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sexta-feira, 3 de julho de 2020

“ARTE RUPESTRE NO CERRADO”




ARTE RUPESTRE NO CERRADOé o título da próxima palestra do ciclo de divulgação científica “Ciência às Seis”, que ocorrerá no dia 7 de Julho, terça-feira, pelas 18h00, por vídeo conferência. O palestrante é o arqueólogo António Batarda Fernandes, Chefe da Divisão de Inventariação, Estudo e Salvaguarda do Património Arqueológico (DIESPA), Departamento de Bens Culturais, Direção-Geral do Património Cultural.

Os interessados podem seguir a vídeo conferência através do link:

O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às Seis” é uma iniciativa do Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, com coordenação do bioquímico e comunicador ciência António Piedade.


Sinopse da palestra:

Situado no Brasil Central, o Cerrado formou até algumas décadas atrás o ecossistema típico de aproximadamente 20% da área do país. Até ao presente, estima-se que mais da metade dessa cobertura original tenha sido perdida para a agricultura e criação de gado, com apenas 2,2% do seu total protegido por leis federais. O município de Serranopólis, estado de Goiás, acumula a presença de zonas de Cerrado razoavelmente bem preservadas, com um complexo arqueológico significativo, abrangendo arte rupestre e locais de ocupação humana. No total, 26 locais são conhecidos, apresentando arte pré-histórica e camadas arqueológicas que remontam a 11.000 BP. Trabalhos de emergência de conservação da arte rupestre criaram a oportunidade de estabelecer um projeto de longo alcance dedicado à pesquisa, gestão, conservação e envolvimento público dos valores do património cultural e natural negligenciados e ameaçados da região: a arte rupestre pré-histórica e o Cerrado. Dada a atual situação mundial (sustentabilidade de recursos, alterações do clima, persistência de políticas económicas “business as usual”), o lema "Pense globalmente, aja localmente" nunca terá sido tão verdadeiro como no caso de Serranopólis. Num mundo global, a atuação local, tomando partido das riquezas naturais e culturais únicas e endógenas da região, poderá contribuir para moldar um futuro mais respeitador dos valores patrimoniais?

Nota biográfica:
Arqueólogo de formação, António Batarda Fernandes (https://batarda.wordpress.com/) exerce atualmente funções de Chefe da Divisão de Inventariação, Estudo e Salvaguarda do Património Arqueológico (DIESPA), Departamento de Bens Culturais, Direção-Geral do Património Cultural.
Até Fevereiro de 2020, exerceu funções no Museu e Parque Arqueológico do Vale do Coa onde coordeneou o Programa de Conservação da Arte Rupestre do Coa, co-coordenou os Serviços Educativos e geriu o website da Fundação Coa Parque além da presença nas chamadas redes sociais: Facebook, Youtube, Twitter, Instagram e TripAdvisor.
Na formação académica destaca-se o Mestrado em Gestão de Sítios Arqueológicos pelo Instituto de Arqueologia da University College London, apresentando tese sobre a gestão das visitas aos sítios de arte rupestre do Vale do Coa, e o Doutoramento em Arqueologia pela Escola de Ciências Aplicadas da Universidade de Bournemouth, apresentando tese sobre a conservação também dos sítios de arte rupestre do Vale do Coa.


Público alvo: todo(a)s o(a)s interessado(a)s em conhecimento e cultura científica!

quinta-feira, 25 de junho de 2020

“NOVAS “PROFISSÕES DE SONHO” ENTRE JOVENS”




“NOVAS “PROFISSÕES DE SONHO” ENTRE JOVENS” é o título da próxima palestra do ciclo de divulgação científica “Ciência às Seis”, que ocorrerá no dia 30 de Junho, terça-feira, pelas 18h00, por vídeo conferência. O palestrante é o sociólogo Vitor Sérgio Ferreira, Investigador Auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

Os interessados podem seguir a vídeo conferência através do link:

O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às Seis” é uma iniciativa do Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, com coordenação do bioquímico e comunicador ciência António Piedade.

