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segunda-feira, 6 de julho de 2020
sexta-feira, 3 de julho de 2020
“ARTE RUPESTRE NO CERRADO”
“ARTE RUPESTRE NO CERRADO” é o título da próxima palestra do
ciclo de divulgação científica “Ciência às Seis”, que ocorrerá no dia 7
de Julho, terça-feira, pelas 18h00, por vídeo conferência. O palestrante é o arqueólogo
António Batarda Fernandes, Chefe da Divisão de
Inventariação, Estudo e Salvaguarda do Património Arqueológico (DIESPA),
Departamento de Bens Culturais, Direção-Geral
do Património Cultural.
Os interessados podem seguir a
vídeo conferência através do link:
O ciclo de palestras de
divulgação científica “Ciência às Seis” é uma iniciativa do Rómulo Centro
Ciência Viva da Universidade de Coimbra, com coordenação do bioquímico e
comunicador ciência António Piedade.
Sinopse da palestra:
Situado no Brasil Central, o Cerrado formou até
algumas décadas atrás o ecossistema típico de aproximadamente 20% da área do
país. Até ao presente, estima-se que mais da metade dessa cobertura original
tenha sido perdida para a agricultura e criação de gado, com apenas 2,2% do seu
total protegido por leis federais. O município de Serranopólis, estado de
Goiás, acumula a presença de zonas de Cerrado razoavelmente bem preservadas,
com um complexo arqueológico significativo, abrangendo arte rupestre e locais de
ocupação humana. No total, 26 locais são conhecidos, apresentando arte
pré-histórica e camadas arqueológicas que remontam a 11.000 BP. Trabalhos de
emergência de conservação da arte rupestre criaram a oportunidade de
estabelecer um projeto de longo alcance dedicado à pesquisa, gestão,
conservação e envolvimento público dos valores do património cultural e natural
negligenciados e ameaçados da região: a arte rupestre pré-histórica e o
Cerrado. Dada a atual situação mundial (sustentabilidade de recursos, alterações
do clima, persistência de políticas económicas “business as usual”), o lema
"Pense globalmente, aja localmente" nunca terá sido tão verdadeiro
como no caso de Serranopólis. Num mundo global, a atuação local, tomando
partido das riquezas naturais e culturais únicas e endógenas da região, poderá
contribuir para moldar um futuro mais respeitador dos valores patrimoniais?
Nota biográfica:
Arqueólogo de formação, António
Batarda Fernandes (https://batarda.wordpress.com/) exerce atualmente funções de
Chefe da Divisão de Inventariação, Estudo e Salvaguarda do Património
Arqueológico (DIESPA), Departamento de Bens Culturais, Direção-Geral
do Património Cultural.
Até Fevereiro de 2020, exerceu
funções no Museu e Parque Arqueológico do Vale do Coa onde coordeneou o
Programa de Conservação da Arte Rupestre do Coa, co-coordenou os Serviços
Educativos e geriu o website da
Fundação Coa Parque além da presença nas chamadas redes sociais: Facebook, Youtube, Twitter, Instagram e TripAdvisor.
Na formação académica destaca-se
o Mestrado em Gestão de Sítios Arqueológicos pelo Instituto de Arqueologia da
University College London, apresentando tese sobre a
gestão das visitas aos sítios de arte rupestre do Vale do Coa, e o Doutoramento
em Arqueologia pela Escola de Ciências Aplicadas da Universidade de
Bournemouth, apresentando tese sobre a
conservação também dos sítios de arte rupestre do Vale do Coa.
Público alvo: todo(a)s o(a)s interessado(a)s em conhecimento e cultura científica!
quinta-feira, 25 de junho de 2020
“NOVAS “PROFISSÕES DE SONHO” ENTRE JOVENS”
“NOVAS “PROFISSÕES DE SONHO” ENTRE JOVENS” é o
título da próxima palestra do ciclo de divulgação científica “Ciência às
Seis”, que ocorrerá no dia 30 de Junho, terça-feira, pelas 18h00, por vídeo
conferência. O palestrante é o sociólogo Vitor Sérgio
Ferreira, Investigador Auxiliar no Instituto de
Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
Os interessados podem seguir a vídeo conferência através do
link:
O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às
Seis” é uma iniciativa do Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de
Coimbra, com coordenação do bioquímico e comunicador ciência António
Piedade.
