Mostrar mensagens com a etiqueta inovação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta inovação. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Autocarro do futuro? Made in China!

Proposta chinesa para resolver o problema do transporte de pessoas e do tráfego citadino. Muito interessante.


A solução apresentada pela empresa chinesa Huashi Future Parking é parcialmente movida por energia solar e não precisa de vias próprias, podendo partilhar a via com os outros automóveis.

Vídeo de simulação:

sexta-feira, 19 de março de 2010

DÉCADA NOVA, VIDA NOVA?


Minha crónica no "Sol" de hoje:

Completamente imersos como estamos na actualidade, não reparamos na enorme transformação tecnológica que se tem dado nos nossos tempos. A revista America's Heritage Invention Technology, no número de Inverno de 2010, diz que "poucas décadas, se é que algumas, se podem comparar com os primeiros dez anos do século XXI do ponto de vista de saltos tecnológicos no domínio da electrónica de consumo." Veja-se o top-ten que a revista escolheu:

1- Câmara de telemóvel
2- Aplicações de telemóvel (IPhone, etc.)
3- Música digital
4- DVD / Bluray
5- GPS
6- Redes sociais (Facebook, etc.)
7- Laptops
8- Gravação vídeo digital
9- Livros electrónicos (Ebooks)
10- TV com grande ecrã de plasma.

Embora nem tudo isso seja estritamente deste século, parece difícil não concordar. Há dez anos, quando a actual década estava quase a começar, não tínhamos, de facto, nem IPhone, nem Facebook, nem Ebooks...

O que acontecerá, no domínio das novas tecnologias, na década que agora se aproxima? O físico Niels Bohr, um dos criadores da teoria quântica que proporcionou quase toda a parafernália tecnológica em que vivemos, dizia: “É muito difícil fazer previsões”. E acrescentava, com subtil humor: “Em especial do futuro”. Mas um candidato a profeta não deve falhar se disser que aquelas tecnologias, à medida que os transístores se tornarem ainda mais pequenos, continuarão a evoluir e a inundar as nossas vidas. O mundo será conquistado, no futuro como no passado, pelos inovadores, aqueles que, baseados na ciência e na tecnologia, tiverem ideias capazes de provocar mudanças.

Mas, quando algo muda, há sempre muita coisa que permanece. Faz-se o top-ten do que é novo, mas podia-se fazer um top-million do que é velho. A leitura da última das “Dez ideias para os próximos dez anos”, no número de 22 de Março da revista Time, funciona um pouco como um balde de água fria sobre as nossas elevadas expectativas de futuro. Intitula-se, por paradoxal que possa parecer, “A era da pasmaceira”. Defende que os tempos não estão, afinal, a mudar como a ficção científica previa, e que também não irão mudar tão cedo. Diz a revista que “os gadgets da era da informação não têm tido, nem de perto nem de longe, o efeito transformador tão grande na indústria e na vida que tiveram a luz eléctrica doméstica, o frigorífico, os fogões eléctricos e a gás, e as canalizações de chumbo na primeira metade do século XX.” E continua: “Será que a combinação do telefone, do ecrã e do teclado foi, de facto, tão revolucionária como o telefone, a televisão e a máquina de escrever originais?”. Boa pergunta!

Daniel Pink e a "Nova Inteligência"


Ainda do "Jornal de Leiria", o resumo da intervenção de Daniel Pink, o autor do livro "A Nova Inteligência" (Academia do Livro), no Fórum "Inovação e Futuro", onde ele faz o resumo do seu livro:

“Design, história, sinfonia, empatia, diversão e sentido” ou como triunfar no século XXI

Perante os três grandes problemas que se colocam ao Mundo Ocidental e que designa como os três “A” - Ásia, Automação e Abundância -, o autor do bestseller A nova inteligência, Daniel Pink, diz que se devem procurar soluções baseadas em seis características: design, história, sinfonia, empatia, diversão e sentido. Trata-se de disciplinas reguladas pelo hemisfério direito do cérebro e que devem ser destacadas na nova economia do século XXI, assumindo um papel mais relevante, perante o raciocínio lógico, sequencial e analítico, características predominantes na economia do século XX, que assentava em processos repetitivos e mecânicos.

Durante o fórum, o especialista em motivação organizacional chamou a atenção para o facto do modelo económico actual estar esgotado pelo papel que a Ásia tem vindo a assumir. “Na Índia, há pessoas com cursos universitários, muito especializadas que fazem trabalho a metade do custo do praticado nos EUA ou na União Europeia. Se apenas 15% da população da Índia – sem falar da China – começa a realizar essas tarefas, teremos 150 milhões de pessoas especializadas capazes de fazer tarefas complexas. Portugal tem uma população de dez milhões e os EUA têm uma população activa de 139 milhões. Conseguem perceber o desafio?”

Daniel Pink referiu ainda que a automação de processos, outro dos problemas, atinge já profissões menos “manuais”, como advogados ou contabilistas.

Finalmente, o especialista identificou o terceiro problema: abundância. “Os meus avós, que eram da classe média e para quem ter um carro era um luxo, nunca conseguiriam perceber o actual nível de vida”.

Perante estes desafios, como dar a volta à questão? Pink, dando o exemplo do iPod, iPhone e iPad – que ainda não foi lançado no mercado, mas que já tem mais de 200 mil encomendas - preconiza soluções que sejam difíceis de automatizar, difíceis de copiar por outros países e que criem novas necessidades.

