Mostrar mensagens com a etiqueta água. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta água. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de março de 2012

Gestão da Água – Incertezas e Riscos

Recensão publicada na imprensa regional.

Da autoria e coordenação do Professor Emérito António Betâmio de Almeida (Instituto Superior Técnico), o livro “Gestão da Água – Incertezas e Riscos”, publicado pela Esfera do Caos, em Setembro de 2011, e primeiro título da nova colecção "Água, Ciência e Sociedade", é de referência incontornável pela excelência científica do conteúdo, compaginado que está com vários exemplos concretos de estudo de caso. Estes são coligidos no quinto e último capítulo do livro e são da autoria de vários professores e especialistas de referência nesta temática interdisciplinar, a saber: Maria da Conceição Cunha, Maria do Céu Almeida, João Paulo lLeitão, Sérgio Teixeira Coelho, Laura M.S. Caldeira, Teresa Viseu, Maria Manuela Portela, M.G. Brito, L. Bragança, C. Coelho, R. Silva, F. Veloso-Gomes, F. Taveira-Pinto, Luísa Pinho e Filomena Martins.

Ao longo dos primeiros quatro capítulos do livro, o autor introduz o contexto da problemática na sociedade contemporânea, define o conceito de risco, a operacionalização da gestão do risco, e finaliza com algumas reflexões e análises críticas.

Este livro apresenta a problemática das incertezas e riscos na gestão dos recursos hídricos com um profundo pragmatismo, fruto da experiência do autor nesta área, e uma fluência didáctica constante ao longo do texto, tornando-o muito útil a estudantes e profissionais interessados. Mas a clareza com que está escrito permite que o público não especializado também dele tire ensinamentos.

É que a gestão da água diz respeito a todos e a racionalização dos conceitos de incerteza e riscos associados peca por ser pouco popularizada. Neste período de seca prolongada, a sua leitura refresca a necessidade de uma maior literacia sobre os riscos que condicionam a própria biodisponibilidade da água, indispensável à vida.

Título: “Gestão da Água – Incertezas e Riscos. Conceptualização Operacional”,
Autor: António Betâmio de Almeida
Editora: Esfera do Caos
ISBN: 978-989-680-044-4
1ª Edição: Setembro de 2011
240 páginas.

António Piedade

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ÁGUA DA VIDA

Texto publicado no Diário de Coimbra.


Há várias evidências que indicam que o aparecimento e evolução molecular da vida no planeta Terra são indissociáveis da presença de água. Assim a água condicionou a vida. Mas que propriedades deste composto de oxigénio e hidrogénio, este monóxido de hidrogénio, modelaram a vida?

“A água é o solvente perfeito e move-se facilmente por tudo o que é sítio...” afirma o Epidemiologista Massano Cardoso. O Físico Carlos Fiolhais confirma: “isso acontece porque a água, que se mantém líquida numa vasta gama de temperaturas, é um poderoso solvente, uma propriedade que não só facilita as reacções bioquímicas nas células como permite trazer nutrientes ou levar detritos com alguma facilidade”. Helena Freitas, Bióloga e Ecologista, “entende a água como um recurso natural; integra a vida, todas as formas de vida, e é produto do funcionamento do próprio sistema natural. É o ciclo da água que importa cuidar e que a torna essencial à vida.”

A própria evolução do planeta, que acolhe a vida, também está associada à água. O Geólogo Galopim de Carvalho assim o diz: “Em toda a história da Terra, a água, nos seus três estados físicos, foi (e continua a ser) essencial à alteração das rochas e à formação dos solos, à erosão e à deposição de sedimentos e subsequente transformação destes em rochas sedimentares. Mas o papel da água não se confina aos processos superficiais. Ela é, ainda, um dos componentes essenciais nos processos geodinâmicos internos geradores de rochas magmáticas (granitos, basaltos e muitas outras) e metamórficas (mármores e muitos tipos de xistos).”

Nestas interacções a água não para de nos surpreender e, segundo o Químico Sebastião Formosinho, “estudos recentes mostram que a água é a chave para a formação do carbonato de cálcio amorfo, de modo a evitar um lento processo de nucleação clássico (…)” responsável pela formação de outras formas hidratadas. Recordemos que “o carbonato de cálcio (CaCO3) é um dos minerais mais importantes da crusta terrestre, presente em depósitos calcários, nos recifes de coroais e conchas de animais, fruto de uma biomineralização.”

E para si?

António Piedade
Ciência na Imprensa Regional - Ciência Viva