quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

UM FUTURO PREOCUPANTE




No meio de uma campanha eleitoral antecipada e sem qualidade, mais se afirma a preocupação que não podemos deixar de ter sobre o futuro da humanidade.

É nas pedras, ou nas rochas, como se quiser dizer, que se encontra registada a longa e complexa história da Terra e da Vida. E nós estamos a escrever, note-se bem, o último capítulo.

Segundo o relatório da ONG Oxfam internacional, agora publicado, 26 bilionários têm mais dinheiro de metade do mundo e essa metade são os 3800 milhões de pessoas mais pobres do mundo. Insaciáveis pelo dinheiro, estes “donos disto tudo”, à escala do planeta, dominam a economia, a políticas e a justiça (nunca foi tão visível a diferença entre a justiça dos ricos e a dos pobres) e estão a poluí-lo material e moralmente.

O mar, os solos, os rios, os aquíferos e o ar, estão cada vez mais contaminados e são hoje evidentes os sinais de destruição e esgotamento deste nossa “casa”.

A imensa, desmedida, desgovernada e impune agressão de determinadas indústrias privatizam os lucros e socializam a poluição que geram. A par desta situação, que os cientistas não se cansam de denunciar, assiste-se ao aumento da desigualdade entre pobres e ricos, “o que alimenta a raiva no mundo", afirmou Winnie Byanyima, diretora executiva da Oxfam.

Escrevi há dias que num brilhante e arrasador ataque ao neoliberalismo, o plutocrata bilionário americano Nick Hanauer, avisou que “as forquilhas usadas pelo povo na Revolução Francesa, estão de novo prestes a chegar”, forma bem expressiva de dizer que a desigualdade crescente entre pobres e ricos “está prestes a empurrar as nossas sociedades para um estado parecido com a França pré-Revolução”, em finais do século XVIII.
A. Galopim de Carvalho

5 comentários:

  1. Esta ganância desmedida, este egocentrismo sem limites, este total desrespeito pela natureza, evidenciam a cabal estupidez daqueles que não conseguem vislumbrar mais que um palmo à frente do nariz. Será que não se apercebem que o poder e a riqueza que detêm, são efémeros e que o mundo que estão a "criar" vai ser o mundo dos seus filhos (e demais descendência ????)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tantas palavras "fortes" em tão poucas linhas!
      Oito mil milhões de humanos poluem que se fartam! Há mais humanos do que anos tem a Terra. (Haveria lugar só para dois mil milhões?)
      Apesar dos salários baixos, mas graças ao crédito (que engorda os ricos!?), as pessoas usufruem (?) de casas, carros, "plasmas", "smartphones" e outra quinquilharia sem grande "valor", produzidos em quantidades colossais.
      Aparentemente, a riqueza está bem distribuída; as dívidas, em morrendo o devedor, ficam saldadas.
      As dívidas são pormenores; o "pormaior" é o alargado, generalizado e procurado usufruto do que vai aparecendo. A educação formataria, condicionaria e diminuiria o consumismo? "Testamos" os nossos limites!
      "De Rerum Natura" é um grande muro das lamentações. Tenham calma porque "ninguém morre de véspera"!

      Eliminar
  2. Estimado Professor Galopim
    Agradecendo a clarividência do seu texto, acrescentaria que os “donos disto tudo” não dominam apenas a economia, a política e a justiça, dominam também a educação escolar. E fazem-nos à escala planetária. Acontece que, em termos de educação, os estragos não são imediatamente visíveis. Mais: há um discurso de tal modo (bem) construído que somos levados a concordar e a executar as medidas que atentam contra o próprio valor da educação.
    Cordiais cumprimentos,
    Maria Helena Damião

    ResponderEliminar
  3. Essa visão catastrófica e sacrificial é que está a dar cabo do presente, do bem estar e da felicidae aqui, agora, hoje.