Sinopse da palestra:
As tradicionais profissões de sonho envolviam a crença no ensino superior, como ser médico, advogado, arquiteto ou engenheiro. Hoje existem entre os jovens portugueses novas aspirações e opções profissionais, já não exclusivamente associadas a carreiras certificadas por diplomas universitários. O diploma de ensino superior, afinal, não garante o acesso e progressão numa carreira ou um emprego que corresponda à qualificação obtida. Sai fragilizada a sua procura otimista, bem como os itinerários que oferece. Os jovens e suas famílias estão cada vez mais conscientes destas realidades. São cada vez mais procuradas alternativas que articulem escola, formação e trabalho. As promessas académicas competem com promessas de outros meios sociais, como as culturas juvenis de pares e as culturas mediáticas de celebridade. E novas atividades inspiram os imaginários dos mais jovens acerca dos seus possíveis meios de vida no futuro, muitas vezes envoltas numa retórica de “sonho”. Existem hoje novas profissões de sonho que não passam obrigatoriamente pela obtenção de um diploma universitário. Venho investigando as de tatuador, DJ, jogador de futebol, cozinheiro ou modelo, e mais recentemente, as de youtuber, streammer ou gamer, exercidas em plataformas digitais. Que condições sociais e culturais favorecem e motivam a atração dos jovens por este tipo de actividades?

A propósito desta palestra, sugerimos o visionamento do documentário PARA ALÉM DA FAMA. BASTIDORES DE NOVAS "PROFISSÕES DE SONHO, realizado por Paula Vanina Cencig e Vítor Sérgio Ferreira no âmbito do projeto de investigação Tornando profissões de sonho realidade: transições para novos mundos profissionais atrativos aos jovens (financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (PTDC/CS-SOC/122727/2010), dá voz a alguns dos jovens que nele participaram, contando as suas experiências, percursos e expetativas quanto a exercer profissionalmente as atividades de modelo, DJ, chefe de cozinha e futebolista.
O documentário pode ser visto na plataforma YouTube:

Ficha técnica
Realização: Paula Vanina Cencig e Vitor Sérgio Ferreira
Argumento: Paula Vanina Cencig, Vitor Sérgio Ferreira, Alexandra Raimundo
Gravações, montagem e direção de arte: Paula Vanina Cencig
Imagens de apoio: Maria João Taborda, Alexandra Raimundo
Áudios de apoio: Alexandra Raimundo
Tratamento áudio: Christian Landone
Mixagem final áudio: Paula Vanina Cencig
Legendagem em Inglês: Carlos Duarte
Legendagem em Espanhol: Elsa Graciela Shusterman de Cencig
Legendagem em Português do Brasil: Paula Vanina Cencig




Sobre o orador:
Vítor Sérgio Ferreira é doutorado em Sociologia pelo ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. Atualmente é Investigador Auxiliar no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde coordena o grupo de investigação LIFE – Percursos de vida, Desigualdades e Solidariedades: Práticas e Políticas, e é vice-coordenador do Observatório Permanente da Juventude. É professor de Métodos e Técnicas de Pesquisa Qualitativa, no Programa Interuniversitário de Doutoramento em Sociologia: Conhecimento para Sociedades Abertas e Inclusivas (OpenSoc). Tem coordenado e participado de vários projetos de investigação, com principal incidência nas áreas da sociologia da juventude e do corpo. Tem publicado nacional e internacionalmente sobre temáticas relacionadas com culturas juvenis e transições para a vida adulta, gerações e percursos de vida, usos do corpo e modificações corporais, e métodos e técnicas de pesquisa qualitativa.

Público alvo: todos os interessados em conhecimento e cultura científica.

“ENVELHECER SEMPRE JOVEM? A NEUROGÉNESE E A MEMÓRIA" - Video


terça-feira, 16 de junho de 2020

“ENVELHECER SEMPRE JOVEM? A NEUROGÉNESE E A MEMÓRIA"



Envelhecer sempre jovem? A Neurogénese e a Memória” é o título da próxima palestra do ciclo de divulgação científica “Ciência às Seis”, que ocorrerá no dia 23 de Junho, pelas 18h00, por vídeo conferência. O palestrante é o biólogo João Malva, Investigador Coordenador da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.


O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às Seis” é uma iniciativa do Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, com coordenação do bioquímico e comunicador ciência António Piedade.

Sinopse da palestra:
Nesta palestra serão abordados os desafios relacionados com as alterações demográficas e com o envelhecimento das populações. Iremos discutir a saúde e a doença na idade avançada e a necessidade imperiosa de valorizar a promoção da saúde, ao longo de toda a vida, através da adoção de estilos de vida saudáveis. Envelhecer é uma inevitabilidade, mas a doença não é inevitável. Se é importante dar mais anos à vida, veremos que é ainda mais importante dar mais vida aos anos.
Iremos abordar o envelhecimento e a perda gradual de capacidades físicas e cognitivas. Veremos como a adoção de estilos de vida saudáveis pode capacitar o cérebro com maior reserva cognitiva em idade avançada e como isso pode contribuir para uma saúde mental mais robusta para resistir à perda de memória. Falaremos sobre as células estaminais neurais e sobre o seu papel na plasticidade  e na renovação neuronal, em circuitos que processam a memória.
Por último, iremos destacar alguns projetos de desenvolvimento e implementação de boas práticas inovadoras para promoção da vida saudável e do envelhecimento ativo. Daremos destaque à criação da rede Ageing@Coimbra, Região Europeia para o Envelhecimento Ativo e Saudável.