Sinopse da palestra:
As tradicionais profissões de sonho
envolviam a crença no ensino superior, como ser médico, advogado, arquiteto ou
engenheiro. Hoje existem entre os jovens portugueses novas aspirações e opções
profissionais, já não exclusivamente
associadas a carreiras certificadas por diplomas universitários. O diploma de
ensino superior, afinal, não garante o acesso e progressão numa carreira ou um
emprego que corresponda à qualificação obtida. Sai fragilizada a sua procura otimista, bem
como os itinerários que oferece. Os jovens e suas famílias estão cada vez mais
conscientes destas realidades. São cada vez mais procuradas alternativas que
articulem escola, formação e trabalho. As promessas académicas competem
com promessas de outros meios sociais, como as culturas juvenis de pares e as
culturas mediáticas de celebridade. E novas atividades inspiram os imaginários dos mais jovens acerca dos seus possíveis meios de vida no futuro,
muitas vezes envoltas numa retórica de “sonho”. Existem hoje novas profissões
de sonho que não passam obrigatoriamente pela obtenção de um diploma
universitário. Venho investigando as de tatuador, DJ, jogador de futebol,
cozinheiro ou modelo, e mais recentemente, as de youtuber, streammer ou gamer, exercidas em
plataformas digitais. Que condições sociais e culturais favorecem e motivam a
atração dos jovens por este tipo de actividades?
A propósito desta palestra, sugerimos o visionamento
do documentário PARA ALÉM DA FAMA. BASTIDORES DE NOVAS "PROFISSÕES DE
SONHO, realizado por Paula Vanina Cencig e Vítor Sérgio Ferreira no âmbito do
projeto de investigação Tornando
profissões de sonho realidade: transições para novos mundos profissionais
atrativos aos jovens (financiado pela Fundação para a Ciência e a
Tecnologia (PTDC/CS-SOC/122727/2010), dá voz a alguns dos jovens que nele
participaram, contando as suas experiências, percursos e expetativas quanto a
exercer profissionalmente as atividades de modelo, DJ, chefe de cozinha e
futebolista.
O documentário pode ser visto na plataforma
YouTube:
Ficha técnica
Realização: Paula Vanina Cencig e Vitor
Sérgio Ferreira
Argumento: Paula Vanina Cencig, Vitor Sérgio
Ferreira, Alexandra Raimundo
Gravações, montagem e direção de arte: Paula
Vanina Cencig
Imagens de apoio: Maria João Taborda,
Alexandra Raimundo
Áudios de apoio: Alexandra Raimundo
Tratamento áudio: Christian Landone
Mixagem final áudio: Paula Vanina Cencig
Legendagem em Inglês: Carlos Duarte
Legendagem em Espanhol: Elsa Graciela
Shusterman de Cencig
Legendagem em Português do Brasil: Paula
Vanina Cencig
Sobre o orador:
Vítor Sérgio Ferreira é doutorado em
Sociologia pelo ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. Atualmente é
Investigador Auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de
Lisboa, onde coordena o grupo de investigação LIFE – Percursos de vida,
Desigualdades e Solidariedades: Práticas e Políticas, e é vice-coordenador do
Observatório Permanente da Juventude. É professor de Métodos e Técnicas de
Pesquisa Qualitativa, no Programa Interuniversitário de Doutoramento em
Sociologia: Conhecimento para Sociedades Abertas e Inclusivas (OpenSoc). Tem
coordenado e participado de vários projetos de investigação, com principal
incidência nas áreas da sociologia da juventude e do corpo. Tem publicado
nacional e internacionalmente sobre temáticas relacionadas com culturas juvenis
e transições para a vida adulta, gerações e percursos de vida, usos do corpo e
modificações corporais, e métodos e técnicas de pesquisa qualitativa.
Público alvo: todos os interessados em conhecimento
e cultura científica.
terça-feira, 16 de junho de 2020
“ENVELHECER SEMPRE JOVEM? A NEUROGÉNESE E A MEMÓRIA"
“Envelhecer
sempre jovem? A Neurogénese e a Memória” é o título da próxima palestra do
ciclo de divulgação científica “Ciência às Seis”, que ocorrerá no dia 23 de
Junho, pelas 18h00, por vídeo conferência. O palestrante é o biólogo João
Malva, Investigador Coordenador da Faculdade de Medicina da Universidade
de Coimbra.
Os
interessados podem seguir a vídeo conferência através do link: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/99094020436?fbclid=IwAR0o7Cloi-HxMY-ZN7qFxT7uo0ODHRtEvGUE6GYJYoP0SLPs0F5im0-cILk#success
O ciclo
de palestras de divulgação científica “Ciência às Seis” é uma iniciativa do Rómulo
Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, com coordenação do
bioquímico e comunicador ciência António Piedade.
Sinopse da palestra:
Nesta palestra serão abordados os
desafios relacionados com as alterações demográficas e com o envelhecimento das
populações. Iremos discutir a saúde e a doença na idade avançada e a
necessidade imperiosa de valorizar a promoção da saúde, ao longo de toda a
vida, através da adoção de estilos de vida saudáveis. Envelhecer é uma
inevitabilidade, mas a doença não é inevitável. Se é importante dar mais anos à
vida, veremos que é ainda mais importante dar mais vida aos anos.
