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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

"PROFESSORES PARA QUÊ? ESTÁ TUDO NO GOOGLE!"




Na próxima terça-feira, dia 28 de Janeiro, às 18h, no âmbito do ciclo de palestras de cultura científica "Ciência às Seis - 4ª temporada", realiza-se no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a palestra intitulada "Professores para quê? Está tudo no Google" com Helena Damião, Professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e membro integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20) da mesma Universidade.



RESUMO DA PALESTRA:
"A designada “narrativa da educação do futuro/do século XXI”, criada por organizações internacionais de alcance global e adoptada nos mais diversos sistemas de ensino, incluindo o português, é composta por um conjunto de slogans que se vê reproduzido pelos agentes que, directa ou indirectamente, participam nesses sistemas. Entre esses slogans, destaca-se o seguinte: “está tudo no google” ou, numa formulação aproximada, “o google sabe tudo”. Explica-se que o conhecimento escolar, “antes” transmitido pelo professor, pode “agora”, com inúmeras vantagens, ser encontrado e trabalhado, de modo autónomo, pelos alunos com vista à aquisição de “competências”. A palestra centra-se neste slogan, cuja essência, note-se, vem de longe, apesar de a contemporaneidade lhe emprestar novas roupagens. Em concreto, com base na obra clássica “Professores para quê?”, de George Gusdorf, discute-se o seu sentido e consequências de que, como sociedade, devemos estar bem conscientes."

O Ciclo "Ciência às Seis" é coordenado por António Piedade, bioquímico, escritor e comunicador de ciência.

A entrada é livre e destinada ao público em geral interessado em cultura científica.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O século dos heróis

“Chesterton imaginou o Super-Homem como um ser débil e doente. Também outros super-homens têm os seus pontos fracos, o que, aos olhos dos seus admiradores, só torna o seu poder sobre-humano mais admirável.”
                                     Alberto Manguel, Monstros fabulosos, Tinta da China, 2019. 
 A Mitologia grega fala-nos da idade dos Heróis, uma era mítica em que a convivência entre humanos e imortais era considerada normal, sentindo-se os humanos uns privilegiados por serem bafejados com essa proximidade com os seres superiores.

Porém, nesse relacionamento destacava-se sempre a força das divindades em fazer valer o seu querer junto dos pobres mortais a quem subjugavam, irremediavelmente, sendo os homens castigados quando se atreviam a igualar-se a eles. Que o diga a jovem Aracne, a habilidosa tecedeira que se atreveu a equiparar-se a Atena e foi por tal orgulho castigada e transformada em aranha, ficando eternamente presa à sua teia.

Com essa mesma vontade divina, que tudo pode, os deuses seduziam as mais belas mortais, e sempre conseguiam os seus intentos graças às metamorfoses e aos disfarces e estratagemas sem conta que conseguiam inventar. Os maiores exemplos vêm dos amores de Zeus com as mortais, de cuja união nasciam seres extraordinários, pois não eram já iguais ao comum dos humanos, mas também não gozavam de todas as prerrogativas dos deuses olímpicos. Eram os semi-deuses, depois, muitos deles heróis, humanos com capacidades fora do normal, quer em força, quer em inteligência, recebidas da sua “costela” imortal, vinda do pai ou da mãe. Por vezes acontecia também o inverso, eram as deusas imortais que se apaixonavam pelos humanos. Veja-se o exemplo de Eneias, filho da deusa Vénus e do mortal Anquises.

Estes heróis, homens, em geral, mas também mulheres, praticavam na sua vida feitos extraordinários que acabavam por elevá-los à categoria de quase deuses. Eram-lhes dedicados templos, estátuas, monumentos de vária ordem, evocativos das suas façanhas, eram cantados pelos poetas o que levava a que nunca fossem esquecidos. Alguns seriam até admitidos no Olimpo junto dos deuses maiores. Os heróis lendários mais conhecidos são os que estão relacionados com a Guerra de Tróia, com destaque para Aquiles, Sarpédon, o filho de Zeus e de Europa, para além do astucioso Ulisses de quem tanto nos fala Homero. 

Passou, depois, esta época dos grandes heróis. 

Longos séculos nos separam dessas histórias que, tidas como verdadeiras, eram apresentadas como exemplos na educação da juventude. A Humanidade caiu em desgraça, mesmo muito depois de renovada pelas pedras de Deucalião e Pirra. A obscura Idade das Trevas, muito mais longa do que aquilo que a História define, reduziu o Humano à sua condição de imperfeito, tornou bem clara a separação entre os mortais e os imortais, a convivência terrena de uns e outros desapareceu. Os deuses deixaram de descer à terra. E essas histórias de semi-deuses e heróis ficaram apenas nos livros que continuam a encantar, em momentos de sonho que nos levam para lá do mundo real.

No entanto, essa era de heróis e seres imortais parece estar a regressar à terra. Outros são os deuses, mas não menos poderosos. E os heróis, criados por essas forças “divinas” aparecem a cada momento, divulgados, agora, pelos Homeros tecnológicos, pelos aedos da comunicação social. 

São os heróis enaltecidos e condecorados, a todo o momento apregoados e apontados como exemplos, adorados pela juventude, aproveitados pelas divindades do poder. Nas mais diferentes áreas há que escolher os melhores e elevá-los a essa categoria de seres extraordinários, endeusá-los, divulgar o seu valor pelo Universo para que sejam adorados pelos humildes mortais. É o melhor futebolista do mundo, o melhor treinador, o melhor goleador, o melhor aluno, o melhor professor do mundo, o empresário do ano, o banqueiro modelar, o melhor profissional, seja de que área for. E apresentam-se como exemplo, são modelos a imitar. E essa emulação, causa depois as angústias, na ânsia de igualar o “modelo”.

Por isso é preciso incentivar a criança, o jovem, o adulto. Desde pequenino incutir no menino, na menina a ideia de que tem de ser excepcional, no que quer que seja. Os pais tratam os filhos como príncipes e princesas a quem nada pode ser negado, a escola dá ao aluno todo o poder porque ele é senhor de si mesmo, capaz, empreendedor e não pode ser “humilhado” com uma repreensão ou uma classificação que destrua a sua auto-estima, porque eles têm o direito à felicidade, que passa, exactamente, por serem reconhecidos, enaltecidos, adulados. Surgem os pequenos ditadores, com uma elevada consideração se si mesmos, que a eles próprios se promovem, se tornam numa marca comercializável, considerando-se, antes que outros os considerem, os melhores, os mais aptos, os mais empreendedores, os mais... mais... 

É esta a nova era dos heróis. O século da auto-promoção, que, nessa busca ansiosa da felicidade gera as depressões, os desalentos, que, depois, é preciso tratar... Por isso, há que promover a psicologia positiva, desenvolver a inteligência emocional, incentivar a auto-estima, levar as pessoas a acreditar que o futuro depende exclusivamente de si próprias e que tudo se resolverá “se acreditarem em si mesmas” e que, por isso, devemos procurar sempre o prazer em tudo aquilo que fazemos. É, de acordo com um livro há pouco publicado entre nós, a “Ditadura da felicidade”*.

E surgem as ajudas para alcançarmos essa felicidade em nós: é o ioga, é o mindfulness, são os livros de auto-ajuda, são os psicólogos da “psicologia positiva”, são os cursos mais variados que nos levam nessa procura de “ser feliz” a todo o custo. 

E em que consiste essa felicidade? 

Não pode ser, com certeza, no poder económico, que vai gerar mais angústia para o alcançar, no trabalhar cada vez mais, graças aos exercícios de ioga ou outros, pois isso só trará menos tempo para usufruir dessa felicidade...

O conceito de felicidade não pode ser imposto pelos “deuses” do poder, não pode ser global e universal, vindo de cima, ele tem de sair das capacidades de cada um se libertar das amarras que o escravizam, da liberdade de cada mente para buscar aquilo que o realiza, que o torna melhor, porque mais sensível ao outro e que não é indiferente a tudo o que é verdadeiramente humano.