Sobre João Malva:
Desempenha funções de Investigador Coordenador da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Licenciado em Biologia (1987), Doutor em Biologia Celular (1997), obteve a sua Agregação em Ciências da Saúde, no ramo de Biomedicina (2009), pela Universidade de Coimbra.
A sua carreira científica tem-se desenvolvido no domínio das Neurociências e no encontro de novas soluções inovadoras para responder aos desafios da sociedade relacionados com o envelhecimento. Coordena o grupo de investigação “Vida Saudável e Envelhecimento Ativo” no Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida (iCBR), da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Nos últimos anos destacou-se como neurocientista, como criador de redes no domínio do envelhecimento e coordenador de projetos estratégicos; tais como o consórcio Ageing@Coimbra, o projeto H2020 ERA Chair (ERA@UC), o projeto H2020 teaming do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal), ou a Escola Europeia de Doutoramento em Envelhecimento EIT Health, entre outros.
Foi “Director Adjunto” do consórcio EIT-Health InnoStars (2015). Foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Neurociências (2007-2011) e é membro (desde 2006) da European Dana Alliance for the Brain (EDAB).
Foi Secretário da Assembleia da Faculdade de Medicina (2009-2015) e Vice-Diretor do Instituto de Investigação Interdisciplinar (2013-2015) da Universidade de Coimbra, e ainda membro do Conselho Científico da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (2015-2017).

Público-alvo: todos os interessados em conhecimento!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

BURACOS NEGROS SOB UMA NOVA LUZ




O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às Seis” está de volta!

O regresso será já no próximo dia 12 de Junho, pelas 18h00, dia em que o astrofísico Vítor Cardoso dará, por vídeo conferência, a palestra intitulada “Buracos negros sob uma nova luz”. Os interessados podem seguir a vídeo conferência através do link: https://us02web.zoom.us/j/4748462924?pwd=dWV3clhtWHRYUFR6ZlpDYzdSMmFCZz09

O ciclo de palestras de divulgação científica “Ciência às Seis” é uma iniciativa do Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, com coordenação do bioquímico e comunicador ciência António Piedade.

Resumo da palestra: Desde há milhares de anos que tentamos entender porque e como é que as coisas caem. Esta busca permitiu-nos entender a luz, o sistema solar, a galáxia e o próprio universo com uma precisão sem precedente. Nesta palestra vamos discutir um pouco do que aconteceu nos últimos 300 anos, com um foco especial nos últimos anos, em que vimos ondas gravitacionais e buracos negros pela primeira vez na história da humanidade.




Vítor Cardoso é Professor Catedrático no Departamento de Física do Instituto Superior Técnico, onde lidera o Grupo de Gravitação (GRIT) do CENTRA. Os seus interesses de investigação incidem sobre astrofísica e gravitação, em particular ondas gravitacionais e buracos negros e a física do espaço. É autor de um livro e de cerca de 200 artigos publicados em revistas internacionais. A sua investigação foi distinguida duas vezes pelo European Research Council. Em 2015 foi agraciado pelo Presidente da República com a Ordem de Santiago D’Espada, pelas suas contribuições para a ciência. Neste momento, é líder de um consórcio internacional de mais de 30 países europeus e centenas de cientistas, que se dedica ao estudo de ondas gravitacionais e buracos negros. É membro fundador da Sociedade Portuguesa de Relatividade e Gravitação.

Público alvo: todos os interessados em conhecimento!
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quarta-feira, 27 de maio de 2020

QUE TESTES EXISTEM PARA O NOVO CORONAVÍRUS SARS-COV-2?

Modelo tridimensional do coronavírus SARS-CoV-2 VISUAL SCIENCE

(Artigo primeiramente publicado na imprensa regional de todo o pais.)



Testar, testar, testar. Tem sido esta uma das palavras de ordem enunciada repetidamente pela Organização Mundial da Saúde. De facto, uma das formas de parar a propagação do novo coronavírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19, é a de detectar o mais rápido possível as pessoas infectadas e isolá-las de forma a parar a transmissão na comunidade. Que testes existem para o efeito? Existem pelo menos três testes para detectar a presença do novo coronavírus. Um detecta o seu material genético, outro detecta a presença de anticorpos que tenham sido produzidos pelo sistema imunitário de uma pessoa infectada e um terceiro, mais recente, detecta pequenas partículas virais (por exemplo as espículas do capsídeo proteico) que são designadas por antigénios, por serem capazes de desencadear uma resposta imunitária no hospedeiro.





Cerca de duas semanas depois de o SARS-CoV-2 ter sido identificado pela primeira vez, na China, cientistas chineses conseguiram mapear o código genético deste novo coronavírus. Este conhecimento, que foi partilhado a nível mundial no prenúncio da colaboração científica sem precedentes à escala global que se tem verificado, permitiu, quase de imediato, desenvolver um teste de biologia molecular que permite detectar a presença de material genético do vírus no corpo humano. Os cientistas estavam preparados para o fazer, pois a estratégia de detecção subjacente foi sendo desenvolvida para outros vírus há décadas, baseada na utilização da técnica bioanalítica de PCR (sigla inglesa para a recção em cadeia da polimerase, desenvolvida em 1983 por Kary Mullis, o que lhe valeu o prémio Nobel em 1993).

Como funciona este teste? Com a ajuda de uma zaragatoa apropriada, é retirada uma amostra de secreções e células epiteliais do nariz ou da parte posterior da garganta do suspeito. A zaragatoa com a amostra do exsudado biológico é colocada num tudo adequado e esterilizado, que contem uma solução que evita a sua degradação. O tubo com a amostra é de seguida enviado para um laboratório certificado, onde será efectuado primeiramente um tratamento que inactiva os vírus eventualmente presentes. Isto é importante para evitar que acidentes de contaminação possam acontecer com o pessoal de laboratório. Depois, o conteúdo da amostra é tratado com reagentes próprios que extraem o material genético que existe no vírus (no caso do SARS-CoV-2, o material genético é constituído por uma cadeia simples de RNA). Como o material genético existirá em pequenas quantidades, é preciso amplificá-lo para que possa ser detectado, se eventualmente presente. E isto é feito através da reacção em cadeia da polimerase (PCR), um processo cíclico que pode demorar várias horas. Numa determinada fase deste processo, é adicionado um marcador fluorescente que se liga ao material genético. O resultado é depois analisado medindo a fluorescência presente. Se esta tiver uma determinada intensidade significativa, isso é indicador de que existiam coronavírus na amostra retirada da pessoa testada e que ela está infectada com vírus activos. O teste é então dito positivo. Ressalve-se que, como acontece em todos os testes laboratoriais, este também apresenta uma certa incerteza, que pode chegar, segundo alguns estudos recentes, até aos 11%. Ou seja, em 100 testes efectuados, 11 podem ser falsos positivos ou negativos. Mas é o melhor que temos até agora a nível de testes de biologia molecular para detectar directamente a presença do SARS-CoV-2 numa determinada pessoa.

O segundo tipo de testes referido é aquele que é designado por teste serológico. O objectivo deste teste é o de tentar identificar a presença de anticorpos que tenham sido desenvolvidos pelo sistema imunitário de uma pessoa que tenha estado infectada com o SARS-CoV-2. Este tipo de teste é mais útil numa fase posterior da infecção, uma vez que o sistema imunitário de uma “pessoa normal” “precisa” de cerca de 5 a 10 dias após o contágio, para produzir anticorpos em número suficiente para poderem ser detectados de forma quantitativa ou qualitativa. A análise neste tipo de teste serológico é mais rápida do que a do tipo de teste descrito anteriormente, não precisa de ser realizada num laboratório de biologia molecular, podendo gerar resultados em cerca de menos de uma hora. São testes de diagnóstico ditos rápidos!


Quando realizado numa amostra representativa da população, este teste serológico pode dar informações sobre a taxa de exposição ao vírus de uma população e, consequentemente, servir de base para o conhecimento da evolução epidemiológica da doença e assim orientar, científica e adequadamente, as autoridades de saúde nos seus esforços para atenuar ou aumentar as medidas de confinamento social.


Este teste é efectuado a partir de uma pequena amostra de sangue de uma pessoa. Os testes são desenhados para detectarem a presença de anticorpos específicos dos tipos IgM e IgG para o SARS-CoV-2. De uma forma muito simples, podemos dizer que a presença de anticorpos do tipo IgM significa que a pessoa ainda se encontra numa fase precoce da infecção, enquanto que a presença de anticorpos do tipo IgG e ausência de IgM específicos para este coronavírus pode indicar que a pessoa teve contacto com o vírus mas já não estará infectada. Em relação à COVID-19, este padrão de seroconversão entre IgM e IgG ainda não está completamente estabelecido, não se sabendo bem quanto tempo os anticoporpos do tipo IgG permanecem no organismo e se conferem uma potencial imunidade natural contra o SARS-CoV-2. A exactidão deste tipo de teste serológico continua a ser estudado, estando em causa quer a sua sensibilidade em detectar pessoas infectadas, quer a sua especificidade às estirpes circulante de SARS-CoV-2 o que condiciona a percentagem de falsos positivos e negativos.

O terceiro tipo de teste acima referido foi desenvolvido ainda mais recentemente e detecta, de forma mais rápida do que o primeiro, a presença do vírus numa pessoa eventualmente infectada. É recolhida na mesma com uma zaragatoa um exsudado do nariz ou da parte posterior da garganta. A amostra é sujeita a um tratamento de forma a fragmentar as proteínas dos vírus que possam estar presentes. Os fragmentos proteicos virais resultantes são depois testados por interacção com anticorpos monoclonais desenvolvidos especificamente para antigénios do SARS-CoV-2.  Este tipo de teste pode ser realizado fora do laboratório, por exemplo no consultório de um médico ou numa triagem hospitalar, o resultado qualitativo (positivo ou negativo) é obtido em cerca de 15 minutos e dá a indicação de a pessoa estar, ou não, infectada com o novo coronavírus. Apesar de ser muito mais impreciso do que o teste molecular que identifica a presença de material genético, este tipo de teste à presença de antigénios virais tem a vantagem da sua rapidez permitir isolar de imediato um potencial suspeito. Um resultado positivo poderá ter de ser confirmado pelo teste genético e não é sinal de imunidade para o SARS-CoV-2.

Estes testes de diagnóstico rápido, menos onerosos também por não necessitarem de laboratórios de biologia molecular e poderem ser efectuados por pessoal não especializado, apesar de menos precisos, podem ser ferramentas essenciais e valiosos na monitorização da exposição e circulação do vírus SARS-CoV-2 na comunidade e permitir avaliar a tão desejada “imunidade de grupo” de uma dada população.

Por fim, e por agora, dizer que estes cinco meses de “convivência” pandémica com esta nova doença permitiu-nos apreender a compreendê-la e trata-la melhor na frente hospitalar, mesmo ainda sem medicamentos específicos e na ausência de uma vacina eficiente e protectiva que poderá tardar a estar disponível apesar dos enormes esforços de cooperação interlaboratorial a nível mundial.

Temos de aprender a conviver com este vírus que, tudo indica, se tornará endémico, veio para ficar entre nós, num equilíbrio difícil entre a prevenção pelo princípio da precaução e o restabelecimento de uma normalidade de convivência social. A ciência está a dar e dará respostas seguras, que os políticos necessitam para fundamentar as suas decisões de saúde pública, mas precisa para isso de tempo para corrigir eventuais erros e dissipar dúvidas e incertezas inerentes ao próprio método científico. É preciso ser humilde e dizer que ainda há muitas coisas que não sabemos sobre a COVID-19 e sobre a evolução futura da pandemia.

Protejam-se e protejam os outros. É que a pandemia ainda não terminou!

António Piedade

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

CORRIGIR O GENOMA HUMANO COM EDIÇÃO GENÉTICA




Na próxima 3ª feira, dia 3 de Março de 2020, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra "The Modern Prometheus": corrigir o genoma humano com edição genética, por Pedro Antas,  investigador pós-doutorado no Centro de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, no laboratório Mecanismos Moleculares de Doença, onde actualmente coordena um projecto financiado pela Fundação Americana Choroideremia Foundation.

Esta palestra integra-se no já popular ciclo "Ciência às Seis – 4ª temporada", coordenado por António Piedade, Bioquímico, escritor e Comunicador de Ciência.

Sinopse da palestra:
“Hoje, inúmeras doenças genéticas poderiam ser tratadas num abrir e fechar de olhos. Podemos corrigir mutações de um gene com uma facilidade impensável há 10 anos atrás. Aliás, já nasceram os primeiros bebés geneticamente modificados. 

Mas afinal o que é uma doença genética? Como é que a podemos curar? E se o desenvolvimento dessa cura abrir portas para criarmos descendentes por medida? Até onde estamos dispostos a ir? O que está a sociedade disposta a aceitar?

Nesta palestra propomos-nos abordar algumas destas questões e falaremos, em particular, da doença Coroideremia, doença genética que provoca perda de visão a partir dos 20 anos de idade.”


Nota sobre Pedro Antas:
Pedro Antas é investigador pós-doutorado no Centro de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, no laboratório Mecanismos Moleculares de Doença, onde actualmente coordena um projecto financiado pela Fundação Americana Choroideremia Foundation. Licenciou-se em Biologia Celular e Biotecnologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e fez o seu mestrado em Biologia Humana na mesma faculdade. Obteve o seu grau de doutoramento na University College of London num trabalho desenvolvido no The Francis Crick Institute em Londres, em Biologia das Células Estaminais e Cancro. No seu período em Londres presidiu à PARSUK- Associação de Investigadores e Estudantes Portuguese no Reino Unido, e integrou também o Centro de Science Policy da Royal Society que providencia aconselhamento cientifico ao governo britânico.   



ENTRADA LIVRE
Público-Alvo: Público em geral e interessado
Link para o evento no facebook

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

"PROFESSORES PARA QUÊ? ESTÁ TUDO NO GOOGLE!"




Na próxima terça-feira, dia 28 de Janeiro, às 18h, no âmbito do ciclo de palestras de cultura científica "Ciência às Seis - 4ª temporada", realiza-se no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a palestra intitulada "Professores para quê? Está tudo no Google" com Helena Damião, Professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e membro integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20) da mesma Universidade.



RESUMO DA PALESTRA:
"A designada “narrativa da educação do futuro/do século XXI”, criada por organizações internacionais de alcance global e adoptada nos mais diversos sistemas de ensino, incluindo o português, é composta por um conjunto de slogans que se vê reproduzido pelos agentes que, directa ou indirectamente, participam nesses sistemas. Entre esses slogans, destaca-se o seguinte: “está tudo no google” ou, numa formulação aproximada, “o google sabe tudo”. Explica-se que o conhecimento escolar, “antes” transmitido pelo professor, pode “agora”, com inúmeras vantagens, ser encontrado e trabalhado, de modo autónomo, pelos alunos com vista à aquisição de “competências”. A palestra centra-se neste slogan, cuja essência, note-se, vem de longe, apesar de a contemporaneidade lhe emprestar novas roupagens. Em concreto, com base na obra clássica “Professores para quê?”, de George Gusdorf, discute-se o seu sentido e consequências de que, como sociedade, devemos estar bem conscientes."

O Ciclo "Ciência às Seis" é coordenado por António Piedade, bioquímico, escritor e comunicador de ciência.

A entrada é livre e destinada ao público em geral interessado em cultura científica.

sábado, 30 de novembro de 2019

APRESENTAÇÃO DE "DIÁLOGOS COM CIÊNCIA" DE ANTÓNIO PIEDADE


Com a devida vénia e agradecimento, transcrevo a seguir o texto da apresentação que a professora Carla Fernandes fez do meu livro "Diálogos com Ciência", aquando do seu lançamento no passado dia 28 de Novembro de 2019, na livraria Bertrand, no Alma Shopping, em Coimbra.

“Diálogos com Ciência”, a obra da autoria de António Piedade, bioquímico, investigador e comunicador de ciência, não é uma novidade, mas antes uma retoma a que a editora “Trinta por uma Linha” deu uma nova e feliz roupagem.
De entre os escritos publicados pelo autor, estes revelam, com particular acuidade, a intenção de conferir uma missão especial aos que se dedicam à investigação: tornar a Ciência acessível a todos, em particular aos mais jovens.
Podemos interrogar-nos para que serve a ciência se não for aplicada em contexto e/ou se não contribuir para a evolução dos saberes do vulgar ser humano. Do ponto de vista epistemológico, este é um aspeto que se discute há muito. De facto, a ciência e a tecnologia são frutos da cultura moderna e pós-moderna que decorrem da investigação praticada nos centros de produção do saber, normalmente situada sob a chancela do meio universitário. Contudo, a forma como as descobertas científicas são divulgadas é uma questão premente, considerando que a maioria dos artigos científicos são publicados em revistas especializadas e o eco do seu impacto para a evolução do conhecimento comum é  tardio ou muitas vezes até inexistente. Essa contradição entre a velocidade a que se produz o conhecimento, freneticamente acelerado hoje em dia, e a lenta perceção dos avanços realizados deve preocupar-nos... Se recuarmos ao século XX, já Habermass (2007) se interrogava sobre qual seria o papel da ciência e a função  que a atividade científica deveria desempenhar na sociedade. Na realidade, concluía o mesmo pensador, que esta força libertadora da tecnologia trouxe com ela a instrumentalização, transformando-se muitas vezes, paradoxalmente, num entrave à própria liberdade humana. A bem do exercício do pensamento crítico e da capacidade de análise do mundo pelos cidadãos, que se querem ativos e interventivos, a transmissão do conhecimento científico e a comunicação em ciência são vetores de investimento inalienáveis para um progresso sustentável.
Neste pressuposto, a atividade do cientista ganharia muito em transformar-se com a comunicação de ciência, por forma a favorecer o acesso, a difusão, a reflexão e, por inerência, a interdisciplinaridade, pois o diálogo entre as ciências é algo primacial para uma construção equilibrada do saber universal. Por outro lado, a comunicação com o mundo do qual partem todas as questões é uma tarefa de básica honestidade. É como se eticamente lhe fosse devida uma resposta às interrogações, não a verdade (que é sempre efémera), mas uma descodificação de conclusões que, afinal, são um investimento de todos os cidadãos.
Invocando o professor Rómulo de Carvalho, lembramos que, em boa hora, expôs o truque da sua pedagogia: “Estimular é saber tirar proveito das coisas, saber encantar, digamos, pôr as coisas em relevo, mesmo as coisas insignificantes(…) Tornar pensáveis as coisas habituais que não se pensam”. “Diálogos com Ciência” segue este esteio de tornar atraente e pensável o que poderia ser aparentemente inócuo e o seu autor é o exemplo desta tentativa salutar.
O livro, dirigindo-se fundamentalmente a um público infantil e juvenil, consegue captar também a atenção de leitores adultos, movidos de natural curiosidade ou pelo interesse intrínseco  por matérias científicas. Isto faz dele um veículo de conhecimento transversal que começa no próprio objeto (pela diversidade de conteúdos científicos que explora) e se estende ao seu recetor, dotado de pluralidade.
A característica dialógica, marcada desde logo no título, põe em relevo um modo de representação do discurso que é efetivamente uma marca do estilo do autor neste género, que oscila entre  a veia literária e o foco das diferentes temáticas científicas abordadas. Na verdade, estas narrativas breves são, muitas vezes,  construídas com recurso a conversas de improviso que expõem, de modo simples, as questões em torno de um determinado problema científico, que se vai desmistificando ao longo da interação entre as personagens. Veja-se, a título de exemplo, a composição química da lágrima, com reminiscências de Gedeão, explicada num tom paciente pelo tio António em “O que tem a tua lágrima?”. As crianças, naturalmente curiosas, questionam, os adultos respondem-lhes, com linguagem clara, e dão exemplos. E assim o leitor vai sendo conduzido para a decifração dos diferentes cambiantes da ciência, explorados em cada história.
Efetivamente, no seu conjunto, estas mini-histórias, nas palavras do autor do prefácio, o Professor Carlos Fiolhais, fazem transparecer a ciência de uma forma natural e simples. Afinal, para compreender melhor o que se aprende nas ciências está ao alcance de um piscar de olhos. Basta ler histórias. Convocamos para esta nossa reflexão a conhecida afirmação de Einstein (ícone intemporal da ciência), que, segundo Maria Emília Traça (1992: 23), sugere à mãe de uma criança que lhe leia contos de fadas.
E citamos: “Era uma vez um famoso físico chamado Albert Einstein, que um dia encontrou uma senhora extremamente desejosa de ver o seu filho triunfar numa carreira científica. A senhora pediu ao sábio que lhe desse conselhos sobre a educação do seu filho, em particular sobre o tipo de livros que lhe deveria ler.
– ‘Contos de fadas’, respondeu Einstein, sem hesitar.
– ‘Está bem, mas que deverei ler-lhe em seguida?’, perguntou a ansiosa mãe.
– ‘Mais Contos de fadas’, replicou o grande cientista acenando com o seu cachimbo como um feiticeiro que prenuncia um final feliz para uma longa aventura.”

Pois bem, é certo que a narratividade favorece a compreensão leitora e talvez a ciência possa tornar-se mais sedutora para todos se for comunicada de mãos dadas com o universo ficcional, sem perder o rigor dos seus fundamentos.
As personagens deste livro são inseridas numa ação povoada de água, peixes, plantas, códigos de ADN, grupos sanguíneos, números e datas, comboios e lágrimas. Na verdade, de tudo isto é composto o mundo humano. As entidades fictícias que povoam estas micro-narrativas, com nomes comuns ou com nomes próprios de ordem comum (a Maria, a Leonor, o Rui…), dotam de inegável universalidade as situações criadas e implicam-nas diretamente com o real. Tal facto confere objetividade à ação, colocando o leitor num universo de verosimilhança que o conduz à descodificação de realidades tangíveis e cientificamente comprovadas. Veja-se, a título de exemplo, o episódio narrado em “Primavera marciana!”, em que o predomínio do discurso direto entre as personagens vai descodificando as noções científicas.
Não obstante, o pragmatismo que se requer numa explicação científica não oculta a beleza que as palavras podem ter. A escrita, enquanto processo de criação conduz muitas vezes a mão do autor para outras incursões ao nível do uso da linguagem. O recurso à metáfora, a que a produção de Piedade não é estranha, no esteio de outros homens de ciência que deram azo ao fio do artístico, como Adolfo Rocha / Miguel Torga ou já citado Rómulo de Carvalho/António Gedeão, do qual se assinalou o aniversário no passado dia 24 de novembro, data  escolhida para assinalar Dia Nacional da Cultura Científica pelo antigo Ministro da Ciência e Tecnologia, José Mariano Gago, em homenagem ao professor, divulgador de ciência e poeta, sempre preocupado com os aspetos pedagógicos associados à transmissão do conhecimento.
De facto, é notória na produção destas histórias breves sobre ciência a cadência das emoções, de que “Música a cores” é exemplo.

“O coração de Leonor batia numa cadência agitada. Parecia que o coração queria saltar-lhe do peito e ir dançar com ela e com as folhas que chovem das árvores no Outono. Mas não era só por causa do sobressalto que se adicionava ao tambor cardíaco. Leonor estava ansiosa. Procurava sons da Natureza ao longo do caminho desde a escola até à sua casa. mas o barulho da cidade era tão intenso que não conseguia descortinar sons que associasse a outras coisas que não fossem carros, aviões, comboios, equipamentos de climatização, entre tantos outros elementos da orquestra citadina.” (p. 29)

Tudo isto para introduzir um episódio sobre o cruzamento entre a comemoração do Dia Mundial da Música e a biodiversidade. Afinal, a música está por aí, basta escutá-la...

“Concentrou-se nestas sensações e sentiu que as melodias a inundavam com uma paleta de cores que variava e, consoante a tonalidade do trinado, era mais aguda ou mais grave”. (p. 31)

Há, efetivamente, temáticas, que apelam ao mergulho interior. Piedade não resiste à criação do belo e à linguagem simbólica e estilizada quando nos narra a história de um nascimento em “Silêncio Prodigioso”, onde se cruzam “olhares uterinos”:

- “Já eu existia, ou pelo menos um frágil princípio de mim, e já comunicava sem tu saberes… mas o teu corpo entendia a minha primeira palavra - diz Leonor aninhando o seu olhar numa recordação amniótica, numa lágrima singular a brilhar na face de sua Mãe.
- Vi então a cor do teu silêncio, que afinal ressoava no meu ventre, pronto para muitas e novas mensagens futuras.
De mãos dadas, sentadas na margem do lago, Leonor e sua Mãe estão contemplativas, num silêncio prodigioso.” (p. 23)

Mas, sosseguemos agora a força das palavras e vamos ao objeto livro.
Esta edição renovada, trazida à luz pela editora “Trinta por uma Linha”, oferece-nos algo mais para além do trabalho dos processos de composição textual do autor, aplicados ao conteúdo científico.
As ilustrações de Maria Pimentel, que acompanham o(s) texto(s), tornam a leitura mais leve, mais divertida, por aquilo que acrescentam ao código escrito, traduzindo pictoricamente as ideias, mas conferindo também, em paralelo, a sua assinatura como objeto artístico per si. A apresentação gráfica a preto e branco adequa-se em pleno à natureza discreta da publicação, deixando ao leitor outras pistas de reflexão sobre os diferentes temas que sobressaem destes diálogos interdisciplinares com a ciência. Se atentarmos na capa, note-se como se torna apelativa para os mais jovens, desde o lettering escolhido para o título até à ilustração, que evidencia uma jovem sorridente em interação com alguém, numa observação expressiva do mundo e das suas coisas (o planeta, a natureza, os seres vivos, o tempo... - todos os elementos que se constituem como assunto de conversa neste livro).
Neste livro, texto e imagem em uníssono - cada qual na sua forma, no seu
código e legítimo universo semiótico - presenteiam-nos com a ciência, num
claro diálogo entre o saber e a arte.

Carla Fernandes

Bibliografia
-  HABERMAS, Jurgem (2007). Ciência e Técnica como Ideologia. Lisboa: Ed. 70.
- TRAÇA, Maria Emília (1992). O Fio da Memória. Do Conto Popular ao Conto para Crianças. Porto: Porto Editora.