Iremos abordar o envelhecimento e a
perda gradual de capacidades físicas e cognitivas. Veremos como a adoção de
estilos de vida saudáveis pode capacitar o cérebro com maior reserva cognitiva
em idade avançada e como isso pode contribuir para uma saúde mental mais
robusta para resistir à perda de memória. Falaremos sobre as células estaminais
neurais e sobre o seu papel na plasticidade
e na renovação neuronal, em circuitos que processam a memória.
Por último, iremos destacar alguns
projetos de desenvolvimento e implementação de boas práticas inovadoras para
promoção da vida saudável e do envelhecimento ativo. Daremos destaque à criação
da rede Ageing@Coimbra, Região Europeia para o Envelhecimento Ativo e Saudável.
Sobre João Malva:
Desempenha funções de Investigador
Coordenador da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Licenciado em Biologia (1987), Doutor
em Biologia Celular (1997), obteve a sua Agregação em Ciências da Saúde, no
ramo de Biomedicina (2009), pela Universidade de Coimbra.
A sua carreira científica tem-se
desenvolvido no domínio das Neurociências e no encontro de novas soluções
inovadoras para responder aos desafios da sociedade relacionados com o
envelhecimento. Coordena o grupo de investigação “Vida Saudável e
Envelhecimento Ativo” no Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida
(iCBR), da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Nos últimos anos destacou-se como
neurocientista, como criador de redes no domínio do envelhecimento e
coordenador de projetos estratégicos; tais como o consórcio Ageing@Coimbra, o
projeto H2020 ERA Chair (ERA@UC), o projeto H2020 teaming do Instituto
Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal), ou a Escola Europeia de
Doutoramento em Envelhecimento EIT Health, entre outros.
Foi “Director Adjunto” do consórcio
EIT-Health InnoStars (2015). Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de
Neurociências (2007-2011) e é membro (desde 2006) da European Dana Alliance for
the Brain (EDAB).
Foi Secretário da Assembleia da
Faculdade de Medicina (2009-2015) e Vice-Diretor do Instituto de Investigação
Interdisciplinar (2013-2015) da Universidade de Coimbra, e ainda membro do
Conselho Científico da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
(2015-2017).
Público-alvo: todos os interessados em conhecimento!
segunda-feira, 15 de junho de 2020
segunda-feira, 8 de junho de 2020
BURACOS NEGROS SOB UMA NOVA LUZ
O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às
Seis” está de volta!
O regresso será já no próximo dia 12 de Junho, pelas 18h00, dia em que o
astrofísico Vítor Cardoso dará, por vídeo conferência, a palestra
intitulada “Buracos negros sob uma nova luz”. Os interessados podem
seguir a vídeo conferência através do link: https://us02web.zoom.us/j/4748462924?pwd=dWV3clhtWHRYUFR6ZlpDYzdSMmFCZz09
O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às Seis” é uma
iniciativa do Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, com
coordenação do bioquímico e comunicador ciência António Piedade.
Resumo da palestra: Desde há milhares de
anos que tentamos entender porque e como é que as coisas caem. Esta busca
permitiu-nos entender a luz, o sistema solar, a galáxia e o próprio universo
com uma precisão sem precedente. Nesta palestra vamos discutir um pouco do que
aconteceu nos últimos 300 anos, com um foco especial nos últimos anos, em que
vimos ondas gravitacionais e buracos negros pela primeira vez na história da
humanidade.
Vítor Cardoso é Professor Catedrático
no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico, onde lidera o Grupo de
Gravitação (GRIT) do CENTRA. Os seus interesses de investigação incidem sobre
astrofísica e gravitação, em particular ondas gravitacionais e buracos negros e
a física do espaço. É autor de um livro e de cerca de 200 artigos publicados em
revistas internacionais. A sua investigação foi distinguida duas vezes
pelo European
Research Council. Em 2015 foi agraciado pelo Presidente da
República com a Ordem de Santiago D’Espada, pelas suas contribuições para a
ciência. Neste momento, é líder de um consórcio internacional de mais de 30
países europeus e centenas de cientistas, que se dedica ao estudo de ondas
gravitacionais e buracos negros. É membro fundador da Sociedade Portuguesa de
Relatividade e Gravitação.
Público alvo: todos os interessados em conhecimento!
Link para o evento no Facebook
quarta-feira, 27 de maio de 2020
QUE TESTES EXISTEM PARA O NOVO CORONAVÍRUS SARS-COV-2?
Modelo tridimensional do coronavírus SARS-CoV-2 VISUAL SCIENCE
(Artigo primeiramente publicado na imprensa regional de todo o pais.)
