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segunda-feira, 18 de julho de 2011

VIVA O JORGE LIMA BARRETO !


Texto chegado a este blogue do poeta E. M. de Melo e Castro sobre a morte do músico Jorge Lima Barreto:

A MORTE DOI, MAS ALIVIA, MAS DOI E NADA FICA NA MESMA!

No entanto, oh! Jorge, não era preciso ir tão longe ... não tinhas apoios, mas em Portugal quem os tem? Sinto por mim, que não tinhas o direito de morrer... pelo menos por enquanto... porque a todos nos tocará a HORA. Não tinhas esse direito porque neste momento quem é válido e grande excede as fronteiras do país, seja de que modo for. Portugal fica um deserto, e no deserto nem as lágrimas medram. – Uma merda !

Se estavas só, tu sabias muito bem que todos estamos sós e esquecidos, a olharmos uns para os outros, uns tantos muito poucos, cada vez menos, a resistir ao desgaste que a mediocridade do tempo e das pseudo-pessoas-circulantes nos querem impor... Mas enganam-se porque o poder que julgam deter é ainda mais estúpido que elas!

Sei muito bem que a morte é uma forma de resistência. Mas aos que ainda não chegamos lá, compete-nos VIVER !

Viver com a tua música nos olhos !

E.M. de Melo e Castro
15 de julho de 2011 / São Paulo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

UMA VEDETA HOLOGRAMÁTICA



Agora que chegou a época dos festivais de Verão não resisto a colocar aqui um clip de um concerto de uma vedeta pop japonesa, que dá pelo nome de Hatsune Miku, que não passa de um holograma. Não apenas a voz é sintética como o corpo também é. A Lady Gaga que se cuide!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ZARATRUSTA PELA ORQUESTRA TESLA

Actuação da Orquestra Tesla em Agosto passado na Croácia, tocando o tema de "Assim falava Zaratrusta" do compositor alemão Richard Strauss. Esta orquestra, formada por cientistas da Case Western Reserve University, nos Estados Unidos, utiliza um par de bobinas de Tesla. Uma corrente alternada é usada para gerar relâmpagos em cada bobina. Cada relâmpago tem uma certa frequência, que corresponde a uma nota musical tocada num teclado.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Concerto na Capela da Universidade

Informação chegada ao De Rerum Natura.

Concerto na Capela da Universidade de Coimbra hoje, dia 24 de Junho, às 21h30.

"O programa proposto é constituído exclusivamente por música destinada às Vésperas da Assumpção da Virgem (15 de Agosto). Embora o conceito de se escrever música destinada a ser tocada unicamente ao pôr-do-sol de determinado dia (14 de Agosto, neste caso) possa causar estranheza ao ouvinte moderno, o facto explica-se pela importância desempenhada pela música (cantochão ou polifonia) nas práticas litúrgicas durante o Renascimento.

Era sobretudo nas festas mais importantes (como o Natal, Páscoa, Assumpção da Virgem, etc.) que os maiores dispositivos vocais e instrumentais eram convocados afim de conferir maior importância e solenidade à ocasião. A profusão de obras polifónicas para estas ocasiões nos manuscritos e impressos é assim um reflexo natural dessa prática e oferece ao investigador moderno um excelente ponto de partida para uma reconstituição da dimensão sonora desses momentos.

O concerto segue o alinhamento das vésperas da Beata Virgine e todas as obras foram seleccionadas de fontes manuscritas portuguesas actualmente conservadas na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Assim, apesar do reportório se encontrar destituído de toda a sua dimensão litúrgica, as obras conservam a relação de diálogo inerente ao momento “original”. A abordagem dos intérpretes procura expressar não só o reportório como as práticas interpretativas históricas a ele associadas."

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Física da Música

Informação chegada ao De Rerum Natura.

Física da Música
Rui Vilão
21 de Junho de 2011
18h - 19h

Rui Vilão, numa abordagem acessível, vai demonstrar que a Física do som condiciona aspectos essenciais do discurso musical. Tal como a anatomia da voz humana condiciona a linguística, impondo características comuns a todas as línguas humanas (por exemplo a qualidade e quantidade de vogais e consoantes que podem ser emitidas), também as leis da acústica física estabelecem padrões que, de alguma forma, determinam a construção das escalas musicais. Desta forma assinalamos o Dia Europeu da Música, no dia do solstício do Verão: 21 de Junho, estabelecido por ocasião das celebrações do Ano Europeu da Música, celebrado em 1985.