Isaltina Martins

*  Edgar Cabanas e Eva Illouz, A Ditadura da Felicidade, Círculo de Leitores, 2019.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Agenda Céptica

Neste mês e no próximo, a ciência e o cepticismo irão ter com os portugueses em vários pontos do país:

18 de Outubro, às 18h: "O logro das chamadas Terapias Alternativas: a importância da Medicina Baseada na Ciência", no Instituto Politécnico de Leiria. Organização da FFMS, com a moderação de David Marçal e tendo como oradores Edzard Ernst, Armando Brito de Sá e João Cerqueira.

19 de Outubro, às 16h: Tertúlia organizada pela Comcept, na Petisqueira Trinkas (na Praça dos Leões), no Porto. Venham para uma conversa informal, preparados para petiscar enquanto se fala de ciência.

2 de Novembro: ComceptCon, este ano dedicada ao tema da Evolução, no Museu de Leiria. Entrada gratuita, mas com inscrição. Saiba mais, aqui.


Outros eventos: 
Entre 15 de Outubro e 16 de Novembro, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) está a organizar um Ciclo de Debates e Conferências no âmbito do Mês da Ciência e da Educação, que terá lugar em 5 cidades diferentes. Para além do evento, acima mencionado, dedicado às Terapias Alternativas, as outras conferências agendadas são:

15 de Outubro: "O que comer? - Conferência de Ciência GPS", na Galeria da Biodiversidade, no Porto.

22 de Outubro: "Como a genética conta a nossa grande história humana", na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

30 de Outubro: "Como aprende o cérebro? O papel das ciências cognitivas na educação", Auditório do Liceu Camões, em Lisboa.

07 de Novembro: "A atitude científica: o que é ciência e o que não é", Universidade de Aveiro.





sexta-feira, 5 de julho de 2019

Ensino e sedução — Notas de leitura

O filósofo francês Gilles Lipovetsky, no seu mais recente ensaio publicado em Portugal, Agradar e Tocar — Ensaio sobre a Sociedade da Sedução, 2019, Lisboa, Edições 70, apresenta-nos mais uma extraordinária análise da sociedade contemporânea.

Neste ensaio, Lipovetsky analisa o poder da sedução, nos mais diferentes domínios, a sua presença ao longo da história da humanidade, mostrando que “agradar e tocar” é um princípio que se aplica a tudo e a todos:
“aplica-se aos homens, às mulheres, aos consumidores, bem como aos políticos e até aos pais; é “a lei e os profetas” dos tempos hipermodernos”, alertando para os perigos que daí advêm, pois “a sociedade da sedução, tal como hoje funciona, não é um modelo sustentável nem um futuro desejável”, lembrando que é preciso “uma sociedade da sedução de alguma forma aumentada ou enriquecida, que, dando todas as oportunidades à cultura, ao saber, à criatividade, proponha às gerações futuras atrações diferentes das do cosmos comercial.” (in Introdução)
No capítulo dedicado à sedução na educação, o filósofo analisa as várias “modas” em matéria de educação e ensino, desde a atitude dos pais perante os filhos às pedagogias nos estabelecimentos escolares. Fazendo uma análise do ensino ao longo do século XX, debruça-se sobre as correntes da Escola Nova e o seu ideal de espontaneidade da criança, que deve aprender por si, ao seu ritmo, segundo as suas apetências, sempre de forma lúdica e atractiva. Dando toda a liberdade à criança na construção do seu saber, nada impondo, a nada obrigando, numa inteira liberdade de escolha, estas pedagogias contribuíram para o fracasso na aquisição de conhecimentos e foram alvo das mais violentas críticas, principalmente por parte daqueles que defendiam o regresso à escola “tradicional”:
“O fracasso das pedagogias modernas... é flagrante, pois não permitem nem a aquisição de competências escolares elementares nem a redução das desigualdades sociais e da influência do meio de origem sobre os alunos.” p. 347
Acrescentado o autor:
“Fomos demasiado longe na eliminação dos métodos tradicionais de transmissão que são necessários para a aprendizagem da leitura e da escrita, para adquirir os mecanismos necessários ao bom exercício do pensamento. No entanto, isto não significa os apelos ao regresso da escola de outrora.” p. 347-348
Não é preciso regressar à escola de antigamente, mas saber conciliar os dois modelos, não rejeitar o que de bom existia, mas adaptar. A educação pela sedução, na ideia de que tudo tem de ser fácil e atractivo, de que a aprendizagem tem de ser feita a um ritmo agradável, eliminando todos os exercícios enfadonhos que afastam a criança do gosto de ir à escola, só conduz a maiores desigualdades sociais e a um desfasamento entre a escola e a sociedade:
“A aquisição dos saberes abstratos e cultivados exige necessariamente esforços perseverantes, disciplina intelectual, repetição, exercícios geralmente fastidiosos. Mas nem tudo deve ser lúdico e atrativo: o trabalho difícil, metódico e organizado dos alunos é necessário para transmitir o património dos saberes e desenvolver as capacidades de inteleção de todos.” p. 349
Depois das críticas a estas pedagogias da Escola Nova, outras “modernidades” surgiram, nos tempos mais actuais:
 “ uma nova magia apoderou-se da época: a do complexo digital-educativo.”
Assistimos agora ao deslumbramento pelas tecnologias, apresentadas como uma solução maravilhosa para todos os problemas do ensino, como uma nova “máquina” de sedução que dará a todos as mesmas oportunidades, que irá cativar os alunos para o gosto de aprender, que tornará a escola um local “apetecível” onde crianças e jovens gostam de estar, onde se sentem felizes. E assim:
“Ao peso da aquisição tradicional dos saberes, sucede uma aprendizagem “informal”, fragmentada e descontínua, que permite menos submissão ao discurso do mestre, mais interatividade e autonomia dos alunos que se tornam assim “agentes das suas próprias aprendizagens”. É a utopia da “sociedade descolarizada” já imaginada por Ivan  Illich, revitalizada, reerguida, possibilitada pelos milagres da informação em rede.” p. 351
Mais uma vez o autor alerta para os perigos deste exagero:
 “... não podemos abandonar a escola clássica, a única capaz de fornecer os conhecimentos básicos para saber ler, escrever, contar, exprimir-se corretamente, argumentar, expor com correção e rigor as ideias. Não enterremos demasiado depressa as práticas metódicas de aprendizagem, que, baseadas na repetição, na memorização, na transmissão das referências fundamentais, são tão indispensáveis como o eram no passado. A liberdade do espírito e a formação das mentes “bem feitas” exigem a perpetuação de alguns métodos clássicos “estritos”, mais necessários que nunca numa época de excrescência dos dados e de dispersão ”googlizada”. É ilusório pensar que as navegações na Internet estão à altura desta exigência e que são capazes de assegurar a aprendizagem do rigor intelectual, bem como o domínio das normas da expressão oral e escrita.” p. 354
Em tudo podemos ver como o excesso é prejudicial. Cortar de vez com o passado, na ideia de que tudo estava mal e que queremos, no presente, apresentar ideias novas, mais consentâneas com a actualidade, só pode gerar novas discrepâncias, fazer das novas gerações “cobaias” de experiências que nunca são avaliadas para delas se separar o melhor do pior.

Na educação, como em tudo, é preciso prudência na introdução de novos paradigmas, é preciso explicitar o que queremos e não “alinhar” em modas que, como a própria palavra indica, são passageiras. Essencialmente, é necessário aplicar aquela máxima dos sábios gregos μηδὲν ἄγαν, quer dizer “nada em excesso”, princípio que, aqui, é extremamente importante.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

ComceptCon 2017

De tempos a tempos surgem notícias da descoberta de novas provas de que Cristóvão Colombo era português. Mas será mesmo assim? Será este um debate real no meio académico, ou já existirá consenso, e, se sim, em que sentido? E como se relaciona tudo isso com os Descobrimentos portugueses?

Que imagens nos acompanham do nosso património português e das nossas tradições? E serão essas tradições assim tão antigas como pensamos?

Estando nós no ano de 2017, celebramos o centenário do fenómeno de Fátima, a que alguns chamam milagre. Mas sabemos mesmo o que aconteceu naquele dia? Terá o sol mesmo bailado? Haverá alguma explicação natural? Ou será apenas espiritual? Ou terá havido algum contacto alienígena, como alguns propõe?