Testar, testar, testar. Tem sido esta
uma das palavras de ordem enunciada repetidamente pela Organização Mundial da
Saúde. De facto, uma das formas de parar a propagação do novo coronavírus SARS-CoV-2,
causador da COVID-19, é a de detectar o mais rápido possível as pessoas
infectadas e isolá-las de forma a parar a transmissão na comunidade. Que testes
existem para o efeito? Existem pelo menos três testes para detectar a presença
do novo coronavírus. Um detecta o seu material genético, outro detecta a presença
de anticorpos que tenham sido produzidos pelo sistema imunitário de uma pessoa
infectada e um terceiro, mais recente, detecta pequenas partículas virais (por
exemplo as espículas do capsídeo proteico) que são designadas por antigénios,
por serem capazes de desencadear uma resposta imunitária no hospedeiro.
Cerca de duas semanas depois de o SARS-CoV-2
ter sido identificado pela primeira vez, na China, cientistas chineses
conseguiram mapear o código genético deste novo coronavírus. Este conhecimento,
que foi partilhado a nível mundial no prenúncio da colaboração científica sem
precedentes à escala global que se tem verificado, permitiu, quase de imediato,
desenvolver um teste de biologia molecular que permite detectar a presença de
material genético do vírus no corpo humano. Os cientistas estavam preparados
para o fazer, pois a estratégia de detecção subjacente foi sendo desenvolvida
para outros vírus há décadas, baseada na utilização da técnica bioanalítica de
PCR (sigla inglesa
para a recção em cadeia da polimerase, desenvolvida em 1983 por Kary Mullis, o que lhe valeu o prémio
Nobel em 1993).
Como
funciona este teste? Com a ajuda de uma zaragatoa apropriada, é retirada uma
amostra de secreções e células epiteliais do nariz ou da parte posterior da
garganta do suspeito. A zaragatoa com a amostra do exsudado biológico é
colocada num tudo adequado e esterilizado, que contem uma solução que evita a sua
degradação. O tubo com a amostra é de seguida enviado para um laboratório
certificado, onde será efectuado primeiramente um tratamento que inactiva os
vírus eventualmente presentes. Isto é importante para evitar que acidentes de
contaminação possam acontecer com o pessoal de laboratório. Depois, o conteúdo
da amostra é tratado com reagentes próprios que extraem o material genético que
existe no vírus (no caso do SARS-CoV-2, o material genético é constituído por
uma cadeia simples de RNA). Como o material genético existirá em pequenas
quantidades, é preciso amplificá-lo para que possa ser detectado, se
eventualmente presente. E isto é feito através da reacção em cadeia da
polimerase (PCR), um processo cíclico que pode demorar várias horas. Numa
determinada fase deste processo, é adicionado um marcador fluorescente que se
liga ao material genético. O resultado é depois analisado medindo a
fluorescência presente. Se esta tiver uma determinada intensidade significativa,
isso é indicador de que existiam coronavírus na amostra retirada da pessoa
testada e que ela está infectada com vírus activos. O teste é então dito
positivo. Ressalve-se que, como acontece em todos os testes laboratoriais, este
também apresenta uma certa incerteza, que pode chegar, segundo alguns estudos
recentes, até aos 11%. Ou seja, em 100 testes efectuados, 11 podem ser falsos
positivos ou negativos. Mas é o melhor que temos até agora a nível de testes de
biologia molecular para detectar directamente a presença do SARS-CoV-2 numa
determinada pessoa.
O segundo tipo de testes referido é
aquele que é designado por teste serológico. O objectivo deste teste é o de
tentar identificar a presença de anticorpos que tenham sido desenvolvidos pelo
sistema imunitário de uma pessoa que tenha estado infectada com o SARS-CoV-2.
Este tipo de teste é mais útil numa fase posterior da infecção, uma vez que o
sistema imunitário de uma “pessoa normal” “precisa” de cerca de 5 a 10 dias
após o contágio, para produzir anticorpos em número suficiente para poderem ser
detectados de forma quantitativa ou qualitativa. A análise neste tipo de teste
serológico é mais rápida do que a do tipo de teste descrito anteriormente, não
precisa de ser realizada num laboratório de biologia molecular, podendo gerar
resultados em cerca de menos de uma hora. São testes de diagnóstico ditos
rápidos!
Quando realizado numa amostra
representativa da população, este teste serológico pode dar informações sobre a
taxa de exposição ao vírus de uma população e, consequentemente, servir de base
para o conhecimento da evolução epidemiológica da doença e assim orientar,
científica e adequadamente, as autoridades de saúde nos seus esforços para
atenuar ou aumentar as medidas de confinamento social.
