sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Efemérides científicas: 15 de Fevereiro


Informação recebida de Adriano Simões da Silva, BPMP, Porto:

15 de fevereiro de 1564 – Nasce em Pisa  Galileu Galilei, o famoso astrónomo e físico italiano (na figura).

15 de fevereiro de 1786 –  O astrónomo inglês de origem alemã William Herschel descobre a misteriosa nebulosa "Olho de gato"


15 de fevereiro de 2001 – Publicado o 1.º esboço completo do genoma humano, na revista Nature. 
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"O que são células?" - Uma lição para crianças do 4.º ano no Rómulo em Coimbra

(Ep. 48) "O primeiro homem : a vida de Neil Armstrong"

INTRODUÇÃO


Este livro é a continuação de “Açordas, Migas e Conversas”, Âncora Editora, 2018. Como então escrevi, mais de dois anos de convivência virtual, praticamente diária, com os meus, agora, cerca de 9000 (actualmente já são 10 250) seguidores no Facebook, e a insistências frequentes e empenhadas de muitos deles, me encorajou no dever, quase na obrigação, de passar a livro uma selecção dos textos aqui editados (mais de um milhar) num conjunto tanto quanto possível harmónico, intercalando conversas que vão do trivial à divulgação científica e cultural com receitas culinárias de imensa simplicidade, na maioria, marcadas por sabores e modos de vida alentejanos.

Durante séculos, como o faz notar Monarca Pinheiro (1999), o alentejano viveu de «frustração sublimada em invenção. Com as migalhas que lhe couberam, soube inventar uma cultura de eleição, e esta é, talvez, a sua maior glória. Do pouco fez muito e bem». E entre esse muito e bem, nascido da alma deste povo, salienta-se a sua capacidade inventiva nos cozinhados, a que o autor se refere como «arte dos comeres», a par da «arte de musicar», internacionalmente reconhecida, em especial, através dos seus cantares.

Repetindo, por me parecer necessário, partes do que então escrevi, explicitarei que, além de tudo o que aprendi no imenso mundo da cozinha alentejana, desde criança, com a minha mãe e a minha avó, e do que fui modificando e criando de novo, reuni neste outro livro tudo o que pareceu interessante entre relatos ou crónicas de situações vividas e presenciadas, experiências de profissão, intervenções cívicas, ensaios, reflexões que vão da política à filosofia, passando pela divulgação científica e pela arte. A esta aprendizagem culinária juntou-se a outra recebida dos camponeses, em ocasiões do campismo selvagem que fiz, com o meu irmão Mário e outros companheiros, nas herdades rurais do concelho, petiscando e confraternizando, onde os saberes próprios das vidas deles se misturaram com os nossos, adolescentes a estudarmos na cidade.

Como no livro anterior, “COM COENTROS E CONVERSAS À MISTURA” não tem a preocupação de ensinar a cozinhar. Concebido para os que sabem movimentar-se na cozinha, permite-lhes encontrar nele informação suficiente para confecionar, “à sua maneira”, alguns dos “comeres” que foram e ainda são os meus. Esses “comeres” estão muito, pouco ou nada transformados, dos que vi fazer na grande chaminé da casa da minha avó, em lume de chão, com lenha de sobro ou azinho e em loiça de barro vermelho e de esmalte, e muitos dos que a minha mãe, cozinhando em lume de carvão, há mais de setenta anos, nos pôs no prato. São os cozinhados que me ajudaram a crescer, imensamente simples, à medida do orçamento disponível, e de confecção rápida, posto que a mãe, nesse tempo e numa família numerosa, tinha muito mais que fazer. A este património familiar acrescentei, como disse, um conjunto de receitas criadas de raiz ou transformadas, mas sempre dentro do que poderíamos qualificar de sabor alentejano.

As confecções que aqui se apresentam são, insisto em dizer, particularmente simples, tanto no que diz respeito aos diversos ingredientes usados, como no modo de operar. São acessíveis em termos de procura e de custo, rápidas de preparar, saudáveis, nutritivas, perfumadas e agradáveis ao paladar. E nelas, os “cheiros” têm lugar de destaque. Naquelas em que, tradicionalmente se pisam os coentros e os alhos no gral (almofariz), prefiro batê-los em azeite no copo com a varinha ou no liquificador, com a vantagem de lhes intensificar os respectivos aromas.

Faça, pois, querida leitora ou querido leitor, desta obra e por uns tempos, também o seu livro de cozinha e verifique como isso se reflecte positivamente no seu dia-a-dia em termos de alegria à mesa, facilidade e rapidez de confecção, saúde e economia, o que é um aspecto a considerar nos tempos que correm. E aproveite, com a leitura dos curtos textos associados a cada receita, para recordar o que já esqueceu ou aprender o que não sabia.
A. Galopim de Carvalho

IMAGENS ESPECTACULARES DE VULCÕES

Recebidas do vulcanólogo Víctor Hugo Forjaz:









LANÇAMENTO DE CIENTISTAS PORTUGUESES" DE DAVID MARÇAL

Vai ser no Rómulo, em Coimbra, no dia 20, pelas 18 horas:





LANÇAMENTO DA NOVA EDIÇÂO DOS "COLÓQUIOS DOS SIMPLES"


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

"A Ciência e os seus inimigos" em Lousada

Informação publicada pelo jornal "VERDADEIRO OLHAR":
O professor universitário e ensaísta português Carlos Fiolhais vai estar, no dia 16 de Fevereiro, na Casa das Videiras, numa palestra intitulada “A ciência e os seus inimigos”, curiosamente o título de um dos seus livros, editado pela Gradiva.
Refira-se que o Centro de Educação Ambiental está instalado na Casa das Videiras, tendo entrado em funcionamento no passado dia 5 de Dezembro, junto ao Parque Urbano Dr. Mário Fonseca.
Este espaço tem uma vocação lúdico-didática orientada para a realização de actividades de educação ambiental formal e informal, com o intuito de promover a protecção do meio ambiente e a sua valorização junto da comunidade.
É, também objectivo do centro proporcionar formação em matéria de ambiente e conservação da natureza a agentes educativos e aos estudantes.
A Casa das Videiras – Centro de Educação Ambiental, resulta de um investimento de 180 mil euros financiado em 85% pelo Norte2020 e FEDER.
Carlos Fiolhais é, também, um reconhecido físico e divulgador da cultura científica.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

UMA CONVERSA COM DONA MARIA II, NO PALÁCIO DE PENA

Do meu livro “Conversas com os Reis de Portugal, História de Terra e da Vida”, publicado pela Âncora Editora, em 2012.

O capítulo acima anunciado versa um dos mais interessantes períodos da História de Portugal, dos pontos de vista social, político, científico e cultural, numa conversa com uma rainha particularmente culta e, imagine-se, interessada em conhecer a história geológica da Serra de Sintra. O texto é longo, o que, habitualmente, afasta muitos dos potenciais leitores.
Mas ele aqui fica à atenção dos interessados.
A todos, um feliz Domingo.

“Os ingleses residentes em Portugal, no século XIX, deram provas de saber escolher ao preferirem a região de Sintra para edificarem as suas vivendas e mansões de Verão. Lord Byron definira-a como “Éden Glorioso”, tendo-a, ao mesmo tempo, considerado, diz-se, uma ”pérola lançada a porcos”. Tinha razão o poeta inglês do romantismo, certamente que sim na primeira daquelas suas apreciações, talvez, embora isso nos custe admiti-lo, na segunda. A classificação desta relíquia, pela Unesco, em 1995, como Património Mundial, na categoria Paisagem (a que fiquei ligado como elemento do grupo promotor), foi o culminar do sentir de todos quantos ali vivem e dos milhões que por ali têm passado, visitando-a nos seus múltiplos recantos. Deve dizer-se, porque a grande maioria dos cidadãos ignora, que o substrato desta paisagem agora classificada é uma unidade geológica pequena na extensão mas de imensa variedade, não só nos aspectos estruturais como nos tipos de rochas que a constituem.

Estávamos em Agosto. O Palácio da Pena e os demais cimos da Serra permaneciam envoltos numa nebulosidade fresca, a contrastar com o azul celeste e o calor estival da planura que se estende a Sul. Comodamente instalado num do belos recantos do parque anexo ao palácio, contemplando espécies arbóreas exóticas, diferentes de tudo o que é característico da nossa flora, reparo que, a meu lado, se senta uma jovem senhora, muito branca, de belos olhos azuis, em trajes ricos da primeira metade do século XIX. Penteada ao alto, em grossos caracóis, trazia na cabeça uma tiara que se me afigurou cravejada de diamantes, tal o resplendor das pedras. Perante a minha estranheza, sorriu e identificou-se.

- Chamo-me Maria da Glória de Bragança. O meu nome de baptismo é muito mais comprido, em obediência a uma tradição da linhagem dos Braganças, a que pertenci. Nasci no Rio de Janeiro, no Palácio de São Cristóvão, no ano da graça de 1819. Na sequência da primeira invasão francesa, uma dúzia de anos antes, o meu avô, então príncipe regente, D. João de Bragança, transferiu a corte e a administração do Estado para o Brasil, levando consigo a mãe, a esposa e os filhos. A mãe era a rainha Dona Maria I, minha bisavó, então afectada por grave situação de demência que a impedia de reinar. A esposa e minha avó, Dona Carlota Joaquina de Bourbon, era castelhana de nascimento, tendo ficado para a História como a “Megera de Queluz” pelo seu comportamento pessoal e por ter conspirado constantemente contra o marido e contra todos os liberais, a favor dos absolutistas.