Como chegar a elas? Usando o hemisfério direito do cérebro e a capacidade de colocar em prática, no domínio dos negócios e das relações empresariais e interpessoais, design, história, sinfonia, empatia, diversão e sentido.

Design – Um concorrente da Apple pensou que iria fazer um grande sucesso com os seus computadores ao pintá-los de cor-de-rosa, de acordo com as tendências. Foi um fiasco. “O design não está só nos produtos, mas também nas necessidades. Não basta seguir as tendências. Isso é apenas decoração. O design deve ser usado para resolver problemas complexos”, explica Daniel Pink.

História – A história de um produto – quem o fez, onde, como e porquê – pode ser determinante para a decisão de compra.

Sinfonia – A capacidade de perceber todo o contexto. De ter uma visão abrangente e de ligar todos os pontos, descobrindo um padrão ou uma tendência que será crucial no futuro. Nos EUA, há escolas de Medicina – disciplina lógica, regida pela lado esquerdo do cérebro - que dão aulas de arte aos alunos, para que estes adquiram a sensibilidade para o detalhe dos pintores – lado direito do cérebro.

Empatia – Capacidade de perceber as necessidades dos outros ao ocupar o lugar do público-alvo. Há uma ligação directa e oposta entre os líderes e a empatia. Quanto mais alto o posto, menor a empatia. Os líderes precisam de ter noção disto, pois há uma correlação entre design e empatia que permite perceber e criar necessidades num mercado potencial.

Diversão – Essencial na ligação entre empregador e empregado ao criar um ambiente leve e acolhedor.

Sentido – A busca de um significado para o que se faz. Não basta trabalhar apenas para ter lucro, mas também é necessária uma finalidade. Um propósito. Ou como diria Pink: “uma finalidade que seja maior que o próprio produto”.

Jacinto Silva Duro

Fórum Inovação e Futuro em Leiria


Com a devida vénia trancrevemos o relato do Fórum Inovação e Futuro promovido anteontem pelo "Jornal de Leiria" e que contou com a participação de Paulo Ferreira da Silva (Renova), Elvira Fortunato (Universidade Nova de Lisboa), Edmundo Nobre (YDreams), Guta Moura Guedes (Experimenta Design) e Carlos Fiolhais (Universidade de Coimbra), para além do autor norte-americano Daniel Pink:

Maior ligação entre ciência e cultura estimula inovação

A criatividade e a inovação devem ser encaradas como um “paradigma nacional” e a relação entre cultura e ciência pode ser um aliado na luta contra a crise. Estas foram algumas das conclusões do Fórum Inovação e Futuro, promovido pelo JORNAL DE LEIRIA, que ontem encheu por completo o auditório da ESTG. O encontro, que será repetido no próximo ano, contou com a presença Daniel Pink, guru da gestão organizacional.

Uma maior aproximação e comunicação entre os mundos da ciência e da cultura pode funcionar como uma alavanca “altamente transformadora” da sociedade, porque são áreas com uma capacidade “brutal” para produzir inovação e desenvolvimento. Estas foram algumas das ideias-chave defendidas durante o painel O papel da inovação e da criatividade no desenvolvimento – aproximação ao futuro, inserido no fórum promovido pelo JORNAL DE LEIRIA.

Para Guta Moura Guedes, directora da Experimenta Design, é preciso “reformular estratégias”, invertendo a tendência actual da generalidade dos Estados e das empresas, que “não vê a cultura como um vector de desenvolvimento estratégico”. “Estamos a desperdiçar um potencial enorme, que reside na interligação entre a cultura, a criatividade e a ciência.”

Também a investigadora Elvira Fortunato considera que “tem de haver uma aproximação muito maior entre os artistas e os cientistas”, com a criação de equipas multifacetadas, com diversas formações e origens culturais. “A inovação parte dessa transversalidade”, defende a directora do Centro de Investigação de Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que conta com um artista na sua equipa de investigadores.

Socorrendo-se de uma citação de Einstein, que dizia que “a imaginação é mais importante do que o conhecimento, porque o conhecimento é limitado e a imaginação dá a volta ao mundo”, Carlos Fiolhais destaca a importância da criatividade na aquisição de conhecimento. “O mais importante não é o que se sabe, mas a forma como se sabe”, diz o físico, para quem a “imaginação é a arma do saber”, fundamental nas actividades criativas e na ciência.

A importância do contexto e do ambiente na capacidade inovadora das pessoas foi outro dos temas abordados pelos oradores. “Nascemos inovadores, mas educa-se também para a inovação”, defende Carlos Fiolhais, afirmando, no entanto, que “não há receitas, nem cursos para a inovação” e que esta surge, sobretudo, da obsessão em resolver problemas.

“A inovação é não fazer mais do mesmo. É o valor acrescentado da criatividade
”, acrescenta Elvira Fortunato, que reconhece que “o contexto poder fazer a diferença, mas não é determinante”. Perante a “incapacidade de Portugal de competir com os grandes”, Guta Moura Guedes diz que a solução passa por “descobrir caminhos ainda em aberto”. Até porque, como ironiza Carlos Fiolhais, “o cérebro português não tem nenhuma inferioridade em relação aos outros”.

Inovação quer-se “sexy e glamorosa”

Conhecido pelo carácter inovador que tem imprimido à Renova, Paulo Pereira da Silva, presidente do Conselho de Administração, defende que, para uma inovação ser viável, “tem de fazer sentido, ser desejada pelas pessoas, ser glamorosa, sexy, bem vendida e competitiva do ponto de vista dos custos”. O empresário lamenta a falta de cultura científica em Portugal, mas ressalva o salto dado nos últimos anos, com o aumento do investimento das empresas em inovação e em criatividade. “A nossa sobrevivência como empresas vai depender disso mesmo.”