Este
teste é efectuado a partir de uma pequena amostra de sangue de uma pessoa. Os
testes são desenhados para detectarem a presença de anticorpos específicos dos
tipos IgM e IgG para o SARS-CoV-2. De uma forma muito simples, podemos dizer
que a presença de anticorpos do tipo IgM significa que a pessoa ainda se
encontra numa fase precoce da infecção, enquanto que a presença de anticorpos
do tipo IgG e ausência de IgM específicos para este coronavírus pode indicar
que a pessoa teve contacto com o vírus mas já não estará infectada. Em relação
à COVID-19, este padrão de seroconversão entre IgM e IgG ainda não está
completamente estabelecido, não se sabendo bem quanto tempo os anticoporpos do
tipo IgG permanecem no organismo e se conferem uma potencial imunidade natural
contra o SARS-CoV-2. A exactidão deste tipo de teste serológico continua a ser
estudado, estando em causa quer a sua sensibilidade em detectar pessoas
infectadas, quer a sua especificidade às estirpes circulante de SARS-CoV-2 o
que condiciona a percentagem de falsos positivos e negativos.
O
terceiro tipo de teste acima referido foi desenvolvido ainda mais recentemente
e detecta, de forma mais rápida do que o primeiro, a presença do vírus numa
pessoa eventualmente infectada. É recolhida na mesma com uma zaragatoa um
exsudado do nariz ou da parte posterior da garganta. A amostra é sujeita a um
tratamento de forma a fragmentar as proteínas dos vírus que possam estar presentes.
Os fragmentos proteicos virais resultantes são depois testados por interacção
com anticorpos monoclonais desenvolvidos especificamente para antigénios do SARS-CoV-2. Este tipo de teste pode ser realizado fora do
laboratório, por exemplo no consultório de um médico ou numa triagem
hospitalar, o resultado qualitativo (positivo ou negativo) é obtido em cerca de
15 minutos e dá a indicação de a pessoa estar, ou não, infectada com o novo
coronavírus. Apesar de ser muito mais impreciso do que o teste molecular que
identifica a presença de material genético, este tipo de teste à presença de
antigénios virais tem a vantagem da sua rapidez permitir isolar de imediato um
potencial suspeito. Um resultado positivo poderá ter de ser confirmado pelo
teste genético e não é sinal de imunidade para o SARS-CoV-2.
Estes
testes de diagnóstico rápido, menos onerosos também por não necessitarem de
laboratórios de biologia molecular e poderem ser efectuados por pessoal não
especializado, apesar de menos precisos, podem ser ferramentas essenciais e
valiosos na monitorização da exposição e circulação do vírus SARS-CoV-2 na
comunidade e permitir avaliar a tão desejada “imunidade de grupo” de uma dada
população.
Por
fim, e por agora, dizer que estes cinco meses de “convivência” pandémica com
esta nova doença permitiu-nos apreender a compreendê-la e trata-la melhor na
frente hospitalar, mesmo ainda sem medicamentos específicos e na ausência de
uma vacina eficiente e protectiva que poderá tardar a estar disponível apesar
dos enormes esforços de cooperação interlaboratorial a nível mundial.
Temos
de aprender a conviver com este vírus que, tudo indica, se tornará endémico,
veio para ficar entre nós, num equilíbrio difícil entre a prevenção pelo
princípio da precaução e o restabelecimento de uma normalidade de convivência
social. A ciência está a dar e dará respostas seguras, que os políticos
necessitam para fundamentar as suas decisões de saúde pública, mas precisa para
isso de tempo para corrigir eventuais erros e dissipar dúvidas e incertezas
inerentes ao próprio método científico. É preciso ser humilde e dizer que ainda
há muitas coisas que não sabemos sobre a COVID-19 e sobre a evolução futura da
pandemia.
Protejam-se
e protejam os outros. É que a pandemia ainda não terminou!
António
Piedade
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
CORRIGIR O GENOMA HUMANO COM EDIÇÃO GENÉTICA
Na próxima 3ª feira, dia 3 de Março de 2020, pelas 18h00, vai
ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra "The
Modern Prometheus": corrigir o genoma humano com edição genética, por Pedro Antas, investigador pós-doutorado no Centro de Doenças Crónicas da Faculdade de
Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, no laboratório Mecanismos
Moleculares de Doença, onde actualmente coordena um projecto financiado pela
Fundação Americana Choroideremia Foundation.
Esta palestra
integra-se no já popular ciclo "Ciência às Seis – 4ª temporada",
coordenado por António Piedade, Bioquímico, escritor e Comunicador de Ciência.
Sinopse da palestra:
“Hoje,
inúmeras doenças genéticas poderiam ser tratadas num abrir e fechar de olhos.
Podemos corrigir mutações de um gene com uma facilidade impensável há 10 anos
atrás. Aliás, já nasceram os primeiros bebés geneticamente modificados.
Mas afinal o que é
uma doença genética? Como é que a podemos curar? E se o desenvolvimento dessa
cura abrir portas para criarmos descendentes por medida? Até onde estamos
dispostos a ir? O que está a sociedade disposta a aceitar?
Nesta palestra propomos-nos abordar algumas destas questões e falaremos, em particular, da doença Coroideremia, doença genética que provoca perda de visão a partir dos 20 anos de idade.”