- Um dos filhos era o vosso pai, o infante D. Pedro de Bragança, que foi o primeiro imperador do Brasil e, ao mesmo tempo, por muito pouco tempo, Pedro IV, rei de Portugal.

- O outro filho era o meu tio, o infante D. Miguel de Bragança, também ele, durante meia dúzia de anos, rei de Portugal. Dois irmãos muito diferentes. O meu pai era um homem extremamente simples, um tanto popular, honesto, desprendido de bens pessoais, de grande bravura e com um constante desejo de fazer o bem. No Brasil, foi um governante muito avançado face às elites locais. Sentia-se feliz entre as pessoas comuns e gostava de fazer coisas com as mãos. Experimentou marcenaria e serralharia. Escovava o seu próprio cavalo. O meu tio era o inverso disso.

- O vosso tempo foi especialmente marcado pelos caminhos abertos pela Revolução Francesa.

- Com alegrias e sofrimentos, vitórias e derrotas, como sempre acontece nos tempos de grandes transformações da sociedade. Vivemos dominados, primeiro, pelos invasores às ordens de Napoleão e, depois, pelos ingleses que, a pretexto de nos virem libertar, aqui se instalaram em seu próprio benefício. Na memória de muitos portugueses estava bem viva a lembrança do enforcamento do general e grão-mestre maçónico, Gomes Freire de Andrade.

- Creio que a mando de Beresford.

- Sim. Era esse inglês quem realmente governava o país, e fazia-o em regime totalitário. Esse meu tempo foi, ainda e muito, marcado pelas convulsões ideológicas que se seguiram e pelas guerras civis que conduziram à nova ordem política e social. Após a revolução do Porto, de 1820, foi promulgada a Constituição da Monarquia Portuguesa de 1822.

- Lisboa, entre outras cidades do País, está cheia de uma toponímia urbana que evoca esse tempo. No país culturalmente atrasado que somos, temos praças, avenidas e ruas cujos nomes, infelizmente, pouco ou nada dizem à grande maioria dos que nela circulam. Duques de Saldanha, de Palmela, e da Terceira, Gomes Freire de Andrade, Sá da Bandeira, Ferreira Borges, Mouzinho da Silveira, Passos Manuel, Fontes Pereira de Melo, José Estêvão, Joaquim António de Aguiar e António Augusto de Aguiar são alguns dos nomes mais sonantes da vida política do vosso tempo e poucos são os alunos das nossas escolas que sabem quem foram estes portugueses.

- Nas artes, foi a época do pintor Domingos Sequeira e, nas letras, o de Almeida Garrett e de Alexandre Herculano.

- Sem esquecer Camilo Castelo Branco. Mas gostaria que me falásseis agora um pouco de vós.

- Saí do Brasil com nove anos de idade, já casada com o meu tio Miguel, mas não fui levada para Lisboa. Fui para Londres. Entretanto o meu casamento foi dissolvido, tinha eu 15 anos, para, logo a seguir, me casarem, com Augusto Carlos Beauharnais, visando, uma vez mais, os superiores interesses do Estado.

- Mas essa união, diz-se, foi muito efémera.

- É verdade. Este simpático e infeliz príncipe faleceu vítima de difteria pouco mais de um mês depois dos esponsais. Ainda menina, tornei-me viúva.

- Mas voltemos à Carta Constitucional.

- Com este documento, outorgado a partir do Brasil por meu pai, pretendia-se um maior consenso político entre as várias sensibilidades com capacidade de intervenção na sociedade portuguesa e, sobretudo, agradar à grande burguesia e às classes nobres, tradicionalmente mais privilegiadas, duas forças opositoras à letra da Constituição de 1822.

- Saiba, então, que essa Carta concedida por vosso pai foi o texto constitucional que mais tempo resistiu em Portugal. Vigorou entre 1826 e 1828, ano em que foi abolida por D. Miguel. Foi recuperada de 1834 a 1836, ano em que, de novo, caiu para ser reposta, em 1842, após o fim da guerra civil, tendo depois vigorado ininterruptamente até ao final da monarquia, em 1910.

- Não. Isso, de facto, eu não sabia e orgulha-me sabê-lo. – respondeu a rainha, com visível satisfação.

- Mas voltemos ao meu tempo. Em 1831 o meu pai abdicou no meu irmão Pedro a coroa do Brasil e veio para a Europa, via Londres, decidido a lutar contra o irmão e repor os meus direitos como sua sucessora. Seguiu-se uma guerra civil entre liberais e absolutistas que durou até 1834. Mas façamos aqui uma pausa na história, pois eu gostava de vos colocar uma questão.

- Terei todo gosto em poder satisfazer a vossa curiosidade. Assim eu tenha saber para tal.

- Como sabeis, vivi parte da minha vida neste palácio e nesta frondosa e fresca Serra de Sintra. Passeei por muitos dos seus recantos e sempre me intrigou como é que esta elevação surgiu aqui no meio da planura que a cerca.

- Elevação, dizeis bem, pois é mesmo de uma elevação do terreno que se trata.

- O meu esposo, D. Fernando, tinha na sua biblioteca a grande enciclopédia francesa de Diderot e D’Alambert e, que eu me lembre, um livro de Geologia da autoria de um tal Charles Lyell que, por diversas vezes, folheei e me despertou grande curiosidade para este tipo de assuntos. E foi essa curiosidade que me motivou a estar aqui ao vosso lado com uma série de dúvidas por esclarecer. Vagueava por entre esta vaga de turistas que nos invadem a tranquilidade, quando vos reconheci.

- O interesse pelo conhecimento geológico desta Serra – comecei por dizer – vem, exactamente, do vosso tempo. A geologia começou a ganhar o estatuto de uma ciência até então cultivada pelos chamados naturalistas. Um dos estudiosos que, nessa época, procurou abordar esse conhecimento foi o barão prussiano Ludwig von Eschwege, engenheiro e mineralogista, residente em Portugal.

- Eu conheci-o pessoalmente. – interrompeu a minha interlocutora, entusiasmada. – Foi quem o meu marido convidou para conceber o projecto de arquitectura deste palácio em que vivi algum tempo da minha curta vida.

- Como sabeis, havia aqui um convento.

- Sei perfeitamente. Era o antigo Convento da Pena, destruído pelo grande terramoto de Lisboa. E chamava-se assim porque a palavra pena era outra maneira de dizer penha e penhasco, e a verdade é que foi sobre este penhasco que o rei D. Manuel I o mandou edificar para alojar os monges da Ordem de São Jerónimo.

- E foi sobre as suas ruínas que haveis construído este belo exemplo da arquitectura romântica do vosso tempo.

- Na minha opinião, este palácio testemunha não só a competência profissional do barão, mas também, é preciso dizê-lo, a sensibilidade artística de D. Fernando. Foi, de facto, Eschwege quem projectou a obra, mas apenas nas suas linhas gerais. O meu esposo chamou a si as ideias e a traça da maioria das incorporações de elementos exóticos, todos eles de notada inspiração romântica. Do neo-islâmico ao neo-manuelino, passando pelo neo-gótico e por outros elementos com sugestões indianas, tudo ele concebeu e desenhou.

- Não sei se é do vosso conhecimento, este vosso palácio foi eleito, em 2007, como uma das sete maravilhas de Portugal.

- Com certeza que sei. Nós, as almas, ou seja, as memórias daquilo que fomos, temos a capacidade de estar em toda a parte e, se for preciso, ao mesmo tempo. Estamos libertas dos condicionalismos das leis da física. Espaço e tempo não conceitos inerentes ao mundo material, não ao nosso. Sem que ninguém se aperceba disso, presenciamos tudo o que desejamos. Falamos com quem queremos quando e onde isso nos interessa. Mas voltemos a D. Fernando. O meu esposo era um homem culto, de muito saber e um artista de grande sensibilidade e valor. As suas gravuras são bem conhecidas dos estudiosos das artes plásticas. Empregou bem o poder que tinha. Promoveu a criação da Academia das Belas Artes de Lisboa e tornou-se o seu protector. A Academia Real das Ciências de Lisboa fê-lo seu presidente.

- E com o vosso nome foi criado o grande Teatro Nacional de Lisboa. A memória que tenho de vosso esposo, fundamentada no que acerca dele me foi dado ler, é exactamente essa que haveis descrito. Falando agora de Eschwege e como certamente sabeis, ele foi Intendente Geral de Minas, tendo sucedido no cargo ao nosso Andrada e Silva. Por essa altura, a velha mina de ouro da Adiça, perto da Fonte da Telha, no concelho de Almada, também conhecida por mina do Príncipe Regente, ainda estava em exploração. Essa lavra, que deu lucro, embora modesto, no tempo do Intendente Andrada e Silva, diziam as más-línguas, passou a dar prejuízo sob a tutela do alemão, ao mesmo tempo que ele ia enriquecendo.