José Ribeiro Vieira, director do JORNAL DE LEIRIA, explica que o fórum pretendeu “sensibilizar os empresários e agentes económicos para as novas formas de abordagem e de análise do mundo”, promovendo a reflexão sobre a inovação, com “o intuito de caminhar para um futuro melhor”.

Sociedade e ensino ´turvam´ céu das crianças

Para Edmundo Nobre, o problema da inovação e da criatividade não se resolve apenas com maior investimento, mas sim com alterações ao nível da educação e na “maneira da sociedade se organizar em torno” dos mais novos. “Para uma criança, o céu é o limite, mas durante o seu percurso até à faculdade os seus horizontes vão sendo progressivamente nublados”, constata o administrador da Ydreams. No seu entender, o investimento em inovação “será muito mais eficaz se se começar a tentar garantir, desde cedo, que o céu das crianças não fique nublado”, criando estímulos que ajudem a contrariar a “aversão ao risco”. Guta Moura Guedes defende também mudanças no sistema de ensino, lamentando que os alunos do 1º ciclo não tenham qualquer contacto com áreas artísticas e a inexistência, na generalidade das escolas, de “uma contaminação cultural, tão determinante e transformadora” nas sociedades actuais.

Maria Anabela Silva com Elisabete Cruz

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O sucesso da Critical Software



A Critical Software (http://www.criticalsoftware.com) obteve a mais prestigiada e reconhecida certificação de qualidade no domínio da Engenharia de Software – o CMMI Nível 5. Esta certificação é concedida pelo Software Engineering Institute (SEI), uma autoridade no que toca às melhores práticas em engenharia de software....

Estudos recentes indicam que as empresas, em média, gastam 65% do tempo das equipas responsáveis pelas suas aplicações informáticas a resolver problemas, corrigir bugs, ou redesenhar funcionalidades mal concebidas; na prática, isso significa que apenas cerca de um terço do tempo de tais equipas é dedicado à definição e construção das soluções que os seus negócios exigem.

Com o modelo CMMI5, e aplicando técnicas de six-sigma, a Critical Software está a trabalhar para entregar software 99,9997% livre de erros e encurtar o seu ciclo de desenvolvimento; o mesmo modelo e técnicas são utilizados para melhorar a precisão e consistência das suas estimativas para o desenvolvimento de soluções. Tal significa maior eficácia, maior eficiência, e maior previsibilidade – ou capacidade de planear, antecipar, dimensionar. Em resumo, maior valor para o investimento dos nossos clientes.

Continuando a política de rigor e exigência que a guia desde o início, a Critical Software junta-se agora a um grupo de empresas altamente respeitado, detentoras do mais relevante certificado de qualidade na área de engenharia de software. Um grupo que, na Europa, contará apenas com cerca de 20 empresas.

É um orgulho, como Português e como cidadão de Coimbra, ver a Critical Software colocar o seu nome na base de dados do SEI (http://sas.sei.cmu.edu/pars/pars.aspx) – e de ser a primeira empresa portuguesa a conseguir fazê-lo.

Cinco estrelas!!!

Parabéns ao Gonçalo Quadros e a toda a equipa da Critical Software.

Sobre a Critical Software (Radar de Negócios, RTP2, 2009):


Aqui há emprego, Grande Reportagem RTP1 (2009):

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Investigação Científica



As PME (Pequenas e Médias Empresas), que representam 90% do nosso tecido industrial e sensivelmente a mesma percentagem do emprego, não têm capacidade financeira, nem de recursos humanos, para fazer investimento de longo prazo em I&D e muito menos de suportar I&D de risco. Na verdade, o I&D de risco é muito importante porque permite avanços significativos, em caso de sucesso na investigação, e produtos que podem ser diferenciadores no mercado. O problema é que empresas pequenas, sem cultura de investimento em I&D, não o podem fazer.

É aqui que entra o Estado e a política de I&D nacional. Um governo tem de ter uma acção concertada no apoio às empresas (o que significa apoio às PME porque, de facto, elas são a economia) e no apoio ao seu desenvolvimento. Eis algumas coisas aparentemente simples, mas que se tornam complicadas em Portugal. O Estado tem de:

1. Pagar a tempo e horas.

2. Incentivar a exportação, reduzindo impostos de forma significativa a empresas exportadoras. Isto tem de ser um imperativo nacional.

3. Incentivar a contratação efectiva de pessoas com formação superior, reduzindo os impostos às empresas que o fazem. Isto é apostar no futuro.

E, em termos de I&D, tem de:

4. Fomentar o aparecimento de novas empresas que resultem da I&D efectuado em Universidades e Centros de Investigação: incubação de ideias e empresas, apoio no desenvolvimento de projectos, aceleração de empresas e apoio a parques de ciência e tecnologia.

5. Incentivar a relação entre empresas e as instituições de I&D portuguesas, apoiando de forma efectiva projectos de I&D em consórcio que tenham em mente resultados de médio e longo prazo: apoiar significa investir, colocar dinheiro em projectos em consórcio cujo valor científico tenha avaliação internacional. Só as Universidades e Centros de I&D podem apoiar o I&D de risco, tendo por base fórmulas de financiamento que incluem uma parte pública nacional (via FCT), uma parte pública internacional (via União Europeia) e uma parte privada (das empresas).