Nesta palestra propomos-nos abordar algumas destas questões e falaremos, em particular, da doença Coroideremia, doença genética que provoca perda de visão a partir dos 20 anos de idade.”
Nota sobre Pedro
Antas:
Pedro Antas é investigador pós-doutorado no Centro de Doenças Crónicas da
Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, no laboratório
Mecanismos Moleculares de Doença, onde actualmente coordena um projecto
financiado pela Fundação Americana Choroideremia Foundation. Licenciou-se em
Biologia Celular e Biotecnologia na Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa e fez o seu mestrado em Biologia Humana na mesma faculdade. Obteve o seu
grau de doutoramento na University College of London num trabalho desenvolvido
no The Francis Crick Institute em Londres, em Biologia das Células Estaminais e
Cancro. No seu período em Londres presidiu à PARSUK- Associação de
Investigadores e Estudantes Portuguese no Reino Unido, e integrou também o
Centro de Science Policy da Royal Society que providencia aconselhamento
cientifico ao governo britânico.
ENTRADA LIVRE
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
"PROFESSORES PARA QUÊ? ESTÁ TUDO NO GOOGLE!"
Na próxima terça-feira,
dia 28 de Janeiro, às 18h, no âmbito do ciclo de palestras de cultura
científica "Ciência às Seis - 4ª temporada", realiza-se no RÓMULO - Centro Ciência Viva da
Universidade de Coimbra, a palestra intitulada "Professores para quê?
Está tudo no Google" com Helena Damião, Professora da Faculdade de
Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e membro
integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20) da
mesma Universidade.
RESUMO DA PALESTRA:
"A designada “narrativa da educação do futuro/do século XXI”, criada por
organizações internacionais de alcance global e adoptada nos mais diversos
sistemas de ensino, incluindo o português, é composta por um conjunto de
slogans que se vê reproduzido pelos agentes que, directa ou indirectamente,
participam nesses sistemas. Entre esses slogans, destaca-se o seguinte: “está
tudo no google” ou, numa formulação aproximada, “o google sabe tudo”.
Explica-se que o conhecimento escolar, “antes” transmitido pelo professor, pode
“agora”, com inúmeras vantagens, ser encontrado e trabalhado, de modo autónomo,
pelos alunos com vista à aquisição de “competências”. A palestra centra-se
neste slogan, cuja essência, note-se, vem de longe, apesar de a
contemporaneidade lhe emprestar novas roupagens. Em concreto, com base na obra
clássica “Professores para quê?”, de George Gusdorf, discute-se o seu sentido e
consequências de que, como sociedade, devemos estar bem conscientes."
O Ciclo "Ciência às Seis" é coordenado por António Piedade, bioquímico, escritor e comunicador de ciência.
A entrada é livre e
destinada ao público em geral interessado em cultura científica.
sábado, 30 de novembro de 2019
APRESENTAÇÃO DE "DIÁLOGOS COM CIÊNCIA" DE ANTÓNIO PIEDADE
Com a devida vénia e agradecimento, transcrevo a seguir o texto da apresentação que a professora Carla Fernandes fez do meu livro "Diálogos com Ciência", aquando do seu lançamento no passado dia 28 de Novembro de 2019, na livraria Bertrand, no Alma Shopping, em Coimbra.
“Diálogos com Ciência”, a
obra da autoria de António Piedade, bioquímico, investigador e comunicador de
ciência, não é uma novidade, mas antes uma retoma a que a editora “Trinta por
uma Linha” deu uma nova e feliz roupagem.
De entre os escritos
publicados pelo autor, estes revelam, com particular acuidade, a intenção de
conferir uma missão especial aos que se dedicam à investigação: tornar a
Ciência acessível a todos, em particular aos mais jovens.
Podemos interrogar-nos
para que serve a ciência se não for aplicada em contexto e/ou se não contribuir
para a evolução dos saberes do vulgar ser humano. Do ponto de vista
epistemológico, este é um aspeto que se discute há muito. De facto, a ciência e a tecnologia são
frutos da cultura moderna e pós-moderna que decorrem da investigação praticada
nos centros de produção do saber, normalmente situada sob a chancela do meio universitário.
Contudo, a forma como as descobertas científicas são divulgadas é uma questão
premente, considerando que a maioria dos artigos científicos são publicados em
revistas especializadas e o eco do seu impacto para a evolução do conhecimento
comum é tardio ou muitas vezes até
inexistente. Essa contradição entre a velocidade a que se produz o
conhecimento, freneticamente acelerado hoje em dia, e a lenta perceção dos
avanços realizados deve preocupar-nos... Se recuarmos ao século XX, já
Habermass (2007) se interrogava sobre qual seria o papel da ciência e a
função que a atividade científica
deveria desempenhar na sociedade. Na realidade, concluía o mesmo pensador, que
esta força libertadora da tecnologia trouxe com ela a instrumentalização,
transformando-se muitas vezes, paradoxalmente, num entrave à própria liberdade
humana. A bem do exercício do pensamento crítico e da capacidade de análise do
mundo pelos cidadãos, que se querem ativos e interventivos, a transmissão do
conhecimento científico e a comunicação em ciência são vetores de investimento
inalienáveis para um progresso sustentável.