- Ontem como hoje. Não mudou nada. – comentou Dona Maria. - Veja o que se passa no Portugal democrático de hoje. A corrupção grassa em todos os níveis sociais. O crime de colarinho branco, com destaque para o enriquecimento ilícito, cresce face a uma justiça que fecha os olhos, funciona mal ou não funciona. Veja só os fumos que pairam sobre a licenciatura do Primeiro-Ministro, sobre os casos Bragaparque, Freeport, “Face Oculta”, Banco Português de Negócios e outros. Uma vergonha que faz com que Portugal esteja entre os países mais corruptos da Zona Euro.

- Estamos a atravessar horas muito difíceis, Senhora.

- Reparo com tristeza que as desigualdades são imensas. Cada vez há mais portugueses pobres e os ricos são cada vez mais ricos. Por este caminho, a instabilidade social vai crescer e a criminalidade aumentar.

- As manifestações de rua vão ser cada vez maiores e mais frequentes e receio que comece a haver confrontações violentas.

- Não creio. Como escreveu Guerra Junqueiro, há mais de um século, temos “um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…”

- Mas lá virá um dia...

- Na minha opinião, - comentou a rainha - a revolução dos cravos abriu-vos a esperança de melhores dias. E isso aconteceu de facto, goste-se ou não se goste de o admitir. Vive-se hoje muito melhor do que no antigamente. Acontece, porém, que, ultimamente, uma geração de políticos hábeis no debate político, sem experiência de vida profissional, na maioria falhos de cultura humanística e científica, tomou conta da democracia inovada no seio de um povo amordaçado por séculos de repressão religiosa e política, subserviente e mantido inculto. O conluio dos governantes com a alta finança e com o poder económico está a atingir níveis nunca vistos.

- Estou a gostar de vos ouvir. Nesse texto de Guerra Junqueiro que haveis citado, escrito, mais precisamente em, 1896, ele diz algo de enorme actualidade relativamente aos dois partidos políticos que, há mais de três décadas, nos desgovernam.

- O Partido Socialista e o Partido Social Democrata?!

- Exacto. Dizia o poeta: “Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como as duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar”

- Deslumbrados pelo poder, pelas vénias submissas de secretários e secretárias, de motoristas, de contínuos e de senhoras da limpeza, estes rapazes responsáveis pelos vossos destinos são cada vez mais frequentadores dos salões, tu cá tu lá com os ricos e poderosos e, consequentemente, cada vez mais alheados do povo.

- Reparo que haveis assimilado bem a ideologia dos liberais do vosso tempo.

- Não fui uma verdadeira liberal, mas interiorizei muitas das suas ideias. Na nossa biblioteca tínhamos as principais obras de pensadores como Rousseau, Montesquieu, Voltaire, John Locke, Adam Smith, Diderot e outros. Eu e o meu marido lemos muito sobre o iluminismo, o liberalismo e sobre a realidade da vida burguesa da França do meu tempo, na bela escrita realista de Honoré de Balzac, e acho que assimilámos algo do pensamento de Auguste Comte.

- Vossos contemporâneos.

- Sim. Balzac foi um dos mais prestigiados romancistas franceses de sempre, introdutor do realismo na literatura, mas sem perda de uma certa marca do romantismo, numa obra vastíssima.

- Auguste Comte foi o filósofo francês do positivismo.

- A ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro martelava o meu cérebro estruturado por uma educação católica com grande prevalência do mundo espiritual. Apesar de hoje não ser mais do que um espírito, defendo que todas as formas do conhecimento humano têm de ser comprovadas cientificamente. Defendo o positivismo para a condução da vida terrena e para o caminhar do mundo e da sociedade. Sou contra os dogmas da Fé, contra as crendices e superstições. Para mim, o progresso da sociedade humana depende, em simultâneo, da ética e dos avanços da ciência e da tecnologia. E, é preciso não esquecer, do bom senso dos políticos.
Muitas das vossas medidas revelam que haveis assimilado, pelo menos, uma parte dessas ideias renovadoras.

- Essa assimilação está, de facto, patente nas reformas que promulguei. Por exemplo, o Reitor da Universidade de Coimbra deixou, definitivamente, de ser um eclesiástico. Esse distinto cargo passou a ser ocupado por um lente leigo. Foi decretado o combate ao tráfico de escravos e a obrigatoriedade do ensino para as crianças a partir dos 7 anos. Procedi à novíssima reforma do sistema judiciário e promovi o sistema de pesos e medidas. Ao mesmo tempo, em Coimbra, nascia um embrião da Carbonária, uma sociedade secreta de ideias republicanas e fortemente anticlericais, muito inspirada nos revolucionários franceses. Eu sabia-o através dos meus serviços de informação, também eles secretos e, de certa forma, compreendia os ideais dos seus membros.

- Falai-me da chamada lei das rolhas.

- Esse foi o nome dado à lei de 3 de Agosto de 1850 que visava restabelecer a liberdade de imprensa. Porém, a opinião pública considerou que não respeitava o espírito da Carta Constitucional, uma vez que restringia muita da liberdade de escritores e jornalistas. Entre os que se rebelaram contra este diploma, lembro, entre outros, Alexandre Herculano, Almeida Garrett, José Estêvão de Magalhães, Latino Coelho. Mas, pouco depois de subir ao poder, o Duque de Saldanha revogou-a, substituindo-a pela Carta de Lei de 17 de Maio de 1866, que levou à abolição de quaisquer "cauções e restrições para a imprensa periódica". Este outro diploma abriu um período conhecido por Regeneração, particularmente bem recebido pelos jornalistas. Mas voltemos à Serra de Sintra.

- A primeira abordagem ao estudo verdadeiramente científico do maciço de Sintra surgiu em finais do século XIX, da autoria do geólogo suíço Paul Choffat, também ele um residente em Portugal. A partir de então o relevo, a estrutura, as rochas e minerais e a génese deste maciço não pararam de ser investigadas pelos mais diversos cientistas nacionais e estrangeiros. Tanta é a variedade de tipos petrográficos, que esta pequena montanha foi referida pelo geólogo e mineralogista francês, Alfred Lacroix, como uma “jóia de petrografia”.

- Petrografia? O que é isso? – Interrogou Dona Maria.

- É pura e simplesmente a disciplina científica que estuda as pedras, ou as rochas, como se tornou mais erudito dizer.

- Muito bem. Prossigamos, então.

- Com cerca de dez quilómetros de comprimento por mais ou menos três de largura e um perfil acidentado, este maciço sobressai da planura envolvente como uma elevação que ultrapassa os quinhentos metros de altitude. Um dos cimos desta bela serra é este penhasco onde se ergue o vosso palácio. Para explicar a sua formação temos de recuar no tempo cerca de noventa e cinco milhões de anos.

- Isso é uma enormidade! – admirou-se a rainha.

- Tendo em conta a idade do nosso planeta, qualquer coisa como quatro mil, quinhentos e setenta milhões de anos, podemos considerar esta serra como um relevo bastante jovem, como veremos mais adiante. Mas eu estou a falar da história da sua formação, e é aí que preciso recuar os tais cerca de noventa e cinco milhões de anos. Nesse tempo, o local onde nos encontramos, toda esta região e grande parte do território a Oeste do país, a que chamamos Orla Mesocenozóica Ocidental, não existiam como terras emersas. Tudo era mar. Um mar pouco profundo, de águas límpidas e mais quentes do que as actuais. O litoral do continente norte-americano estava ainda bem perto do nosso. O Oceano Atlântico era ainda, por assim dizer, embrionário. Algo que podemos imaginar semelhante ao actual Mar Vermelho, entre a África e a Arábia.

- Estou a imaginar o interesse que D. Fernando teria em poder ouvir um relato assim, para ele, certamente, apaixonante. – comentou, saudosa, a minha interlocutora.

- Estou em crer que sim, - anuí - tanto mais que esta reconstituição, que vos estou a transcrever, assenta em conceitos geológicos ainda inexistentes no vosso tempo. Mas é de justiça acrescentar que foram os geólogos pioneiros, vossos contemporâneos, como o tal Lyell, que haveis referido, que abriram o caminho da modernidade a esta ciência.

- Muito interessante, aliás!

- Voltando ao assunto, sabemos que o substrato rochoso deste nosso antigo mar era constituído por uma muito espessa série de camadas de rochas sedimentares incluindo calcários, arenitos, argilitos e conglomerados que, no conjunto, testemunham uma história mais antiga que não vamos abordar por agora. Nesta série, com cerca de três mil metros de espessura, os calcários mais modernos representam os depósitos acumulados no referido mar. Falamos aqui de Jurássico e de Cretácico, os nomes dos dois períodos geológicos representados na citada série. Mas só a parte superior do Jurássico e a primeira metade do Cretácico estão envolvidos na génese do maciço.

- Falastes de três mil metros de espessura?

- Exactamente.

- Mas como é possível uma tão grande acumulação?

- Primeiro, é um facto que o leito marinho se ia afundando ao longo de milhões de anos e que, à medida que tal acontecia, os sedimentos iam-se depositando lenta e continuadamente. Uma taxa de sedimentação de escassas centésimas de milímetro, em média, por ano, durante o intervalo de tempo considerado, é suficiente para acumular os três mil metros de espessura que referi. Depois, é preciso acrescentar que por baixo desta série de camadas sedimentares estavam, e estão, as rochas antigas com mais de 280 milhões de anos, maioritariamente granitos e xistos do soco rígido, que formam a ossatura de Portugal e de toda a Península Ibérica, e que completam os 35 quilómetros de espessura da crosta terrestre nesta região.