6. Definir com clareza as áreas prioritárias para o país, canalizando para essas áreas o investimento público em I&D. Não é possível que um país tão pequeno como Portugal disperse o pouco dinheiro que tem por todas as áreas científicas. Não pode, não faz sentido. Tem de ter a coragem e a clarividência de definir prioridades, concentrando uma percentagem significativa do seu investimento nessas áreas. Ou seja, o investimento tem de ser estratificado por prioridades. É uma questão de gestão de recursos. Aliás, a União Europeia (UE) faz isso mesmo com os seus programas-quadro. Define uma agenda de I&D e abre concursos somente nas áreas que definiu.

7. Apoiar efectivamente a presença dos grupos de I&D portugueses nos programas-quadro da UE, complementando assim o financiamento nacional e equilibrando o investimento nas áreas não prioritárias que não obtiveram financiamento nacional. Verifica-se um menor sucesso nacional em projectos europeus. Isso significa que Portugal tem de ter uma presença efectiva nos centros de decisão, nas várias unidades de I&D da UE, com capacidade de influência e de apoio na elaboração e acompanhamento de candidaturas. A noção que tenho, depois de vários projectos europeus que tive aprovados, é que o apoio nacional é muito incipiente.

Em vez de gastar rios de dinheiro em obras públicas (estilo TGV), que beneficiam essencialmente empresas de fora do país (fornecedoras de tecnologia), dão emprego a pessoas pouco qualificadas e essencialmente constituídas por emigrantes (nada contra, mas não é, penso eu, prioridade do país dar emprego a emigrantes), e são investimentos sem retorno, faria todo o sentido investir na "alta velocidade" que é criar condições para tirar partido dos Portugueses: das suas instituições de I&D (muito boas e preparadas), dos projectos em consórcio (como forma de fazer avançar as empresas com I&D de risco) e do investimento nas pessoas com formação superior (a melhor forma de transferência de conhecimento entre as Universidades e a sociedade). Isso significa perceber que temos de contar connosco próprios e com aquilo que formos capazes de aprender e construir.

Mas isso coloca o foco na necessidade de planear e definir objectivos nacionais, uma coisa complicada num país que não gosta de planear e muito menos de avaliar.

My two cents...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Passo-a-passo. Sem atalhos.

A minha crónica regular no "Jornal de Notícias" (16/12/2009 - "Passeio Público"):

Dizia recentemente um grande industrial europeu aos seus vários colaboradores, na reunião anual da empresa, depois de ter instalado várias unidades na China e países de leste: “Foi um erro. Temos de voltar a aprender a fazer o que sabíamos fazer. Com qualidade. Liderando a inovação técnica. E fazer aqui na nossa casa. Na Europa”. Deslocalizar a produção para reduzir custos não é sustentável e funciona contra o modelo europeu.

Portugal tem desmerecido uma estratégia que coloca o foco nas pessoas e na sua capacidade de reinventar o seu futuro. Uma estratégia clara de desenvolvimento teria tornado evidente a necessidade de reforço da capacidade científica e técnica, a necessidade de cuidar a educação como recurso nacional precioso, bem como a imperiosa necessidade de incentivar a criatividade e capacidade empreendedora. Como muitas empresas europeias, Portugal preferiu meter-se por atalhos esquecendo que o futuro se constrói passo-a-passo.

Precisamos essencialmente daqueles que investem em Portugal para utilizar a qualidade dos nossos recursos humanos, para quem constituímos uma vantagem competitiva porque identificam os nossos sucessos na transformação de conhecimento em ideias de negócio e em empresas, que reconhecem a nossa capacidade criativa. Não precisamos do investimento que tem como único objectivo salários baixos ou incentivos financeiros à instalação. São atalhos. E quem se mete por atalhos... mete-se em trabalhos.

Nessa perspectiva é muito importante reconhecer o papel do consórcio INOV-C, liderado pela Universidade de Coimbra, nessa nova atitude do Centro de Portugal. Na verdade, o consórcio permite um conjunto de sinergias alargadas num conceito de parque de ciência e tecnologia multipolar alargado à região, e no qual se inclui, entre outros, o iParque, o Biocant e o IPN. As vantagens são as da integração, da coordenação próxima, da eficácia e da não duplicação de meios e infra-estruturas. A candidatura foi aprovada pela Comissão Directiva do Programa Operacional Regional do Centro em Dezembro. Ao todo foram atribuídos cerca de 23, 5 milhões de euros de FEDER ao projecto conjunto. O iParque candidatou as suas duas fases de construção - que incluem os terrenos, as infra-estruturas, o Business Center, o edifício Nicola Tesla (acelerador de empresas), o sistema de mobilidade do parque e as infra-estruturas de comunicação – num total de 24.390.000 euros. Esta aprovação atribui ao iParque 11.045.040 euros do FEDER.

O objectivo é ser uma das 100 regiões mais inovadoras da Europa e por isso atractiva para iniciativas empresariais que signifiquem um considerável investimento estrangeiro diferenciador, que é necessariamente o investimento na nossa capacidade de sermos criativos e empreendedores. Esse é que é o investimento relevante e sustentável.

:-)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Substitutos? Naaah!

Apareceu recentemente nos cinemas um filme intitulado "Substitutos" ("Surrogates" no original em inglês). Segundo esse filme, os robôs viveriam por nós apesar de comandados pelo nosso cérebro através de uma ligação remota. Ficção científica e show-business. O habitual em Hollywood.

