelhecido", afirmou Fiolhais.

"Não basta dar-lhes apenas uma bolsa, mas dar-lhes também a possibilidade de ascenderem à cátedra e criarem os seus grupos de investigação dentro da universidade", defendeu.

Para o físico, "ainda mais importante do que isso é a ligação dos jovens talentos à economia. É preciso que os jovens brilhantes na investigação vão também para as empresas. E é preciso que as empresas percebam que tem ali também uma maneira de assegurar o futuro".

O PAI DA PÍLULA EM PORTUGAL


Minha crónica publicada hoje no "Sol" (na foto Carl Djerassi):

A 28 de Outubro próximo a Universidade do Porto vai conceder a sua mais alta distinção científica – o doutoramento honoris causa – ao chamado “pai da pílula”: o bioquímico norte-americano Carl Djerassi, professor da Universidade de Stanford que, nos anos 50, efectuou a primeira síntese de um esteróide contraceptivo oral, a pílula.

Djerassi tem, porém, uma “segunda vida” como autor de peças de teatro científico, isto é, peças que recorrem a temas científicos. Já tinham sido representadas em Portugal as suas peças Esse espermatozóide é meu, no Teatro da Trindade, Lisboa, em 2004, e Oxigénio, no Teatro do Campo Alegre, pela Seiva Trupe, no Porto, em 2006, esta em co-autoria com o Nobel da Química Roald Hoffmann. Aproveitando a vinda do eminente cientista, estrearão em Portugal mais duas das suas peças: Falácia, de novo pela Seiva-Trupe, sobre as íntimas relações entre a arte e a química, e Cálculo, em Coimbra, pelo companhia Marionet, sobre a prioridade na invenção do cálculo infinitesimal disputada entre o inglês Isaac Newton e o alemão Gottfried Leibniz.

Em Cálculo, cuja tradução em português sairá em breve do prelo da Imprensa da Universidade de Coimbra, Djerassi serve-se da linguagem do teatro para nos dar conta não só da famosa controvérsia do tempo da Revolução Científica, mas também das perenes questões associadas ao carácter humano da ciência. A construção da ciência é um drama que se insere no grande drama humano no mundo. A personalidade de Newton dá ensejo, no palco, a um personagem que é ao mesmo tempo um génio e um vilão. Um grande génio, mas também um grande vilão, uma pessoa que, de forma inteligente, não hesita em escolher refinados meios para alcançar os seus pérfidos fins. Em particular, presidindo à Royal Society, a sociedade científica mais antiga do mundo em contínua actividade, não hesitou em nomear uma comissão internacional de sábios inteiramente controlada por ele e com trabalho em larga medida forjado por ele para corroborar a sua posição na polémica da invenção do cálculo. O pobre Leibniz, sem ser ter sido visto nem achado, acabou condenado como um reles plagiador. Quase não há matemática na peça. Não há nenhum cálculo. Mas há pessoas calculistas. Há questões pessoais, defeitos psicológicos, falhas éticas, males bem anteriores ao século das luzes e que permanecem actuais nos tempos de hoje.

Carl Djerassi, que é professor jubilado da Universidade de Stanford, confrontado com a ameaça de um cancro, resolveu a certa altura mudar de vida. De cientista passou a escritor, procurando como ele diz fazer “science-in-theatre”, isto é, colocar a ciência dentro da ficção: “Procuro contrabandear ciência na ficção para que as pessoas de divirtam e ao mesmo tempo aprendam”.

LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS NO CONGRESSO DE HISTÓRIA DA CIÊNCIA


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Vão ser lançados durante o Congresso Luso-Brasileiro de História das Ciências que decorrerá em Coimbra de 26 a 29 de Outubro próximo, dois livros recentemente produzidos com diversos parceiros pela Biblioteca Geral. O lançamento conjunto decorrerá pelas 16 horas do dia 28 de Outubro de 2011, no Auditório da Reitoria da Universidade.

O livro “Sócios portugueses da Royal Society” (bilingue português-inglês) foi generosamente patrocinado pela Agência Ciência Viva na sequência da exposição realizada na Biblioteca Joanina e que esteve patente com assinalável êxito até o passado 28 de Fevereiro. A sessão de lançamento é presidida pelo Director da Biblioteca Geral, Professor José Augusto Bernardes, e a apresentação da obra estará a cargo do Professor Carlos Fiolhais.