- Crosta terrestre?

- Para vos explicar o que é a crosta terrestre, começo por dizer que, em linhas muitíssimo gerais, o nosso planeta está dividido em geosferas concêntricas, como as capas de uma cebola. A geosfera central, ou seja, o núcleo, muito densa e muito quente, é essencialmente constituída por ferro. A esta sucede-se uma capa muitíssimo espessa que, por envolver o núcleo, tomou o nome de manto. É a parte superior do manto, ainda muito quente, que fornece não só a energia inerente às erupções vulcânicas, mas também a lava, as cinzas e todos os materiais que trazem à superfície. Finalmente, a capa mais externa é, como o nome indica, a crosta. A crosta sob os continentes é essencialmente formada por rochas antigas e muito antigas, com destaque para os granitos e os xistos. Elas são sempre o substrato das rochas sedimentares muito mais recentes, como são, entre muitas outras, os calcários. A espessura média da crosta continental é da ordem do 30 a 35 quilómetros, com excepção das áreas montanhosas onde aumenta para valores que rodam os 70 quilómetros, formando como que raízes das respectivas montanhas. Sob os oceanos, a crosta oceânica não excede a meia dúzia de quilómetros e é, toda ela, formada por basaltos e rochas afins.

- Entendi perfeitamente e estou cada vez mais curiosa em conhecer a história do chão que estamos a pisar.

- Há cerca de noventa e cinco milhões de anos, - retomei a minha narrativa - uns 30 a 35 quilómetros abaixo dos nossos pés, na fronteira entre a crosta e o manto, concentrou-se um importante foco de calor vindo da profundidade, que começou a derreter as rochas da crosta, transformando-as num magma ascendente, tal como uma bolha de azeite a subir no seio da água, mas a uma velocidade extremamente lenta, imperceptível, que só a imensidão do tempo geológico permite entender. Acontece que havia aqui uma falha geológica, ou seja, uma grande fractura que atravessava a crosta, criando uma zona de fraqueza favorável à subida do referido magma.

- Uma fractura? Numa espessura tão grande e com rochas tão sólidas? Como é isso possível? – Interrompeu, incrédula, a rainha.

- Sim, uma fractura! Se pensardes que a Terra é uma bola com um diâmetro de cerca de 12 000 quilómetros, e que a espessura da crosta se limita a escassas dezenas, esta capinha externa torna-se tão vulnerável e frágil como uma casca de ovo, face às constantes e poderosas convulsões de um corpo tão volumoso e muito quente no seu interior. Portanto, não vos admireis de ter aqui, bem próximo, uma falha que desce a muitos quilómetros de profundidade e que, na opinião de alguns, pode voltar a mexer.

- E se mexer?

- Se mexer haverá um tremor de terra ou um sismo, como nós dizemos.

- E o que é, afinal, um sismo?

- Um sismo resulta sempre de um deslocamento brusco entre dois compartimentos de crosta separados por uma falha.

- Então foi o que aconteceu com o terramoto que destruiu Lisboa em 1755?

- Sim, mas não foi por causa desta falha. Foi causado por uma outra bem mais importante, situada no mar a sudoeste do Algarve. Mas, continuando, devo dizer que, na sequência da ascensão do referido magma, as camadas sedimentares suprajacentes foram sendo dobradas e elevadas, formando uma abóbada em cúpula, no interior da qual o magma foi subindo, arrefecendo e solidificando. Durante a sua formação e subida, este magma foi engolindo e digerindo parte das rochas com as quais ia ficando em contacto, modificando a sua composição. Geraram-se, assim, vários tipos de fracções magmáticas que originaram outros tantos tipos de rochas, com destaque para o granito que estamos a pisar, solidificado há cerca de 85 milhões de anos.

- E as outras rochas? – quis saber Dona Maria, que acrescentou. - D. Fernando, nos vários passeios que fazia na Serra, alguns na companhia de von Eschwege, apanhava e trazia para casa muitas pedras, diferentes umas das outras.

- As outras são rochas que fazem parte do léxico habitual dos geólogos, mas que, creio, vos dirão muito pouco ou, mesmo, nada. Mas cito-vos as mais frequentes entre as várias que ocorrem associadas a este maciço. São elas o sienito, o diorito, o gabro, o mafraíto, e algumas brechas ígneas. Isto sem falar de rochas filonianas tais como traquitos, microssienitos, microdioritos, microgranitos, riolitos, doleritos e diversos tipos de lamprófiros.

- É claro que não vou querer saber o que são todas essas rochas. Deduzo que interessam, sobretudo, aos especialistas, porque cada uma delas deve ter o seu significado próprio.

- Exacto. Cada uma delas fala do ambiente e das condições em que foi gerada e, no conjunto, permitem-nos reconstituir episódios do passado geológico, como este que vos estou a tentar relatar.

- Mas continuai, por favor. Desculpai a interrupção.

- Como é regra da natureza, em qualquer latitude, sempre que uma porção de terreno se eleva, a erosão começa a desgastá-lo. E foi isso, precisamente, o que aconteceu aqui. A dita cúpula de camadas sedimentares, na maioria, calcários, trazendo consigo, escondido no seu interior, o miolo das ditas rochas magmáticas, elevou-se acima do mar, seguramente, mais de três mil metros. Muito provavelmente tivemos aqui uma ilha formada por uma montanha tanto ou mais imponente do que os Alpes e, como tal, sujeita a intensa erosão. Ao longo dos milhões de anos que se seguiram a montanha foi desgastada até à dimensão que hoje apresenta, e o seu miolo magmático ficou a descoberto. Quem conhece a Serra, sabe que pisa, sobretudo, granito e, mais para ocidente, na zona da Peninha, sienito. Sabe que os calcários e as outras rochas sedimentares da cobertura jurássica e cretácica estão confinadas à periferia.

- E para onde foram os materiais que a erosão arrancou à montanha?

- Esses materiais, em particular, calhaus, areias e argila, desceram e espalharam-se pelas terras envolventes. A maioria já desapareceu, arrastada pelos rios, a caminho do mar. Mas uma pequena parte desses materiais permanece aqui, no sopé e nesta plataforma a norte da Serra, como testemunhos susceptíveis de reconstituir os últimos milhões de anos da história deste relevo.

- Meu esposo gostava de geologia e tinha razão. É uma ciência muito interessante.

- Eis, pois, senhora, o que me é possível dizer, assim de memória e de forma muito geral e básica, acerca da geologia desta pequena Serra, um assunto que os especialistas sabem que é complexo. É esta história que está na base desta extraordinária paisagem, agora classificada como património mundial, e da ocupação humana que, ao longo dos séculos, atraiu. Mas voltemos ao vosso tempo. É agora a vossa vez de falar.

- Então, retomando o fio à conversa, devo começar por lembrar que, tinha eu 15 anos, faleceu-me o pai e eu fiquei rainha. Mais uma vez tive de casar e, desta feita, como já disse, com o infeliz príncipe de Beauharnais.

- Por essa altura houve uma grande epidemia, julgo que de cólera?

- É verdade. A falta de higiene era o quadro geral da nossa sociedade, e a medicina não tinha os recursos que tem actualmente. Morreram mais de quarenta mil portugueses.

- Mas na vida política as coisas estavam a correr a contento dos liberais?

- Assim foi, de facto. As tropas miguelistas sofreram sucessivas derrotas impostas pelas forças ao serviço da causa liberal, tendo-se destacado nos seus comandos, e ficado para a história, os nomes dos duques de Saldanha e da Terceira. A paz foi assinada na Convenção de Evoramonte e, uma vez mais, o meu tio Miguel partiu para o exílio, desta segunda vez, em Itália.

- Mas D. Miguel não se sentia derrotado?

- De modo nenhum! Eram muitos e poderosos os que estavam a perder privilégios com os ventos da revolução e o meu tio, apoiado pela mãe, a minha avó Carlota Joaquina, era o braço direito e o rosto dessa classe. Eram, pois, muitas as pressões sobre ele para que não desistisse, e ele honrava essa responsabilidade. Uma vez no exílio, não tardou em renegar o texto do tratado a que se submetera e, até ao fim da vida, não parou de tentar encontrar condições que lhe permitissem reconquistar o trono de Portugal.

- Com o fim da guerra civil que, segundo reza a História, foi sangrenta, algo começou a mudar?

- Uma vez reconquistado o poder liberal, e reposta a ordem social e política consignada na dita Carta, promulgámos a lei da liberdade de imprensa, extinguimos as ordens religiosas masculinas e confiscámos os seus bens, cabendo aqui realçar o papel desempenhado por Joaquim António de Aguiar. E tão eficazmente o desempenhou que ficou conhecido pelo “Mata-Frades”.

- Ainda hoje esse vosso ministro é uma figura conhecida e muito querida nos meios operários portugueses.

- Continuando, devo lembrar que a estabilidade decorrente da vitória liberal não durou muito. Dois anos depois recomeçaram as desavenças, não com os absolutistas, mas entre os vitoriosos. De um lado, os cartistas, que eu apoiava, mais moderados, defensores da Carta Constitucional de 1826, e, do outro, os setembristas, mais radicais, com destaque para Passos Manuel, interessados em repor o texto da Constituição de 1822. Foram mais vinte e cinco anos de lutas fratricidas, mas foram muitas as conquistas nelas alcançadas.