Estas são apenas alguns dos temas que estarão em debate na "ComceptCon 2017", que este ano será dedicada aos Mitos da História, que terá lugar este sábado, dia 11 de Novembro, no Museu de Leiria, a partir das 10h até às 19h. A entrada é gratuita. Mais informações, aqui.


domingo, 13 de agosto de 2017

As "Reformas" na Educação

 
Como as “reformas educativas” andam sempre a repetir-se!
Mais uma achega aos textos que aqui têm sido publicados sobre este assunto.

Quem se lembra da Área-Escola?

A Área-Escola vem concretizada no Decreto-Lei nº 286/89, surgido da Proposta de Reorganização dos Planos Curriculares do Grupo de Trabalho para a Reforma do Sistema Educativo.
Integra-se como um elemento básico e essencial de todos os Objectivos Propostos, nos documentos legais da Reforma Educativa [Lei de Bases do Sistema Educativo - Lei n.º 46/86; Decreto-Lei n.º 286/89 que, no seu Art.º 6.º define a Área Escola; Despacho 142/ME/90 que institucionaliza a Área-Escola], sendo até denominada por Albano Estrela como "o pulmão da Reforma Educativa".
Dizia-se:
  Os Planos Curriculares dos ensinos básico e secundário compreendem uma área curricular não disciplinar com a duração anual de 95 a 100 horas, competindo à escola ou à área escolar decidir a respectiva distribuição, conteúdo e coordenação.
 São objectivos da área curricular não disciplinar a concretização dos saberes através de actividades e projectos multidisciplinares, a articulação entre a escola e o meio e a formação pessoal e social dos alunos.

O Plano de Concretização definia:
— A Área-Escola é uma área curricular, de natureza interdisciplinar e de frequência obrigatória.
Estabelecia como Finalidades — transcrevem-se algumas:
 - A aquisição de saberes para os quais concorram diversas disciplinas ou matérias de ensino, sempre numa perspectiva interdisciplinar;
-  A aquisição de instrumentos de trabalho, bem como o exercício das diferentes operações intelectuais, numa perspectiva de formação para a educação permanente;
-  A sensibilização dos alunos para a importância das problemáticas do meio onde a escola se insere;
- A ligação entre os saberes teóricos adquiridos ao nível das matérias de ensino ou das disciplinas e a sua aplicação prática;
-  A concretização de actividades que promovam o desenvolvimento do espírito de iniciativa, de organização, de autonomia e de solidariedade, aspectos fundamentais da formação integral do aluno;
-  A sensibilização dos alunos para a preservação dos valores da identidade nacional, no contexto da integração europeia;
-  O exercício de uma cidadania responsável através de vivências que os órgãos de gestão pedagógica entendam de interesse.

A Área-Escola define-se, assim, como:
"a linha de orientação e de motivação para a mudança. Ela surge fortemente relacionada com a alteração de atitudes e valores tradicionais no processo de ensino-aprendizagem e com a própria transformação da escola."

Integrada no Projecto Educativo da Escola e no Plano Anual de Actividades, a Área-Escola permite:
— o desenvolvimento de projectos aglutinadores dos saberes
— um espaço e tempo propícios à realização plena da interdisciplinaridade
É, portanto,  INOVAÇÃO  e  MUDANÇA, através da:
— Autonomia
 Pedagogia de Projecto
— A Pedagogia de Projecto surge como 'uma arma de combate' ao insucesso escolar; um meio eficaz de promover um modo diferente de socialização, uma verdadeira abertura da escola.
 ***************
Resultou? Parece que não! Avaliação?! Não consta que tenha sido feita... Assim como apareceu, assim desapareceu, substituída por outra coisa, com outro nome, mas, formalmente, com os mesmos objectivos... Os professores, que tiveram de a aplicar, sabem as razões do falhanço...
E agora? É só ler os documentos da "nova" reformulação e comparar... Irá resultar desta vez?
Até quando vamos andar nestas experimentações?? 
Aguardemos os resultados.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

"Seguimos em frente como se nada tivesse mudado"

Vale a pena ler:

Sem fins lucrativos. Por que a democracia precisa das humanidades.

de Martha C. Nussbaum.
professora de Direito e Ética da Universidade de Chicago.

(Edição consultada: Martins Fontes São Paulo, 2015)

"Estamos no meio de uma crise de enormes proporções e de grave significado global. Não me refiro à crise económica global que começou em 2008 (...) uma crise mundial da educação.

Estão a ocorrer mudanças radicais no que as sociedades democráticas ensinam aos seus jovens e essas mudanças não têm sido bem pensadas.

Obcecados pelo PNB, os países - e os seus sistemas de educação - estão a descartar, de forma imprudente, competências indispensáveis para manter viva a democracia. Se essa tendência prosseguir, todos os países estão produzindo gerações de máquinas lucrativas em vez de cidadãos integros que possam pensar por si próprios, criticar a tradição e entender o significado dos sofrimentos e das realizações dos outros. É disso que depende o futuro da democracia.

Que mudanças fundamentais são essas? [Em todos os níveis de ensino] as humanidades e as artes estão sendo eliminadas em quase todos os países do mundo.

Considerados pelos administradores públicos como enfeites inúteis, num momento em que as nações precisam eliminar todos os elementos inúteis para se manterem competitivas no mercado global, elas perdem rapidamente lugar nos currículos e, além disso, nas mentes e nos corações dos pais e dos filhos.

De facto, o que poderíamos chamar de aspectos humanistas da ciência e das ciências humanas (...) também está perdendo terrenos, já que os países preferem correr atrás do lucro de curto prazo por meio do aperfeiçoamento das competências lucrativas e extremamente práticas adequadas à geração do lucro.

Embora esta crise esteja diante de nós, ainda não a enfrentamos. Seguimos em frente como se nada tivesse mudado, quando, na verdade, são evidentes por toda a parte mudanças importantes.

Ainda não fizémos uma verdadeira reflexão sobre essas mudanças - na verdade, nós não as escolhemos - e, no entanto, elas limitam cada vez mais o nosso futuro."

domingo, 4 de dezembro de 2016

É muito importante tornar a humanidade mais humana

“Não temos consciência de que a literatura e os saberes humanísticos,
a cultura e o ensino constituem o líquido amniótico ideal no qual as ideias
de democracia, liberdade, justiça, laicidade, igualdade, direito à crítica, 
tolerância e solidariedade podem experimentar um vigoroso desenvolvimento”. 

A frase acima reproduzida é de Nuccio Ordine, professor italino de literatura, que recentemente publicou um livro - A inutilidade do inútil - que deveria se lido por todos os que têm responsabilidade no currículo escolar, desde decisores políticos, até aos professores e directores, passando pelos pais e encarregados da educação. O leitor perceberá porquê se vir o pequeno vídeo que se segue:


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Seminário “Dia da Internet Mais Segura 2015: Juntos vamos criar uma Internet melhor!”




Comemora-se no dia 10 de Fevereiro de 2015 o Dia da Internet mais Segura, evento organizado pela REDE INSAFE (rede de cooperação dos projectos que promovem a sensibilização para uma utilização mais segura da Internet pelas pessoas) e em Portugal pelo Centro Internet Segura, coordenado pela FCT- Fundação Para a Ciência e Tecnologia e que envolve a Direcção Geral da Educação (DGE), o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e a Microsoft Portugal.

A Direção-Geral da Educação (DGE), em parceria com Centro de Competência TIC Softciências, no âmbito do projeto SeguraNet, irá realizar o Seminário “Dia da Internet Mais Segura 2015: Juntos vamos criar uma Internet melhor!”, na Escola Básica e Secundária Quinta das Flores/Conservatório de Música de Coimbra, no dia 10 de fevereiro de 2015, das 10h00 às 17h00.

A participação no seminário é gratuita para toda a comunidade mas sujeita a inscrição. As inscrições encontram-se abertas, devendo os interessados preencher o formulário. Se não for professor coloque um "x" no campo Grupo Disciplinar.