    Farto estou eu de políticas e de visões utópicas apelandp ao sacrifício hoje para dias melhores amanhã. Não: nunca virão so dias melhores amanhã se dependerem de nós abdicarmos de viver hoje o melhor possível. Perderemos as nosas vidas numa "austeridade" para nada. Sim: o que esses anti-neoliberais e justicialistas querem é impor.nos uma austeridade geral de vida, prescindirmos de isto e de aquilo, de automóveis e de aviões e navios, de comer carne e consumir embalados saudáveis, de aquecer ou arrefecer as nossas casinhas para nosso conforto, de comprar roupinha nova em vez de andar toda a vida com trapos remendados. Etc. Austeridade. E tal como a do FMI, depois as coisas nunca melhoram de forma a compensar o "sacrifício".

    EStou fartp de que se defenda que hipotequemos o presente em nome do futurpo. Quero lá saber do futuro. Eles que se arranjem - eles terão a ciência, a técnica e a sabedoria que herdaram de nós para resolver os seus problemas, como nós vamos resolvendo os nossos com o que herdamos do passado. Não há epidemias nem fome nem guerras no mundo civilizado, porque nós nesta geração soubemos construir uma sociedade que evitou essas maldições do passado. Que os vindouros saibam evitar ou corrigir a poluição e o atraso dos países pobres.

    Estar aos berros a dizer que as forquilhas estão prestes a chegar é terrorismo verbal de um catastrofista que acha muito bem, e desja, a conflitualidade genocida de uma revolução como a francesa. Quer anarquia e povo em armas contra os ricos como se essa solução não tivesse já provado dezenas de vezes na história que só traz retrocesso civilizacional, mortandade e injustiça, e "muda tudo" para que "tudo fique na mesma" - os ricos e exploradores de hoje, chacinados, são substituídos por novos ricos e exploradores entre os líderes da revolta.

    Não, não estou disposto a prescindir dos benefícios da civilização e do progersso a que tenho direito neste século XXI em nome de qualquer utopia falaciosa, hipócrita e dogmática que se ache no direito de destruir e matar para construir outra coisa hipoteticamente melhor. Não há outra coisa melhor. O sacrifício é em vão. O que precisamos de deixar aos nossos descendentes é a vontade de fazer o melhor que podemos e sabemos para estes anos que correm, os nossos. E para isso, acima de tudo, evitar situações bélicas e insurrecionais.

    O neo-liberalismo, o liberalismo clássico e a social democracia, em conjunto, são os regimes mais favoráveis a uma democracia civilizada. Países como os escandinavos, a Suíça e a Áustria, o Canadá e a Nova Zelândia, mostram que é possível uma sociedade maioritariamente feliz e harmoniosa. Os ricos, nesses países, não incomodam ou não impedem que a pobreza seja mínima e decentemente assistida.

    Tenho medo, sim, sr. Galopim de Carvalho, das suas ideias e dos seus propósitos. E mais: se for preciso, estou disposto a pegar em armas contra elas. Nenhum aquecimento global, nenhum plástico nos mares, nenhuma desigualdade social, dá direito a uma "raiva do mundo" que desencadeie, essa sim, uma imensa, desmedida, desgovernada e impune agressão. A Oxfam é uma organização tendencialmente criminosa e terrorista nas intenções.

    ResponderEliminar
  4. A expressão "donos disto tudo" parece ter vindo para durar.
    Sabemos todos que "antigamente" era muito, muito pior: os donos disto tudo eram até donos dos corpos dos outros - de vários modos e feitios - e desfaziam-se deles (quase) quando queriam (sabemos como era a justiça dos "antigos").
    Os "antigos" só não poluíram mais porque eram "poucos" e não tinham tantas tecnologias.
    Os grandes empreendimentos, fábricas e equipamentos destinam-se à produção de artefactos e serviços para o "povo". Muitos ricos são simples, sóbrios e frugais. A E(e)ducação é necessária (e suficiente?) para moderar os outros.
    Temos (quase) todos pelo menos um pé no transcendente (os que têm os dois são loucos); estamos de passagem (?).
    Quem tiver os pés assentes na T(t)rra que levante o braço.
    É bom desabafar! No confessionário, no psicólogo, e sobretudo onde se puder comentar.

    ResponderEliminar

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.