- Dessas lutas ficou na memória colectiva a Revolução da Maria da Fonte.

- Também chamada Revolução do Minho, foi uma revolta popular que eclodiu na Primavera de 1846, na região de Póvoa de Lanhoso e se estendeu, progressivamente, a todo o país. Dizia-se que a instigadora desta revolta era uma tal Maria, natural da freguesia de Fontarcada e, por isso, conhecida por Maria da Fonte.

- A insurreição, diz-se, terá resultado do grande descontentamento popular gerado pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.

- E também pelas novas leis de recrutamento militar e de agravamento dos impostos decretadas pelo meu ministro Costa Cabral. Em resultado dessa revolta caiu o governo cabralista. Pouco tempo depois, ainda nesse ano, houve um golpe militar conhecido por Emboscada, o que fez reacender os motins e dar começo a uma nova guerra civil que se prolongou por mais de meio ano e que ficou na História com o nome de Patuleia.

- Diz a História que esse conflito fratricida foi travado entre uma coligação contra-natura de miguelistas e setembristas contra os cartistas.

- Cartistas que eu apoiei e que puderam contar com o apoio de forças militares estrangeiras ao abrigo da Quádrupla Aliança. E esse apoio pôs fim à guerra e deu-nos a vitória, reconhecida pouco depois pela assinatura da Convenção de Gramido, um pequeno lugar na região de Gondomar

- Já não me lembro do que foi essa Quádrupla Aliança.

- Foi um tratado assinado em Londres, em 1834 entre Guilherme IV de Inglaterra, Luís Filipe de França, a regente de Espanha D. Maria Cristina de Bourbon e meu pai enquanto regente de Portugal. Este tratado visou defender os regimes liberais nas monarquias ibéricas, mesmo que tal implicasse a entrada de tropas estrangeiras nos nossos territórios.

- Não obstante essa instabilidade, o país andou para a frente. Sei que são dessa altura os nossos velhos e saudosos Liceus e que, entre outras iniciativas, foram criados os Conservatórios de Artes e Ofícios de Lisboa e do Porto.

- Isso e muito mais. – anuiu a rainha. – Criámos a Faculdade de Direito de Coimbra, as Escolas Médico-Cirúrgicas de Lisboa e do Porto, o Conservatório Real de Lisboa e as Academias de Belas Artes de Lisboa e do Porto. Promulgámos o Código Comercial Português, documento essencial à vida económica do país, da autoria de Ferreira Borges. Procedemos à estruturação administrativa do território, dividindo-o em distritos e estes, por sua vez, em concelhos, uma medida de vanguarda que veio a ter futuro. Não menos importante foi toda a legislação de Mouzinho da Silveira, no propósito de construir um Portugal moderno, liberto das amarras políticas e religiosas do antigo regime.

- Sem esquecer a criação da Escola Politécnica de Lisboa e a da Academia Politécnica do Porto. Mas, entretanto, voltastes a casar.

- E uma vez mais em nome dos altos interesses do Estado. Os vários pretendentes surgiram das mais nobres famílias europeias e o escolhido foi o príncipe austríaco D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha que, pelo casamento e após o nascimento do nosso primeiro filho, o infante D. Pedro, foi aceite como rei-consorte, com o título de D. Fernando II de Portugal.

- Eram os dois muito jovens.

- Eu com 17 anos e ele com 20. D. Fernando foi um homem bom. Muito amado pelos portugueses, com excepção da nobreza e do clero mais conservadores. Fomos felizes. Essa felicidade não durou muito tempo. Queríamos ter muitos filhos e tivemos.

- Diz-se que, segundo a opinião de alguns entendidos, foi esse excesso a causa da vossa morte tão prematura, aos 34 anos.

- É possível. Com todas estas recordações ia-me esquecendo de vos falar de uma medida tomada no meu reinado, com o grande apoio de D. Fernando, e que tem a ver com a vossa área científica. Estou a referir-me à criação, em 1849, da Comissão Geológica do Reino, na dependência da Real Academia das Ciências.

- Eu conheço razoavelmente bem a história dessa prestigiada instituição.

- Se não estiverdes fatigado, gostava de a conhecer, pois não lhe acompanhei os passos nos anos que se seguiram à minha passagem para a eternidade.

- Com todo o gosto. Já a contei várias vezes e não me canso de contá-la, tal é a minha indignação pelo que ali se tem passado nos últimos tempos. Começo por dizer que, ao longo dos seus cento e sessenta anos, teve várias designações a que corresponderam, no geral, mudanças de orientação e de propósitos, mas sempre centrados em torno da Geologia. Comissão Geológica, Secção dos Trabalhos Geológicos, Direcção dos Serviços Geológicos, Comissão dos Serviços Geológicos, Serviços Geológicos de Portugal, já depois da República, entre 1917 e 1993, e Instituto Geológico e Mineiro, logo a seguir. Reparai, Senhora, que a adjectivação usada nos diversos nomes desta instituição sempre respeitaram o domínio da ciência que esteve na base da sua existência. Mas a chegada ao poder da jovem classe política que referi atrás, falha de sentido histórico e de cultura científica, entendeu sacrificar esta casa pioneira e dinamizadora de Geologia portuguesa em nome do saneamento das contas públicas, ao mesmo tempo que se encheu de assessores e de consultores a quem paga fortunas. Apagaram-lhe o nome e diluíram-na numa outra instituição cuja designação, Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação, se coaduna melhor com o pendor tecnocrático desta gente. Ultimamente, crio que em resultado das muitas vozes descontentes, mudaram-lhe o nome para Laboratório Nacional de Energia e Geologia.

- Pelos vistos, - comentou a rainha - estais bem informado sobre um assunto tão específico, desconhecido da maioria do público.

- Eu tenho vivido os últimos tempos desta evolução porque conheço muitos dos que ali trabalham. Pesando bem as minhas palavras, deixai que vos explicite o meu pensamento acerca deste caso. A extinção, pelo governo do Primeiro Ministro Durão Barroso, em 2003, do Instituto Geológico e Mineiro, com século e meio de volumoso, notável e valioso trabalho realizado, onde laboraram e laboram geólogos de grande prestígio nacional e internacional, reflecte o grave desinteresse por este domínio do conhecimento científico, por parte dos responsáveis por esta infeliz, triste e lamentável decisão. Por outro lado, a não reparação desta indignidade causada à geologia portuguesa e aos seus cultores, pelo governo do Primeiro Ministro José Sócrates, mantendo aquela decisão, mostra que a mesma nada tem a ver com a orientação política destes rapazes, antes sim com a sua falta de cultura neste domínio do saber e, daí, desconhecerem a sua verdadeira importância e o respeito que lhe é devido. Muito recentemente, penso eu que, em virtude da contestação da comunidade dos geólogos portugueses, o governo mudou o nome desta instituição para Laboratório Nacional de Energia e Geologia, com todas as despesas inerentes a este tipo de mudanças na administração do Estado. E é tudo o que me ocorre dizer. Vamos ficar por aqui.

- Tendes toda a razão. Vamos ficar por aqui. Estou a ver ali, ao fundo, o professor Fernando Catarino, e tenho uma quantidade de questões a colocar-lhe acerca de algumas das árvores que aqui plantámos.

- Ele foi meu professor, Um esplêndido professor!

- Gostei de falar convosco.

- O gosto foi todo meu, Senhora.
A. Galopim de Carvalho

sábado, 9 de fevereiro de 2019

"Se perguntar o que é o amor...": Minha entrevista ao Expresso que saiu hoje

A minha entrevista já está on-line, sem restrição de acesso:

https://vidaextra.expresso.pt/vida/2019-02-10-Se-perguntar-o-que-e-o-amor-a-ciencia-nao-sabera-responder.-Entrevista-a-Carlos-Fiolhais?fbclid=IwAR31o9MwCRIFb6qMu7hxtmaQkqdUvKESpAxipfvBPkWRousLNCuVv7Aegrs

Os reitores e os investigadores


Grande artigo de Vera Novais, no Observador, sobre a má relação entre alguns reitores e os investigadores. Querem a investigação, as Universidades gabam-se dos artigos e das citações, mas não querem os investigadores. O governo também não tem ajudado na medida suficiente, Mas a actual situação é insustentável e tem de haver mudanças, por exemplo na mentalidade dos reitores no que diz respeito à investigação e aos investigadores. Não basta dizer que se é favor da investigação, tem também de se actuar na prática a favor dos investigadores:

https://observador.pt/especiais/ciencia-reitores-travam-entradas-de-investigadores-nos-quadros/?fbclid=IwAR3YvgMgYCnTj6B2qOsq6LKfq1MY7SreOkOeLCUFXYY9HnThWlq3P_9qHbE

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

HOJE É O DIA DE ANOS DE MENDELEIEV


Informação de Adriano Simões da Silva:

8 de Fevereiro de 1834 – Nasce o químico russo Dmitri Mendeleiev, criador da primeira versão da Tabela Periódica dos elementos químicos, prevendo as propriedades de elementos químicos que ainda não foram descobertos, em 1869. 

(Ep. 47) "Cientistas portugueses" de David Marçal

A Tabela Periódica em haiku


“Cientistas no Palácio de Belém”


Comentário recebido do nosso leitor A. Kuettner de Magalhães

 Estranhamente ou já nem por isso, pouca divulgação é dada ao que o Senhor Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa,tem vindo a fazer no Palácio de Belém, em prol da nossa Cultura, dos Escritores, dos Jornalistas e agora dos Cientistas.