Destaca-se a presença de:

             Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, Dr. Fernando Egídio Reis
             Project Coordinator in the Science Education team at European Schoolnet, Maité Debry
             Inspetor-chefe da Brigada de Investigação de Pornografia Infantil da Polícia Judiciária, Dr. Jorge Duque
             Coordenador do gabinete do Ministério Público no combate à cibercriminalidade, Dr. Pedro Verdelho
             Diretor de Serviços do Ministério da Defesa Nacional, Tenente-coronel César Reis

Esperamos que aceite o nosso convite para participar nestas celebrações, contribuindo para o seu sucesso e para uma navegação cada vez mais segura na Internet.

Consulte o programa do seminário. Mais informações em: www.seguranet.pt



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CIÊNCIA NA ESCOLA

Artigo de opinião publicado no caderno de educação do Diário As Beiras, publicado a 21-01-2015




Vivemos numa sociedade em que a aplicação do conhecimento científico é uma constante no nosso dia-a-dia. Imersos em ciência, mesmo que disso não nos apercebamos, é importante conhecê-la. Ter uma cultura geral científica é importante para sermos melhores cidadãos, para podermos ter a nossa própria opinião crítica, para podermos ser livres em democracia. Perceber o que é a ciência, ajuda-nos a compreender melhor o mundo em que vivemos. 

Neste contexto, o papel da escola é indispensável enquanto instituição que garante o ensino formal das ciências, permitindo que todos os cidadãos tenham acesso a conceitos básicos sobre como a ciência permite entender o Universo em que existimos.

O ensino da ciência deve estar presente durante a maior parte da escolaridade e começar o mais cedo possível, de preferência logo no pré-escolar. De facto, é desejável ensinar princípios básicos da ciência na infância e dotar o pensamento das crianças com as bases para uma melhor compreensão futura do conhecimento científico. As crianças têm uma natural curiosidade para compreender o mundo em que crescem e a ciência ajuda-as a despertar a sua inteligência para descobrir a natureza e como ela funciona. Os comunicadores de ciência são agentes importantes nesta apresentação da ciência às crianças.

O ensino da ciência na escola não deve ficar só pelo ensino das matérias científicas. Deve permitir que os alunos experimentem, saibam como é que a ciência se faz, compreendam o método experimental científico. É importante que os alunos saibam como é que a ciência funciona e avança. Neste aspecto, a escola deve promover o diálogo entre alunos e cientistas. E estes devem estar abertos a divulgar de forma acessível o seu trabalho científico e disponíveis para falar com os alunos sobre a sua actividade. Este contacto dá sentido prático ao conhecimento científico que os alunos aprendem na escola. Ao apresentarem a utilidade da sua investigação, os cientistas fertilizam a curiosidade dos jovens, para além de os cativar e incentivar para uma eventual profissão na ciência. A proximidade com os cientistas torna a ciência real, mais humana e emotiva.

Os comunicadores de ciência têm aqui um papel muito importante, uma vez que apresentam um conhecimento de uma forma interdisciplinar e mostram a importância das diferentes disciplinas para o avanço do conhecimento científico. A comunicação do conhecimento científico é intrínseca à própria ciência. Sem comunicação não há ciência. Também por isso, o ensino escolar da ciência deve, para ficar completo, promover a comunicação entre cientistas e alunos, como se disse. E o papel dos comunicadores de ciência nesta tarefa é essencial, pois constrói a ponte entre as duas comunidades. 

É que comunicar ciência é uma actividade cívica.


António Piedade

domingo, 9 de março de 2014

"A acessibilidade não se consegue pela via do populismo"

O texto que se segue tem tudo a ver com um outro que escrevi há quase dois anos (aqui).

Obras clássicas de música, dança, pintura e cinema têm sido usados para publicitar uma multiplicidade de produtos e serviços. A poesia nem tanto, mas talvez ela seja o futuro das marcas que pretendam passar uma imagem de beleza e subtileza, de arrojamento e sofisticação.

No anúncio que se pode ver aqui, encena-se o poema O fim, de Mário Sá-Carneiro. Nada há no minuto em que a leitura decorre e em que as imagens do cortejo fúnebre avançam que faça supor tratar-se de publicidade a uma empresa. Ela só aparece no fim, discretamente numa frase.

Percebe-se que o realizador sabe do seu ofício: deixa as pessoas desfrutarem o texto e a estética, como se essa fosse a única intenção. E, com toda a naturalidade, dela faz decorrer o objectivo final: levá-las a preferirem aquela marca que, por via do poema, se dá a entender que é diferente de todas as outras.

E foi, de facto, esse o impacto que percebi naquelas com quem falei a propósito: enfim, os meios não serão muito legítimos, mas fazem reviver a poesia, fazem-na sair dos livros...

Não encontrando melhores palavras do que as do maestro Daniel Barenboim, uso-as, adaptando-as ao caso (para fazer sentido: entre parênteses rectos o que se suprime, a azul o que se acrescenta):
"Este tipo de familiaridade é tudo menos benéfico para o estado da [música clássica] poesia nos nossos dias. Usar fragmentos de grandes [obras musicais] e instalá-los na cultura popular (ou na falta dela) não é solução para a crise da [música clássica] poesia. A acessibilidade não se consegue pela via do populismo; a acessibilidade consegue-se com um acréscimo do interesse, da curiosidade e do conhecimento (…). No caso da [música clássica] poesia, a educação é a rampa, ou o elevador, que a torna acessível. A concentração na [música] poesia é uma actividade que tem de começar muito cedo na vida para se desenvolver de forma orgânica."
Enquanto no campo da educação formal não se assumir a responsabilidade de levar o conhecimento fundamental a quem o não tem, a estratégia publicitária acima descrita e o tipo de argumentos que a justificam pode usado com todo o desplante por quem tem outros interesses que não o próprio conhecimento.
Maria Helena Damião

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Tudo se mistura e confunde

A propósito de alguma falta de reconhecimento da divulgação científica, que tem sido objecto de debate neste blogue.

A divulgação da ciência - que, vindo de longe, ganhou um enorme impulso depois da Segunda Grande Guerra, em grande medida, por causa dela - é fundamental em termos de informação e consciencialização das sociedades bem como nas decisões que podem tomar nos seus mais diversos sectores. Isso é ponto assente.

Porém, quando se fala em divulgação da ciência pensa-se, certamente, na divulgação de conhecimento produzido nas ditas "disciplinas duras" - química, física, biologia... - e na matemática - com estatuto epistemológico próprio - e não nas ditas "disciplinas moles" - a sociologia, a antropologia, a pedagogia...

No que respeita à pedagogia, que é a área que conheço melhor, tornou-se comum dissertar-se, opinar-se sobre os assuntos que trata sem que isso tivesse sido acompanhado da preparação que tal tarefa exige.

Exemplifico: ao ler no Público on line um artigo recente - Quando a escola deixar de ser uma fábrica de alunosdei conta da mistura de temas, factos e conceitos, das imprecisões, da infiltração do senso-comum no texto... Como muitos outros, este em vez de esclarecer confunde; em vez de informar desinforma, em vez de se aprofundar ideias deixa-as pela rama.