O segundo livro, já lançado e à venda no país-irmão desde Agosto, foi editado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro no âmbito de uma parceria entre as duas universidades intitulada “Brasiliana da Biblioteca Joanina”. É o primeiro de uma série e intitula-se “Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o padre inventor”. A colecção destina-se a divulgar algumas das fontes mais relevantes, inéditas ou pouco conhecidas, para a história do Brasil e conservadas em bibliotecas universitárias de Coimbra. A apresentação da obra estará a cargo de A. E. Maia do Amaral.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Era o presidente dum país

Morreu ontem um homem que era presidente duma república. Durante mais de quatro décadas esse homem foi visto de muitas maneiras, por último era visto como ditador. Não li as notícias, mas presumo que numa boa parte do mundo tenha acontecido o que era previsível que acontecesse quando morre um ditador, que se reconhe como tal: mostram-se repetidamente as imagens do cadáver, qual troféu, as pessoas alegram-se e vão para a rua festejar.

Mas, ainda há tão pouco tempo o mundo ocidental o aceitava como membro de pleno direito num organismo internacional de direitos humanos, o deixava montar a sua enormíssima e luxuosíssima tenda nos sítios mais nobres dos países que visitava, sorria com as suas “excentricidades”, entre as quais estava a guarda feminina que não o largava de vista, sempre muito bem maquilhada e arranjada. Chefes de estado e ministros recebiam-no com a pompa e circunstância que o seu cargo reclamava, posavam com ele para a fotografia num aperto-de-mão ou num abraço, sempre muito sorridentes. Fazia questão de falar em universidades, tinha público e era cumprimentado por académicos.

Nada de novo, nada de estranho. Em tantos casos recentes se passou assim.

Lançamento do livro DARWIN AOS TIROS E OUTRAS HISTÓRIAS DE CIÊNCIA



O livro DARWIN AOS TIROS E OUTRAS HISTÓRIAS DE CIÊNCIA, da autoria de dois também autores deste blogue (Carlos Fiolhais e David Marçal) e editado pela Gradiva, irá contar no seu lançamento com a actuação dos Cientistas de Pé, grupo de stand-up comedy com cientistas.

2 de Novembro de 2011
FNAC Colombo (Lisboa)

18h - Espectáculo dos Cientistas de Pé
19h - Apresentação do livro com a presença dos autores

Uma Tampa para cada Tacho e outros livros da Bizâncio


Informação sobre novos livros recebida da Bizâncio:

Título: Uma Tampa para cada Tacho. Conflitos Genéticos da Evolução
Autor: Francisco Dionísio
Colecção: Máquina do Mundo, 30
ISBN: 978-972-53-0490-7

Os conflitos genéticos explicam muitos factos banais do nosso dia-a-dia. Por exemplo, porque é que há sensivelmente tantos homens como mulheres? Será somente devido ao modo como os cromossomas sexuais X e Y se combinam? E o que dizer de outras espécies com diferentes modos de definir o sexo? Porque é que, frequentemente, também nestas espécies, a proporção de machos é semelhante à de fêmeas, e em particular durante o período fértil dos indivíduos dessas espécies? Outros factos também comuns na nossa vida requerem uma explicação. Por exemplo, porque é que, na nossa espécie, assistimos a tantos problemas durante a gravidez e nos partos? E, já agora, porque é que a poluição pode salvar a vida de bebés? Este livro aborda estes e outros temas que têm em comum o estabelecimento ou a resolução de conflitos ao nível dos genes.

Título: 7 Ideias Filosóficas que toda a gente Deveria Conhecer
Autor: Desidério Murcho
Colecção: Filosoficamente, 9
ISBN: 978-972-53-0495-2

«Penso, logo existo», «Só sei que nada sei»: estas são algumas das ideias filosóficas de que todos ouvimos falar, mas cujo significado e importância muitas vezes desconhecemos. Numa linguagem clara e directa, este livro esclarece o significado destas e de outras ideias filosóficas que mudaram a história do pensamento europeu. Integrando informação histórica e explicações pormenorizadas, eis um livro de filosofia que se lê como um romance e nos ajuda a reflectir em algumas das mais importantes ideias da Filosofia.

Título: Pátria Utópica. O Grupo de Genebra Revisitado
Autores: António Barreto/Ana Benavente/Eurico Figueiredo/José Medeiros Ferreira/Valentim Alexandre
ISBN: 978-972-53-0489-1

«Neste início de século e de milénio, depois de décadas de apagamento da memória histórica, é de difícil inteligência pelo comum dos mortais o mal-estar da juventude portuguesa nos anos 60. A ameaça da mobilização para a guerra colonial pairava como uma ave de mau auspício sobre os destinos individuais.» (in Prefácio, de Amadeu Lopes Sabino)

Para os autores deste livro a solução foi partir. António Barreto, por estar farto de viver aqui; Ana Benavente que se casara aos 18 anos, porque não queria que o marido fosse mobilizado para a guerra colonial; Eurico Figueiredo sabia que partir do Portugal salazarista estava «marcado nos astros» e era essencial para fugir à inevitável prisão; José Medeiros Ferreira, prestes a ser mobilizado, num dos processos mais «dramáticos e até dilemáticos» da sua vida; e, Valentim Alexandre porque crescentemente considerava estar do lado errado no conflito guineense. Fizeram de Genebra a sua Pátria, mas regressaram a Portugal depois do 25 de Abril e «deram à pátria de origem o que a pátria adotiva lhes emprestara: alguma ciência, a vontade de reformar não só a política mas também a sociedade, algumas esperanças, muitas desilusões[…]»

Título: Coisas Boas que não são pecado nem são proibidas e que não engordam
Autor: João Viegas
ISBN: 978-972-53-0493-8

Como cozinhar refeições saudáveis e saborosas e no final conseguir perder peso! Todos nós temos a tentação de associar cozinha saudável a dietas e a comida sensaborona… Quando pensamos em perder peso, por motivos de saúde ou de estética, imaginamos à nossa frente um futuro insonso de peixe grelhado e de saladas. E afinal a realidade pode ser completamente diferente desse cenário tão pessimista. Com este livro, despretensioso e de fácil leitura, pretendemos transmitir conhecimentos básicos que poderão transformar a sua alimentação diária numa fonte de prazer, de saúde, de sabor… e de baixas calorias! Para além das dezenas de receitas apresentadas, juntamos tabelas de calorias, dicas importantes que poderão fazer toda a diferença e uma selecção de produtos que deverá passar a estar sempre presente na sua alimentação do dia-a-dia. Não se esqueça do lema: Mais Sabor, mais Saúde… menos Peso!!!

Título: Natureza Íntima
Autor: João Cosme
ISBN: 978-972-53-0487-7

As maravilhas naturais de Portugal, ao longo das estações do ano, estão bem patentes nas fotografias de João Cosme nesta Natureza Íntima, selvagem, ímpar, que urge preservar. João Cosme, fotógrafo da natureza e da vida selvagem, amplamente premiado em concursos internacionais, apresenta neste livro imagens únicas da biodiversidade de Portugal. Um património de riqueza incalculável que podemos desfrutar e cuja conservação é obrigação de todos.

SOBRE AMATO LUSITANO (1511-1568)


Informação complementar recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Nasce João Rodrigues em 1511 em Castelo Branco no seio de uma família de origem judaica. Ao nome de família acrescenta, em 1536, Castelo Branco – ficando João Rodrigues de Castelo Branco – e adopta, tanto na profissão como nas letras, o pseudónimo de Amato Lusitano.

Humanista e erudito, aborda com grande curiosidade os assuntos médicos mais variados, da matéria médica à anatomia, sempre preocupado com a procura da verdade, qualquer que fosse o ramo dos conhecimentos. É considerado um dos nomes mais destacados da Renascença médica ao lado de grandes anatomistas como Vesálio, Sylvius, Eustáquio e Brasavola.

Estuda Medicina em Salamanca e, em 1529, regressa à pátria, na companhia do seu condiscípulo Luís Nunes. Durante cinco anos viaja pelo reino e aproveita a permanência em Portugal para, na Casa da Índia, examinar os simples e as drogas que os navegantes portugueses e venezianos trazem para a Europa oriundos das Índias Orientais e do Brasil.