Parece que não sendo temas “maldizentes”, alguns deles de momento estão excessivamente “focados” no PR, passam ao lado da divulgação nos mais diversos meios de comunicação social e não só.

Será que estamos definitivamente maldizentes e agressivos? Será que informações positivas não interessem? Será que a falta de agenda própria da maioria da nossa comunicação social, não permite abordar-se esta temática? Será falta de imaginação?

E assim, tente-se perceber, do que se trata: 

Esta segunda edição do Programa “Cientistas no Palácio de Belém”, que teve início a 8 de janeiro e decorrerá até 27 de fevereiro de 2019, tem como objetivo aprofundar o interesse dos jovens pela atividade científica e conta com a participação de nove cientistas: Arlindo Oliveira, Carlos Fiolhais, Daniel Traça, Filipe Duarte Santos, Helena Carreiras, José Xavier, Miguel Bastos Araújo, Mónica Dias e Sobrinho Simões, e de cerca de sete centenas de alunos matriculados no ensino secundário, representando 28 escolas de 27 concelhos de Portugal continental.

Com esta iniciativa, que prevê sessões de apresentação e debate com a duração de aproximadamente uma hora, o Presidente da República sublinha a importância das políticas de promoção da ciência, enquanto contributo fundamental para o desenvolvimento sustentado das sociedades contemporâneas.

Cientistas presentes nesta segunda edição do Programa:
- Filipe Duarte Santos - 8 de janeiro
- Carlos Fiolhais - 15 de janeiro
- Arlindo Oliveira - 22 de janeiro
- Miguel Bastos Araújo - 5 de fevereiro
- Helena Carreiras - 5 de fevereiro


Talvez fosse mais proveitoso para todos nós, haver uma mais alargada e pública informação sobre o que o Presidente da República faz nestas áreas nas suas funções,  em vez de se andar unicamente à procura do que faz e não deveria ter feito, ou do que não fez mas deveria ter feito.

E nada tem a ver com esquerdas ou direitas, é muito mais do que isso.

Augusto Küttner de Magalhães

Fevereiro 2019

NOVOS LIVROS DA GRADIVA

Informação recebida da editora:


Na Universidade de Coimbra, a actual Reitoria desconsidera os seus antigos servidores

Mensagem de um professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra que chegou até nós:


Na Universidade de Coimbra,
a actual Reitoria desconsidera os seus antigos servidores

            Diversas têm sido as diligências para que a actual equipa reitoral da Universidade de Coimbra pondere a criação de um cartão para os seus antigos servidores - funcionários e docentes aposentados ou jubilados. Todas elas têm chocado num muro de silêncio, sem eco que valha.

            Tal cartão, permitindo a identificação desses servidores perante, por exemplo, os serviços da própria Academia, fariam com que não se desse o caso, a todos os títulos (a meu ver, claro!) deveras estranho, de um catedrático aposentado, que até foi o autor do guia de espaços museológicos universitários, ser agora, por estar aposentado, obrigado a pagar a entrada nesses espaços, quando, por exemplo, vai acompanhar familiares e amigos nessa visita, porque não tem cartão que o identifique! A situação foi amiúde reportada às instâncias superiores. Debalde. Nem resposta os mui dignos ‘gestores’ da Universidade tiveram tempo de dar!

            Acresce que, nas actuais circunstâncias, como se sabe (mas, se calhar, a actual equipa reitoral não sabe!), boa parte dos docentes jubilados e aposentados continua a pertencer a Centros de Investigação da Academia, honrando-os com os seus artigos, que felizmente continuaram a poder fazer, com as suas conferências, em que se prezam de indicar a sua condição de antigos docentes da Universidade de Coimbra, e frequentemente são chamados a arguir dissertações de mestrado, teses de doutoramento e, até, a integrar júris de concursos, na medida em que são portadores, como é de crer, de alguma (para não dizer, muita) experiência acumulada.

            Aliás, sempre que se deslocam à sua antiga Faculdade ou aos serviços académicos, esses servidores aposentados ou jubilados vão lá, podemos garantir, «em serviço», ou porque os chamaram ou porque eles próprios vão reunir com alguém no âmbito de uma actividade científica que prosseguem, para ainda maior prestígio da sua Universidade, à qual deram dezenas de anos de trabalho e dedicação.

            É triste – para não usar outro termo - ver como uma Academia que se preza de ter sido a primeira a nascer no País, assim desconsidera um capital humano que – apesar disso! – a quer continuar a honrar.

            Lamentável!

                                                                       José d’Encarnação
                                                           Professor catedrático aposentado – CEAACP

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular visto de fora

Muito recentemente, Antonio Bolívar, professor catedrático de "Didáctica e Organização Escolar" da Universidade de Granada, publicou um artigo sobre a(s) última(s) reforma(s) curricular(es) no nosso país.