Neste artigo são tratados temas como...
a organização do espaço na sala de aula, a relação professor-aluno, a escola tradicional e a nova, a morte, sobrevivência e/ou mudança da instituição que é a escola, a relação da escola com a sociedade e o mercado de trabalho, a integração das tecnologias da informação e da comunicação no processo de ensino-aprendizagem (que muda o lugar do professor, do aluno e do conhecimento), os filmes que se disponibilizam na internet como forma de aprendizagem, a organização didáctica das aulas, a organização do espaço e mobiliário escolar, as competências que os alunos devem adquirir, a relação teoria-prática, os métodos de ensino, a motivação dos alunos, a alteração do currículo, avaliação da aprendizagem, o ambiente de sala de aula, as artes na educação, os estilos de aprendizagem, a tutoria e a home-shooling, a equidade, a igualdade de oportunidades, a inclusão social, a inovação pedagógica, casos de países, "pedagogias" e escolas de manifesto sucesso, a formação de professores, a relação entre a tutela e os terrenos educativos, a avaliação internacional, o número de alunos por turma, a aprendizagem colaborativa, o trabalho de grupo, a pesquisa e a discussão dos alunos, a autonomia dos alunos, a inter e multidisciplinaridade...
Podia continuar o meu exercício de cotejamento mas paro-o aqui, até porque ele é bastante para se perceber a ideologia que passa ao leitor e que se traduz em verdades inquestionáveis:
o aluno deve ser activo, é preciso mudar a escola porque a sociedade muda, os alunos de hoje são diferentes dos de épocas passadas, é fundamental reforçar a aprendizagem prática, os alunos devem integra-se em comunidades profissionais, a aprendizagem não é "decorar", a mais valia, em termos de aprendizagem do contacto com "vivências reais", deve preferir-se o brincar como forma de aprendizagem, a importância de se trabalhar a auto-estima dos alunos, é preciso que a avaliação se apresente despercebidamente aos alunos e não bem como avaliação, os alunos pode ser espontaneamente imaginativos e a criativos, a arte tem um poder libertador, a diferenciação pedagógica é uma mais-valia, é fundamental respeitar as necessidades individuais de cada aluno...
É possível identificar, nesse artigo, outras concepções de educação, mas também fico por aqui, apenas assinalo que nenhuma é analisada no sentido de se perceber o que está em jogo, qual o seu sentido histórico, social, filosófico... que investigação científica tem desencadeado e com que resultados.

Reconheço que não me fica muito bem assinar este texto, pois é, em certa medida por omissão dos (pejurativamente nomeados) especialistas em pedagogia que a divulgação científica nesta área está no estado que acima ilustrei. A sua responsabilidade neste particular ainda não se fez soar devidamente, sendo que ela devia fazer-se notar junto de jornais e jornalistas, na escrita artigos e livros que as mais diversas pessoas pudessem compreender e debater.

Há, pois, um trabalho imenso pela frente de divulgação do conhecimento pedagógico, ainda que já possamos contar com iniciativas meritórias (de algumas que tenho conhecimento dei conta aqui e aqui).

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Vaticano: Representatividade e Finanças



Uma das principais causas da crise financeira europeia é o tamanho do Estado. Nos últimos anos, vários países da região gastaram mais que do que entrou nos cofres públicos e a saúde financeira foi ladeira abaixo. Ao oeste do Rio Tibre, localizado no centro de Roma, a cidade-estado do Vaticano sofre com mesmo problema da Itália, Grécia e Espanha. Ou seja, as contas papais estão no vermelho.

Soberano da Itália desde 1929, o Vaticano amargou recentemente um dos piores anos de sua história em termos fiscais. Balanço aprovado pelo Conselho de Cardeais em julho do ano passado mostra que a cidade-estado amargou um déficit de US$ 18,4 milhões em 2011. Em 2010, após esforço para melhorar as contas, a Santa Sé havia registrado um auspicioso superávit de US$ 9,9 milhões.

O balanço aprovado pelo conselho dos cardeais não esconde a causa do rombo. "O item mais significativo nos gastos foi o relativo ao pessoal, que em 31 de dezembro somava 2.832 pessoas. Gastos com comunicação também devem ser considerados", diz o documento que apresentou o balanço de 2011.

Apesar de ter o 7º menor mercado de trabalho do mundo, a cidade-estado tem um índice elevado de trabalhadores por habitante: são 3,5 empregados para cada um dos 800 moradores da Santa Sé.

Ou seja, os servidores do Vaticano representam 354% da população. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o porcentual dos servidores públicos sobre a população no Brasil é cerca de 12% e, na média dos países da OCDE, o porcentual é de 22%.

Fonte:  Fernando Nakagawa, correspondente do Jornal O Estado de São Paulo em 11/02/2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Um panorama dos cursos a distância no Brasil:Curso de Licenciatura em Ciências da USP é um dos 13 considerados de excelência!

Dos 1.207 cursos de graduação a distância registrados no MEC (Ministério da Educação), somente 13 são considerados de excelência.

Foram considerados os que obtiveram nota máxima 5 nos índices CPC (Conceito Preliminar do Curso), baseado na avaliação de documentos, e CC (Conceito de Curso), definido após avaliação in loco do curso por uma comissão do MEC.

O sistema de pontuação é em ordem decrescente e dividido em cinco classificações: excelente (5), muito bom (4), suficiente (3). Cursos com nota abaixo de 3 são reprovados pelo MEC.
Atualmente há 89 cursos EAD com nota 4 e 160 com nota 3. Outros 60 cursos foram reprovados pela avaliação do ministério.

Veja abaixo os cursos à distância com nota máxima no MEC:
  • Administração - UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)
  • Administração - UnB (Universidade de Brasília)
  • Ciências - USP (Universidade de São Paulo)
  • Gestão Comercial - Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense)
  • Gestão de Micro e Pequenas Empresas - UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina)
  • Gestão da Tecnologia da Informação - UPF (Universidade de Passo Fundo)
  • História - PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)
  • Letras - UFSM (Universidade Federal de Santa Maria)
  • Música - UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
  • Pedagogia - UFScar (Universidade Federal de São Carlos)
  • Processos Gerenciais - Ebape (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas)
  • Sistemas de Computação - UFF (Universidade Federal Fluminense)
  • Teologia - Umesp (Universidade Metodista de São Paulo)
Fonte: e-MEC

Os critérios de avaliação levam em conta a proposta educacional de ensino e aprendizagem, os sistemas de comunicação, material didático, avaliação, equipe multidisciplinar, infraestrutura de apoio, gestão acadêmico-administrativa e sustentabilidade financeira. O Enade (Exame Nacional dos Estudantes) também é considerado na avaliação do governo.

Sem notas

A maioria dos cursos de graduação a distância autorizados pelo MEC ainda não têm suas notas divulgadas: 885. De acordo com o ministério, a falta de notas pode ter origem pelo processo de reconhecimento do curso (ou sua renovação) estar tramitando ou interposição e recurso pelas instituições de ensino.

Para Renato Bulcão, conselheiro da Abed (Associação Brasileira de Ensino a Distância), o número baixo de cursos considerados dentro dos padrões de qualidade é compreensível. "O processo de avaliação do MEC funciona, mas é lento e demorado. Por isso a lista sai com essa aparente distorção."

A regulação dos cursos superiores a distância segue dinâmica semelhante àquela dos cursos presenciais.
Para iniciar a oferta de um curso superior na modalidade a distância, a instituição precisa ser credenciada pelo MEC para essa finalidade e ter seu curso autorizado (no caso das faculdades, já que universidades e centros universitários têm autonomia).

Diplomas válidos

O diploma universitário só terá validade no Brasil se o curso for reconhecido pelo MEC. O reconhecimento só é dado após o resultado da avaliação feita quando a primeira turma do novo curso completa entre 50% e 75% de sua carga horária.

A checagem é feita no sistema online, em "consulta interativa", preenchendo-se o curso e o município da escola.

Para saber as notas das instituições, o modo mais rápido é a "opção avançada". Após selecionar "curso", "distância" e "em atividade", o programa fornece o resultado para ser visualizado em pdf ou excel.

Texto de Cláudia Emi Izumi

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Neste carnaval é com este bloco que eu vou!


Aproveitar o momento de descontração e a presença do grande público nas ruas para divulgar a ciência. Esse é o objetivo do bloco Com Ciência na Cabeça e Frevo no Pé, de Recife, que seguindo a tradição de todos os anos, no período do Carnaval, mais uma vez, agitou e informou os foliões na capital pernambucana. O desfile foi realizado nesta quarta-feira (6), às 19h, com concentração na Praça do Arsenal, na Torre Malakoff, no Recife Antigo.

Com a saída do grupo carnavalesco, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o Espaço Ciência, vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia do estado, lançaram oficialmente a edição 2013 da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), evento promovido em todo o país em outubro sob a coordenação nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Oportunidade também para que os participantes divulgassen a 65.ª Reunião Anual da SBPC, que será realizada na capital pernambucana, entre os dias 21 e 26 de julho.

