terça-feira, 26 de junho de 2018

Sobre a necessidade de novos professores de Física e Química no básico e secundário

Artigo de opinião no Público de João Paiva, Carla Morais e Luciano Moreira:

https://www.publico.pt/2018/06/26/sociedade/opiniao/nao-precisamos-de-formar-mais-professores-uma-falacia-na-opiniao-publica-que-compromete-a-visao-para-o-futuro-1833279

2 comentários:

  1. Sou professora de FQ. Há poucos anos atrás, dava eu aulas numa pequena vila do interior, uma das melhores alunas que me passou “pelas mãos” (19,9 no exame nacional), no final do 11.º ano disse-me que gostaria de ser professora de FQ. A minha reacção foi espontânea e imediata: Por amor de Deus! Não!
    Quando a minha filha tinha cerca de 11 anos, disse-me que gostaria de ser professora. Resposta pronta da mãe: Se quiseres... mas eu não te pago o curso!
    Nenhuma classe profissional é tão maltratada nos meios de comunicação social como a nossa. Já ouvi de tudo: somos miseráveis, incompetentes, coitadinhos,etc. Há alguns meses atrás, num programa de debate sobre a actualidade, uma comentadora clamava, escandalizada, que uma professora de Português tinha corrigido de forma incorrecta a resposta de uma sua conhecida, numa ficha de avaliação. Conclusão da senhora: os professores de Português, salvo poucas excepções, são “maus”. Por algum acaso quando é noticiado um caso de negligência médica alguém se atreve a afirmar que os médicos são todos “maus”? Haverá alguma profissão tão vilipendiada como a nossa? E ainda somos acusados de auferir vencimentos acima da média. (1200 euros após mais de 20 anos de serviço é, aparentemente, muito.)
    Somos olhados com desdém quer pela direita, quer pela esquerda. Ah, e também pelos professores do ensino superior. Acusam-nos de falta de formação ao mesmo tempo que, convenientemente, se esquecem que foram eles mesmos que a proporcionaram. Esquecem-se que podem, ao contrário de nós, alterar os curricula como muito bem entenderem. Em suma, caso me peçam a opinião, não aconselharei nenhum dos meus “meninos” a seguir as minhas pisadas. Gosto demasiado deles. Fosse eu mais nova, votava “com os pés” e mudava de vida.

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  2. Os ilustres articulistas, angustiados, por antecipação, com a possibilidade de uma carência de professores de física e química do 3.ºciclo e ensino secundário, em Portugal, num futuro mais ou menos próximo, podem ficar descansados. Atualmente, os professores que lecionam essas duas disciplinas científicas provêm de um leque muito aberto de formações académicas que, conferindo todas os graus de bacharel ou licenciado, cobrem vastas áreas, desde as ciências farmacêuticas e do ambiente, passando praticamente por todas as engenharias das faculdades e dos institutos, até aos cursos propriamente ditos de física e química, das faculdades de ciências, cujos licenciados presumo que ainda serão uma minoria no meio de tantos “doutores” habilitados para o ensino.
    Por outro lado, os golpes sucessivos que as autoridades governamentais têm desferido nos programas de física e química, com uma lógica implacável de corte de todos os conteúdos que exigem um estudo mínimo por parte dos alunos, reduziram as matérias letivas a uma expressão tão simples que qualquer finalista do 12.ºano da atualidade pode lecionar, à vontade, e com grande qualidade, física e química no secundário.
    Quanto ao problema que a colega Machado nos propõe com tanta acutilância, eu devolvo-lhe a questão que levanta com outra:
    A colega não gostaria que os seus meninos e meninas fossem professores de educação física, para passarem os anos letivos no bem-bom e, ainda por cima, abonados com uma remuneração mensal inversamente proporcional ao muito pouco que fazem nas escolas?

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