sábado, 3 de novembro de 2018

"A promoção de uma Educação Mínima"

De Paulo Guinote vale a pena ler também o texto A Mistura Explosivapublicado hoje no seu blogue. Destaco as seguintes passagens e tomo a liberdade de mudar o título.
"A promoção de uma Educação Mínima (poderemos considerá-la de “aprendizagens essenciais”) tem como efeito a promoção activa da Ignorância, disfarçada por retóricas que apresentam os “Conhecimentos” como algo “empilhável” e muito relativo, em que Ciência e Crença são como que equivalentes. 
O resultado é uma maioria de cidadãos com um enorme défice para lidar com uma multiplicidade de informação. 
É falso que a “competência” para usar as tecnologias corresponda a uma capacidade de selecção de informação, a qual só se consegue com bases sólidas de conhecimentos (...) 
Os populismos na sua variante puramente demagógica e falsificadora crescem em ambientes em que o aumento do acesso à informação (e mesmo à “cultura”) vai a par do crescimento exponencial de uma iliteracia/ignorância funcional (...). 
E a “Sociedade do Conhecimento” torna-se, mesmo em países desenvolvidos, uma Sociedade da Ignorância que promove a exclusão do que é encarado como ameaçador. A Crença (irracional) supera a Ciência (racional). As soluções autoritárias baseiam-se nos medos iraracionais e promovem discursos activamente anti-científicos. Apaga-se a Memória e faz-se acreditar que é possível recomeçar sempre todo um edifício que levou séculos, milénios a erguer. 
A Educação é sempre a solução para romper este ciclo. A preservação da Memória Colectiva é indispensável. É o caminho para uma Cidadania plena, porque informada. Mas não pode ser uma Educação Mínima. Relativista. Essa é a que oferece apenas o “essencial” para dar uma aparência de universalismo democrático. Cria uma ilusão. Disfarçada com uma linguagem de boas intenções. Que promove uma massa de cidadãos facilmente manipuláveis. Pelo bombardeamento de informação. A falsa. A do Esquecimento. A que aposta no Medo."

Sem comentários:

Enviar um comentário

1) Identifique-se com o seu verdadeiro nome.
2) Seja respeitoso e cordial, ainda que crítico. Argumente e pense com profundidade e seriedade e não como quem "manda bocas".
3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias.