Yannick Haenel, agora escritor, entre outras funções ligadas à literatura, foi professor durante 17 anos em escolas francesas onde o trabalho estava longe de ser fácil.
Essa experiência, sobre a qual se passaram os anos suficientes para ser demoradamente pensada, foi convertida num romance sobre a condição docente. A partir do olhar de um jovem professor de francês, em concreto, de um professor estagiário, explora a "graça do encontro" - na expressão de Gusdorf - entre professor e alunos.
O romance tem por título La Solitude des Professeurs est Infinie, foi publicado pela Gallimard e ganhou o Prémio Femina, na sua edicão mais recente.
Não o li ainda, mas, por certo, irei lê-lo, não exactamente por causa do prémio, mas por causa da tónica que coloca no essencial da educação escolar, ou seja, nesse encontro mediado pelo conhecimento e pela palavra. É um exercício muito necessário quando o discurso prevalecente nos empurra para o distanciamento pedagógico e para secundarização do ensino. Vale a pena ouvir Yannick Haenel:
2 comentários:
é uma profissão como qualquer outra a solidão dos mineiros é infinita também podia ser o título
A desvalorização do ensino deve-se em grande parte à desmotivação de alunos e encarregados de educação, que dão por adquirido o sucesso escolar fácil, garantido a todos pelo ministério da educação. Com um cenário distópico como este, a maioria dos professores demite-se da sua função de ensinar, dado que é o próprio ministério da educação que os aconselha a lecionar o mínimo dos mínimos, para que todos sejam aprovados e a percentagem de pessoas bem qualificadas no país cresça. Depois vem a indisciplina e a violência que fazem com que os professores se sintam isolados no papel de palhaços que não lhes devia pertencer.
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