Mostrar mensagens com a etiqueta Universidade de Coimbra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Universidade de Coimbra. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de Abril de 2012

A Universidade de Coimbra e a Praxe Académica


“Os verdadeiros progressistas são os que partem de um profundo respeito pelo passado” (Ernest Renan, 1823-1892).

No ano em curso, umas vezes por boas razões, outras por más razões, encontra-se, uma vez mais, a tradição académica coimbrã nas bocas do mundo, em páginas de jornais nacionais e até do estrangeiro.

Assim, por estes dias, essa tradição transpôs os claustros universitários, ecoando pela urbe e espalhando-se pelo país fora por más razões. Em contrapartida, por boas razões, atravessou as águas do Atlântico, reproduzindo-se aqui um excerto de um post, publicado neste blogue, com o título “A cidade dos vampiros”, da autoria de Carlos Fiolhais. No respectivo parágrafo inicial, escreveu este professor universitário das margens do Mondego:

“Coimbra mereceu honras de artigo recente no New York Times. Um jornalista norte-americano passou por Coimbra e escreveu uma curiosa crónica. Ficou sobretudo impressionado com o pitoresco dos estudantes de capa e batina, cuja aparência ele, neste tempo da Saga do Crepúsculo, não hesitou em designar de ‘vampiresca’. Com uma pitada de humor, acrescentou que nenhum deles lhe tentou sugar o sangue…”

Nesse post, teci o comentário que transcrevo:

“Apenas é de lamentar o aspecto descuidado – mesmo para além das festividades da ‘Queima das Fitas’, em que o álcool tolda as mentes e, muitas vezes, transfigura os comportamentos habituais – com que grande número dos utilizadores da capa e batina, que deviam cuidar pela dignidade de ser estudante universitário (e actualmente do ensino politécnico), se apresentam em público. Os rapazes, apenas, de calças e colete pretos e camisa branca de mangas arregaçadas e as raparigas de saia e colete pretos e camisa branca como se a democratização do ensino fosse razão de desculpa ou o clima quente da bacia do Mondego sem alteração climatérica desde o tempo em que as trupes zelavam pela utilização a rigor da capa e batina.

Ou seja, das duas uma: ou os estudantes vestem o traje académico como a praxe impõe ou usam uma vestimenta que não tenha a pretensãode identificar quem não merece ser identificado como estudante da velha e tradicional academia coimbrã. Mas talvez isto não passe de minudências ou de um desabafo sem razão de ser. Concedo! Mas até para ser vampiro há um certo cerimonial a cumprir: ou se é vampiro a sério ou vampiro de telenovela adaptadaaos tempos que correm…de um fazer de conta!”

Pela gravosa actuação de um estudante universitário de Ciências da Educação de Coimbra, a praxe académica encontra-se suspensa por o Conselho de Veteranos, órgão que a tutela, ter recebido queixa de duas alunasde Psicologia com indícios que justificam uma investigação (sendo até adiantadoque o caso deverá ser entregue no Ministério Público). Esta situação, que assume contornos de oportunismo político-partidário por parte do Bloco de Esquerda, terá ocorrido em Outubro/Novembro do ano passado.

Segundo um jornal conseguiu apurar, as referidas alunas terão sido “agredidas com cabeçadas e bofetadas por parte do referido aluno durante uma praxe realizada às quatro da madrugada em frente da faculdade". E prossegue a notícia, “há, no entanto, duas versões do episódio: uma diz que as agredidas são caloiras que se recusaram a ser praxadas e a assinar o documento de rejeição da praxe; outra que são duas alunas não caloiras que chamaram a atenção da violência da praxe que estava a ser feita à chuva e acabaram agredidas pelos comentários feitos” ("Praxe suspensa em Coimbra depois deagressão a duas alunas  de Psicologia”, Público, 01/04/2012). Disto resultou, ainda segundo esta notícia, que “as duas agredidas tiveram de receber tratamento hospitalar, sendo examinadas por médicos do Instituto de Medicina Legal”.

Em anos transactos, foram apresentadas queixas por más e inqualificáveis práticas da praxe académica, ocorridas numa escola de ensino politécnico  agrário de Coimbra e numa  escola de ex-engenheiros agrícolas  da Universidade de Évora, que atingiram proporções selváticas devidamente punidas.Aqui chegado, não posso deixar de me interrogar se esta proibição do Conselho de Veteranos obriga ao seu cumprimento (e punição) os estudantes da já pujante academia de escolas do ensino politécnico de Coimbra. Apesar da promiscuidade que têm havido nestes dois subsistemas do ensino superior, julgo que não!