Neste pressuposto, a atividade do cientista ganharia muito
em transformar-se com a comunicação de ciência, por forma a favorecer o acesso,
a difusão, a reflexão e, por inerência, a interdisciplinaridade, pois o diálogo
entre as ciências é algo primacial para uma construção equilibrada do saber
universal. Por outro lado, a comunicação com o mundo do qual partem todas as
questões é uma tarefa de básica honestidade. É como se eticamente lhe fosse
devida uma resposta às interrogações, não a verdade (que é sempre efémera), mas
uma descodificação de conclusões que, afinal, são um investimento de todos os
cidadãos.
Invocando o professor Rómulo de Carvalho,
lembramos que, em boa hora, expôs o truque da sua pedagogia: “Estimular é saber
tirar proveito das coisas, saber encantar, digamos, pôr as coisas em relevo,
mesmo as coisas insignificantes(…) Tornar pensáveis as coisas habituais que não
se pensam”. “Diálogos com Ciência” segue este esteio de tornar
atraente e pensável o que poderia ser aparentemente inócuo e o seu autor é o
exemplo desta tentativa salutar.
O
livro, dirigindo-se fundamentalmente a um público infantil e juvenil, consegue
captar também a atenção de leitores adultos, movidos de natural curiosidade ou
pelo interesse intrínseco por matérias
científicas. Isto faz dele um veículo de conhecimento transversal que começa no
próprio objeto (pela diversidade de conteúdos científicos que explora) e se
estende ao seu recetor, dotado de pluralidade.
A característica
dialógica, marcada desde logo no título, põe em relevo um modo de representação
do discurso que é efetivamente uma marca do estilo do autor neste género, que
oscila entre a veia literária e o foco
das diferentes temáticas científicas abordadas. Na verdade, estas narrativas
breves são, muitas vezes, construídas
com recurso a conversas de improviso que expõem, de modo simples, as questões
em torno de um determinado problema científico, que se vai desmistificando ao
longo da interação entre as personagens. Veja-se, a título de exemplo, a
composição química da lágrima, com reminiscências de Gedeão, explicada num tom
paciente pelo tio António em “O que tem a tua lágrima?”. As crianças,
naturalmente curiosas, questionam, os adultos respondem-lhes, com linguagem
clara, e dão exemplos. E assim o leitor vai sendo conduzido para a decifração
dos diferentes cambiantes da ciência, explorados em cada história.
Efetivamente, no seu
conjunto, estas mini-histórias, nas
palavras do autor do prefácio, o Professor Carlos Fiolhais, fazem transparecer
a ciência de uma forma natural e simples. Afinal, para compreender melhor o que
se aprende nas ciências está ao alcance de um piscar de olhos. Basta ler
histórias. Convocamos para esta nossa reflexão a conhecida afirmação de
Einstein (ícone intemporal da ciência), que, segundo Maria Emília Traça (1992: 23), sugere à mãe
de uma criança que lhe leia contos de fadas.
E citamos: “Era uma vez um famoso físico chamado Albert
Einstein, que um dia encontrou uma senhora extremamente desejosa de ver o seu
filho triunfar numa carreira científica. A senhora pediu ao sábio que lhe desse
conselhos sobre a educação do seu filho, em particular sobre o tipo de livros
que lhe deveria ler.
– ‘Contos de fadas’, respondeu Einstein, sem hesitar.
– ‘Está bem, mas que deverei ler-lhe em seguida?’,
perguntou a ansiosa mãe.
– ‘Mais Contos de fadas’, replicou o grande cientista
acenando com o seu cachimbo como um feiticeiro que prenuncia um final feliz
para uma longa aventura.”
Pois bem, é certo que a
narratividade favorece a compreensão leitora e talvez a ciência possa tornar-se
mais sedutora para todos se for comunicada de mãos dadas com o universo
ficcional, sem perder o rigor dos seus fundamentos.
As personagens deste
livro são inseridas numa ação povoada de água, peixes, plantas, códigos de ADN,
grupos sanguíneos, números e datas, comboios e lágrimas. Na verdade, de tudo
isto é composto o mundo humano. As entidades fictícias que povoam estas
micro-narrativas, com nomes comuns ou com nomes próprios de ordem comum (a
Maria, a Leonor, o Rui…), dotam de inegável universalidade as situações criadas
e implicam-nas diretamente com o real. Tal facto confere objetividade à ação,
colocando o leitor num universo de verosimilhança que o conduz à descodificação
de realidades tangíveis e cientificamente comprovadas. Veja-se, a título de
exemplo, o episódio narrado em “Primavera marciana!”, em que o predomínio do
discurso direto entre as personagens vai descodificando as noções científicas.
Não obstante, o pragmatismo que se requer numa explicação
científica não oculta a beleza que as palavras podem ter. A escrita, enquanto
processo de criação conduz muitas vezes a mão do autor para outras incursões ao nível do uso da
linguagem. O recurso à metáfora, a que a produção de Piedade não é estranha, no
esteio de outros homens de ciência que deram azo ao fio do artístico, como Adolfo
Rocha / Miguel Torga ou já citado Rómulo de Carvalho/António Gedeão, do qual se
assinalou o aniversário no passado dia 24 de novembro, data escolhida para assinalar Dia Nacional da
Cultura Científica pelo antigo Ministro da Ciência e Tecnologia, José Mariano
Gago, em homenagem ao professor, divulgador de ciência e poeta, sempre
preocupado com os aspetos pedagógicos associados à transmissão do conhecimento.
De facto, é notória na
produção destas histórias breves sobre ciência a cadência das emoções, de que
“Música a cores” é exemplo.
“O coração de Leonor
batia numa cadência agitada. Parecia que o coração queria saltar-lhe do peito e
ir dançar com ela e com as folhas que chovem das árvores no Outono. Mas não era
só por causa do sobressalto que se adicionava ao tambor cardíaco. Leonor estava ansiosa.
Procurava sons da Natureza ao longo do caminho desde a escola até à sua casa.
mas o barulho da cidade era tão intenso que não conseguia descortinar sons que
associasse a outras coisas que não fossem carros, aviões, comboios,
equipamentos de climatização, entre tantos outros elementos da orquestra
citadina.” (p. 29)
Tudo isto para introduzir um episódio sobre o cruzamento
entre a comemoração do Dia Mundial da Música e a biodiversidade. Afinal, a
música está por aí, basta escutá-la...
“Concentrou-se nestas
sensações e sentiu que as melodias a inundavam com uma paleta de cores que
variava e, consoante a tonalidade do trinado, era mais aguda ou mais grave”.
(p. 31)
Há, efetivamente, temáticas, que apelam ao mergulho
interior. Piedade não resiste à criação do belo e à linguagem simbólica e
estilizada quando nos narra a história de um nascimento em “Silêncio
Prodigioso”, onde se cruzam “olhares uterinos”:
- “Já eu existia, ou pelo menos um
frágil princípio de mim, e já comunicava sem tu saberes… mas o teu corpo
entendia a minha primeira palavra - diz Leonor aninhando o seu olhar numa
recordação amniótica, numa lágrima singular a brilhar na face de sua Mãe.
- Vi então a cor do teu silêncio, que
afinal ressoava no meu ventre, pronto para muitas e novas mensagens futuras.
De mãos dadas, sentadas
na margem do lago, Leonor e sua Mãe estão contemplativas, num silêncio
prodigioso.” (p. 23)
Mas, sosseguemos agora a
força das palavras e vamos ao objeto livro.
Esta edição renovada,
trazida à luz pela editora “Trinta por uma Linha”, oferece-nos algo mais para
além do trabalho dos processos de composição textual do autor, aplicados ao
conteúdo científico.
As ilustrações de Maria
Pimentel, que acompanham o(s) texto(s), tornam a leitura mais leve, mais
divertida, por aquilo que acrescentam ao código escrito, traduzindo
pictoricamente as ideias, mas conferindo também, em paralelo, a sua assinatura
como objeto artístico per si. A
apresentação gráfica a preto e branco adequa-se em pleno à natureza discreta da
publicação, deixando ao leitor outras pistas de reflexão sobre os diferentes
temas que sobressaem destes diálogos interdisciplinares com a ciência. Se
atentarmos na capa, note-se como se torna apelativa para os mais jovens, desde
o lettering escolhido para o título
até à ilustração, que evidencia uma jovem sorridente em interação com alguém,
numa observação expressiva do mundo e das suas coisas (o planeta, a natureza,
os seres vivos, o tempo... - todos os elementos que se constituem como assunto
de conversa neste livro).
Neste
livro, texto e imagem em uníssono - cada qual na sua forma, no seu
código
e legítimo universo semiótico - presenteiam-nos com a ciência, num
claro
diálogo entre o saber e a arte.
Carla
Fernandes
Bibliografia
Bibliografia
- HABERMAS,
Jurgem (2007). Ciência e Técnica como
Ideologia. Lisboa: Ed. 70.
- TRAÇA, Maria Emília (1992). O Fio da Memória. Do Conto Popular ao Conto
para Crianças. Porto: Porto Editora.
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