terça-feira, 16 de abril de 2019

A promiscuidade entre política,sindicalismo e ordens profissionais (1)


Primeira parte do meu texto publicado hoje no “Diário as Beiras”: 

“Suum cuique tribuere” (axioma do direito romano).

De um texto da “Revista Kapa”, da autoria de António Araújo, insito no “Blog Malomil”, transcrevo do longo excerto que serviu de base à sua intervenção no Colóquio intitulado “O estado das direitas na democracia portuguesa”, realizado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Fevereiro de 2012). Dessa intervenção, transcrevo uma pequena parte:
“Em paralelo, num domínio mais profundo, o dos valores, das representações e das crenças sociais, começa a fazer-se um ‘ajuste de contas’ com os pretensos excessos do PREC. A pedagogia, porque recebe o influxo de alguma obsessão da parentalidade e da preocupação colectiva com as ‘gerações que estamos a formar’, é um dos barómetros mais precisos destas tendências sociais algo larvares ou subterrâneas. Em 1997, Maria Filomena Mónica publica Os Filhos de Rousseau (38). Gabriel Mithá Ribeiro dará à estampa A Pedagogia da Avestruz em 2003. Mais tarde, em 2006, Nuno Crato irá atacar o ‘eduquês’ e a pedagogia romântica. Santana Castilho lançara em 1999 o Manifesto para a Educação em Portugal, Rui Baptista publicará em 2005 o livro O Leito de Procusto: Crónicas sobre o Sistema Educativo e, nesse mesmo ano, David Justino publica No Silêncio somos todos Iguais.  A editora Gradiva, de Guilherme Valente (ele próprio, autor de uma obra recente intitulada Os Anos Devastadores do Eduquês, 2012), que publicou os títulos de Nuno Crato e David Justino, deu um importante contributo para um repensar crítico da Educação que ia, de alguma forma, num sentido «correctivo» dos excessos do PREC”. 
E porque neste rol de autores sou citado, “preocupado com as gerações que estamos a formar” referencio outro meu livro Do Caos à Ordem dos Professores (2004). Faço-o por entender que ao processo educativo deve estar intimamente associada a qualidade da formação de professores tornando-me, por isso, em acérrimo defensor de uma Ordem dos Professores, em contraposição ao presidente da Fenprof que a desvaloriza ao lançar a confusão sobre as competências dos sindicatos e ordens profissionais como refiro neste meu segundo livro. Assim, segundo Mário Nogueira:
“Os Sindicatos dos Professores têm sido e continuarão a ser espaço de análise e discussão das questões da Ética e da Deontologia da profissão, conscientes que da sua clara assunção também beneficia a imagem social dos professores que só ilusoriamente seria melhorada pela criação de uma eventual ordem” (Site da Fenprof, 20/06/2008). 
No “Diário as Beiras”, em artigo de opinião intitulado, “Ordem e Sindicatos de Enfermeiros e atribuições” (21/02/2019), escalpelizei as funções dos sindicatos e das ordens profissionais como já o tinha feito anteriormente, aquando da tentativa gorada para a criação de uma Ordem dos Professores. Sendo eu, ao tempo, presidente da Assembleia Geral dos Professores Licenciados, fiz o historial dessa pretendida criação num meu artigo de opinião, a página inteira, no “Jornal de Notícias” (08/03/2006).

(continua)

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