Promiscuidade fomentada pelo ensino politécnico para satisfazer a paridade absoluta com o ensino universitário, embora tenha redundado numa imitação que não lhe atribui um esprit de corps que o liberte de um travesti de usos e costumes de âmbito universitário que levaram séculos aconseguir e a consolidar. Para a tanto obstar, só criando cerimónias e festividades próprias que levem os alunos do politécnico a sentir orgulho numa identidade própria. Nem melhor nem pior. Apenas diferente!

Em recolha de páginas de um livro da minha autoria, a dada altura, escrevi:

“Recuando a um passado próximo, nas festividades da ‘Queima das Fitas da Universidade de Coimbra’ era vedada às escolas e institutos politécnicos a participação no cortejo dos respectivos carros alegóricos. Salvo erro, no ano seguinte, passaram os carros do ensino politécnico a estar estacionados numa rua que conflui com a Praça da República para aí se integrarem no cortejo, apenas, como caudatários.
Tempos depois, participam directamente no séquito, embora sob a condição de ocuparem os últimos lugares de um cortejo que assume proporções de corso carnavalesco que se transformou numa mole imensa, descaracterizada e desorganizada de carros em desfile que nada contribuem para um espectáculo condigno de uma festividade académica, verdadeiro ‘ex libris’ de Coimbra e da sua Universidade.

Entretanto, mantendo a tradição, o ‘Baile de Gala’ (e, de certo modo, as ‘Noites do Queimódromo’, em que cada uma das suas noites se destina às suas faculdades) mantém-se cerimónia restrita aos finalistas das suas oito faculdades: Direito, Letras, Medicina, Farmácia, Ciências e Tecnologia, Economia, Psicologia e Ciências da Educação e Ciências do Desporto e Educação Física” (“O Leito de Procusto”, Rui Baptista, SNPL, Outubro de 2005, pp. 114 e 115).

A propósito do desvirtuamento da praxe académica, sem deixar assentar a poeira, “um grupo de docentes da Faculdade de Letras de Coimbra pôs a circular entre os colegas um abaixo-assinado a solicitar aos órgão da universidade a interdição de certas formas de praxe académica que consideram indignas. Catarina Martins, uma das promotoras do abaixo-assinado, disse à agência Lusa que tais práticas, dentro e fora das instalações da faculdade, põem em causa a imagem da instituição, e são atentatórias ‘ao que deve ser a universidade e a sua função’ de educação para a cidadania, promoção dos direitos individuais, do saber e do sentido crítico’. Afirma que os docentes promotores do documento entendem que ‘não podem continuara ficar passivos face à passividade dos órgãos responsáveis’” (TSF, 01/04/2012).

No que respeita à prática de praxes intra-muros das faculdades ou às suas portas com práticas insultuosas que possam ofender a dignidade dos docentes e desabonar a atitude dos discentes, tenho-as como absolutamente necessárias, podendo até, em casos extremos, exigir a intervenção comedida de forças de segurança pública dissuasórias.

Quanto às praxes, fora do raio de acção das faculdades, corre-se o risco de se estar a criar uma espécie de estado de emergência, retirando, com isso, autoridade e poderes ao Conselho de Veteranos, com mandato para o efeito, que já tomou, no caso em discussão, medidas contra praxes verdadeiramente bárbaras e sádicas que chegam ao seu conhecimento decretando a interrupção de todas elas até ao apuramento de quaisquer responsabilidades, sem o recurso a cargas policiais de triste memória. Mas, por outro lado, também, sem tratar os praxistas como miúdos de calções ou meninas de laçarotes nas tranças do cabelo a quem os professores puxam as orelhas ou dão açoites para evitar diabruras. Acresce ser tarde demais para apelar ao sábio princípio de Albert Einstein, já por mim citado outras vezes: “É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores”. Agora, em citação de um aforisma popular (“é de pequenino que se torce o pepino”), esses valores deveriam ter sido inculcados desde os primeiros anos dos bancos de escola.

Finalmente, no tema em causa, com um número irrelevante de prevaricadores em face de milhares de estudantes universitários, trata-se de preservar a tradição de uma multissecular Torre que se debruça sobre as margens do rio Mondego. Mesmo que “infringir a tradição também seja uma tradição” (Alexandre Block), assim deverá continuar a acontecer, com a excepção de ocorrências graves e continuadas que exijam medidas draconianas. Não é este o panorama da actual conjuntura!

domingo, 4 de Dezembro de 2011

Museu da Ciência Universidade de Coimbra: cinco anos a divulgar ciência














O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra comemora 5 anos amanhã, dia 5 de Dezembro. Têm sido anos de intensa actividade de divulgação da ciência e de promoção da cultura científica na sociedade.

A todos aqueles que quiserem vir comemorar connosco fica aqui o convite.

Teremos demonstrações de ciência e ainda os 'Cientistas de Pé' que irão apresentar uma stand up comedy. Tudo a partir das 17h.

Paulo Gama Mota
Director

quarta-feira, 13 de Abril de 2011

A Globo Universidade visita Coimbra

A Universidade e a cidade de Coimbra foram recentemente visitadas por uma equipa de TV da Globo Universidade. O programa (de cerca de meia hora), em que tive uma pequena intervenção, pode ser visto aqui.

terça-feira, 1 de Março de 2011

COIMBRA FLORESCE


A minha crónica semanal no "Diário de Coimbra".

Na sua translação ao redor do Sol, o nosso planeta Terra aproxima-se do momento, na sua orbita, em que ocorre o equinócio da Primavera, o que no nosso calendário ocorrerá no próximo dia 20 de Março, pelas 23h21. Nessa data, a duração do dia será igual à da noite.

Desde o inicio da estação invernal que no hemisfério terrestre norte e às nossas latitudes, o período de iluminação diário tem aumentado. O dia espreguiça-se e a natureza sacode-se dos refulgentes cristais de gelo da sua hibernação. De entre animais e plantas, o florescimento vegetal sobressai e estimula os nossos sentidos.

Em resposta a um maior tempo de exposição solar várias árvores angiospérmicas, como as dos géneros Magnolia e Prunus (cerejeiras, ameixoeiras, amendoeiras), florescem encantando inúmeras ruas e espaços jardinados de Coimbra e arredores... Nestas árvores, o primeiro verso do prefácio primaveril vem na forma de flor, que nestes casos preenche de cor a copa arbórea despida de folhas verdes.

As folhas virão depois com a progressiva mobilização radicular de recursos minerais, como o ferro (Fe), o magnésio (mg), o manganês (Mn), entre tantos outros elementos. O primeiro (Fe) é essencial para a síntese de clorofilas (ver, por exemplo, aqui e aqui) e citocromos. O segundo (Mg) é constituinte das clorofilas. O terceiro (Mn) é fundamental para a organização da estrutura lamelar dos tilacóides dos cloroplastos, organelos onde ocorre a fotossíntese.

A magnificência da flor grande e perfumada das magnólias, das primeiras a florescer, nas suas variantes corolas coloridas desde o branco ao rosado mais ou menos intenso, tecem o olhar com a mensagem segura, que a experiência de 100 milhões de anos de evolução e adaptação a mudanças inspira, de que melhores tempos estão mesmo a chegar, que uma nova estação traz consigo os aromas de uma exuberante e diversa fertilidade.

O perfume floral anuncia pólen, rico alimento de inúmeros insectos e pássaros que exprimem na atmosférica partitura primaveril as sonatas da sua fértil evocação. Em troca, os animais vectorizam células reprodutivas masculinas, de flor em flor, fertilizando eficazmente plantas distantes da mesma espécie. Esta polinização cruzada minimiza “a consanguinidade” (a da mesma planta fecundar-se a si própria) e promove a biodiversidade vegetal. É desta cooperação sinérgica entre diferentes espécies, géneros e reinos que floresce a força motriz capaz de gerar uma capacidade ajustada à resolução de adversidades, utilizando os recursos existentes, num belíssimo exemplo do uso harmonioso da bioeconomia característica e intrínseca à vida.

E hoje, dia 1 de Março, dia da Universidade que floresceu na cidade de Coimbra há 721 anos, o Doutor João Gabriel Silva é investido nas magnificentes funções reitorais para que foi eleito pelo Conselho Geral. E a Universidade recebe a visita de uma das mais florescentes cientistas portuguesas, Maria de Sousa, de cujo trabalho resultaram muitos frutos para o conhecimento do funcionamento do sistema imunitário e da homeostase do ferro no nosso organismo.

O mesmo elemento (Fe) necessário para sintetizar as clorofilas que permitem às plantas fixar dióxido de carbono e eliminar oxigénio, o oxigénio que, conjugado com o ferro presente na hemoglobina dos nossos glóbulos vermelhos é transportado até todas as células do nosso organismo para permitir a respiração celular.

Maria de Sousa vem receber o Prémio Universidade de Coimbra de 2011 com que foi recentemente distinguida e, com certeza, um ramo de flores. Adiciono ao ramo uma magnólia.

António Piedade

segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Reitor da Universidade de Coimbra: João Gabriel e Silva


João Gabriel e Silva disse:

A Universidade tem de ser uma meritocracia avançada. Todas as eleições implicam uma escolha. Estou persuadido de que nesta eleição reitoral se coloca uma opção entre atitudes distintas para o futuro da Universidade de Coimbra. A proposta que exponho neste programa não deseja uma Universidade virada sobre si própria mas sim uma Universidade muito atenta ao mundo e aos desafios que se nos apresentam. Nada condena a Universidade de Coimbra à mediania. Pelo contrário: o capital de memória que possui e as potencialidades de projeção que reúne nas diferentes áreas que professa fazem dela uma das instituições mais sólidas e fiáveis do Portugal de hoje. Está nas nossas mãos (e quase só nas nossas mãos) a construção de um futuro melhor e mais ambicioso para a instituição multissecular a que temos gosto e orgulho de pertencer.

Não podia estar mais de acordo!

sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Sobre a Eleição para Reitor da Universidade de Coimbra


Universidade de Coimbra (UC), a minha Universidade, vai eleger um novo reitor. Devido às novas regras do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), o reitor é eleito por um conselho constituído por 35 pessoas: 5 alunos, 2 funcionários, 10 elementos externos e 18 professores.

Não vos digo que estou em total desacordo com esta forma de eleição, mas penso que a eleição por um "board" que não está intimamente ligado à Universidade é, nesta altura, um erro. Talvez num futuro breve, quando o investimento privado nas Universidades tiver alguma expressão, isto faça mais sentido. Agora faz pouco. Mas enfim... é o que é.

O que critico nesta eleição são duas coisas fundamentais:

1. A comunidade académica não pode participar no debate. Isto é inaceitável. Mesmo nas audições públicas só o conselho geral podia fazer perguntas aos candidatos. Penso que deveria ter havido um debate público, formal, com a presença dos membros do conselho geral. A Universidade é isto, é debate, é confronto de ideias, é participação, é democracia, é intervenção, é opinião, é ser diferente, é não ter medo de dizer aquilo que se pensa. E é viver dessa forma. Limitar essa forma de intervenção é um erro e é anti-natura. Fazê-lo em Coimbra é uma enorme ironia.

2. A tentação que vejo para influenciar a votação dos membros do Conselho Geral. Contam-me coisas inacreditáveis de toda a ordem. Na Universidade vota-se de acordo com PENSAMENTO LIVRE e INDEPENDENTE. Não pode haver votos em BLOCO ou em CONJUNTO. Há reflexão sobre o futuro da Universidade e sobre aquilo que individualmente pensamos deve ser o seu papel. Qualquer outro posicionamento é um ABSURDO.

Como Professor da Universidade de Coimbra, um daqueles que não teve oportunidade para debater o futuro da sua Universidade, vejo com enorme preocupação a forma como se decide o futuro da UC. Se tivermos em conta o cenário preocupante do Ensino Superior em Portugal, a situação económica do país e a imagem de Portugal na Europa e no Mundo, podemos facilmente concluir como esta eleição para Reitor é crucial para o futuro da Universidade de Coimbra como instituição de referência no panorama nacional e internacional.

quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Universidade de Coimbra vai eleger um novo Reitor


A Universidade de Coimbra (UC) está em processo eleitoral para escolher um novo reitor, substituindo assim Seabra Santos, reitor em dois mandatos.

É uma fase crítica para a UC. O novo reitor terá desafios muito importantes pela frente, num cenário muito complicado que exige uma liderança forte e determinada.

Em confronto estão duas personalidades fortes e distintas, ambas com um curriculum de dedicação à UC. Têm visões diferentes para a Universidade, pelo que esta eleição constitui uma verdadeira escolha entre modelos significativamente diferentes para o futuro da UC.




Cristina Robalo Cordeiro, 56 anos, Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) é actualmente vice-reitora da Universidade. Veja o seu perfil aqui. Ouça aqui a entrevista que lhe fiz para o programa de rádio inCentro da Rádio Regional do Centro (96.2FM).


João Gabriel e Silva, 53 anos, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) é actualmente director da FCTUC. Veja o seu perfil aqui. Ouça aqui a entrevista que lhe fiz para o programa de rádio inCentro da Rádio Regional do Centro (96.2FM).

O leitor tem opinião sobre este assunto? Quem pensa que deveria ser o novo reitor da Universidade de Coimbra? Deixe a sua opinião com um comentário breve.

Nota (20/1/2011): foi adicionado o vídeo da excelente reportagem feita pela UCV (Televisão Web da UC) sobre a apresentação das duas candidaturas.