Rui Vilão é docente do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, tendo como especiais interesses de estudo o hidrogénio em semicondutores e a espectroscopia do muão positivo. Colabora ainda regularmente, como organista, com a Paróquia de São José em Coimbra, com a Capela da Universidade de Coimbra, com a Igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e com a Escola Diocesana de Música Sacra de Coimbra.

domingo, 10 de abril de 2011

Verdi: de traficante de armas a deputado

Uma excelente crónica para ouvir aqui.

Escrita e apresentada por Joel Costa, passou recentemente na Antena 2 da Rádio, no programa Questões de Moral.

O tema será para muitos inesperado: Giuseppe Verdi (1813-1901) o compositor, grande compositor, teve uma vida política assinalável. Viva Verdi, foi palavra de ordem por toda a Itália que se formava com país. E quando se impôs uma acção mais revolucionária, ele também a assumiu e a diversos níveis.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Música do tempo de Vesalius

Trecho de música renascentista do flamengo Tielman Susato, cujas obras serão tocadas na Biblioteca Joanina no próximo dia 16 de Março:

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Portugal no seu pior

Agora que todos andam a falar da Parva que sou d’ Os Deolinda, quem conhece esta do Paco Bandeira?

«Viva Portugal do “deixa andar”
Viva o futebol cada vez mais
Viva a Liberdade, viva a impunidade
Dos aldrabões quejandos e que tais
Viva o Tribunal, viva o juiz
E paga o justo pelo pecador
Viva a incompetência, viva a arrogância
Viva Portugal no seu melhor


Refrão:
Viva a notícia, da chafurda social
De que o Povo tanto gosta
Espectáculo da devassa
Viva o delator sem fuça
É a morte do artista

Viva a pepineira do «show-off»
Dos apresentadores de televisão
Viva a voz do tacho de quem vem de baixo
Do chefe do ministro do patrão

E viva a vilanagem financeira
E a licenciatura virtual
Viva a corretagem, viva a roubalheira
Viva a edição do «Tal & Qual»


Refrão
E viva a inveja nacional
Viva o fausto, viva a exibição
Da dívida calada, que hoje não se paga
Mas amanhã os outros pagarão

Viva a moda, viva o Carnaval
olarilas, olarilolé
Viva a tatuagem, brindo à bebunagem
Que vai na Internet e na TV

Refrão
Calem-se o Cravinho e o bastonário
O Medina, o Neto e sempre o Zé
Viva o foguetório, conto do vigário
Que dá p’ra Aeroporto e TGV

Viva o mundo da publicidade
O «share» ou não «share» eis a questão
O esperto da sondagem, o assessor de imagem
Viva o fazedor de opinião»


Autêntica canção de "escárnio e mal dizer" é o esplendor de Portugal no seu pior. Música de intervenção bem melhor que a d’ Os Deolinda, sobre a tal geração “parva”, de que tanta análise sociológica se anda a fazer. Parva não, mas sim explorada. E que ao fazer a ligação da escravatura e da exploração com o estudo e a cultura, presta um mau serviço à juventude. O Miguel Esteves Cardoso, no Público, já veio chamar a atenção para o gosto acomodatício desta geração “parva”, que esta música mais que tudo reflete. A casinha dos pais, (dizem eles) e o carrinho ou mota comprados pelos “velhotes”, a crédito, as exigências intoleráveis e a má criação hoje vulgar e antigamente rara (digo eu).

Pelo menos esta do Paco Bandeira atira para onde deve atirar. Alvos não faltam. E, sendo uma espécie de chula, é mais coerente e entra melhor no ouvido. Só é pena que nenhum meio de grande audiência tenha dado por isso (anda no You Tube mas ainda não dei por ela em nenhuma Rádio ou Televisão). Porque será? Será por razões políticas, ou porque há demasiada gente a quem assenta a carapuça?

João Boavida

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Fui-me às palavras, roubei-as e, com elas, fiz cantigas"

Manuel Freire ficará sempre ligado a António Gedeão. Vai para meio século que a bela música de um (nos) tem dado a ouvir as belas palavras de outro. Mantendo-se as palavras do poeta, a música do trovador reinventa-se e surpreende. Talvez porque tais palavras apelam a múltiplas formas de as cantar.

Em 1996, no Jornal de Letras (Educação, página 20) Manuel Freire explicava como tinha "tropeçado" nas palavras de um tal senhor de nome António Gedeão...

