sexta-feira, 27 de julho de 2018

Para estudar melhor... não estude!

Ao procurar um livro na internet, encontrei, por acaso, este título, que me pareceu prometedor: "7 formas de ajudar o seu cérebro a estudar melhor". Dei atenção ao sub-título, afinal estudar tem alguma coisa a ver com o cérebro: "Seja para estudar para os exames nacionais, seja para um teste, estas dicas podem ajudá-lo a revitalizar o seu cérebro e a maximizar os resultados do seu estudo".

Quis conhecer as "dicas" e passei ao texto: exercício físico regular e com uma certa duração; fazer qualquer coisa de criativo; ingerir vitaminas e nutrientes; socializar pelo menos uns minutos todos os dias; dormir bem e fazer uma sesta; quebrar a rotina mesmo que em pequenas coisas; fazer ou aprender alguma coisa nova, ter um nova experiência.

Não é preciso ser grande especialista para se perceber que falta uma "dica", que é precisamente a "dica" essencial: estudar (pelo menos) um pouco.

Perguntará o leitor, desiludido com a minha observação: mas quem é que confia nestas "dicas" encontradas na internet!?

Os textos mais inocentes, como este, são sempre fruto de um pensamento, e este pensamento, em concreto, está muito presente nos discursos sobre a educação escolar. Remeto a justificação para as entrevistas divulgadas em posts anteriores (aqui, aqui e aqui).

4 comentários:

  1. Esquecia-se. Não porque não reconhecesse a importância do que deveria lembrar, mas porque as palavras de fora naturalmente se desvaneciam e os objetos reais assumiam um desenho figurado e oblíquo. Trocava os lugares narrativos, baralhava construções sintáticas, alterava atitudes proposicionais e reconstruía-se, bastas vezes, pelo Absurdo adentro. Era um contradescritivo, cético e condicional, sempre atolado em “se”, “não sei”, “talvez”, “logo se vê”. Não acreditava em nada e isso permitia-lhe uma aberta combinatória de hipóteses, sofrendo de uma distração inquietante sobre todas as coisas, o que tornava o discurso dos acontecimentos semifactual, as probabilidades aumentadas e quase erráticos os caminhos do conhecimento. Não totalmente, por causa do talento estético.
    Havia dias que evitava certas relações semânticas e não movia um passo em nenhuma direção. Bem podia o Professor ligá-lo à corrente, recapitular, relembrar, reproduzir, que aquela impunidade mental se mantinha incólume perante técnicas, tecnologias, metodologias e outros cambiantes de estratégia.
    Vivia num mundo labiríntico sob o domínio de seres fantásticos, sobretudo, aves, feliz nessa circum-amnésia exterior pelo interior encantamento do nunca visto e, sempre que viajava para os lugares dos outros, a única coisa que não podia esquecer e que não esquecia era o fio de marcação do regresso.

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    1. ... pelos fins de julho, num dia de grande canícula, consultou um médico especialista, que, depois de lhe bajular a clareza meridiana da sua escrita despretensiosa, diagnosticou-lhe verborreia aguda, prescrevendo-lhe um tratamento simples de leitura aturada dos nossos maiores clássicos...

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  2. Esta canção, com música de José Mário Branco e letra de Natália Correia, que ouvi muitas vezes, é sempre inspiradora quando tenho de pensar na escola tutelada por um sistema:
    https://youtu.be/B0KtBUDpEuA

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