A troça reúne cerca de 300 pessoas, entre estudantes e professores universitários e gestores públicos, que levam à população curiosidades diversas, como experimentos relacionados à química. O mais famoso deles é o chamado popularmente por “diabo vermelho” (uma solução química que mancha as roupas e depois desaparece com a evaporação da amônia).

Outra atração é o desfile dos bonecos gigantes, representando cientistas que prestaram relevantes contribuições para a ciência e a tecnologia, tanto para o Brasil como para o mundo. Participam do desfile neste ano os bonecos de Albert Einstein, Charles Darwin, Milton Santos, Marie Curie e Galileu Galilei, além dos pernambucanos Naíde Teodósio e José Leite Lopes.

“É um desfile que arrasta milhares de pessoas e que tem tido uma receptividade muito boa do público”, comenta o professor de química da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe) Antonio Carlos Pavão, um dos responsáveis pelo evento. Ele conta que, durante o percurso, foram distribuídos materiais informativos sobre os cientistas e que os próprios foliões buscam saber mais sobre os personagens representados pelos bonecos.( Fonte SBPC/PE )

A História do surgimento do carnaval é tão antiga quanto a história do mundo, a resquícios de que ele tenha surgido com os povos primitivos, que faziam festas agrícolas após as colheitas para homenagear os deuses. Séculos mais tarde os gregos faziam festas para homenagear o deus Dionísio, que é o deus do vinho e das festas. Em Roma, Dionísio receberia o nome de Baco entre 605 e 527 a.C. No Brasil, o Carnaval veio trazido possívelmente por portugueses em 1723, que brincavam nas ruas o entrudo que consistia de um cortejo de bonecos grandes seguidos por brincadeiras e festejos carnavalescos. Outros ainda afirmam que na Colônia, ao saberem do casamento do príncipe D. João com Carlota Joaquina, em 1786, os colonos saíram às ruas para comemorar com desfiles em carros alegóricos.  E outros ainda atribuem a comemoração da chegada da Família Real, onde as pessoas saíram comemorando pelas ruas com música, usando máscaras e fantasias. Hoje, o Carnaval brasileiro é um dos mais importantes do mundo, seja no Rio de Janeiro e São Paulo, com os desfiles, com o frevo de Pernambuco, ou mesmo nos trios da Bahia, nos Clubes mineiros, e o inusitado carnaval de Brasília mostrando a diversidade cultural do povo brasileiro (Fonte Prof.Vitor Andrade)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vocabulário Ortográfico Universal da Língua Portuguesa!

Texto de Antonio Delfim Netto (Folha de São Paulo em 06/02/2013)

A alegria de todos os governos em aprovar projetos de singular visibilidade, mas de aparência gratuita, é incontrolável. Não se trata de refinarias que só amadurecem em 20 anos ou de hidrelétricas que não terminam em menos de 15 anos, com aumentos de custos avassaladores, em que a experiência mostra que são repetitivos e mais graves quando a administração é direta. E trágicos, quando resultantes de emendas parlamentares.

Por maior que seja a boa vontade, não se encontra a realização de uma só ideia que tenha saído do papel e tenha sido entregue ao público no tempo aprazado e com custos ajustados de forma razoável. E praticamente todas terminam no Tribunal de Contas, ou nas delegacias de polícia...

Esses fatos não se limitam a obras "físicas" - uma estrada, uma ponte, um porto, uma usina térmica ou hidrelétrica. Temos agora um exemplo surrealista: o Acordo Ortográfico, nascido de genitores duvidosos e colocado na "roda" em Lisboa, nos idos de 1990!

Não tenho competência para avaliar se o acordo é uma necessidade e se vai estimular o enriquecimento linguístico ou o florescimento maior das já excelentes literaturas brasileira e portuguesa.

O que desejo é chamar a atenção para o que ocorre quando os governos (do Brasil e de Portugal) são estimulados a "meter a mão" numa tarefa que deveria ser deixada às respectivas academias de letras. Quando estas (se isso for possível antes do fim do mundo) chegarem a um compromisso e publicarem, no ano de 20.. (estou hoje com irrefreável otimismo!), o "Vocabulário Ortográfico Universal da Língua Portuguesa", adeririam a ele, com o tempo, todos os Estados da comunidade lusófona (se o desejassem...).

Vejam só o que diz o acordo de 1990: 1º) Até 1º/1/1993 os Estados signatários produzirão o vocabulário ortográfico comum; 2º) Em 1º/1/1994 ele entrará em vigor em todos eles.

Como era de esperar, tudo isso era só encenação e conversa! Em setembro de 2008 (como nada tinha acontecido), o então presidente Lula assinou um decreto determinando que em 1º/1/2009 o acordo começaria a funcionar e que em 31/12/2012 as duas grafias seriam uniformizadas. Gastou-se um rio de dinheiro público (foi publicado um dicionário escolar e um vocabulário ortográfico, ajustou-se a escrita de livros, jornais etc.). Produziu-se apenas uma enorme confusão e uma bem-vinda barreira de críticas pertinentes.

Felizmente, a presidente Dilma Rousseff em boa hora adiou (pena que não "sine die") mais uma vez, para 1º/1/2016 (depois de uma geração...), o "(Des)Acordo" de 1990! É o que resulta da ação dos governos quando eles insistem em meter a mão no que não devem.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Importante e esclarecedor depoimento sobre a importância do ensino virtual!

Testemunho de quem está a terminar um curso de 9 semanas de Introdução à Astronomia e na 4ª semana de outro curso de 10 semanas, em Genética e Evolução da Coursera: https://www.coursera.org/ 

"A minha formação base é Engenharia Física e Materiais da Universidade Nova, já lá vão mais de 20 anos. Iniciei o meu trabalho em fábricas, fiz mestrado em áreas mais propensas a esse mundo fabril e depois mudei para a área de serviços e tornei-me acima de tudo gestor. Seguiu-se MBA e muitos outros cursos de atualização.

Tudo isto, para dizer que tenho investido sempre na formação em formato dito tradicional e de alguma maneira sempre com um objetivo de adicionar conhecimentos em áreas que também contribuíam para uma evolução profissional.

No caso destes cursos a minha motivação é diferente. São pelo puro conhecimento sem sentido utilitário na minha vida profissional e nem sequer me interessa o certificado, que existe se se cumprir a avaliação (eu apenas a cumpro pelo desafio mas há quem o faça porque lhe interessa o certificado, independentemente do reconhecimento que tenha). E os cursos são excepcionais! A minha experiência é apenas de dois cursos; em ambos há grande profundidade, complexidade, exigência de trabalho (o de astronomia muito trabalho mesmo – atenção a quem o pretenda fazer pois deve contar com o dobro do tempo que é referido). O nível, neste caso é pré-universitário (só para permitir a pessoas com menos conhecimentos de matemática poderem aderir), mas há cursos de todos os tipos, temas e níveis.

Há também mecanismos de interação, como os hangouts, em que se colocam a falar alguns alunos com os professores através de vídeo, chat e email; há a curiosidade dos fusos horários nestes hangouts que são sempre na madrugada de alguém; há os prazos de entrega com base no fuso horário da costa leste dos Estados Unidos; há os fóruns de discussão que colocam os milhares de alunos (mais de 6000 no de astronomia e mais de 20000 no de genética) de todo o mundo (mesmo todo!) em interação incluindo professores; há a descoberta do limite da ética e do código de conduta que todos são obrigados a assinar e que se vê violada (ou quase) algumas vezes, quando nas discussões sobre os problemas há alunos que se aproximam tanto de revelar a solução que só não dão o resultado final; Há coisas engraçadíssimas, como por exemplo intervenções de pessoas que, no meio da profundidade, até matemática, das suas intervenções nos fóruns se nota alguma imaturidade e resolvemos tentar saber um pouco mais dessa pessoa entrando no seu perfil e descobrimos ser um miúdo de 12 anos do Paquistão; Há ainda o caso do hangout programado para alunos menores de 18 e que não pode acontecer porque a ferramenta da Google exigia ser usada por maiores; Enfim, um “Admirável Mundo Novo”.

Os meios que cada professor usa são semelhantes, mas a abordagem é diferente e os métodos de avaliação também, desde só trabalhos até trabalhos e testes. As plataformas são bastante sofisticadas e não vejo nestes meios uma redução do papel do professor. Diria mesmo que a exigência é enorme sobre estes. Não há aula em que não saia uma errata com correcções ao que o professor disse.

Tudo isto vindo de professores de topo, cheios de entusiasmo em estar a participar nisto e que, mesmo sendo gratuito e vendo-se que isto não os aliviou do seu trabalho normal, se mostram disponíveis e empenhados.

Claro que só funciona para alunos motivados, mas creio que estes meios, estarão certamente no cerne da educação no futuro, num papel principal ou complementar."

(Testemunho de Zurk-Portugal Lisboa)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria: Falta de medicamentos e médicos treinados contra a intoxicação pelo cianeto

Espuma de poliurateno: fumaça tóxica foi a responsável pelas mortes na boate Kiss, em Santa Maria, afirma a Polícia Civil (Autores Leslie Leitão, André Eler, Marcela Donini e Cecília Ritto- Fonte Veja Notícias em 01/02/2013)


Avião da FAB chegará no sábado(hoje) com o antídoto injetável trazido dos Estados Unidos para tratar os sobreviventes. Médicos de todo o mundo estão sendo consultados sobre a melhor forma de desintoxicar vítimas da substância - a mesmo usada nas câmaras de gás nazistas.

Os médicos encarregados do atendimento das vítimas da boate Kiss estão, neste momento, empenhados em conseguir desintoxicar os pacientes que inalaram a fumaça tóxica produzida durante o incêndio. Exames de sangue feitos em 16 pacientes internados no Hospital de Caridade de Santa Maria e em três pessoas que estão no Hospital Universitário da cidade indicaram a presença de altas concentrações de cianeto, ou gás cianídrico – a substância mortal usada nas câmaras de gás dos campos de concentração nazistas. A maior dificuldade para esse tipo de tratamento é a falta, no Brasil, da hidroxicobalamina, antídoto injetável usado para desintoxicação.

Para conseguir o medicamento, foi preciso trazer um lote da substância dos Estados Unidos. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) chegará no sábado(hoje) a Porto Alegre com o primeiro lote 140 kits de doses(Cyanokit), que serão distribuídas às unidades que receberam vítimas do incêndio. Os 140 kits foram doados pelo governo dos Estados Unidos.O lote de Cyanokit, está avaliado em mais de US$ 97 mil.

O tratamento desse tipo de intoxicação é um desafio para as equipes médicas. Diretor clínico do Hospital Universitário de Santa Maria, Arnaldo Teixeira Rodrigues afirma que nem os médicos da unidade estão a par do prazo máximo para garantir os efeitos do medicamento que faz a desintoxicação. Os médicos envolvidos no tratamento estão em contato com especialistas de diversas partes do mundo para definir o protocolo de utilização da substância. Na tarde desta sexta-feira, cerca de 20 médicos brasileiros fizeram uma videoconferência com 15 entidades internacionais para discutir a melhor forma de tratar os pacientes intoxicados.

A morte pelo gás cianídrico é rápida, varia entre alguns segundos e poucos minutos. Ele age no interior das células, inibindo o consumo de oxigênio. Quando a célula entra em contato com o cianeto, morre. No corpo, o gás se liga à mitocôndria e para de produzir energia. “É como se as células estivessem com falta de ar. Existe o oxigênio, mas elas não conseguem usar”, explica o farmacologista Daniel Junqueira Dorta, professor do departamento de química da USP de Ribeirão Preto e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia. O gás cianídrico é um dos mais tóxicos.

Associado a esse gás, os frequentadores da boate Kiss também inalaram monóxido de carbono, comum em casos de combustão de material orgânico. Esse gás se liga à hemoglobina de forma mais poderosa do que o oxigênio. Ou seja, o monóxido de carbono dificulta ou impede a ligação do oxigênio. “Nesses casos, as pessoas ficam com as extremidades arroxeadas por causa da falta de oxigenação”, afirma Dorta. A presença dos dois gases foi uma combinação fatal.

As vítimas do incêndio inalaram doses altíssimas do cianeto e monóxido de carbono, e por isso há risco de morte por asfixia mesmo dias depois do acidente. As proporções de cianeto encontradas no sangue dos pacientes são próximas de 200 mg/dl (miligrama por decilitro) mesmo após 80 horas de inalação. O aceitável, segundo médicos especialistas consultados pelo site de VEJA, é de 10 mg/dl. As vítimas têm, portanto, concentrações 20 vezes acima do suportável por um adulto saudável.

Espuma – O cianeto inalado pelos frequentadores da boate Kiss foi produzido pela queima da espuma sintética de cor escura empregada no isolamento acústico da casa noturna. Há materiais resistentes ao fogo usados nesse tipo de revestimento, mas na boate foi usado material mais barato, que propaga o fogo rapidamente e, em contato com o fogo, exala a fumaça tóxica. A espuma foi encontrada em aproximadamente um terço da boate.

Nesta sexta-feira(ontem), caiu de 127 para 124 o número de vítimas do incêndio na boate Kiss internadas segundo informou o Ministério da Saúde no início da tarde. Os pacientes estão hospitalizados em Santa Maria, Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas e Ijuí. Atualmente, 64 respiram com a ajuda de aparelhos. As unidades continuam aceitando profissionais de saúde e motoristas de ambulância voluntários podem se cadastrar para ajudar no auxílio aos feridos.

O que é o Cyanokit? 
O Cyanokit é um pó para solução para perfusão (administração gota a gota numa veia). Contém a substância activa hidroxocobalamina (vitamina B12a). 

 Para que é utilizado o Cyanokit? 
O Cyanokit é utilizado como antídoto para tratar intoxicação conhecida ou suspeita por cianeto, uma substância química extremamente tóxica.  A intoxicação por cianeto resulta, habitualmente, da exposição a fumo de incêndio, da inspiração ou da ingestão de cianeto, ou do seu contacto com a pele ou com as membranas mucosas (as superfícies úmidas do corpo, tais como o revestimento da boca). O medicamento só pode ser obtido mediante receita médica.  

Como se utiliza o Cyanokit? 
O Cyanokit é administrado como tratamento de emergência, logo que possível após a intoxicação. É administrado como perfusão intravenosa durante 15 minutos. Em adultos, a dose inicial é de 5 g. Em crianças, a dose inicial é de 70 mg por quilograma de peso corporal, até à dose máxima de 5 g. Poderá ser administrada uma segunda dose, dependendo da gravidade da intoxicação e da resposta do doente. A segunda dose é administrada durante um período de entre 15 minutos e duas horas, dependendo da condição do doente. A dose máxima é de 10 g em adultos e de 140 mg/kg em crianças até um máximo de 10 g. O Cyanokit é administrado em conjunto com medidas apropriadas para descontaminar e suportar o doente, incluindo o fornecimento de oxigénio para o doente respirar. 

Comentário do amigo José Batista, de Portugal:

 O cianeto é um inibidor da chamada cadeia respiratória da mitocôndria, a central energética das células, em que se produz (ou melhor se "recarrega") a molécula "adenosina trifosfato" (ATP) que é a "moeda" corrente de energia celular.

Podemos imaginar a cadeia respiratória como uma sequência de transportadores de electrons, electrons que têm como destino um receptor final que é o oxigénio molecular (O2). Ora, um dos passos dessa cadeia fica bloqueado pela ação inibidora irreversível do cianeto, o fluxo de electrons é impedido e o oxigénio não pode cumprir o seu papel que é recebê-lo, combinando-se em  seguida com ions de  hidrogénio para produzir água - a água que libertamos, sob a forma de vapor, através da expiração. Mas, obviamente, a morte muito rápida das células deve-se à impossibilidade de obter ATP indispensável nas reações metabólicas que consomem energia. Por isso, a morte por intoxicação com cianeto é muito rápida.