Vale a pena ler esse artigo que tem por título: Portugal se mueve: Autonomía y Flexibilidad Curricular para promover el éxito escolar para todos  (In Cuadernos de Pedagogía, n.º 495, diciembre 2018/enero 2019, pp. 20-26).
En mis visitas a Portugal y mis relaciones con colegas he podido ver cómo, en unas condiciones laborales que no son las mejores, se mueve en educación. Como dicen algunos eslóganes, se está convirtiendo en la “nueva Finlandia” en educación (como evidenciaba PISA 2015 y, sobre todo, TIMSS, 2015). Podríamos aprender de ella sobre cómo lograr que todos los alumnos alcancen los “aprendizajes esenciales” o competencias clave, con su Programa Nacional para promover el éxito educativo (Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, PNPSE). Mientras tanto, el sistema educativo español, con LOMCE o sin ella, languidece año tras año, casi sin rumbo claro. Podríamos aprender sobre cómo podemos dinamizar el sistema, de modo que pueda avanzar decididamente.
Dinamizar el sistema, un proceso de largo recorrido 
De acompañar a España en el furgón de cola del primer PISA, el vuelco en los resultados de las pruebas internacionales es un proceso de largo recorrido desde 1986 (Ley de Bases del Sistema Educativo). Un sistema escolar mayoritariamente público (más del 80%), con fuerte implicación de las comunidades educativa locales y municipales, con una excelente formación inicial y permanente de su profesorado. A partir de 2012 se potenció la autonomía de cada centro para adecuar el currículum a las Publicado en Cuadernos de Pedagogía, 495 (diciembre 2018/enero 2019), pp. 20-26, necesidades de cada escuela, se reforzó la capacidad de decisión de la dirección y se incrementaron las competencias municipales y la responsabilidad local en la educación de sus jóvenes.
En los últimos años, el nuevo Gobierno portugués, ha puesto en marcha amplios programas de innovación y cambio educativo, englobados en un Programa Nacional para la Promoción del Éxito Educativo (2016-2019). Este Plan no nace de cero, tiene antecedentes como el Programa Interministerial de Promoción del Éxito Escolar (PIPSE) de fines de los ochenta y, más recientemente (2012), el Plan Integrado e Inovador de Combate del Fracaso y del Abandono Escolar. Así se explica la drástica bajada del abandono escolar temprano, potenciada por una flexibilidad del currículum, que hace que la escuela pueda elaborar programas personalizados para alumnos en riesgo, así como otras salidas en el ámbito profesional.
Con los graves recortes y reorganización de los centros (“agrupamientos de escuelas”) que ha sufrido el sistema educativo portugués, bajo la austeridad suicida del gobierno conservador de Passos Coelho y el programa de rescate del FMI/UE (de triste memoria), del que se resienten aun gravemente las condiciones laborales del profesorado; es posible dinamizar el sistema de modo que pueda dar respuesta a todo el alumnado. El nuevo gobierno socialista de Costa tiene la deuda de restablecer las condiciones salariales y laborales del profesorado, pero –mientras tanto– es preciso seguir potenciando la confianza y el compromiso por mejorar. Este curso escolar se ha puesto en marcha unos programas innovadores, para potenciar la mejorar e inclusividad de su sistema escolar, que comentamos. 
La mejora, responsabilidad de cada escuela y municipio 
El éxito escolar está condicionado por factores internos y externos, pero la escuela tiene un papel crucial. Actualmente se ha llegado a considerar que el núcleo del cambio educativo se sitúa, no a nivel micro de la sala de clase ni en el macro de las estructuras del sistema, sino en ese nivel meso o intermedio que son las condiciones organizativas del establecimiento escolar. Cada escuela se constituye, así, en el epicentro de cualquier esfuerzo de mejora, como contexto de trabajo, formación e innovación. A su vez, la colaboración y responsabilidad de la comunidad a nivel local son esenciales para la construcción del éxito escolar.
De una organización piramidal y vertical, donde la escuela es el último eslabón del sistema administrativo, obligada a implementar –funcione o no, sea pertinente o no– lo que se ha decidido en un nivel central, pasamos ahora a romper con la rigidez, pensando que las decisiones más pertinentes solo pueden ser tomadas por quienes están en la situación, cercanos a los problemas. En función he dicho conocimiento, cada escuela ha de determinar sus planes de acción estratégica con el objetivo de mejorar los aprendizajes de los alumnos. Esto precisa de una autonomía de gestión y una flexibilidad curricular (Cosme, 2018).
En este contexto se ha introducido este curso escolar (tras un período piloto el curso anterior) de innovación y cambio, llamado de Autonomía y Flexibilidad curricular, que supone un cambio sustancial en los modos habituales de gestionar el currículum y la organización de los centros. Me atrevo a decir que tiene un carácter disruptivo. El problema ahora no es que los alumnos “no llegan”, sino qué hay que hacer para que el
currículum llegue a todos. La autonomía y la flexibilidad son instrumentos que permiten a las escuelas mejorar la calidad del trabajo educativo, sin los cuales no se puede conseguir un éxito educativo para todos. 
Éxito para todos mediante autonomía y flexibilidad curricular 
Tras un periodo de experiencias, al que se han acogido diversos centros de todo el país, y con la evaluación y reformulación realizada por el propio Ministerio de Educación y, a nivel internacional, con un informe externo de expertos de la OECD (2018), junto a un período de consulta pública, un Decreto Ley (Diario da República, 2018) los ha generalizado para 2018-19. De este modo, se quiere hacer frente a algunos de los problemas que arrastran nuestros sistemas educativos: unos programas curriculares inabarcables, escasa autonomía de los centros escolares públicos, división parcelada de asignaturas sin horizontalidad y transversalidad curricular, y una evaluación educativa en exceso uniformadora. No es posible garantizar que todos los niños y jóvenes tienen acceso a los aprendizajes esenciales que les permiten concluir la escolaridad con los saberes, las competencias, las actitudes y los comportamientos necesarios para la vida en sociedad, sino a nivel de cada escuela, apoyada por el municipio. A su vez, esto supone que cada escuela tenga autonomía para el desarrollo de las estrategias de acción adecuadas a las necesidades específicas de cada alumno (Cosme, 2018). Por lo demás, un programa para el éxito educativo de todos como este se asienta en una estrategia más amplia como los siguientes instrumentos: 
 — Establecimiento de un perfil nacional común del alumno a la salida de los 12 años de escolaridad obligatoria (Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória). Este perfil contempla ocho principios educativos, una visión del ciudadano del siglo xxi, seis valores y doce competencias clave
— Determinar y definir los aprendizajes básicos (“essenciais”) de los alumnos recogidos en documentos curriculares, base para la planificación, desarrollo y evaluación de los aprendizajes. Tras un periodo de consulta pública sobre los aprendizajes fundamentales en Secundaria se han publicado a fines de agosto.
— Proponer un modelo de flexibilización pedagógica para conseguir que cada alumno adquiera los aprendizajes y competencias clave. El currículum ha de ser adecuarlo la realidad de cada escuela y a las características de cada alumno.
— Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania. Los principios, las áreas de competencias y los valores definidos en el Perfil de los Alumnos a la Salida de la Escolaridad Obligatoria (PA) confluyen en la formación del individuo como ciudadano participativo, que se prolongará con su ejercicio y aprendizaje a lo largo de la vida. 
De este modo se pretende que las escuelas y los profesores puedan responder a contextos específicos, buscando lograr el conjunto de competencias inscritas en el perfil de salida de los alumnos. En este marco amplio, se asienta el programa de innovación y cambio educativo llamado Autonomía y Flexibilidad, que se centra en:
— Autonomía de gestión: 25% del tiempo de la carga horaria semanal del alumno por cada curso académico.
— Una flexibilidad curricular: explorar formas pedagógicas diferentes (trabajo por proyectos de naturaleza interdisciplinar), una organización de tiempos y espacios distintos y una estructuración alternativa de los docentes en equipos integrados
Esto permite que cada escuela pueda tomar, dentro del marco general, sus propias opciones curriculares pudiendo pasar de una combinación total o parcial de disciplinas, por la alternancia, a lo largo del curso, de períodos de funcionamiento disciplinar con períodos de funcionamiento multidisciplinar, en trabajo colaborativo, mediante el desarrollo de trabajo práctico o experimental con recurso a desdoblamiento de clases u otra organización. Igualmente posibilita la redistribución de la carga horaria de las asignaturas, promoviendo tiempos con proyectos interdisciplinares, reparto de horario entre diferentes disciplinas, por la organización del funcionamiento de las materias de un modo trimestral o semestral, etc.
Como decía João Costa, Secretario de Estado de Educación, el currículum se convierte un instrumento de trabajo, de modo que pueda ser adecuado a diferentes grupos, adaptando formas diferenciadas de trabajo que puedan motivar a todos los alumnos. En fin, dar herramientas para que la escuela y sus docentes puedan llegar e implicar al alumnado, cada vez más diferenciado que tiene. 
Autonomía en el desarrollo curricular: Transformar la mirada 
Que cada escuela tenga autonomía y flexibilidad curricular supone transformar la mirada: en lugar de estar la escuela al servicio del sistema, ahora sería el sistema educativo y sus servicios de apoyo los que tienen la obligación de servir las demandas y necesidades de cada escuela. También la propia escuela, y su equipo directivo, tienen que cambiar el sentido de su misión: de una escuela que presta un servicio, según estipula la Administración, a un establecimiento escolar cuyas prácticas se dirigen a tener un mayor impacto en el aprendizaje de los alumnos.
Al servicio de poder ofrecer la mejor educación para los alumnos se subordina el currículo, la gestión escolar, los padres de familia, los profesores, el municipio, etc. No se entiende el currículum nacional como un listón al que han de llegar todos los alumnos, y los que no hagan, quedarán excluidos. Ahora el currículum se pone al servicio de los alumnos que tenemos, sabiendo que, de modo personalizado y diferencial, no todos pueden llegar a lo mismo.
Todo esto empodera a los profesores como profesionales y a las escuelas como organizaciones activas y protagonistas en el propio diseño y desarrollo del currículum. Tomar decisiones propias por parte de los profesionales, paralelamente, exige una mayor capacitación que cuando se trata de una simple aplicación. De ahí el esfuerzo que todos han de hacer para fortalecer la profesionalidad de los docentes, renovando las prácticas pedagógicas, de modo que se pueda responder mejor a las demandas actuales de nuestros alumnos y conseguir que todos alcancen los perfiles de salida de la escolaridad obligatoria. A su vez, este carácter de que el currículum diseñado en el espacio de autonomía deba responder, junto al contexto, a las necesidades y los intereses de los estudiantes lo convierte como parte privilegiada de la inclusión y equidad. Sin embargo, no se debe ser ingenuos y dar a entender que, con la autonomía curricular, se pueda lograr una inclusión o equidad. La escuela tiene unos límites con un conjunto de factores asociados en el entorno escolar que, si no se actúa, paralelamente, en ellos, no puede conseguirse dicha equidad. En el caso portugués los municipios tienen amplias capacidades en educación que, en el caso español, han sido absorbidas (o usurpadas) por las Comunidades Autónomas. 
Una educación inclusiva 
Por su parte, este proyecto se inscribe en un marco más amplio de lograr una Educación Inclusiva. El Decreto-Ley nº 54/2018, de 6 de julio, de Educación Inclusiva, según su art. 1, “establece los principios y las normas que garantizan la inclusión, en cuanto un proceso que pretende responder a la diversidad de necesidades y potencialidades de todos y cada uno de los alumnos, a través del aumento de la participación en los procesos de aprendizaje y en la vida de la comunidad educativa”.
Cuando la autonomía curricular también consiste en reservar un espacio y tiempo para que cada escuela determine los contenidos más adecuados, se quiere facilitar que los estudiantes tengan la oportunidad de aprender temas de su interés, desarrollar nuevas habilidades, superar dificultades, fortalecer sus conocimientos, su identidad y su sentido de pertenencia. En otras palabras, dentro de los principios de una educación inclusiva, busca atender los intereses y las necesidades educativas específicas de cada alumno que tienen un impacto en el aula en lo que se refiere a ritmos de aprendizajes, capacidades, habilidades, necesidades, formas de interrelacionarse, intereses, expectativas, escalas de valores, etc.
En fin, para cada escuela puede ser un factor de innovación que posibilite su desarrollo organizacional y su capacidad interna de mejora, al poder responder de modo propio a las peculiaridades de su contexto o a las necesidades del alumnado. El profesorado debe incrementar su colaboración con sus colegas, la dirección ejercer un liderazgo pedagógico, y los servicios de apoyo redirigir sus estrategias de acción a cada escuela.
Conseguir el éxito escolar de todos los alumnos, es evidente que la escuela sola y sus docentes no pueden. La revolución que implica este Proyecto es que la Comunidad Educativa tiene necesariamente que colaborar, dedicada a los alumnos y enfocada en su éxito. Incrementar las alianzas con las familias, con los Consejos Consultivos y, particularmente, con los Municipios (con muchas mayores competencias que los españoles en educación) es clave para asegurar dicho éxito. Una condición sine qua non para lograrlo es cambiar el signo: el problema no son los alumnos que tenemos sino lograr un currículum adecuado para ellos. Este no puede ser prescrito a nivel nacional, es tarea de cada escuela y de cada aula. 
Para saber más 
- Cosme, A. (2018). Autonomia e Flexibilidade Curricular. Propostas e Estratégias de Ação. Oporto: Porto Editora.
- Dirección General de Educación (Direção-Geral da Educação); Página web contiene numerosos documentos y la regulación normativa: https://www.dge.mec.pt
- Diário da República (2018). Decreto-Lei n.º 55/2018 de e de julho. Autonomía y Flexibilidade curricular. (Diário da República n.º 129/2018, pp. 2928-2943).
- OECD (2018). Curriculum Flexibility and Autonomy in Portugal - an OECD review. Paris: OECD, disponible on line. View publication

UMA MAGNÍFICA OPORTUNIDADE


Minha crónica no Público de hoje:

Que a Universidade de Coimbra não está bem é revelado, por exemplo, pela sua queda do top500 do prestigiado ranking de Xangai. Segundo o blico de 15/8/2018 essa lista, encabeçada pela Universidade de Harvard, inclui nos primeiros 500 lugares apenas quatro universidades portuguesas: Lisboa, Porto, Aveiro e Minho. Coimbra, que estava no top500 desde 2013, ficou de fora. Se se atentar aos critérios, todos eles objectivos, que contam para a lista (docentes e investigadores com prémios prestigiados e muito citados, total de artigos científicos produzidos e publicados na Nature e na Science e contidos em índices internacionais) percebe-se que há um problema com a investigação. Para o confirmar basta olhar para um outro indicador: dos 14 investigadores nacionais que estão no top 1% das suas disciplinas, nenhum está em Coimbra.