"Um dia ao praticar um dos meus desportos favoritos, a leitura, tropecei num livro de poesia de um senhor chamado António Gedeão. descobri depois que este senhor, por mistério jeckillydiano, era também o autor de um compêndio liceal, pelo que era suposto eu estudar (pouco)...

Mas, mais do que tropeçar no livro, aconteceu-me esbarrar frontalmente com alguns conjuntos de palavras que lá vinham, choque esse acompanhado de comichão nos dedos, vibrações nas cordas vocais, tremores e palpitações (estes e estas internos).

Abreviando; fui-me às palavras, roubei-as e, com elas, fiz cantigas.

Depois houve discos, um programa de televisão muito importante chamado Zip-Zip e passaram trinta anos. Trinta anos durante os quais aquelas palavras e outras que o mesmo senhor escreveu foram correndo mundo, tocando ouvidos, aquecendo muitos corações, saindo de muitas bocas, entrando até talvez em alguns cérebros!...

Ao longo desses trinta anos, de terra em terra, fui companheiro de viagem dessas palavras, cantando-as, dizendo às pessoas que as havia escrito por mim e, até, imagine-se!, ganhado algum dinheiro com isso!...

A essas palavras devo amigos e tantas outras coisas, que, por nunca as poder pagar e por prudência ou pudor de caloteiro, não referirei. A essas palavras e a quem as juntou, a quem lhe deu música que eu não inventei, mas só descobri.

Num mundo cada vez mais feio, porco e mau, as pessoas especiais como António Gedeão são as que nos fazem acreditar que esse mundo pode ser, que o podemos fazer, que temos de o fazer, um pouco mais lindo, mais limpo, melhor são os imprescindíveis!

O António Gedeão não merecia este texto; mas que fazer? Eu sou bom é com as palavras dele e estas são as minhas."

Mais do que escrever palavras em forma de poema, mais do que dar-lhes som em forma de música, Gedeão e Freire envolvem, chamam alunos para as ler e as cantar, como aconteceu ainda recentemente na Escola EB 2/3 de Ansião (ver aqui).

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PARVA QUE SOU



Já não é novidade, mas deixamos aqui, para eventuais comentários, a canção dos Deolinda "Que Parvo que Sou", que está a causar furor (ver artigo no Público de hoje).

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

História Breve da Música Ocidental


Informação chegada ao De Rerum Natura:

Irá decorrer no próximo dia 02 de Fevereiro, às 18h30, na livraria Leya na CE Buchholz (Rua Duque de Palmela, 4, Lisboa), o lançamento da obra História Breve da Música Ocidental, da autoria de José Maria Pedrosa Cardoso.

A apresentação do livro ficará a cargo do Professor Doutor Mário Vieira de Carvalho.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Orquestra de serviço

A Orquestra Clássica do Centro fez dez anos e o diário As Beiras entrevistou a sua diretora - Emília Cabral Martins. Fez muito bem. Uma entrevista em estilo claro e com um discurso delicado, mas seguro e frontal, com as ideias firmes e a determinação de quem faz o que deve ser feito. E como deve ser feito.

Já aqui o referi, uma das coisas que impressionou foi o modo como a Orquestra Clássica do Centro começou a trabalhar desde o princípio, com uma vontade e um entusiasmo que nos tocava, e que foi capaz de manter, sempre num ritmo elevado e constante, transformando-se num facto para nós surpreendente.

Lendo agora o que diz a sua Diretora fica-se a saber que foi intenção, desde o princípio, estabelecer uma rede de protocolos com as autarquias para levar a grande música a todo o lado a ao maior número possível de pessoas. E que, portanto, não se tratou de um entusiasmo juvenil, a esmorecer depressa, mas de um programa seguro, pensado e em contínua execução.