A intoxicação com monóxido de carbono (CO) tem outra "fisiologia". Esse gás liga-se à molécula transportadora de oxigénio dos pulmões para as células, chamada hemoglobina. Essa molécula (que contém ferro e que, por isso, dá a cor vermelha ao sangue) tem maior afinidade para o CO do que para o O2, pelo que, quando está ocupada com o CO permanece assim e não pode ligar-se ao O2. O facto de a hemoglobina não se ligar tão fortemente ao O2 como ao CO é que lhe permite o seu papel: fixa O2 nos pulmões, onde há muito O2 (elevada pressão parcial de O2) e liberta-o nos tecidos, junto das células, onde há pouco (baixa pressão parcial de O2), uma vez que as células o consomem rápida e continuamente. O CO é um dos gases que se libertam pelo escape dos carros, pelo que já muitas pessoas, intencionalmente ou não, morreram enquanto permaneceram em garagens fechadas com o motor do carro em funcionamento. Quando se usava carvão vegetal em braseiras, para aquecimento, também era frequente morrerem famílias inteiras, porque acendiam a braseira num compartimento e, por causa do frio, fechavam bem as portas e as janelas.


É curioso que, quando se é intoxicado por CO, a hemoglobina está "carregada" com gás, só que não o O2, e por isso, os "detetores" orgânicos da carência de O2 são como que enganados e as pessoas morrem calmamente, por exemplo com sonolência progressiva, sem sentiram qualquer horror pela falta de ar...


Uma maneira de ajudar alguém intoxicado com CO é rapidamente fazê-la respirar uma atmosfera de O2 puro. Assim a pressão parcial de O2 é máxima e pode forçar a desocupação da hemoglobina pelo CO.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Revolução do Ensino Superior Virtual (Thomas L.Friedman)

Autor Thomas L. Friedman - The New York Times

Deus sabe que há muitas más notícias no mundo atual que nos derrubam, mas está ocorrendo alguma coisa formidável que me deixa esperançoso com relação ao futuro. Trata-se da revolução, incipiente, no ensino superior online.

Nada tem mais potencial para tirar as pessoas da pobreza - oferecendo a elas um ensino acessível que vai ajudá-las a conseguir trabalho ou ter melhores condições no seu emprego. Nada tem mais potencial para libertar um bilhão de cérebros para solucionar os grandes problemas do mundo. E nada tem mais potencial para recriar o ensino superior do que as MOOC (Massive Open Online Course), plataformas desenvolvidas por especialistas de Stanford, por colegas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e por empresas como Coursera e Udacity.

Em maio, escrevi um artigo sobre a Coursera - fundada por dois cientistas da computação de Stanford, Daphne Koller e Andrew Ng. Há duas semanas, retornei a Palo Alto para saber do seu progresso. Quando visitei a Coursera, em 2012, cerca de 300 mil pessoas participavam de 38 cursos proferidos por professores de Stanford e de outras universidades de elite. Hoje, são 2,4 milhões de alunos e 214 cursos de 33 universidades, incluindo 8 internacionais.

Anant Agarwal, ex-diretor do laboratório de inteligência artificial do MIT, hoje é presidente da edX, uma plataforma sem fins lucrativos criada em conjunto pelo MIT e pela Universidade Harvard. Anant disse que, desde maio, cerca de 155 mil alunos do mundo todo participam do primeiro curso da edX: um curso introdutório sobre circuitos do MIT. “É um número superior ao total dos alunos do MIT em sua história de 150 anos”, afirmou.

Claro que somente uma pequena porcentagem desses alunos completa o curso, mas estou convencido de que, dentro de cinco anos, essas plataformas alcançarão um público mais amplo. Imagine como isso poderá mudar a ajuda externa dos EUA.

Gastando relativamente pouco, o país poderia arrendar um espaço num vilarejo egípcio, instalar duas dezenas de computadores e dispositivos de acesso à internet de alta velocidade via satélite, contratar um professor local como coordenador e convidar todos os egípcios que desejarem ter aulas online com os melhores professores do mundo e legendas em árabe.

É preciso ouvir as histórias narradas pelos pioneiros dessa iniciativa para compreender seu potencial revolucionário. Uma das favoritas de Daphne Koller é sobre Daniel, um jovem de 17 anos com autismo que se comunica por meio do computador.

Ele fez um curso online de poesia moderna oferecido pela Universidade da Pensilvânia. Segundo Daniel e seus pais, a combinação de um currículo acadêmico rigoroso, que exige que ele se concentre na sua tarefa, e do sistema de aprendizado online, que não força sua capacidade de se relacionar, permite que ele administre melhor o autismo.

Daphne mostrou uma carta de Daniel em que ele escreveu: “Por favor, relate à Coursera e à Universidade da Pensilvânia a minha história. Sou um jovem saindo do autismo. Ainda não consigo sentar-me numa sala de aula, de modo que esse foi meu primeiro curso de verdade. Agora, sei que posso me beneficiar de um trabalho que exige muito de mim e ter o prazer de me sintonizar com o mundo.”

Um membro da equipe do Coursera, que fez um curso sobre sustentabilidade, me disse que foi muito mais interessante do que um estudo similar que ele fez na faculdade. Do curso online participaram estudantes do mundo todo e, assim, “as discussões que surgiram foram muito mais valiosas e interessantes do que os debates com pessoas iguais de uma típica faculdade americana.

Mitch Duneier, professor de sociologia de Princeton, escreveu um ensaio sobre sua experiência ao dar aula num curso da Coursera. “Há alguns meses, quando o campus de Princeton ficou quase em silêncio depois das cerimônias de graduação, 40 mil estudantes de 113 países chegaram aqui via internet para um curso grátis de introdução à sociologia. Minha aula de abertura, sobre o clássico de C. Wright Mills, de 1959, The Sociological Imagination, foi concentrada na leitura minuciosa do texto de um capítulo-chave.

Pedi aos alunos para seguirem a análise em suas cópias, como faço em sala de aula. Quando dou essa aula em Princeton, normalmente, são feitas algumas perguntas perspicazes. Nesse caso, algumas horas depois de postar a versão online, os fóruns pegaram fogo, com centenas de comentários e perguntas. Alguns dias depois, eram milhares. Num espaço de três semanas, recebi mais feedback sobre minhas ideias na área de sociologia do que em toda a minha carreira de professor, o que influenciou consideravelmente cada uma das minhas aulas e seminários seguintes.”

Anant Agarwal, da edX, fala sobre um estudante no Cairo que teve dificuldades e postou uma mensagem dizendo que pretendia abandonar o curso online.

Em resposta, outros alunos no Cairo, da mesma classe, o convidaram para um encontro numa casa de chá, onde se ofereceram para ajudá-lo. Um estudante da Mongólia, de 15 anos, que estava na mesma classe, participando de um curso semipresencial, hoje está se candidatando a uma vaga no MIT e na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

À medida que pensamos no futuro do ensino superior, segundo o presidente do MIT, Rafael Reif, algo que hoje chamamos “diploma” será um conceito relacionado com “tijolos e argamassa” - e as tradicionais experiências no campus, que influenciarão cada vez mais a tecnologia e a internet para melhorar o trabalho em sala de aula e no laboratório.

Ao lado disso, contudo, muitas universidades oferecerão cursos online para estudantes de qualquer parte do mundo, em que eles conseguirão “credenciais” - ou seja, certificados atestando que realizaram o trabalho e passaram em todos os exames. O processo de criação de credenciais fidedignas certificando que o aluno domina adequadamente o assunto - e no qual um empregador pode confiar - ainda está sendo aperfeiçoado por todos os MOOCs. No entanto, uma vez resolvida a questão, esse fenômeno realmente se propagará muito.

Posso ver o dia em que você criará o seu diploma universitário participando dos melhores cursos online com os mais capacitados professores do mundo todo - de computação de Stanford, de empreendedorismo da Wharton, de ética da Brandeis, de literatura da Universidade de Edimburgo - pagando apenas uma taxa pelo certificado de conclusão do curso.

Isso mudará o ensino, o aprendizado e o caminho para o emprego. “Um novo mundo está se revelando”, disse Reif. “E todos terão de se adaptar”.

Matéria original em inglês:

http://www.nytimes.com/2013/01/27/opinion/sunday/friedman-revolution-hits-the-universities.html?ref=thomaslfriedman&_r=0

Artigo sobre a Coursera:

http://www.nytimes.com/2012/05/16/opinion/friedman-come-the-revolution.html