Mas há outros problemas, designadamente a ligação à cidade, que contrasta com o que se passa nas cidades acima referidas. Coimbra tem vindo, desde há largos anos, a perder relevância e visibilidade nacionais, tendo as últimas gestões camarárias sido incapazes de, coligadas com a Universidade, promover as necessárias mudanças. De nada vale à urbe ter um bom hospital universitário, se os acessos são estrangulados e o estacionamento é caótico. De nada vale ter um Parque de Inovação se está vazio. Ao contrário de outras cidades de província, Coimbra não tem sequer uma gare ferroviária e outra rodoviária dignas, nem um tribunal e uma penitenciária em condições. A Baixa está uma ruína e a Alta está grafitada. A cultura, que noutros sítios é levada a sério, à beira do Mondego é considerada um espectáculo de magia. O metro Mondego” e o aeroporto internacional de Coimbra” não passam de miragens, truques criados por políticos prestidigitadores.

A Universidade tem agora, que vai ser eleito um novo Reitor, uma oportunidade de se renovar. Está nas suas mãos escolher o futuro, que terá de passar, como nos sítios mais desenvolvidos, por uma maior aposta na investigação e na inovação. Por outro lado, a cidade e o país teriam a lucrar com uma intervenção mais afoita da Universidade nos modernos desafios da polis. Se em Coimbra há competências na Medicina, nas Ciências e Engenharias, no Direito, nas Letras e nas Artes, porque não são elas mais aproveitadas pela comunidade?

o pertenço ao Conselho Geral que vai eleger o próximo Reitor e estou certo que esse Conselho fará a necessária ponderação do que mais interessa à instituição e à sociedade. Analisei, porém, com atenção os programas dos quatro candidatos que se propuseram, com generosidade e coragem, aceitar um repto que não é fácil.  Quase a terminar a minha vida académica, e porque sinto ser meu dever de consciência, não me isento de emitir opinião. Concorreram uma astrofísica brasileira, simpática, mas a anos-luz do que aqui se passa e não passa (o seu lema é bom — “Coimbra, a Universidade do futuro” — mas ela não sabe como); um farmacêutico, que é em larga medida responsável, como vice-reitor da investigação nos últimos oito anos, pelo descalabro que o ranking de Xangai e outros indicadores revelam (o seu moto é olímpico - Citius, Altius, Fortius —apesar de ele não ter atingido, na ciência, os mínimos olímpicos); um historiador da religião, muito sábio a respeito do passado, mas pouco sabedor do futuro de que a Universidade carece (em Honrar o passado, enfrentar o presente, projectar o futuro”, fica menos de um terço para o futuro); e um engenheiro informático, que é, claramente, o que oferece mais ideias e soluções quer para a reorganização da investigação e inovação, quer para o fortalecimento dos contributos societais da alma mater (Mudar para ganhar o futuro” é a sua frase motora).

A Universidade de Coimbra tem história, mas precisa de futuro. Dou exemplos de como transformar essa história em futuro: a marca Património Mundial da Humanidade” devia servir de alavanca de cultura em vez de caixa registadora do turismo. O Museu da Ciência, com um espólio valiosíssimo, devia unir a Universidade e a Câmara. As bibliotecas riquíssimas, a começar na Joanina, deviam formar, no seu conjunto, uma segunda Biblioteca Nacional, com um programa de digitalização que espalhasse a língua portuguesa no ciberespaço. Para tudo isso e muito mais, a escolha que se avizinha é uma magnífica oportunidade.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

"Será que os jornalistas sabem falar de ciência?"

Café com Ciência em Braga

Esta sexta-feira, dia 8 de Fevereiro, estarei em Braga para falar com o público sobre os avanços da ciência e tecnologia e a sua relação com a sociedade. É sempre com uma enorme alegria que visito o norte do país, ainda para mais tendo a oportunidade de conversar com as pessoas sobre um tema que me apaixona: a ciência. Espero por vocês.

A entrada é gratuita, mas é necessária inscrição: geral@casacienciabraga.org

Mais informações:
Data: Sexta-feira, 8 de Fevereiro, 21h30


"Por que acreditamos em átomos"

“PERCURSOS PARALELOS, CIÊNCIA, FOTOGRAFIA E HISTÓRIA NO CONHECIMENTO”




Na próxima 4ª feira, dia 13 de Fevereiro de 2019, pelas 18h00, vai ocorrer no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra a palestra “Percursos Paralelos, Ciência, Fotografia e História no Conhecimento”, por Alexandre Ramires, conhecido e importante historiador e coleccionador da fotografia portuguesa.

Esta palestra integra-se no ciclo "Ciência às Seis - Terceira temporada"*..

Sinopse da palestra:
"A Fotografia - e a inovação que representa - foi desde os seus primórdios considerada como uma invenção fundamental para o aprofundamento do conhecimento científico. Sendo vista como uma nova forma de medição e registo na investigação, foi, portanto, natural que os locais de apresentação da sua descoberta, divulgação e progressivo melhoramento tenham sido as mais importantes Academias Científicas mundiais.

O acesso a estas imagens produzidas pela luz possibilitou um crescimento exponencial do número de registos visuais, o que revolucionou a relação da humanidade com a sua memória, alargando horizontes aos historiadores do futuro. 

Serão mostrados exemplos de autênticas viagens no tempo a lugares que hoje ocupamos e que julgávamos serem de visualização impossível, mas que voltaram a revelar-se com o auxílio de fotografias com mais de um século. Este recurso à fotografia antiga funciona como uma poderosa máquina do tempo, abrindo caminho a descodificações inesperadas que alimentam as narrativas da História.

Rómulo de Carvalho publicou em Coimbra, em 1952, na Atlântida Editora, um livrinho com o título “História da Fotografia”, na coleção “Ciência para gente nova”, onde assinalava os momentos mais importantes desta área de conhecimento. Nos últimos setenta anos vários investigadores trouxeram a público novos dados que complementam esta obra do patrono deste centro de “Ciência Viva”.

Nesta comunicação serão identificadas as que se julgam ser as primeiras imagens fotográficas produzidas em vários países, tais como em França, Estados Unidos, Espanha, Brasil, Uruguai, Austrália e Portugal. No caso português serão abordados os casos de Lisboa, Coimbra e Porto.

No que concerne ao recurso à fotografia pela atividade científica, serão referidos vários exemplos nacionais e estrangeiros. Têm como base o território nacional e mostram os grandes avanços da fotografia no que respeita ao relevo ou estereoscopia, à cor, ao instantâneo, ao movimento e ao invisível. Alguns desses progressos estiveram na origem da atribuição de prémios Nobel, nomeadamente a Gabriel Lippmann pela fotografia a cores e a Roentgen pelos Raios X, tendo estas inovações sido aplicadas de imediato em Coimbra por António dos Santos Viegas e Henrique Teixeira Bastos."




Sobre Alexandre Ramires:
É professor de Ciências Físico-Químicas na Escola Secundária de Infanta D.Maria em Coimbra.
Leccionou as cadeiras “História da Fotografia” e “Géneros Fotográficos” da Licenciatura em Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Dirigiu a Imagoteca Municipal de Coimbra.
Foi coordenador do Arquivo de Fotografia do Porto do Centro Português de Fotografia.
Concebeu e executou, entre outras, as exposições:
“Memória das Oposições”, sobre a atividade das oposições ao Estado Novo;
“Há horas que são de todos” e “25 por 25 | Em Abril, um Quartel Depois”, sobre o 25 de Abril de 1974 em Coimbra”;
“Revelar Coimbra” e “Passado ao Espelho”, sobre os primórdios da fotografia em Coimbra;
“Ver a República”, sobre a relação da Universidade de Coimbra com a implantação de República em Portugal.
É membro do Ceis20-Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX.
Desenvolve investigação sobre a História da Fotografia em Portugal e especialmente em Coimbra, área em que tem sido autor de várias publicações.

*Este ciclo de palestras é coordenado por António Piedade, Bioquímico, escritor e Divulgador de Ciência.

ENTRADA LIVRE

Público-Alvo: Público em geral
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