E que outro objectivo foi dotar a cidade de Coimbra de uma orquestra residente. E por que não, se Coimbra tem uma tão rica tradição musical? E se Lisboa tem várias orquestras e o Porto tem também a sua, por que não Coimbra? Ah, mas aqui, alto lá, as cordas precisam de mais energia e os metais de mais pulmão. Sabendo que não se pode contar, trabalhando em Coimbra, com os subsídios que, mais perto do poder, flúem melhor, é preciso provar que os merecemos. E a Orquestra arregaçou as mangas e transformou-se logo num agente de difusão musical qualificado trabalhando em grande ritmo por todo o Centro de Portugal, e não só. Se queremos o “luxo” de uma orquestra nós temos que provar que ela aqui não é um luxo para ocasiões especiais e públicos selecionados, aqui uma orquestra tem muito que fazer, não tem mãos a medir. Não faltam cidades e vilas onde nunca chegou nada de semelhante, temos em potência um público vasto, diverso e muito carenciado, que nunca ouviu música clássica ao vivo. Esta é a grande tarefa da Orquestra Clássica do Centro: satisfazer e multiplicar os melómanos da cidade, e ir aos lugares da carência despertar nas pessoas o sentimento e o desejo da beleza que não conhecem, mas adivinham, e que depois agradecem, rejuvenescidos pelo sentimento de haver melhores mundos do que aqueles que sempre lhe deram. Daí também a sua missão pedagógica, nas escolas, nas associações culturais, e as suas ramificações em ação: o Coro, a Orquestra Juvenil e o Canto de Rua.

E se os duzentos mil habitantes de Coimbra talvez não cheguem para manter uma orquestra sinfónica, os dois milhões e meio da Zona Centro são mais que suficientes, desde que haja um programa que leve até eles a música, de modo continuado e regular. E tem sido isso que a Direção da Orquestra tem feito.

Neste trabalho louvável e nesta notável prova de vida os sucessivos Ministérios da Cultura têm reparado pouco. Para além de um ou outro apoio esporádico, tem sido a Câmara Municipal de Coimbra, alguns mecenas e o público, a aguentar a Orquestra. Ora, num país em que há muitos a prometer e poucos a fazer, era de justiça que se começasse a apoiar os que de facto fazem e querem continuar a fazer. E, obviamente, devia ser segundo critérios, a partir de projetos, em concursos públicos e tendo em conta os currículos.

Já aqui falei na diversidade, quantidade e qualidade de realizações que o Museu da Ciência tem mantido desde há quatro anos. Ora bem, a Orquestra Clássica do Centro anda a fazer algo de semelhante há dez anos. Coimbra afinal sabe fazer as coisas. Quando é que começamos a apoiar os que merecem e a recompensar o mérito? Portugal e a cultura portuguesa ficariam muito agradecidos e devolveriam em dobro ou triplo.

João Boavida

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Mahler para terminar o ano



Agora que está a findar 2010 e a começar o ano em que se assinalam os 100 anos do falecimento de Gustav Mahler, partilhamos com as nossas estimadas leitoras e leitores o final da Sinfonia nº 8 do grande músico, sob a batuta de Simon Rattle. Muito Bom Ano!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

As Luzes de Rutherford



Nas vésperas do ano em que comemoram cem anos da descoberta do núcleo atómico, obra do físico Ernest Rutherford, deixo aqui um excerto de uma peça que um músico contemporâneo com formação em física - o britânico Edward Cowie - compôs em sua homenagem: "Rutherford Lights".

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Haendel na Igreja de Santa Clara-a-Nova em Coimbra

Concerto de encerramento do Festival de Música de Coimbra ontem, a 8 de Dezembro de 2010, na Igreja do Convento de Santa Clara-a-Nova com a Orquestra Filarmonia das Beiras a executar música de George F. Haendel, Dixit Dominus (breve excerto):

domingo, 14 de novembro de 2010

Henrik Górecki: um adeus com algo cósmico

Nesta minha primeira contribuição para este espaço virtual de referência na nossa sociedade (científica, cultural, um todo!), gostaria de começar por agradecer o convite que me foi formulado pelo Prof. Carlos Fiolhais. Sou um assíduo e atento seguidor dos pedaços de sabedoria diária que o De Rerum Natura partilha com todos nós e confesso que o primeiro sentimento que tive ao receber o convite foi um enorme "encolhimento de espírito"; perante a grandeza intelectual dos meus companheiros de blog, apenas posso citar Newton e afirmar convictamente "se vi mais longe, foi porque estava sobre os ombros de gigantes". Assim, fica aqui o meu sentido agradecimento.

Apesar da minha cabeça ser povoada pelo mundo dos livros (por profissão) e pelo mundo do Cosmos (por formação académica e paixão íntima), hoje gostaria de assinalar o desaparecimento de uma figura do mundo da música: Henryk Górecki, provavelmente o mais conhecido compositor polaco dos nossos tempos, deixou-nos no passado dia 12 deste mês.

A obra mais conhecida foi a sua 3.ª Sinfonia - "Symphony of Sorrowful Songs" - uma peça que retrata todo o turbilhão emocionalmente pesado, triste, densamente melancólico associado à tragédia dos judeus na 2.ª Guerra Mundial. Nessa mesma obra, foram incorporadas elementos vocais do texto do séc. XV "Holy Cross Lament" e algumas frases que recuperou das paredes de uma prisão da Gestapo, acrescentando assim um componente imensamente dramática nessa sua famosa sinfonia.

Porém, gostaria de realçar uma outra criação de Górecki, não tão conhecida mas igualmente poderosa do ponto de vista da beleza e da sua origem. Em 1973, a UNESCO declarou que esse seria o ano de Copérnico, uma forma de relembrar os 500 anos do nascimento de um dos mais importantes homens da revolução astronómica dos séculos XV e XVI. Quem melhor do que um seu compatriota para glorificar musicalmente o seu impacto? Assim nasceu a sua Sinfonia n.º 2, II Symfonia "Kopernikowska". Apesar de menos conhecida, é uma obra que capta todo o fascínio, mistério, deslumbramento e triunfalismo que o intelecto de Copérnico trouxe dos céus para a ciência e cultura do Homem.

Para apreciar (a sua parte final).


sábado, 30 de outubro de 2010

EL-REI VISITA A ESCOLA POLITÉCNICA


Fernando Correia de Oliveira, no seu recente livro "O Relógio da República" (Âncora) ressuscitou este excerto d' "As Farpas" de Eça de Queiroz de 1878 relativo à visita do rei D. Luís à Escola Politecnica em 1877 para inaugurar uma linha de telefone com o Observatório da Ajuda (a grafia foi actualizada):
"Por ocasião da visita de el-rei á Escola Politécnica funcionou o telefónio entre uma das salas da Escola e o Observatório da Tapada.

Approximando-se do novo aparelho transmissor dos sons, dizem os jornais que sua magestade ouvira um solo de cornetim! Houve primeiro dúvida sobre se o fio ligava a Escola Politécnica com o Observatório Astronómico ou se a ligava com a Filarmónica União e Capricho. O solo era efectivamente executado pelo Observatório.

Enquanto a astronomia tocava cornetim é natural que, em compensação, a arte musical se ocupasse em determinar uma paralaxe.

A única coisa que estranhamos é que o Observatório não observasse entre as suas peças de música alguma coisa mais interessante para transmittir a el-rei do que o próprio hino do mesmo augusto senhor.

Que o Observatório cultive a especialidade do cornetim, perfeitamente de acordo! Mas que ele cultive igualmente a especialidade do hino parece-nos um abuso que o príncipe não levará a bem.

Reflectiu por acaso o Observatório no que é o hino para um cérebro coroado? Cremos que o Observatório não desceu ainda com as suas conjecturas ao fundo desse abismo. É horroroso.

Para os cérebros coroados o hino equivale a uma enfermidade monstruosa.

O Observatório faz certamente ideia do que é ter zumbidos, não é verdade? Pois ter hino é pior. É ter constantemente, durante toda a vida, em casa, na rua, em viagem, nas cidades, nas vilas, nas aldeias, sobre as próprias águas do mar, sempre, por toda a parte como doença crónica, como afecção incurável do nervo acústico, a audição do mesmo trecho de musica! O que deve levar paulatinamente à loucura.

Que o Observatório se compadeça do infeliz príncipe condenado a tão incomportável flagelo! O Observatório há-de ter conhecimento das contrariedades que amarguram a existência; o Observatório há-de ter faltas de dinheiro, há-de ter constipações, há-de ter dores de dentes, há-de ter calos. O príncipe tem tudo isto, e demais a mais tambem tem hino. Poupemo-lo ao desgosto de o fazer acompanhar pelo seu triste mal às regiões da ciência! Inflijamos-lhe o solo, visto que não há outro remédio, mas perdoemos-lhe por esta vez o hino! Sejamos terríveis, mas sejamos justos! A providência colocou-nos na mão o cornetim. O monarca presta-nos submissamente o seu real ouvido. Não abusemos desse instrumento poderoso e dessa orelha inocente! Compenetremo-nos da tremenda responsabilidade que pesa sobre nossas cabeças! Somos cornetistas, mas somos tambem astrónomos ... Toquemos o Pirolito! E a posteridade nos abençoará."
Eça de Queirós