Em 1534 parte para Antuérpia e, durante os sete anos em que ali reside, frequenta o jardim dos Franciscanos para estudar as plantas e a feitoria de Portugal, na Flandres, para ter acesso às plantas medicinais, germe de estudos incessantes que o levariam a escrever em 1536 o seu primeiro livro, Index Diosccorides, usando ainda o nome de João Rodrigues de Castelo Branco. Em 1553, passados 17 anos e vivendo o autor em Ancona, publica em Veneza a sua segunda obra de matéria médica In Dioscorides Enarrationes, considerada a sua obra de maturidade. É então que assume o pseudónimo de Amato Lusitano.

Em Itália para onde se desloca em 1541, fixa-se em Ferrara, não longe de Pádua, onde, a convite do Duque de Ferrara, aceita a docência naquela universidade, esplendor do ensino no Renascimento. Durante a sua estadia em Ferrara, frequenta os jardins de Marcos Pio e de Azzioli, mostra aos estudantes as plantas raras que neles se cultivavam e visita as farmácias de Nicolau Nicolucio e Thomas Lucense. Na corte do Duque Hércules d’Este, convive com grandes celebridades médicas como Hugo de Siena, Manardo e Brasavola. Como clínico desloca-se frequentemente a Roma, Florença e Veneza para tratar o Papa Júlio III, Diana d’Este, Cosme de Médicis, Diogo Furtado de Mendonça e André de Lencastre. Em 1541, começa a escrever as suas Curas Médicas, o seu grande tratado de clínica, que só seria concluído em Salónica em 1561. Durante os seis anos que permanece em Ferrara, onde realiza numerosos actos anatómicos, tem como assistente João Baptista Canano, que com ele descobre a circulação do sangue, descrevendo pela primeira vez as válvulas venosas em 1547.

Em 1547 transfere a sua residência para Ancona, destino de muitos judeus peninsulares perseguidos pela Inquisição, que encontram nesta cidade a protecção directa do Papa Júlio III. Porém, o clima de tolerância religiosa altera-se quando este Papa é substituído por Paulo IV (1555-1559) e o Santo Ofício alarga a sua acção. É o início das suas tribulações. Amato não escapa à perseguição da Inquisição que se apodera de todos os seus bens e haveres em Ancona, incluindo a 5.ª Centúria, que estava quase concluída, e os seus Comentários sobre a 4.ª Fen do Livro I de Avicena, cujo texto havia sido fielmente traduzido por Jacob Mantino, e cuidadosamente revisto por Amato, uma perda que ele muito lamentará. Parte apressadamente de Ancona, para Pesaro, e daqui para Ragusa (hoje Dubrovnik, na Croácia), do outro lado do Adriático, em 1556.

Em Maio de 1559 dirige-se para Salónica, onde parece ter sido nomeado médico do Grão Turco. É nessa cidade, hoje na Grécia, que passa os últimos anos da sua vida. A sua actividade científica não enfraquece, visto que é ali que conclui as três últimas Centúrias e o seu famoso Juramento, datado de 1561. Falece a 21 de Janeiro de 1568, vítima de peste.

Amato Lusitano e a Renascença Médica


Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:

Está patente na Biblioteca Joanina, de 15 de Outubro a 30 de Dezembro, a exposição “Amato Lusitano e a Renascença Médica”. No ano em que se comemoram os 500 anos do nascimento do ilustre médico português João Rodrigues de Castelo Branco, que na Europa da sua época ficou conhecido como Amato Lusitano, pretendemos evocar a sua vida e obra através dos trabalhos científicos que nos legou. A botânica e a anatomia foram as áreas de conhecimento privilegiadas nos seus estudos, que fomentaram a Renascença Médica do século XVI.

Reúnem-se edições das Enarrationes (Lyon, 1558) e das Centúrias médicas, a terceira, a quarta (Lyon, 1565), e a sétima (Veneza, 1566) , para além da edição póstuma que reúne as sete Centúrias (Bordéus, 1620), marcos de uma obra que, no seu conjunto, granjeou fama ao autor.

As obras de outros médicos da época, como André de Laguna, Pietro Andrea Mattioli e Garcia de Orta, ilustram várias questões da matéria médica peninsular e oriental e a controvérsia gerada nalguns casos.

A Renascença Médica, em particular anatómica, está representada por Amato Lusitano, Vesálio, Falópio, Acquapendente, Eustáquio e Guevara em edições produzidas nos mais importantes centros europeus ao longo do século XVI. Em particular, mostra-se o livro de Vesálio, recentemente restaurado, a Fábrica do Corpo Humano, de 1543.