Podem ver aqui o trailer do filme:



É preciso saber distinguir a ficção da realidade. Os robôs representados no filme estão fora do nosso alcance, isto é, nem são possíveis hoje, nem é realista admitir que sejam tecnicamente possíveis em menos de 30 anos.

No entanto, a robótica actual tem sido usada para ajudar as pessoas. Não para as substituir, mas para permitir que realizem tarefas de uma forma mais simples e mais confortável. Um BOM exemplo é a utilização de robôs para melhorar a performance física daqueles que perderam qualidades motoras: por acidente, doença ou devido à idade. A Honda, por exemplo, lançou recentemente um protótipo que permite auxiliar a locomoção humana.



:-)

Comerciais divertidos e... tecnológicos.

Intel inside: imagine the possibilities


What we mean by a star at Intel


Team Work at Intel


Co-worker at Intel


Sony robot


:-)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os novos descobrimentos: Moon, Mars and beyond

Alguns vídeos que mostram simulações sobre os novos lançadores da NASA, bem como dos novos veículos espaciais.

Objectivo: Moon, Mars and beyond.









:-)

domingo, 29 de novembro de 2009

ATLANTIS STS-129: uma das últimas viagens do Space Shuttle

O Space Shuttle é uma fabulosa realização de engenharia e permitiu, entre muitas outras coisas, o desenvolvimento da ISS (International Space Station). A NASA vai retirar estes veículos de serviço em 2010, tendo adoptado soluções mais baratas para a realização das missões entregues ao vaivém e das novas novas missões que se aproximam como o retorno à LUA. A missão STS-129, realizada pelo vaivém Atlantis, demorou 11 dias e terminou com a aterragem do Atlantis na sexta-feira passada no Kennedy Space Center.

A NASA realizou uma cobertura mediática desta missão como forma de mostrar os pormenores de lançamento (vejam pelo menos até ao minuto 3:16, altura em que têm uma perspectiva do piloto do shuttle vendo parte do nariz do vaivém e tendo a sensação de velocidade), entrada em órbita, processo de ligação à ISS (muito interessante a partir do minuto 9:00), operação dos vários equipamentos a bordo, realização de missões, vida no espaço, separação da ISS e retorno à terra (minuto 49:00). O vídeo foi recentemente tornado público.

Vale a pena ver: são 59 minutos de puro prazer! Cheio de detalhes e de perspectivas inéditas, este vídeo é não só instrutivo como fascinante.

A criatividade humana é verdadeiramente admirável! O que conseguimos fazer com o conhecimento que adquirimos é fabuloso. Se virmos isto em perspectiva, desde os primórdios da humanidade, é impressionante o caminho que percorremos em conjunto. E esse caminho é uma enorme fonte de esperança no nosso futuro colectivo.

:-)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

UMA IDEIA PARA PORTUGAL


O jornal "I" pediu-me que indicasse uma "Ideia para Portugal" e dei esta, que foi hoje publicada:

"Fala-se muito da defesa da língua portuguesa, mas a verdade é que pouco se faz por isso. Que tal, numa acção concertada, colocar na Web o conteúdo integral de todos os livros em língua portuguesa que estejam no domínio público? Porque não andar com o Camilo e com o Eça no bolso, bastando pressionar numa tecla do telemóvel para os contactar?"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tertúlias da Ciência

Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:

CICLO DE CONFERÊNCIAS
ENTRADA LIVRE


Numa tentativa de promover a ciência junto da comunidade estudantil bem como junto da sociedade em geral, o Núcleo de Estudantes de Química, em colaboração com o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, organiza as Tertúlias da Ciência, um espaço onde todos podem expor as suas ideias de acordo com o tema introduzido pelo orador convidado.




CONFERÊNCIA | 11 DE NOVEMBRO | 17h00

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO - TRABALHO E RISCOS EMERGENTES
António José de Araújo Abreu Vilar de Queirós e Patrícia Dolores Neves Santo da Rocha
Gabinete de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho da Universidade de Coimbra

Os recursos de saúde e segurança no trabalho são frequentemente insuficientes para quem trabalha com as novas tecnologias. Falar em Ciência, Tecnologia e Inovação no mercado de trabalho é falar de "novos riscos" laborais, riscos estes que urge "detectar e controlar".

Um outro problema com que se confrontam os trabalhadores está directamente relacionado com o crescimento das pequenas e médias empresas, que muitas vezes não é acompanhado pelo necessário investimento em segurança e higiene no trabalho.

No Museu da Ciência, os especialistas da UC irão ainda falar sobre os riscos associados ao crescimento do sector dos serviços, relacionados com factores ergonómicos, com os contactos pessoais e o stress, mas também dos riscos ligados ao teletrabalho, ao trabalho independente e ao trabalho temporário, ao aumento do ritmo e da carga laboral, às alterações nas estruturas de gestão e aos fenómenos de integração e globalização.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Os 20 anos da "Robótica"

A revista "Robótica" é uma das mais antigas revistas técnico-científicas portuguesas, que eu tenho o gosto e orgulho de servir, como director, desde 1998-99. Faz agora 20 anos de vida. A sessão de comemoração do vigésimo aniversário decorre no dia 13 de Novembro de 2009 em Coimbra (Pavilhão Centro de Portugal).

Convite: http://www.robotica.pt/mesa_redonda_20anos.html

O novo site da revista é: http://www.robotica.pt
A versão electrónica da revista está online no mesmo sítio.

:-)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Construir na LUA

O que começou por ser uma empresa de garagem nos EUA está a desenvolver um robô para escavar na lua. Este robô, que utiliza uma tecnologia desenvolvida pela própria empresa (Honeybee Robotics, http://www.honeybeerobotics.com), permite escavar na lua usando equipamentos mais leves que os tradicionais.



A Honeybee Robotics já tem vários dos seus sistemas robotizados no espaço. Por exemplo, o dispositivo ISAD (Icy Soil Acquisition Device) presente na sonda Phoenix que recentemente operou em Marte, recolhendo e analisando amostras de solo, é o seu 4º dispositivo no espaço.

:-)

São estas as máquinas dos novos descobrimentos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A robótica a alta velocidade

Novo post convidado de J. Norberto Pires:

A Universidade de Stanford juntou-se ao fabricante alemão de automóveis AUDI e estão a mudar a forma como vemos os automóveis. O robô que construíram, baseado num AUDI TTS, vai competir na famosa Pikes Peak em 2010, cujo objectivo é subir uma encosta de montanha no menor tempo possível. A AUDI já tinha ganho há uns anos com o famoso AUDI QUATRO, com um piloto ao volante. Aliás o record da subida é dessa altura e pertence à AUDI.

Agora vai ser um carro autónomo. Controlado à distância, mas sem condutor e com a maioria das coisas feitas pelo computador de bordo. Ou seja, o carro subirá sozinho. E diz a AUDI que será para bater o seu próprio recorde. Impressionante.



Em Portugal está a nascer um desafio para condução autónoma feita por robôs. É o Critical Challenge, promovido pela recém-criada CRITICAL MOVE, uma empresa de Coimbra - claro, digo eu :-) - que é uma spin-off da Critical Software. Vale a pena acompanhar. A malta da Critical costuma surpreender. ;-)

J. Norberto Pires

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Lobos na rede


Informação recebida do projecto Europeana (na imagem, lobos finlandeses):

Lobos na rede: 30 parceiros de 14 Estados-membros lançam o Projecto EuropeanaConnect

Muitas vezes se coloca a questão: afinal o que é, exactamente, a música? Para o compositor John Cage qualquer som podia ser música – em seu entender “o ruído não existe, há apenas som”. Se a música consiste na melodia, no ritmo e timbre harmonizados, então coros de lobos finlandeses uivando em uníssono e perfeita harmonia são indubitavelmente música. Registadas no mais profundo e gelado Inverno finlandês, estas arrepiantes gravações fazem parte do valioso arquivo da radiotelevisão nacional, Yleisradion Tehosto (YLE). O Projecto EuropeanaConnect trará o som dos lobos, e muito mais, aos dispositivos móveis da vasta e crescente comunidade de utilizadores da Europeana.

EuropeanaConnect é um novo projecto financiado pela União Europeia, que visa a agregação de conteúdos de arquivos, bibliotecas, museus e colecções audiovisuais europeias no Portal Europeana. A Biblioteca Nacional de Portugal é parceira neste Projecto.

A implementação técnica do projecto EuropenaConnect concretizará, até Abril de 2011, um serviço Europeana operacional que compreenderá mecanismos de clarificação de licenças de copyright, interfaces amigáveis, integração de serviços como a digitalização a pedido e a pesquisa multilingue, bem como uma versão da Europeana para dispositivos móveis.

Os principais resultados do projecto consistirão no desenvolvimento de componentes técnicas essenciais para a Europeana e na disponibilização de conteúdos musicais, tornando acessíveis mais de 100.000 ficheiros áudio no Portal Europeana.

O Portal Europeana, que actualmente disponibiliza cerca de 5 milhões de recursos digitais de museus, arquivos, bibliotecas e colecções audiovisuais europeias, foi lançado em Novembro de 2008 pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, como manifestação do compromisso político em tornar o património europeu acessível à escala mundial.

No seu lançamento, o Portal atraiu milhões de visitas, o que evidencia o elevado nível de interesse dos utilizadores. Em 2011, o Portal Europeana permitirá o acesso integrado a 25 milhões de objectos digitais (música, imagens, vídeos, documentos, livros, etc.) de pelo menos 50 portais culturais de âmbito nacional e local.

“O projecto EuropeanaConnect pode desencadear uma revolução cultural na infra-estrutura educativa
” – afirma Johanna Rachinger, Directora-Geral da Biblioteca Nacional da Áustria – “Nunca foi tão fácil ouvir música, percorrer cadernos de notas, ver pautas, encontrar os retratos e os registos de nascimento de músicos e das suas famílias e aceder a correspondência, podendo comparar simultaneamente fontes de diversos arquivos e bibliotecas. O projecto EuropeanaConnect vai tornar tudo isto possível, e até colocar esta informação no seu telemóvel”.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A caminho do futuro. Em Coimbra



Artigo de J. Norberto Pires, responsável pelo iParque e nosso colaborador noutras ocasiões, publicado no jornal "As Beiras" de hoje:

Tenho insistido na ideia de que Coimbra tem um conjunto de valências que devem ser exploradas de forma integrada, para maximizar resultados. A Universidade, os centros de conhecimento, o I&D reconhecido e de excelência, a incubação de ideias e empresas, as empresas de sucesso, o parque de ciência e tecnologia (iParque), os espaços vocacionados para manifestações culturais, a história da cidade, os espaços de lazer, a gastronomia e as pessoas.

É importante perceber que tudo isto tem de ser interligado para que a atractividade da cidade e da região aumentem.

Coimbra está a prestar atenção a essa valência, verdadeiramente central, no século XXI que é o conhecimento. A Universidade percebeu que é fundamental que se ligue ao mundo das empresas, criando valor a partir do conhecimento que gera, apoiando as empresas, transferindo conhecimento, incubando ideias e empresas, colaborando na instalação de áreas de negócio estratégicas e apoiando as iniciativas locais que visam dar corpo ao empreendedorismo e inovação criando valor e emprego. Mas é preciso melhorar e actuar de forma coordenada. Isso faz-se com tempo e aprendendo a trabalhar em conjunto. Sinto falta de estruturas de capital semente e de risco, vocacionadas para apoiar a iniciativa empresarial da região. É importante caminhar de forma célere nesse sentido.

Coimbra precisa de incentivar mais o empreendedorismo de crianças e adolescentes. É necessário que os jovens percebam que muito provavelmente terão de gerar as suas próprias oportunidades, contando com o que aprenderam e com a formação específica que tiveram. Isso significa alertar, divulgar, organizar pequenas sessões e cursos, aproximar as escolas das empresas, da Universidade e centros de I&D. As palavras-chave do futuro são "conhecimento" e "empreendedorismo", seja qual for a área de actividade que escolham no futuro.

É preciso, igualmente, perceber que a economia não é só tecnologia. Existem também as áreas tradicionais da indústria e serviços que precisam igualmente de ser apoiadas com espaços de localização empresarial de qualidade, pois geram emprego, actividade económica e incorporam inovação e empreendedorismo. E a visão deve ser integrada de forma a ter soluções claras para as várias solicitações.

Coimbra tem de ser mais excitante do ponto de vista cultural. Foi feito um esforço muito sério relativamente a espaços culturais e isso deve ser realçado. É necessário perceber que temos condições de excelência para manifestações culturais de qualidade que sejam capazes de atrair a atenção das pessoas. No teatro, na música, nas artes gráficas, na literatura, nas actividades museológicas, nas manifestações de cultura popular, nas feiras e nas exposições podemos ter uma oferta muito interessante em termos nacionais e internacionais que sejam uma mais-valia para visitar e viver em Coimbra. Coimbra precisa de conjugar isso com a actividade empresarial. A cultura é uma actividade económica por si só, mas para além disso é um excelente argumento para atrair empreendedores e investimentos estruturantes. Sinto falta de teatro, música, do foco nos livros, e de uma grande feira do livro. Sinto falta de exposições e coisas a serem lançadas e apresentadas em Coimbra. Sinto falta desse fervilhar de actividade cultural.

A história da cidade, os espaços históricos, a gastronomia e as pessoas são também factores a explorar para dar mais visibilidade a Coimbra.

Coimbra é criativa e empreendedora. Pode e deve coordenar as suas valências para atrair e fixar investimentos, pessoas que geram actividade e valor, atrair visitantes, os melhores estudantes, os melhores investigadores e cientistas, escritores e poetas, pintores, actores e outros agentes culturais. Isso faz-se criando condições físicas e dinamizando acções imateriais que, em conjunto, criam o ambiente excitante propício à actividade criativa.

É este o desafio que temos pela frente. Em Coimbra.

J. Norberto Pires

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Robôs, Guerra e o Futuro



Novo post convidado de Norberto Pires:

Estamos perto de uma revolução tecnológica que terá o nome de “Revolução da Robótica”. Estamos perto, muito perto, de ter robôs a partilhar o nosso dia-a-dia nas tarefas domésticas, como companhia, como colegas de trabalho, como assistentes de todo o tipo de actividades. É fascinante o que pode acontecer, e de facto esta revolução que se aproxima é bem a demonstração do génio e da capacidade do homem em fazer ciência e reinventar o seu futuro.

Como é que esta história fascinante começou?
Por incrível que pareça a história da robótica funde-se com a história da humanidade. A robótica não é uma invenção do século XX, nem do nosso milénio sequer. Fez parte do tempo e das reflexões de muitos dos melhores pensadores da nossa história comum: passou pela Grécia antiga, pelos árabes, andou com Leonardo Da Vinci, Nicola Tesla e muitos outros. Quando teve as condições próprias desenvolveu-se e está prestes a mudar a forma como vivemos.

Veja aqui um texto sobre a evolução da Robótica até aos dias de hoje:
http://robotics.dem.uc.pt/norberto/nova/pdfs/gregosxxi.pdf

A robótica moderna tem cerca de 50 anos. Teve o seu desenvolvimento potenciado pelo aparecimento do transístor e o desenvolvimento de componentes em semiconductor, e com eles dos computadores, dos sensores e actuadores, da informática e da capacidade de projectar e simular mecanismos complexos. Também beneficiou muito do I&D em novos materiais e soluções estruturais robustas e mais leves.

Uma boa revisão do estado actual e perspectivas futuras da robótica é apresentada no livro “Handbook of Robotics”, editado em 2008 pela prestigiada editora Springer (a maior editora mundial de ciência e tecnologia). Esse livro recebeu agora dois prémios PROSE (em Physical Sciences and Mathematics, e em Engineering Technologies), organizados pela Associação Americana de Editores, reconhecendo o mérito dos sucessos obtidos pela comunidade científica mundial na área ao longo destes 50 anos. Os editores do livro (Bruno Siciliano, presidente do IEEE Robotics and Automation Society e professor na Universidade de Nápoles, e Oussama Kathib, professor na Universidade de Stanford) reuniram 64 autores de todo o mundo (um português) com o objectivo de abranger todas as áreas da robótica.

Isto são coisas positivas e que nos deixam de olhos postos no futuro.

Mas, existe um lado negro e até assustador. Num livro recente (Wired to War), Peter Singer, Director da 21st Century Defense Initiative, lança um alerta sobre a possibilidade de usar a tecnologia robótica em aplicações militares letais e cruéis. Na verdade, isso também está próximo de acontecer. Robôs usados como soldados sem escrúpulos e letais, que fazem o trabalho sujo em cenários de guerra complicados, ou em acções terroristas. Na verdade, um robô não precisa de uma promessa de uma vida eterna com 72 virgens para fazer atentados ou cumprir uma missão assassina. Basta ser programado para isso ou controlado à distancia. Essa tecnologia robotizada e sem intervenção humana já existe, e é usada pelos militares para missões de alto risco. Quando for capaz de ser autónoma (aquilo que já sabemos fazer em muitas situações), isto é, quando for capaz de analisar o cenário e tomar decisões tendo em conta os objectivos que lhe foram fixados, permitirá construir máquinas temíveis, cruéis, muito eficazes e verdadeiramente assustadoras.

Também não me deixam nada orgulhoso os desenvolvimentos de robótica usados para a indústria do sexo. Máquinas parecidas com homens e mulheres que podem ser usadas como parceiro sexual. Funcionam, dizem. E como muitos diriam, têm a vantagem de ter um botão de ON e OFF.

Como em tudo na vida, podemos optar pela ciência e por usá-la para melhorar a nossa vida, fazendo justiça à nossa capacidade criativa. Mas também podemos criar situações terríveis que colocam em risco aquilo que somos. Como sempre podemos escolher, e eu sei que escolheremos bem.

J. Norberto Pires

Links:
Handbook of Robotics, Springer, 2008 (aqui)
Wired for War, 2009 (aqui)
Humanoid robot (woman): aqui e aqui.

domingo, 30 de novembro de 2008

Liberdade e ambiente de confiança favorecem a criatividade



Crónica de Norberto Pires de hoje (30 de Novembro) no Jornal de Notícias:

Esta semana assisti a uma conferência interessante sobre empreendedorismo e inovação. Em Portugal esse tipo de assunto acaba geralmente na discussão de aspectos culturais e organizacionais da sociedade portuguesa, nomeadamente em contraponto com sociedades consideradas mais evoluídas (geralmente da América do norte e Europa do norte), tentando com isso explicar os nossos fracos resultados em termos de iniciativa e risco.

Um dos tópicos de discussão é geralmente o da segurança do emprego, considerado como um aspecto negativo da nossa legislação e uma das razões do nosso crónico problema de competitividade. A lógica baseia-se no seguinte raciocínio simples: o excesso de segurança significa acomodação, menor empenho e iniciativa pessoal, ausência de proactividade, baixa procura de formação complementar o que tem em conjunto um efeito muito significativo no desempenho global e numa certa aversão à mudança.

É preciso algum cuidado com este raciocínio, porque se o excesso de segurança do emprego é prejudicial e tem efeitos óbvios na capacidade das organizações, a ausência de segurança é ainda muito pior. A ausência de segurança tem efeitos negativos, podendo ser um factor muito limitativo da capacidade de inovar e de empreender nas empresas. O que esperamos das pessoas é que pensem naquilo que fazem, que estejam prontas a criticar de forma construtiva e a discernir sobre as melhores opções e propostas: esta é uma forma de confronto que tem de ser bem gerida. A liberdade e o ambiente de confiança são fundamentais para os espíritos criativos, os quais constituem os principais agentes da inovação. E isso não é essencialmente um risco, mas antes uma mais-valia muito importante que as empresas devem proteger e gerir.

No entanto, é óbvio que existe em Portugal excesso de segurança do emprego sendo absolutamente urgente introduzir mecanismos que instabilizem e diferenciem de forma positiva, isto é, fazendo com que cada pessoa perceba que o seu desempenho, a forma como contribui para o sucesso da sua organização tem impacto no seu salário e na posição que ocupa na organização.

Em termos gerais, tenho para mim que são necessárias quatro condições para promover e incentivar o empreendedorismo, todas elas de alguma forma relacionadas com segurança: uma segurança social forte, que dê garantia ao empreendedor de não estar a arriscar de forma decisiva o futuro da sua família; um sistema de justiça célere e eficaz, que seja o garante das liberdades e garantias dos cidadãos; um sistema de saúde com as coberturas necessárias, para que o empreendedor perceba que não está a colocar em causa a saúde e bem-estar da sua família; um sistema de educação pública competitiva, tendencialmente gratuita, que seja uma garantia de uma educação eficaz. Não é por acaso que os países mais empreendedores, também são aqueles que têm estes sectores bem organizados e a funcionar eficientemente.

Os empreendedores são pessoas que gostam do risco, percebem que há oportunidades na boa gestão do risco, que vivem como pensam sem pensar como viverão. Mas para isso precisam de saber que não estão a colocar em causa o essencial, que a educação e saúde dos seus não estão em risco, e que existe um sistema de justiça que lhe dá garantias de celeridade e resolução de conflitos. São pessoas livres, disruptivas, dinâmicas e que tendem a estudar até à exaustão as coisas ou as actividades em que se envolvem. Precisam de ambientes mais flexíveis, livres, que incentivam a discussão, a crítica, o confronto de ideias, e que diferenciam pelo desempenho. Precisamos desta forma de instabilidade, mas sem exageros, e muito menos importando modelos do exterior.

J. Norberto Pires