Amato Lusitano viveu em várias cidades europeias ao longo da sua vida. Destaca-se na exposição o Itinerário do médico que trabalhou em diáspora de forma árdua, como o próprio tão bem ilustrou no seu famoso Juramento:

“Fui sempre diligente no estudo e por tal forma que nenhuma ocupação ou circunstância, por mais urgente que fosse, me desviou da leitura dos bons autores; nem o prejuízo dos interesses particulares, nem as viagens por mar, nem as minhas frequentes deambulações por terra, nem por fim o próprio exílio, me abalaram a alma, como convém ao homem sábio (…) os meus livros de medicina nunca os publiquei com outra ambição que não fosse contribuir de qualquer modo para a saúde da humanidade”.

Exposição | 15 de Outubro a 30 de Dezembro | Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra

Horário: 9:30 – 19:00

As Ciências Geofísicas em Coimbra


Antecipo um pequeno excerto de um artigo sobre a Física na Universidade de Coimbra (UC) no século XX que escrevi com A. J. Leonardo e D. Martins e que sairá em breve na "Gazeta da Física":

"Desde a fundação do Observatório Meteorológico e Magnético, ocorrida em 1863, que as ciências geofísicas passaram a assumir relevo na Faculdade de Filosofia da UC. As observações meteorológicas e magnéticas, publicadas anualmente, eram partilhadas com várias dezenas de instituições nacionais e internacionais. António Santos Viegas tomou posse do lugar de director daquele Observatório em 1880, mantendo-se nesse lugar até à sua morte. Um foco de intervenção de António Santos Viegas, (1835–1914), um professor que trabalhou na UC ao longo de mais de cinco décadas, tendo chegado a ser Reitor, foi a aquisição de novos instrumentos, não apenas para a meteorologia mas também para as determinações geomagnéticas e sismológicas. Nesta última área, Santos Viegas foi pioneiro a nível nacional.

Os primeiros registos sismológicos efectuados em Portugal tiveram lugar em Coimbra, tendo sido adquirido um primeiro sismógrafo ainda em 1891. Em 1903 foi montado um pêndulo horizontal de Milne, tendo sido logo iniciadas as primeiras observações, cujo principal responsável foi Egas Fernandes Cardoso e Castro (1885-?), um jovem bacharel da UC. Egas e Castro publicou, em 1909, um estudo sismológico no qual calculou a profundidade do hipocentro do sismo que afectou Benavente em 23 de Abril de 1909. A sua actividade em Coimbra foi, contudo, efémera, visto que se transferiu, nesse mesmo ano, para o Serviço Meteorológico dos Açores por falta de vaga no Observatório coimbrão.

No início do século XX assistiu-se a uma “decadência acentuada” dos trabalhos nos observatórios meteorológicos de Coimbra, Porto e Lisboa, devido principalmente a dissidências internas, falta de apoio financeiro e carência de pessoal técnico. Na sequência da morte de Santos Viegas, Anselmo Ferraz de Carvalho (1878–1955) foi nomeado em 1914 director do OMM. Servindo-se de uma vasta colecção de dados meteorológicos, ele publicou, em 1922, um resumo das observações feitas no OMM da UC desde 1866, que intitulou Clima de Coimbra, onde se encontra uma análise pormenorizada dos dados recolhidos de 1866 a 1916.

Foi a convite de Ferraz de Carvalho que, em 23 de Maio de 1927, o meteorologista norueguês Jacob Bjerknes, da famosa Escola de Bergen, realizou em Coimbra uma conferência onde apontou o papel de Portugal na aplicação dos novos métodos de previsão meteorológica. Após descrever a aplicação do método norueguês na previsão do tempo, baseado na teoria da frente polar, defendeu a criação de uma estação meteorológica internacional nos Açores, proposta que viria a ser concretizada dois anos depois.

Em 1946, o Instituto Geofísico da UC (designação adoptada pelo Observatório Meteorológico em 1925) foi integrado no Serviço Meteorológico Nacional."

Na Figura: Santos Viegas e colaboradores no Observatório Magnético e Meteorológico de Coimbra por volta de 1914.

HUMOR - CÉLULAS ESTAMINAIS 3


Ainda a proibição da investigação com células estaminais nos Estados Unidos.

HUMOR - CÉLULAS ESTAMINAIS 2

Sobre a proibição nos Estados Unidos da investigação com células estaminais

HUMOR - CÉLULAS ESTAMINAIS 1

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

REGRESSA CAFÉ, LIVROS E CIÊNCIA


Amanhã, das 18 h às 19h, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho (situado no rés do chão do Departamento de Física da Universidade de Coimbra) regressa o ciclo "Café, Livros e Ciência", onde se apresentam livros de ciência à volta de um café, num ambiente informal. Amanhã falarei sobre o recente livro de João Magueijo, "O Grande Inquisidor", saído na Gradiva. O ciclo é uma iniciativa conjunta do referido Centro, do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra e da Fábrica Ciência Viva, ligada à Universidade de Aveiro.

A CIÊNCIA EM PORTUGAL: PASSADO E FUTURO

No dia 26 de Novembro, integrado nos Encontros do Outono organizados pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (este ano dedicada ao tema "A política dos melhoramentos materiais em Portugal: da Regeneração ao Século XXI"), farei uma intervenção com o título de cima e este resumo:

A ciência em Portugal conheceu períodos de luz e de sombra, por vezes de muita luz quando o país esteve mais em contacto com o resto do mundo e sombra quando o país permaneceu mais isolado. Três períodos de maior fulgor se destacam: a ciência no tempo dos Descobrimentos, de algum modo percursora da Revolução Científica, associada a nomes como Pedro Nunes, Garcia da Orta e D. João de Castro: a ciência no tempo do Iluminismo, no tempo dos "estrangeirados", que beneficiou de intercâmbios com o exterior nos reinados de D. João V e D. José, que culminaram em 1772 com a Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra; e, finalmente, a época contemporânea, após a adesão de Portugal à União Europeia, que permitiu a canalização de fundos para um espectacular crescimento da ciência e da tecnologia.

Demos um grande salto nos últimos anos, como mostram os indicadores internacionais: investimento, número de investigadores e publicações científicas. Actualmente, a ciência nacional está ainda numa fase de afirmação expansiva, embora pairem receios sobre a sustentabilidade do crescimento num período de contracção financeira. Debilidades visíveis são ainda a articulação do sistema científico com as universidades, a ligação com as empresas e a economia, para não falar das deficiências visíveis no ensino das ciências no básico e secundário. Mas um ponto forte é, decerto, a quantidade e qualidade dos nossos recursos humanos na área, alguns dos quais se sentem atraídos por propostas fora de fronteiras.

O futuro do país, na sociedade do conhecimento, passa decisivamente pela continuação da aposta que tem feito na ciência. Basta olhar para os países mais desenvolvidos para reparar que são precisamente aqueles que têm maiores e melhores sistemas de ciência e tecnologia aqueles que apresentam maiores índices de riqueza. Se queremos ser ricos, não podemos desistir de querer ser sábios.

REFERÊNCIAS:

- C. Fiolhais e D. Martins, "Breve História da Ciência em Portugal", Gradiva e Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010
- C. Fiolhais, "A Ciência em Portugal", Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2010.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

SÁBADOS COM CIÊNCIA




1ª sessão de muitas que virão a decorrer ao terceiro sábado de cada mês, no auditório da livraria Bertrand, sita no Dolce Vita, em Coimbra. Conversas com e sobre ciência, dinamizadas e moderadas por António Piedade. Dirigidas a todos. Apareçam e Enriqueçam.

FILME "CONTÁGIO"



E este é o trailer do filme "Contágio" em exibição nas salas portuguesas.

Contágio no Cais do Sodré

Um cartaz do filme "Contágio" que é um painel vivo feito com microrganismos. Foi feito por investigadores do ITQB (Universidade Novas de Lisboa) e IBET. Pode ser visto ao vivo na estação de Metro do Cais do Sodré, em Lisboa.

O filme promocional da WarnerBros com o cartaz vivo:


A reportagem do sapo, com entrevista à artista residente do ITQB, Patrícia Noronha:



A OPOSIÇÃO COMO CONDIÇÃO DE REGRESSO DA ESPERANÇA

Após ter explorado alguma informação para escrever o texto anterior, que, devo dizer, me impressionou pela linearidade, pela falta de aprofu...